Joinville
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Sexta e Sábado, 13 e 14 de Abril de 2001
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Santa Catarina - Brasil
ANotícia
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Salários de vereadores
terão de ser reduzidos
Novos limites atingem
16 das 22 câmaras com maior vencimento
Aline Felkl
Das
22 câmaras de vereadores que pagam os salários mais
altos a seus parlamentares em Santa Catarina, 16 (ou 72% delas)
terão de reduzir os vencimentos para se adequar à
Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). A legislação,
que já se consagrou como um calo nos legislativos municipais,
vai colocá-los novamente à prova no início
deste ano: desde fevereiro vigora a emenda constitucional nº
25/2000, que determina novos parâmetros para a remuneração
bruta dos vereadores. Se antes era definida em 75% do salário
base de um deputado estadual, que é R$ 6 mil, agora deve
ser calculada de acordo com a população do município,
em percentuais que variam de 20% a 75% deste vencimento.
A nova norma pretende acabar com salários superestimados
diante da arrecadação municipal, como ocorre na
pequena Frei Rogério. Com apenas 2.969 habitantes, a cidade
do Meio-oeste paga a seus vereadores exatamente os 75%, correspondente
a R$ 4,5 mil, segundo o Tribunal de Contas do Estado (TCE), uma
cifra idêntica à remuneração dos parlamentares
no maior município do Estado em população
e arrecadação, Joinville.
Mas a emenda constitucional vai obrigar mudanças no menor
e no maior município: Frei Rogério terá
que reduzir o salário para R$ 1,2 mil, e Joinville para
3,6 mil. Neste caso, porque o IBGE aponta 428,9 mil habitantes
na cidade das flores, e os R$ 4,5 mil passam a ser admitidos
apenas em municípios com mais de 500 mil pessoas - portanto,
nenhuma em Santa Catarina.
Esta adequação vai ser testada quando os legislativos
tiverem de apresentar ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) o
primeiro relatório de gestão fiscal deste ano,
que é quadrimestral (referente aos meses de janeiro a
abril). E num período em que a maioria das câmaras
ainda corre atrás do tempo para quitar o débito
que deixou com relação ao relatório do último
quadrimestre de 2000, já sob efeito da LRF.
O prazo para entrega encerrou em fevereiro, mas 56 sequer repassaram
as informações exigidas pela Lei Fiscal ao órgão
fiscalizador, enquanto 79 apresentaram suspeita de erro nos dados,
totalizando 135 em desconformidade com a legislação
- 71 destas resolveram o problema, mas somente no início
deste mês.
Alguns administradores das câmaras alegam que a redução
não será necessária porque consideram "remuneração
básica" de um deputado estadual também os
R$ 2.250,00 que o parlamento estadual percebe a título
de auxílio-moradia. Liminar do Supremo Tribunal Federal
(STF), concedida pelo ministro Nelson Jobim em 2000, admite o
auxílio como "remuneratório". Mas, segundo
o presidente do TCE, Salomão Ribas Júnior, é
a Assembléia Legislativa que define a cifra do "salário
base", informação obrigatoriamente repassada
às câmaras.
O atual presidente da AL, Onofre Agostini (PFL), é taxativo:
"Salário de deputado é R$ 6 mil. Auxílio-moradia,
para nós, tem caráter indenizatório",
informa.
De olho nos números Conheça os municípios
que pagam os salários mais altos aos vereadores em Santa
Catarina
Município
População (1996)
População (2000)
Salário em 2000
Salário máximo em 2001
Florianópolis
271.281
331.784
R$ 3.350,00
R$ 3.600,00
Frei
Rogério
2.661
2.969
R$ 4.500,00
R$ 1.200,00
Joinville
397.951
428.974
R$ 4.500,00
R$ 3.600,00
Santa
Terezinha
8.439
8.829
R$ 4.373,64
R$ 1.200,00
Araranguá
50.668
54.647
R$ 4.310,26
R$ 2.400,00
Chapecó
131.014
146.534
R$ 3.672,88
R$ 3.000,00
Caçador
58.620
63.113
R$ 3.282,00
R$ 2.400,00
São
José
147.559
169.252
R$ 3.267,00
R$ 3.000,00
Lages
140.946
156.406
R$ 3.174,60
R$ 3.000,00
Baln.
