Joinville
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Terça-feira, 09 de Outubro de 2001
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Santa Catarina - Brasil
ANotícia
ENTUSIASMO Coreógrafo do Teatro Guaíra, Jair Moraes,
ensaia as turmas da Casa da Cultura e considera a experiência
extraordinária Fotos: Pena
Filho
Novo desafio
de Jair Moraes
Em Joinville, o
bailarino e coreógrafo ensaia "O Quebra Nozes"
com a Escola Municipal de Ballet
Marlise Groth
O
clima de Natal já movimenta a Casa da Cultura Fausto Rocha
Júnior, em Joinville. Sob coordenação do
bailarino e coreógrafo Jair Moraes, os 200 alunos da Escola
Municipal de Ballet, ensaiam, desde a segunda quinzena de setembro,
uma adaptação do balé "O Quebra Nozes".
Filantrópico, o espetáculo está previsto
para os dias 17 e 18 de dezembro, seguido de uma noite de Dança
Livre, no dia 19, que envolve modalidades como o sapateado, o
contemporâneo, o jazz, a dança folclórica
entre outras. A apresentação especial do balé
que será realizada no Teatro Juarez Machado, deve ser
constituída pelo primeiro e segundo ato de "O Quebra
Nozes", algo que, segundo a diretora da escola, Flávia
Vargas, é inédito no País.
Para o coreógrafo do Teatro Guaíra, de Curitiba
(PR), que aceitou o desafio de ensaiar as turmas da Casa da Cultura,
a experiência está sendo extraordinária.
"Na verdade é uma loucura, estou arrancando os meus
cabelos mas acredito num bom resultado", declara. O desafio
de Moraes que anos atrás realizou atividades na Escola
não se restringe a ensaiar as turmas, mas adaptar o original
à realidade encontrada em Joinville. Para se ter uma idéia
da dimensão do projeto, a faixa etária dos alunos
varia entre 3 e 20 anos e que algumas crianças têm
menos de seis meses de aula de balé.
"Em Joinville é tudo feito em cima da hora, até
os bailados para o Festival de Dança começam a
ser ensaiados um mês antes das apresentações.
Mesmo assim eu não podia deixar essa oportunidade passar.
O que estamos fazendo é plantar uma semente do 'Quebra
Nozes', algo que crescerá a longo prazo", espera.
Com o apoio dos pais e dos alunos, Moraes pretende reunir as
200 crianças nos finais de semana e feriados. "É
preciso mais do que boa vontade. Percebo as crianças um
pouco nervosas mas temos um bom material humano a ser trabalhado",
resume.
Segundo a diretora da escola, Flávia Vargas, somente 10%
dos alunos da Escola Municipal de Ballet pagam a mensalidade
de R$ 30,00. "A renda não cobre as despesas. Vamos
buscar o auxílio da comunidade para montar o espetáculo",
adianta, lembrando que só em figurinos serão investidos
cerca de R$ 40 mil. Antes disso, a diretora também corre
atrás de patrocinadores que custeiem o transporte das
crianças para os ensaios que acontecem fora de horário
e aos finais de semana. "Algumas famílias são
muito carentes e uma passagem a mais pesa bastante no orçamento
ao final do mês", conta. Um dos pontos positivos do
projeto, na opinião de Flávia, foi a disponibilidade
dos pais que se propuseram a cooperar em forma de voluntariado.
"Alguns se comprometeram em pintar os cenários, outros
a limpar o palco, outros a cuidar da bilheteria e assim por diante",
declara.
Do ponto de vista da diretora, os professores são os maiores
beneficiados com a vinda do coreógrafo à Joinville.
"O convívio com ele não tem preço",
afirma. Uma das dificuldades da Escola Municipal de Ballet é
encontrar um pianista com experiência em músicas
de balé. "A partir de novembro estaremos recebendo
currículos de profissionais em várias modalidades
de dança e esperamos também receber o de algum
pianista experiente", fala, observando que sua luta é
pela representatividade e qualidade da escola, bem como pelo
reconhecimento junto ao Ministério da Educação.
