Joinville         -          Terça-feira, 13 de Novembro de 2001         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

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Guerra
Leia sobre a repercução da guerra contra o terrorismo no PAÍS e a repercussão no mercado financeiro e na economia mundial ECONOMIA

Queda de avião
abala Nova York

Acidente no bairro de Queens matou os 255 passageiros e tripulantes a bordo e deixou desaparecidos em casas atingidas

Menos de duas horas depois de um Airbus A300 da American Airlines ter caído no bairro de Queens, em Nova York, às 9h17 de ontem, com 255 passageiros e tripulantes a bordo, uma alta fonte da administração de George W. Bush procurou afastar o temor que a notícia do acidente despertou imediatamente entre os americanos. "Está parecendo que não é terrorismo", disse o alto funcionário, que falou sob a condição de não ser identificado.
Até o início da noite, todas as indicações continuavam a convergir nessa mesma direção. As circunstâncias do acidente, a ausência de um aviso especial dos pilotos e os depoimentos de testemunhas apontavam para a probabilidade de a tragédia ter sido causada por uma falha estrutural do avião momentos depois da decolagem do Aeroporto John F. Kennedy, com destino à República Dominicana.
Mas, com o país oficialmente em estado de alerta desde os devastadores atentados terroristas de 11 de setembro, a primeira reação à notícia do acidente foi a de que os Estados Unidos estavam novamente sob ataque. Os três aeroportos de Nova York, assim como as pontes e túneis de acesso a Manhattan, chegaram a ser fechados pelas autoridades e só foram reabertos horas depois. No início da noite, só o aeroporto Kennedy ainda não funcionava totalmente - só estava aberto para pousos.
O edifício Empire State foi esvaziado, caças da força aérea passaram a patrulhar os céus da cidade. A Bolsa de Valores de Nova York e as demais no mundo, inclusive do Brasil, fecharam em baixa. O dólar registrou valorização.
Em Washington, o novo ministro da Segurança Interna, Tom Ridge, instalou-se na "situation room", uma sala fortificada que fica no subsolo da Casa Branca e é usada para coordenar a resposta a grandes crises nacionais ou internacionais que ponham em risco a segurança dos EUA.
Não houve sobreviventes no avião. Segundo Roberto Valentin, um diplomata dominicano, a maioria dos passageiros era de compatriotas. Um número ainda não determinado de pessoas morreu nas doze residências atingidas na praia de Rockaway, uma área de sobrados e casas térreas do tradicional bairro da classe média nova-iorquina. Todas elas foram consumidas no grande incêndio provocado pelo desastre.
Segundo a Prefeitura de Nova York, pelo menos seis pessoas estão desaparecidas e quinze ficaram feridas entre os residentes da área. Embora o número de mortos seja modesto em comparação com as mais de 4.500 pessoas que perderam a vida no ataque contra o World Trade Center, trata-se de um dos maiores acidentes aéreos já registrados nos EUA. Um Jumbo da TWA que caiu no mar, minutos depois de decolar do aeroporto Kennedy rumo a Paris, em 1996, tinha 230 pessoas a bordo.
O Airbus A300, que fazia o vôo 587, caiu a cerca de oito quilômetros do aeroporto - e a pouco mais de vinte da ponta sul da Ilha de Manhattan, onde ficavam as torres gêmeas do World Trade Center, destruídas no dia 11 de setembro.


