Joinville
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Domingo, 07 de Outubro de 2001
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Santa Catarina - Brasil
ANotícia
NO PALCO Juarez Machado acompanha obras de finalização
do teatro que leva o seu nome e terá busto em sua homenagem Fotos: Pena
Filho
Foto:
Divulgação
Joinville
ganha um teatro
Inauguração
acontece amanhã, com programação cultural
que se estende na semana
Marlise Groth
"Cidade
das Flores e Capital da Dança", Joinville inaugura
amanhã mais um espaço cultural. Anexo ao Centreventos
Cau Hansen, o Teatro Juarez Machado - Laboratório de Artes
Cênicas da Escola do Teatro Bolshoi, tem 900 m2 de área
e capacidade para pouco mais de 500 pessoas na platéia,
camarotes e frisas laterais. Na solenidade também serão
inaugurados um auto-retrato de 92 cm esculpido pelo próprio
Juarez Machado e a exposição de fotos "Dina
Sfat - Retratos da Atriz".
Na segunda-feira apresentam-se, ainda, os grupos musicais Influência
do Jazz, Som Demais, Ana Paula & Formiga e Carla Passos e
Banda. Na terça-feira, o riso ganha vez através
de "Juca, O Iluminado", com o humorista e compositor,
Juca Chaves. O programa inaugural prossegue na quarta e quinta-feira,
com apresentação de Bibi Ferreira. Musa do rádio
e do teatro, a estrela solta a voz no já consagrado "Bibi
Vive Amália Rodrigues", recentemente aplaudido pelo
público da capital.
Esperado pela comunidade, o teatro exigiu R$ 1,4 milhão
dos cofres públicos, sendo que parte dos recursos foram
obtidos através do Ministério da Cultura pelo Programa
de Expansão do Ensino Profissionalizante. Seu projeto
engloba moderno sistema de luz, palco de 135 m2, dois camarins
para solistas e um camarim para grupo com os respectivos banheiros,
chapelaria, sala de comando técnico, ar condicionado central,
poltronas com encosto retrátil, piso acarpetado, paredes
e forro com tratamento acústico.
O espaço para circulação do público
e entrada dos espetáculos também pode ser utilizado
para exposições e, através de um sistema
de divisórias móveis, permite a instalação
de salas e estandes de acordo com as necessidades de cada evento.
O trabalho de construção, instalação
e acabamento levou cerca de 180 dias.
De acordo com a Fundação Cultural do município
(FCJ), durante a semana, o Teatro Juarez Machado servirá
de palco de treinamento e de apresentação para
a Escola Bolshoi de Joinville - que funciona anexa ao Centreventos,
e oferecerá espaço para a criação
e exibição de trabalhos produzidos por músicos,
bailarinos e teatreiros da cidade. Em sintonia com a proposta
multiuso do Centreventos Cau Hansen, também pode ser facilmente
adaptado para eventos empresariais, educacionais, religiosos
e políticos.
Pelo projeto original do Centreventos, o teatro - cuja escolha
do nome causou polêmica entre a comunidade artística,
deveria ser construído em prédio separado. O palco
principal teria uma parte móvel, com área reservada
para orquestra, o que tomaria parte do espaço que hoje
sedia o teatro.
Segundo o arquiteto Marcel Virmond Vieira, do Instituto de Pesquisa
e Planejamento Urbano de Joinville (Ippuj), embora a área
tenha sido usada para a construção do teatro, ainda
há possibilidade de incluir o fosso orquestral. "Temos
dois metros vagos entre o forro de gesso do teatro e o palco
da arena. A única diferença é que não
haverá elevador, mas uma plataforma desmontável
conforme o evento", esclarece, observando que a finalidade
inicial do teatro é atender à Escola Bolshoi.
O QUÊ: Inauguração do TEATRO JUAREZ
MACHADO. QUANDO: Amanhã (dia 8), às 20h.
ONDE: Anexo ao Centreventos Cau Hansen, av. José
Vieira (Beira Rio), 315, Joinville, tel.: (47) 433-2190 (pela
manhã). QUANTO: Gratuito.
Artista brinda o novo espaço
Vaidades à parte, para o artista plástico Juarez
Machado, "o que realmente interessa para a cidade é
a inauguração de um espaço que estava faltando".
