Joinville         -          Quarta-feira, 30 de Maio de 2001         -          Santa Catarina - Brasil
 
 
ANotícia  












FOLIA GERMÂNICA
Desfiles e trajes típicos estão entre as atrações dos Kerbs na região do Alto Uruguai: herança dos colonizadores
Foto: Divulgação

Festa o ano todo
no Alto Uruguai

Tradição alemã, Kerb garante diversão para moradores e turistas em 16 municípios da região

Jean Carlo de Souza
Especial para o AN Turismo

Nenhuma festa é mais popular no Alto Uruguai catarinense do que o Kerb, tradição alemã que movimenta os 16 municípios da região o ano inteiro. As festas começam já na primeira semana de janeiro, esquentam o inverno, abrem a temporada de verão e enchem de alegria milhares de pessoas. Nem o Carnaval é tão esperado. Neste ano, a "indústria do Kerb" cresceu ainda mais e atraiu turistas de outras regiões do Estado e do Rio Grande do Sul.
Há uma semana foi encerrado o 80º Kerbfest de Peritiba, cidade de 5 mil habitantes localizada a 25 km de Concórdia e que organiza o Kerb o mais tradicional do Alto Uruguai. Neste sábado será realizado o último baile do kerb de Barra do Tigre, comunidade histórica do interior de Concórdia e que também organiza a festa há mais de 70 anos. Depois, vem o Kerb de Concórdia, em novembro, que trará a banda Cavalinho Branco, famosa por animar as noites da Octoberfest de Blumenau.
Somente a tradição dos imigrantes é capaz de explicar por que uma festa se repete tantas vezes no mesmo ano e sempre com sucesso. O Kerb surgiu no Sul da Alemanha, como um agradecimento à colheita. Os primeiros imigrantes alemães que chegaram ao Sul do Brasil, em 25 de julho de 1824, em São Leopoldo (RS), enfrentaram muitas dificuldades para aprender a lidar com a terra e, após a primeira colheita de fartura, instituíram o Kerb como a festa da comunidade.
Os alemães que chegaram ao Alto Uruguai nos anos 20 enfrentaram dificuldades semelhantes e também se valeram do Kerb como forma de agradecimento logo nas primeiras colheitas. No começo, as famílias se reuniam apenas para um banquete muito animado. É por isso que nas festas de Kerb a culinária é mais importante que o chope ou a música.
Quem visita as cidades do Kerb não aproveita apenas esta diversão. A festa é uma aula de cultura alemã. Os moradores reúnem parentes de outras cidades ou turistas para um almoço em família, e nunca falta uma alvorada festiva, ao som do sino da igreja. Há ainda roupas típicas e música.
Os municípios do Alto Uruguai estão se organizando para tentar aproveitar melhor o Kerb. A festa tem um apelo forte que pode fomentar o turismo. Como os motivos para realizá-la são autênticos, há a certeza de que a festa só precisa de uma divulgação mais ampla para deslanchar.

NO ROTEIRO
Vista geral de Peritiba, uma das cidades do Kerb
Foto: Reprodução/Divulgação

 

Cesta, religião e trabalho voluntário

O Kerb surgiu como festa de comemoração pelos bons resultados da colheita e incorporou ainda um forte componente religioso. Todos os kerbs organizados na região contam com a participação das igrejas católica ou luterana, que usam os lucros dos bailes para obras que beneficiem a comunidade. Quase tudo - com exceção do chope e da música - é fruto do trabalho voluntário.
O envolvimento das igrejas com o Kerb começou depois que a festa passou a comemorar também a data de instalação da comunidade, normalmente ligada ao surgimento da igreja local. Em Concórdia e Seara, por exemplo, a festa tem a participação dos luteranos. Em Peritiba, o Kerb é organizado pelos católicos.
Em alemão, Kerb significa cesta. Como as primeiras colheitas dependiam do uso de cestas, ela acabou dando nome à festa para agradecer aos bons resultados do que foi extraído da terra. Mesmo nas cidades em que o Kerb foi criado para homenagear a fundação da igreja, o nome não foi alterado. Outra convenção que não muda é o cronograma: abertura no sábado, primeiro baile no domingo e o segundo na terça.
É por isso que nos municípios menores o terceiro dia do Kerb, a segunda-feira, é transformado em feriado. Se bem que quase nada funciona normalmente durante o período da festa as lideranças se envolvem na organização do evento. (JCS)

... ... ...

