Joinville
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Quinta-feira, 20 de Setembro de 2001
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Santa Catarina - Brasil
ANotícia
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Após cinco
anos, Estado paga
R$ 3 mi em precatórios
Governo Amin começou
ontem a quitar dívida decorrente de ações
judiciais que chega a R$ 130 milhões
Aline Felkl
O
procurador-geral do Estado, Walter Zigelli, leva uma boa notícia
entre os documentos selecionados para sua participação,
a partir de hoje, na reunião extraordinária do
Colégio Nacional dos Procuradores-gerais, realizada em
Brasília (DF). O principal assunto da pauta, a dificuldade
dos Estados brasileiros em livrar-se dos precatórios (dívidas
decorrentes de ações judiciais), é um problema
que Santa Catarina começa a solucionar. O governo estadual
repassou ontem um total de R$ 3.037.000,00 ao Tribunal de Justiça
(R$ 2,5 milhões), Justiça do Trabalho (R$ 500 mil)
e Justiça Federal (R$ 30,3 mil).
Desta forma, inicia um cronograma de pagamento da pendência
que ultrapassa os R$ 130 milhões e para a qual vão
ser destinados mensalmente pelo menos R$ 2 milhões.
Acerto
O repasse mensal foi acertado no início do ano com
o presidente do Tribunal de Justiça (TJ), Francisco Xavier
Medeiros Vieira, e comunicado ao Supremo Tribunal Federal (STF),
já que Santa Catarina sofria risco iminente de que o Judiciário
executasse os mais de cem pedidos de intervenção
formulados contra o Estado. A prerrogativa constitucional pode
ser aplicada a Estados e municípios que não cumprem
as determinações judiciais para a liquidação
das dívidas.
O governo catarinense não quitava precatórios há
cinco anos e acumulava dívidas de 1996, já que
a ordem de pagamento é cronológica - em primeiro
lugar são zerados os mais antigos.
Zigelli destaca o
cumprimento de prioridade
estabelecida por Amin
Estabelecer o pagamento dos precatórios como a prioridade
do Executivo após o encerramento do débito com
salários atrasados (R$ 307,3 milhões) foi determinação
do governador Esperidião Amin (PPB), que leva em conta
também o rigor da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
"É uma diretriz governamental que se cumpre",
orgulha-se o procurador-geral do Estado, Walter Zigelli.
"Mas isso não afasta as dificuldades para anular
esta dívida", ressalva. O equilíbrio financeiro
da maioria dos Estados está comprometido pelos precatórios
- entre eles São Paulo, cujo débito na casa dos
bilhões será emblemático no encontro em
Brasília.
Por isso, Zigelli fará questão de aproveitar a
estada na capital federal para uma visita ao gabinete do presidente
do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Marco Aurélio
de Mello, para demonstrar o "esforço que o Estado
tem feito para o saneamento das finanças". Será
uma retribuição à audiência que teve
com o Supremo no início do ano, quando anunciou o cronograma
e obteve o adiamento da análise de pedidos de intervenção
no órgão.
Zigelli entrega a Mello ainda cópia do expediente direcionado
ao TJ, comunicando o repasse de R$ 3,037 milhões, superior
à cifra de R$ 2 milhões acordada para a parcela.
Com o repasse de ontem, o Estado zerou todos precatórios
que acumulava na Justiça Federal, quitou as dívidas
de 1996 e parte de 1997 na Justiça trabalhista, e deu
início à redução do débito
no TJ, que supera R$ 100 milhões. A maior fatia dos precatórios
deve-se a débitos alimentares (referentes a ações
de servidores questionando salários, pensões e
outras), e o restante a dívidas patrimoniais (ações
de desapropriação e indenizações
de qualquer natureza).
Dívida ativa
Na reunião do Colégio Nacional dos Procuradores-gerais,
que se estende até amanhã, serão discutidos
ainda os aspectos jurídicos da unificação
das polícias Civil e Militar, e a elaboração
de um estudo para a cobrança da dívida ativa dos
Estados.