Em Joinville desde o dia 1º, ele fez questão de acompanhar
"os finalmentes" da obra que além de receber
seu nome, ganha um auto-retrato, fundido em bronze. "Me
sinto como uma mãe que vai parir", confidenciou aguardando
a chegada da peça.
Completando 60 anos de vida em 2001, e 40 de carreira, alega
estar vivendo "um centenário feliz". "Há
50 anos eu era uma criança que queria ser artista. Tive
a coragem de perseguir o sonho e hoje sou quem sou. Fico pensando
em quantos sonharam o mesmo e foram tolhidos pela falta de oportunidades",
comenta. Para o artista que vive em Paris, ver Joinville investindo
na vocação artística é mais do que
uma realização pessoal, "é a realização
de uma vida".
Consciente de que o nome do teatro não agradou à
todos, Machado é diplomático. "Não
vejo como crítica. Joinville conhece muito meu trabalho
de pintor e pouco o de ator, cenógrafo e escritor",
declara, lembrando que na década de 60 atuou nos palcos
de Curitiba, de onde partiu para o Grupo de Criação
da Rede Globo. "Tenho uma vida no teatro, seja no palco
ou nos bastidores mas para a cidade a informação
que chegava era a da mímica no Fantástico",
fala. Articulando contatos para a criação de uma
biblioteca da arte e de um concurso nacional de escritores de
teatro para Joinville, Machado se diz satisfeito: "Eu sou
eu mesmo. Eu sou meu próprio personagem". (MG)
Nu masculino na
história da fotografia
Do científico
ao erótico, são mais de cem anos atravessando barreiras
e vencendo preconceitos
Charles Narloch
Especial para o Anexo
Florianópolis - Sempre que o assunto é o corpo
desnudo, no mínimo duas vertentes aquecem uma polêmica
tão estranha e contraditória quanto antiga e ultrapassada.
Para alguns, nudez significa libertação, uma convivência
harmoniosa com a natureza, onde a sexualidade é uma característica
inerente à maioria dos seres vivos. Para outros, o corpo
nu ainda representa uma ameaça aos padrões morais
tradicionais, seja ela espontânea ou representada através
das artes.
Nas artes plásticas, a nudez passou por momentos de valorização
no classicismo e no renascimento, quando milhares de personagens
foram esculpidos e pintados sem qualquer vestimenta. Por outro
lado, não são poucas as obras que durante os séculos
foram alteradas para esconder ou eliminar suas "vergonhas".
Quando a fotografia começou a florescer, entre 1830 e
1840, sua principal função era retratar indivíduos.
O que antes era acessível somente aos nobres, tornou-se
rapidamente uma mania entre todas as classes sociais. Os fotógrafos
perceberam que havia um mercado emergente. Assim, surgiu a comercialização
de fotografias que retratavam objetos, casas, ruas, cidades,
paisagens e, finalmente, os nus. Para David Leddick, autor do
livro "The Male Nude" (1999), a sociedade machista
da época impôs a comercialização exclusiva
de fotografias de nus femininos, com fins eróticos disfarçados
sob uma ótica artística. Como a maioria dos homens
não gostava de se ver nu, também não questionava
se alguma mulher poderia admirar a beleza artística contida
em um nu masculino. Muito menos se havia homens que pudessem
admirá-los dessa forma (e certamente havia!). Na "falocracia",
o dinheiro representava poder e um homem nu jamais poderia exibir
seu status material numa fotografia. Já às mulheres,
que diferença fazia estarem nuas ou vestidas numa fotografia,
se cabia a elas a função de servir aos "falocratas"
e garantir seus descendentes?
Por todas estas circunstâncias, os primeiros nus masculinos
que se têm notícia surgiram apenas em 1872, com
fins científicos. Nos Estados Unidos, o britânico
Eadweard Muybridge uniu fotografias individuais, captadas separadamente,
tornando visíveis as fases da locomoção,
utilizando como modelos animais domésticos, além
de mulheres e homens nus. Nestas séries, pode-se observar
claramente que nenhum modelo masculino aparenta estar perturbado
com a situação incomum àquela época.
