Joinville         -          Quarta-feira, 29 de Agosto de 2001         -          Santa Catarina - Brasil
 
 
ANotícia  












DEVOÇÃO
Altar da Capela de Nossa Senhora da Imaculada Conceição
Fotos: Marcos Horostecki

 

Um roteiro religioso pelo Oeste

Igrejas, grutas e recantos localizados ao longo da BR-282, em Chapecó, são boas opções para passeios

Marcos Horostecki

O Oeste é uma das regiões do Estado que mais concentra lugares que oferecem paz de espírito, uma religiosidade ligada às culturas alemã e italiana. Alguns recantos estão sendo melhorados pelas comunidades. É o caso de igrejas e grutas localizadas ao longo da BR-282, entre o trevo de Chapecó e o município de Nova Itaberaba. O roteiro é curto: leva do moderno ao antigo em poucos minutos e pode terminar com um gostoso final de semana em algum hotel-fazenda das redondezas. Os agricultores também se organizam para em breve receber visitas em suas propriedades.
Chegando a Chapecó, o visitante precisa se esforçar para encontrar igrejas que homenageiam santos conhecidos da cultura brasileira, como São Paulo, São Carlos e Nossa Senhora da Imaculada Conceição. O caminho mais curto, a partir do centro, é pelo acesso Plínio Arlindo De Nes até a BR-282 (10 quilômetros). Chegando ao trevo entre as duas rodovias, é preciso virar para o Oeste, em direção a São Miguel do Oeste e à fronteira com a Argentina. Do trevo até as igrejas, o visitante precisa rodar mais 15 quilômetros. Há pequenos acessos até as comunidades, cada um com não mais do que três quilômetros.
A primeira igreja, a apenas um quilômetro do trevo, é a mais moderna de todas. Ela foi inaugurada em janeiro, na comunidade de Colônia Cella, uma das mais antigas de Chapecó, com 78 anos. A nova igreja, que têm São Paulo como padroeiro, substituiu uma antiga, em madeira e estilo franciscano, que teve que ser demolida devido a problemas de estrutura. A nova tem iluminação especial e intrigantes reproduções da paixão e morte de Cristo.
Um dos atrativos da comunidade é a hospitalidade dos moradores. Ao lado da igreja vive um caseiro que pode fornecer ao visitante todas as informações sobre o local, que também promove, aos finais de semana, as tradicionais festas religiosas. Em Colônia Cella pode ser encontrado o professor mais antigo de Chapecó, 'seu' Fernando Favaretto, de 96 anos. Lúcido e com uma vitalidade de dar inveja, ele conta histórias do tempo da colonização e tem até uma receita para a vida longa: "É preciso dizer a Deus que nos leve quando quiser", comenta.

PAZ ESPIRITUAL
Imagens sacras chamam a atenção em meio à natureza

 

PATRIMÔNIO HISTÓRICO

Também em Colônia Cela pode ser encontrada a última casa em estilo italiano da região. Saindo da comunidade, são mais dois quilômetros até o acesso, que fica do lado esquerdo da BR-282. A casa, que deve ser tombada pelo patrimônio histórico, tem mais de 60 anos e pertence à família da nona Itália Vicenzi. A comunidade também prepara a construção de um museu, que terá, mais de 300 peças - a maioria instrumentos de trabalho usados do início do século 20 até a década de 50.
Saindo da Colônia Cella, são mais seis quilômetros até a Colônia Bacia, onde a comunidade conseguiu recuperar a antiga igreja em estilo franciscano. A restauração foi inaugurada em agosto e devolveu à igreja as cores originais. O templo é todo em madeira de lei e foi construído na década de 50. Tem duas torres paralelas, também em madeira, e mantém todas as características da época em que foi construído. A restauração custou cerca de R$ 50 mil e foi realizada em parceria com o município.

