Joinville         -          Quarta-feira, 22 de Agosto de 2001         -          Santa Catarina - Brasil
 
 
ANotícia  












PIRAÍ
Paisagens rurais, trilhas estreitas que levam a cachoeiras e usina hidrelétrica estão entre as atrações no final da Estrada Comprida
Foto: Arquivo AN

Os paraísos
ocultos de Joinville

Recantos naturais da região se transformam em válvula de escape para rotina estressante

Genara Rigotti

Fugir da rotina estressante dos centros urbanos e encontrar um ambiente tranqüilo junto à natureza é uma missão fácil na região de Joinville. Quem resolve explorar as belezas naturais do Norte catarinense pode deixar a praia em segundo plano nos passeios de final de semana e conhecer lugares agradáveis. E com um ganho extra: economia para o bolso.
Os recantos de Joinville e região, além de muito ar puro e natureza exuberante, proporcionam momentos de diversão para toda a família. Um tanto esquecidos em invernos anteriores, neste ano recantos como o Tia Marta, Jativoca e o Pesque-Truta (este último no município de Garuva) registram movimento acima das previsões dos proprietários.
A contribuição inesperada foi clima quente, atípico para esta época. Com exceção dos banhos em rios ou piscinas, os visitantes estão podendo curtir mesmo neste período do ano todas as atrações oferecidas durante a temporada de verão. Na área rural dos municípios de Joinville e Garuva, o que não falta são opções de lazer. Com pouco gasto, a família inteira se diverte.
Muito verde, águas cristalinas, montanhas que abrigam histórias misteriosas são atrativos perfeitos para o descanso da mente e do espírito. Também vale pescar, tomar banhos de rio ou piscina, andar com os pés descalços, saborear produtos coloniais ou um delicioso churrasco com família e amigos ou ainda simplesmente acompanhar o movimento e a simplicidade dos lugares.

Repelente é aconselhável

Para os visitantes que não querem se incomodar, basta levar um bom repelente contra insetos e tomar muito cuidado com as estradas de chão da área rural, que geralmente são estreitas e sinuosas. Comida e bebidas podem ser adquiridas nos restaurantes instalados nos recantos Tia Marta, Davet, Jativoca, Monte Crista e no Pesque-Truta, por exemplo. Se a família quiser apenas curtir o lugar e não tiver interesse em fazer seu próprio almoço, não vai gastar muito se escolher no cardápio uma alimentação caseira.
Um dos únicos recantos que não oferece restaurante nem quiosques com churrasqueiras é o do Piraí - ideal para passar uma tarde daquelas bem quentes e recuperar as energias para uma semana de trabalho. A região se destaca pela beleza da mata atlântica, rios de águas cristalinas, cachoeiras espetaculares e pequenas propriedades rurais que emolduram centenárias casas construídas em sistema enxaimel por descendentes dos alemães que desbravaram o lugar.
Nesse ambiente bucólico, que costuma ficar lotado de visitantes nos finais de semana, as principais atrações são as cachoeiras. Na comunidade de Salto 1, o rio Piraí oferece um dos principais pontos turísticos: no local, além de uma queda d'água com mais de 100 metros, está instalada uma usina hidrelétrica inaugurada em 1908. Trata-se da mais antiga do Norte de Santa Catarina. E já existe um projeto de ecoturismo que quer aproveitá-la como unidade didático-histórica. Com o lançamento do projeto, o local deve ganhar em infra-estrutura.
Próximo à queda do Piraí está localizado o rio do Ouro, que abriga um escorregador natural. Trata-se de uma rocha escura, em forma de tobogã, por onde os banhistas deslizam até mergulhar em uma piscina natural, de águas transparentes. A área rural de Joinville e municípios vizinhos é realmente privilegiada. Oferece opções de lazer para pessoas de todas as idades com preços acessíveis. Às vezes é possível curtir um belo passeio com a família e amigos quase de graça: basta se programar e aproveitar as atrações disponíveis.