Camboriú
58.188
73.266
R$ 3.119,46
R$ 2.400,00
Blumenau
231.401
261.868
R$ 3.078,86
R$ 3.000,00
Criciúma
159.101
170.274
R$ 3.024,00
R$ 3.000,00
Itajaí
134.942
147.463
R$ 2.779,89
R$ 3.000,00
Navegantes
32.363
39.295
R$ 2.775,00
R$ 1.800,00
S.
Francisco Sul
27.787
32.261
R$ 2.400,00
R$ 1.800,00
Itapema
18.222
26.857
R$ 2.213,62
R$ 1.800,00
Jaraguá
do Sul
93.076
108.377
R$ 2.187,08
R$ 3.000,00
Içara
42.096
48.597
R$ 2.151,30
R$ 1.800,00
Videira
36.772
41.543
R$ 2.143,10
R$ 1.800,00
Brusque
66.558
75.798
R$ 2.101,30
R$ 2.400,00
Concórdia
56.127
62.961
R$ 2.100,84
R$ 2.400,00
Rio
do Sul
47.822
51.650
R$ 2.057,90
R$ 2.400,00
O QUE DIZ A NOVA LEI QUE DEFINE SALÁRIOS
O salário de vereador obedecerá os limites
máximos a seguir:
-
Municípios com até 10 mil habitantes 20% do salário
de deputado estadual (R$ 1.200,00)
-
Municípios de 10.001 a 50 mil habitantes 30% do salário
de deputado estadual (R$ 1.800,00)
-
Municípios de 50.001 a 100 mil habitantes 40% do salário
de deputado estadual (R$ 2.400,00)
-
Municípios de 100.001 a 300 mil habitantes 50% do salário
de deputado estadual (R$ 3.000,00)
-
Municípios de 300.001 a 500 mil habitantes 60% do salário
de deputado estadual (R$ 3.600,00)
-
Municípios com mais de 500 mil habitantes 75% do salário
de deputado estadual (R$ 4.500,00)
CÂMARAS EM DÉBITO COM A LEI DE
RESPONSABILIDADE FISCAL
São 56 as câmaras de vereadores de Santa Catarina
que ainda não prestaram qualquer informação
sobre o relatório de gestão fiscal (relativo aos
últimos quatro meses de 2000) ao Tribunal de Contas do
Estado, embora o prazo tenha encerrado em 15 de fevereiro e a
informação seja exigência da Lei de Responsabilidade
Fiscal (LRF). Seus administradores estão sujeitos a penalidades
como multa:
Catarinense faz
pressão para senador deixar comando do PMDB
Mirela Maria Vieira
Florianópolis - O presidente do Senado, Jader Barbalho
(PA), vai sofrer nova pressão na semana que vem para que
se licencie imediatamente da presidência da executiva peemedebista,
pagando assim o caro apoio dado por seus correligionários
- pelo conseqüente desgaste político e partidário
- no processo que lhe rendeu a vitória sobre a ala comandada
pelo senador pefelista Antônio Carlos Magalhães
(ACM) na disputa pelo comando da casa.
"Eu estou aconselhando o Jader a se licenciar imediatamente,
porque ele tem de cuidar de uma instituição, do
Senado. Ele que deixe para nós cuidar do partido",
resumiu na tarde ontem Maldaner. Barbalho tem tergiversado sobre
o assunto dando a entender que pretende descumprir o prometido
e permanecer até o fim do seu mandato em setembro, quando
se realizam as convenções para a escolha da nova
executiva nacional.
A saída imediata de Barbalho, no entanto, ganhou ingredientes
estimuladores na semana passada, e tomou mais corpo entre os
peemedebistas, com o envolvimento direto do senador na indicação
de pessoas denunciadas no esquema de corrupção
e desvio de recursos públicos da Superintendência
do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).
Na semana passada, o ministro da Integração Nacional,
Fernando Bezerra, confirmou a informação de que
teria aceitado indicações feitas por Jader, conforme
havia afirmado ACM, o eterno algoz e vítima de Barbalho.
Bezerra vai ser ouvido sobre o esquema da Sudam pela Comissão
de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, na próxima
semana, o que deve ser mais uma prova de fogo para o PMDB.
Cabeça
Além de um calmante geral dos ânimos internos
e baixar a poeira resultante do show de denúncias protagonizado
por Barbalho e ACM em sua guerra particular, o afastamento do
presidente do Senado da cúpula dirigente da sigla deixaria
o caminho mais limpo para a definição das candidaturas
da sigla à Presidência da República, de antemão
com dois postulantes já declarados: Pedro Simon e Itamar
Franco.
