Joinville
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Quarta-feira, 03 de Outubro de 2001
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Santa Catarina - Brasil
ANotícia
APRENDIZAGEM Ana Luiza Aguiar Grossi,
Andréia Velasco, Raquel Steiglich e Luciana Voltolini
fazem uma temporada de de 15 dias na a Escola do Teatro Bolshoi
na Rússia Fotos: Marcelo Caetano
Mais perto do Olimpo
Brasileiras passam
15 dias na escola Bolshoi, em Moscou
Marlise Groth
O
sonho de quatro jovens bailarinas brasileiras se torna realidade.
Alunas da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, Ana Luiza Aguiar
Grossi, 18 anos, Andréia Velasco, 17, Raquel Steiglich,
18 e Luciana Voltolini, 16, iniciaram nesta semana um estágio
de 15 dias na matriz da escola. A experiência que começou
com uma viagem de 27 horas de vôo, mais "algumas horinhas
de espera nos aeroportos", até Moscou, na Rússia,
iniciou no último sábado.
Na bagagem elas levaram a garra, o conhecimento pessoal e a técnica
aperfeiçoada pelos russos Alla Michalchenko, Andrei Smirnov,
Galina Kravtchenco e Nina
Speranskaya que ministram aula em Joinville. Com despesas custeadas
pela escola e pelas próprias famílias, as bailarinas
estão apreensivas mas prometem não decepcionar
os professores no retorno. "Balé é arte, não
é hobby. Agora é nossa hora de dançar e
mostrar que as brasileiras também têm talento no
balé", argumenta Raquel.
Instaladas num hotel na Praça Vermelha, as bailarinas,
acompanhadas das coordenadoras artísticas Maristela Teixeira
e Maria Antonieta Spadari, tem cronograma rígido a cumprir
em Moscou. Além de participar dos ensaios com o corpo
de baile russo, elas terão acesso livre ao teatro e aos
bastidores, registrando detalhes das apresentações.
"Um sonho e ao mesmo tempo a prova de que superamos mais
um degrau em nossa aprendizagem", resume Ana Luiza que é
natural de Brasília e há dois anos vive em Joinville,
em função do balé.
A seleção das bailarinas para o estágio
não é fruto do acaso. As quatro jovens, em conjunto
com as demais meninas que integram as turmas de aperfeiçoamento
da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, começaram a ser
avaliadas há dois anos, desde que iniciaram os respectivos
cursos, em Joinville. "Desde o primeiro dia soubemos que
deveríamos nos dedicar. Que cada aula seria um teste",
justifica Ana Luiza, sem esconder a alegria e a recompensa dos
12 anos de vida dedicados à dança. Para Andréia Velasco, que
também deixou Brasília em função
da aprovação na filial do Bolshoi em Joinville,
o momento é importante pois abre horizontes. "Não
só para nós quatro mas também para outras
colegas que poderão participar de intercâmbios em
outras oportunidades", fala. Conciliando o balé com
o primeiro ano do curso de medicina em uma universidade particular
de Joinville, Raquel Steiglich, natural de Santa Maria (RS),
não esconde a felicidade de conhecer de perto os mestres
russos que influenciam seu dia-a-dia. "Estamos muito bem
servidos de professores mas nada supera a experiência de
conhecer uma escola que tem 225 anos de tradição",
expõe.
5º Salão Elke Hering
marcado pela tensão
Problemas anteriores
à abertura da edição tiram brilho do evento,
e artistas se frustram
Marlise Groth
Joinville - O Salão Elke Hering de Arte Contemporânea
entra em sua quinta edição deixando dúvidas
sobre o futuro e rumo que tomará nas próximas.
Aberto no dia 27 de setembro, após uma alteração
de data causada por problemas internos, como a troca de curador,
o evento não contou apenas com a participação
dos patrocinadores, selecionados e premiados. Representantes
da Associação Blumenauense de Artistas Plásticos
(Bluap) também marcaram presença, engrossando um
manifesto iniciado por funcionários efetivos da Fundação
Cultural de Blumenau (FCB) contra a centralização
de atividades, autoritarismo e prepotência da atual administração.
De acordo com o presidente da entidade, Pita Camargo, o movimento
não desrespeitou ninguém. Apenas serviu para mostrar
a insatisfação da classe em relação
às medidas que vêm sendo tomadas pelo órgão.
"A função do artista é interferir.
