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Segunda-feira, 24 de Setembro de 2001
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Santa Catarina - Brasil
ANotícia
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Estados querem
recursos para precatórios
Procuradores-gerais
estudam proposta para que montante depositado sub judice possa
pagar dívidas judiciais
Aline Felkl
Os
procuradores-gerais dos Estados estudam uma proposta para que
os recursos depositados atualmente sub judice, resultantes de
conflitos com particulares, possam ser destinados ao pagamento
de precatórios (dívidas decorrentes de ações
judiciais), que em muitos casos constitui o principal entrave
financeiro das unidades federativas. A sugestão foi lançada
na reunião extraordinária do Colégio Nacional
dos Procuradores-gerais, realizada em Brasília quinta
e sexta-feira, e tem apoio do procurador-geral catarinense Walter
Zigelli. "É mais uma fórmula de apressar o
pagamento", avalia.
A procuradoria-geral do Rio Grande do Sul já começou
a formular diretrizes para o projeto, que no entendimento do
Colégio precisa de legislação federal elaborada
pela União. As sugestões de cada um dos 15 estados
presentes à reunião serão reunidas no próximo
encontro, em outubro, que acontece em Vitória (ES). Segundo
Zigelli, o advogado-geral da União, Gilmar Ferreira Mendes,
já está ciente da proposta e o assunto também
foi discutido com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF),
ministro Marco Aurélio de Mello, que cobrou empenho dos
governos estaduais na solução do problema.
Isso porque os precatórios em atraso demandam uma série
de pedidos de intervenção nos Estados que já
alcançam o Supremo, de acordo com normas constitucionais.
O Rio Grande do Sul tem aproximadamente R$ 200 milhões
de precatórios vencidos enquanto Santa Catarina amarga
cifra próxima a R$ 130 milhões. São Paulo,
que apresenta a situação mais grave, acumula mais
de R$ 10 bilhões - deste volume, conseguiu recentemente
suspender R$ 3 bilhões, comprovando fraudes e superfaturamentos
que contribuíram para ações vultosas.
Na proposta em discussão, há duas possibilidades:
que os Estados possam destinar integralmente os valores em juízo
para o saldo dos precatórios ou possam aplicar estes recursos
sub judice e utilizar os rendimentos. Qualquer hipótese
é selada pelo compromisso de que os governos devolvam
os valores quando o litígio for decidido pela Justiça
e caso o Estado perca a causa. "É como formar uma
corrente", compara Zigelli.
Santa Catarina é praticamente pioneiro em ter iniciado
em setembro o cumprimento de um cronograma mensal para quitar
seus precatórios atrasados, com repasse mínimo
de R$ 2 milhões - o que São Paulo está tentando
organizar.
Número de processos
maior no segundo mandato
Apesar de garantir que o objetivo das ações
não é político, mas não aceitar prejuízos
à imagem do governador originados por "agressões
sistemáticas e irresponsáveis", o advogado
pessoal de Esperidião Amin, Alceu Frassetto, admite que
o número de confrontos judiciais é bem maior agora
que na primeira vez que Amin governou o Estado (1982-1986).
Filiado ao PPB, Frassetto foi procurador-geral ao final da gestão
anterior de Amin. Mas os reflexos políticos são
inevitáveis: o início das negociações
da data-base dos funcionários das empresas estatais é
marcado por posições duras a aparentemente irreversíveis,
e é cada vez maior o número de categorias que ameaçam
greve.
Amin, porém, refuta dificuldades nas conversações
com lideranças sindicais, sobretudo na condição
imposta pelo Executivo para que só recebam reajuste com
a redução do passivo trabalhista - situação
mais grave na Companhia Catarinense de Água e Saneamento
(Casan) e Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc).
"Acho que vai ser um bom debate, se houver, e que vai haver
conciliação. O interesse público está
acima da empresa e dos sindicatos", acredita o governador.
Mas os sindicatos da Casan e Celesc já anunciaram greve,
esta última para amanhã, dia 25.
Para o presidente do Sintespe, o cenário é bem
definido. "Por mais difícil que seja o entendimento
com os governadores, por qualquer coisa o Amin entra com ação
contra os sindicatos. Esse é o governo mais autoritário
que tem", avalia Maurino Silva. Arno Cugnier, presidente
do Sinergia e que responde a duas ações, uma delas
porque teria chamado o governador de "cachorro", qualifica
o relacionamento de "rançoso" e "desconfiado".