Terrorismo parece descartado

Um exame inicial na relação de passageiros não identificou nenhum nome da lista de suspeitos de terrorismo do FBI, a polícia federal americana. A avaliação inicial das autoridades de que a tragédia foi provocada por um acidente, e não de um crime, foi confirmada por sua decisão de entregar as investigações à Junta Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB) e não ao FBI. "Todas as informações que temos no momento são de que foi um acidente", disse Marion Blakey, a presidente do NTSB.
Testemunhas disseram ter ouvido uma explosão e um dos dois motores do avião caindo. Outras contaram que viram parte da asa se desprender da fuselagem. Um motor caiu num posto de gasolina. A área foi isolada pela polícia. Equipes do corpo de bombeiros lutaram contra o fogo, que se alastrou rapidamente. Até o início da noite tinham sido resgatados 240 corpos.
No início da tarde, o presidente e executivo-chefe da American Airlines, Don Carty, disse que não tem "absolutamente nenhuma indicação sobre o que causou o acidente". Durante uma teleconferência, Carty, que estava no Estado do Texas, afirmou que "a notícia vem num tempo difícil para a nação, difícil para a indústria aérea e muito difícil para a American Airlines". Dois dos aviões seqüestrados no dia 11 de setembro e usados como mísseis nos ataques contra o World Trade Center e o Pentágono eram de sua empresa.
Segundo o executivo, a prioridade da empresa será dar apoio às famílias dos passageiros e funcionários que foram perdidos ontem. "Dada as atuais circunstâncias do mundo em que vivemos", disse, "será mais importante do que nunca determinar com precisão e rapidez a causa deste acidente".
Carty reiterou que os parentes que buscam informações sobre os passageiros devem ligar para 1-800- 245-0999. Al Becker, porta-voz da companhia, disse que todas as questões relacionadas à queda do avião devem ser encaminhadas ao National Transportation Safety Board (Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos EUA), que foi encarregado da investigação.


Grupos iniciam investigação

Washington - A queda do avião da American Airlines levou as autoridades federais a montarem uma operação de investigação sem precedentes, com até dezoito grupos de trabalho. Da investigação participam uma centena de pessoas procedentes de várias agêncis, disse Marion Blakey, diretor do Departamento Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB).
Em entrevista à imprensa, Blakey disse que a caixa preta que grava as operações de vôo foi recuperada e que, segundo os dados pesquisados até agora, "não houve comunicações inusuais a partir da cabine de comando". A caixa preta será analisada em Washington, acrescentou. Embora Blakey não tenha dito quando serão divulgadas as primeiras informações sobre os dados, peritos em aviação disseram que o processo inicial poderá estar concluído dentro de 24 horas.
Blakey indicou que está sendo verificado o plano de vôo, segundo o qual iam a bordo 255 pessoas, a fim de determinar se havia mais alguém entre os viajantes, como por exemplo soldados que podem ser transportados fardados. Ele se absteve de comentar sobre a possível origem do acidente, indicando ser necessário esperar algumas horas para se ter um panorama mais amplo das posibilidades.

Testemunhas

Interrogado sobre se, como disseram algumas testemunhas, o avião explodiu no ar ou começou a desintegrar-se quando caía, Blakey disse ter recebido informações não confirmadas de que "algumas partes do avião, incluindo partes do motor, estavam espalhadas por um amplo raio". "Mas não temos informação específica sobre os próprios motores", acrescentou.
O diretor indicou que o NTSB está informando ininterruptamente a Casa Branca sobre os avanços nas investigações. Sem entrar em especulações, Blakey disse que "uma das coisas com as quais estamos comprometidos é a de proceder a uma investigação total a respeito do sistema, da parte mecânica, da história do avião, da tripulação e dos fatores humanos que poderiam estar envolvidos (no caso)."


Acidente paralisa a
República Dominicana

Santo Domingo - A República Dominicana ficou paralisada ontem com a queda do avião da America Airlines que se dirigia ao país caribenho. A grande maioria de passageiros era dominicana. O número oficial não havia sido divulgado pelas autoridades, mas segundo a rede de rádio e TV local CDN, havia pelo menos 176 dominicanos entre os 246 passageiros e 9 tripulantes no vôo 587.
Cenas de dor eram vistas no Aeroporto Las Américas, 30 quilômetros a Oeste da capital, Santo Domingo, onde se haviam concentrado mais de quinhentos parentes e amigos das pessoas que viajavam no Airbus-300. Pelo menos duas pessoas foram atendidas com problemas cardíacos depois de receberem a confirmação de que seus prentes estavam entre os mortos.
As autoridades decidiram não divulgar a lista com os nomes das vítimas até que todos os parentes e amigos que foram ao aeroporto fossem informados. A direção do aeroporto destinou uma sala especial para que os parentes aguardassem informações sobre as vítimas. Médicos e psicólogos foram postos à disposição das famílias. Muitas pessoas que esperavam os passageiros desmaiaram ao ouvir a notícia.
"Oh, meu Deus!", disse Miriam Fajardo ao saber que sua irmã, Norma, e seus três sobrinhos estavam entre os passageiros. "Eu não os via fazia oito anos e agora eles se foram." Uma outra mulher, não identificada, chorava e gritava diante das câmeras de TV: "O menino deve ter morrido."
"Que não sejam os três, por favor, que não sejam os três", dizia Germania Brito, esperando no aeroporto por sua irmã, Mariana Flores, que viajava com o marido John e seu filho Isaías, de 2 anos. "Que Deus nos ajude", chorava.