Aderimos à causa em respeito à classe. Não
tumultuamos nada, na realidade quem tumultuou o processo foi
a própria fundação", dispara. Uma das
provas da fragilidade da administração, segundo
Camargo, pôde ser comprovada na frustração
dos vencedores, que saíram do evento sem receber os prêmios.
"Isso sem falar no erro da logomarca de um dos principais
patrocinadores, impressa nos convites e demais materiais de divulgação",
fala.
O artista de Jaraguá do Sul Dietmar Hille também
saiu insatisfeito. Além de ter se impressionado com o
clima tenso e com a falta de informações, não
recebeu o prêmio ao qual teria direito pelo terceiro lugar.
"As pessoas que eu conhecia se afastaram do salão.
Entre os presentes, ninguém sabia informar sobre a premiação.
O clima estava muito estranho. Pensei que seria uma oportunidade
para conhecer pessoas, mas estava claro que havia grupos divididos.
Me senti bastante deslocado", conta. Na opinião de
Hille, os artistas, o salão e a própria produção
artística acabaram vítimas de um processo anterior
ao evento. "Só espero que os envolvidos encontrem
um ponto de equilíbrio e consigam superar isso tudo",
completa.
Empresa investidora vai redobrar
atenção na liberação de recursos
O gerente de comunicação empresarial da Petrobras
de Itajaí, Eduardo Teixeira Leite, também lamenta
os acontecimentos. Segunda maior investidora no evento, depois
da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), a estatal
teve sua logomarca impressa de maneira errada em 2.500 catálogos,
envelopes e demais peças de divulgação.
Para piorar, a FCB feriu a norma de apresentar as peças
publicitárias aos patrocinadores antes da impressão.
"Não tive acesso prévio a nenhum produto de
divulgação. A marca tem um valor muito importante
para a empresa, não podemos aceitar versões",
explica.
Sem querer delegar culpa a fulano ou beltrano, Eduardo Teixeira
Leite assegura que a empresa não vai fazer retaliações
aos próximos eventos culturais do município. Em
contrapartida, vai redobrar atenção na hora de
liberar recursos. "Talvez, se o dinheiro não tivesse
sido repassado antecipadamente, poderíamos ter visto o
erro e não teríamos nossa marca exposta 5 mil vezes
de maneira incorreta", justifica. A Petrobras destinou R$
10 mil ao evento, R$ 2 mil a menos que a FCC.
Perdas
O representante da Petrobras, que não ficou alheio
ao manifesto dos artistas plásticos na abertura, espera
que o conflito promova o entendimento entre curadores, organizadores
e produtores de arte na região. "Problemas existem
para ser superados. Às vezes, até ajudam a crescer",
comenta. Apesar disso, observa que a maior perda foi para a arte:
a mídia abriu muito mais espaço para as brigas
internas da FCB do que para o salão. "Quando fomos
procurados por Vilson do Nascimento (o curador que se afastou),
apostamos na credibilidade do profissional e no êxito dos
seus empreendimentos. Não podemos dizer que o resultado
é culpa dele ou da FCB, mas de um todo", pondera.
Um dos pontos que Eduardo Teixeira Leite também não
aceita é a falta de uma atividade educacional, que deveria
ocorrer paralelamente à exposição. O intuito
era transformar o salão numa grande ação
social. Alunos das escolas públicas e privadas teriam
visitas monitoradas em troca de doações de agasalhos
e alimentos não-perecíveis, que seriam enviados
a uma instituição de caridade. "Acho que,
em meio a isso tudo, o grande barato do salão se perdeu",
finaliza.
Procurada em dois dias consecutivos, em função
das cheias em Blumenau, a diretora de cultura Maria Teresinha
Heimann não foi encontrada para avaliar a abertura do
evento. (MG)
O QUÊ: 5º Salão Elke Hering de Arte
Contemporânea. QUANDO: Até 28 de outubro,
em horário comercial. ONDE: Galeria Municipal de
Artes, rua 15 de Novembro, 161, centro, Blumenau, tel.: (47)
326-6871. QUANTO: Gratuito.
Pai e filha mantêm
tradição em artesanato
Herculano Vicenzi
Especial para o Anexo
Joinville - A casa de número 68 da rua Francisco Cristofolini,
no bairro Vila Nova, na zona Oeste de Joinville, abriga uma oficina
rústica, que há anos atrai uma numerosa e selecionada
freguesia. No local, Egon Züge, de 67 anos, e sua filha
Mara, de 33 anos, fabricam gaiolas para curiós e coleiros.