O que visitar

Saiba o que não pode deixar de ser visto na região

  • Monumento "O Desbravador"
    Homenagem aos colonizadores da região. Com 14 metros de altura, 5,70 de largura e 9 toneladas, é o símbolo de Chapecó. Na base do monumento está o Museu Paulo de Siqueira (autor da obra), junto com o posto de informações turísticas. Fica no centro, ao lado da Catedral Santo Antônio.
  • Catedral Santo Antônio
    Uma das mais belas construções sacras do Estado. Inaugurada em dezembro de 1956, tem duas torres com 40 metros de altura.
  • Vale do Uruguai
    Descida da serra da SC-480, com linda vista para o rio Uruguai. A 18 km do centro da cidade, rumo ao Rio Grande do Sul.
  • Gruta de Sede Figueira
    A mil metros da BR-282 no sentido São Miguel do Oeste, o lugar abriga três grutas com a capela de Nossa Senhora de Lourdes. O passeio é ilustrado pela Trilha dos Mistérios.
  • Gruta de Sede Trentin
    A 2 mil metros da SC-283, saída para Seara, há uma queda-d'água com 30 metros de altura, onde situa-se uma imagem de Santa Lúcia.
  • Trilha do Pitoco
    Acesso ao Rio Grande do Sul, é o melhor lugar para a prática do rapel. A trilha tem quase cinco quilômetros e leva a um recanto ecológico com bela paisagem e oito cachoeiras.
  • Museu Antonio Selistre de Campos
    Funciona junto à Casa Histórica da Família Bertaso, no Parque de Exposições Tancredo de Almeida Neves, com acervo de arqueologia, fotos, arte e costumes dos indígenas e colonizadores da região.
  • Museu Tropeiro Velho
    Localizado na comunidade de Linha Boa Vista, na propriedade de Luiz da Fonseca (Luiz Mineiro). Conta com mais de mil peças utilizadas no tempo em que o transporte de mercadorias era feito em lombo de burro.

Onde ficar

  • Almasty Hotel
    Avenida Nereu Ramos, 155-D, fone (49) 323-3028
  • Asppen Hotel
    Rua Benjamin Constant, 281-D, fone (49) 323-8131
  • Cometa Hotel
    Rua Marechal Bormann, 52-D, fone (49) 323-3800
  • Eston Hotel
    Avenida Nereu Ramos, 129-D, fone (49) 323-1044
  • Golden Hotel
    Avenida Getúlio Vargas, 402-N, fones (49) 322-0311/323-2415
  • Hotel Bertaso
    Avenida Getúlio Vargas 52-S, fone (49) 322-4444
  • Hotel Chapecó
    Avenida Nereu Ramos, 1390-E, fone (49) 323-1315
  • Itatiaia Business Hotel
    Avenida Getúlio Vargas, 1372-N, fone (49) 323-6300
  • Lang Palace Hotel
    Avenida Nereu Ramos, 1.057-E, fone (49) 323-6868

Onde comer

  • Terrace Bertaso
    Avenida Getúlio Vargas, 52-S, fone (49) 322-4444
  • Bar e Restaurante Calenda
    Rodovia SC-480, km 18,5, fone (49) 391-0025
  • Restaurante Chapecoense
    Rua Marechal Bormann, 162-E, fone (49) 323-3830
  • Restaurante D'Itália
    Rua Fernando Machado, 142-O, fone (49) 322-3375
  • Fratelli Restaurante e Pizzaria
    Avenida Getúlio Vargas, 1274-N, fone (49) 323-0030
  • Restaurante Industrial
    Rua Fernando Machado, 281-O, fone (49) 322-3985
  • Orient In Box
    Avenida Getúlio Vargas, 867-N, fone (49) 322-0314
  • Restaurante Samuray
    Avenida Getúlio Vargas, 963-N, fone (49) 322-4290
  • Restaurante Tabajara
    Avenida Getúlio Vargas, 437-N, fone (49) 322-3625

Mais informações

SILÊNCIO
Gruta de Nossa Senhora de Lourdes: somente o barulho das águas e dos pássaros

