Joinville         -          Domingo, 11 de Agosto de 2002         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

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Aviso
Por recomendação da Associação Nacional de Jornais (ANJ), A Notícia deixa de publicar na página OPINIÃO artigos de candidatos até o fim da campanha eleitoral.




Candidatos têm
perfil diferente
de eleitores

Quase metade dos registrados no TRE têm curso superior

Jefferson Saavedra

Joinville ­ Distribuídos em 28 partidos, os 489 candidatos que disputam o voto de 3,8 milhões de catarinenses nas eleições de 6 de outubro apresentam afinidades. A maioria são homens e, independente do sexo, quase metade tem ensino superior e dois terços são casados. Mais de 20% dos habilitados às 60 vagas em disputa não nasceu em Santa Catarina. Tem até estrangeiro naturalizado no grupo.
O perfil dos candidatos também guarda diferenças com eleitorado. Quase metade dos participantes da eleição concluiu algum curso superior. Mesmo que os dados de alistamento eleitoral possam estar defasados ­ afinal só são atualizados em caso de transferência de domicílio ou segunda via ­ ainda assim a escolaridade dos candidatos é bem superior à média do eleitorado catarinense, no qual apenas 3% tem diploma universitário. A diferença também se repete no caso do sexo. Enquanto que as mulheres, pela primeira vez, passam a ser maioria no eleitorado, as candidaturas femininas se mantêm como minoria.
Os números de candidatos ainda é provisório em Santa Catarina. Os dados utilizados por A Notícia são referentes ao último dia 2. A confirmação da maioria das candidaturas ainda não havia sido realizada, o que deve ocorrer nos próximos dias. Outras foram impugnadas. Teve quem renunciou. Mas o balanço do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) apontava a existência de 490 candidatos em Santa Catarina, incluindo os vice-governadores e suplentes de senador. Até o dia 6 de outubro, os números devem se modificar, embora sensivelmente.

Florianópolis

No entanto, a partir dos dados, é possível montar uma radiografia dos candidatos nas eleições 2002. Florianópolis é o município com maior número de candidatos nas eleições 2002. Como os indicados pelos partidos nanicos, assim como as próprias siglas, costumam na maioria das vezes passar desapercebidos do eleitorado, tais números podem causar surpresa: são 71 candidatos, quase duas assembléias legislativas, concorrendo a deputado estadual, segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina.
Outros 34 também com domicílio residencial em Florianópolis querem uma vaga na Câmara dos Deputados. Três dos seis candidatos a governador, Esperidião Amin (PPB), Sérgio Grando (PPS) e Gilmar Salgado (PSTU) são da Capital. E ainda tem dois candidatos ao Senado, sete suplentes e dois tentando emplacar como vice-governador. Resumindo, mais de um quinto dos 490 candidatos às eleições (incluindo suplentes de senadores e vice-governadores) informaram ter residência na Capital.
Já o maior colégio eleitoral de Santa Catarina, Joinville, com 290.440 votantes, foi mais modesto. São dois candidatos ao Palácio Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB) e Antônio Bello Júnior (PSB), e dois suplentes de senador. Para a Câmara dos Deputados, residentes no municípios, são 13 pretendentes. A lista se completa com os 26 candidatos à Assembléia Legislativa. Isto que os organizadores da campanha pelo voto regionalizado "Vote Certo, Vote em Joinville" procuraram os partidos para evitar o inchaço de candidaturas.
Apesar de quase metade do eleitorado de Santa Catarina estar concentrado em apenas 20 dos 293 municípios, existem candidatos com domicílio residencial em pelo menos 82 cidades, conforme os dados do TRE.

Migração

Tem espaço até para moçambicano. Marcante característica de Santa Catarina, a imigração também está presente nas eleições 2002. Entre os 489 candidatos, 95 não nasceram no Estado. Nesse quase um quinto de candidatos não-catarinenses, os gaúchos, com 50 representantes, são o grupo mais numeroso. Mas tem paranaense, fluminense, paulista, pernambucano, baiano, capixaba, piauense e até baiano.
E dois dos não-catarinenses são além-mar: tem candidato nascido na Ilha da Madeira e outro no Moçambique. Os dois foram naturalizados brasileiros.