Através do mais autêntico artesanato, os Züge
contam com clientes em diversos Estados brasileiros, bem como
na Alemanha, Suíça e Canadá.
A produção de gaiolas na família Züge
é uma tradição de décadas, iniciada
por Rodolfo, pai de Egon e avô de Mara. Falecido há
21 anos, o velho Rodolfo foi o responsável pela conquista
do mercado nacional. No começo dos anos 70, recebeu a
visita de Roberto Rivelino, tricampeão mundial de futebol
e emérito criador de curiós, que acabou virando
seu freguês. Estavam definitivamente abertas as portas
do mercado nacional.
Quando o artesão faleceu, o filho Egon, que tinha aprendido
o ofício, mas que se dedicava à profissão
de motorista, largou o caminhão para dar prosseguimento
ao trabalho do pai. Há 13 anos, Mara desistiu da profissão
de promotora de vendas para seguir os passos do avô e do
pai.
Para fabricar 24 gaiolas por mês, em cores branca e vermelha,
a dupla de artesãos trabalha de domingo a domingo, oito
horas por dia. Para a fabricação de gaiolas brancas,
eles usam madeira de pau-marfim. Gaiolas vermelhas são
feitas com madeira de canjarana.
Os Züge trabalham exclusivamente com arame de aço
inoxidável e pregos de cobre, que eles fabricam no esmeril.
São materiais que não enferrujam, garantindo qualidade
e durabilidade das peças, assinalam gaioleiros de Vila
Nova.
O preparo da madeira e pregos é feito através de
máquinas artesanais desenvolvidas por Egon. "Papai
não tem diploma, mas é um engenheiro nato, pois
soube montar com perfeição uma serra tico-tico,
um esmeril e uma furadeira, as máquinas necessárias
para desenvolver um bom trabalho", elogia Mara.
O preparo da madeira, que é o trabalho mais demorado e
meticuloso, é todo manual. A madeira é lixada a
mão, inclusive peças pequenas, de cores alternadas
entre branco e vermelho, que preenchem entalhes, formando belos
desenhos na base das gaiolas. "Nosso trabalho exige habilidade
e paciência de monge, sem isso nada feito", diz Egon,
enquanto prepara mais uma peça.
Os Züge fabricam três tipos de gaiolas. Para coleiro,
o preço é de R$ 60,00, enquanto que para curió
as gaiolas mais simples custam R$ 80,00, e as mais sofisticadas,
com abaulamento na parte superior e na parte inferior, são
vendidas a R$ 120,00.
Os principais mercados dos Züge são Joinville, Florianópolis,
São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Santos.
Com trânsito em algumas das principais cidades brasileiras,
o mercado externo foi alcançado há cinco anos.
Atualmente, contam com fregueses regulares na Suíça,
Alemanha e Canadá. Detalhe curioso: no Canadá,
as gaiolas são usadas para abrigar pequenas plantas ornamentais.
Em função de muitas encomendas e da produção
limitada, os Züge não dispõem de gaiolas para
pronta entrega. A encomenda, em média, demora de 60 a
90 dias para ser atendida. O telefone para contato é (47)
439-0721.
Script e passaporte na mão
Viagens ao exterior
para gravar novelas ameaçadas em prol da redução
de gastos
Roberta Brasil
TV Press
É quase regra. Quando a Globo anuncia a estréia
de uma novela, os telespectadores já podem esperar mais
uma viagem internacional. Na novela "O Clone", Jade
e Lucas, personagens de Giovanna Antonelli e Murilo Benício,
vivem sua paixão proibida nas areias escaldantes do Marrocos.
Mas, além dos percalços da história, uma
outra ameaça paira sobre esse e os próximos casais
românticos que encontram o amor numa bela viagem. Disposta
a reduzir gastos, a emissora já mandou um aviso para autores
e diretores adeptos dos programas de milhagens: viagem, agora,
só quando for absolutamente necessária para a trama.
Poucas novelas abrem mão do "turismo dramatúrgico"
dos primeiros capítulos. Só na semana de estréia,
"As Filhas da Mãe" mostrou conhecidos cartões-postais
de Londres, Los Angeles, Roma e Las Vegas. O autor Sílvio
de Abreu explica que precisava caracterizar uma família
desmembrada, mas ressalta: "O que cativa mesmo o público
é uma boa história. Seja ela passada em Catanduva,
em Nova York ou no Alasca", diz.
