Joinville         -          Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2001         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

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Motorista não
escapa de multa

Veículo com placa de outro Estado agora será punido pela implantação integral do Renacom

O Ministério da Justiça e o Banco do Brasil firmaram ontem acordo para implantação integral do Registro Nacional de Trânsito (Renacom). O sistema, operado pelo banco, vai interligar até janeiro todos os postos do Departamento de Estradas e Rodagem (DER), da Polícia Rodoviária Federal e dos departamentos estaduais de trânsito (Detrans). Com isso, as multas de infrações cometidas em qualquer Estado serão enviadas à casa do motorista.
As primeiras multas podem chegar no início de fevereiro. Os infratores terão 30 dias após a postagem nos Correios para contestar a cobrança. É a terceira vez que o Ministério da Justiça anuncia a interligação dos Detrans. A proposta não havia avançado por causa das divergências entre os Estados pelo rateio do dinheiro de cerca de 200 mil multas que deveriam ser aplicadas mensalmente.
Nos próximos dias diretores dos departamentos estaduais de trânsito se reúnem para acertar os porcentuais destinados ao Detran de origem do veículo e o do local onde o motorista cometeu a infração. "Desta vez é para valer", disse o ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira.

Desrespeito

O diretor do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), Jorge Francisconi, afirmou que o sistema vai acabar com a impunidade de motoristas em outros Estados. "O pessoal chega até a brincar com os policiais de fora pelo fato de eles não poderem aplicar multas", disse.
No lançamento do sistema, o ministro leu a frase que será usada na campanha em rádios e outros veículos de comunicação: "Não importa de onde é a sua placa. Levou multa aqui, ela vai para sua casa".
O ministro da Justiça também falou do desrespeito dos motoristas à faixa de segurança. De cada quatro acidentes de trânsito, um é atropelamento. A vítima é quase sempre criança ou idoso. "Com exceção de Brasília, que nesse caso é um local civilizado, o resto é selvageria", disse Ferreira. "Eu mesmo já levei muito desaforo de motoristas ao exigir respeito à faixa."


Juiz acusado
de matar garota

Maceió - O juiz da Infância e da Juventude de Maceió, Jesus Wilson Rafael da Silva, é acusado de atropelar e matar anteontem à noite a estudante Juliana Souza da Silva, de 15 anos, que estava na calçada da principal avenida do bairro de Cruz das Almas. De acordo com uma testemunha, que não quis ser identificada, o juiz estava embriagado e não prestou socorro à vítima.
Juliana era a filha mais nova da dona de casa Maria das Graças Souza, que, durante o velório, pediu punição para o culpado pela morte. "Espero que seja feita justiça, que ele pague pelo que fez com a minha filha", disse. O pai da adolescente, Augusto Souza, que sofre do coração, estava inconsolável.
Segundo a principal testemunha do caso, a caminhonete dirigida pelo juiz trafegava em alta velocidade, subiu a calçada e atropelou Juliana, que estava acompanhada de uma amiga. O atropelamento aconteceu a poucos metros de um posto da Polícia Militar, mas os militares de plantão não fizeram nada para prender o juiz.
"Ele estava visivelmente embriagado. Para ter mais provas que ele estava embriagado, eu fui até o PM Box, conversei com os policiais e perguntei por que eles não prendiam o juiz, mas os policiais disseram que não podiam fazer nada porque era um juiz, que estava bêbado e armado", revelou a testemunha do atropelamento. No prédio onde mora o juiz, o porteiro disse que ele viajou.


