Joinville
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Quarta-feira, 24 de Janeiro de 2001
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Santa Catarina - Brasil
ANotícia
NA TV
Juarez Machado deu movimento movimento à imagem, com desenho
tão pessoal que não conseguiu nenhum seguidor Fotos: ARQUIVO AN
Juarez Machado
recebe homenagem
Pioneirismo do
desenho de humor criado pelo artista plástico joinvilense
na televisão brasileira nos anos 70 conquista reconhecimento
no 13º Salão Carioca de Humor
Beatriz Coelho Silva
Agência Estado
O
artista plástico joinvilense Juarez Machado é o
homenageado do 13º Salão Carioca de Humor, aberto
ontem na Casa de Laura Alvin, em Ipanema. O tema é a televisão
e ele foi escolha unânime dos organizadores, por ser pioneiro.
Foi Juarez quem, nos anos 70, levou o desenho de humor para a
telinha. "Sempre homenageamos alguém fundamental
no assunto a ser abordado. Quando
falamos da mulher carioca, o Lan ficou em evidência e,
quando abordamos a boemia, foi a vez do Jaguar", explica
o curador do salão, Rocky Goodwin. "Agora, ao comemorar
os 50 anos da televisão, o Juarez é o primeiro
nome lembrado. Ele deixou a charge, ele ainda é uma influência
importante." Machado não nega a felicidade
(e também a responsabilidade) de ser homenageado, mas
discorda de Goodwin quanto à influência que exerce
entre os novos e nem tão jovens desenhistas de humor.
"Hoje em dia, eu os conheço pouco porque não
moro mais no Brasil e só me dedico à pintura. O
bom dessa homenagem é que ela dá início
à comemoração do meu centenário,
pois estou completando, em 2001, 60 anos de idade (no dia 16
de março) e 40 de profissão", brinca o artista.
"Quanto à influência, eu posso dizer, sem modéstia,
que comecei um tipo de trabalho na televisão, dando movimento
à imagem, mas aquele desenho, feito daquela forma, era
tão pessoal que não creio que tenha tido seguidores."
No início dos anos 70,
quando o programa "Fantástico" era uma novidade
na Rede Globo, Juarez criou vinhetas animadas de humor e non
sense, em que ele atuava como mímico, ao som de música
eletrônica criada pelo maestro Júlio Medaglia. Seu
corpo pintado e vestido com uma fantasia indefinida (era meio
boneco, meio palhaço) interagia com um cenário
desenhado pelo próprio Machado. O sucesso foi tremendo
e o quadro, que se repetia quatro vezes em cada programa, durou
até 1978, quando o artista resolveu dedicar-se exclusivamente
à pintura.
Na abertura do salão, Juarez Machado deu uma colher de
chá para o público que até hoje sente saudade
de seu trabalho gráfico. Manequins de plástico
forsam pintados naquele estilo.
Alfredo Bosi amplia
compreensão da poesia
Livro do autor
reflete sobre o significado do fazer poético
Andréia Guerini
Florianópolis - "O Ser e o Tempo da Poesia",
de Alfredo Bosi, publicado pela primeira vez em 1977, parece
consagrar-se como um dos clássicos nacionais nos estudos
de poesia. A novidade dessa edição são as
notas, o índice onomástico e um prefácio,
intitulado "Poesia e Historicidade", esclarecendo que
o autor não pretende reduzir a sua compreensão
de poesia ao aspecto meramente formal, mas sim pensá-la
como parte de um todo histórico, social, cultural etc.
O núcleo de sua proposta é "...captar o nexo
íntimo entre o fluxo sonoro do texto, a sua constelação
de figuras e o seu pathos; até aqui, o ser da poesia.
Em seguida, atentar para sua presença e o seu significado
no curso do tempo
intersubjetivo, social, que é a cultura vivida por gerações
de leitores: o tempo histórico da poesia".
Ao longo dos ensaios que compõem o livro "Imagem,
Discurso"; "O Som no Signo"; "Frase: Música
e Silêncio"; "O Encontro dos Tempos"; "Poesia-resistência"
e "Uma Leitura de Vico", Bosi atua ora como crítico,
ora como teórico, ora
simplesmente como um apaixonado leitor, dialogando com toda uma
tradição filosófica, literária e
lingüística, passando de Aristóteles a Schopenhauer,
de Dante a João Cabral de Melo Neto até chegar
a Saussure, Jakobson e outros.