A Escola Municipal de Ballet funciona anexa à Casa da
Cultura Fausto Rocha Júnior. Informações
podem ser obtidas pelo (47) 433-2266.
No
palco, a história
da jovem menina Clara
"A Paixão Que Vem da Dança", reportagem
apresentada por Roberta Bittencourt dos Santos como projeto de
conclusão no curso de jornalismo da Universidade do Vale
do Itajaí (Univali), no primeiro semestre deste ano, dá
luzes sobre os conceitos na dança. "O balé
clássico é uma dança que se diferencia muito
das outras. Há certos balés famosos que contam
uma história e são normalmente compostos por cenas
curtas, denominadas "actos", com intervalos entre elas",
situa a autora do trabalho.
Conhecer parte dessas histórias ou entender do que tratam,
fazem com que o espetáculo não fique monótono,
uma vez que "cada gesto do corpo quer dizer alguma coisa,
juntamente com a expressão do rosto que pode indicar desespero,
medo, solidão, alegria, compromisso ou súplica".
Para Roberta, o balé é uma espécie de teatro
mudo dançado.
O enredo do "Quebra Nozes", por exemplo, conta a história
de uma jovem menina chamada Clara que, na noite de Natal, ganha
um boneco quebra-nozes. "Depois da festa, ela desce as escadas,
adormece e sonha que ratazanas e ratos gigantes lutam com o seu
boneco novo. Clara salva-o e ele transforma-se num príncipe."
Como num conto de fadas, o boneco leva a menina para uma viagem
mágica para a terra da neve e o reino dos doces. "Clara
assiste a um divertissement de doces dançantes e um pas-de-deux
de Fada Doce e do Príncipe Quebra Nozes." Quando
acorda, está novamente em casa.
Segundo Roberta, alguns balés utilizam a coreografia original
mas cenários e figurinos completamente novos. "O
coreógrafo tem a liberdade de atualizar os balés
tradicionais com coreografia moderna e contemporânea",
comenta. Para quem não sabe, divertissement são
danças curtas num bailado. Não contam histórias
mas são exemplos de virtuosidade. Pas-de-deux é
uma dança para duas pessoas. Esses e outros termos do
balé também fazem parte do trabalho da jornalista
que, por intermédio de um pequeno glossário, procurou
tornar o universo da dança acessível ao leitor.
(MG)
Joinville tem agenda
cultural de peso
Juca Chaves e grupo
Anagajanfá fazem shows, e livro oficial dos 150 anos da
cidade é lançado
Joinville - Terça-feira movimentada na área
cultural, em Joinville. A programação inicia às
11 horas, com lançamento do livro oficial do sesquicentenário
da cidade - "Joinville 150 Anos" -, organizado pelo
historiador Apolinário Ternes e publicado pela Letradágua
Editora, no Arquivo Histórico da cidade, e prossegue à
noite, com apresentação gratuita dos instrumentistas
do grupo Anagajanfá, às 20 horas, no anfiteatro
da Universidade de Joinville (Univille). Às 21 horas,
é a vez de Juca Chaves encher de riso o recém-inaugurado
Teatro Juarez Machado, anexo ao Centreventos Cau Hansen, com
o espetáculo "Juca, O Iluminado".
Vendidos ao preço de R$ 30,00, os ingressos ao show do
humorista podem ser adquiridos na bilheteria do centreventos,
das 10 às 20h30 horas. Carioca, Juca Chaves se tornou
célebre por suas modinhas irreverentes, seus discos de
piadas e postura debochada nas apresentações. Foi
um dos primeiros defensores do disco numerado. Munido apenas
com seu violão, microfone e poucas luzes, Juca entra no
palco com os pés descalços e promove nova elegia
à música e à sátira, intercalando
canções de refinado humor a observações
e comentários mordazes a respeito da política,
da economia e da cultura nacionais.
