Joinville
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Quarta-feira, 26 de Setembro de 2001
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Santa Catarina - Brasil
ANotícia
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Eleições do PT estadual
podem sofrer reviravolta
Após oficializada
a reeleição de Milton Mendes, comissão nacional
da sigla decide por 2º turno em SC
Jefferson Saavedra
A
conturbada eleição da presidência estadual
do PT poderá ter uma reviravolta. Por três votos
a um, a comissão eleitoral nacional acatou ontem o recurso
do deputado federal Carlito Merss e os votos de nove municípios
considerados inadimplentes devem ser computados. Com isso, Carlito
e o atual presidente Milton Mendes devem disputar o segundo turno
no dia 7 de outubro. A decisão final, no entanto, será
tomada pela executiva nacional no dia 1º.
Antes mesmo da definição, os dois candidatos estão
retomando a campanha, embora Mendes ainda acredite na manutenção
de sua vitória no primeiro turno. Para Carlito, se restabeleceu
o "regulamento" do PT.
Realizada no último dia 16, a eleição para
a executiva estadual do PT foi vencida por Milton Mendes, com
50,59% dos votos. Só que o percentual, mais que suficiente
para a vitória no primeiro turno - que determina metade
mais um dos votos - foi obtida por Mendes após a impugnação
do votos dos diretórios de Xanxerê, Guatambu, Herval
do Oeste, Imbituba, Santa Rosa de Lima, São Bento do Sul,
Treze de Maio, Turvo e Guaramirim. Os nove municípios
foram considerados inadimplentes com o diretório estadual.
"Se estavam devendo, porque votaram? E por que somente na
quarta-feira passada, quando o mapa eleitoral indicava segundo
turno, os votos desses municípios foram impugnados?",
questionou Carlito, recorrendo da decisão tanto na instância
estadual como na nacional. Caso os municípios fossem incluídos,
a votação do deputado federal aumentaria e haveria
a necessidade de realização de segundo turno.
Milton Mendes alegou que o voto dentro do PT só é
autorizado caso as contribuições estejam em dia.
"Isso é histórico. Além disso, era
possível a regularização até a sexta-feira
anterior à eleição. Evidentemente, os kits
de votação já haviam sido enviados",
argumentou.
Na segunda-feira, a executiva estadual do PT, por nove votos
a cinco, rejeitou o recurso de Carlito e manteve a vitória
de Mendes no primeiro turno. Os outros três candidatos
à presidência do PT, Jacir Zimmer, Cedenir Simon
e Serge Goulart, também reconheceram a vitória
de Mendes.
Ontem, a comissão eleitoral nacional reverteu a decisão
tomada em Santa Catarina. Na executiva nacional, onde será
decidida a pendenga, a maioria dos integrantes pertence à
mesma corrente de Carlito.
QUESTIONAMENTO
Três diretórios - do grupo dos nove considerados
devedores - consultados ontem por A Notícia se disseram
em dia com as contribuições. Presidente da legenda
em Guaramirim, Moacir Zucco garante possuir todos os recibos.
"Não sei porque fomos declarados inadimplentes",
disse Zucco, garantindo que cobraria "esclarecimentos"
da executiva em Florianópolis.
No município, Carlito recebeu 30 votos, contra um de Mendes.
Impugnados negam inadimplência
Vereador e presidente eleito do PT em Xanxerê, Luiz
Mesnerovicz garante que existia um "acordo" para o
pagamento da dívida com a executiva estadual. "Por
isso não nos sentíamos inadimplentes. De qualquer
forma, tudo agora foi pago", alegou o vereador, afirmando
não lembrar da data do pagamento. Em São Bento,
do Sul, o diretório também garante estar em dia
com o pagamento das contribuições.
O presidente do PT, Milton Mendes, admite que podem ter ocorrido
equívocos no caso de Guaramirim. "Se for comprovado
o engano, os votos serão computados", alegou Mendes,
sem concordar com o posicionamento de São Bento do Sul
e Xanxerê. "Em Xanxerê, por exemplo, o pagamento
só foi realizado na quinta-feira após a eleição.
