Joinville
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Quarta-feira, 24 de Janeiro de 2001
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Santa Catarina - Brasil
ANotícia
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Prefeituras devem mais
de R$ 1 milhão à Telesc
Apenas 19% dos
municípios estão com as contas em dia. Débitos
em atraso têm rendido bloqueio de linhas
Orlando Pereira
As
prefeituras catarinenses devem mais de R$ 1 milhão para
a Telesc. De acordo com o diretor financeiro regional da empresa,
Luís Felipe de Souza Alves, apenas 57 dos 293 municípios,
o que corresponde a 19%, estão com as contas em dia.
Segundo Alves, a inadimplência se acentuou a partir do
momento que a maioria dos prefeitos não conseguiu fazer
o seu sucessor nas eleições de outubro, suspendendo
o pagamento das faturas. O problema agora sobrou para os administradores
que assumiram no dia 1º de janeiro. Quando não conseguem
negociar o parcelamento do débito, têm as linhas
telefônicas convencionais bloqueadas, como foi o caso de
Mirim Doce e Ituporanga, na região do Alto Vale do Itajaí.
Alves adiantou que entre os 350 maiores devedores da Telesc,
30 são prefeituras. A empresa não divulga os valores
e nem os nomes dos municípios inadimplentes. O diretor
disse que a Telesc tem sido sensível e está procurando
negociar cada caso, até para evitar os transtornos causados
quando é obrigado a bloquear as linhas.
"Considerando a insolvência que os novos prefeitos
encontraram os municípios, eu mesmo estou verificando
como pode ser feito o pagamento", acrescentou. A regra geral
tem sido 30% de entrada e o restante em até seis meses.
Alves observou que as contas vencidas até 30 dias não
são consideradas atrasadas. Só acima deste prazo
é que acontece a negociação.
De acordo com o diretor, a Telesc tem procurando ao máximo
colaborar com as administrações, no sentido de
evitar o bloqueio dos telefones. Adiantou que, além do
pagamento parcelado, outra negociação é
o débito automático no Banco do Estado de Santa
Catarina (Besc), por conta do repasse das parcelas semanais do
Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços
(ICMS). "Graças a isto, 57 prefeituras não
devem nada a empresa", explicou.
Em Ituporanga, as linhas telefônicas foram restabelecidas
ontem, depois do pagamento de aproximadamente R$ 8 mil. O prefeito
Carlos Hoegen (PPB) não optou pelo parcelamento, diante
da necessidade urgente da religação. "Tivemos
que usar o dinheiro que estava sendo guardado para a folha do
funcionalismo", explicou.
Auditoria aponta 90%
de receita comprometida
Gravatal - O prefeito de Gravatal, Jorge Leonardo Nesi (PPB),
recebeu nesta semana um parecer parcial com os números
apurados até agora pela equipe técnica que está
realizando uma auditoria nas contas municipais. O primeiro levantamento
aponta uma dívida de mais R$ 1,7 milhão, valor
que inclui três folhas de pagamentos e o 13º salário
dos servidos públicos municipais atrasados.
Os dados mostram ainda que 90% da receita mensal da Prefeitura
está comprometida. Dos R$ 252 mil arrecadados mensalmente,
cerca de R$ 226 mil vão ser utilizados para quitar os
débitos da gestão passada. "Sobra menos de
R$ 27 mil para as obras que o município necessita",
lamenta Nesi.
O prefeito acredita que a saída é reduzir os gastos
e aumentar a arrecadação. "Estamos fazendo
uma reavaliação do quadro de funcionários
e, dentro do que a lei permitir, vamos enxugar ao máximo
o número de servidores e cortar gratificações
e horas extras", avisa. Outro problema é a falta
de equipamentos. No departamento de obras, caminhões e
tratores só poderão ser utilizados depois que passarem
por uma revisão.