O fio condutor dos três primeiros ensaios nos leva ao Ser
da poesia que, segundo Bosi, é a imagem, a palavra, o
texto, o discurso, o signo, o corpo que olha, a voz, o som, o
ritmo da linguagem oral, do verso metrificado e livre, a rima,
o metro, o movimento, o andamento, a melodia, a pausa, o silêncio,
o devaneio, a fantasia, a metáfora, a metonímia,
a resistência, mas também o poeta, que é
o doador de sentido ao poema. Quanto ao Tempo da poesia, Bosi
mostra que esse é sempre histórico e plural, pois
o texto poético é uma
produção constituída por vários tempos,
e é nesse encontro de tempos heterogêneos que se
dá a produção do poema, sem perder de vista
o caráter determinado, histórico, da consciência
que o organizou.
Bosi lembra também que as interpretações
de um grande texto diferem muito de uma geração
para outra. O processo da consciência histórica
e crítica dos leitores não é tão
estável como a forma do poema, pois o tempo histórico
é
mutante por natureza. Vale sublinhar que Bosi é um leitor
atento de Vico, Hegel e Croce. Daí que seu conceito de
Ser e de Tempo na poesia seja a soma de duas concepções
diferentes: uma baseada no corso e ricorso da história,
no conteúdo, e a outra centrada na forma.
O resultado dessa soma é que a poesia pode abarcar tudo,
pois "consegue projetar na consciência do leitor imagens
do mundo e do homem mais vivas e reais do que as forjadas pelas
ideologias, acendendo o desejo de uma outra existência,
mais bela. E aproximando o sujeito do objeto, e o sujeito de
si
mesmo, o poema exerce a alta função de suprir o
intervalo que isola os seres. A poesia traz, sob as espécies
da figura e do som, aquela realidade pela qual, ou contra a qual,
vale a pena lutar".
Apesar da intenção de Bosi de estudar a poesia
enquanto forma e conteúdo, como exposto no seu prefácio,
percebe-se que a ênfase maior do livro é dada aos
seus aspectos temáticos, em detrimento do formal. Afora
essa pequena observação, acredito que Bosi contribui
para aprofundar as
questões da crítica, análise e história
da poesia, tornando-se uma referência fundamental para
os estudiosos da área, mostrando que é ainda possível
"remar contra a maré", e nos fazendo perceber
que a leitura de Homero, Virgílio,
Fernando Pessoa, entre outros é essencial para o enriquecimento
espiritual e cultural de um indivíduo, de uma nação.
Andréia Guerini, doutoranda em teoria literária
da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), guerini@cce.ufsc.br
O Brasil dos Imigrantes, de Lucia Lippi Oliveira -
Estudo sobre a relação entre a cultura brasileira
e a cultura dos imigrantes que chegaram no País entre
o final do século 19 e início do 20, apontando
as contribuições e transformações
provocadas pelos novos moradores na vida nacional. O livro integra
a coleção Descobrindo o Brasil, que trata os temas
da história e da cultura brasileiras. A autora, Lucia
Lippi Oliveira, é doutora em sociologia pela Universidade
de São Paulo (USP) e pesquisadora do Centro de Pesquisa
e Documentação de História Contemporânea
do Brasil (CPDOC). Em nove tópicos, a autora discute o
olhar estrangeiro, concluindo que os imigrantes tiveram papel
fundamental na superação da barreira contra o trabalho
braçal/manual, herança de quase 400 anos de escravidão.
Além disso, ajudaram a superar barreiras contra a atividade
comercial, vista até então como uma tarefa de sanguessugas.
Observa também que a cultura dos imigrantes, valiosa na
construcão de uma nova face da sociedade brasileira, não
alterou o preconceito racial contra negros e mestiços.
Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro, 74 páginas, R$ 14,00.
