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Sexta-feira, 14 de Setembro de 2001
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Santa Catarina - Brasil
ANotícia
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Decisão do
TJ derruba mesa
da Câmara de Criciúma
Desembargadores
entendem que houve desrespeito ao regimento
Gilvan de França
Especial para A Notícia
A
mesa diretora da Câmara de Criciúma foi destituída
por decisão tomada ontem à tarde pelo Tribunal
de Justiça (TJ). Por unanimidade, os três desembargadores
da 6ª Câmara Cível entenderam que a chapa liderada
pelo vereador Antônio Izidório (PPS) não
poderia ter participado da eleição que venceu no
início da legislatura, pois descumpriu o regimento interno,
utilizando documentos falsificados para inscrição.
O TJ apontou que o vereador Acélio Casagrande (PMDB) agiu
corretamente ao impugnar, no dia 1º de janeiro, a chapa
de Izidório, atendendo a requerimento da outra concorrente,
que apontou a falsificação. Com a decisão,
assim que o acórdão for publicado na imprensa oficial,
Casagrande retoma o cargo de presidente e convoca os vereadores
para nova eleição para composição
da mesa diretora, da qual participa apenas a chapa 2.
"Estou com a consciência tranqüila, fui eleito
pela maioria do plenário, não tenho nada a temer.
Vamos aguardar a publicação do acórdão
e estudar com nossos advogados a melhor forma de recorrer da
decisão", disse ontem, no final da tarde, o vereador
Antônio Izidório, se preparando para presidir mais
uma sessão, que ocorreria à noite. Até a
publicação da decisão, o que pode levar
15 dias, Izidório continua ocupando o cargo normalmente.
O vereador Vanderlei Zilli (PMDB) considerou que a decisão
dos desembargadores "foi a mais justa e lógica. Se
a Câmara tem um regimento, é para ser respeitado;
e não houve o consentimento dos integrantes da chapa 1
em participar da eleição, como prevê o regimento
interno". O parlamentar peemedebista não crê
que haverá falta de quórum na sessão em
que se realizará a nova eleição.
Acélio Casagrande conclamou os demais vereadores a buscarem
o entendimento. "Todos fomos eleitos para fazer o máximo
por Criciúma, creio que é unânime a opinião
de que não devemos viver uma eterna disputa judicial.
O clima não pode ser de guerra. Pelo contrário,
o momento é de iniciarmos uma nova fase, e espero calma
e serenidade dos vereadores", enfatizou Casagrande. Ele
comemorou a ratificação de sua decisão inicial
de impugnar a chapa de Izidório por descumprimento do
regimento.
Judiciário discute
efeitos da Lei Fiscal
Florianópolis - Vinte e sete presidentes de Tribunais
de Justiça (TJs) de todo o País iniciaram ontem
o 52º Encontro do Colégio Permanente de Presidentes
de Tribunais, em Florianópolis. Tendo como tema central
os rumos da Justiça no século 21, as discussões
começam efetivamente hoje, com a presença do presidente
do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Paulo Costa Leite,
no Hotel Caldas Imperatriz.
A sessão solene de abertura do evento contou com a presença
dos chefes dos outros dois Poderes, o governador Esperidião
Amin (PPB) e o presidente da Assembléia Legislativa, Onofre
Agostini (PFL), o ministro Hélio Mosimann, além
do procurador-geral de Justiça, José Galvani Alberton,
e representantes das entidades de classe. A tônica dos
discursos, ainda sob o impacto dos atos de terrorismo contra
os Estados Unidos e que mostram a fragilidade da paz mundial,
foi centrada justamente no papel da Justiça e do direito
no combate à exclusão social e no estímulo
à conciliação.
"A maior missão do Poder Judiciário é
trabalhar para a paz. Por isso, precisamos sair dos nossos gabinetes
e ir até às comunidades, trabalhando para pacificar
conflitos e garantir a cidadania", enfatizou o presidente
do TJ catarinense, Francisco Xavier Medeiros Vieira. Já
o governador lembrou a tragédia do Contestado, que matou
milhares de catarinenses e paranaenses no começo do século
20, fruto da exclusão, da falta de presença da
Justiça e de ações mais presentes do governo.
Morosidade
O Colégio de Presidentes de TJs foi criado há
nove anos e, segundo seu atual presidente, José Fernandes
Filho, foi responsável por conquistas que minimizaram
a morosidade e a falta de acesso à Justiça. "A
lei que permitiu a criação dos juizados especiais
saiu do colégio", relembrou.