Penha em situação
de emergência
Penha - Administrando um município em situação
de emergência, o prefeito de Penha, Julcemar Alcir Coelho
(PMDB), não sabe como fará o pagamento dos salários
de janeiro ao funcionalismo. Coelho terá que colocar em
dia as folhas de novembro e dezembro, que juntas somam R$ 600
mil. Tem também que administrar uma dívida de R$
1,4 milhão com fornecedores da Prefeitura e - o pior de
tudo - está com o Fundo de Participação
dos Municípios (FPM) retido porque deve ao Instituto Nacional
de Seguridade Social (INSS) R$ 256,5 mil.
Esta dívida é composta por R$ 66,5 mil de Fundo
de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) dos meses de setembro
a dezembro e do 13º salário do funcionalismo. Outros
R$ 190 mil referem-se ao não repasse do INSS de junho
a dezembro e 13º. O FPM representa quase a metade da arrecadação
mensal do município de Penha. Todas as dívidas
chegam a quase R$ 2,3 milhões. "Acredito que levará
de oito meses a um ano para colocar as contas da cidade em dia",
calcula Coelho.
Para liberar as contas do FPM, o prefeito pediu o parcelamento
das dívidas à Caixa Econômica Federal (CEF).
A resposta vem de Brasília até semana que vem.
Enquanto isso, Coelho conta que, sem dinheiro no caixa, chegou
a pedir pneus emprestados para colocar a pá-carregadeira
da Prefeitura em funcionamento.
O prefeito havia decretado estado de emergência no início
de janeiro, porque o município estava há 20 dias
sem recolhimento de lixo. "Na primeira semana, recolhemos
200 toneladas de lixo", lembra.
Saída de Nilson Gonçalves
amplia chances de Mello
Florianópolis - Com a ida de Nilson Gonçalves
para o PSDB, o deputado Jorginho Mello, que diz estar buscando
"consenso" para finalmente chegar à presidência
da mesa da Assembléia Legislativa, contabiliza mais um
voto a seu favor. "Pretendo ter mais de 21 votos em breve",
disse ontem à noite, apesar de Gonçalves ainda
não ter pessoalmente ratificado sua migração
para o tucanato.
Enquanto isso, os pefelistas - que passam agora a ter sete integrantes
depois da saída de Adelor Vieira para o PMDB no ano passado
e agora de Gonçalves para o ninho tucano - ainda garantem
que a bancada tem dois candidatos, Onofre Agostini e Heitor Sché.
A candidatura de Sché, no entanto, conforme avaliam alguns
liberais na AL, já está queimada.
Dependendo do quadro, afirmam, o partido pode apoiar outro nome,
não especificamente o de Jorginho Mello, que resolveu
adotar o discurso da "busca de consenso". (MMV)
PFL "arruma a casa" no
Norte
Reunião
ontem definiu punições para quem apoiar LHS
Mirela Maria Vieira
Florianópolis - Empenhada em manter a coligação
Mais Santa Catarina para 2002, a cúpula pefelista dedicou
o dia de ontem a consertar o estrago provocado pela eleição
do presidente da Câmara de Joinville. Decidiu que uma possível
participação de qualquer integrante da legenda
na administração Luiz Henrique da Silveira (PMDB)
será punida conforme determina o estatuto da legenda.
Entre as punições, a expulsão é uma
das opções.
"Os vereadores (Darci de Matos e Zulmar Valverde) vão
esclarecer por escrito, em nota que será divulgada à
imprensa, que o acordo com o PMDB em Joinville restringe-se exclusivamente
ao Legislativo e o PFL em Joinville é oposição
ao governo LHS", enfatizou ontem o vice-governador Paulo
Bauer.
Durante mais da metade da tarde, Bauer conversou com ambos, num
encontro onde esteve presente o presidente da executiva municipal
e presidente da Casan, José Carlos Vieira. Segundo Vieira,
a informação de que o ex-vereador Getúlio
Ferreira foi convidado por Luiz Henrique da Silveira a assumir
a pasta da Habitação é "mentirosa".
"O PFL de Joinville não tem e não vai ter
secretaria nenhuma. Isso é fofoca. Estamos firmes com
a Mais Santa Catarina", disparou Vieira, negando que Ferreira
tenha aceitado a pasta.
