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Joinville         -          Sábado, 29 de Setembro de 2001         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

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Orçamento de SC
em 2002 será de R$ 9,3 bi

Governo Amin entregou ontem proposta para a AL. Previsão é de investir R$ 1,3 bilhão em obras e programas

Mirela Maria Vieira

Projetando R$ 1.389.544.579,00 em investimentos em obras e programas em todo o Estado, o governo encaminhou ontem a proposta orçamentária para 2002 ao Poder Legislativo. O projeto foi entregue pelos secretários da Fazenda, Antônio Carlos Vieira (PPB), e da Casa Civil e da Administração, Celestino Roque Secco (PPB). No total, todo o aparato estatal - órgãos da administração direta, indireta, autarquias, fundações e empresas - vai receber e consumir R$ 9,3 bilhões no ano em que se realizam as eleições para governo, Câmara dos Deputados e Senado.
O orçamento deste ano, que conforme Vieira está executado em 62%, sendo R$ 120 milhões relativos a investimentos, é de R$ 8,4 bilhões. Do montante das receitas, o Estado prevê arrecadar em tributos o total de R$ 4,2 bilhões durante o exercício de 2002, o que corresponde a 51,06% o valor projetado para entrar nos cofres públicos.
Objeto do acirramento anual da briga interna entre legendas e individuais no palco da Assembléia Legislativa, a peça orçamentária do próximo ano certamente irá além da mera disputa, já que o governo destinou R$ 40 milhões para emendas individuais, coletivas e das audiências do orçamento regionalizado. "Esta é uma inovação que estamos fazendo, nos moldes do Executivo federal", resumiu o secretário da Fazenda.
Acusado há quatro meses de patrocinar a distribuição de R$ 1 milhão em recursos para cada deputado de sua base, por conta de declarações do deputado Joares Ponticelli (PPB), atual líder do governo na Assembléia, o governo amplia o leque, com a reserva para as emendas do parlamento, atingindo os 40 deputados.
Agora, segundo o Palácio Santa Catarina, todos estariam incluídos no que ficou conhecido como "jogo do milhão", denominação dada pelo peemedebista João Henrique Blasi ao desavisado anúncio de Ponticelli, desmentido logo em seguida.

Fôlego

Apesar do R$ 1,3 bilhão rubricado para investimentos em 2002 estar incrementado, em mais de 80%, com recursos provenientes da União e financiamentos com organismos nacionais e internacionais, o governo da Mais Santa Catarina (PPB/PFL/PSDB/PTB/PL) aposta na reversão do que tem sido chamado de imobilismo da administração Esperidião Amin (PPB).
"Conseguimos colocar tudo em dia, administrando de forma absolutamente transparente e legal os recursos públicos. Perdi muitos cabelos, mas agora nós poderemos realizar ainda mais", salientou empolgado o secretário da Fazenda, virtual candidato à Câmara dos Deputados pelo PPB. Como as sextas-feiras são tradicionalmente "dias mortos" na AL, a proposta orçamentária só será conhecida da maior parte dos deputados na segunda-feira, quando chega à Comissão de Finanças.


Boppré quer a relatoria

Embora cauteloso, já que ainda desconhecia o teor da proposta orçamentária encaminhada ontem pelo Executivo, o presidente da Comissão de Finanças, Afrânio Boppré (PT), antecipou que vai avocar a relatoria na segunda-feira e definir regras para a apresentação de emendas pelas bancadas e pelos parlamentares.
Além disso, aguarda apenas receber a peça para analisar se pelo menos a maior parte das emendas do orçamento regionalizado, que totalizam R$ 60 milhões, estão contempladas. Se não estiverem, serão integradas ao projeto, assinalou Boppré na tarde de ontem, desconsiderando o limite dos R$ 40 milhões propostos pelo Executivo para todo o conjunto de emendas de iniciativa do parlamento.
Coordenador das audiências do regionalizado realizadas entre julho e agosto - que teve campanha de boicote anunciada pelo líder do governo na Assembléia Legislativa, Joares Ponticelli (PPB) -, Boppré está seguro de que os deputados vão honrar as emendas colhidas nas macrorregiões.
"É preciso lembrar que o orçamento é um projeto encaminhado pelo governo. Quem o transforma em lei é o Legislativo, depois de analisar e debater a proposta. Para as emendas parlamentares e coletivas, quero discutir e estabelecer regras na comissão", cutucou Boppré, referindo-se ao limite de R$ 40 milhões.
Entre as regras que vai propor à comissão que preside, Boppré destaca que a primeira exigência será a indicação, pelo parlamentar e pelas bancadas, da fonte do recurso para cada proposição.
"Temos de agir com total responsabilidade e transparência. Cada emenda deve obrigatoriamente indicar de onde está sendo suprimido o recurso para sua proposição", enfatiza.
Apesar de reconhecer que a atuação da Assembléia no caso do orçamento é meramente autorizativa em suas declarações, o tom do petista indica que o que vai determinar o total a ser abocanhado, pelo menos no papel, pelos parlamentares, está proporcionalmente vinculado ao tamanho da campanha que cada um precisa fazer em 2002. (MMV)