É como comprar um bilhete da loteria e pagar somente se
tiver ganho", afirmou. (JS)
Fórum de SC estuda
emendas ao orçamento
Brasília - A bancada catarinense no Congresso Nacional
reúne-se hoje para começar a discutir as emendas
coletivas ao orçamento da União de 2002. Está
prevista a participação de prefeitos e de representantes
do governo estadual. O objetivo dos parlamentares é aumentar
os valores destinados a Santa Catarina para investimentos na
proposta orçamentária de 2002 enviada pelo Poder
Executivo ao Congresso.
Pelo texto, Santa Catarina terá direito a R$ 137 milhões,
mas deputados e senadores catarinenses querem incluir pelo menos
outros R$ 240 milhões nos valores aprovados. "Temos
de chegar pelo menos a R$ 370 milhões", afirmou o
coordenador do Fórum Parlamentar Catarinense, deputado
federal Serafim Venzon (PDT). No orçamento de 2001, Santa
Catarina ficou com R$ 340 milhões.
Em relação aos pedidos das emendas, Venzon afirmou
que eles devem girar em questões como infra-estrutura
urbana, patrulhas mecanizadas, recuperação ambiental
e apoio financeiro a hospitais.
A BR-470 também deverá ser alvo das emendas coletivas
assim como a construção de um hospital regional
universitário em Criciúma, que seria administrado
pela Universidade do Extremo-sul Catarinense (Unesc) e atenderia
à população da Associação
dos Municípios da Região Carbonífera (Amrec).
Os parlamentares têm até o dia 10 de outubro para
entregarem as emendas à Comissão Mista de Orçamento.
(Jefferson Dalmoro, especial para A Notícia)
Sucessão
de FHC
Roseana cresce como opção
Brasília - A pesquisa encomendada ao Instituto Brasileiro
de Opinião Pública e Estatística (Ibope)
pela Confederação Nacional da Indústria
(CNI), divulgada ontem, lança uma nova luz sobre a corrida
presidencial e as condições práticas do
governo do presidente Fernando Henrique Cardoso para lançar
um candidato competitivo às eleições de
2002.
Segundo as diferentes simulações produzidas pelo
instituto, a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL),
é um nome em ascensão, com apoio suficiente para,
pela primeira vez, deixar o partido em igualdade de condições
para negociar a composição da chapa presidencial
com o PSDB, principal parceiro na aliança governista.
Em todos os casos, Roseana obtém o dobro das intenções
de voto conseguida pelo ministro da Saúde, José
Serra, o tucano melhor situado perante o eleitorado.
Em duas das cinco simulações propostas, ela aparece
em segundo lugar, superando o ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes
(PPS) e o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB).
A liderança nos levantamentos do Ibope continua com o
presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva.
Os porcentuais de apoio dele oscilam, porém, entre 30%
e 33%, indicando que as intenções de voto no petista
se estabilizaram nessa faixa, considerando-se sondagens anteriores
em que ele tem o mesmo desempenho. Lula não perde votos,
mas também não ganha há bastante tempo.
Na fotografia deste momento da corrida presidencial, Roseana
teria 14% dos votos, dois pontos a mais que Ciro Gomes, numa
competição que tivesse Lula (30%), Itamar (11%)
e os governadores do Rio, Anthony Garotinho (11%), e do Ceará,
Tasso Jereissati (3%), concorrendo pelo PSDB.
Já se os tucanos lançassem Serra, este obteria
6% e deixaria Roseana empatada com Ciro Gomes em 12%. Nesse caso,
Itamar e Garotinho empatariam em 10% e Lula continuaria com 30%.
A governadora maranhense é também identificada
como o ator político que melhor representa a continuidade
da política econômica liderada pelo ministro da
Fazenda, Pedro Malan. Um total de 16% de eleitores, do universo
pesquisado, acham que a continuidade é o perfil de Roseana.
Serra é identificado dessa forma por 15% dos entrevistados,
mesmo porcentual que acredita que Itamar representa a continuidade.
Para outros 14%, é Ciro Gomes quem representa a continuidade
da atual política econômica.
Os números mostram também o campo da oposição
ocupado por Lula. Segundo a pesquisa, 61% dos entrevistados acham
que é ele quem representa a oposição total
ao governo, enquanto que apenas 36% acham que é Itamar
e somente 22% assim identificam Ciro Gomes.
