Joinville         -          Domingo, 23 de Dezembro de 2001         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

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Briga de vizinhos
acaba em morte

Famílias eram amigas e se desentenderam por causa da construção de uma escada no barranco

Marília Maciel

O Natal já não tem o mesmo significado para as famílias Dutra e Lima. Dezembro traz a lembrança de uma tragédia ocorrida no ano passado, quando uma discussão entre vizinhos acabou em morte. Moradoras do mesmo terreno, as duas famílias viram os filhos crescerem juntos, repartirem brinquedos e até alimentos. Católicos, participaram juntos de novenas natalinas, mas tudo mudou naquela manhã de 8 de dezembro. Eram 6 horas da manhã quando os Lima foram despertados por uma pedrada na janela. O vizinho Pedro Dutra, 39, estava furioso. No dia anterior as duas famílias haviam se desentendido.
Há duas versões para a causa da discussão. Gretie de Lima conta que o pai, Ivo Francisco, 65, e os irmãos estavam consertando uma escada improvisada de acesso ao terreno onde moravam. O lote, dividido pelos Dutra e os Lima, fica numa ribanceira. Para facilitar o acesso, os moradores escavaram uma escada no barranco. Segundo Gretie, Dutra não gostou da atitude de Ivo e agrediu-o verbalmente. "O Pedro bebia muito e tinha fama de violento. Encrencava por qualquer coisa, mas meu pai tolerava", conta.
Já a viúva de Pedro, Jussá dos Santos, 37, afirma que os Lima queriam impedir a passagem de Dutra. "Queriam desmanchar a escada. Meu pai morava com a gente e como é que um senhor de idade como ele ia conseguir descer sem a escada?", afirma. Jussá chegou a chamar a polícia na véspera do crime, preocupada com a discussão de Pedro Dutra e Ivo Francisco. "A PM veio, disse que era melhor cada um ir dormir, que aquilo era coisa de bêbado. O Dutra bebia mesmo, isso é verdade, mas não era violento. Em nós ele nunca bateu", conta.

Pedrada

Na manhã seguinte, o dia do crime, Dutra teria se irritado por ver destruídas as suas plantas. Foi então que atirou a pedra contra a janela do vizinho. "Acho que os Lima já estavam de prontidão, porque foi muito rápido. Pularam para fora e começaram a bater nele (Dutra)", diz a viúva.
Já Gretie de Lima afirma que a família foi surpreendida. Seu marido já havia saído para o trabalho. Ela estava amamentando seu bebê, recém-nascido. "Escutei o barulho e vi o Dutra com uma foice na mão", afirma. Segundo Gretie, o irmão mais velho, de 23 anos, conseguiu tirar a ferramenta das mãos do vizinho. "Não fosse isso, certamente ele teria acertado meu pai primeiro", deduz. O outro irmão de Gretie, de apenas 16 anos, também veio em socorro do pai. "Aí começou a confusão", diz.

Viúva viu o
espancamento

Jussá e os dois filhos, uma menina de 15 e o garoto de 13 viram Dutra ser espancado. "Bateram muito nele com pedaços de pau e acho que com a foice também porque estava todo ensangüentado. Ele já estava caído e eles continuavam batendo", afirma a viúva. Jussá correu até o telefone público para chamar os bombeiros. Ao ver o pai caído, a filha conseguiu puxá-lo para dentro de casa. Quando a ambulância chegou, Dutra, apoiado pela mulher e os filhos, ainda conseguia andar. No caminho foi conversando com Jussá. "Minha véia, olha só o que fizeram comigo", dizia. Duas horas mais tarde, no hospital, Dutra morreu em decorrência da gravidade dos ferimentos no crânio. Quando Jussá retornou do hospital, seus filhos já haviam limpado o sangue do chão. "Queriam que, quando o pai voltasse para casa, tudo estivesse em ordem, mas ele não voltou".
Ivo Fancisco e os filhos saíram de casa por alguns dias. Procuraram um advogado e, dias depois, apresentaram-se à polícia. "Meu pai e minha mãe estão acabados. Ainda lembro do dia em que uma família inteira chegou aqui para apedrejar o Dutra. Meu pai não deixou e o Dutra sempre dizia ter muita gratidão por meu pai por causa daquilo. Quem podia imaginar que tudo ia acabar desse jeito", lamenta Gretie. Ela nega que sua família tenha tentado impedir a passagem dos Dutra pelo terreno.
Jussá ainda ficou na casa por alguns dias e depois mudou para outro bairro. Quinze dias depois da morte do marido seu pai morreu. "Com 84 anos, meu pai não agüentou aquilo tudo". (MM)