Histeria

Ouvida por telefone, a jornalista do jornal dominicano "Listin Diario" Solangel Valdez disse que o clima no aeroporto era de histeria depois que as autoridades começaram a confirmar os nomes das vítimas. "As pessoas saíam da sala gritando e chorando muito. Era algo muito constrangedor", disse.
Segundo a jornalista, muitos passageiros eram empresários ou pessoas que trabalhavam nos EUA e estavam voltando para a República Dominicana para passar as férias de fim de ano com a família. Mais de 500 mil dominicanos vivem na cidade de Nova York. A jornalista disse que havia rumores de que entre os mortos estaria um grupo de merengue, que voltava de uma turnê nos EUA, e a mãe do jogador de futebol Gorky Pérez, mas não havia confirmação.
Entre as vítimas confirmadas está a filha do cantor dominicano Cuco Valoi, Mercedez, e os três filhos dela.
O bairro do Queens, maior dos cinco que fazem parte da cidade, é considerado um reduto de imigrantes, mas a concentração de brasileiros fica a cerca de 40 quilômetros do local da queda do avião. O embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Rubens Barbosa, que está em Washington, disse que nenhuma hipótese sobre as causas do acidente está sendo descartada pelas autoridades norte-americanas.


Ataque a tanque deixa
três jornalistas mortos

Khwaja Bahuaddin, Afeganistão - Dois jornalistas franceses e um alemão morreram baleados por forças do Taleban quando viajavam no domingo em veículos da opositora Aliança do Norte no Noroeste do Afeganistão. A Rádio France Internationale, em Paris, confirmou que sua correspondente, Johanne Sutton, havia morrido e a rádio RTL disse que seu correspondente Pierre Billaud também havia sido atingido. A revista alemã "Stern" confirmou que um seu colaborador, Volker Handloik, morreu igualmente no ataque.
Levon Sedunts, jornalista russo que estava no comboio, relatou que eles foram convidados pela Aliança do Norte a acompanhar suas tropas na inspeção das trincheiras do Taleban próximas a Taloqan, capturadas no domingo pela Aliança. Os jornalistas viajavam em um tanque dos opositores quando o Taleban abriu fogo com lançadores de granadas. A explosão de um projétil fez com que alguns jornalistas caíssem para fora do veículo, disse Sevunts.
Ao mesmo tempo, Paul McGeough, correspondente do "Sydney Morning Herald", confirmou que ele e os demais haviam sido convidados pelos comandantes da Aliança do Norte a inspecionar as trincheiras do Taleban. "Quando lá chegamos - disse McGeough - eles (os talebans) não se haviam rendido". Veronique Rebeyrotte, uma jornalista da emissora francesa Culture, que também estava no tanque, disse que o grupo abordou o veículo inesperadamente, quando este partia em direção às posições talebans.
No domingo à noite, o primeiro-ministro francês, Lionel Jospin, expressou em um comunicado sua "mais profunda tristeza" pela ocorrência.

Julgamento

A Suprema Corte do regime Taleban adiou por tempo indeterminado o julgamento dos oito funcionários estrangeiros de um grupo de ajuda - incluindo dois americanos - por temer que sua indignação pelos ataques aéreos dos EUA possa impedir a emissão de uma sentença justa. O grupo de prisioneiros, formado também por dois australianos e quatro alemães, é acusado de difundir o cristianismo, uma ofensa nesta nação muçulmana.
O juiz Maulvi Mir Habibullah disse que os membros da Suprema Corte estavam preocupados com a possibilidade de a ofensiva contra o Afeganistão prejudicar sua decisão. "O bombardeio e o processo judicial são duas coisas diferentes. Não queremos misturar uma com a outra", afirmou.