AL quer dados sobre
repasses para aliados
Florianópolis - O deputado estadual Francisco de Assis
(PT) acredita ter, finalmente, colhido um elemento concreto para
pressionar o governo estadual a se pronunciar oficialmente ao
Legislativo sobre a denúncia feita em maio deste ano e
que ficou conhecida como "show do milhão". Na
época, reportagem veiculada no Estado apresentou declarações
do líder do governo na Casa, Joares Ponticelli (PPB),
segundo as quais o governador Esperidião Amin (PPB) estaria
distribuindo R$ 1 milhão a cada parlamentar da base governista,
proveniente de emendas dos deputados, e que seriam destinados
a investimentos nas suas bases eleitorais.
Pedido de informações de Assis direcionado ao governador,
apresentado na semana passada, foi aprovado ontem em plenário.
O petista quer saber que valores o governo estadual liberou este
ano para prefeituras governadas por prefeitos do PPB, PFL, PTB
e PSDB, siglas que compõem a Mais Santa Catarina.
Segundo Assis, os comentários sobre a suposta liberação
das verbas não cessaram, apesar de Ponticelli ter desmentido
o repasse e Amin ter negado à época qualquer possibilidade
ou previsão de liberação de recursos a parlamentares
que configurassem discriminação partidária.
O fato concreto, segundo o deputado, surgiu na carta de desfiliação
do PPB apresentada à direção do partido
pelo vice-prefeito de Ituporanga, Gervásio Maciel, na
semana passada. No documento, Maciel teria demonstrado inconformidade
com a liberação de R$ 1 milhão para cada
deputado governista por parte do governo pepebista.
Leis na Internet 1
- O público interessado em conhecer a história
das leis catarinenses a partir de 1947 já pode ter acesso
a essas informações através da Internet.
De 1947 até hoje, são 54 anos de história
das leis catarinenses. Desses, dez anos estão à
disposição do público desde 1999, mas até
aquele ano só havia o texto das leis. De 1999 até
hoje, foram disponibilizados mais 30 anos dessa história,
só que agora com a remissão das leis.
Leis na Internet 2
- Segundo a diretora da Divisão de Documentação
da AL, Vera Lúcia Farias, a intenção é
estar com todas as leis prontas até o final do ano. "Aí
partiremos para o processo propriamente dito de consolidação
e uniformização das leis. Ao mesmo tempo em que
verifica uma lei atual, a pessoa poderá ver as alterações
que a lei sofreu", explica. As consultas podem ser feitas
pelo site www.alesc.sc.gov.br.
De olho nas eleições
2002,
vereadores trocam de sigla
Joinville - Com atenção voltada exclusivamente
às eleições de 2002, pelo menos três
vereadores de Joinville devem encerrar outubro de partido novo.
Na última terça-feira, o secretário municipal
de Desenvolvimento e Integração Regional e vereador
licenciado, Ademir Machado, assinou ficha no PDT, abandonando
o PMDB. Também peemedebista, Bráulio Barbosa ingressa
no PSDB na próxima quinta-feira.
Maria Cadorin já tomou a decisão de se desfiliar
ao PTB, mas ainda não sabe, a apenas dez dias do prazo
final para novas filiações aos interessados em
disputar as eleições de 2002, qual será
sua nova sigla. Maurício Peixer, secretário municipal
de Agricultura e Meio Ambiente e também vereador licenciado,
se aproximou do PFL e PPS, mas deve permanecer no PMDB depois
de uma conversa com o prefeito licenciado Luiz Henrique da Silveira
(PMDB).
Apesar de seu partido perder dois vereadores, Luiz Henrique pode
até ser beneficiado, pois Bráulio Barbosa e Ademir
Machado seguem como aliados e devem insistir em suas novas siglas
pela aliança com o peemedebista, pré-candidato
ao governo do Estado. Machado, por exemplo, foi mantido como
secretário.
Machado não admite ter trocado de partido apenas para
garantir a pré-candidatura em 2002. "Não existe
isso. Mesmo porque fui para o PDT sem exigir nada, tanto cargos
como pré-candidaturas. Aliás, minha candidatura
à Assembléia estava garantida no PMDB", diz
o novo pedetista, garantindo que o PDT se encaixa melhor no seu
"perfil de esquerda".