Capela e trilha formam um
dos pontos mais místicos

Esculturas, oferendas e pequeno vale completam o cenário em Sede Figueira

Chapecó - O roteiro pelas igrejas do interior de Chapecó se completa com uma visita à capela de Nossa Senhora da Imaculada Conceição e à Trilha dos Mistérios de Nossa Senhora de Lourdes, na comunidade de Sede Figueira. A localização da comunidade é facilitada por placas ao longo da BR-282.
A capela de Nossa Senhora da Imaculada Conceição é um pouco mais moderna que a de Colônia Bacia - foi construída entre as décadas de 70 e 80 -, mas conta com relíquias, como o pedestal de madeira, que toma toda as paredes e abriga os santos católicos. A principal festa da comunidade é a Romaria de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, em dezembro, que atrai fiéis de todo o Oeste.
Durante a romaria, a imagem da santa é retirada da capela e levada para junto de outra imagem de santa: Nossa Senhora de Lourdes, que fica na gruta do lado oposto da rodovia. Recentemente recuperada, a gruta recebeu esculturas que lembram as passagens de Maria durante o calvário de Jesus Cristo e foi batizada com o nome de Trilha dos Mistérios de Nossa Senhora de Lourdes. O local já é bastante conhecido e recebe turistas todo o final de semana.
A trilha é talvez um dos locais mais místicos e religiosos do Oeste. São cerca de 500 metros de um caminho estreito, onde esculturas que lembram os mistérios foram colocadas. O local conta com um conjunto de três grutas, com imagens de Nossa Senhora de Lourdes e espaço para o depósito de oferendas pelas graças alcançadas. A água que brota das pedras, segundo dizem os moradores das redondezas, é considerada benta e milagrosa. O cenário se completa com um pequeno vale, logo acima das grutas, onde fica uma cachoeira de 10 metros de altura e outras trilhas que levam a uma imagem do cristo crucificado, também muito visitada. Além do verde e das imagens sacras, o que mais impressiona é o silêncio, quebrado apenas pelo barulho dos pássaros e da água. Para descansar e manter o contato com a natureza, a melhor pedida é se hospedar o Hotel Fazenda São Luiz, no caminho de volta à cidade. (Marcos Horostecki)


VÔO FRIO
A neve chega mais tarde a Portillo, mas a temporada de esqui vai até outubro e atrai visitantes de todas as partes do mundo a cada estação
Fotos: AE Paulo Liebert

Um espião dentro do seu micro
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O autêntico clube sobre a neve

Portillo, no Sul do Chile, está entre as melhores estações de esqui do continente

Santiago do Chile - Academia, cinema, esportes. Portillo é um clube na neve. A estação localizada em um vale próximo da base do Monte Aconcágua, no Chile - a 149 quilômetros de Santiago, bem na fronteira com a Argentina - abriu no dia 30 de julho, duas semanas depois do previsto. Em compensação, terá esqui garantido até 6 de outubro. Lá, é impossível não aprender a deslizar montanha abaixo. O resort conta com algumas das melhores pistas para esqui e snowboard da América do Sul e uma equipe de experientes instrutores vindos de todas as partes do mundo.
Um único hotel (e anexos com quartos a preços mais em conta), a 2.850 metros de altitude, funciona como um clube privativo na neve para até 450 hóspedes e inclui facilidades como academia de ginástica, spa, piscina aquecida interna e ao ar livre. Em pouco tempo, todos se sentem como se estivessem numa grande família. Depois de alguns dias esquiando, almoçando e jantando juntos, é inevitável reconhecer a maioria das caras de quem passa uma temporada por lá. Os turistas mirins convivem com argentinos, chilenos, americanos e outros brasileiros que conhecem nas aulas de esqui, no pingue-pongue, na piscina ou no cinema. Sem contar as atrações promovidas diariamente por monitores especializados. Os adultos, por sua vez, confraternizam com viajantes que topam nos teleféricos, na sala de Internet... E todos saem de Portillo com uma lista de nomes e endereços. Henry Purcell, proprietário do hotel desde 1980, afirma ter visto vários romances começarem por lá.

BAR DO TIO BOB'S

A estação oferece mais de 200 variações de descidas em suas pistas. Esquiadores e snowboarders iniciantes e intermediários podem se aventurar em sete áreas distintas antes de partirem para o Grande Plateau. Já os praticantes de nível avançado têm o desafio de enfrentar pistas quase intocadas como Garganta, Condor e Roca Jack. Para uma pausa, o Bar do Tio Bob's, localizado no alto da montanha, reúne os esportistas e proporciona uma vista impressionante para a Laguna Del Inca.
Depois de um dia ativo, as noites são dedicadas à animação do bar e da boate. Há, ainda, o divertido Restaurante Posadas, que fica a 100 metros do hotel e é freqüentado pelos funcionários da estação, rendendo boas conversas até altas horas da madrugada. Mais informações no site www.portillo.com.