Famílias ainda
com traumas

As marcas do crime ocorrido há uma ano ainda estão presentes nas duas famílias. O filho de Jussá foi para a casa de uma tia. "Ele ficou traumatizado. Está indo no psicólogo e este ano deve voltar para São Bento, mas tenho até medo de que ele, vendo que não houve justiça, faça alguma bobagem mais tarde", diz Jussá.
Depois do crime, Jussá adoeceu, perdeu o emprego e agora vira-se como pode com alguns trabalhos de diarista. Tenta, em vão, conseguir uma pensão do INSS para sustentar a família, mas Dutra trabalhou apenas 15 anos com carteira assinada. A filha casou, mas ainda mora com Jussá.
Ivo Francisco de Lima, a esposa e o filho menor mudaram-se de São Bento do Sul para Lages. "Meu pai não gosta muito de falar sobre o assunto. É claro que se arrependeu. É homem religioso, reza muito, mas não tem mais paz", afirma Gretie. Ela e o marido continuam morando no mesmo terreno, mas modificaram a casa. "É triste viver aqui, não dá para esquecer o que aconteceu, mas não tem outro jeito. Meu pai dificilmente vem nos visitar e quando vem a gente sente que está abalado", afirma.
O processo do caso Dutra ainda está tramitando na Justiça, na 2ª Vara Criminal do Fórum de São Bento do Sul. No dia 9 de novembro o processo foi devolvido à delegacia para que novos depoimentos fossem ouvidos. Lima e os filhos respondem em liberdade porque não houve flagrante e alegaram legítima defesa. Para as duas famílias resta apenas uma certeza: o Natal será sempre uma época de tristes lembranças. (MM)


Trânsito faz
três vítimas no sábado

Sombrio/Içara/Rio Negrinho - O início do feriado de Natal teve vítimas no trânsito de Santa Catarina. No trecho não duplicado da BR-101, no Sul do Estado, duas pessoas morreram em dois acidentes registrados pelos patrulheiros dos postos de Araranguá e Tubarão.
Em Sombrio, às 3h15 de sábado, no km 430, o motorista da Parati placas MAO 7635, de Jacinto Machado, Marcelo Zencher Possamay, 19 anos, saiu da pista e bateu em uma árvore, morrendo no local.
Em Içara, no km 378, às 8h40, O caminhão Mercedes Bens, placas IKG 5762, de Capão da Canoa (RS), conduzido por Ricardo Speck, de 30 anos, colidiu na traseira do também Mercedes MDS 5040, de Criciúma.
O veículo de Criciúma dirigido por Davis da Silva, 29 anos, que estava parado na pista auxiliar, pois iria entrar num posto de combustível. O caroneiro do caminhão gaúcho, Rodrigo Farias, de 21 anos, ficou preso nas ferragens e morreu no local. O motorista Ricardo Speck foi socorrido pelos bombeiros, com a ajuda do cirurgião geral Marcelo Rodrigues, que estava passando no momento do acidente, e levado para o Hospital São José, de Criciúma, onde ficou internado na UTI.
Em Rio Negrinho, a cozinheira Ana Ruthe Borges de Oliveira, 26, morreu atropelada na manhã deste sábado. O acidente aconteceu no km 121 da BR 280, próximo à entrada da Terranova Brasil, às 6 horas. Ana voltava de um baile com amigos. Atravessou a pista sem olhar para os lados e foi atropelada pela van Besta placas MBL 9316, de Rio Negrinho, dirigida por Marcos Evandro Weber, 22. Ana morreu na hora. Marcos e os outros dois ocupantes da van, que se dirigiam para o trabalho, num frigorífico, não se feriram.


Presos cinco
acusados de seqüestro

Cosmópolis, SP - A Polícia Civil prendeu cinco acusados de integrar uma quadrilha de seqüestradores horas depois da libertação, em Cosmópolis, de uma estudante, que ficou 48 horas em cativeiro. A prisão ocorreu em uma ação conjunta da Polícia Civil de Paulínia e da Delegacia Anti-Seqüestro de Campinas. A estudante, cujo nome foi mantido em sigilo, é filha de um comerciante de Paulínia.
A jovem foi libertada às 23h30 de quarta-feira, após pagamento de resgate. Na madrugada de quinta-feira, os policiais detiveram quatro suspeitos, um menor, em uma casa na Vila Cosmos, em Cosmópolis, que teria sido usada como cativeiro pela quadrilha. O quinto suspeito foi preso em São Paulo. Com ele, a polícia encontrou cerca de 30% do valor do resgate, também não divulgado.
Há um sexto suspeito de integrar a quadrilha foragido, conhecido como "Baianão". Ele estaria em São Paulo com o resto do dinheiro do resgate. Segundo a polícia, o caso mostrou a conexão entre seqüestradores de Campinas e da Capital. Os detidos foram identificados como Valmir Ribeiro Gonçalves, Jesus José da Silva
(que moravam na casa de Cosmópolis), Florisvaldo Dantas Macedo, J.F., de 15 anos, (moradores de São Paulo), e Izalino Santos Matos, 41 anos, (de Embu-Guaçu).
Os seqüestradores invadiram a casa da vítima, no bairro Nova Paulínia, na noite de segunda-feira, e renderam várias pessoas que estavam no local. A estudante foi levada em seu carro, um Astra, abandonado algumas ruas adiante. Os bandidos chegaram a pedir R$ 2,5 milhões de resgate. Mas o valor foi negociado em contatos telefônicos.