Questionado sobre o fato de descoberto que o PDT abriga melhor
seu "perfil" apenas dez dias antes do prazo final para
eleições, Machado garante ter enfrentado restrições
no PMDB. "Houve situações recentes de cisões
que transformaram minha saída inadiável."
O vereador Gilmar Ferreira (PDT) garante que a vinda de Machado
não está condicionada a possibilidade do ex-peemedebista
disputar uma vaga à Câmara dos Deputados.
Bráulio Barbosa deve carimbar nesta quinta-feira sua pré-candidatura
à Câmara dos Deputados, uma garantia que não
tinha no PMDB. "Não existe choque ideológico
entre PMDB e PSDB. E também minha saída não
se choca com a pré-candidatura de Luiz Henrique",
diz Bráulio, garantindo que Joinville poderá ter
maior representatividade.
Em Joinville, o candidato a deputado federal do PMDB deverá
ser o ex-deputado estadual Sérgio Silva, atualmente comunicador
de rádio e televisão. Com a confirmação
de Silva para a vaga, seu aliado Maurício Peixer se acalmou
e deve permanecer no PMDB. "Tem quase 100% de chance de
eu ficar", diz Peixer, sondado pelo PFL de seu irmão
Mário Sérgio Peixer, prefeito de Guaramirim.
No PT, PFL e PPB - partido ainda ressabiado com o que qualifica
de "rasteira" do vereador Nelson Quirino, que deixou
a sigla no dia da posse - não devem haver mudanças.
PMDB, PFL e PSDB
tentam acordo de cavalheiros
Brasília - Na reta final do prazo de filiação
partidária para os candidatos às eleições
de 2002, os três maiores partidos da base aliada - PMDB,
PFL e PSDB - tentaram ontem um acordo de cavalheiros para evitar
que o troca-troca se converta em novo foco de crise entre governistas.
O encontro, porém, não produziu compromissos.
O PFL continua com medo de perder o prefeito de Curitiba, Cássio
Taniguchi, para o PSDB, ao mesmo tempo em que trabalha para convencer
o senador José Sarney (PMDB-AP) a ingressar na legenda.
O acerto entre os presidentes nacionais do PFL, senador Jorge
Bornhausen (SC), do PSDB, deputado José Aníbal
(SP), e do PMDB, deputado Michel Temer (SP), refere-se à
montagem de uma agenda no Congresso capaz de promover a união
dos governistas. A partir de agora, os três presidentes
participarão das reuniões do colegiado de líderes
partidários da Câmara e Senado.
"Nossa atuação, agora, visa ao futuro e à
preservação da imagem do Congresso", explica
Temer, ao afirmar que o próximo encontro será realizado
na semana que vem, com a presença do PPB e PTB.
"Se tivermos um comportamento inadequado até o dia
5, quando termina o prazo de filiação, teremos
um elemento de forte combustão na base", advertiu
Bornhausen, convencido de que cooptação é
sinônimo de nova turbulência entre os aliados.
No Rio Grande do Sul, o fundador do PT e campeão de votos
nas eleições de 2000 para a Câmara de Porto
Alegre, o vereador e candidato derrotado a presidente nacional
do partido, José Fortunati, anunciou ontem a adesão
ao PDT para concorrer, possivelmente, a governador em 2002. A
cerimônia de filiação ocorrerá amanhã,
na presença do presidente nacional do partido, Leonel
Brizola, para quem a conquista de um petista histórico
tem sabor de vingança. Desde 2000, o PDT gaúcho
perdeu vários líderes para o PT, até mesmo
o filho de Brizola, José Vicente Brizola, que assumiu
um posto no governo Olívio Dutra (PT).
Ex-vice-prefeito de Porto Alegre e ex-deputado federal, Fortunati
deixou a legenda fazendo severas críticas às administrações
da sigla. "Bastou assumirmos o poder para que o nosso nepotismo
e a nossa reeleição passassem a ser éticos",
afirmou o vereador, referindo-se à decisão de alguns
prefeitos petistas de empregar parentes ou de disputar um segundo
mandato.