AO ALTO
Estação de Portillo oferece mais de 200 variações de descidas em suas pistas de esqu

Turista aprende
mistérios do elixir de Baco

Acredite, os vinhos podem ter sabores tão diferenciados quanto estranhos. Terra úmida, frutas escuras, café, pêssego, pimenta-do-reino e banana. E adquirem texturas tão sutis como as aveludadas ou encorpadas. Quem se aprofunda no conhecimento do vinho aprende que ele tem até personalidade. Do contrário, como falar que um vinho é equilibrado?
Isso é apenas o começo de uma aprendizagem que, dizem, só acaba quando deixamos de existir. Ou de beber. Pensando naqueles que apreciam as mil nuances que têm os elixires de Baco, se abriu a Rota do Vinho de Colchagua. É um turismo diferenciado, de excelência. Um mergulho no prazer dessa bebida que é tão antiga como a própria civilização. Pois é. Restos fósseis de uma espécie vegetal chamada vitis, datados de 50 milhões de anos, foram encontrados na Groenlândia, França, Inglaterra, América do Norte e Japão. E os antecedentes mais conhecidos sobre a existência do vinho datam de 6 mil anos a.C.
No Chile, o vinho aparece em sua história e cultura. As primeiras parreiras foram semeadas antes de 1550. O fundador de Santiago, dom Pedro de Valdivia, fala da existência dos vinhos em cartas enviadas ao rei espanhol em 1551. Nas crônicas de Alonso de Ovalle, outro espanhol, ficamos sabendo que os nativos só elaboravam bebidas alcoólicas com milho, batata e pimento, uma árvore autóctone. Com a chegada das uvas, aprenderam a fazer "chicha", ou suco fermentado. Não tinham paciência de esperar o vinho passar de simples suco àquela poção dos deuses. Mas, quando o conseguiam dos espanhóis, bebiam até cair, e morrer, às vezes.

MENU QUENTE
Bar do Tio Bob's, instalado no alto da montanha, serve esquiadores ao ar livre

Região produz
vinhos famosos

No caminho você vai descobrir por que o vinho chileno está despontando no cenário mundial. O Vale de Colchagua é uma vasta região do sul do país, a 178 quilômetros de Santiago, com extensas terras cobertas de parreiras por todo lado. São, no total, 13.360 hectares plantados - lá estão as clássicas vinhas Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Carmenere (a última produzida apenas no Chile), e as uvas para vinho branco, sendo as principais Chardonnay e Sauvignon Blanc.
A cidade onde se faz o "acampamento-base" da viagem chama-se Santa Cruz. Até pouco tempo atrás nem todos os chilenos a conheciam, e os estrangeiros achavam que se tratava daquela que fica na Bolívia. Mas a Santa Cruz do Chile é motivo de muitas visitas, graças aos vinhos de altíssima qualidade que estão sendo produzidos nos arredores.
O hotel do roteiro é um só: o Santa Cruz, um cinco-estrelas de estilo espanhol, com muitos toques de construção caipira chilena. Seu mentor, o empresário Carlos Cardoen, investiu mais de US$ 3 milhões no empreendimento. Ele é também responsável pelo magnífico Museu de Colchagua, que fica atrás do hotel. Filho dessa cidade, Cardoen criou o museu como forma de agradecimento à terra que tanto lhe deu. "Fiz o museu, começou a vir muita gente. As pessoas me disseram que não tinham onde ficar. Optei por construir o hotel." Toda Santa Cruz gostou. Logo começaram a chegar os estrangeiros, que já vinham fazer negócios com as vinícolas.

BRILHO NOS OLHOS

Cardoen diz que no hotel assinaram-se contratos de mais de US$ 80 milhões, envolvendo os vinhos da região. Sua felicidade se vê no brilho dos olhos. O Restaurante Los Varietales, lá dentro, é considerado um dos melhores do país, sob o comando do chefe Hernán Hernandez. Tem farta carta de vinhos, é claro, e preços surpreendentemente baixos. O roteiro mais tradicional dura três dias. Visitam-se três das quatro principais vinícolas que fazem parte da rota: Viu Manent, Bisquertt, Santa Laura e Montgras. A escolha é do visitante. Todas produzem vinhos finos, de butique, e promovem degustações de até dois vinhos.
Há almoços nas adegas em meio aos litros dos mais deliciosos e tradicionais chilenos. É interessante notar, além de conhecer antigas construções e ver o processo de elaboração e história das vinhas, que ninguém tenta empurrar o visitante para os salões de venda. Aliás, nem todas os têm. É um turismo que está engatinhando.