Muito pelo contrário. Também é notável
que os modelos adotados provavelmente não tenham sido
escolhidos ao acaso, mas dentre aqueles que apresentavam os corpos
mais atraentes. Mais tarde, este fato acabou levantando suspeitas
de que o trabalho de Muybridge deixava explícitas suas
predileções pessoais, o que não causa nenhuma
estranheza nos dias atuais. Seus estudos foram publicados somente
em 1887 e conquistaram uma comedida respeitabilidade científica,
já que os modelos nus, principalmente os masculinos, representavam
um escândalo.
O artístico visto como erótico
A divulgação do escândalo de Eadweard
Muybridge serviu de estímulo a outros artistas, que não
buscaram qualquer justificativa científica para fotografar
ou utilizar fotografias de nus masculinos. Thomas Eakins, considerado
o maior pintor norte-americano do século 19, utilizou
os trabalhos de Muybridge na composição de suas
pinturas, mas foi forçado a renunciar ao cargo de professor
da Academia de Belas Artes da Pensilvânia, por trabalhar
com modelos masculinos nus em uma turma mista. Na Itália,
os alemães Barão de von Gloeden e seu primo Guglielmo
Pluschow fotografaram jovens rapazes simulando cenas da Grécia
Antiga. Os modelos aparecem usando turbantes e sandálias,
quase sempre expondo naturalmente suas genitálias. Como
não tinham objetivo de servir de guia para pinturas, essas
fotografias foram consideradas os primeiros nus masculinos com
objetivo artístico puro e simples.
É óbvio que as fotografias de Von Gloeden e Pluschow
venderam muito, principalmente para turistas homens, em sua maioria
homossexuais. Era inevitável que o nu artístico,
nas mãos de uma sociedade hedonista, não fosse
consumido por seu apelo erótico, pois tudo depende do
olhar individual de quem o vê. Assim, esses e outros artistas
publicaram inúmeros catálogos de nus masculinos
que se tornaram um grande negócio até a Primeira
Guerra Mundial.
No início do século 20, astros de cinema e da dança
foram fotografados nus ou semi-nus sem que tivessem concordado
com isso. Rudolph Valentino, Ramon Navarro e Nijinsky despertavam
um enorme interesse entre homens e mulheres. Até a Segunda
Guerra, a reprodução fotográfica de belos
físicos masculinos, não necessariamente nus, se
tornou tão comum que o hábito do culto ao corpo
cresceu rapidamente. Esse comportamento contribuiu para o surgimento
das primeiras revistas destinadas aos fisiculturistas. Porém,
a venda destas revistas para homens e mulheres que não
freqüentavam academias de ginástica, logo fez com
que as fotos se tornassem cada vez mais sensuais e eróticas.
Não é difícil imaginar que este novo apelo
dos nus ou semi-nus masculinos logo os deixasse sob a mira de
governos, igreja e conservadores em geral. É por isso
que a partir desse período as revistas de físico
tornaram-se mais amenas e os nus masculinos restritos ao comércio
ilegal.
A circulação paralela e ilegal do nu artístico
masculino perdurou em muitos países até o final
da década de 60. Em 1968, a revista americana Grecian
Guild Pictorial venceu uma ação na Suprema Corte
dos Estados Unidos, que finalmente reconheceu essa modalidade
de fotografia como arte. A profusão de revistas explorando
o nu masculino, de apelo artístico, erótico ou
mesmo pornográfico, cresceu vertiginosamente desde então.
Nas galerias, museus e espaços públicos, a aceitação
do nu masculino na fotografia foi ainda mais lenta. Em 1978,
uma exposição dedicada ao tema, na Marcuse Pfeifer
Gallery, em Nova York, foi praticamente ignorada pelos críticos
homens. Eles ainda viam o "nu masculino como um território
restrito aos homossexuais e às feministas que queriam
ver os homens em situação reduzida e vulnerável".
O que mais incomodava os críticos eram os pênis
à mostra, esse símbolo mítico do questionável
poder masculino, reconhecidamente frágil e em franca decadência.
Porém, como afirma David Leddick em seu livro, nesta época
a maré já estava contra estes críticos.
Robert Mapplethorpe entrou nos anos 80 mostrando fotografias
de belos homens nus, acertando em cheio o gosto popular e obtendo
o reconhecimento da crítica internacional. De lá
para cá, o nu masculino não causou mais grandes
polêmicas nos países desenvolvidos.
