Joinville
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Domingo, 7 de Janeiro de 2001
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Santa Catarina - Brasil
ANotícia
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PM assassinado
ao salvar mulheres
Cabo Gilberto Piolla
da Silva acabou perdendo a vida ao tentar socorrer vítimas
de seqüestro
Adriano Ribeiro
Especial para A Notícia
Soraya
Campos, hoje com 22 anos e mãe de um filho com dois anos,
mora com seu pai em uma chácara a cerca de 12 quilômetros
do centro de Caçador. A vida tranqüila do campo a
faz esquecer um pouco o medo que sentiu no dia 13 de abril de
1997. Ela e Adriana Carniel tinham sido seqüestradas por
dois marginais e foram salvas pelo cabo PM Gilberto Piolla da
Silva, 32, que acabou perdendo sua vida ao tentar socorrê-las.
"Devo minha vida a ele", lembra Soraya.
A mulher lamenta a morte do policial e garante que pelo resto
de sua vida terá gratidão pelo gesto que fez. "Não
queria que ele tivesse morrido", fala. "Se não
fosse por ele, nós não estaríamos mais vivas,
mas não queria que tivesse acontecido desta forma",
completa, ao lembrar o dia da tragédia. Segundo Soraya,
o que era para ser um passeio de diversão se tornou uma
noite de horror.
As duas mulheres estavam esperando o ônibus em frente ao
parque de diversão, ao lado da rodoviária, no centro
de Caçador, quando o agricultor Antônio Fernandes,
na época com 20 anos, e seu irmão, o menor S.F.,
abordaram as moças e, armados com uma faca, as raptaram.
"Disseram para que ficássemos quietas, que nos levariam
para um lugar seguro", recorda. De acordo com ela, tiveram
de caminhar, com uma faca apontada em baixo do braço.
"Eu queria fugir, mas não daria tempo e tive de acompanhar",
diz.
Diante da situação, Soraya apelou para a estratégia
do desmaio. "Pensei que se desmaiasse eles iriam nos deixar",
sustenta. Porém, a mulher conta que mesmo depois de fingir
o desmaio eles passaaram a carregá-la. "Eu escutava
tudo, estava consciente", comenta. De acordo com a vítima,
Piolla chegou no momento em que sua companheira também
estava fingindo um desmaio, na Vila Kurtz, na periferia da cidade.
"Ele chegou e perguntou o que estava acontecendo",
recorda. Neste momento o PM foi assassinado a facadas e tiros,
enquanto a mulher permanecia caída ao lado da rua.
Facadas e tiros nas costas
Passados mais de três anos do trágico assassinato,
a imagem do cabo Gilberto Piolla da Silva permanece viva na memória
das pessoas que o rodeavam. Nos destacamentos da PM por onde
passou, no Estado, seus amigos ainda o reverenciam como o "companheiro
de toda hora". A esposa, Neoci Aparecida Paulek Piolla da
Silva, diz que perdeu alguém que era tudo. Mesmo a punição
dos assassinos não transmite satisfação
a quem conviveu com o policial morto.
Piolla estava se dirigindo para a casa de sua mãe, também
na Vila Kurtz, quando viu Soraya caída, ao lada da rua,
e se aproximou para tentar ajudá-la. Já era noite,
por volta das 22 horas. Ao se abaixar para tomar o seu pulso,
foi atingido por um golpe de faca nas costas desferido por Antônio.
Em seguida, o menor S.F. teria pego o revólver do cabo
e lhe dado cinco tiros. De acordo com os autos do processo de
julgamento dos acusados, Piolla ainda tentou correr, mas caiu
próximo ao local, morrendo logo em seguida no hospital.
Os assassinos foram presos pela Polícia Militar quando
voltavam para o acampamento na fazenda Paiol Velho, interior
do município.
Devido à repercussão do homicídio, a Justiça
trabalhou rápido e no mesmo ano Antônio foi a júri
popular pelo crime. No dia 24 de outubro de 1997, em cerca de
12 horas, os agravantes e atenuantes acontecidos no dia 13 de
abril foram colocados em questão por acusação
e defesa. No final o júri condenou o agricultor e o juiz
Luís Néri Oliveira de Souza determinou a pena de
14 anos e quatro meses de prisão em regime fechado por
matar a golpes de faca e tiros, com ajuda do irmão, o
cabo.
