Joinville
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Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2001
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Santa Catarina - Brasil
ANotícia
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Comissão suspende recursos
para 100 obras irregulares
Auditoria do TCU
apura que preços estão muito elevados
A
Comissão de Orçamento do Congresso aprovou ontem
relatório do Tribunal de Contas da União (TCU)
que considerou irregulares 100 obras para as quais foram destinados
recursos federais. Agora, essas obras somente serão contempladas
com novos recursos após sanadas as irregularidades nelas
apontadas pelo tribunal. Conforme auditoria do TCU, 39,8% das
obras auditadas do orçamento de 2001 estão com
irregularidades graves em seu processo de execução.
Os maiores problemas concentram-se no extinto DNER. De 86 obras
investigadas pelo TCU que foram administradas por essa autarquia,
40 tinham problemas. Entre elas, a duplicação da
BR-060 na parte do Distrito Federal. Essa rodovia liga Brasília
a Goiânia. Entre as irregularidades encontradas pelo TCU
estão superfaturamento, dispensa indevida de licitação,
aditivos irregulares e contrato antecipado de desembolso.
A bancada de Alagoas denunciou, em plenário, a liberação
de dinheiro para seis obras irregulares daquele Estado. O mesmo
fizeram os parlamentares de Minas Gerais e de Sergipe. O Ministério
Público foi acionado pelos partidos de oposição
e também acompanha o desenrolar das investigações.
O fórum trabalhista de São Paulo também
está incluído entre as obras irregulares. A bancada
paulista destinou R$ 15 milhões no orçamento do
ano que vem para a manutenção do prédio,
mas a Comissão de Orçamento decidiu não
fazer o repasse dos recursos. O dinheiro somente será
liberado depois de auditoria do TCU e de aprovação
pelo Congresso do envio do dinheiro.
O empreendimento consumiu R$ 264,62 milhões do Tesouro
Nacional desde que foi iniciado, em 1993, pelo então presidente
do TRT, juiz Nicolau de Santos Neto. Acusado de desviar cerca
de R$ 169,74 milhões, o juiz está preso em São
Paulo.
Mínimo fora de orçamento
Brasília - O ministro do Planejamento, Martus Tavares,
descartou ontem a possibilidade de serem reabertas negociações
para novos aumentos no valor do salário mínimo,
como deseja a oposição. "Não se trata
de não querer negociar, mas é que já temos
algumas dificuldades nesse orçamento, que somam R$ 4,6
bilhões, e que precisamos resolver", declarou o ministro,
que se referia aos recursos que precisam ser encontrados para
cobrir o reajuste da tabela do imposto de renda (R$1,8 bilhão),
contribuição dos inativos (R$1,4 bilhão),
que não foi aprovada, e o aumento do mínimo de
R$ 189 para R$ 200 (R$ 1,4 bilhão).
"Tá na hora da gente concluir as votações
e aprovar o orçamento e não de reabrir as negociações",
afirmou Martus Tavares. "Por isso, fazemos apelo à
base (governista) para que vote na comissão e em seguida
no plenário, de preferência esta semana e, se não
for possível agora, que seja na semana que vem",
pediu o ministro.
Martus Tavares salientou ainda que a aprovação
do Orçamento de 2002 ainda este ano é "um
sinal importante para os investidores". Pediu também
que
os 60 projetos que alteram o orçamento de 2001, pendentes
no Congresso, sejam aprovados.
O líder do PT na Câmara, deputado Walter Pinheiro
(BA), disse, anteriormente, que há espaço para
a oposição negociar com o governo o reajuste escalonado
do salário mínimo no ano que vem. Pinheiro considera,
no entanto, que o reajuste para R$ 210,00 teria que ocorrer até
julho de 2002.
Até o fechamento da edição, parlamentares
tentavam um acordo para aprovar os 2.300 destaques ao relatório
do deputado Sampaio Dória (PSDB-SP).
Chuvas matam
pelo menos 45 no Rio
Número deve
aumentar porque há muitos desaparecidos
Rio - As chuvas que atingem o Rio de Janeiro desde o último
domingo provocaram pelo menos 45 mortes e deixaram 1.800 pessoas
desabrigadas no Estado até ontem. Quatro cidades - Petrópolis,
Duque de Caxias, Paracambi e Mendes - pararam por causa dos trabalhos
de busca de desaparecidos e consertos dos estragos provocados
pelos temporais.
Cerca de 3 mil homens da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros
trabalharam ontem na busca de desaparecidos e no isolamendo de
áreas de risco em todo o Estado. Nos municípios
mais afetados, como Petrópolis, os bombeiros tiveram de
se dividir em turnos para manter as buscas dia e noite. A chuva,
que continuou atingindo o Rio ontem, dificultou ainda mais as
buscas dos desaparecidos.
O meteorologista Luiz Carlos Austin prevê mais chuva para
o Rio nas póximas 24 horas, com a possiblidade de queda
de granizo. "Existe 30% de possibilidade de chuver granizo",
afirma. Ele explica que a chuva intermitente no Estado foi causada
pelo encontro de uma frente fria, vinda do Uruguai, com uma massa
de ar quente e úmida vinda da Amazônia. Segundo
ele, o quadro se agravou em função dessa frente
fria estacionar na região Sudeste. Austin prevê
um réveillon chuvoso.
O presidente Fernando Henrique Cardoso irá hoje ao Rio
verificar pessoalmente os estragos provocados pelas enchentes.
O presidente lamentou as mortes e confirmou o repasse de verbas
federais para o governo e as prefeituras das cidades atingidas.