Taxista
assassinado em São José

São José/Blumenau - Um taxista foi morto na noite de sexta-feira no bairro Procasa, em São José, na Grande Florianópolis. Marcelo de Medeiro, 30 anos, foi baleado por volta das 20 horas, quando estava parado no ponto. Segundo testemunhas, o autor dos disparos seria um homem chamado Cléber, mais conhecido como "Rato". Durante a madrugada, os policiais fizeram ronda e campana na casa do suspeito, porém, sem conseguir localizá-lo.
De acordo com testemunhos, "Rato" estava em uma caminhonete S10, de cor escura. Ele parou o veículo próximo ao ponto de táxi do bairro Procasa, dirigiu-se até Medeiros, que estava em seu carro, um Corsa branco, placa MBU 5399 (São José), e efetuou os disparos. Em seguida, correu para a caminhonete e fugiu.
Quando a guarnição da Polícia Militar chegou ao local, a vítima já havia sido levada para o Hospital Florianópolis por populares. Mas, quando os policiais se dirigiram até o hospital, constataram que Marcelo havia morrido. O suspeito não apareceu em casa durante a madrugada, segundo a polícia.
Em Blumenau, o adolescente Lucas de Oliveira, 17 anos, morreu na sexta-feira, por volta das 13h30, no Hospital Santa Isabel. Ele foi vítima de uma brincadeira com um revólver 38 envolvendo mais dois adolescentes, na última quarta-feira, no bairro Itoupavazinha. A delegada Ivete da Costa, da Delegacia de Proteção à Mulher e ao Menor, investiga o caso.

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A jovem foi libertada às 23h30 de quarta-feira, após pagamento de resgate. Na madrugada de quinta-feira, os policiais detiveram quatro suspeitos, um menor, em uma casa na Vila Cosmos, em Cosmópolis, que teria sido usada como cativeiro pela quadrilha. O quinto suspeito foi preso em São Paulo. Com ele, a polícia encontrou cerca de 30% do valor do resgate, também não divulgado.
Há um sexto suspeito de integrar a quadrilha foragido, conhecido como "Baianão". Ele estaria em São Paulo com o resto do dinheiro do resgate. Segundo a polícia, o caso mostrou a conexão entre seqüestradores de Campinas e da Capital. Os detidos foram identificados como Valmir Ribeiro Gonçalves, Jesus José da Silva
(que moravam na casa de Cosmópolis), Florisvaldo Dantas Macedo, J.F., de 15 anos, (moradores de São Paulo), e Izalino Santos Matos, 41 anos, (de Embu-Guaçu).
Os seqüestradores invadiram a casa da vítima, no bairro Nova Paulínia, na noite de segunda-feira, e renderam várias pessoas que estavam no local. A estudante foi levada em seu carro, um Astra, abandonado algumas ruas adiante. Os bandidos chegaram a pedir R$ 2,5 milhões de resgate. Mas o valor foi negociado em contatos telefônicos.


AAdolescente
morre após
tiro acidental

Blumenau - O adolescente Lucas de Oliveira, 17 anos, morreu na sexta-feira, por volta das 13h30, no Hospital Santa Isabel, em Blumenau. Ele foi vítima de uma brincadeira com um revólver 38 envolvendo mais dois adolescentes, na última quarta-feira. Seu corpo foi velado na Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.
Lucas foi internado em estado grave logo após a brincadeira com a arma. Em seguida entrou em coma profundo na UTI do Hospital Santa Isabel, respirando com auxílio de aparelhos até o momento da morte.
A brincadeira com um revólver 38 ocorreu por volta das 11 horas de quarta-feira, no bairro Itoupavazinha. Conforme a delegada Ivete da Costa, da Delegacia de Proteção à Mulher e ao Menor, Lucas se encontrava em companhia dos seus amigos M.K. e M.L.K., 15 anos, que lhe informaram sobre a existência de um revólver 38 guardado na casa dos seus pais. Foram até a residência e apanharam no guarda-roupa a arma que tinha três projéteis. M.K. manuseou a arma, removendo a munição, mas não percebeu que um projétil permaneceu no tambor.
No seu depoimento prestado à delegada Ivete, M.K. disse que disparou a arma para o alto. Entretanto, o projétil atingiu a cabeça de Lucas. Um inquérito policial foi instaurado pela delegada para responsabilizar criminalmente os pais dos dois menores, Lindolfo Korbi Filho e Ermelinda Korbi, já que não possuíam porte legal da arma. Os menores M.K. e M.L.K. negaram a prática de roleta russa.


Receptação - A Polícia Civil de Brusque investiga a venda de fios roubados para empresários de Guabiruba, recuperados quinta-feira. Três envolvidos no caso foram presos. A carga de 1,2 tonelada de fios teria sido roubada em Santo Amaro (SP).

 
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