Joinville         -          Quinta-feira, 27 de Setembro de 2001         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

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Seis obras em SC com
suspeita de irregularidade

TCU analisou 304 projetos que recebem verbas federais no País

Jefferson Dalmoro
Especial para A Notícia

Seis obras que contam com recursos federais em Santa Catarina estão sob suspeita de conter irregularidades. A relação com 304 obras investigadas em todo o País foi entregue na terça-feira pelo presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Humberto Souto, ao presidente da Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional, senador Carlos Bezerra (PMDB-MT).
Segundo o relatório do TCU, 39,8% das obras apresentaram índices graves de irregularidades e 29,3% estão com indícios de falhas consideradas comuns, totalizando 210 projetos. Em relação às outras obras, que correspondem a 30,9% do total, não houve ressalvas.
O presidente da Comissão de Orçamento já assegurou que as obras com indícios graves de irregularidades não terão dinheiro no orçamento federal de 2002. O TCU vai apresentar um relatório final em novembro.
Na lista das obras investigadas em Santa Catarina que recebem recursos federais estão o Complexo Penitenciário da Grande Florianópolis, a BR-282, a duplicação da BR-101 nos trechos Sul e Norte - considerados projetos separados -, a recuperação do Porto de Laguna, a modernização do Porto de Itajaí e Barragem do Rio São Bento. As obras nos dois portos são as únicas em Santa Catarina que apresentaram indícios graves de irregularidades e, portanto, não devem ter dinheiro no orçamento.
Segundo a proposta orçamentária do Executivo federal, o Porto de Laguna receberia R$ 6,45 milhões e o de Itajaí R$ 100 mil. A Barragem do Rio São Bento foi a única das investigadas em SC que não apresentou problema. Esta e as outras não devem ter as verbas bloqueadas.
Para eleger as obras investigadas, o TCU elaborou um critério pelo qual apenas as que receberam mais de R$ 2 milhões do governo federal e as que constam na previsão orçamentária de 2002 entraram. Este segundo requisito foi o que excluiu, segundo informações do TCU, a Via Expressa Sul das investigações. Esta obra vinha sendo alvo da CPI das Obras Inacabadas.
O presidente do TCU afirmou que as principais falhas encontradas são superfaturamento, atraso, ausência de licitação e problemas em editais. Humberto Souto não especificou as irregularidades de cada obra por serem "apenas indícios". "Isto não quer dizer que neste primeiro levantamento se confirmem todas estas irregularidades. Agora, até novembro, o Tribunal aprofunda estes exames para a Comissão de Orçamento e aí o Tribunal terá uma conclusão efetiva se estas obras e se estes contratos estão irregulares ou não", explicou Souto.


As obras
O que o TCU apurou na investigação preliminar de obras com recursos federais em SC

Indícios de irregularidades graves

  • Recuperação do Porto de Laguna
  • Modernização do Porto de Itajaí

Indícios de pequenas irregularidades

  • Complexo Penitenciário da Grande Florianópolis
  • BR-101 Sul
  • BR-101 Norte
  • BR-282

Sem irregularidades

  • Barragem do Rio São Bento

Resultado da investigação do TCU em todo o País

  • 304 obras investigadas
  • 39,8% obras apresentaram indícios graves de irregularidades
  • 29,3% estão com indícios de falhas consideradas comuns
  • 30,9% não apresentaram nenhuma ressalva


Deputados de Joinville
ameaçam boicotar governo

Florianópolis - O bloco de parlamentares com base em Joinville ameaçou ontem boicotar as votações de matérias de interesse do governo enquanto o Palácio Santa Catarina não der sinalização de medidas de efetivo resultado na área de segurança pública no município. "É preciso que se aumente o número de efetivos, das duas polícias, pelo menos em mais 150 policiais militares e mais 20 civis", resumiu o deputado Adelor Vieira (PMDB), que encabeçou as manifestações em plenário ontem.
À exceção do petebista João Rosa, cuja legenda integra a base governista, os parlamentares da região Norte - além de Adelor, Nilson Gonçalves (PSDB, também governista), Francisco de Assis (PT) e Jaime Duarte (PPS) - alinharam seus discursos, exigindo do governo ações efetivas ao combate da criminalidade. As reivindicações priorizam melhoria das condições de trabalho dos policiais e aumento de efetivo.
"A questão do aumento do efetivo é relativa. Quantos o Estado teria de contratar? Cem, 500, mil? Nós estamos investindo no que acreditamos ser a forma de prevenir, atacando a causa do problema", rebateu o secretário da Segurança Pública, Antenor Chinatto Ribeiro. A linha de ações quanto à segurança pública, salientou o secretário, parte do princípio de que mais vale um policial bem equipado e treinado do que um imenso efetivo dedicado a dosar paliativos.
De imediato, avisa Chinatto, a única medida que estará sendo efetivada, nesta sexta-feira, é a entrega do sistema de rádio-comunicação na região, e a instalação dos conselhos comunitários de segurança.
Segundo Adelor, os parlamentares da região, acompanhados pelo presidente da Assembléia, Onofre Agostini (PFL), vão primeiro procurar o governador Esperidião Amin (PPB), para depois efetivar o boicote, caso não haja "qualquer proposta de maior número de pessoas". Para isso, no entanto, os quatro esperam que as bancadas de oposição (PMDB, PT, PPS, PDT) encampem o boicote. (Mirela Maria Vieira)