Na pauta dos debates de hoje, além da troca de experiências
com o relato de projetos que estão sendo desenvolvidos
justamente para tentar cumprir o preceito de universalização
da Justiça, os problemas causados pela Lei de Responsabilidade
Fiscal (LRF) e o projeto de reforma do Judiciário que
tramita no Congresso.
"O que pretendeu a LRF ao tratar de pessoal? Acho que a
restrição de gastos deve se referir ao pessoal
ativo e não inativo. Isso está comprometendo a
prestação de serviços judiciais à
sociedade", assinala o ministro Costa Leite, referindo-se
aos limites de gastos com a folha que têm impedido o preenchimento
das vagas de juízes estaduais.
Além disso, Costa Leite deve detalhar a proposta discutida
na quarta-feira com os presidentes do Senado e da Câmara
dos Deputados, que pretende simplificar os trâmites processuais.
"O nosso processo está cheio de formalismos. A idéia
é fazer com que as causas judiciais tramitem de maneira
mais rápida, que não tenham tantas fases, que o
número de recursos possa ser diminuído. Sem isso,
a reforma do Judiciário fica prejudicada", assinala.
Entenda o caso Os detalhes da polêmica
julgada ontem pelo TJ
O regimento interno da Câmara de Criciúma prevê
que as eleições para escolha da mesa diretora são
feitas entre chapas, que devem se inscrever, no primeiro ano
da legislatura, meia hora antes do início da sessão
prevista para esse fim. Dois tipos de documentos são exigidos
para que a inscrição seja aceita pela secretaria
da Câmara. Um ofício, assinado por um dos vereadores,
apresentando a chapa, e um "consentimento" dos candidatos
para que seus nomes façam parte da chapa, já que
o regimento impede a participação de um mesmo vereador
em mais de uma chapa.
A primeira chapa a se inscrever foi a de Antônio Izidório
(PPS-presidente), Wilson Faraco (PPB-vice-presidente), Pedro
César Faraco (PDT-1º secretário) e Itamar
da Rosa (PPS-2º secretário). O ofício de apresentação,
em nome do vereador Douglas Matos (PC do B) e os quatro "consentimentos"
continham assinaturas que não foram feitas pelos vereadores,
segundo denúncias.
A chapa 2, liderada por Vanderlei Zilli, se registrou normalmente
e na abertura da sessão apresentou pedido de impugnação
da concorrente. O requerimento foi acatado e os 11 vereadores
que apoiavam a chapa 1 se retiraram de plenário, evitando
quórum para votação. A sessão, como
manda o regimento, foi adiada por 24 horas, mas se repetiu a
falta de quórum novamente.
No dia 3 de janeiro, a chapa 1, questionando a autoridade
de Acélio Casagrande para impugnar a inscrição,
conseguiu medida liminar em mandado de segurança, ganhando
direito de participar da sessão, apesar da juíza
que concedeu a medida, Janice Ubialli, constatar que a falsificação
de assinaturas era evidente. A chapa 1 venceu a disputa.
O Ministério Público Estadual solicitou à
Delegacia Regional de Polícia que instaurasse inquérito
policial para apurar os fatos. Os quatro vereadores integrantes
da mesa, mais Douglas Mattos e o assessor parlamentar Luciano
Formighieri, suspeito de ter feito as assinaturas falsas, foram
denunciados pelo MP por falsificação de documentos
públicos e a denúncia foi aceita pelo juiz Paulo
da Silva Filho. Começou o processo criminal. A primeira
audiência está marcada para novembro.
Em 12 de fevereiro, o juiz da Vara dos Feitos da Fazenda da
Comarca de Criciúma, Hélio do Vale Pereira, contrariou
parecer do promotor Henrique Limongi, e ratificou a liminar concedida
e a chapa 1 permaneceu no comando da mesa diretora. A chapa 2
recorreu e a sentença ontem à tarde foi reformada
pelo Tribunal de Justiça.
Mandado não é acatado
em Itajaí
Itajaí - O mandado de segurança requerido pelos
vereadores da oposição contra os atos da mesa diretora
da Câmara de Itajaí foi indeferido pelo juiz Paulo
Sandri. Agora, os vereadores da oposição, segundo
Eliane Rebelo (PMDB), vão aguardar o julgamento do mérito
da questão, o que deverá acontecer em 45 dias,
e depois recorrer ao Tribunal de Justiça.
"O juiz deu o seu parecer e agora vamos ao TJ. Se for preciso,
iremos recorrer até no Superior Tribunal de Justiça",
afirmou a vereadora. O mandado de segurança foi solicitado
para que a oposição pudesse instalar uma Comissão
Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar irregularidades
na compra de equipamentos pelo Porto de Itajaí. O pedido
de instalação de CPI foi rejeitado em duas sessões.