Grau de instrução diferenciado

Entre tantas bobagens produzidas pela política brasileira, tem uma recorrente quando surge algum escândalo envolvendo político, notadamente no Poder Legislativo: tal deslize teria ocorrido porque o deputado é o "espelho" da sociedade. O exótico argumento não encontra eco na comparação dos dados dos candidatos com o restante da população. Nem em instrução, os atuais candidatos nas eleições catarinenses podem dizer que são semelhantes ao restante do eleitorado. Estão em patamares mais elevados. Quase metade deles, 47,5%, pode exibir um diploma na sala de casa, muito acima da média catarinense.
Um pouco mais de 10% afirmou ao Tribunal Regional Eleitoral ter ingressado no ensino superior, mas não concluir o curso. Já o ensino médio, antigo segundo grau, foi o teto em educação formal atingido por 82 candidatos, equivalente a 16% do total dos candidatos. Outros 24 informaram que não concluíram a etapa. Tem ainda outro contingente, 17,7%, que no máximo completou a quarta série, ou seja, o atual ensino fundamental.
Desse grupo, nove informaram ao TRE que "lêem e escrevem", isto é, provavelmente nunca passaram por um banco escolar. Se algum eleitor mais impertinente questionar a baixa escolaridade, nada como tradicional a "escola da vida me ensinou".

Mulheres

Outra diferença com o restante da população é o sexo. O eleitorado feminino é maioria, são 1.910.887 mulheres e 1.907.077 homens, mas a supremacia fica muito longe de se refletir nas candidaturas. Não tem nenhuma mulher concorrendo ao governo do Estado, apenas uma concorre a vice-governador e outras duas tentam uma vaga ao Senado. São sete entre o grupo de suplentes ao Senado.
Já nas eleições proporcionais, onde existe a lei que determina que pelo menos 30% das vagas sejam destinadas a um sexo e o restante a outro, a disparidade entre homens e mulheres é ainda mais evidente. 16 mulheres se habilitaram a tentar uma vaga na Câmara dos Deputados e outras 37 concorrem à Assembléia. Enfim, apenas 13% do total de candidaturas pertencem ao sexo feminino. (JS)


Vinte e oito legendas na disputa

A vida é dura para os partidos nanicos em Santa Catarina. Nestas eleições, o aumento no número de candidatos pode ser creditado também ao crescimento no número de legendas participantes da disputa, 28. Em 1982, com dois anos de vida, o PT era pequenino e não elegeu ninguém para a Câmara dos Deputados ou Assembléia Legislativa. Naquele ano, apenas cinco partidos disputaram as eleições estaduais. Passados 20 anos, com exceção do PT, que cresceu e virou grande, não mudou muito: é raro sigla diminuta emplacar um representante.
Nas eleições de 1986, apareceram o PH, PCB e PC do B, sem sucesso algum. O PT, pelo menos, chegava à Assembléia com Luci Choinacki. Nas eleições de 1990, dois anos depois da Constituição que abriu as porteiras para a criação de novas siglas, teve novamente PC do B e PCB, e apareceu PRTB, PMN, PTR, PDC e PSC. Só o PCB, com Sérgio Grando, e o PDC, através de Marcelo Rego, conseguiram colocar plaquinha na Assembléia. Na eleição estadual seguinte, em 1994, apareceu ainda o PRP, Prona e PV. Os nanicos só elegeram Jorginho Mello, pelo PL.
Na última eleição estadual, quatro anos atrás, o PSDB se integrou ao restrito grupo formado pelo PPB, PFL, PMDB, PT e PDT e conseguiu eleger um deputado federal. Na disputa para Assembléia Legislativa, um recorde: 22 partidos na briga. E se repete agora, sempre a esperança de conquistar uma cadeira ao menos. Que nada. Mais uma vez, as vagas ficaram com PMDB, PT, PPB, PFL e PSDB, com o PTB e PDT elegendo um deputado cada.
Nessas eleições, e reside aí o aumento no número de candidatos em relação a 98, são 28 partidos, um recorde. Alguns deles se agruparam em grandes alianças na tentativa de eleger pelo menos um representante. A partir de 2003, sigla que não tiver um bom desempenho, 5% dos votos válidos no País, poderá sofrer restrição no acesso às verbas do fundo partidário e ter reduzida a participação nos horários eleitorais gratuitos.