Festividade vira ponto
de encontro das etnias

Entre pequenos e grandes eventos, o Kerb se repete cerca de 20 vezes ao ano na região do Alto Uruguai

Concórdia - As festas, que começaram dentro das comunidades alemãs, acabaram se transformando em encontro de todas as etnias no Alto Uruguai. Pelo menos sete dos 16 municípios da região realizam todo ano festas de Kerb que envolvem a comunidade inteira e atraem visitantes. Somando pequenos e grandes eventos ligados ao Kerb, ele se repete cerca de 20 vezes por ano - dificilmente um baile não termina com público máximo.
O início do ano concentra quatro grandes festas de Kerb. Na primeira semana de janeiro, o de Piratuba serve também para abrir a temporada de verão no balneário de águas termais, um dos mais visitados do Estado. Na última semana de janeiro, a festa acontece em Ipira, cidade que é separada de Piratuba apenas pelo rio do Peixe. O Kerb do Clube Aliança é um dos mais antigos da região e também atrai os turistas do balneário.
Em fevereiro também há duas festas. Na segunda semana é organizada o de Arabutã, pequeno município de 4 mil habitantes em que 98% da população é descendente de alemães. Uma semana depois quem promove a festa é o Clube Sete de Setembro, de Presidente Castello Branco. Os bailes param durante a quaresma e retornam em abril, em Alto Bela Vista. Abril também é o período escolhido pela Comunidade Evangélica de Seara para a realização do seu kerb.
O de Peritiba, que, para diferenciar-se dos demais, passou a ser chamado de Kerbfest, fecha o ciclo de festas alemãs do primeiro semestre na região. Entre junho e novembro, o Kerb é realizado por pequenas comunidades no interior e volta com força no Parque de Exposições de Concórdia, com Kerbfest Concórdia. "Neste ano esperamos cerca de 10 mil pessoas para os dois dias de festa, nos dias 3 e 4 de novembro", diz Nelci Petry, coordenadora da Comunidade Evangélica de Concórdia.
Parte do sucesso do Kerb também está ligado ao custo popular. Normalmente, os ingressos são vendidos abaixo de R$ 10,00 por pessoa e dão direito a jantar. O chope também é vinculado ao ingresso e acaba sendo distribuído à vontade dentro dos salões. O perfil da festa se encaixa em todas as gerações. Famílias inteiras e idosos aproveitam os jantares e as primeiras horas do baile, que sempre inicia às 21 horas. Após a meia-noite, o kerb se transforma numa festa mais à feição de casais e jovens. (Jean Carlo de Souza)