MONTE CRISTA
Um ambiente bucólico em meio à Serra do Mar
Foto: Luiz Micheluzzi

PESQUE-TRUTA
Culinária requintada e sossego na mata atlântica
Foto: Luiz Micheluzzi

Roteiro do lazer

O que você precisa saber sobre os recantos mais procurados de Joinville

Recanto Jativoca

  • Área de 2,5 milhões de metros quadrados, localizada no final da Estrada Jativoca, no bairro Nova Brasília. O recanto, criado em 1986, é cercado de muito verde e conta com trilhas para caminhadas e espaço próprio para campeonatos de mountain bike.
  • Atrações: Um grande lago para passeios de pedalinho e um minilago com pesque-e-pague para crianças. Também são oferecidos passeios de charrete e passeios a cavalo para toda a família.
  • Funcionamento: O recanto fica aberto somente nos finais de semana e feriados.
  • Alimentação: O restaurante fica aberto somente no horário de almoço. Entre as especialidades, há um cardápio de comida alemã que promete deixar os visitantes com água na boca. O almoço para uma família (casal e duas crianças) sai por R$ 15,00, em média.
  • Preços: O passeio a cavalo custa R$ 5,00 por pessoa, é feito em grupos e dura aproximadamente 30 minutos. Para crianças pequenas existe um cavalo próprio, que pode ser conduzido por um adulto, ao custo de R$ 1,00 a cada 15 minutos. Para quem quiser pescar na lagoa, o quilo de peixe custa R$ 1,50. Trinta minutos de pedalinho para duas pessoas custam R$ 1,00.
  • Informações: (47) 454-0003.

Recanto Davet

  • Área de 92 mil metros quadrados, localizada na SC-301, km 3, na área rural de Pirabeiraba. O recanto é bastante tradicional e reúne principalmente os moradores da região, que são descendentes de alemães. Fica às margens do rio Cubatão, um dos principais do município.
  • Atrações: Campos de futebol profissional e suíço e quadra de voleibol, rio para banhos - que merecem o devido cuidado, principalmente com as crianças -, dois toboáguas, área para camping e quiosques com churrasqueiras. Nos fins de semana são vendidos pães caseiros.
  • Funcionamento: O recanto fica aberto diariamente, mas o maior movimento é nos finais de semana.
  • Alimentação: Durante a temporada - entre novembro e março -, funciona um restaurante com cardápio variado. Fora de temporada, as famílias que visitam o lugar podem comer um churrasco com maionese e salada a R$ 4,50 por pessoa ou fazer seu próprio churrasco.
  • Preços: Somente na temporada é cobrada uma taxa de manutenção de R$ 1,00 por pessoa de segunda a sábado e de R$ 2,00 no domingo.
  • Informações: (47) 428-0485.

Recanto Tia Marta

  • Área cercada pela mata atlântica, no final da Estrada Bonita, a cerca de 5 quilômetros da BR-101 e 28 quilômetros do centro de Joinville. Lugar perfeito para quem busca um ambiente tranqüilo junto à natureza. Ao longo da Estrada Bonita, o visitante também pode saborear deliciosas cucas, pães e geléias, entre outros produtos coloniais, e conhecer o processo de fabricação caseiro do melado e da cachaça.
  • Atrações: Grande área para visitação dentro da mata atlântica, passando sobre a ponte pênsil do rio Pirabeirabinha. Além de usufruir de banhos em águas cristalinas, o visitante também pode usar as churrasqueiras espalhadas pelo bosque para preparar o almoço com a família e amigos.
  • Funcionamento: O recanto fica aberto apenas nos finais de semana.
  • Alimentação: Um restaurante de construção rústica oferece comida caseira, carnes e marreco assado em forno a lenha nos sábados e domingos a preço de mercado.
  • Preços: Não é cobrada taxa de entrada para visitação.
  • Informações: diretamente no local, pois não há fone de contato.