Foram necessários séculos de evolução
e pelo menos cem anos de fotografias para que o nu masculino
voltasse a ser encarado como belo e natural nas artes visuais.
Fica a pergunta: será um reconhecimento permanente ou
mais uma vez o homem tentará cobrir aquilo que teme admirar?
Charles Narloch, artista plástico
Um mito de olhos azuis
Obras protagonizadas
pelo consagrado ator Paul Newman disponíveis em DVD e
vídeo
Luiz Carlos Merten
Agência Estado
São Paulo - Ele já foi considerado um dos homens
mais bonitos do mundo, mas aqueles olhos azuis, que catapultaram
sua carreira no cinema, também foram entraves nos primeiros
tempos. Os produtores achavam que Paul Newman não cabia
nos papéis viris e tentavam colocá-lo em comédias
românticas inócuas ou dramas religiosos. Ele sobreviveu.
Criou a fama de ser um dos maiores rebeldes da tela e chegou,
em janeiro,
aos 76 anos, consagrado como mito. Diferentes épocas de
sua carreira podem ser conferidas nas locadoras, por meio de
lançamentos de DVD e vídeo.
O primeiro a chegar, há alguns meses, foi o DVD de "Gata
em Teto de Zinco Quente", que Richard Brooks adaptou de
Tennessee Williams, de certa forma edulcorando a densidade mais
trágica do texto do dramaturgo - a história de
um machão emasculado e a mulher insatisfeita que não
desiste dele - sem deixar de ter feito, por isso, um filme com
aura de clássico, no qual Newman e a jovem Elizabeth Taylor
são esplendorosos. Há mais dois DVDs que chegaram
às lojas: o de "Rebeldia Indomável",
de Stuart Rosenberg, e o de "Ausência de Malícia"
de Sydney Pollack. E há também, em vídeo,
a comédia "Cadê a Grana?", de Marek Kanievsk.
Um filme dos anos 50, outro dos 60, o terceiro dos 80, e o mais
recente já dos anos 2000. O tempo passa, e a fera permanece
indomável.
Newman é o último de uma série de rebeldes
que irrompeu nas telas nos anos 50. Os críticos gostam
de dizer que James Dean e ele, e não o rock, foram as
primeiras encarnações de rebeldia na era da cultura
industrializada. Dean roubou de Newman o papel de "Vidas
Amargas", que Elia Kazan realizou, mas ele se vingou quando
substituiu o astro de "Juventude Transviada" (o cult
de Nicholas Ray) no papel de Rocky Graziano em "Marcado
pela Sarjeta", que Robert Wise havia planejado especialmente
para o outro. Newman e Dean compartilhavam o gosto pela velocidade,
e esse atingiu outro rebelde que veio depois deles, Steve McQueen.
A sombra de Marlon Brando, o ícone supremo que talvez
fosse quem mais o incomodasse, não preocupa mais: Brando
engordou e sumiu, fazendo raros filmes que ultimamente são
sempre dispensáveis.
Dean morreu nas ferragens do seu Porsche envenenado, McQueen,
sempre associado a motos e carros, morreu aos 50 anos, em 1980,
de câncer. Newman continuou correndo (e até participou
das 24 Horas de Le Mans). Virou empresário. Possui uma
equipe na Fórmula Indy e uma fábrica de molhos
que já rendeu US$ 100 milhões, integralmente doados
por ele a instituições de caridade. Só um
cara muito macho abriria mão de tanto dinheiro sem pestanejar.
Até por isso, ele chega quase aos 80 anos como eterno
rebelde.
Recorde
Foi indicado oito vezes para o Oscar. A primeira, por "Gata
em Teto de Zinco Quente"; a mais recente, por "O Indomável",
em 1995, quando completava 70 anos. Tem gente que jura que até
hoje uma das grandes injustiças da Academia de Hollywood
foi não ter dado a Newman o Oscar de melhor ator por "Desafio
à Corrupção", de Robert Rossen, em
1961. A academia pelo menos se redimiu: quando Newman voltou
à pele do personagem Eddie Felson (em "A Cor do Dinheiro",
de Martin Scorsese, em 1986), ganhou finalmente sua estatueta
dourada. Um ano antes, havia recebido outra, especial, por sua
carreira, mas a de "A Cor do Dinheiro" é a que
vale em seu currículo.