Maldito para uns, irreverente para outros, Jurandir "Juca"
Chaves é considerado o Menestrel do Brasil e já
foi chamado de patinho feio da MPB por Vinícius de Moraes.
Em sua carreira de 42 anos, o cantor, compositor e humorista
coleciona sucessos, polêmicas e gargalhadas, colhendo não
só elogios - como os do cineasta Vittorio de Sica -, mas
também revezes: é talvez a vítima recorde
da censura, com mais de 70 músicas vetadas e, graças
à língua incontrolável, foi convidado a
se retirar de Portugal, onde vivia à época da ditadura
militar.
Com início às 20 horas, e entrada franca, o espetáculo
do grupo Anagajanfá, que será apresentado na Univille,
conta com programa de músicas próprias além
de composições de Hermeto Paschoal e Egberto Gismonti.
A promoção é da Universidade do Estado de
Santa Catarina (Udesc-Joinville), através do projeto Comunidade
na Escola.
Obra resgata tradições
populares do itajaiense
Joinville - Dentro da programação da 15ª
Marejada, o Museu Histórico de Itajaí abre suas
portas, às 17 horas de hoje, para promover o relançamento
do livro "Festas e Tradições Populares de
Itajaí", do historiador Edison d'Ávila e da
artista plástica Márcia d'Ávila. A segunda
edição, revista e ampliada, objetiva disseminar
a importância de se fazerem conhecidas as festas e tradições
dos itajaienses.
Lançado em primeira edição em 1994, o livro
logo se esgotou, tendo em vista o grande interesse despertado
entre estudantes, professores e pesquisadores da cultura popular
da região. Segundo o poeta e historiador Rogério
Marcos Lenzi, editor do livro e responsável pela apresentação
dessa segunda edição, "a oralidade faz flutuar
um saber heterogêneo: sobre o mesmo tema, muitas falas
erguem-se da coletividade. Eis um trabalho que se compila. O
tempo transitório permanece, didaticamente, nos textos
históricos de Edison d'Ávila e nas pinturas de
Márcia d'Ávila: a memória sobrevive à
cidade e aos dias. Trabalho louvável em reunir duas artes,
a de escrever e a de pintar".
O livro pretende ser disponibilizado a todas as escolas de Itajaí,
bibliotecas e centros de estudo. O patrocínio é
da Fundação Genésio Miranda Lins, mantenedora
do Museu Histórico e Arquivo Público de Itajaí,
e da Secretaria Municipal de Educação de Itajaí.
Durante o relançamento do livro no Museu Histórico,
também estará sendo aberta a instalação
Brincadeira de Boi, uma mostra sobre o boi-de-mamão, uma
das mais conhecidas tradições folclóricas
de Itajaí. A exposição reúne figuras
criadas pelo artista popular itajaiense Antônio João
Maestri.
"Festase Tradições Populares de Itajaí",
de Edison d'Ávila e da artista plástica Márcia
d'Ávila, Editora Fundação Genésio
Miranda Lins, 64 páginas, R$ 6,00.
Semana visa a
discutir o ensino da arte
Lages - Um evento para discutir os rumos do ensino das artes
e refletir sobre questões estéticas e educacionais
movimenta a Universidade do Planalto Catarinense (Uniplac). Uma
programação especial oferece conferências,
oficinas e mostra temática. A Semana de Artes da Uniplac,
que começou ontem, numa promoção do curso
de educação artística/artes plásticas
da Universidade do Planalto Catarinense, estende-se até
amanhã.
Hoje o programa prevê, a partir das 19h30, uma apresentação
da Orquestra de Câmara Uniplac e a conferência da
professora Analice Dutra Pillar, com o tema "Da Sedução
ao Sentimento da Imagem: A Televisão e a Arte na Educação".
Amanhã, no mesmo horário, a professora Regina Melin
abordará o tema "Rumos da Arte no Século 21"
e, às 21 horas, acontece concerto didático, sob
a regência do professor Frank Mathias Otto Gragff, da Orquestra
da Universidade Regional de Blumenau (Furb). Graff apresentará
o tema "Do Conjunto Musical à Orquestra".