Endividamento será controlado

Resolução fixa princípios para Estados e municípios

Brasília - O plenário do Senado aprovou ontem, por votação simbólica, dois projetos de resolução adequando as regras de endividamento dos Estados e municípios à Lei de Responsabilidade Fiscal. O relator do projeto na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE), disse que Estados e municípios terão 15 anos para reorganizar suas dívidas depois de estabelecido o limite de endividamento.
"A resolução estabelecerá princípios de saneamento fiscal, evitando o endividamento irresponsável pelos governos estaduais e municipais", afirmou Lúcio Alcântara. Há casos de Estados que têm dívidas até quatro vezes maiores que a sua receita líquida, segundo a mensagem presidencial enviada ao Senado, sem detalhar quais são esses Estados. O endividamento global dos Estados e Distrito Federal será limitado a duas vezes a sua receita corrente líquida. A dos municípios, a 1,2 vez a sua receita líquida.
O senador Paulo Hartung (PSB-ES) criticou a rapidez com que foram votados os projetos de resolução que tratam do endividamento global dos Estados e municípios. Os projetos tiveram seus pareceres apresentados amteontem na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e ontem foram aprovados no plenário do Senado. "A mensagem do presidente Fernando Henrique Cardoso chegou aqui no dia 8 de agosto, porque só agora o projeto foi submetido à votação?", questionou o senador capixaba.
Hartung argumenta que os projetos deveriam ser discutidos com os secretários estaduais de Fazenda. "Era necessário no mínimo uma audiência pública", disse. Mesmo no bloco da oposição no Senado os projetos não obtiveram unanimidade contrária. Alguns votaram favoravelmente e, embora a senadora Heloísa Helena (PT-AL) acompanhasse o voto contrário de Hartung, Emília Fernandes (PT-RS) e Eduardo Suplicy (PT-SP) preferiram se abster.
O vice-líder do Governo, Romero Jucá (PSDB-RR), minimiza a preocupação de Hartung. Segundo ele, os dois projetos apenas fazem a consolidação de regras previstas pela Lei de Responsabilidade Fiscal. "A novidade é que o Banco Central deixará de fazer as avaliações sobre os pedidos de empréstimo, que será feito apenas pela Secretaria do Tesouro Nacional", explicou. O outro projeto de resolução, que trata do mesmo assunto, prevê que o Banco Central deixará de fazer avaliações sobre o endividamento dos Estados, também adequando-se à Lei Fiscal.
O presidente da Comissão-Geral de Orçamento, senador Carlos Bezerra (PMDB-MT), anulou ontem o relatório setorial do Poder Judiciário porque faltavam R$ 22 milhões. Com isso, o Orçamento da União para 2002 não foi votado.

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Polícia tem suspeito da
morte de deputado no PR

Curitiba - A Polícia de Cascavel, no Oeste do Paraná, tem pelo menos um suspeito de ter matado o deputado estadual Tiago de Amorim Novaes (PTB), de 33 anos. Ele foi executado na noite de anteontem, quando estava dentro do carro, em frente ao prédio onde morava. O corpo do deputado foi enterrado na tarde de ontem em Assis Chateaubriand, a 80 quilômetros de Cascavel.
O governador do Paraná, Jaime Lerner (PFL), determinou prioridade à Secretaria da Segurança Pública na investigação. Todas as solenidades em comemoração ao aniversário da emancipação política do Paraná foram canceladas e o governador decretou luto oficial de três dias.
Dos vários tiros contra o Vectra ocupado pelo deputado, cinco acertaram seu corpo. A necropsia apurou que ele foi executado, recebendo tiros de pistola calibre 9 milímetros no tórax e, depois de caído, também nas costas. Testemunhas afirmaram que os disparos foram feitos por uma pessoa que estava em uma motocicleta, com capacete e roupas escuras. O deputado era solteiro, morava sozinho e deixou uma filha de 9 anos.
O deputado tinha um programa policial em rádio e televisão, onde fazia denúncias. Ele havia prometido para ontem a revelação do nome de pessoas envolvidas no desaparecimento de cerca de US$ 950 mil de um carro-forte. Esses fatos reforçam a hipótese de vingança, levantada pela polícia.
Está sob suspeita um motoqueiro que foi perseguido pela polícia após a morte do deputado e acidentou-se. Ele está internado e teria alegado à polícia que fugira por não ter os documentos da moto.


Imunidade parlamentar

Congresso promulga emenda

Brasília - O presidente do Congresso, senador Ramez Tebet (PMDB-MS), promulga hoje a emenda constitucional que extingue a proteção da imunidade parlamentar para o caso de crimes comuns e fixa novas regras para as ações penais contra congressistas. A proposta recebeu ontem a aprovação unânime de 67 senadores, em segundo turno. Com isso, deputados federais e estaduais e senadores poderão ser processados por crime comum pela Justiça sem necessidade de licença prévia do Legislativo. "A sociedade reivindicou a mudança e nós decidimos atender", afirmou Tebet, após a votação.
Parlamentares serão imunes apenas pelas opiniões, palavras e votos. Se o congressista se sentir perseguido, seu partido tem o direito de solicitar a sustação do processo no Supremo Tribunal Federal, único com competência para processar os deputados e senadores.

 
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