Outsiders, perdedores, carreiristas. Foram personagens assim
que forjaram seu mito. Foi escravo, boxeador, caubói,
lutador, corredor, detetive, tira, espião, presidiário,
músico. E criou imagens muitas vezes definitivas de personagens
históricos: o citado Rocky Graziano, Billy the Kid (em
"Um de Nós Morrerá", de Arthur Penn),
Butch Cassidy (no cult de George Roy Hill), Roy Bean (em "Roy
Bean, o Homem da Lei", de John Huston), Búfalo Bill
(em "West Selvagem", de Robert Altman). Tinha 42 anos
quando fez o Luke de "Rebeldia Indomável" que,
no filme, tem 30 e poucos anos. Luke é o típico
rebelde sem causa de Newman. Rebenta parquímetros num
estacionamento. Vai parar na cadeia e enfrenta tudo e todos.
Por que mesmo? Porque nos conteadores anos 60, Hollywood adorava
celebrar personagens à margem, desde que fossem tão
sedutores quanto Newman.
O DVD de "Rebeldia Indomável" não tem
muitos extras. Tem trailer de cinema e as tradicionais seleções
de cenas e escolha de idiomas. Só. Mas quem redigiu o
texto da capa revela um conhecimento apreciável da obra
do ator. Luke é definido como Eddie Felson ("The
Hustler") sem sabor de vitória, Harper sem uma missão
moral, e Hud sem seu pai para desafiá-lo. Harper e Hud
são personagens famosos de Newman e o primeiro não
é outro senão o detetive Lew Archer, criado pelo
escritor Ross McDonald.
"Rebeldia Indomável" tem direção
de Stuart Rosenberg, que formatou vários filmes para o
carisma e o estilo de Newman, neste aqui e também em "Brubaker",
investindo contra o sistema penitenciário americano, tão
ou mais sórdido quanto o brasileiro. No segundo, coube
a Robert Redford retomar o personagem newmaniano, sendo bom lembrar
que Redford foi parceiro de Newman nas rebeldias consagradas
de "Butch Cassidy" e "Golpe de Mestre", dois
belos filmes de George Roy Hill. "Ausência de Malícia"
é de 1967. É um filme de Sydney Pollack, que usa
a fórmula do thriller para tecer uma consistente reflexão
sobre a ética profissional e o confronto entre os limites
dos direitos da sociedade e os do indivíduo.
É a história de um homem honesto cujo pai esteve
envolvido com o submundo. Um dia, ele acorda e descobre que virou
manchete de primeira página, suspeito no desaparecimento
de um líder sindical. Quem lhe garantiu a indesejada projeção
foi a ambiciosa repórter Sally Field, que se deixou manipular
por um policial que também age movido por seu interesse
no caso. E agora o honesto Newman vai ter de jogar sujo para
reverter a trama montada contra ele. Apesar de alguns personagens
que parecem demasiado providenciais - o alto funcionário
da Justiça que intervém no desfecho -, é
um dos bons trabalhos do diretor, que vai além do mero
suspense para dizer duas ou três coisas válidas
sobre um homem em luta contra uma instituição poderosa,
para provar sua dignidade.
Um personagem sob medida para Newman, como o de "Cadê
a Grana?", no qual ele faz presidiário que tem um
ataque do coração e vai parar no hospital, onde
a enfermeira Linda Fiorentino desconfia que se trata de um golpe
do criminoso veterano (e simpático) para fugir. "Cadê
a Grana?" tem direção de Marek Kanievsk e,
embora um tanto previsível, não deixa de ser divertido.
Só cabe ressaltar que o brilho do astro às vezes
ofusca outra faceta do seu talento, a de realizador, que ofereceu
à sua mulher, Joanne Woodward, grandes papéis em
"Rachel, Rachel", "O Preço da Solidão"
e "À Margem da Vida". São filmes intimistas,
pessimistas e centrados em personagens femininas cujo drama (ou
neurose) o rebelde se esforça para tornar convincente.
Atriz e diretora
teatral, sempre incansável, marca o seu nome no cinema
catarinense
Regis Mallmann
Florianópolis - Ativista do teatro e defensora incansável
de uma dramaturgia com feitio catarinense, Carmen Fossari salta
dos palcos para a tela do cinema com participação
em dois filmes lançados esta semana no Estado. Ela pode
ser vista em "Ilha", curta-metragem de Zeca Pires que
está em cartaz na sala do Clube de Cinema Nossa Senhora
do Desterro, e no média-metragem "Alma Açoriana",
de Penna Filho, ainda sem data para entrar em exibição.