Que Delícia - Paquera e Sexo de Qualidade, de Sergio
Savian - O autor ensina como ter uma boa vida sexual e afetiva,
sem estressar o companheiro (a) com cobranças, pressas
e ansiedades. Sugere caminhos para aproveitar os momentos a dois,
destrói crenças e mitos que prejudicam os afetos,
discute desejos, detalha artimanhas da paquera bem-sucedida,
expondo peculiaridades do jogo de sedução, da conquista,
o momento certo da abordagem. Defende ainda a meditação
e a tranqüilidade para alcançar um maior prazer,
a interação com o outro, a percepção
da energia contida durante o sexo e a qualidade dos movimentos.
Sexo anal, masturbação, orgasmo, homossexualidade
são outros temas abordados com descontração.
Trata-se de um guia que ensina, inclusive, aspectos da numerologia,
o cálculo dos números que regem a vida do leitor.
Para homens e mulheres de todas as idades. Editora Gente, São
Paulo, 168 páginas, R$ 20,00.
Serviço
O Ser e o Tempo da Poesia, Alfredo Bosi, Companhia das Letras,
275 páginas, R$ 25.50.
"República da Etnias"
debate origens do Brasil
Fausto Oliveira
Agência Estado
O Museu da República está lançando o
livro "República das Etnias", que compila as
conferências realizadas em 2000 na série de seminários
que leva o mesmo nome da publicação. O museu, que
completou 40 anos, teve nos festejos de 500 anos do Brasil o
pretexto para discutir a miscigenação como traço
fundamental da cultura brasileira. A iniciativa resultou na identificação
de um leque de heranças culturais que vai além
de índios, portugueses e negros. Foram discutidas as influências
que japoneses, holandeses, alemães, judeus, sírio-libaneses,
italianos, espanhóis, franceses e poloneses exerceram
sobre o Brasil, em algum período histórico.
Para cada nacionalidade o museu dedicou
além das palestras, mostras de filmes, apresentações
musicais e peças de teatro. "Não nos preocupamos
com o aspecto político da questão, quisemos abordar
a história pelo lado social", diz o curador do evento
Paulo Reis. Os seminários reuniram nomes brasileiros de
peso, como o filósofo Gerd Bornheim e o historiador Ronaldo
Vainfas, e internacionais, como o ensaísta francês
Jean Soublin. O livro traz as conferências na íntegra,
tem capa dura e um caderno de fotos que transmite a idéia
geral da obra.
"Grandes nomes da nossa cultura, como Lasar Segall, Osvaldo
Goeldi, Oscarito, Carmem Miranda, Clarice Lispector, Ruy Guerra,
Eva Todor e Alfredo Volpi não eram brasileiros, e sim
imigrantes que contribuíram para a formação
de uma cultura no Brasil", diz Paulo Reis, explicando que
fotos antigas dessas personalidades compõem o caderno
de imagens do livro. A pergunta "que Brasil é esse?"
motivou a iniciativa do República das Etnias. "Três
quartos da nossa população é miscigenada",
diz Paulo, "e somos o maior conjunto de japoneses fora do
Japão, por exemplo". Para ele, mesmo que a questão
da identidade brasileira já tenha sido fartamente discutida
ao longo da história, ela continua.
A fúria dos preços no verão catarinense
Perspectivas para a alta temporada são as melhores, mas
morador do litoral sai perdendo.
AN_Economia
Cita um dos mais recentes censos do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que resumiu
as opções étnicas do brasileiro a branco,
negro ou miscigenado. "Todos os que não eram negros
responderam 'branco' e ficamos parecendo uma Suécia",
brinca.
Mas a questão está longe de se resumir à
cor de pele. É o que quis dizer a maioria dos conferencistas
que compareceram ao Museu da República durante o ano.
O escritor Marco Lucchesi, quando falou da influência dos
italianos, trouxe dados de sua pesquisa sobre o início
da imprensa no Brasil. Ele fez um levantamento de personalidades
que lançaram periódicos bilíngües ou
só em italiano, entre 1854 e 1921. O pai dos caricaturistas
brasileiros, segundo Lucchesi, é o italiano Angelo Agostinni,
editor da Revista Ilustrada, jornal de seis páginas com
a maior tiragem do período.