Recanto e Parque Aquático Monte Crista

  • Área que fica no município de Garuva, a aproximadamente 35 quilômetros de Joinville, em meio à Serra do Mar, na encosta do misterioso Monte Crista. O recanto, que foi inaugurado há três anos, proporciona lazer às famílias, numa completa integração com a natureza.
  • Atrações: Duas piscinas - uma para adultos, com 746 metros quadrados, e outra para crianças, com 58 metros quadrados -, um tobogã com 46 metros de altura, cabo áereo sobre o rio Três Barras, uma cancha de vôlei de areia e quiosques com churrasqueiras no meio de uma belíssima área verde. O visitante também pode tomar banho de rio. Quem tem um espírito aventureiro, em menos de meia hora de caminhada serra acima, encontra 13 cachoeiras no caminho. Três salva-vidas tomam conta das piscinas.
  • Funcionamento: O recanto só abre a partir de outubro, para a temporada de verão. Atende das 9 às 19 horas.
  • Alimentação: Cada visitante pode fazer o seu próprio churrasco ou utilizar o restaurante, que oferece lanches e comida caseira a preços acessíveis.
  • Preços: O ingresso custa R$ 5,00 por pessoa, e crianças de até seis anos não pagam. Só é proibida a entrada de bebidas, que devem ser consumidas no local.
  • Informações: (47) 492-2207.

Recanto Pesque-Truta

  • Área cercada por mata atlântica, localizada a aproximadamente 45 quilômetros de Joinville, já no município de Garuva. Coloca o visitante em contato direto com a natureza. É um lugar perfeito para quem busca lazer, tranqüilidade e gastronomia requintada.
  • Atrações: Além da pesca, o recanto oferece um parquinho para diversão da criançada e um restaurante rústico, com um cardápio de dar água na boca, perfeito para um bom bate-papo com familiares e amigos.
  • Funcionamento: O recanto fica aberto diariamente das 7 às 21 horas, mas o maior movimento é nos finais de semana.
    Alimentação: O visitante pode pescar a sua própria truta para o almoço, acompanhada de batata sotê, arroz com assafrão, legumes no vapor e molhos especiais de amêndoa, alcaparras e natural. O restaurante tem um cardápio à base de truta e frutos do mar, que podem variar de R$ 5,00 (petiscos) a R$ 28,00 (pratos de frutos do mar).
  • Preços: O quilo da truta pescada - que vai para casa limpa e embalada com toda higiene - custa R$ 8,00. Cada truta pesa, em média, 300 gramas. O visitante é obrigado a levar o que pesca, porque a truta é muito sensível e não sobrevive se for recolocada na lagoa.
  • Informações: (47) 445-3359.

Recanto Piraí

  • Área de mata atlântica, com trilhas estreitas que levam às cachoeiras esculpidas pela natureza ao longo dos rios Ouro e Piraí. Do local também é possível avistar a cachoeira que gera energia na usina hidrelétrica do Piraí. Localizado no final da Estrada Comprida, o recanto atrai famílias inteiras e jovens que fazem o trajeto de bicicleta nos finais de semana.
  • Atrações: O principal atrativo é a própria natureza e os banhos de rio. O local não conta com uma estrutura adequada para os visitantes que querem passar o dia e chega a ser arriscado para crianças pequenas, devido aos caminhos íngremes.
  • Funcionamento: Aberto todos os dias.
  • Alimentação: Os visitantes que querem passar muito tempo no local devem levar a comida de casa. Há apenas um barzinho, com bebidas e lanches rápidos.
    Preços: Não é cobrada taxa de entrada.
  • Não há telefone para contato.