Renovação

Em Santa Catarina, o índice de renovação do Poder Legislativo costuma ser alto se levados em conta os eleitos em uma eleição e a turma vitoriosa nas urnas no pleito seguinte. Nestas eleições, na Câmara dos Deputados, com 16 vagas para catarinenses, aconteça o que acontecer, a representação do Estado vai se renovar em 18,7%, afinal três deputados federais estão disputando outros cargos.
No caso da Assembléia Legislativa, o índice de mudança passará de 25%, no mínimo, pois 11 dos 40 deputados estaduais eleitos em 1998 têm outros planos para 2002: ou vão disputar o Senado ou Câmara dos Deputados, ou viraram prefeitos ou conselheiros do Tribunal de Contas do Estado ou simplesmente desistiram de tentar a reeleição. (JS)


Raio-x
O perfil dos candidatos catarinenses às eleições deste ano

Total de candidatos registrados até o dia 2 no TRE

  • 6 ao governo do Estado
  • 6 a vice-governador
  • 11 Senado
  • 22 a suplentes ao Senado
  • 129 a deputado federal
  • 316 a deputado estadual

Grau de instrução

  • Superior Completo 49%
  • Superior Incompleto 11%
  • Médio Completo 16%
  • Médio Incompleto 5%
  • Fundamental Completo 8%
  • Fundamental Incompleto 7%
  • Lê e Escreve 2%
  • Não informado 3%

Estado civil

  • Casado 63%
  • Solteiro 18%
  • Viúvo 2%
  • Divorciado 6%
  • Separado judicialmente 6%
  • Não informado 5%

Candidatos nascidos fora de SC

  • Rio Grande do Sul 50
  • Paraná 15
  • Rio de Janeiro 12
  • São Paulo 6
  • Minas Gerais 4
  • Bahia 2
  • Piauí 1
  • Sergipe 1
  • Espírito Santo 1
  • Pernambuco 1
  • Ilha da Madeira (Portugal) 1
  • Moaçambique 1

Total: 95

Candidatos e seu domicílio residencial

Região Norte

  • Joinville
    2 governador
    1 vice-governador
    2 suplente de senador
    13 deputado federal
    26 deputado estadual
  • Itapoá
    1 deputado federal
    1 deputado estadual
  • São Francisco do Sul
    2 deputado estadual
  • Grande Florianópolis
  • Florianópolis
    3 governador
    2 vice-governador
    6 senador
    7 suplente de senador
    34 deputado federal
    71 deputado estadual
  • Águas Mornas
    1 deputado estadual
  • São José
    2 senador
    1 suplente de senador
    8 deputado federal
    21 deputado estadual
  • Biguaçu
    3 deputado estadual
  • Palhoça
    1 suplente de senador
    3 deputado federal
    6 deputado estadual
  • Tijucas
    1 deputado federal
    2 deputado estadual
  • São Pedro de Alcântara
    1 deputado estadual
  • Canelinha
    1 deputado estadual

Vale do Itajaí

  • Blumenau
    1 vice-governador
    1 suplente de senador
    8 deputado federal
    14 deputado estadual
  • Gaspar
    1 vice-governador
    2 deputado estadual
  • Indaial
    2 deputado estadual
  • Pomerode
    2 deputado estadual
  • Timbó
    2 deputado estadual
  • Brusque
    1 deputado federal
    6 deputado estadual
  • Luiz Alves
    1 deputado federal
  • Balneário Camboriú
    1 senador
    5 deputado federal
    12 deputado estadual
  • Penha
    1 deputado federal
    1 deputado estadual
  • Itajaí
    5 deputado federal
    11 deputado estadual
  • Camboriú
    1 deputado federal
    4 deputado estadual
  • Navegantes
    1 deputado estadual