No entanto, os vereadores da oposição, entendem
que bastaria a manifestação de 1/3 (um terço)
dos vereadores para que a CPI fosse criada, sem a necessidade
de votação.
Oposição pede análise
do
MP sobre negócio da Celesc
Florianópolis - As bancadas de oposição
ao governo estadual na Assembléia Legislativa (PMDB/PT/PPS/PDT/)
protocolaram ontem representação no Ministério
Público Estadual pedindo que analise a legalidade das
negociações com ações feitas pela
Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc), que mudaram
a participação da empresa nas Hidrelétricas
de Campos Novos e a Dona Francisca.
"Para entrar no negócio, o governo teve de pedir
autorização do Legislativo, cumprindo o que determina
o parágrafo segundo do artigo 13º da Constituição
Estadual. Mas, o artigo, na nossa interpretação,
vale para qualquer mudança nos contratos", assinalou
o líder da bancada do PMDB na Assembléia, João
Henrique Blasi. A representação é assinada
pelos líderes das outras bancadas Ideli Salvatti (PT),
Jaime Duarte (PPS) e Jaime Mantelli (PDT). A decisão foi
tomada em reunião das lideranças da oposição
convocada por Blasi na quarta-feira à noite.
Quórum
Além disso, segundo Blasi, as oposições
vão levar para a reunião de líderes de bancadas
convocada para a próxima terça-feira, pelo presidente
da Assembléia, Onofre Agostini (PFL), a posição
de não votar matérias de interesse do governo enquanto
os governistas não marcarem presença maciça
em plenário. "Se não houver pelo menos 70%
deles aqui, não votamos. Se o governo não consegue
aglutinar seus aliados aqui, ou é porque as matérias
não são importantes ou porque seus aliados não
estão interessados", alfineta.
Na constante falta de quórum, que tem limitado as três
sessões plenárias semanais a no máximo uma,
a ala governista, à direita no plenário, é
a que mais tem cadeiras vazias. Só como exemplo, há
duas semanas mais de 20 vetos governamentais entram e saem da
ordem do dia sem que sejam apreciadas. Geralmente, um dos governistas
pede a retirada da pauta ou o próprio presidente o faz.
Os líderes da oposição vão marcar
posição ainda quanto aos cancelamentos, mudanças
no horário e suspensões de sessões para
a realização de eventos paralelos no plenário.
"Isso só pode ser feito com a concordância
dos líderes de bancada. Na última vez, na terça-feira,
fomos apenas avisados que a sessão plenária começaria
às 15 horas e não às 16 horas, porque seria
realizada uma palestra às 16h30", relata Blasi. (Mirela
Maria Vieira)
Após demissões, prefeito
corre atrás de recursos
Urubici - Depois de exonerar, na quarta-feira, os secretários
e ocupantes de cargos do primeiro escalão da administração
municipal, o prefeito de Urubici, Luiz Clóvis Rodrigues
Correa (PPB), viajou ontem para Florianópolis em busca
de ajuda. "O prefeito foi à Capital para assinar
um convênio com o Ministério da Ação
Social", esclareceu o vice, Noé da Costa Ribeiro
(PFL). Segundo ele, o convênio prevê o repasse de
verbas federais que auxiliem na reconstrução do
município, castigado neste ano pelas cheias.
De acordo com o vice-prefeito, as três enchentes que atingiram
o município neste ano foram as responsáveis pela
situação precária das contas públicas,
forçando o prefeito a interromper o pagamento dos salários
de todo o primeiro escalão da administração
municipal.
"Gastamos muito para reconstruir pontes, ruas, toda a infra-estrutura
da cidade, que tem grande extensão territorial e topografia
muito acidentada", explicou Ribeiro.
Reduzir gastos
Como a Lei de Responsabilidade Fiscal impede que a administração
pública gaste mais do que arrecada, a solução
foi apertar os cintos e reduzir gastos. Com as exonerações,
a Prefeitura vai economizar cerca de R$ 10 mil por mês.
O total necessário para equilibrar as contas do município
é de aproximadamente R$ 480 mil, informa o vice-prefeito.
"Esse é o valor de que precisamos para atender as
prioridades e zerar nossas contas", sentenciou o vice.
Apesar de não receber, os funcionários atingidos
pelo corte continuam trabalhando normalmente. "Vamos ser
solidários com o prefeito", garantiu o diretor de
Obras de Urubici, Pedrinho Della Giustina.