Santa Catarina tem quase R$ 2 bilhões a receber, uma receita
que é esperada para a constituição do regime
próprio de previdência. A arrecadação
atual com a cobrança desta dívida gira em R$ 2
milhões.
Judiciário investiga
irregularidades
Florianópolis - O presidente do Tribunal de Justiça
(TJ), Francisco Xavier Medeiros Vieira, nomeou comissão
especial para apurar irregularidades que teriam sido cometidas
entre 1998 e 1999 e são atribuídas ao funcionário
de carreira Adriano Júnior Dias. Analista de sistemas,
Dias teria contribuído para a dispensa errônea do
processo licitatório para o projeto de modernização
dos sistemas administrativos do órgão, elaborado
pela empresa Interconection Ltda. Como coordenador do Centro
de Pesquisa e Aplicação da Informática (CPAI)
à época, uma função de confiança,
Dias teria atestado que a Interconection detinha exclusividade
da tecnologia escolhida para operação no TJ.
O cargo que ocupava o colocava numa posição-chave
para a realização da licitação (que
acabou dispensada) e para a definição do projeto
a partir da assinatura do contrato com a Interconection. O relatório
contendo os detalhes das várias acusações
contra o analista foi publicado no "Diário da Justiça"
do último dia 13, na portaria que determina a instauração
de processo administrativo para apurar sua conduta no caso (nº
404/01).
Lotado na Corregedoria-geral de Justiça, o funcionário
não foi afastado das funções. O servidor
diz ter tomado conhecimento das acusações pelo
"Diário da Justiça". "Foi uma surpresa
muito grande. Sou apenas um funcionário que uma única
vez chegou a um cargo de direção, e as denúncias
são do tipo que acabam com a vida de qualquer um, pelo
menos no campo profissional", comentou ontem.
Adriano Dias vai consultar um advogado e pretende apresentar
sua defesa no momento em que for interpelado pela comissão
especial. "Muita coisa vai se esclarecer, esta é
apenas uma versão e quero elucidar este caso da forma
mais transparente possível", assegura, garantindo
ainda que não houve irregularidades no processo.
O Tribunal não revelou a fonte das denúncias, reveladas
quase dois anos depois que Dias deixou a coordenação
do Centro de Pesquisa e Aplicação da Informática.
(Aline Felkl)
Ciro Gomes descarta aliança
com PMDB e PT em 2002
Canoinhas - Recepcionado com um almoço pelo diretório
do PPS de Canoinhas, o presidenciável Ciro Gomes descartou
qualquer possibilidade de coligação com o PMDB
e o PT na disputa pelo Palácio do Planalto no próximo
ano. O ex-ministro fez uma rápida passagem por Canoinhas
ontem, e não perdeu a oportunidade de criticar o governo
federal.
"O governo neo-liberal de Fernando Henrique Cardoso só
tem prejudicado o País. Prova disso é o crescente
desemprego que estamos vivendo", criticou. Ele disse que
a coligação que pretende lançá-lo
à Presidência da República em 2002 já
está praticamente formada, tendo o PPS como cabeça
de chapa, o PDT e o PTB. "Tentamos uma aproximação
com o PMDB, porém o partido está muito atrelado
ao governo federal e isto inviabilizou o nosso projeto",
disparou.
O ex-ministro também não poupou críticas
ao PT. "O PT acha que não tem defeitos, dizendo que
é superior a todos os demais partidos. Este complexo de
superioridade também é prejudicial para um bom
diálogo", acrescentou.
Após o almoço, que contou com a presença
do ex-prefeito de Canoinhas José João Klempouz
(PMDB) e do prefeito Orlando Kraultler (PFL), Ciro Gomes partiu
para a cidade paranaense de União da Vitória, que
faz divisa com Porto União, onde participou, como palestrante,
do 7º Seminário de Ciências Empresariais da
Faculdade Municipal de Administração e Ciências
Econômicas (Face). O ex-ministro da Fazenda falou sobre
o tema "Oportunidades da nova economia".