Os jurados entenderam por unanimidade que o réu era culpado
pela morte do cabo PM. Por esse crime, o juiz Souza o condenou
a 12 anos de prisão. Antônio também era acusado
de tentativa de estupro contra Soraya e Adriane. Por esse ato
foi condenado a dois anos e quatro meses de prisão, perfazendo
o total de 14 anos e quatro meses.
O menor S.F. foi julgado pela Vara da Infância e Adolescência
e está internado num centro de recuperação
de menores infratores. (AR)
Familiares e amigos sofrem
com a dor da perda
Para Neoci Aparecida Paulek Piolla da Silva, ficar sem seu
marido, depois de 12 anos de casamento, foi como parar no tempo.
Tanto que, depois da morte do cabo, a cada ano continuava a acrescentar
um ano ao tempo de casada. "Já estava tão
acostumada com ele, sempre do meu lado", fala. Neoci conta
que agora já se acostumou a contar a vida após
sua morte.
A morte do marido veio em uma hora que a família planejava
se mudar para Joinville. Segundo a mulher, Piolla teria encaminhado
a autorização de transferência na sexta-feira
que antecedeu o dia do crime. "Nós tínhamos
planos de estudar", conta. Conforme ela, Piolla queria fazer
o curso de direito e ela, de psicologia. Neoci está concretizando
seus planos. Em 2000 completou o segundo semestre do curso de
psicologia e vive acompanhada da filha de 14 anos. "Se nada
tivesse acontecido, estaríamos os dois estudando",
observa.
Segundo a viúva, Piolla queria sempre se destacar e crescer
profissionalmente. "Ele era cabo com 32 anos e nunca perdeu
um curso para sargento", salienta. Ela brinca que com mais
10 anos o marido já estaria aposentado e teria um homem
em casa com 42 anos sem ter o que fazer. A imagem do bom amigo,
transmitida pelos amigos, é confirmada pela mulher. "Por
onde passou, deixou muitos amigos, não somente na polícia,
mas em todo lugar", diz. "Até hoje, com certeza,
ninguém o esqueceu", acrescenta.
VIAGEM
Quando aconteceu o assassinato de Piolla, a mulher e a filha
moravam em Papanduva. Segundo Neoci, o marido iria visitá-las
no domingo e precisava retornar no final do dia, pois estaria
de serviço na segunda-feira. Ele levaria seu cinturão
para que a filha o usasse em uma apresentação do
colégio. Neoci lembra que ele ligou, logo pela manhã,
e disse que foi até ao trevo tentar pegar uma carona,
mas ficou esperando por 40 minutos e não conseguiu. Diante
disso, resolveu voltar para a casa da mãe e se alimentar,
pois estava com fome e não iria mais viajar. "Ficou
de ir no outro final de semana", lembra.
Apesar do crime ter acontecido por volta das 22 horas de domingo,
a mulher somente ficou sabendo na madrugada de segunda-feira.
Foi informada por uma mulher que estava no hospital. "A
polícia não teve coragem de contar a verdade, disseram
apenas que havia sofrido um acidente", conta. A dor da perda
fez com que a mulher ficasse desorientada por mais de um ano.
A escola de datilografia e informática que tinha faliu.
"Não tinha mais ânimo para nada", conta.
"De repente, você perde ele, que fazia tudo por você",
fala. Apesar da dor, Neoci garante que não guarda ressentimentos.
"Por uma falha que não quero saber de quem foi, se
perdeu uma vida", finaliza.
CHOQUE
"Foi uma grande perda, ele era um servidor público
da área de segurança que prestava bons serviços
para a comunidade". A frase é do capitão Cesar
Roberto Nedochetko, da 4ª Companhia da Polícia Militar,
onde Piolla servia. De acordo com o oficial, "esse assassinato
demonstra o grau de violência em que a sociedade se encontra".