Sul

  • Criciúma
    1 vice-governador
    9 deputado federal
    1 senador
    1 suplente de senador
    15 deputado estadual
  • Cocal do Sul
    1 deputado federal
    1 deputado estadual
  • Laguna
    1 deputado federal
    5 deputado estadual
  • Araranguá
    1 suplente de senador
    1 deputado federal
    4 deputado estadual
  • Sombrio
    1 deputado estadual
  • Içara
    1 deputado estadual
  • Tubarão
    3 deputado federal
    4 deputado estadual
  • Imbituba
    1 suplente de senador
    1 deputado estadual
  • Braço do Norte
    1 deputado federal
  • Orleans
    1 suplente de senador
    1 deputado estadual
  • Jaguaruna
    1 deputado estadual
  • Morro da Fumaça
    1 deputado estadual
  • Lauro Muller
    1 deputado estadual
  • Meleiro
    1 deputado estadual
  • Litoral Centro
  • Bombinhas
    1 deputado estadual
  • Itapema
    1 deputado federal
    2 deputado estadual
  • Navegantes
    1 deputado estadual

Oeste

  • Chapecó
    1 governador
    1 senador
    6 deputado federal
    15 deputado estadual
  • Abelardo Luz
    1 deputado estadual
  • Ipuaçu
    1 deputado estadual
  • Maravilha
    2 deputado estadual
  • Saudades
    1 deputado estadual
  • Xaxim
    1 deputado estadual
  • Concórdia
    1 deputado federal
    3 deputado estadual
  • Quilombo
    2 suplente de senador
  • Xanxerê
    2 deputado federal
    3 deputado estadual
  • Capinzal
    1 deputado federal
  • Pinhalzinho
    1 deputado estadual
  • São Lourenço
    1 deputado estadual
  • Seara
    1 deputado estadual
  • São Miguel do Oeste
    2 deputado federal
    3 deputado estadual
  • Guaraciaba
    1 deputado estadual

Alto Vale do Itajaí

  • Rio do Sul
    1 suplente de senador
    2 deputado federal
    2 deputado estadual
  • Taió
    2 deputado estadual
  • Benedito Novo
    2 deputado estadual
  • Pouso Redondo
    1 deputado estadual
  • Presidente Getúlio
    1 deputado estadual
  • Salete
    1 deputado estadual
  • Ibirama
    1 deputado estadual

Planalto Norte

  • São Bento do Sul
    2 deputado federal
    2 deputado estadual
  • Itaiópolis
    1 deputado estadual
  • Porto União
    1 deputado estadual
  • Rio Negrinho
    1 deputado estadual
  • Papanduva
    2 deputado federal
    1 deputado estadual
  • Canoinhas
    1 deputado federal
    3 deputado estadual
  • Três Barras
    1 deputado estadual
  • Mafra
    3 deputado federal
    3 deputado estadual

Planalto Serrano

  • Lages
    1 suplente de senador
    1 deputado federal
    6 deputado estadual
  • Urubici
    1 deputado estadual
  • São Joaquim
    1 deputado estadual
  • São Cristóvão
    1 deputado estadual
  • Santa Cecília
    1 deputado federal
  • Campos Novos
    4 deputado estadual
  • Curitibanos
    1 deputado estadual
  • Fraiburgo
    2 deputado estadual

Vale do Rio do Peixe

  • Caçador
    3 deputado federal
    2 deputado estadual
  • Videira
    1 deputado estadual
  • Joaçaba
    1 deputado federal
    4 deputado estadual

Vale do Itapocu

  • Jaraguá do Sul
    2 suplente de senador
    3 deputado federal
    5 deputado estadual
  • Guaramirim
    1 deputado federal
    1 deputado estadual