Hoje, Ciro Gomes inicia sua agenda catarinense em Joinville,
às 9 horas, quando será recepcionado no aeroporto
pelo prefeito Luiz Henrique da Silveira (PMDB), pré-candidato
ao governo do Estado, pelo presidente estadual do PPS, deputado
Jaime Duarte, e lideranças políticas. Por volta
das 11 horas fará uma caminhada pelo calçadão
da rua do Príncipe, no centro da cidade, e a partir das
15h30 cumpre roteiro em Florianópolis.
Bodanese - O
deputado federal Hugo Biehl (PPB-SC) ganhou ontem um importante
apoio para sua candidatura ao Senado. Trata-se do presidente
da Coopercentral-Aurora, Aury Luiz Bodanese. Através de
comunicado, Bodanese disse que Biehl é o candidato mais
qualificado, porque "tem forte densidade eleitoral, grande
experiência nas questões sociais e econômicas
e longa folha de serviços prestados a Santa Catarina".
Site TRE - O
Tribunal Regional de Santa Catarina (TRE) lança hoje,
oficialmente, em sessão presidida pelo desembargador Fernando
do Amaral e Silva, o site www.tre-sc.gov.br. Além de informações
sobre a composição do tribunal pleno e galeria
dos ex-presidentes, a página na Internet disponibilizará
legislação e normas eleitorais e pauta das sessões.
Quem tiver interesse também poderá ter acesso a
informações sobre o resultado de eleições.
Florianópolis - A declaração do voto
do desembargador Wilson Guarany Vieira, somada a um novo pedido
de vista, desta vez do desembargador Armando Cerello, levou ontem
para dentro do Tribunal de Justiça (TJ) o clima de debate
até então restrito ao palco do Legislativo, além
de adiar mais uma vez a decisão de anular ou não
as eleições que levaram Onofre Agostini (PFL) à
presidência da Assembléia Legislativa.
Desde 20 de fevereiro, o mandado de segurança requerido
pelo tucano Jorginho Mello, que disputou a eleição
com Agostini em 15 de fevereiro, tem percorrido diferentes caminhos
no Poder Judiciário, incluindo uma passagem pelo Superior
Tribunal de Justiça (STJ), que suspendeu os efeitos da
liminar concedida pelo relator, desembargador João Martins,
mandando anular a eleição e realizar novo pleito.
O embate entre os 15 desembargadores começou a ficar acalorado
já com a declaração de voto por Guarany,
que pediu vista ao processo na última sessão. Acolhendo
a tese da defesa de Agostini, Guarany votou pela anulação
do processo e seu reinício com a ouvida dos 18 litisconsortis
da ação (os parlamentares que votaram no liberal).
O atual vice-presidente do TJ, desembargador João José
Ramos Schaeffer, considerou o voto "uma medida protelatória".
No meio da discussão, o desembargador Armando Cerello
pediu vista, deixando o clima ainda mais tenso. Ele foi acusado
imediatamente de também estar adiando a decisão
do TJ sobre a polêmica. Cerello devolveu, acusando Schaeffer
de tentar usurpar um direito assegurado a qualquer desembargador
- o pedido de vista.
O imbróglio exigiu uma rara intervenção
do presidente do Tribunal, desembargador Francisco Xavier Medeiros
Vieira, que se viu obrigado a restabelecer a ordem e o silêncio
batendo a "sineta". O advogado de defesa de Jorginho
Mello aproveitou a confusão e pediu a realização
de uma sessão extraordinária do órgão
especial para a decisão final antes do dia 3 de outubro.
(Mirela Maria Vieira)
Negado recurso de
Fontana sobre fita
Florianópolis - O Tribunal de Justiça (TJ) negou
ontem recurso apresentado pelo prefeito de Curitibanos, Generino
Fontana (PMDB), que buscava ter acesso à degravação
das fitas que conteriam o flagrante de crimes de corrupção
ativa (tentativa de suborno), ameaça e extração
ilegal de madeira, que teria cometido em julho. O pedido foi
feito ao desembargador Genésio Nolli, responsável
pelo processo na 1ª Câmara Criminal do TJ, após
o recebimento de denúncia encaminhada pelo Ministério
Público Estadual.