Camarão é nova
atração na Bahia

Festa em Valença, na Costa do Dendê, abrirá o veraneio

Salvador - A histórica cidade de Valença, importante pólo turístico da Bahia, é considerada por muitos a capital brasileira do camarão. Encravada na Costa do Dendê e bem próxima ao internacionalmente conhecido Morro de São Paulo, a cidade será sede de uma nova atração do calendário baiano da alegria: a Festa do Camarão.
Entre os dias 15 e 17 de novembro, feriado prolongado de proclamação da República, são esperadas 200 mil pessoas do mundo inteiro, que poderão desfrutar não só da música baiana e do litoral da Costa do Dendê, como também apreciar a culinária do Estado.
A gastronomia da Festa do Camarão de Valença será assinada por restaurantes de Salvador especializados em camarão. Tempero da Dadá, Bargaço e Yemanjá montarão restaurantes na área vip, que abrigará pessoas credenciadas e portadores de ingresso, ao custo de R$ 10,00. o Restaurante da Mara, de Valença, qualificado pelo "Guia Quatro Rodas" como um dos melhores da Bahia, também estará presente. Uma outra área será destinada ao público, que poderá assistir aos shows gratuitamente e apreciar pratos típicos e quitutes à base de camarão preparados em 21 quiosques de alvenaria.
Na cidade estão instalados quatro fazendas da Valença da Bahia Maricultura, a maior produtora de camarões marinhos do Brasil, com 400 toneladas por mês. O camarão é de água salgada, originário do Oceano Pacífico. A festa terá um atrativo especial. Como Valença é cortada pelo rio Una, o palco dos shows será montado em uma das pontes que liga seus pólos. Aqueles que quiserem, poderão assistir às apresentações de dentro dos barcos ancorados no rio Una, dando um charme ao visual do evento. O Grupo Ara Ketu, a cantora Margareth Menezes e a Banda Salsalitro serão os carros-chefes da festa, que ainda contará com outras bandas de axé, reggae, e forró.

OUTRAS ATRAÇÕES

Durante o dia, enquanto não começa a festa, as opções de turismo em Valença ficam por conta de Guaibim, uma antiga colônia de pescadores transformada em ponto de agito no verão. As praias de Taquari e Ponta do Curral também são bastante disputadas. Esta última, um ponto de desova de tartarugas marinhas, é um parque ecológico em potencial. Quem quiser conhecer outros lugares das Costa do Dendê, terá ao seu dispor mais de 40 quilômetros de praias quase inexploradas, cachoeiras, trilhas ecológicas e os encantos de Morro de São Paulo, com vegetação exuberante entrecortando a paisagem marinha. Para receber os turistas, 150 hotéis de Valença e Morro de São Paulo estão trabalhando de forma integrada, oferecendo hotéis e pousadas a preços especiais.


PASSADO
Ruínas de Tikal, um dos atrativos da Guatemala, país com 13 milhões de habitantes: templos, pirâmides, casas e esculturas
Fotos: Arquivo AN 8/5/2001

Uma aventura
maia na Guatemala

Pequeno país da América Central recebe cada vez mais turistas da Europa e dos Estados Unidos

Antígua - Guatemala? Mas o que tem para fazer lá? Muito. Muito para ver, sentir, conhecer e até comprar. Com área um pouco maior que Portugal, este país com 13 milhões de habitantes faz fronteira ao Norte com o México, a Oeste com o Oceano Pacífico, a Leste com o Caribe e Belize e ao Sul com Honduras e El Salvador. E não faltam atrativos para o turista: lagos, vulcões, florestas, ruínas maias e, principalmente, variedade cultural.
Nem o tempo sob as chibatas dos espanhóis conseguiu exterminar os costumes milenares dos descendentes dos maias, explícitos em seus coloridos tecidos confeccionados à mão, nos cerca de 15 idiomas falados, no jeito de plantar, conversar e viver de mais da metade da população. O resultado: a Guatemala é uma complexa junção de culturas que merece ser visitada.
Com ótima infra-estrutura para receber o turista, a barroca cidade de Antígua é a porta de entrada do país, lotada de bons restaurantes e hotéis. É o ponto de partida para conhecer outras atrações imperdíveis como o colorido Mercado de Chichicastenango, considerado o maior mercado indígena da América; o Lago Atitlán, de águas azul-turquesa, circundado por três imponentes vulcões; e as florestas de Petén, que abrigam milhares de ruínas maias, nirvana de arqueólogos e historiadores.