Entre os companheiros de trabalho, a opinião é
unânime: com Piolla não havia tristeza. "Ele
era um cara excelente, pronto para a hora que se precisasse",
comenta o soldado Valmor Alves. Segundo ele, o amigo, durante
e fora do serviço, transparecia calma e tranqüilidade,
sempre prestativo para as necessidades das pessoas. Piolla serviu
na companhia da PM de Papanduva e depois foi destacado para Caçador,
onde ficou por dois anos.
Alves ainda lembra a última vez que viu o amigo, numa
sexta-feira, antes do fatídico domingo. De acordo com
ele, Piolla estava sereno como sempre e animado com o trabalho.
A morte do PM chocou pelo fato dele ser uma pessoa que não
provocava intrigas e sempre tomava cuidado para evitar confusões
desnecessárias. "Todo mundo ficou chocado, poderia
ter acontecido com qualquer outro, menos com ele", sintetiza
Alves. (AR)
Pedida prisão de
responsável por farmácia
Florianópolis - O inquérito policial sobre a
morte da estudante Eda Gabriela de Barros Dutra, 10 anos, apontou
que o remédio usado pela vítima, contendo a substância
clonidina e produzido pela farmácia de manipulação
Medic Fórmula da Capital, tinha 32.184% a mais do que
foi ministrado pelo médico da menina, José Jorge
Cherem. O delegado responsável pelo caso, Douglas Marreiros
Júnior, encamihou o pedido de prisão preventida
para a 1ª Vara Criminal de Florianópolis, do farmacêntico
responsável pela farmácia, Antônio Carlos
Wiezotkoski. O laudo que constatou a morte por intoxicação
foi assinado pelo perito da Polícia Científica,
Rubens Vieira Nascimento.
Infra-estrutura precisa de US$ 2,7 bi
Projetos de melhorias se concentram em estradas e energia.
AN_Economia
Mais quatro funcionários da empresa
- Gilberto Bento Sebastião, Renoir Pereira, Fábio
Rogério Conceição Silva e Osmair Frutuoso
-, foram indiciados por exercício irregular da profissão
de farmacêutico, artigo 282 do Código Penal, por
terem trabalhado diretamente na manipulação dos
remédios. A estudante morreu no dia 30 de março
de 2000, depois de ficar em coma no Hospital Infantil de Florianópolis.
A clonidina estava sendo usada para estimular os hormônios
do crescimento de Eda, já que tinha pouca estatura para
a idade de 10 anos.
"Eles disseram em depoimento que o farmacêutico ficava
só no atendimento do balcão e no trabalho administrativo,
enquanto eles faziam a manipulação. Por isso, ele
deve responder por homicídio com dolo eventual. Isso quer
dizer que ele sabia dos riscos que estava correndo ao deixar
o seu trabalho na mão dos funcionários", disse
o delegado. Segundo ele, a Vigilância Sanitária
interditou a farmácia por três dias.
Florianópolis/Lages - Quatro pessoas morreram na madrugada
de ontem nas rodoviais estaduais e federais do Estado. Aos 20
minutos, faleceu Antônio Carlos Nunes, 20 anos, ao ser
atingido pelo VW/Gol, placas LYW-8372, de Balneário Camboriú,
conduzido por Cezar de Bitencourt, 38 anos. O acidente ocorreu
no quilômetro 210 da BR-101, em São José.
No quilômetro 192, em Biguaçu, mais uma vítima
de atropelamento: José Nilton Pereira de Souza, 35 anos,
foi encontrado morto às margens da rodovia. O motorista
fugiu do local do acidente e não foi identificado.
No Norte da Ilha, na rodovia SC-401, que liga o Centro às
praias, morreu João Nascimento Cândido, 36 anos,
condutor do VW-Fusca, placas LZA-2811, de Florianópolis.
João colidiu frontalmente com o Fiat Uno, placas AEF-3126,
também de Florianópolis, dirigido por Paulo Roberto
da Silva, que sofreu apenas escoriações leves.
Havia outras quatro pessoas no Fusca e duas passageiras estão
internadas com lesões graves.