Outras opções no Bairro Vila Nova

  • Pesque-pague Piraí
    Situado na Estrada do Atalho, conta com dez lagos, material de pesca, instalações para limpeza dos peixes e lanchonete com bebidas e salgadinhos.
    Fone (47) 439-5180.
  • Parque Aquático Cascata do Piraí
    Situado na Estrada do Piraí, conta com quatro piscinas, três tobogãs (um deles para crianças), lagos com peixes, área para camping, quiosques com churrasqueiras, restaurante com bufê e lanchonete.
    Fone (47) 439-5403.
  • Parque Aquático Wasser Walley
    Localizado na Estrada Motucas, oferece piscinas para adultos e uma infantil com tobogã, campos de futebol, cancha de voleibol na areia, lagos para pesca, áreas para caminhadas e churrasqueiras cobertas e ao ar livre.
    Fone (47) 439-5107.

Outras opções em Pirabeiraba

  • Pesque-pague Silva
    Localizado na Estrada Quiriri de Baixo, dispõe de material de pesca e instalação para limpeza do pescado e também oferece cancha de bocha e restaurante.
    Fone (47) 492-1510.
  • Pesque-pague Lagoa Corimba
    Localizado na Estrada do Quiriri, oferece lagos e miniparque para as crianças. Uma lanchonete vende bebidas e salgadinhos e, sob encomenda, é possível preparar churrasco, filé de peixe e sopa de peixe.
    Fone (47) 428-0229.
  • Pesque-pague Sete Lagoas
    Fica na Estrada Rio da Prata, com tanques para pesca. Na propriedade há um rio para banhos e local para assar churrasco. Sob encomenda, serve almoço caseiro.
    Fone (47) 428-0386.


Machu Picchu, a
cidade sagrada dos incas

Ruínas encravadas nos andes peruanos estão entre os lugares mais visitados do mundo

Lima - Antes de notar a atmosfera mística e a sensação de grandeza que toma conta de Machu Picchu, a cidade sagrada dos incas, o norte-americano Hiram Bingham, o primeiro a "descobri-la", descreveu o santuário como "um lugar de difícil acesso, cercado de penhascos". Mas foi graças a isso que ela não foi encontrada antes e acabou resistindo à destruição no período colonial.
Era novembro de 1911 e o historiador, no lombo de um burro, procurava, na verdade, uma outra cidade perdida, chamada de Vilcabamba, que mais tarde também foi descoberta. Mas acabou sendo levado por dois camponeses ao local que batizaram de ruínas dos índios. Bingham encontrou o lugar abandonado e coberto pela selva. Uma visão bem diferente daquela que os turistas têm hoje.
Ao contrário do historiador, os visitantes escolhem como querem viajar às ruínas que ficam a uma altitude de 2.450 metros: de trem, de helicóptero ou andando. O ex-presidente Alberto Fujimori chegou até a propor uma quarta opção, um teleférico. Mas a idéia, graças à pressão dos ambientalistas, foi descartada.
Para entrar em Machu Picchu, que virou Patrimônio da Unesco em 1983, é preciso pagar 20 dólares pelo ingresso. Americanos, japoneses, argentinos, chilenos, franceses, italianos, canadenses e brasileiros se misturam nas filas. E não são poucos. O número de visitantes aumentou de 6 mil em 1984 para 66 mil em 1998, segundo a entidade oficial de turismo do Peru, Promperu. Com o intuito de organizar e preservar o local, os guias dividem os visitantes em grupos de idiomas inglês e espanhol, para depois começar o tour pelas ruínas.
Com roupas sujas, barba por fazer e ar de cansaço, chegam aqueles que enfrentaram os quatro dias de trilha, dormindo em barracas. Já os que pegam o trem, uma locomotiva antiga que sobe lentamente, desembarcam depois de três horas e meia na estação do pequeno povoado de águas Calientes, onde há uma feirinha de artesanato, alguns hotéis e restaurantes. O trajeto de lá até a entrada das ruínas é feito em ônibus, que passa por curvas sinuosas ao lado de penhascos. Como o trem só parte para Cuzco uma vez ao dia, às 16h35, a dica para quem quiser ficar mais é dormir lá mesmo no vilarejo e voltar no dia seguinte.