As oficinas acontecem hoje e amanhã, no Laboratório
de Educação Artística. As aulas estão
voltadas a acadêmicos e professores, profissionais das
escolas da rede pública e particular e demais interessados
na temática do evento.
Paralelamente à semana, acontece no salão de atos
a exposição do Serviço Social do Comércio
(Sesc) Semana 22 e o Modernismo Brasileiro, com mais de 50 obras
de consagrados nomes das artes plásticas.
Certificados oportunizam
busca por patrocínio
Florianópolis - A Secretaria de Estado de Governo e
a Fundação Catarinense de Cultura (FCC) entregam
hoje, às 16 horas, os certificados que dão direito
aos proponentes dos 85 projetos culturais de captarem recursos
junto aos patrocinadores. A solenidade será no Palácio
Santa Catarina, em Florianópolis.
O Conselho Estadual de Cultura, órgão responsável
por analisar as propostas, examinou, de marçou a setembro
deste ano, 435 projetos. No ano passado, foram apresentados 226
projetos e aprovados 46, sendo 27 na Lei do Mecenato e 19 no
Fundo Estadual de Incentivo à Cultura (Feic).
De posse dos certificados, os produtores culturais podem, agora,
iniciar o processo de patrocínio para seus projetos. Dos
85 projetos, 50 foram atendidos pelo mecenato, lei que atende
a pessoas físicas ou jurídicas de direito privado,
e 35 pelo Fundo Estadual de incentivo à Cultura, destinado
a órgãos públicos de cultura das cidades.
Municípios
Desse número total, 32 são de Florianópolis;
12 de Blumenau; seis de Joinville; três de Pomerode e Itajaí
cada; e Jaraguá do Sul, Irani, Seara, Urussanga, Criciúma
e Rio do Sul com dois cada. Cada um dos seguintes municípios
ganhará um certificado: Nova Veneza, Caçador, Imbituba,
Concórdia, São Joaquim, Lages, Garopaba, São
Francisco do Sul, São José, Barra Velha, Salete,
Sombrio, São José do Cedro, Corupá, Anitápolis,
Timbó e Nova Erechim.
A área de música, com 22 projetos, foi a mais contemplada,
seguinda pelas artes cênicas (16), patrimônio (11),
artes plásticas (dez), letras (nove), folclore (quatro),
audiovisual (dois), biblioteca, museu de artes integradas (um).
Artigos retratam
município de corpo inteiro
A solenidade de lançamento de "Joinville 150 Anos"
será realizada no Arquivo Histórico com a presença
de autoridades e convidados. A obra tem 150 páginas e
reúne artigos elaborados por 15 joinvilenses de setores
específicos, selecionados para dar um retrato de "corpo
inteiro" sobre o município. Além dos artigos,
o livro também apresenta dados socieconômicos de
Joinville. Para o editor Joel Gehlen, "esta é uma
obra que ficará como marco das festividades que envolveram
o município em seus 150 anos". O projeto gráfico
do livro é de Cristiano Alves. A tiragem inicial é
de mil exemplares.
O QUÊ: Lançamento de Joinville 150 Anos.
QUANDO: Hoje, às 11h. ONDE: Arquivo Histórico
de Joinville, av. Hermann Lepper, 650 (Beira-rio), bairro Saguaçu,
Joinville, tel.: (47) 422-2154. QUANTO: R$ 50,00.
O QUÊ: Apresentação do grupo instrumental
Anagajanfá, promoção do Comunidade na Udesc.
QUANDO: Hoje, às 20h. ONDE: Anfiteatro da
Univille, campus Universitário Avelino Marcante, s/nº,
bairro Bom Retiro, Joinville, tel.: (47) 461-9000. QUANTO:
Gratuito.
O QUÊ: Show Juca, O Iluminado. QUANDO:
Hoje, às 21h. ONDE: Anexo ao Centreventos Cau Hansen,
av. José Vieira (Beira-rio), 315, Joinville, tel.: (47)
433-2190 (FCJ, pela manhã). QUANTO: R$ 30,00.