Em Lages, um rapaz moreno claro, aparentando de 20 a 25 anos
de idade, furtou da garagem de um hotel de Lages o Vectra CD,
placa BBC 6500, de Ponta Grossa (PR). Na fuga, sofreu um acidente
e morreu na hora. O acidente aconteceu por volta das 2h30 da
madrugada de sábado, no km 228,1 da BR-282. Avisada por
motoristas que passavam pelo local, a Polícia Rodoviária
Federal encontrou o rapaz morto ao lado do veículo. Ele
estava sem documentos e não foi reconhecido. Ontem pela
manhã encontrava-se no IML e a Polícia Civil investigava
sua identidade.
Ladrões levam
R$ 40 mil do Besc na Capital
Florianópolis/Joinville - A agência do Besc,
da av. Governador Jorge Lacerda, na Costeira do Pirajubaé,
em Florianópolis, foi assaltada por dois homens, que levaram
R$ 40 mil, no final da tarde de sexta-feira. Os ladrões
fugiram na moto Honda NX-150, cor azul, ano 89, placa MAS-9458,
de Florianópolis, que foi roubada de um cliente da agência
durante o assalto. Depois de abandonar a moto, os assaltantes
fugiram num VW Gol vermelho.
Por volta das 5 horas da madrugada de ontem, foi a vez do Caixa
24 horas do Banco do Brasil da rua Des. Pedro Silva, em Coqueiros,
ser arrombado. Os ladrões abriram a porta interna, cortaram
os fios das câmaras de vídeo e abandonaram o local
depois que o alarme disparou. Policiais militares foram acionados
por um morador próximo ao banco. Quando chegaram ao local,
não conseguiram entrar porque a porta só abre com
cartão magnético.
Em Joinville, seis homens armados com revólveres assaltaram
na madrugada de ontem o Shopping Center Leste, na rua Papa João
23, bairro Iririú. Eles renderam o vigilante, tomaram
a arma e roubaram o cofre da Caixa Econômica Federal. De
acordo com a PM, os assaltantes chegaram no shopping com um Fiat
Pálio e uma Kombi. Após o roubo, colocaram o caixa
na Kombi, embarcaram nos veículos e fugiram em direção
à rua Frontin, onde abandonaram o Pálio e fugiram
num Golf, que os esperava no local. Os suspeitos também
levaram o rádio de comunicação do vigilante.
A PM não soube informar o valor roubado.
Em Itajaí, a Lotérica São João,
no bairro São João, foi assaltada no início
da noite de sexta-feira. O estabelecimento foi invadido por um
homem armado com uma pistola, que rendeu um funcionário
e limpou o caixa. Em seguida, ele fugiu numa moto Honda CG-125,
com a placa identificada por testemunhas pelos números
6879.
PRF apreende
veículos furtados
Joinville - Três automóveis e um caminhão
furtados foram recuperados por policiais rodoviários federais
que atuam nas BR-101 e BR-280, no trecho Norte do Estado. Na
madrugada de ontem, os policiais interceptaram, nas proximidades
de Barra Velha, o caminhão Mercedes Benz, modelo 1315,
placa BXC-0275 (Tramandaí-RS), carregado com polietileno,
que tinha sido roubado, durante um assalto, na noite de quinta-feira,
em Itajaí. Um suspeito foi detido e encaminhado à
DP de Barra Velha.
Na quinta-feira, à noite, foram detidos Alesandro Ulkolswki,
Everaldo Antônio da Silva e Silvano Wagner dos Santos.
O trio estava no Gol LXT-4818 (Chapecó) e em atitiudes
suspeitas em pátios de postos de gasolina. PRF foi acionada
e ao ser percebida os acusados fugiram em alta velocidade pela
rodovia. Foram alcançados e detidos porque portavam um
revólver Rossi calibre 38, com numeração
raspada. Todos foram levados para a DP de Barra Velha.
No posto da PRF de Guaramirim, na BR-280, policiais surpreenderam
o foragido da Justiça paulista, Dietrich Gramberg, 26,
conduzindo o Gol 2000, DBZ-1985 (São José dos Campos-SP),
furtado no dia 19 de novembro do ano passado.
Na terça-feira, os policiais do posto de Barra Velha encontraram
a Parati LYP-6201 (Joinville), usada pelo "bando do Mexicano"
no assalto ao funcionário do Banco do Brasil de Araquari.
Os policiais chegaram a perseguir a Parati, que foi abandonada
pela quadrilha.