Líderes expressam seu apoio

Londres - Líderes mundiais expressaram novamente ontem seu apoio aos Estados Unidos, após a queda do jato da American Airlines em Nova York. A queda do avião acontece apenas dois meses depois da atrocidade de 11 de setembro, e imediatamente aumentou os temores de que os terroristas tivessem lançado outro atentado. Como todos os três aeroportos da área de Nova York ficaram fechados, as linhas aéreas de todo o mundo cancelaram ou mudaram as rotas de seus vôos para Nova York.
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, telefonou para o presidente norte-americano, George W. Bush, para expressar sua solidariedade. "O principal objetivo do telefonema foi apresentar as condolências da Grã-Bretanha para o presidente Bush, ao povo de Nova York e à América", afirmou o porta-voz oficial de Blair, falando sob a condição de anonimato.
O primeiro-ministro sueco, Goeran Persson, definiu a queda como "uma grande tragédia", mas pediu cautela ao se especular sobre as causas. O presidente turco, Ahmet Necdet Sezer, enviou uma mensagem de condolências aos Estados Unidos.
O novo acidente aéreo mobilizou a inteligência do governo brasileiro. O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, que esteve na semana passada em Washington, conversando com autoridades da CIA, reuniu-se ontem com a cúpula da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), para avaliar os últimos acontecimentos.

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Aliança do Norte
conquista maior
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Combatentes estão prontos para ocupar a capital, Cabul, nas próximas horas

Cabul - Gritando "Deus é grande" e apoiados por ataques aéreos dos Estados Unidos, combatentes anti-Taleban avançaram ontem até as portas de Cabul, levando a milícia a reforçar suas defesas preparando-se para um grande assalto. Combatentes da oposicionista Aliança do Norte também capturaram Herat, a maior cidade do Oeste do Afeganistão.
Um alto comandante oposicionista, Bismillah Khan, disse que suas tropas conquistaram o antigo bastião taleban de Mir Bacha Kot, cerca de 20 km ao Norte da capital, e estava esperando novas ordens.
"Estamos nos portões de Cabul", declarou Khan. O ministro do Exterior da Aliança, Abdullah, afirmou que outra coluna da oposição havia alcançado Shakar Dara - poucos quilômetros a sudoeste de Mir Bacha Kot e mais próxima da capital. "É a última parada", disse Abdullah em Jabal Saraj, 70 km ao Norte de Cabul. "Paramos porque não quisemos avançar sobre Cabul".
O presidente dos EUA, George W. Bush, havia pedido à oposição para não entrar na cidade até que um governo de amplas bases seja formado para substituir o Taleban. Entretanto, houve pouco progresso na tentativa de aproximar os disparatados grupos da multiétnica e conflitante sociedade afegã e a tentação de apanhar o maior prêmio do país pode ser grande demais.

Campanha

Na capital, o Taleban se prepara para enfrentar uma ofensiva total. Tanques foram posicionados ao longo das principais passagens da cidade, e caminhões - camuflados com a cor marrom - trafegavam pelas ruas levando talebans armados para as linhas de frente. Combatentes talebans armados com lança-granadas e fuzis Kalashinikov paravam carros nos principais cruzamentos da cidade dando buscas em veículos e checando documentos.
Armamentos móveis antiaéreos foram levados para a cidade ao anoitecer, e o som de aviões de combate podia ser ouvido de tempos em tempos, seguindo em direção das linhas de frente. Pouco antes do pôr-do-sol, um míssil explodiu numa rua num bairro de Wazir Akbar Khan, onde vivem autoridades do Taleban e militantes árabes, chechenos e usbeques. Não houve sinal de qualquer êxodo em massa da cidade, mas algumas autoridades talebans, como o ministro da Saúde, mulá Abbas Akhund, pareciam ter deixado Cabul.
O presidente George W. Bush lançou uma campanha de ataques aéreos contra o Afeganistão em 7 de outubro, depois que o Taleban recusou-se a entregar Osama bin Laden, o principal suspeito dos atentados terroristas de 11 de setembro, que mataram cerca de 4.500 pessoas nos EUA.


