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Terça-feira, 27 de Fevereiro de 2001
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Santa Catarina - Brasil
ANotícia
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Trabalhistas
vão apoiar Sharon
Partido decide
participar do governo de coalizão e inica nomes para ocupar
as pastas ministeriais
O
moderado Partido Trabalhista de Israel votou ontem por ampla
maioria participar do governo do primeiro-ministro eleito Ariel
Sharon, informou o secretário do partido, Raanan Cohen.
A votação foi realizada numa tumultuada convenção
marcada pelo desapontamento com o fracasso das negociações
de paz com os palestinos e a irritação com a esmagadora
derrota eleitoral do partido.
Cohen anunciou que 67 por cento votaram a favor de participar
do governo e 32 por cento se opuseram, mas menos da metade dos
1.675 membros do Comitê Central do Partido Trabalhista
deram seu voto.
Desde sua retumbante vitória de 6 de fevereiro sobre o
primeiro-ministro Ehud Barak, Sharon vinha tentando formar um
governo de amplas bases que refletisse unidade no confronto com
a violência palestina. A participação dos
trabalhistas também deve amenizar a imagem de Sharon de
um linha-dura avesso a compromissos e preocupado apenas com estratégias
militares.
Defendendo a participação num governo de "unidade
nacional", o velho estadista Shimon Peres, candidato ao
cargo de ministro do Exterior de Sharon, disse que os trabalhistas
iriam influenciar o novo governo ao serem retomadas as conversações
de paz com os palestinos. Seus opositores dentro do partido temem
que o Partido Trabalhista seja esmagado pelos votos dentro do
governo do direitista Partido Likud, de Sharon, e de seus aliados,
e irá desaparecer como uma força moderada na cena
política israelense.
Pesquisas de opinião mostram que cerca de 75 por cento
dos israelenses são a favor de um governo de unidade com
ministros trabalhistas em posições destacadas,
incluindo o Nobel da Paz Peres. Entretanto, a convenção
partidária decidiu escolher ela mesma os nomes para ocupar
as pastas ministeriais, rejeitando uma lista da liderança.
Os ministros deverão ser escolhidos na quinta-feira.
Barak flertou com a idéia de servir como ministro da Defesa
de Sharon antes de decidir renunciar à liderança
trabalhista e abandonar a política, deixando seu partido
acéfalo.
Colonos judeus pedem
para assassinar Arafat
Jerusalém - Destacados colonos judeus pediram ontem
a seu governo para expulsar ou assassinar o líder palestino,
Yasser Arafat, em retaliação ao crescente número
de ataques contra israelenses.
O pedido foi feito como resposta a duas emboscadas promovidas
por atiradores palestinos nas quais dois colonos judeus foram
feridos. A Rádio de Israel divulgou que oficiais de segurança
israelenses culparam a unidade de elite Força 17, de Arafat,
pelos ataques de domingo.
Yehoshua Mor-Yosef, porta-voz do movimento de colonos judeus
na Cisjordânia e Faixa de Gaza, disse que comandos israelenses
deveriam matar Arafat.
Cinco meses de confrontos já deixaram 408 mortos - entre
eles pelo menos 330 palestinos e cerca de 50 judeus israelenses.
Dos israelenses mortos, um grande número é de colonos
judeus alvejados em emboscadas em estradas.
Na Cidade do Vaticano, em sua mensagem de Quaresma, o patriarca
latino de Jerusalém, monsenhor Michel Sabbah, apelou aos
soldados israelenses para que destruam as igrejas católicas,
mas não as casas dos palestinos. "Destruam nossas
igrejas, mas salvem nossos fiéis", disse.
Powell pedirá menos
sanções contra Iraque
Damasco - Numa potencial mudança de política,
o secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, recomendará
ao presidente George W. Bush que amenize o embargo de exportação
de bens civis para o Iraque a fim de tornar as sanções
mais palatáveis no mundo árabe, informou ontem
uma alta autoridade americana.
Mesmo alguns produtos que assumidamente podem ser úteis
para os militares iraquianos - como bombas d'água e geladeiras
que agora são controlados - devem ser retirados da lista
de sanções, que têm sido o fundamento da
dura política dos EUA para o Iraque por mais de uma década,
afirmou a autoridade.
Powell, concluindo uma rápida visita ao Oriente Médio
e Golfo Pérsico, reuniu-se com o presidente sírio,
Bashar Assad, e o ministro do Exterior, Farouk al-Sharaa, para
discutir as sanções contra o Iraque e os esforços
de paz no Oriente Médio.
Numa parada mais cedo na Cidade do Kuwait, Powell prometeu que
"a liberdade viverá e prosperará nesta parte
do mundo", apesar do presidente iraquiano, Saddam Hussein,
cujas forças foram expulsas do Kuwait 10 anos atrás.
"A agressão não imperará", disse
Powell, que uniu-se ao ex-presidente Bush (pai) e a Norman Schwarzkopf,
o comandante dos EUA na Guerra do Golfo contra o Iraque, para
homenagear os 148 americanos mortos em combate no conflito de
1991.
Os árabes estão cada vez mais desapontados com
as sanções por elas penalizarem fortemente os civis
iraquianos. Powell ouviu repetidamente essa preocupação
de líderes árabes em sua primeira visita como secretário
à região e irá sugerir as modificações
a Bush, hoje, quando retorna a Washington.
EUA acusados de vender
produtos para tortura
Washington - Dezenas de companhias americanas vendem armas
e outros equipamentos usados no exterior para tortura, denunciou
ontem a Anistia Internacional (AI), pedindo a proibição
das vendas.