Até fevereiro,
Rudney Borges e Vitor Dill expõem telas com santos, anjos
e divindades em shopping de Joinville
Rubens Herbst
Joinville - A abóbada da Capela Sistina, pintada magistralmente
por Miguel Ângelo no início do século 16,
continua sendo uma das obras máximas da arte sacra, em
todos os tempos. Porém, não é preciso ir
a Roma para apreciar esse tipo de manifestação
artística, ainda mais que no Brasil, o País mais
católico do mundo, transpor para telas, vitrais e gesso
a religiosidade do povo é algo comum e natural. Olinda
(PE), com sua enorme quantidade de igrejas, capelas, mosteiros
e conventos, é pródiga em fornecer artistas cuja
inspiração vem de santos, anjos e divindades. É
o caso de Rudney Borges, artista plástico que, com o artesão
Vitor Dill, acaba de se instalar em Florianópolis. Uma
amostra de seu trabalho está exposta na praça de
eventos do Shopping Americanas, em Joinville, desde o dia 20.
A exposição contempla nove quadros de óleo
sobre tela, todos de grandes dimensões (1,20x1,00, em
média), que apresentam figuras de santos (São José,
Santo Antônio, Santa Rita de Cássia), anjos, eventos
bíblicos célebres (a Santa Ceia) e simbologismos
(Coração de Cristo, Rosa Mística). Bastante
coloridas e fartamente detalhadas, as telas primam pela correção
dos traços de Borges, mas não trazem novidades
no que diz respeito à arte sacra, seguindo à risca
as características seculares do gênero: rostos lisos,
quase sem expressões, auréolas, raios de luz, nuvens
e flores. O diferencial está nas molduras elaboradas por
Dill - talhadas em madeira e pintadas de dourado, demostram raro
rebuscamento e originalidade.
Gaúcho de nascença, Rudney Borges foi levado com
cinco anos de idade para Olinda, onde desenvolveu seu talento
artístico, influenciado, principalmente, pela arte barroca
e pelos pintores clássicos. Por volta dos 20 anos, resolveu
largar o emprego de bancário e abraçar de vez as
tintas e pincéis. Cinco anos depois, uma encomenda o despertou
para a arte sacra, e não parou mais. "Sempre gostei
muito de desenhar figuras humanas com movimento de roupas e bordados,
e a arte sacra tem muito disso", explica o pintor, que prefere
telas grandes pela possibilidade de depurar melhor os detalhes.
Aos 41 anos, há três meses Borges escolheu Florianópolis
para morar e trabalhar. Com ele veio Vitor Dill, a quem Rudney
ensinou a arte do entalhe quando a dupla ainda vivia em Pernambuco.
No momento, ele prepara uma série de vitrais para uma
igreja da Congregação Ismaelana, no bairro de Itacorubi,
além de reprisar, durante a Semana Santa, a exposição
que fez em dezembro no Beiramar Shopping, na Capital. Para essa
ocasião, ele pretende exibir sua aptidão com a
madeira (santuários, oratórios) e os vitrais. Detalhe:
Rudney também planeja montar um grupo de forró
na Ilha e tocar suas próprias composições,
que já somam 25.
O quê: Exposição de arte sacra, com
obras de Rudney Borges e Vitor Dill. Quando: até
o dia 4 de fevereiro, das 10 às 22 horas. Onde:
Shopping Americanas, avenida Getúlio Vargas, 1.449, fone
(0xx47) 455-2199. Mais informações pelo fone (0xx48)
338-3674.
Charme rude
José Mayer
chega à reta final de "Laços de Família"
como o galã da história
Rodrigo Teixeira
TV Press
Apesar do papel cair muito bem, José Mayer não
tem nada a ver com o grosseirão Pedro de "Laços
de Família". O ator de 51 anos possui um vocabulário
refinado, é extremamente educado e tem um bom humor evidente.
Ex-professor de literatura, português e francês,
José Mayer, ou Zé, como gosta de ser chamado, chega
no final do folhetim de Manoel Carlos como o verdadeiro galã
da trama. Com sua voz de veludo, o ator mineiro se diverte por
seu rude personagem ter sido o "garanhão" da
novela das oito da Globo. Apesar de não saber o desfecho
que Pedro terá, arrisca alguns palpites: acabar com a
protagonista Helena, a veterinária Cíntia ou a
virgem Íris. A única certeza é que Pedro
não pode ficar só. "Quem sabe ficar sozinho
é o Miguel, do Tony Ramos", argumenta.