Bauer mantém cautela
sobre planos para 2002

Vice-governador defende definições de candidaturas só após fevereiro

Joinville - O apoio à reeleição do Esperidião Amin (PPB) e a intenção de disputar novamente um cargo majoritário são as únicas certezas do vice-governador Paulo Bauer (PFL). Cauteloso, Bauer garante que a discussão sobre as eleições de 2002 devem se intensificar somente ao final do primeiro trimestre do próximo ano, repetindo a posição de Amin, que ainda não se declarou candidato à reeleição.
"O nosso partido vai ouvir, me ouvir, e então, se for o caso, definir critérios para a escolha dos candidatos, caso existam mais postulantes", afirmou Bauer ontem, em Joinville, onde visitou obras no Hospital Regional Hans Dieter Schmidt e participou de encontros com pefelistas da região Norte.
A posição atual de Bauer mudou em relação ao pleito anterior. Em 1997, percorreu o Estado defendendo a tese de candidatura própria do PFL ao governo estadual. Agora, insiste na manutenção da Mais Santa Catarina, aliança que elegeu Amin e conta com PPB, PFL e PSDB como principais forças. "A coligação deu certo e a intenção do partido é preservá-la", afirmou Bauer, insistindo que só apresentará sua posição - ser vice novamente de Amin, disputar o governo ou o Senado - após a manifestação do governador, que somente deve ocorrer em 2002.
O fato do senador Geraldo Althoff, do deputado federal Pedro Bittencourt, do deputado estadual Paulo Bornhausen e do prefeito de São José, Dario Berger, terem se apresentado como pré-candidatos ao Senado é encarada como natural pelo vice-governador.
Bauer também acredita na manutenção da participação do PSDB na Mais Santa Catarina. "Isso é quase unanimidade no PSDB. Fazer convites sem a manifestação do partido cheira a seqüestro político. Não surtiu qualquer efeito no partido", afirmou o vice-governador, referindo-se ao convite do prefeito de Joinville, Luiz Henrique da Silveira, pré-candidato do PMDB ao governo estadual, a Leonel Pavan (prefeito de Balneário Camboriú e filiado ao PSDB) para o tucano ser o vice de sua chapa.
O vice-governador garantiu que a reeleição de Amin será facilitada pela "seriedade, transparência e competência". "Isso é obrigação dos governos, mas não houve nas administrações anteriores", alegou Bauer, acrescentando ainda o elenco de obras, como o BID 4, o Hospital Infantil de Joinville, os investimentos em escolas, rede de gás natural, programa de reflorestamento, oferta de micro-crédito, entre outras. "São obras no interior do Estado. Ou será que quando nossos adversários falam em obras estão se referindo à Ponte Pedro Ivo ou ao aterro da Baía Sul?", questionou.

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Prioridades discutidas

Brasília - Os parlamentares catarinenses reuniram-se ontem com prefeitos e representantes do governo do Estado para discutir as emendas coletivas ao orçamento geral da União de 2002. No encontro, algumas prioridades ficaram acertadas como a construção de Hospital Regional em Criciúma para atender aos municípios da Região Carbonífera, administrado pela Universidade do Extremo-sul Catarinense (Unesc).
Para a Grande Florianópolis, a principal obra deverá ser a Via Expressa Sul. No Norte, a BR-280 deverá merecer mais recursos. A obra já está na proposta orçamentária do Executivo, com R$ 2 milhões previstos. A BR-470 será a principal obra para o Vale do Itajaí. No Oeste, as prioridades serão o apoio aos hospitais regionais de Chapecó e São Miguel do Oeste e à pequena e média propriedade rural. "Era uma reunião apenas para ouvir", salientou o coordenador do Fórum Parlamentar Catarinense, deputado Serafim Venzon (PDT).
O governo do Estado foi representado pelos secretários da Saúde, João José Cândido da Silva, e dos Transportes, Leodegar Tiscoski. João Cândido solicitou o empenho da bancada no aumento do teto geral do Estado - recursos que vêm do Ministério da Saúde - em pelo menos mais R$ 4,2 milhões, que seriam usados em atendimentos de câncer e cirurgias do coração. Tiscoski pediu o empenho em obras como a Barragem do Rio São Bento e para as rodovias do Estado. (JD)


Partidos articulam bloco
de centro-esquerda em SC

Florianópolis - Com a presença de um pré-candidato ao governo do Estado e outro à Presidência da República, os partidos puxados pelo PL para formar um bloco de centro-esquerda para as próximas eleições definiram na noite de terça-feira a elaboração de listas de candidatos para a construção de um programa de governo e chapas proporcionais. Depois de entrar numa "saia justa" com a declaração de apoio oficial de seu candidato à Presidência, Anthony Garotinho, ao prefeito Luiz Henrique da Silveira (PMDB) na corrida estadual, o PSB não compareceu ao encontro, que reuniu PL, PTB, PDT, PSTB, PSD e PV.
Pré-candidato do PV à cadeira ocupada por Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Rogério Portanova, embora ressalve que os verdes terão um postulante ao governo estadual, apóia a formação do bloco, ou frentão, desde que as legendas que o integrem encontrem uma "engenharia que contemple a todos". Portanova ainda sugeriu que o frentão fosse denominado de Frente da Cidadania.
O presidente do PTB, Roberto Zimmermann, anfitrião da segunda rodada de debates entre as legendas, aposta na formação de novas lideranças e alternativas no cenário político catarinense. Com dois representantes na Assembléia Legislativa, João Rosa e Sandro Tarzan, os petebistas, assim como o PL da pastora Odete de Jesus, integram hoje a aliança que sustenta o governo Esperidião Amin (PPB).
"Os políticos que estão aí já tiveram sua chance e não demonstram preocupação com situação", deu o tom o presidente do PL catarinense, pastor Valcir Goulart, seguido pelo pré-candidato ao governo pelo PTB, Juarez Furtado, que prega "o pensamento de unidade" entre as pequenas legendas.

 
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