São duas produções que lançam olhar
sobre Santa Catarina sob a ótica característica
de cada um dos diretores, fator que motivou essa "rata"
de palco a se aventurar num universo onde o suporte usado para
contar histórias é bem diferente do teatro.
Com participação em "Ilha" limitada a
uma ponta onde interpreta uma cômica enfermeira, e uma
atuação expressiva no filme de Penna Filho, no
qual é a personagem que faz a costura e a ponte para a
participação dos personagens reais, que dão
o tom documental ao filme, Carmen se mostra gratificada com essas
experiências. Não são incursões inéditas,
já que carrega no currículo também o primeiro
lugar no Festival Nacional de Vídeo, realizado em Gravatal
em 1987, pelo roteiro de "Vida de Circo", dirigido
por Ronaldo dos Anjos, e participações no curta-metragem
"Alva Paixão", dirigido por Maria Emilia Azevedo
em 1995, e em vídeos experimentais do curso de jornalismo
da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), atividades
que confirmam uma diversidade que vem desde a juventude, quando
começou a militar nas artes cênicas.
Aos 47 anos, Carmen já é uma decana do teatro,
tendo dirigido mais de 60 peças ao longo de 32 anos de
carreira. Mente aberta, como convém a quem lidera a aventura
de contar histórias, que são, na verdade, as narrativas
humanas, demonstra uma tesão invejável para quem
vem enfrentando as dificuldades de se fazer arte em Santa Catarina.
Reclama, mas não fica esperando respostas, vai à
luta. Foi assim na década de 1980 nas primeiras batalhas
pelo restabelecimento do teatro da União Brasileira Recreativa
Operária (Ubro), empreendimento reaberto esta semana,
e também na conquista do teatro da Igrejinha da Universidade
Federal de Santa Catarina (UFSC), onde mantém até
hoje o quartel general do grupo Pesquisa Teatro Novo, que encabeça
e faz ser um dos mais ativos do Estado.
No momento em que leva sua experiência teatral para a tela
de cinema, faz considerações sobre as duas formas
de expressão. "Apesar de ser uma arte jovem, com
mais de cem anos, o cinema bebeu na fonte do teatro, qué
é a representação da vida", considera
a diretora, apesar de achar difícil conseguir transmitir
numa filmagem o mesmo - ou pelo menos, da mesma maneira - que
se interpreta num palco. "São formas diferentes,
espaços e técnicas que mudam", afirma, o que,
segundo ela, é o maior desafio quando um interage com
o outro.
Sentindo-se uma espécie de mãe do teatro da Igrejinha
da UFSC, Carmen não poupa críticas e reclama uma
atenção maior ao espaço, onde a última
reforma data de 1979. "Tenho isso aqui como um filho",
exagera ao elencar problemas. "Precisa de nova mesa de luz,
novas poltronas e ampliação da platéia.
Precisa também uma reforma na parte externa", diz.
Nos palcos, anuncia para este ano, a peça "O Santo
Mágico", adaptação de história
de Harry Laus sobre um padre que queria ser bailarina. Como se
vê, a escolha aponta para o constante interesse em valorizar
nomes catarinenses e ao mesmo tempo manter o foco de sua dramaturgia
apontado para temas diferentes, as vezes até polêmicos.
Gugue mostra 14
telas com grafismos
Joinville - Os "Desenhos Apoéticos" de Gustavo
(Gugue) Meneghim podem ser vistos até 1º de dezembro,
no Café EnCena Bar, Choperia e Restaurante, em Joinville.
Localizado na rua General Sampaio, 63, o espaço sedia
a mostra formada por 14 obras, compostas por 33 grafismos feitos
em papel de embrulho, sulfite e tela.
Com acabamento fora do tradicional, Gugue aproveita dos grafismos
feitos com a caneta, pincel e dos produzidos pela própria
mão no papel para obter o efeito de rasgar. Aberta ao
público a partir das 19 horas, a exposição
é a primeira do jovem que estuda artes plásticas
da Universidade do Estado de Santa Catarina (UFSC), na Capital.