TCU reduz índices
de correção das obras da penitenciária de
São Pedro de Alcântara e obriga o desconto do valor
já repassado
Brasília - O governo de Santa Catarina está
devolvendo R$ 1,2 milhão referentes a uma reavaliação
dos índices de correção dos valores da obra
de construção do Complexo Penitenciário
da Grande Florianópolis, em São Pedro de Alcântara.
O Tribunal de Contas da União (TCU) reduziu os índices
de correção, o que causou esta defasagem. O dinheiro
está sendo debitado de cada fatura repassada pela União
para o pagamento das despesas à empresa Espaço
Aberto, responsável pela obra. O desconto é de
18,78%.
Até agora, o Estado recebeu cerca de R$ 7,6 milhões,
enquanto que deveria ter recebido R$ 1,2 milhão a menos.
A obra toda está orçada em R$ 14 milhões.
"Há uma defasagem e isto é uma irregularidade",
apontou o deputado federal João Matos (PMDB-SC), que integra
a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara
dos Deputados que investiga obras inacabadas em todo o Brasil
que receberam recursos da União. "O governo está
cumprindo com o que determina o TCU", garantiu o secretário
estadual de Justiça e Cidadania, Paulo Cezar Ramos de
Oliveira.
Mas, esta não é a única restrição
apontada por um relatório do TCU, com informações
do Ministério da Justiça, sobre a nova penitenciária
do Estado. Segundo uma nota técnica do ministério,
incluída no relatório, o andamento da obra é
considerado "muito lento". No conteúdo do documento,
a obra está 35% concluída, entretanto, o secretário
de Justiça afirma que este número está em
40%. "Não houve mais medições após
os relatório", explica o secretário. "A
irregularidade maior está no atraso", dispara João
Matos.
Na última quarta-feira, Paulo Cezar Ramos de Oliveira
depôs na CPI das Obras Inacabadas e garantiu que o governo
do Estado está cumprindo com o que está solicitado
no relatório do TCU. "Não há nem como
contrariar o relatório", diz Paulo Cezar.
Outro documento do Ministério da Justiça, incluído
no relatório do TCU e enviado ao secretário Paulo
Cezar, afirma que "esta obra já pode ser considerada
atrasada, pois a mesma possui um efetivo de funcionários
muito pequeno pelo tamanho das tarefas". Em outro trecho
do documento, o ministério ressalta que "o fato mais
preocupante nesta obra é a lentidão dos trabalhos,
pois é consideravelmente grande e a impressão que
passa é de obra abandonada".
Paulo Cezar assegurou que a secretaria e o governo estão
fazendo todos os esforços e cobrando a empresa Espaço
Aberto para que cumpra com o prazo de conclusão, que termina
em novembro. O TCU já declarou que não fará
mais prorrogações.
O secretário não quer falar sobre a hipótese
de atraso. "Só se trabalha com o problema quando
ele surgir", afirmou ao descartar que o governo esteja gestionando
junto ao TCU uma nova prorrogação. "Há
uma série de fatores climáticos que nos impedem
de antecipar qualquer coisa", salienta.
Caso não haja o cumprimento do prazo, o secretário
garante que a empresa responsável pela obra sofrerá
penalidades. Se a obra não for concluída até
novembro, o governo do Estado terá duas saídas:
ou assegura uma nova prorrogação ou injeta recursos
próprios para a conclusão. "Estamos seguindo
corretamente as determinações do TCU", garante
o secretário, que afirma não saber por que foi
convocado pela CPI.
PMDB 1 - Porto Belo sedia
hoje e amanhã o 1º Congresso Estadual dos Vereadores
do PMDB. A programação será desenvolvida
no Clube Porto das Águas. O partido espera reunir, além
dos quase mil vereadores, parlamentares federais, estaduais,
prefeitos e representantes dos movimentos internos, como a juventude
e o PMDB Mulher. O congresso tem como finalidade homologar a
criação da Associação dos Vereadores
do PMDB em Santa Catarina, administrada atualmente por uma comissão
provisória.
PMDB 2 - Estão
previstas palestras, a eleição e a posse da diretoria
da associação dos vereadores, um almoço
e manifestações de lideranças estaduais.
A promoção é da Fundação Ulysses
Guimarães, em parceria com o diretório estadual.
Segundo o secretário-geral da fundação,
deputado João Henrique Blasi, "a mobilização
e a organização dos vereadores peemedebistas em
torno de uma associação própria, representa
um significativo reforço à capacidade de operação
política do partido".