Os itens incluem sofisticadas armas de choque elétrico
e algemas de dedo serrilhadas, projetadas para rasgar a carne
se um detido tenta escapar, informou num relatório a representação
americana da AI, grupo com sede em Londres. "Nenhuma companhia
dos EUA deveria lucrar com a tortura", afirmou o chefe da
representação, William F. Schulz.
Embora seja ilegal possuir nos EUA alguns dos produtos citados,
o Departamento de Comércio americano concedeu licenças
de exportação para vendas que já alcançaram
US$ 97 milhões desde 1997, sob a categoria de "equipamento
de controle do crime". Segundo a Anistia, 80 firmas americanas
estão envolvidas na produção, divulgação
e Colômbia entre os principais violadores dos direitos
humanos no ano passado.
Dados do Departamento de Comércio mostram que os maiores
compradores desses equipamentos americanos são a Arábia
Saudita, Rússia, Taiwan, Israel e Egito. Os equipamentos
também podem ser usados para impor legitimamente a lei,
mas o porta-voz da AI Alistair Hodgett disse que o grupo considera
que alguns deles são "intrinsecamente cruéis"
e sua exportação deveria ser totalmente proibida.
O relatório foi divulgado no mesmo dia em que o Departamento
de Estado dos EUA divulgou seu informe anual sobre direitos humanos
ao redor do mundo. A Colômbia, China e Israel foram citados
entre os principais países violadores dos direitos humanos
no ano passado.
No Brasil, o relatório assinala, especialmente, a crise
do regime carcerário do País, o envolvimento de
policiais em esquadrões da morte, e a impunidade dos acusados
de violações dos direitos humanos.
Ministros da UE fracassam
na luta contra vaca louca
Bruxelas - Os ministros da Agricultura dos Quinze (países
da União Européia - UE) fracassaram na noite de
ontem em suas tentativas de alcançar um acordo sobre as
medidas necessárias para lutar contra a crise da vaca
louca, informaram fontes européias.
Não se alcançou a maioria qualificada dentro do
conselho de ministros, em decorrência das profundas divergências
entre os Estados membros sobre as medidas que podem acabar com
a crise do setor bovino, precisaram as mesmas fontes.
Alguns países como Alemanha e Dinamarca recusaram a idéia
de um programa de destruições suplementares, que
incluiria a supressão dos mecanismos de intervenção
(obrigação de compra quando as cotações
ficam abaixo de um determinado preço), proposta pela Holanda.
Por outro lado, países como França e Espanha eram
favoráveis à eliminação de animais
para reduzir a oferta de carne bovina.
A presidência sueca da União Européia apresentará
as conclusões desse fracasso. Quanto a eventual concessão
de ajudas diretas nacionais aos fazendeiros, a Comissão
Européia reiterou que elas só serão autorizadas
em circunstâncias excepcionais e segundo as regras atualmente
em vigor.
Na Inglaterra, centenas de animais, até mesmo senvagens,
estão sendo mortos e incinerados por causa da febre aftosa,
doença que, embora não seja trágica para
os seres humanos, ameaça todo o rebanho inglês.
Foi necessário interditar três parques reais que
abrigam animais de caça na região de Londres. Até
mesmo as abelhas da Inglaterra estão sendo também
analisadas.
Deputado - O
ex-deputado peruano Alberto Kouri, um dos protagonistas do escândalo
de corrupção que derrubou o governo do ex-presidente
Alberto Fujimori, hoje vivendo no Japão, foi preso ontem
ao retornar ao Peru. Kouri apareceu em um vídeo divulgado
em setembro supostamente recebendo suborno do ex-assessor presidencial
Vladimiro Montesinos, atualmente procurado pela polícia
do mundo inteiro. O ex-deputado, que estava em Miami, disse que
voltou porque espera um julgamento justo.
Kursk - Uma
nota deixada por um dos 118 tripulantes do submarino nuclear
russo Kursk explicava que a embarcação naufragara
por causa da explosão de um de seus torpedos, informou
ontem o diário local "Izvestia", citando fontes
entre altos oficiais da Marinha da Rússia. Duas explosões
levaram o Kursk a pique em 12 de agosto, durante manobras navais
no Mar de Barents, matando todos a bordo. Durante a operação
de resgate foram encontradas duas mensagens nos bolsos de dois
oficiais.
Condenações
- O Tribunal Penal Internacional (TPI) para a ex-Iugoslávia
condenou ontem, em Haia, dois ex-dirigentes croatas da Bósnia,
Dario Kordic e Mario Cerkec, a penas de 25 anos e 15 anos de
prisão. Dario Kordic é o mais alto dirigente político
julgado até agora pelo TPI. Kordic, de 40 anos, e Mario
Cerkez, de 41, foram considerados culpados de crimes contra a
humanidade e crimes de guerra, por sua responsabilidade no massacre
de centenas de muçulmanos bósnios no vale de Lasva
(Bósnia).
Comunistas -
O Partido Comunista (PC) obteve ontem uma vitória esmagadora
nas eleições parlamentares na Moldávia,
ex-república soviética situada entre a Ucrânia
e a Romênia. Os comunistas conquistaram 70% das cadeiras
e voltarão ao poder pela primeira vez desde o fim da URSS.
O resultado permitirá ao PC eleger o primeiro-ministro
e o presidente (escolhido pelo parlamento). O líder comunista,
Vladimir Voronin, admirador de Vladimir Putin, disse que não
reconduzirá o país ao regime soviético.