Corroborando declaração do presidente nacional
do PFL, senador Jorge Bornhausen, também presente nas
reuniões de ontem, assim como o presidente da executiva
estadual, Paulo Roberto Bornhausen, o vice-governador creditou
o episódio a uma tentativa do PMDB em desestabilizar a
Mais Santa Catarina. "Havia interesses específicos
do PMDB para dar dimensão muito ampla a um episódio
local", raciocina Bauer.
Nilson Gonçalves
A fúria dos preços no verão catarinense
Perspectivas para a alta temporada são as melhores, mas
morador do litoral sai perdendo.
AN_Economia
Parte da "arrumação"
da casa liberal na região terminou com Bauer anunciando
que o deputado estadual Nilson Gonçalves sai da sigla
em caráter "irrevogável". Estranhamente,
no entanto, o deputado não confirmou a decisão
de sair do PFL e migrar para o PSDB. Depois de mais de uma hora
conversando com Jorge Bornhausen, Gonçalves simplesmente
negou-se a falar com a imprensa. "Nesse momento não
tenho nada a dizer", disse, nervoso.
De acordo com Bauer, num raciocínio acompanhado por Paulo
Bornhausen, a saída de Nilson Gonçalves não
prejudica o partido. "Lamento a saída, porque ele
vai ter o ônus de ter tomado esta decisão, no meio
de um mandato. Em termos partidários, temos outras lideranças
e em breve pretendo anunciar duas novas filiações
de legendas que não integram a Mais Santa Catarina (PPB/PFL/PSDB/PTB)",
afirmou o vice-governador.
Com a ida de Nilson Gonçalves para o PSDB, o ninho tucano
fica com duas vagas na Assembléia Legislativa e o PFL
com sete.
Lages - O ex-prefeito de Lages e atual deputado federal Fernando
Agustini, popular Coruja, confirmou sua saída do PDT e
ingresso no PPS. A troca de siglas deverá ocorrer logo
após a votação da presidência da Câmara
dos Deputados, marcada para os dias 15 ou 16 de fevereiro. "Não
dá mais para permanecer no PDT. Só fico mais alguns
dias na legenda até passar a votação para
a mesa diretora da Câmara. Depois, já está
acertado meu ingresso no PPS", informou em visita à
sucursal de A Notícia, em Lages, no início desta
semana.
Entre os motivos para sair do PDT, partido em que está
filiado há quase uma década e pelo qual foi eleito
prefeito de Lages e deputado federal, estaria o centralismo do
partido nas figuras de Leonel Brizola e Manoel Dias. "Nenhum
partido que queira crescer e se fortalecer pode podar novas lideranças.
E no PDT, infelizmente, o que se vê é o esvaziamento
cada vez maior do partido, fruto da falta de espaços internos
e da desvalorização dos novos quadros", declara.
Coruja acredita que, além dele, outras figuras importantes
da política catarinense deverão se desligar do
PDT em breve.
O deputado espera maior espaço e liberdade para fazer
política no PPS. "Trata-se de um partido relativamente
novo e que vem crescendo muito, com uma linha ideológica
de centro-esquerda", analisa. "Vamos organizar melhor
o partido em todas as regiões e trabalhar por uma candidatura
própria ao governo do Estado", adianta.
O deputado admitiu que, em função do rompimento
do PT com o PPS em Florianópolis, o PPS "está
hoje mais próximo do PMDB no Estado do que com o PT, o
que não significa uma posição imutável".
PT discutirá
nepotismo em reunião dia 1º
Joinville - O nepotismo estará em debate no próximo
dia 1º em encontro estadual dos petistas. O presidente estadual
da sigla, Milton Mendes, admitiu surpresa com a repercussão
na mídia da nomeação de parentes de prefeitos.
"Somos contra e vamos continuar contra essa prática
disseminada entre outros partidos. Mas primeiro temos que debater
as medidas a serem tomadas", alega Mendes.