Se o desembargador tivesse acolhido o recurso, seria necessário
aguardar a perícia do material, que ainda não foi
concluída pela Polícia Técnica do Estado,
para que manifestasse sua decisão de acatar ou não
a denúncia do MP, transformando-a em processo contra o
prefeito. Como a decisão foi pelo indeferimento, Nolli
deve emitir despacho nos próximos dias indicando se dá
continuidade à ação proposta pelo MP, já
que o prazo para a defesa prévia do prefeito está
esgotado.
O advogado de Fontana, Dorival Homem, alegava no recurso a necessidade
de conhecer o material para que o prefeito tivesse "pleno
exercício das faculdades constitucionais do contraditório
e ampla defesa". Nolli entendeu, porém, que não
havia necessidade de aguardar a degravação das
fitas, pois seu conteúdo pode ser conhecido durante a
instrução do processo - fase posterior ao acolhimento
da ação, caso seja esta sua decisão. Para
o desembargador, isso não implica em cerceamento de defesa,
alegação que só pode ser feita agora em
instância superior (Superior Tribunal de Justiça),
através de habeas-corpus.
A outra ação civil pública proposta pelo
MP contra o prefeito já foi acolhida pelo Fórum
de Curitibanos. Neste caso, a denúncia partiu de adversários
políticos de Fontana, que gravaram imagens de uso de máquina
da Prefeitura em serviços particulares em outro município.
O processo está sendo conduzido pelo juiz substituto da
2ª Vara Civil de Curitibanos, Flávio Luís
Del'Antônio.
Garotinho vê perfil
de esquerda em LHS
Florianópolis - Anunciando como base de seu programa
de governo a redução gradativa, em curtíssimo
prazo, da taxa de juros brasileira, o pré-candidato do
PSB à Presidência da República e atual governador
do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, justificou o apoio ao candidato
do PMDB, Luiz Henrique da Silveira, ao governo do Estado, "no
perfil de esquerda" do prefeito de Joinville.
Presente à mesa, durante coletiva à imprensa em
Florianópolis, o vice-presidente do PSB catarinense, Arlindo
Bernhart, não desmentiu o apoio oficial do partido à
Luiz Henrique. O prefeito pertence à ala do PMDB que sempre
se manteve ao lado do presidente Fernando Henrique, a quem Garotinho
jura oposição.
O partido tem participado de reuniões com lideranças
do PL, PDT e PV, que buscam formar uma frente opcional às
outras três forças (Esperidião Amin, pela
Mais Santa Catarina, Luiz Henrique e o PT, ainda sem candidato).
A legenda já anunciou, há duas semanas, apoio ao
PV de Rogério Portanova, também candidato à
vaga de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Escolha por pessoas
O governador do Rio, que se considera a opção
real de mudanças para o Brasil, no contexto da "equivocada"
política do atual
governo federal, desconsidera alianças com partidos e
argumenta que as escolhas serão "pelas pessoas".
"Vamos apoiar quem não descaracterizar nossa proposta,
nosso perfil de partido de esquerda. Não vejo problemas
com os discursos no palanque, já que
aqui, no Estado, a aliança se dará numa via de
centro-esquerda, permitindo um palanque múltiplo. O PT
não nos permitiria um palanque múltiplo",
afirmou.
Acompanhado do deputado Adelor Vieira (PMDB), que é evangélico
como Garotinho, o governador negou que ancorasse sua candidatura
na força do eleitorado abrigado pelas diversas igrejas
evangélicas. Disse ainda desconhecer as articulações
do PL, da pastora e deputada estadual Odete de Jesus, no sentido
de uma candidatura evangélica em Santa Catarina ao Senado.