Joinville
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Sábado, 29 de Dezembro de 2001
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Santa Catarina - Brasil
ANotícia
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S
Orçamento prevê
gastos de R$ 650,4 bilhões
Proposta aprovada
no Congresso destina maior volume de recursos para setor de Infra-estrutura
O
plenário do Congresso aprovou na madrugada de ontem o
Orçamento-Geral da União para 2002, com previsão
total de gastos de R$ 650,4 bilhões. O setor mais beneficiado
com verbas para investimentos foi o de Infra-estrutura, com R$
4,36 bilhões. Em seguida, aparece o de Integração
Nacional e Meio Ambiente, com R$ 2,53 bilhões; o de Saúde,
do ministro José Serra, provável pré-candidato
tucano à Presidência da República, com R$
2,4 bilhões; o de Justiça e Defesa, R$ 2,29 bilhões,
e o de Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia,
Esporte e Turismo, com R$ 1,88 bilhão.
As áreas de Agricultura e Desenvolvimento Agrário
terão R$ 693,5 milhões para investimentos; os poderes
do Estado (Legislativo, Judiciário e Executivo), R$ 571,9
milhões; Fazenda e Desenvolvimento, R$ 349,3 milhões;
e Previdência Social (só investimentos e não
o custeio das aposentadorias e pensões), R$ 251,8 milhões.
No total, os investimentos previstos na proposta de lei orçamentária
são de R$ 16,49 bilhões.
Recuo
A votação do Orçamento da União
para 2002 só foi possível depois que o governo
recuou a fez três importantes acordos com os partidos de
oposição, que insistiam em obstruir a sessão
do Congresso. Assim, o governo cedeu e tirou do Orçamento
a previsão de arrecadação de R$ 1,4 bilhão
resultante de uma hipotética cobrança da contribuição
dos inativos (o que ainda nem foi aprovado pelo Congresso), aceitou
recalcular cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas de
1 milhão de pequenos agricultores e tirou da rubrica dos
investimentos os R$ 400 milhões que serão gastos
na compra de computadores para escolas públicas.
As oposições tentaram ainda dar um aumento maior
para o salário mínimo, mas neste assunto o governo
não cedeu. Foi mantida a decisão de reajustar o
mínimo para R$ 200 a partir de abril. O governo havia
proposto R$ 189; as oposições pediam R$ 220. A
fórmula para os R$ 200 foi encontrada pelo presidente
da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG).
O presidente Fernando Henrique Cardoso sanciona até o
dia 20 de janeiro o orçamento aprovado.
Créditos suplementares
para 27 projetos deverão ser solicitados
Mesmo com a conclusão da votação do Orçamento,
os congressistas deixaram para trás 27 projetos de créditos
suplementares. Por isso, segundo o líder do governo na
Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), o governo deverá
solicitar créditos suplementares ao Orçamento de
2002 logo no início dos trabalhos legislativos do ano
que vem. Ele lembrou que os créditos não votados
somam R$ 4,8 bilhões - metade desse valor refere-se a
investimentos da Petrobrás.
Os créditos suplementares que não puderam ser
votados por duas causas: falta de acordo com a oposição
e obstrução feita pela bancada do PFL da Bahia,
que pressionou para conseguir a liberação de recursos
para a conclusão da obra de ampliação do
aeroporto Luís Eduardo, de Salvador.
2001
A bancada baiana, com o apoio do PFL, queria forçar
o Congresso a votar um decreto legislativo que autorizasse o
repasse de verbas do Orçamento para o aeroporto. O TCU
encontrou irregularidades na transferência do dinheiro
federal para a obra do aeroporto baiano. Por isso, torna-se necessária
a aprovação do decreto legislativo.
Mesmo não tendo conseguido votar todos os créditos
suplementares, o Congresso aprovou outros 34 que estavam pendentes.
Eles acrescentaram cerca de R$ 4,7 bilhões ao Orçamento
de 2001. As obras do açude do Castanhão, no Ceará,
receberam reforço orçamentário de R$ 23
milhões nos créditos suplementares.
Tabela do IRPF será corrigida
Presidente sancionará
sem vetos o projeto de lei
Brasília - O presidente Fernando Henrique Cardoso vai
sancionar sem vetos o projeto de lei que corrige em 17,5% a tabela
do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). É
uma decisão política, de acordo com o ministro
do Planejamento, Martus Tavares. Sabe-se que o presidente tem
informação de que se vetar a proposta, o Congresso
rejeitará o veto. Nesse caso, ao sancionar a lei, em vez
de desgaste, Fernando Henrique divide com o Congresso a simpatia
da classe média, a maior afetada no período, de
seis anos, em que a tabela do IRPF ficou sem correção.
Martus explicou que o governo não sabe ainda como compensará
essa nova despesa de R$ 1,8 bilhão nas contas públicas,
ocasionada pela perda na arrecadação, e nem como
será feito o ajuste desta conta à Lei de Responsabilidade
Fiscal. "Não digo a maneira (como será concedido
o reajuste da tabela)", declarou o ministro. "O presidente
deve confirmar isso (sanção do projeto), mas como
compatibilizar essa despesa com a Lei Fiscal é outra coisa."
O governo chegou a trabalhar com a hipótese de vetar o
projeto e ao mesmo tempo editar uma medida provisória
corrigindo a tabela nos 17,5%, mas incluindo a fonte de recursos
que seria proveniente de cortes. O ministro, no entanto, não
quis confirmar esta possibilidade. O porta-voz do Palácio
do Planalto, Alexandre Parola, disse ontem que "o presidente
confirma a disposição de manter o índice
do reajuste de 17,5% da tabela do Imposto de Renda", mas
não entrou em detalhes.