Imaginação

Para começar a visita, o melhor é escolher um dos pontos mais altos de Machu Picchu. Sente-se na grama e olhe para baixo. Dá para ver a cidade toda. Pare por alguns instantes e imagine o que poderia estar se passando no meio daquelas construções de pedra se você estivesse ali há 500 anos.
Das ruínas, 65% são originais e o restante foi restaurado. Se tiver um guia por perto, é interessante escutar o que funcionava em cada uma das salas. De um lado, ficava o setor urbano, que reunia os templos, as praças e os locais onde estudavam astronomia. Além das 200 habitações. Acredita-se que tenham vivido lá 400 pessoas ao todo. Os guias locais, porém, falam em mil habitantes no auge. Do outro lado, fica o setor agrícola, onde concentrava-se a produção que abastecia a cidadela.
Quem pretende curtir o que o lugar tem de mais famoso, sua energia mística, deve fugir dos grupos. Há quem fique andando vagarosamente pelas ruínas, fique horas deitado sobre a grama ou sentado meditando. Mas é uma minoria. A maior parte é formada por curiosos que ficam em grupo e escutam atentamente às explicações dos guias.

Cuzco herdou o agito espanhol

Sentar por alguns instantes na Praça das Armas é o melhor começo para quem chega a Cuzco, a antiga capital do império inca situada ao sul de Lima. Nela circulam nativos e viajantes de todos os cantos do mundo. No contato com o povo, não há como não desembolsar alguns soles - o sol é a moeda nacional. Mulheres carregando os "filhotes" em panos coloridos amarrados nas costas tampam o rosto quando notam uma câmera fotográfica apontada para elas. A não ser que o visitante lhes dê "la plata". Aí sim, elas posam. Já as crianças, de pele morena, olhos puxados e bochechas rosadas, sorriem e tentam convencer o turista a comprar um "postale."
A cidade de 350 mil habitantes revela um universo único. Guarda resquícios da civilização inca, mas a época da colonização espanhola está muito mais presente, sobretudo na arquitetura. A catedral, construída entre 1560 e 1664, tem fachada renascentista e estilo barroco no lado de dentro. Parte das pedras usadas para a edificação saíram das ruínas próximas da cidade. Já a igreja da Companhia de Jesus foi construída em 1576 pelos jesuítas sobre Amarucancha, o palácio do inca Huayna Cápac.
Da mesma forma, o convento de Santo Domingo, um pouco afastado dali, foi construído sobre Korikancha, o templo inca dedicado ao Sol. A igreja foi erguida no século 17 pelos espanhóis, que aproveitaram a base da arquitetura inca. São grandes pedras sem rejunte de argamassa.

Mochileiros

Ao redor da praça ficam os restaurantes "mais caros" - isso significa fazer uma boa refeição por pouco mais de dez dólares por pessoa. Já nas sinuosas ruas que partem daquele quadrilátero misturam-se hospedarias para mochileiros, restaurantes econômicos, onde dá para almoçar ou jantar, com bastante pechincha, até por 2 dólares.
Vale lembrar que Cuzco está a 3.360 metros do nível do mar. Quem chega de um lugar muito abaixo disso, como Lima, por exemplo, é aconselhado a repousar. Ser surpreendido pelo "mal da altitude" é comum. Ou seja, sentir tontura, náusea e falta de ar.