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Turismo ferroviário resgata o progresso

Cidades do Vale do Paraíba beneficiadas com volta de linha de trem de passageiros

São Paulo - Um grupo de pequenas cidades esquecidas pelo progresso pode começar a alcançar dias melhores por meio do turismo ferroviário. Nascidos à sombra da ferrovia - instalada em 1893 para transportar café do Vale do Paraíba para Santos -, esses municípios, entre os quais Sabaúna (a 80 quilômetros de São Paulo) sofreram um forte baque em sua economia com o fim do trem de passageiros, em 1998, mais ou menos na mesma época em que acabava o transporte de carga. Agora, organizações não-governamentais (ONGs) e a Universidade São Marcos lutam para trazer o desenvolvimento de volta aos seus trilhos. A proposta inicial é a criação de um auto de linha - composição de um vagão movida a óleo diesel - para transportar turistas aos domingos.
A linha uniria César de Souza, distrito de Mogi das Cruzes a 65 quilômetros de São Paulo, ao bairro de São Silvestre, em Jacareí. Além das atrações da viagem por uma bela região, ainda com manchas verdes e estações ferroviárias do século 19, os promotores do auto de linha esperam oferecer aos moradores das cidades a possibilidade de vender artesanato, comidas típicas e doces aos turistas nas paradas. Atrações como shows de música e exposições também estão previstas. A viagem - para a qual falta somente a autorização da concessionária da linha, a MRS Logística -, duraria pouco mais de uma hora e seria realizada durante todo o dia. A concessionária confirma o pedido, mas diz que ainda falta parecer do Ministério dos Transportes para concluir a análise da proposta.
O auto de linha - em processo de fabricação pelo restaurador Lincoln Palaia, com financiamento da Universidade São Marcos - será igual ao modelo de 1933. A escola colocará uma placa de ferro com propaganda institucional. Originalmente, o veículo era usado para transportar os presidentes da extinta São Paulo Railway de Santos para São Paulo e os engenheiros que faziam a vistoria da linha. Os responsáveis pelo projeto conseguiram uma carroceria do veículo, cedida pela Associação de Preservação da Memória Ferroviária (AMPF), e um auto menor, para seis passageiros, feito pelo estudante de engenharia Rodrigo Von Braga, de 23 anos.
A proposta, de acordo com o professor de turismo da São Marcos Fábio Barbosa, surgiu de um estudo do núcleo de pós-graduação da universidade, que analisou o potencial turístico da área. A partir de um contato com entidades locais, como a Associação dos Amigos de Vila Suíça, em César de Souza, os organizadores decidiram unir-se para tornar viável o projeto.
Depois de um primeiro contato com a comunidade, os organizadores começaram a trabalhar. O primeiro passo foi visitar a área e analisar o estado da linha ferroviária - ainda bom, apesar do descaso -, com bitola de 1,60 metro. Constataram, então, que muita gente havia construído casas ao lado da ferrovia, o que é proibido por lei.

Restauração de maria-fumaça é o próximo passo

As casas construídas ao lado da ferrovia, em muitos casos, impediam a passagem pela linha. Avisada, a MRS Logística mandou demolir vários barracos. "Nos tornamos cães de guarda da ferrovia", brinca Barbosa, um entusiasta do turismo ferroviário, também diretor de eventos da Associação Nacional de Preservação Ferroviária (ANPF), ONG envolvida no projeto.
As associações de moradores e a ANPF limparam um trecho de quatro quilômetros da linha. Ao mesmo tempo, estão mapeando festas típicas, folguedos populares e artistas da região para integrá-los com o turismo. Deve começar em breve a revitalização de áreas degradadas ao longo da linha, com o plantio de árvores frutíferas onde só há pasto.
O primeiro trecho do auto de linha ligará César de Souza a Sabaúna, em uma extensão de seis quilômetros. Depois que sair a autorização, de acordo com Barbosa, o veículo ficará pronto em 40 dias. A ANPF pretende, futuramente, restaurar uma locomotiva antiga, tipo maria-fumaça, que se tornará outra atração do passeio.