Para atrair o público, as produções tradicionalmente
concentram a sessão turismo nos primeiros capítulos
e passam o resto da trama "em casa". Na novela "O
Clone", porém, a autora Glória Perez garante
que Marrocos vai estar presente do início ao fim da novela.
"Ainda não tínhamos mostrado um universo tão
diferente quanto esse em produções brasileiras",
valoriza. Imagens não devem faltar: foram 41 dias de gravações
em cinco cidades diferentes.
"O Clone" vai levar ao público uma síntese
de paisagens encontradas em diferentes regiões de Marrocos.
"Criamos uma cidade fictícia para reunir toda a diversidade
que encontramos no país", explica o diretor Jaime
Monjardim. A emissora optou por gravar em terras marroquinas
porque o pequeno país do Norte da África é
o "menos radical".
Os atentados terroristas nos Estados Unidos, atualmente atribuídos
a islâmicos fundamentalistas, chegaram a deixar elenco
e equipe técnica temerosos quanto à repercussão
do núcleo muçulmano. Agora a autora já parece
mais tranqüila e aposta no sucesso da novela. "O mundo
inteiro tem curiosidade de conhecer a cultura islâmica",
diz. O adido da Embaixada de Marrocos no Brasil, Jalil Ef Oui
Mohamed, também se mostra otimista com a divulgação
de seu país em horário nobre. "Depois de seis
meses, espero que os brasileiros assistam à novela comendo
cuscuz e bebendo gim", diverte-se.
Reinauguração
do prédio acontece hoje com a peça "Memória
- A Espessura da Poeira de Palco"
Ana Cláudia Menezes
Florianópolis - Na única vez em que apresentaram
o espetáculo "Memória - A Espessura da Poeira
de Palco", os atores Waldir Brazil e Édio Nunes lamentaram
o péssimo estado de conservação do Teatro
da União Beneficente Recreativa Operária (Ubro),
que durante os anos de 1920 e 1950 foi uma das referências
do meio artístico e cultural da cidade. Nove anos depois
da apresentação no Teatro Álvaro de Carvalho
(TAC), o texto volta a ser encenado, desta vez, sem aquela parte
da fala. Waldir Brazil, que iniciou sua carreira teatral naquele
palco, aos 18 anos, retorna ao Teatro da Ubro hoje para a reinauguração
do espaço, com 96 lugares. No sábado, o local recebe
o projeto teatral "Literatura in Cena", produzido pela
Áprika.
Com a morte de Ademir Rosa, em 1997, o veterano Waldir Brazil,
81 anos, será acompanhado por Édio Nunes, velho
parceiro de representações teatrais. "Estou
com uma saudade muito grande. É um prazer voltar",
disse Brazil. Além do trabalho em teatro, os dois atores
estão atualmente em cartaz com dois filmes: Brazil, no
curta "Ilha", de Zeca Pires, e Édio Nunes, no
média-metagem "Alma Açoriana", de Penna
Filho.
A reforma do Teatro da Ubro foi mais uma das novelas envolvendo
a recuperação de um espaço cultural em Florianópolis,
e acompanhada com ansiedade por alguns, que até haviam
perdido a esperança de que ele fosse reaberto ao público.
Foi inaugurado no dia 17 de setembro de 1922 pelo operário
Agenor Luis Carlos, com o objetivo de "pugnar pelo desenvolvimento
intelectual da classe operária e beneficiar seus associados
com auxílios pecuniários quando doentes (...),
manter em sua sede, diversões de salão e promover
festas (...), manter uma biblioteca de recreio e instrução",
segundo o estatuto da entidade.
Mesmo desenvolvendo várias atividades culturais, o teatro
foi a principal força do local, reunindo atores que levavam
as produções da Ubro para outros pontos da cidade,
como o TAC e o Adolpho Mello, em São José. Um de
seus principais incentivadores foi Deodósio Ortiga, nascido
em 1908 em Florianópolis e que teve sua estréia
como diretor na peça "O Bem e o Mal". No ano
seguinte, ele entra na Ubro, onde monta o segundo trabalho, "Pedro
Cem".
O declínio do teatro inicia após a morte de Ortiga,
em 1951. Com a diminuição de associados, as mensalidades
pagas mal davam para arcar com as despesas. Na década
de 1960, o local era ocupado apenas por aulas de costura. Vários
documentos do acervo estão desaparecidos.