Arredores levam ao "reinado"

Se Cuzco revela muito do período colonial, os arredores da cidade exibem a fase anterior, a civilização inca, ou andina, como os moradores preferem, que começou a ser destruída no século 16, com a chegada dos espanhóis. De carro, ou nos ônibus das agências locais que diariamente levam turistas para desvendarem a região, conhece-se o que restou do "império do sol", que começou no século 13. No auge, chegou a ter 10 milhões de pessoas sob o seu domínio.
Um dos pontos mais visitados é a Fortaleza de Sacsayhuamán, a apenas dois quilômetros de Cuzco, construída durante o império para proteger a cidade. São muralhas de até 300 metros de comprimento que já perderam muitas das pedras na época da construção da catedral da cidade, que fica na Praça das Armas.
Perto dali fica Kenko, um anfiteatro com galerias subterrâneas. Lá dentro dá para ver o altar que mostra os três níveis nos quais os incas acreditavam estar dividido o mundo: dos deuses, dos homens e dos mortos. Também interessante é Puca Pucara, a fortaleza que controlava os caminhos que levavam à cidade. Tampumachay exibe os canais de água que abasteciam o povoado e pequenas cascatas. Uma verdadeira lição de engenharia hidráulica.
Reserve pelo menos um dia para desvendar um pouco do Vale Sagrado dos Incas, entre os povoados de Pisac e Ollantaytambo, a uma hora de Cuzco. Ollantaytambo foi o centro agrícola. A poucos metros das ruínas fica o povoado de mesmo nome, que exibe algumas casinhas nas ruas estreitas de pedra.

Mirante

Em Pisac, a 33 quilômetros de Cuzco, o turista irá ao delírio num famoso mercado de artesanato local. Quem for aos domingos pode dar uma espiada na missa das 11 horas, celebrada em quéchua - antiga língua inca, um dos idiomas oficiais do Peru. A pequena igreja fica lotada de nativos, com suas roupas típicas coloridas.
O trajeto para as ruínas que ficam ao redor de Cuzco é tão interessante quanto os lugares que serão visitados. Diversos mirantes revelam imensos vales que merecem ser fotografados. Aparecem em meio à paisagem vilarejos onde ainda se fala o quéchua. Neles, a vida começa às 4 da manhã e termina às 18 horas.

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Enigmas do Amazonas podem desorientar turistas

Nem mesmo os nativos entendem os movimentos do maior rio do mundo, que mede forças com o mar

Belém - Os turistas do mundo inteiro que chegam a Belém o ano todo desembarcam convencidos de que verão o rio Amazonas, o maior do mundo, em frente à cidade. É sincera a surpresa e profunda a decepção quando os visitantes ficam sabendo que o rio está a quase 200 quilômetros de distância, ao norte da área urbana. Mas turistas, estudantes, e mesmo a maioria dos 1,2 milhão de habitantes da própria Belém continuam certos de que o Amazonas é o principal contribuinte de águas para a baía que banha a capital paraense, se espalhando pelo mais vasto golfo ou delta existente, que contribui com 20% de toda a água de rio descarregada nos oceanos do planeta.
Segundo ensinam - sem contestação - muitos manuais de geografia em circulação nas escolas brasileiras, o Amazonas tem 300 quilômetros de boca ao chegar ao final do seu percurso de 6.200 quilômetros, desde o sul do Peru até o Atlântico. Na foz, lança águas no Atlântico por dois braços, ao norte e ao sul do Marajó, a maior ilha fluvial do mundo, com 50 mil quilômetros quadrados. A descarga média é de 80 milhões de litros de água por segundo penetrando no mar, quatro vezes mais do que a vazão do Mississipi, o maior rio dos Estados Unidos. Mas chega a ter três vezes mais no auge do períodos de cheia, que dura um semestre. Isso, só de massa líquida.
Os sedimentos em suspensão na água chegam a 160 milhões de toneladas anuais, o que levou o cientista Charles Hartt a imaginar: "Se sobre uma linha férrea corresse, sem parar, um trem contínuo carregado de tijuco e areia, essa quantidade de materiais ainda seria menor do que o de fato transportado pelas águas do Amazonas". Mas apenas a 116ª parte de todo esse despejo de água e material em suspensão é desviada da calha do Amazonas, deixando de alcançar o Atlântico, para ser desviada, através de centenas de "furos", na direção sul, desembocando no rio Pará, onde se dilui junto com as descargas de outros dez rios, todos acima de 400 quilômetros de comprimento, e só então banhando Belém, onde está uma das diversas bacias desse que é o maior e o mais mal conhecido dos estuários do Brasil.
Talvez a ignorância sobre essa região possa diminuir com a publicação de um livro, "Várzeas Flúvio-Marinhas da Amazônia Brasileira", lançado no final do ano passado pela Faculdade de Ciências Agrárias do Pará. O principal dos autores, o engenheiro agrônomo Rubens Rodrigues Lima, trabalha sobre o tema há quase 50 anos. Agora, aos 83, ele se juntou a outros dois pesquisadores - Manoel Malheiros Tourinho e José Paulo Chaves da Costa - para consolidar todo o conhecimento existente sobre a área e tentar acabar com as fantasias e falácias.