"Acaba gerando este tipo de ação no uso de
expressões mais fortes", lamenta, afirmando que o
"cachorro" referia-se ao termo "briga de cachorro
grande". "O Amin traz para si tudo, coisa que não
vi nem na ditadura. Tudo passa pelo crivo dele, o que acirra
as negociações", completa.
Já Frassetto acredita que o volume atual de ações
é motivado pelo crescimento dos sindicatos, que passaram
a ter mais representatividade. "Os sindicatos têm
interesse em atingir o governador enfraquecendo sua figura política",
opina. "Mas nossa avaliação aqui é
jurídica, e não política", assegura.
(AF)
Amin amplia ações
pessoais na Justiça
Sindicatos são
maiores alvos das ações de indenização
Aline Felkl
Florianópolis - A dificuldade de diálogo entre
os sindicatos de funcionários estatais e o governo estadual
tem elevado o número de representações criminais
e ações pessoais do governador Esperidião
Amin (PPB) contra as entidades. Dos cinco processos contra sindicatos
que encaminhou nesta administração, quatro foram
formulados este ano. O governador tem ainda outras duas ações
de indenização por danos morais contra um advogado
de São Paulo, referente a declarações sobre
o caso das letras, e contra o deputado estadual Ronaldo Benedet
(PMDB), por declarações prestadas a um jornal o
acusando de financiar o diretório do PDT em Criciúma.
Como governante e, portanto representando o Estado, Amin tem
pelo menos duas ações de indenização
por danos morais e representação criminal contra
o Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público
Estadual (Sintespe) e o Sindicato dos Eletricitários (Sinergia).
O Sintespe o acusou em impresso, em 1999, de ter sido responsável
pela morte de um aposentado que esperava atendimento no Hospital
de Caridade, em Florianópolis, devido à sua política
na área de saúde.
Há pouco mais de dois meses, o Sinergia afirmou em publicação
que o governador teria ordenado o pagamento de indenização
trabalhista a Gley Sagaz, diretor parlamentar da Casa Civil,
por ser seu "amigo". Somente este episódio rendeu
pelo menos três processos.
O procurador-geral do Estado, Walter Zigelli, pretende ainda
oferecer denúncia criminal ao Ministério Público
Estadual (representação) contra o movimento que
promoveu ato de protesto no último dia 7 de setembro,
na Capital. A Secretaria de Segurança Pública (SSP)
está conduzindo inquérito para apurar os fatos,
e tão logo esteja concluído, o caso será
repassado a Zigelli.
Amin deseja, além de processá-los criminalmente,
ajuizar ação de indenização por danos
morais contra o Estado. "Onze policiais ficaram feridos
e quatro viaturas foram quebradas, conforme perícia. Houve
dano ao patrimônio público", justifica. Nas
ações indenizatórias, ressalta o governador,
o dinheiro é destinado a entidades sociais, e é
sempre solicitado que o juiz arbitre o valor da causa.
Florianópolis - Os critérios para a emissão
da certidão que atesta o cumprimento de dispositivos da
Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) já foram definidos
pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), e estão disponíveis
no site "www.tce.sc.gov.br". A certidão é
uma obrigação atrelada à nova lei e necessária
aos municípios que precisam de autorização
do Senado para contratar operações de crédito.
Desde o início do ano, pelo menos 107 prefeituras catarinenses
já haviam solicitado o documento ao TCE, que ainda não
tinha expedido nenhuma certidão devido às adaptações
da nova lei - como a discussão sobre os itens que seriam
avaliados.
No dia 10 deste mês, o Senado publicou nova resolução
que define normas para contratação de operações
de crédito por Estados e municípios, o que encerra
o período de espera. No site do Tribunal está uma
planilha com os dados que devem ser preenchidos e enviados por
disquete ou através do e-mail "certidao@tce.sc.gov.br".
Entre eles, estão informações básicas
do município, dados sobre limites da dívida pública,
comportamento de receita, destino da alienação
de bens e realização de operações
de crédito.
Além de preencher a planilha, os municípios e suas
autarquias e fundações precisam encaminhar cópia
de documentos ao TCE, que devem estar assinados pelo prefeito,
contador e responsável pelo setor de controle interno,
quando for o caso.