Ao lado de um catarinense,
o contratenor Luiz Alves da Silva, integrantes divulgam pérolas
da música barroca
Videira - A música barroca de Sigismund von Neukomm
(1778-1858) será apresentada na noite de hoje pelo grupo
suíço Ensemble Turicum, na Igreja Matriz de Videira.
Os estreitos laços com o grupo se justificam pelo fato
de que um de seus fundadores, o contratenor Luiz Alves da Silva
é natural da cidade, onde iniciou sua carreira musical.
O Ensemble Turicum, que se apresenta pela sétima na cidade,
percorre o mundo divulgando a música barroca, além
de difundir obras de compositores brasileiros do Século
18. Criado em 1990, é composto por seis músicos
que reúnem em seus currículos experiências
acumuladas ao longo dos anos, em diferentes conjuntos de atuação
internacional, como o La Folia, de Madri e o Clemencic Consort,
de Viena.
O concerto "Um Austríaco Carioca" e a "Música
na Corte de D. João 6º", mostrarão um
pouco do que foi apresentado recentemente numa turnê pela
Alemanha, com o programa "Lamentações de Jeremias",
composto por músicas de Antônio Vivaldi e que relembrou
seus 250 anos de morte. O grupo, já gravou quatro CDs,
dos quais três enfocam especificamente a música
barroca brasileira.
O primeiro trabalho é de 1995. "Stabat Mater"
traz a música de Giovanni Brunetti (1706-1787), com Luiz
Alves da Silva e a soprano romena Elena Mosuc. Da série,
o CD "Música Sacra Brasileira do Século 18",
lançado em dois volumes, traz composições
de Luis Álvares Pinto (1719-1789), Marcos Coelho Neto
(1750-1823), José Maurício Nunes Garcia (1767-1830)
e Manoel Dias de Oliveira (1738-1813).
Para as gravações, o grupo pesquisou a fundo a
música contemporânea, vasculhando igrejas atrás
de obras que se perderam no tempo. "O trabalho foi intenso,
mas descobrimos uma musicalidade impressionante escondida nos
templos. Essas músicas foram resgatadas e hoje repassamos
a sua beleza para todo o mundo", destaca o contratenor.
A primeira apresentação do Ensemble Turicum no
Brasil aconteceu em 1997, em cinco grandes capitais e Videira.
Depois deste primeiro contato, foi efetivado um programa de intercâmbio
musical que já levou diversos brasileiros para a Suíça,
onde recebem aprimoramento. Além disso, o grupo é
responsável pelo repasse de instrumentos musicais para
bandas videirenses.
Talento com
reconhecimento internacional
O valor da música barroca brasileira fica claro diante
do Ensemble Turicum na conceituada sala Brahms da Musikverein,
de Viena. O mesmo repertório foi apresentado no Petit
Palais, de Paris, durante exposição sobre o barroco
brasileiro, que aconteceu naquele museu.
O concerto de hoje tem dez músicas no repertório.
Ele abre com a primeira versão do "Salmo 93",
de Sigismund von Neukomm e passa por "Quinteto em Dó
Menor" (Adágio-allegro agitato), "Addio"
e "Lição para Matinas de Quinta-feira Santa",
de Hosé Joaquim Emérico Lobo de Mesquita (1947-1805).
A música "Addio", foi composta por Von Neukomm
em 14 de abril de 1821, quando ele deixava o Brasil, para retornar
a Europa, depois de uma intensa temporada pelo País. Surgiu
ao mesmo tempo em que seu navio se afastava da baía do
Rio do Janeiro, a bordo do navio Mathilde.
O grupo é integrado pelo contratenor Luiz Alves da Silva;
Mathias Weibel, Violino; Daniel Künkler, violino; Renate
Steinmann, viola; os violoncelista Gerlinde Singer e Kaspar Glättli.
SERVIÇO
O QUÊ: Concerto Um Austríaco Carioca.