GUERRA E PAZ

Depois de 40 anos chafurdada em guerra civil e sob pesada ditadura militar, quando figurava nos noticiários apenas com tragédias, a Guatemala, hoje, vive em paz. Viajar pelo país é uma aventura segura e inesquecível. Distante apenas duas horas de vôo de Miami, o país recebe a cada ano mais turistas americanos e europeus, de idades e estilos variados. Dos abonados aos back-packers, todos têm onde ficar, comer e ir.
A Guate, como é carinhosamente chamada, recebe de braços abertos e sorriso no rosto. E volta a aparecer na mídia internacional: agora, como destino turístico.

Festa de cores berrantes e
de culturas no Mercado
de Chichicastenango

Todas as cores berrantes e cintilantes de dar inveja ao mais completo dos estojos de lápis de cor Caran D'ache cativam os que chegam ao Mercado de Chichicastenango. Uma das mais antigas cidades guatemaltecas, ponto de encontro dos indígenas descendentes dos maias desde a época pré-colombiana, Chichi, como é conhecida, é uma festa. Lá, todas as quintas e domingos, a pacata cidade transforma-se na maior feira indígena das Américas. Mais de mil barracas e cerca de 10 mil pessoas.
Tudo já é barato ao primeiro pedido, e não resiste a uma barganha, seja na língua que vier. As indígenas arranham italiano, francês, alemão, inglês e, se não vai com a boca, vai no papel. Escrevem os números e a negociação toma seu rumo. A feira começa bem cedo. Enquanto as barracas de lona vão sendo montadas e os produtos pendurados, a luz do sol penetra e revela os espaços e as caras que compõem o cenário.
O mercado de Chichi causa vertigens. A solução é respirar fundo e relaxar. Não deixe de visitar o Mercado de Chichi. Uma manhã é mais que suficiente. Os ônibus que saem de Guatemala, Antígua e Panajachel chegam à cidade lá pelas dez. É muito tarde. Vá a qualquer hora caso você não ligue para tumulto e sol. Encare os ônibus e as curvas. Mas, para sentir o sabor mais autêntico da feira e principalmente "sacar buenas fotos", restam duas opções. Dormir em Chichi. E isso pode ser feito no Hotel Santo Tomás, bem colonial e bacana. Ou alugando um carro na véspera, saindo de madrugada e amanhecendo na feira. Quando o lugar começar a ficar cheio, você já estará de sacolas feitas, pronto para novos destinos.
Outro assunto a se pensar com antecedência: os preços em Chichi são dos mais acessíveis da Guate. Barganhe bastante, vire às costas, ensaie ir embora, mas compre. Solte seu impulso consumista para não se arrepender depois, pois tudo é muito barato. Uma colcha kilt, por exemplo, com mais retalhos do que as vendidas em qualquer loja chique de Nova York, custa US$ 40.

PRESENTE
Pôr-do-sol no lago Atitlán, circundado por três vulcões

 