A proposta
O tamanho das receitas e despesas projetadas no orçamento de 2002 encaminhado à AL pelo Executivo

Receitas - Valor (R$)

Receitas correntes - 5.926.828.329,00
Receitas de Capital - 2.442.585.000,00
Receitas de outras fontes de entidades da administração indireta - 974.373.879,00

TOTAL - 9.343.787.208,00

  • Total projetado somente com a arrecadação de tributos, embutido no item das receitas correntes R$ 4.273.212.825,00
  • Total proveniente de operações (empréstimos e financiamentos) de crédito internas e externas, embutido no item das receitas de capital R$ 1.798.825.000,00

Despesas - Valor (R$)

Despesas correntes - 5.603.841.114,00
Despesas de Capital - 3.694.946.094,00
Reserva de contingência - 45.000.000,00

TOTAL - 9.343.787.208,00

  • Total destinado ao pagamento da dívida (juros, encargos e amortização) R$ 1.054.480.831,00
  • Total destinado ao pagamento de pessoal R$ 2.594.901.887,00
  • Total destinado a investimentos em obras e programas (incluídos aí os investimentos das empresas estatais, recursos federais e financiamentos relativos a contratos internacionais como o BID IV) R$ 1.389.544.579,00

Fonte: Resumo da peça orçamentária entregue pelos secretários da Fazenda, Antônio Carlos Vieira, e da Casa Civil e da Administração, Celestino Roque Secco.


Impasse em Imaruí
prejudica serviços públicos

Imaruí - Máquinas, tratores, ônibus de transporte escolar e caminhões de coleta de lixo, pertencentes à administração municipal de Imaruí, continuam estacionados em frente à Câmara de Vereadores. Os veículos estão parados desde quarta-feira, por causa de um impasse entre o Poder Legislativo e a Prefeitura.
A confusão entre os dois poderes foi deflagrada depois que a Câmara de Vereadores decidiu vetar a dotação orçamentária do município e rejeitou projetos de autoria do Executivo. Com a rejeição, a Prefeitura ficou sem recursos disponíveis para comprar qualquer tipo de produto, entre eles, combustível para abastecer os veículos.
O impasse trouxe problemas principalmente para agricultura e educação. Há quase uma semana, as máquinas deixaram de patrolar as estradas que ligam o centro da cidade ao interior do município. As vias ficaram intransitáveis, comprometendo a produção agrícola da região.
Por enquanto, as escolas estão funcionando normalmente, mas muitos alunos estão tendo dificuldades para ir a aula, por causa da paralisação do ônibus que faz o transporte escolar. A coleta do lixo também deixou de ser realizada, trazendo desconforto aos moradores. "Eles acham que estão prejudicando o prefeito com este tipo de atitude, porém é a população quem está sofrendo na verdade", comenta o chefe de gabinete do prefeito, Valdir Fernandes.
O presidente da Câmara de Vereadores, Adilson Dutra (PPB), explica que a dotação não foi aprovada porque o prefeito Epitácio Bittencourt Sobrinho (PFL) se recusou a especificar o destino do crédito especial no valor de R$ 280 mil. "Ele pediu que aprovássemos o valor, alegando que estavam faltando recursos e que deveríamos autorizar o projeto para aplicar na reserva de contingência. Só que desta forma, os vereadores não têm como fiscalizar onde de fato o dinheiro será aplicado", afirma Dutra.


Catarinenses criticam
voto de Casildo pró-Jader

Florianópolis - Voto contrário do presidente estadual do PMDB, senador Casildo Maldaner, à abertura de um processo disciplinar contra o senador Jader Barbalho (PA) na quinta-feira, aprofundou ainda mais o racha da legenda, tanto em nível nacional quanto estadual. Ontem, a primeira reação, que tomou a forma de ofício ao presidente nacional, Michel Temer, veio do diretório municipal de Tubarão.
Durante reunião do Conselho de Ética do partido, que rejeitou processo para expulsar Barbalho do PMDB, Maldaner juntou seu voto ao de seus colegas, contrariando a base partidária catarinense. O presidente da executiva de Tubarão, Edgar Luiz Fernandes, depois de manifestar indignação com a decisão do Conselho de Ética, diz que o voto de Maldaner destoa da vontade da base catarinense, acusando-o ainda de ter votado contrariamente "a apuração da verdade".
Peemedebistas históricos, como o deputado federal Edison Andrino, o ex-deputado Miguel Ximenes, além do presidente do diretório da Florianópolis, Walter Galina, chegam a prever que, se não for agora - um ano antes das eleições -, o descontentamento atual das bases pode gerar um novo partido, nascido das dissidências com os rumos dados pelos governistas do PMDB.
Desde o estouro das denúncias contra Jader Barbalho, a ala catarinense do PMDB contrária à postura governista assumida pelos caciques do partido tem pedido a expulsão do senador da legenda.