Na última segunda-feira, a executiva nacional do PT recomendou
a "reconsideração" das nomeações
de petistas em várias prefeituras do País. "Precisamos
dar o exemplo e ter sensibilidade para a expectativa da opinião
pública em relação aos nossos governos",
afirmou o presidente nacional do PT, José Dirceu.
No momento, a executiva estadual do PT está analisando
os casos das prefeituras de Blumenau e Gaspar. "Não
considero que seja nepotismo o que ocorreu em Blumenau, embora
a questão ainda tenha que ser discutida. A mulher do prefeito
Décio Lima é funcionária efetiva da Prefeitura
de Blumenau há mais de dez anos", desconversa Mendes.
Ontem, Décio Lima proibiu a contratação
de parentes do vice-prefeito, secretários e diretores
de autarquias, inclusive dele próprio. Sua mulher não
ocupará mais a Secretaria de Bem-estar Social.
Já o caso de Gaspar seria "novidade". "Soubemos
pela imprensa e estamos verificando o caso", diz o dirigente
petista, garantindo desconhecer outro caso de nomeação
de parentes de prefeitos ou vereadores. Em Gaspar, o prefeito
Pedro Zuchi nomeou o irmão Valmor Zuchi para a Samae.
No encontro dos novos prefeitos petistas, realizado na semana
passada, o nepotismo não foi abordado.
Décio Lima anuncia
equipe de governo
Blumenau - O prefeito de Blumenau, Décio Lima (PT),
nomeou ontem os 10 novos titulares do colegiado, do qual outros
15 permanecem no governo. Na composição com os
partidos da coligação que o elegeu para o segundo
mandato, Décio contemplou sua sigla com 15 secretarias
(duas a mais que na gestão passada), o PPS com duas, o
PDT com duas e o PTB com três. Fica faltando apenas a definição
de uma pasta, a autarquia Urbanizadora de Blumenau, cujo dirigente
será anunciado hoje. A posse está marcada para
o dia 1º de fevereiro.
Décio afirmou que os nomes escolhidos são os melhores
para assegurar a continuidade das marcas do governo popular,
a "honestidade, transparência e qualidade". Disse
ainda que a linha mestra do mandato que se inicia é de
"não tolerar erros na correspondência da vontade
da comunidade de Blumenau".
Nos próximos dias, a equipe se dedicará à
transição, definindo os cargos de segundo, terceiro
e quarto escalões. Também está prevista
a realização de um seminário de planejamento
estratégico para definição de prioridades
até 2004 e as metas para o desenvolvimento econômico,
social e urbano de Blumenau nas próximas décadas.
Neste planejamento, orientado pelo especialista Ronaldo Garcia
- ex-secretário do governo de Cristóvam Buarque,
em Brasília, que também prestou consultoria ao
governo de Bill Clinton, nos Estados Unidos - não está
descartada a possibilidade da definição de uma
reforma administrativa. A intenção é tornar
a operação do governo mais ágil.
Os novos secretários do governo Décio Lima são
Amauri Cadore (PDT), que deixa a Secretaria de Saúde para
o petista Edson Adriano e assume a pasta de Captação
de Recursos; Arnaldo Zimermann (PT), na Comunicação
Social; Léo Bittencourt (PPS), na Secretaria de Obras;
Sandra Pagel (PT), na Educação; Daniel Régis
(PT), na pasta da Criança e Adolescente; Léo Primm
(PTB), no Turismo; Carlos Braga Muller (PTB), na Proeb; Éder
Lima (PT), na Proeb; e César Cim (PDT), no Procon. Foi
nomeado ainda o empresário Arno Buerger para o cargo de
consultor do gabinete.
Ameosc O
prefeito de Bandeirante, José Berti (PMDB), é o
novo presidente da Associação dos Municípios
do Extremo-oeste (Ameosc). Ele foi eleito em assembléia
ontem. Berti concorreu em chapa única e teve o voto de
todos os 18 prefeitos. Na 1ª vice-presidência ficou
o prefeito de Santa Helena, Moacir Lazarotto (PPB), e na 2ª
vice-presidência o prefeito de Dionísio Cerqueira,
Altair Rittes (PT).