Região inspira visitantes

Foi no Lago Atitlán que o inglês Aldous Huxley deixou-se estar por alguns dias, desligando-se dos seus problemas e entregando-se à beleza da paisagem que o fez pensar nostalgicamente nas tardes felizes passadas nos campos ingleses de sua infância. Depois de percorrer a América Central, descreveu o Lago Atitlán como um dos mais belos do mundo, especialmente pelos vulcões que o circundam. A caminho, entre as serras, despontam nítidas florestas de pinheiro e de cedros, verdes graves contra a terra morena. São oito horas duma luminosa manhã de março, e os três grandes vulcões que contornam o lago - São Pedro, Atitlán e Tulimán - parecem a cada momento mais próximos.
Do alto, a serena vista do Lago Atitlán circundado por rochedos, montanhas e vulcões sugere paz de espírito. Cristalinas águas azuis turquesa a perder de vista lembram um mar sem fim. O lago é uma imensa e torta seqüência de curvas que se estende por 18 quilômetros entre os extremos mais distantes e por 12 quilômetros de distância entre os pontos mais próximos. Nada se mexe. Diante da imensidão azul do Atitlán, não há como discordar. Aldous Huxley tinha razão. O vulcão São Pedro que domina a paisagem do Lago Atitlán, de tremendas atividades antigamente, parece hoje aposentado. O mais belo, alto e imponente de todos é o Atitlán, que eleva sua crista a 3.537 metros de altitude. O que mais exige respeito, é o ativo Tolimán de 3158 metros. Todos eles são passíveis de expedições aos seus cumes. Basta tempo e disposição.
Os 12 vilarejos ribeirinhos no Lago Atitlán vivem pacificamente. Cada um dos vilarejos recebeu o nome de um apóstolo de Cristo. Seus habitantes respondem por diferentes etnias, com costumes próprios, como a língua ou a cor da roupa que vestem. Panajachel, Santiago e São Pedro são os maiores e mais visitados. São Marcos é um dos mais aconchegantes e originais.
Nas águas do lago, modernos caiaques contrastam com as minúsculas canoas. À noite, os indígenas dormem cedo. E, os turistas, em geral back-packers, reúnem-se para jantar nos bons restaurantes da vila: italiano, francês, vegetarianos e guatemaltecos. Após o jantar, não há muito há fazer, a não ser um bom papo ao pé de fogueiras no alto do morro, ou a beira do lago. Em ambos os casos, sob as luzes das estrelas como testemunhas, a sombra dos vulcões e com uma única certeza no coração: a atmosfera no Atitlán, hoje, é de muita paz e amor.

Mistério na selva

Ruínas de Tikal encantam e intrigam visitantes

  • Em Petén, região ao norte da Guatemala, fronteira com México, no fim do século 19 foi reencontrada a maior cidade em número de ruínas da civilização maia. Encravadas na selva, muitas delas só foram redescobertas no século passado. São mais de 3 mil prédios, que no auge de 300 a.C. a 900 d.C. abrigaram 55 mil almas. Durante esse período, os maias construíram templos, pirâmides, casas, acrópoles, esculturas e desenhos que o tempo não apagou.
  • Para visitar todos os templos de Tikal é preciso tempo e fôlego. A estrutura das pirâmides, a mais impressionante das construções, é uma plataforma cujos lados em declive são quebrados por três terraços. Uma escada a pique leva até o topo do templo, onde fica o altar. No lado das plataformas estão pedras, hoje meio apagadas, onde estão esculpidas cabeças de serpentes, águias, crânios humanos e mais figuras simbólicas, de acordo com o deus a quem o templo era dedicado.
  • Uma dica aos que forem visitar as ruínas. Vale a pena voar da Cidade da Guatemala até lá. O bilhete ida-e-volta custa US$ 95 em média e leva menos de uma hora. A Tikal Jets tem aviões mais modernos e confiáveis. Cuidado com pequenas aeronaves. De ônibus
    o trajeto custa US$ 60 e leva dez horas por estradas nem sempre em boas condições.
  • Ao chegar em Flores, nada de correria até Tikal. Passe o dia, a tarde e a noite na simpática cidade construída em cima de uma ilha e deixe para visitar Tikal no silêncio da manhã seguinte, quando as brumas estão ainda caídas sobre a floresta e os animais orquestram a sinfonia.
  • E, se tiver tempo, passe um dia em um dos hotéis de selva locais - por cerca de US$ 40 o casal. Nenhum deles é um luxo, mas, com paredes e redes contra mosquitos, garantem a segurança e o bem-estar para dormir uma noite na floresta.