Mesmo com o tombamento por um decreto municipal em 1986, o teatro
ruiu em 93, restando apenas a fachada. Na década de 80,
o prédio foi declarado de utilidade pública para
fins de desapropriação pelo governo do Estado,
que em julho de 2000 cedeu o imóvel à Fundação
Franklin Cascaes (FFC(, órgão municipal de cultura.
A restauração encerrou em 98 sob a orientação
do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (Ipuf),
Fundação Catarinense de Cultura (FCC) e Funarte.
A reinauguração não ocorreu antes porque
ainda faltavam finalizar detalhes internos, como cenografia e
acústica. Ainda assim, o local não é considerado
o ideal por membros da classe teatral pela falta de uma coxia
e do barulho causado por uma caixa d'água, que incomoda
quem está no palco.
O QUÊ: Peça Memória - A Espessura
da Poeira de Palco", na reinauguração do Teatro
da Ubro. Abertura de exposição fotográfica
sobre o teatro, com imagens do Banco de Imagens da FFC. QUANDO:
Hoje, às 19h. ONDE: Teatro da União Beneficente
Recreativa Operária (Ubro), escadaria da rua Pedro Soares,
entre as ruas Anita Garibaldi e Artista Bittencourt, Centro,
Florianópolis, tel.: (48) 222-0529. QUANTO: Para
convidados.
Fim do ostracismo cultural
A reinauguração do Teatro da União Beneficente
Recreativo Operária (Ubro) tira do ostracismo a vida cultural
do centro de Florianópolis, apagada depois do fechamento
das salas de cinema e do início das reformas do Teatro
Álvaro de Carvalho (TAC). A localização
também constitui-se numa importante referência para
a memória e o patrimônio arquitetônico da
cidade.
A escadaria da rua Pedro Soares, onde está o prédio,
já aparece em um mapa de 1868, como ponto de ligação
entre o centro histórico da antiga Nossa Senhora do Desterro,
atual Florianópolis, com o bairro do Mato Grosso, onde
ficavam os casarões e as chácaras das famílias
mais abastadas da cidade. O bairro estendia-se desde a praça
Getúlio Vargas até as imediações
do que é hoje o Beiramar Shopping.
Outra referência é a arquitetura do teatro, inaugurado
em 1922, ano de intensa revisão dos conceitos artísticos
em função da Semana de Arte Moderna, em São
Paulo. A fachada exibe características ecléticas,
que mistura diversos estilos de época, como os traços
simples do sobrado, o balcão central e a platibanda (arremate
na cobertura), onde estão inscritas as iniciais Ubro em
relevo e os símbolos esquadro e compasso. Na mesma linha
eclética, está um "vizinho" do teatro
da Ubro, o imponente Colégio Coração de
Jesus, além do Museu Histórico de Santa Catarina/Palácio
Cruz e Sousa, o antigo Cine Ritz e alguns casarios ainda preservados
ao redor da praça Getúlio Vargas. (ACM)
Espetáculo faz homenagens
Waldir Brazil é o único artista vivo que passou
por aquele teatro e que ainda está em atividade. Em "Memórias
- A Espessura da Poeira de Palco", os atores falam sobre
as suas trajetórias, focalizando na história de
Brazil, e sobre a Ubro. Com cerca de 50 minutos, a peça
foi adaptada para o novo palco pelo seu autor, Neno Brazil, 42
anos, filho do ator.
Há citações sobre atores e atrizes que já
não estão mais nos palcos, como Iná Lisboa,
Uri Coutinho, Iná Soica, João Palmeiro Fontoura,
Demerval Rosa, Adi Brígido da Silva, Osmarina Monguilhot,
Dilza Délia Dutra e os irmãos Ivonésio,
Yvonira e Yvonne Catão, mulher de Waldir Brazil que ele
conheceu naquele teatro, falecida em 1998.
Parceiros de longa data, Waldir Brazil e Édio Nunes trabalharam
juntos em "Caminho de Volta" (Consuelo de Castro),
"Eles não Usam Black-tie" (Gianfrancesco Guarnieri),
"Zumbi" (Chico Buarque/Edu Lobo/Augusto Boal), "O
Canto do Cisne" (Tchekov), "O Dia do Javali" e
"Quem Casa Quer Casa". Além do filme "Alma
Açoriana", Édio Nunes está em cartaz
na peça "Sorrisos Meio Sacanas", até
dia 12 de outubro no Teatro Armação, na praça
15 de Novembro. (ACM)