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Afastados em Criciúma
avaliam recurso no STJ

Criciúma - Até o início da próxima semana o grupo de vereadores liderados pelo presidente deposto da Câmara de Criciúma, Antônio Izidório (PPS), não vai tomar nenhuma atitude legal ou política. A informação é do vereador Douglas Mattos (PC do B), advogado, que foi escalado como porta voz da mesa diretora afastada do posto em decisão do Tribunal de Justiça, cumprida na quinta-feira. "Estamos estudando o acórdão, existe possibilidade de recorrer, mas durante o final de semana vamos analisar a situação e definir uma posição", disse Mattos.
Izidório e a mesa diretora foram destituídos da função acusados de terem utilizados documentos falsificados no registro da chapa que formaram para concorrer nas eleições realizadas no início do ano, quando a atual legislatura tomou posse. O grupo se manteve no comando da Câmara graças a uma decisão de primeira instância em mandato de segurança, que foi reformada pelo TJ.
Douglas Mattos entende que o presidente da sessão, o vereador mais votado, Acélio Casagrande (PMDB), não poderia ter impugnado a chapa 1 e não descarta recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Acredita também que através de um mandato especial possa suspender a decisão e promover o retorno de Izidório à presidência.
O novo presidente, eleito na quinta-feira à noite, Vanderlei Zilli (PMDB) passou o dia de ontem em reuniões com assessores, vereadores da bancada de oposição ao governo municipal e técnicos da Câmara.


Ação 1- A deputada Ideli Salvatti (PT), cujo mandato foi alvo de tentativa de cassação articulada pela base governista, interpelou judicialmente o colega Reno Caramori (PPB) por tê-la chamado de "mentirosa contumaz". A afirmação foi atribuída ao deputado por um colunista político, e teria sido declarada por Caramori durante os trabalhos da CPI da Sonegação Fiscal, que Ideli presidia.

Ação 2 -O advogado do pepebista Reno Caramori, Alceu Hermínio Frassetto, encaminhou no último dia 21 resposta ao Juizado Especial de Causas Cíveis, argumentando que a questão tem motivação política, e que não seria uma resposta "positiva ou negativa" que impediria Ideli Salvatti de seguir adiante com a pretensão de processá-lo. Segundo ele, Caramori prefere se manifestar quando o processo for instaurado.


Condenação

Secretária recorre

Itaiópolis - A secretária estadual da Educação, Miriam Schlickmann, e o ex-prefeito de Itaiópolis Reginaldo Fernandes (PPB) já ingressaram com recurso judicial para contestar a sentença que condena ambos à suspensão dos direitos políticos por três anos. O motivo da condenação foi a liberação de recursos financeiros de um convênio de R$ 80 mil para construção de uma quadra de esportes coberta, na escola municipal Bom Jesus, em Itaiópolis, em período pré-eleitoral.
A sentença, publicada no dia 14, no "Diário de Justiça", obriga Schlickmann à perda da função pública e ao pagamento de multa equivalente a um mês do salário de secretária estadual. A mesma multa aplica-se ao ex-prefeito.
O advogado da secretária na ação julgada, João Linhares, está fora do País e Miriam está em Brasília, mas seu representante em uma ação civil pública sobre o mesmo assunto, o advogado Gley Fernando Sagaz, afirma que o mesmo convênio foi assinado pela secretária com mais de 40 municípios, na mesma época. "Apenas em Itaiópolis e Papanduva houve problemas e, em Papanduva, houve absolvição", destaca Sagaz.
O advogado argumenta que o convênio foi assinado em abril, antes do período pré-eleitoral determinado por lei. "Se o convênio está assinado, o repasse de recurso do governo deixa de ser voluntário, como especifica a lei eleitoral, para ser obrigatório, portanto não há crime e sim cumprimento da obrigação firmada", afirma o advogado.
Sagaz diz estar confiante de que o Tribunal de Justiça reformulará a sentença e dispara: "O promotor Pedro Decomain, autor da ação, é também autor de um livro sobre legislação eleitoral. A meu ver, ele objetivava, na verdade, uma propaganda de sua obra". Decomain explica que ingressou com três representações sobre o caso: a de inelegibilidade por abuso de poder, uma ação civil pública e o pedido de multa. "A lei eleitoral é clara e não permite transferência voluntária de recursos do Estado aos municípios em período de eleições, exceto em casos de emergência ou quando a obra está em andamento. No caso de Itaiópolis, a construção não havia começado quando o dinheiro foi liberado", afirma.
Decomain lembra que a punição só ocorre quando não houver mais possibilidade de recurso. Em Papanduva, uma ação civil pública semelhante ainda não foi julgada, mas o ex-prefeito Mauri Grein (PPB) e a secretária Schlickmann foram absolvidos da representação por abuso de poder.
O ex-prefeito Reginaldo Fernandes afirma que os recursos precisavam ser liberados porque a licitação estava pronta.

 
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