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Espaço, o destino turístico do futuro

Primeiro homem "comum" a deixar a gravidade terrestre, milionário americano pode ter inaugurado uma nova era

Silvio Queiroz
Agência Estado

São Paulo - Não poderia ser outro senão o já clássico tema de "2001, Uma Odisséia no Espaço", com seus imponentes acordes iniciais, o fundo musical para a recepção que o próprio prefeito de Los Angeles, Richard Riordan, organizou para o novo herói popular da cidade, o "turista astronauta" Dennis Tito. Foi o retorno triunfal depois de uma inédita estada como hóspede a bordo dos módulos russos da estação orbital internacional Alpha - o primeiro homem "comum" a viajar para o espaço por vontade e recursos próprios.
O milionário americano, que já foi engenheiro da Nasa e hoje comanda um grupo de investimentos, pagou US$ 20 milhões para realizar, aos 60 anos, seu sonho da vida inteira. Voltou falando da semana que passou flutuando sem gravidade, vendo a Terra como uma imensa bola azul pelos visores da Alpha, como "uma segunda vida". E convencido de que sua aventura pode ser, mais que extravagância, uma incursão pioneira.
O próprio "turista astronauta" aposta nas viagens espaciais como empreendimento de futuro. De imediato, apenas para os que, como o próprio Tito, possam dispor de reservas para pagar o pacote. Mas a agência espacial russa, eufórica com o primeiro passageiro, já tem dez candidatos à próxima vaga, possivelmente ainda este ano. A Space Adventures, empresa que agenciou a viagem do americano, conta perto de cem interessados em novas oportunidades. A Red Letters, britânica, afirma que já foi consultada por milionários europeus.
Tito planeja atuar como intermediário entre as agências do nascente "turismo espacial", e os investidores de Wall Street, para atrair os financiamentos que podem fazer do espaço uma nova fronteira também para a economia. Por ora, promete fazer lobby para que a Nasa reserve vagas, em seus eficientes ônibus espaciais, para "filósofos, escritores, professores, repórteres, os setores criativos da humanidade".
A inspiração para esse mecenato espacial parece vir de seu assombro de homem comum com a aparente indiferença dos astronautas profissionais diante do que para eles se tornou rotina, mas para outros 6 bilhões é imaginação pura. "Esses oito dias no espaço me pareceram a experiência mais singular que um ser humano pode viver, e estou surpreso de que muitas das pessoas que viajaram para o espaço não tenham se expressado dessa maneira", declarou Tito no desembarque em Los Angeles, onde o 'Dia do Astronauta Dennis Tito' foi feriado oficial.

Viagem aprimora o que a ficção projetou

A associação de Tito com "2001", o filme, seria inevitável a começar pela data da histórica viagem. Mas a odisséia do "turista" na estação Alpha fez até mais do que abrir um precedente e trazer o espaço para um horizonte ao menos visível, ainda que suficientemente longínquo para freqüentar planos de vida - a não ser de um punhado de milionários com idéias originais sobre onde passar férias.
A viagem de Tito, nas circunstâncias em que se realizou, "melhorou" a ficção científica em alguns pontos. No fim dos anos 60, quando Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke assinaram o roteiro do filme, imaginaram um 2001 em que profissionais de diversas áreas científicas e tecnológicas - além, é claro, dos militares - passariam longos períodos em bases permanentes, americanas e soviéticas, na Lua. Linhas regulares fariam uma "ponte espacial" com a Terra, com escala em uma estação orbital de dimensões e movimento semelhantes aos grandes aeroportos internacionais de hoje.
Mas em 68 ninguém imaginária que o primeiro milionário a pagar pelo privilégio de conhecer o espaço seria hóspede logo de quem, na época, era a União Soviética 100% estatal. Muito menos, que as objeções à viagem partiriam logo da Nasa, a agência espacial do país que, ontem como hoje, é a Meca da iniciativa privada e do mercado livre. Mas se era inconcebível no auge da Guerra Fria, o personagem agora encarnado por Tito aparece em obra mais recente de Clarke - "Contato", transformado em filme estrelado por Jodie Foster.
Nele, é um recluso milionário americano que financia a construção da máquina na qual Ellie, a cientista vivida por Jodie, viaja a um planeta na órbita da estrela Vega, a convite de seus avançados habitantes. O enigmático "senhor Haden", o magnata que em "Contato" propicia o encontro com a inteligência extraterrestre, um momento cujo impacto sobre a humanidade é a melhor parte do livro de Clarke, aparece pela última vez no filme realizando um sonho pessoal. Doente terminal, dirige uma mensagem de despedida a Ellie de uma cápsula em órbita da Terra, endereço final que a fortuna lhe pôde comprar, com paz, reclusão e o bem-estar físico que, Tito confirma, pode ser um "benefício colateral" da gravidade zero. (SQ)