Rio festeja 70 anos do Cristo

Símbolo da cidade, monumento mobiliza os cariocas

Rio - A Prefeitura do Rio pretende organizar uma semana de comemorações para os 70 anos da estátua do Cristo Redentor, cujo aniversário é no dia 12 de outubro. O grupo de trabalho criado pelo secretário de Turismo do Rio e presidente da Riotur, José Eduardo Guinle, realizou na semana passada a sua primeira reunião. Shows de música e luzes, uma missa e várias atividades esportivas foram algumas das sugestões que surgiram durante o encontro. Na próxima terça-feira será realizada uma segunda reunião da equipe.
De acordo com a diretora de marketing da Riotur, Glória Brito Pereira, a reunião inicial foi uma primeira discussão de idéias. "Vários órgãos estão envolvidos nessa comemoração. Por isso, criamos este grupo de trabalho para que seja feita uma ação integrada e tudo seja realizado em total harmonia", afirmou Glória. Ela acredita que até o final deste mês um plano de ação já estará pronto para ser entregue ao secretário de turismo. Segundo Glória, somente com uma definição precisa da programação é que será estipulado o orçamento da festa.
A idéia é concentrar os eventos comemorativos na semana de 5 a 12 de outubro. Um espetáculo com orquestra sinfônica, uma maratona, um passeio ciclístico e um show de luzes no morro do Corcovado podem fazer parte da agenda. A Arquidiocese do Rio, responsável pela administração do monumento, deverá celebrar uma missa na capelinha em homenagem a Nossa Senhora da Aparecida, montada no monumento. A santa é padroeira do Brasil e é homenageada no País no dia 12 de outubro.

Trem já tem mais de um século

Um representante da empresa que administra o trem do Corcovado também compareceu ao encontro para definir as homenagens ao Cristo Redentor. A linha que faz o trajeto do Cosme Velho até o alto do morro do Corcovado tem mais de cem anos e faz aniversário no dia 9 de outubro. A empresa tem planos de inaugurar um centro cultural na garagem que fica aos pés do monumento durante a semana de festejos do aniversário do Cristo. Além da diretora de marketing e do diretor de operações da Riotur, a reunião contou com o subprefeito da zona Sul, Claudio Versiani, o diretor do Parque Nacional da Tijuca, Antônio Pedro Figueira de Mello, e o procurador-geral da arquidiocese, Antônio Passos.


Novo parque da Disney chega a Tóquio

Tóquio - Aventura e romance no mar. É esse o tema da mais nova atração do império Disney no Japão. O Tokyo DisneySea, construído do lado da famosa Disneylândia, na cidade de Urayasu, nos subúrbios de Tóquio, é o primeiro parque do grupo que se inspira no oceano. Previsto para inaugurar oficialmente para o público no dia 4 de setembro - com um hotel, o Mira Costa, erguido lá dentro -, ele lembra uma cidade portuária na Itália.
Assim como o Monte Etna, na Sicília, uma montanha vulcânica, ao fundo, expele fumaça furiosamente. No cenário, inclua ainda gôndolas e um barco a vapor. Observe a paisagem mais de perto e veja Mickey Mouse, Minnie e outros personagens dançando e posando para fotos.
"O povo do Japão, rodeado de água por todos os lados, tem sentimentos especiais pelo oceano", explicou Shintaro Mogi, diretor de Publicidade da Oriental Land Co. - empresa que opera os empreendimentos da Disney no país -, durante uma prévia do parque para 10 mil convidados.
As expectativas são boas para o playground que consumiu investimentos de US$ 2,7 bilhões, apesar da forte concorrência - abriu em março deste ano, em Osaka, a Universal Studios Japan - e da desaceleração econômica. "As pessoas vão à Disneylândia para fugir da realidade", disse Mogi.
Espera-se uma média de 25 milhões de visitantes por ano no novo complexo de entretenimento. Sozinha, a Disneylândia de Tóquio atrai 17 milhões de pessoas anualmente - é a campeã dos parques temáticos no mundo.
Ao todo, o DisneySea reserva 33 atrações, incluindo a popular Indiana Jones Ride e uma aventura submarina. Quase um quinto dos 71 hectares do parque é tomado por água. "O meu favorito (brinquedo) é Journey to the Center of the Earth", constatou um visitante privilegiado, Tetsuo Iwashita, de 37 anos. Trata-se de uma montanha-russa radical dentro de um vulcão. Outras formas de diversão? Viaje pela atmosfera de vários países do planeta, dê uma volta de gôndola pelos canais de Veneza ou visite Nova York, por exemplo.

 
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