QUANDO: Hoje, às 20h. ONDE: Igreja Matriz,
rua Padre Anchieta, s/nº, Videira, tel.: (49) 566-0270.
QUANTO: Gratuito.
Um Mad Max sem causa
Produção
mostra que velocidade é algo masculino, e fêmeas
não passam de objetos
Lola Aronovich
Especial para o Anexo
Joinville - Fui ver "Velozes e Furiosos" porque
a outra opção era um infantil que destilava ódio
pelos gatos e estou fazendo o possível e o impossível
para manter minha cota de ir ao cinema uma vez por semana. Tá,
a parte do velozes eu entendi; a do furiosos, não. Por
que cargas d'água os adolescentes estão tão
brabinhos? E por que eles têm de descontar tudo na gente,
fazendo esses filmes juvenis?
"Velocípede" nem é tão ruim. Segundo
o maridão, trata-se de um Mad Max sem causa. Ele amou
a aventura, lembrou-se dos seus tempos de assistir racha na universidade,
ficou todo nostálgico, enquanto eu olhava pra ele, incrédula.
Tento compreender seu ponto de vista e relevar um eventual déficit
mental - velocidade é algo essencialmente masculino, eu
sei. Nós, mulheres, podemos até ter inveja do pênis,
que é mesmo um órgão digno de louvor, mas
pelo menos não inventamos tantos símbolos fálicos
pra ele. Os homens sabem disso e, em "Ferozes", as
fêmeas não passam de objetos sexuais e troféus.
Quem ganha leva.
"Vorazes" mais parece um videoclipe, um longo trailer
cheio de som e fúria, significando nada. A trama já
foi melhor contada em, por exemplo, "Caçadores de
Emoção", onde o detetive Keanu Reeves fingia
ser surfista pra prender o ladrão de bancos parafinado
Patrick Swayze. É a mesma coisa, só muda o cenário.
Ao invés de pranchas de surfe, carrões envenenados.
O policial infiltrado acaba se identificando com a galera. No
fundo, é tudo uma desculpa para manobras radicais e closes
de pneus fritando no asfalto. É uma corrida de automóveis
travestida de filme, com a desvantagem de não podermos
torcer pelo Schumacher.
Há baldes de defeitos. Sabe aquele filme pornô que
começa direto nos finalmentes, sem o menor envolvimento?
"VF" é assim. De cara, sem preliminares, surge
uma perseguição automobilística. E tem um
zé mané que, por qualquer motivo mal explicado,
desaparece na metade do filme. Ele volta no final, só
para receber um tiro e bater as botinhas. Adivinha quem são
os vilões? Os orientais, claro, que americano é
sempre vítima.
A respeito dos atores, pode-se afirmar que os dublês são
ótimos. Que tipo de cinema acéfalo é este
em que os dublês são decididamente mais importantes
que os intérpretes? A Jordana Brewster, cujo único
mérito é ser brasileira, é até bonitinha,
mas não deu pra avaliar seus dotes de atriz. Sua participação
na história se restringe a gritar "Não, Dom,
não!" Há uma outra latina no elenco, uma perfeita
desconhecida, e seu nome aparece antes do da Jordana nos créditos.
A gente aprende muito assistindo "Velados e Curiosos".
Uma das lições imprescindíveis é
que racha não mata. Capotar 25 vezes sem usar cinto de
segurança talvez cause alguns arranhões, nada que
não desapareça até a próxima tomada.
Bater correndo a quase 300 km por hora pode até danificar
o carro, nunca o motorista. Morte mesmo, aqui, só com
revólver. Disparado por orientais, aqueles maus perdedores.
É possível que algum americano num caminhão
descarregue armas em cima de nossos heróis, mas não
vemos seu rosto. Vai ver o caminhoneiro também é
japonês.
"Varizes e Furúnculos" não é exatamente
uma boa influência pros adolescentes, que devem sair do
cinema a mil por hora. Logo eles, tão cansados de saber
que velocidade geralmente se confunde com ejaculação
precoce...