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AN_Informática
O presidente da Câmara, Aécio
Neves (PSDB-MG), que se reuniu ontem pela manhã com Fernando
Henrique, para comemorar a aprovação do Orçamento
de 2002, deixou o Palácio da Alvorada dizendo que o presidente
tem até o dia 7, data-limite, para sancionar o projeto.
Segundo Aécio, a decisão de manter a correção
é importante porque demonstra as boas relações
entre o Executivo e o Legislativo. O reajuste foi aprovado por
unanimidade na Câmara e no Senado.
A correção da tabela do IRPF deu-se depois de o
Congresso aguardar por meses seguidos um projeto de lei de iniciativa
do Executivo que descongelasse a cobrança nos níveis
atuais. Mas as dezenas de contatos com integrantes da equipe
econômica não resultaram em nada. Sem saída
ao perceber que o Congresso modificaria a tabela, o secretário
da Receita Federal, Everardo Maciel, chegou a apresentar ao Congresso
um projeto de correção. Mas os deputados o rejeitaram.
Everardo propunha simplesmente a correção no valor
das deduções. Os partidos da base do governo decidiram,
então, votar a correção em 17,5% - a metade
dos 35% que a Comissão de Constituição e
Justiça havia aprovado e que corresponderia à inflação
dos últimos seis anos.
Canecão
Mineiro
Polícia indicia 16 pessoas
Belo Horizonte - A Polícia Civil de Belo Horizonte
indiciou ontem 16 pessoas, entre elas secretários e fiscais
da Prefeitura, um oficial da PM e um detetive da Polícia
Civil, pelos crimes de homicídio culposo e lesões
corporais no inquérito que investigou o incêndio
na casa noturna Canecão Mineiro, na região centro-oeste
da cidade. O incêndio aconteceu no dia 24 de novembro,
durante show de uma banda de pagode. Na casa estavam cerca de
mil pessoas. Sete morreram e 360 ficaram feridas.
Segundo o delegado Carlos Antônio dos Santos, que colheu
cerca de 400 depoimentos e enviou o inquérito para o Ministério
Público, os indiciados agiram com negligência ou
imprudência. "Essas pessoas sabiam que havia irregularidades
no Canecão Mineiro há muito tempo, sobretudo a
falta de plano e equipamentos de prevenção e combate
a incêndios e de saídas de emergência, mas
mesmo assim se omitiram", disse Santos.
Rio - O número de vítimas em decorrência
das chuvas no Estado do Rio subiu ontem para 60, depois que quatro
corpos foram encontrados sob o lamaçal em Petrópolis,
na região serrana - onde 45 pessoas morreram. Um bebê
continua desaparecido e está sendo procurado pelo Corpo
de Bombeiros. A chuva, que cessou na maior parte do território
fluminense, poderá voltar a partir de janeiro, quando
a frente fria que permanece no Rio se intensificar, conforme
prevê o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Quase 800 petropolitanos perderam suas casas. O trabalho da prefeitura
agora está voltado para a limpeza e reconstrução
da cidade imperial. Foram abertas frentes de trabalho com mil
vagas.
Na Baixada Fluminense, há muitas famílias aglomeradas
em escolas. Roupas, sapatos e alimentos não param de chegar.
O trabalho de coleta e distribuição é feito
por voluntários. "Todo mundo que chega aqui é
atendido", disse o presidente da Associação
de Moradores do bairro de Jardim Leal, Jérson Mascarenhas,
que coordena a ação. "Isso aqui é resultado
da ação da sociedade.
Interditada desde o início da semana em decorrência
de deslizamentos de terra, a rodovia BR-040, que liga Petrópolis
à capital fluminense, foi reaberta ontem nos dois sentidos,
embora, em alguns trechos, o tráfego ainda esteja sendo
operado em meia-pista. Em vários locais, o asfalto escorregadio
provocava lentidão.
De acordo com meteorologistas cariocas, o tempo deverá
ficar nublado de hoje a segunda-feira, com fortes possibilidades
de pancadas de chuva.
Pedida prisão de policiais
de narcóticos
São Paulo - O juiz Benedito Roberto Garcia Pozzer,
do Departamento de Inquéritos Policiais, decretou ontem
a prisão preventiva e a quebra dos sigilos bancários
e fiscais de cinco policiais do Departamento de Narcóticos
(Denarc), acusados de crimes de abuso de autoridade, tortura
e concussão (corrupção de funcionário
público), contra prostitutas e viciados, na Cracolândia,
na zona central da cidade de São Paulo. Mandados de prisão
foram expedido contra os investigadores José Carlos de
Castilho, Mauro Cezar Bartholomeo, Hélio Carlo Barba,
Guilherme Barbosa Palazzo e Alessandro Ramos da Silva.
Para o juiz, a prisão cautelar dos acusados é necessária
para a garantia da ordem pública e para assegurar a instrução
do processo, pois em liberdade poderiam coagir e ameaçar
testemunhas, prejudicando a produção de provas.
O juiz Garcia Pozzer requisitou da Delegacia de Receita Federal
cópias das últimas cinco declarações
de renda apresentadas pelos cinco policiais. Determinou ainda
ao Banco Central que informe sobre as contas bancárias
por eles mantidas.
O juiz remeteu o inquérito aos promotores do Grupo de
Atuação Especial contra o Crime Organizado para
apresentação de denúncia que embasará
a ação penal. O delegado Osmar Ribeiro dos Santos,
da 4ª Delegacia de Crimes Funcionais, remeteu o inquérito
ao fórum com um relatório parcial, após
ouvir cerca de trinta testemunhas e vítimas.