Tocantins não faz parte da mesma bacia, dizem técnicos

Já não são tantos quanto antes, mas ainda não são poucos os que, em livros didáticos ou mesmo em trabalhos técnicos, ainda se atrevem a sustentar que o Tocantins, o 25º maior rio do mundo, correndo de sul para norte ao longo dos seus 2.500 quilômetros de extensão, é afluente do Amazonas. Só a partir de 1972 é que os dados referentes à bacia do Amazonas passaram a ser tratados separadamente das informações relativas à bacia do Araguaia-Tocantins, em divisão adotada pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica, o já extinto Dnaee, pondo fim ao domínio absoluto da concepção de uma só bacia Amazonas-Tocantins.
Nos meios científicos não há mais dúvida de que são duas bacias distintas, apenas com pontos de chegada próximos (relativamente às distâncias amazônicas, é claro). Mas ainda é predominante a noção de que o Amazonas se divide em dois braços ao chegar à sua foz, diante da ilha de Marajó, e que é o principal formador do estuário do Pará, justamente por isso seu braço sul - e a razão de os turistas pretenderem ver o rio colossal em frente a Belém. O que vinha sendo até então uma discussão acadêmica, em 1984 se tornou um tema de importância prática e urgente.
Para iniciar o enchimento do reservatório da hidrelétrica de Tucuruí, com 2.850 quilômetros quadrados de área, no qual passaria a estocar 450 bilhões de litros de água para movimentar as 12 gigantescas turbinas da usina (cada uma delas precisando "engolir" 500 mil litros de água por segundo para gerar 350 mil quilowatts de energia, o suficiente para abastecer, sozinha, uma cidade como Belém), a Eletronorte interrompeu completamente a passagem de águas do rio Tocantins, de montante para jusante, a 350 quilômetros da sua foz.

Perigo

Houve o temor de que o mar invadisse o estuário onde Belém está localizada, por causa da redução do volume de água doce com o completo barramento do Tocantins. A conseqüência seria a elevação do teor de sal a níveis perigosos, tanto nas águas superficiais quanto nos depósitos subterrâneos. A hipótese assustou a população da área mais densamente habitada de toda a Amazônia, obrigando a Eletronorte a realizar o mais exaustivo levantamento já feito na área (e a primeira pesquisa das conseqüências a jusante de uma barragem no Brasil) para estudar as contribuições de todos os 11 rios que drenam para o estuário.
A salinização excessiva acabou não acontecendo porque o tempo de retenção das águas do Tocantins na barragem de Tucuruí foi inferior ao originalmente previsto. Além disso, as chuvas caíram mais cedo do que o normal e os outros afluentes compensaram a falta do Tocantins durante dois meses. Mas os técnicos também puderam concluir que o Amazonas é o rio que menos fornece água para esse autêntico labirinto líquido, formado por uma sucessão de baías e enseadas que se estendem entre a costa sul do Marajó, a mais famosa atração turística do Pará, e o continente, numa extensão de 300 quilômetros por 20 quilômetros de largura média.

 
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