Talebans perecem ter
perdido todo o Norte

A situação da Aliança do Norte mudou dramaticamente desde sexta-feira, quando as forças anti-Taleban capturaram a cidade nortista de Mazar-i-Sharif depois de dias de intensos bombardeios americanos. Mazar-i-Sharif era a chave do controle do Norte pela milícia islâmica, e desde que caiu, província depois de província tem passado para as mãos da Aliança. Na noite de ontem, o Taleban parecia ter perdido quase todo o Norte, com exceção da província de Kunduz, que tem uma grande população pashtun, o mesmo grupo étnico do Taleban.
Muito do Norte é habitado por tadjiques, usbeques e muçulmanos xiitas, que há muito se opunham ao Taleban, baseado no Sul.
Na manhã de ontem, forças da aliança entraram em Herat, a maior cidade do Oeste do Afeganistão. Uma emissora de rádio iraniana, falando de Herat, divulgou que tropas talebans estavam fugindo ou se rendendo, e uma autoridade no Ministério da Informação taleban admitiu que "possivelmente Herat caiu". Herat fica ao longo da principal rodovia que leva a Kandahar - mais de 500 km a Sudeste - que é o local de nascimento do Taleban e lar do líder supremo da milícia, mulá Mohammed Omar, além de Bin Laden.
Com o Norte limpo de talebans, as forças da oposição emperradas há anos ao longo do front de Cabul mostravam um espírito de luta raramente visto entre suas unidades mal equipadas. Depois de intensos ataques de bombardeios B-52 dos EUA, combatentes da oposição começaram a penetrar nas linhas de defesa do Taleban no começo da tarde de ontem. As posições da milícia foram caindo uma a uma.

Saques

Homens armados saquearam um depósito de comida da Organização das Nações Unidas e há informações não confirmadas de execuções sumárias depois da tomada de Mazar-i-Sharif pelas tropas de oposição, informou ontem a porta-voz da Coordenação de Assistência Humanitária da ONU para o Afeganistão, Stephanie Bunker, no Paquistão. Segundo Bunker, um comando da opositora Aliança do Norte emboscou um comboio da ONU com dez caminhões transportando ajuda para a região.
Segundo a ONU, o saque ao armazém ocorreu durante o final de semana. "Cerca de 89 toneladas de comida - açúcar, óleo de cozinha e biscoitos - desapareceram de nosso depósito", afirmou o porta-voz do Programa Mundial de Alimentação da ONU, Lindsey Davis.


Pedido governo de transição

Nações Unidas - Os chanceleres de oito países interessados na independência do Afeganistão concordaram ontem em acelerar seus esforços para formar "com urgência" um governo alternativo para o país asiático. Os chanceleres da comissão denominada "Seis mais dois", constituída pelos países vizinhos do Afeganistão - Irã, China, Paquistão, Tadjiquistão, Turcomenistão e Usbequistão - mais EUA e Rússia, reuniram-se à margem da Assembléia Geral das Nações Unidas.
Ao final, os representantes dos oito países emitiram uma declaração em que apóiam o empenho do enviado da ONU ao Afeganistão no sentido de "facilitar os esforços dos grupos afegãos comprometidos com um Afeganistão livre e pacífico a estabelecer urgentemente uma ampla administração afegã".


População preocupada

Islamabad - As notícias relativas a uma eventual chegada das forças da Alianças do Norte geraram grande preocupação entre os habitantes de Cabul, informaram testemunhas locais. Um terço da capital afegã está em ruínas, desde quando, entre 1992 e 1992, era administrada por um "governo de coalizão", sob a presidência de Burhanuddin Rabbani, de etnia tadjique.
À época, a cidade estava dividida por linhas que separavam as facções pashtun dos usbeques, os hazaris dos tadjiques, ou seja, cada uma com seu próprio poder territorial. Um grupo de tribos se reagrupou, então, sob a liderança de Rabbani, que fora, inclusive, reconhecido pelas Nações Unidas. Desde então, esse grupo luta para reconquistar a cidade, agora com o apoio da aviação norte-americana.


 
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