Saindo Jader, o vice, deputado federal Maguito Vilela, deixaria
mais à vontade a ala que defende uma posição
combativa e menos conivente com as fórmulas do governo
federal para sufocar investigações sobre envolvimento
de seus integrantes em esquemas de corrupção. Além
disso, deve fortalecer a disposição do partido
em resistir a uma possível coligação para
as majoritárias que novamente o deixe de fora da disputa
direta pela cadeira ocupada pelo tucano Fernando Henrique Cardoso.
"Foi muito amargo o que aconteceu em 98 para o partido.
Alianças com outros partidos pode haver, mas só
com o PMDB na cabeça de chapa, e de preferência
o Simon", arremata Maldaner.
Racha no PFL preocupa
PPB em Concórdia
Concórdia A crise que vive o PFL de Concórdia
desde o início do ano, quando o diretório municipal
foi dissolvido por iniciativa do presidente Glicério Morgan,
está mexendo até com o PPB, coligado com os pefelistas
em nível estadual. O coordenador regional do PPB e prefeito
de Seara, Flávio Ragagnin, vai solicitar ao governador
Esperidião Amin (PPB) e ao vice Paulo Bauer (PFL) ajuda
para o PFL de Concórdia superar o racha interno. "Não
queremos interferir no PFL e sim auxiliar um partido aliado a
superar uma dificuldade momentânea", explica Ragagnin.
Para dissolver o diretório municipal, Glicério
reuniu as assinaturas de cerca de 35 filiados. Só que
não foram consultados, para a dissolução,
os membros da executiva e dois dos três vereadores do partido,
justamente os pefelistas que mais defenderam a frente ampla durante
as eleições municipais, derrotada por Neodi Saretta
(PT). Glicério era a favor do lançamento de um
candidato a prefeito do PFL e se dispunha a disputar a eleição.
Presidente da agora comissão provisória do PFL,
Glicério disse que seguiu uma determinação
estadual ao conduzir a dissolução. A explicação
não convenceu principalmente os vereadores Luiz Adelmo
Budant e César Luiz Pichetti, que ameaçam deixar
o partido. "Estamos conversando e acredito que vamos nos
entender", afirma Glicério Morgan, que garante que
o episódio da dissolução do diretório
foi superado sem ressentimentos.
Nos bastidores é clara a distância que separa os
principais líderes do PFL em Concórdia no momento.
É essa falta de perspectiva de um acerto que incomoda
o PPB, partido que em Concórdia depende das alianças
sugestionadas pela coligação Mais Santa Catarina,
alinhavada pelo governador Esperidião Amin, para disputar
as eleições do ano que vem.
Amin já sabe os motivos da crise no PFL e prometeu interceder
dentro do que for possível.
INSS multa Prefeitura
de Joaçaba em R$ 833 mil
Joaçaba A Prefeitura de Joaçaba foi multada
em R$ 833 mil pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).
A notificação foi entregue ao vice-prefeito Jorge
Dresch (PSDB) ontem à tarde. A multa se refere à
diferença da contribuição para a Previdência
Social que deixou de ser recolhida pelo município em folha
de pagamento e também em serviços e obras prestados
por terceiros nos últimos dez anos. Segundo Dresch, a
maior parcela da dívida, cerca de R$ 500 mil, se refere
à folha de pagamento.
De 1991 até 2000, com a criação de um fundo
próprio de assistência para os servidores efetivos,
a Prefeitura de Joaçaba deixou de recolher a contribuição
para o INSS. Os valores que eram descontados da folha de pagamento
dos funcionários, e a parte que cabia a Prefeitura passaram
a ser destinados ao Fundo Municipal de Assistência.
Só que neste mesmo período a Prefeitura deixou
de recolher a contribuição da Previdência
dos servidores que foram contratados para exercer cargos de confiança.
Naquela época, os administradores entenderam que, por
não serem efetivos, estes funcionários não
deveriam recolher a contribuição nem para o fundo
da Prefeitura e nem para a Previdência. É aí
que está o rombo", explica Dresch.
O restante da multa se refere a serviços e obras prestados
por outras empresas à Prefeitura, onde não foi
comprovado o recolhimento. Estes prestadores de serviço
serão convocados a comprovar que recolheram a contribuição.
Se não o fizerem, vão ter que pagar a parte que
lhes cabe. A Prefeitura estima que o valor ultrapasse os R$ 200
mil.