Das telas para a realidade

Desde 1968, quando "2001" anunciou um novo capítulo para a ficção científica no cinema, milhões de espectadores já desembarcaram com o doutor Heywood Floyd na estação orbital internacional imaginada pelo escritor Arthur C. Clarke e pelo cineasta Stanley Kubrick. É a seqüência que se segue, no filme, à poética cena em que um ônibus espacial rodopia no vácuo até ajustar-se à rotação da estação, para completar a acoplagem - um pas-de-deux futurista bailado ao ritmo do Danúbio Azul de Strauss.
A valsa que embalou o apogeu da corte vienense, no já distante século 19, não foi o único requinte ausente na chegada de Dennis Tito à estação internacional Alpha, neste primeiro ano do século 21. As imagens dos módulos russos da estação, onde Tito foi "confinado" (a Nasa proibiu-o de visitar a parte americana), bastaram para expor as distâncias entre imaginação genial e realidade possível.
Clarke e Kubrick também imaginaram "sua" estação como empreendimento internacional. Tanto que, no desembarque, um dos primeiros "trâmites" enfrentados por Floyd é a identificação, por um sofisticado dispositivo de reconhecimento de voz. "Nacionalidade, sobrenome e prenome, nesta ordem", pede máquina ao recém-chegado, com "voz de aeroporto".
É o primeiro sinal de que o espaço já não é, no ano 2001 do filme, um destino tão restrito. Vistas agora, as imagens que se seguem são mostra eloqüente do otimismo dos roteiristas. Corredores amplos como os dos maiores aeroportos do mundo, com restaurantes, cafés, animados bate-papos multinacionais. A estação Alpha, primeiro empreendimento multinacional no espaço, grande o suficiente para ser visível da Terra a olho nu, lembra mais uma barraca de acampamento em órbita.
Mas as experiências de Tito e Floyd se "encontram" em mais de uma cena, apesar das diferenças. Astronauta de primeira viagem, o turista milionário se emocionou cada vez que conversou, por rádio, com os filhos, ambos adultos. O cientista do filme, logo que desembarca, videofona para a pequena filha, com quem conversa como se estivesse numa cidade vizinha, a trabalho, e por isso não pudesse estar presente à festinha de aniversário. Estava a caminho da Lua, mas promete um presente na volta. (SQ)


LANÇAMENTO - Um professor da Univali, de Itajaí, está lançando um livro nos Estados Unidos sobre turismo na América do Sul, "Tourism in South America". Pesquisador do Centro de Ciências Tecnológicas da Terra e do Mar (CTTMar) da Univali e PhD em Administração de Crises, Guilherme Guimarães Santana lança a obra este mês em Nova York. O livro contém pesquisas sobre a Patagônia (turismo antártico), Amazônia (ecoturismo) e Peru (patrimônio histórico e arqueologia), entre outros aspectos.

SEMINÁRIO - Começa por Blumenau o ciclo de seminários para o desenvolvimento turístico regional que a Santur e a Abav/SC (Associação Brasileira de Agências de Viagens de Santa Catarina) vão promover em todo o Estado. Os eventos serão desenvolvidos através de palestras, cases e painéis técnicos, buscando envolver, em cada região, todos os órgãos públicos, entidades privadas, trade turístico e estruturas educacionais. O seminário será amanhã, das 9 às 18 horas, no Grande Hotel Blumenau. Participam municípios do Vale do Itajaí e litoral.

 
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