Mayer passou praticamente a trama inteira de "Laços
de Família" vivendo um personagem que primava pela
grosseria, por isso o ator vê com bons olhos o fato de
Pedro estar se humanizando. Após saber que é pai
de Camila e que Helena está esperando outro filho seu,
o personagem passou a ser mais sensível e ter reações
emotivas que não fazem jus à fama do tosco conquistador
do haras. Para José Mayer, o refinamento de Pedro é
a trajetória ideal não só para o personagem,
mas para qualquer homem. "O sexo masculino deve se abrir
ao amor e à visão feminina da vida e do mundo",
poetiza.
Com uma sinceridade surpreendente, José Mayer revela que
ele próprio teve de se superar durante as gravações
da novela. Isso porque fez várias cenas quentes com Helena
Ranaldi, que interpreta a veterinária Cíntia e
é esposa de Ricardo Waddington, principal diretor de "Laços
de Família". Sem esconder que é "diferente"
contracenar com a esposa do diretor, José Mayer chega
a confidenciar que as atitudes de Waddington nessas ocasiões
o deixou "pasmo", pois o diretor estimulava a desinibição.
"Ele pedia um certo atrevimento. Põe a mão
aqui, beije desta forma, agarre aqui mesmo...", conta o
ator. José Mayer deixa claro que acha admirável
a postura de Ricardo, pois o diretor estaria fazendo um "ato
de superação". "Ele e o Papinha são
homens tentando serem modernos. Além de amigos, sou fã
deles como profissionais", elogia o ator, referindo-se também
a Rogério Gomes, diretor da novela e marido de Deborah
Secco.
Mayer lembra que não foi na pele de Pedro que ele fez
suas cenas mais ousadas na televisão. Além de citar
o bem-dotado Osnar, de "Tieta", o ator fala com veemência
dos tórridos encontros que encenou com Carolina Ferraz
em "História de Amor", em 1995, novela que marcou
a volta de Manoel Carlos à Globo. "Tivemos cenas
quentes e era uma novela das seis", frisa. O que chama mais
a atenção de José Mayer em relação
às transas de Pedro é a maneira agressiva de abordar
as mulheres, já que a nudez propriamente dita é
pouco explorada nas cenas. "O Pedro é do tipo que
joga na parede e chama de lagartixa", brinca.
Com contrato renovado há dois anos, José Mayer
garante que está com cacife na emissora. Depois que "Laços
de Família" superou a marca dos 60 pontos por duas
vezes e se tornou a novela das oito mais vista desde "A
Indomada", de 1997, o ator ganhou um ânimo a mais.
Isto porque José Mayer é o único do elenco
da novela de Manoel Carlos que estava também na produção
de Aguinaldo Silva. Sem esconder que isso representa "prestígio
na casa", o ator, que em maio completa 21 anos de carreira
na televisão, não perde o estilo sedutor que ele
empresta aos personagens. "Isso demonstra, no mínimo,
uma certa credibilidade", solta.
Dono do destino
José Mayer é taxativo: em última instância,
quem decide que papel vai representar é o próprio
intérprete. Para o ator, não passa de lenda a idéia
de que os artistas contratados da Globo são obrigados
a fazer esse ou aquele personagem por ordem da emissora. Pelo
menos no seu caso, José Mayer garante que foi ele mesmo
quem aceitou fazer tantos galanteadores. Mas o ator afirma que
sempre buscou diferentes tipos de sedutores, como o manemolente
Osnar de "Tieta", o depressivo comissário Mattos
de "Agosto" e o dominador Teobaldo Faruk, de "A
Indomada". José Mayer lembra também papéis
fora dessa linha, como o ingênuo Zé do Burro, de
"O Pagador de Promessas", o barra-pesada Jorge Fernando
de "Bandidos da Falange" e o padeiro Martinho de "Meu
Bem Querer". "Mas me falta um grande vilão",
reconhece o ator.