 

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Poderes atingem
limite prudencial na folha

LRF determina restrições para a administração pública nesta faixa de gastos com funcionalismo

Aline Felkl

Florianópolis - Nenhum poder ou órgão catarinense alcançou o limite máximo de gastos com pessoal previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), conforme a análise do primeiro relatório de gestão fiscal do ano publicada esta semana pelo Tribunal de Contas do Estado (referente aos meses de janeiro, fevereiro, março e abril). Mas o enquadramento do Executivo estadual, do próprio TCE e da Assembléia Legislativa no limite prudencial estabelecido na legislação (46,55% da receita corrente líquida do Estado para o governo, 2,09% da mesma receita para o Legislativo e 0,76% para o TCE) já traz conseqüências à administração pública.
Legislativo, Executivo e Tribunal de Contas estão proibidos, por exemplo, de criar novos cargos ou preencher vagas. E, conforme acompanhamento mensal efetuado pela Diretoria de Contabilidade Geral da Secretaria da Fazenda, AL e governo do Estado ultrapassaram o primeiro semestre do ano no limite prudencial. A LRF considera como válido o percentual de gastos médio dos últimos 12 meses. Na administração estadual, foi de 48,09% de julho de 2001 a junho de 2002, e de 48,06% nos primeiros seis meses deste ano. No Legislativo, a média alcançou os 2,14% nos 12 meses anteriores e 2,09% no semestre inicial de 2002. O TCE conseguiu sair do prudencial entre janeiro e junho deste ano (alcançando 0,74%), mas a média dos últimos 12 meses, 0,78%, mantém as restrições.
Neste caso, a única contratação permitida pela lei é a substituição de aposentadoria ou morte de servidor, mas somente nas áreas consideradas essenciais: educação, saúde e segurança. Neste período estes poderes também não podiam conceder aumento, reajuste, vantagem salarial ou qualquer outro tipo de benefício aos servidores. Novamente a LRF prevê exceção: quando trata-se de revisão geral anual de vencimentos, como a autorizada pelo governo (amparada na Constituição Federal), ou por determinação judicial, legal ou contratual. Horas-extras também não podiam ser exercidas nestes setores.

Encruzilhada

Como o percentual de gastos é calculado sobre a arrecadação, que, ao contrário do valor da folha salarial, diminui, o governo está atualmente numa encruzilhada para resolver o repasse dos 8,28% de reposição aprovada para todos os setores em abril. O prazo para sua concessão é de oito meses (até dezembro), mas desde então a receita caiu quase 10% (índice verificado em junho). Nas últimas semanas, a Fazenda chegou a projetar estudos para uma parcela de cerca de 2%, ainda em agosto, o que acrescentaria R$ 15 milhões na folha do Executivo, que no último mês foi de R$ 170 milhões. Um grande risco, então, de a administração estadual atingir o limite máximo de despesas com pessoal autorizado na LRF (49% da receita), caso a arrecadação não melhore.
Alcançando o máximo permitido, as restrições alçam o patamar de obrigações, entre as quais a adequação aos limites nos oito meses seguintes, com risco de redução de despesas com cargos de confiança, da jornada de trabalho dos funcionários (com equivalência no salário) e até da exoneração dos servidores não estáveis.


Concursados,
outro desafio

O Executivo tem ainda outro desafio: efetivar um contingente de pelo menos 450 aprovados em concurso público para a Epagri (350 vagas) Ciasc (30 vagas) e Cidasc (70 vagas), já que o estágio prudencial impede o provimento de cargos. Este mês, o governador Esperidião Amin (PPB) assinou a autorização para as contratações da Epagri, com previsão de inseri-las no quadro da administração estadual a partir de 2 de setembro. É uma das contrapartidas exigidas no financiamento do programa Microbacias II, feito com o Banco Mundial (Bird).
Mas o procurador-geral do Estado, Walter Zigelli, admite que não será possível o provimento, acrescentando que não tem conhecimento de nomeações efetuadas este ano no Executivo. "O governador pode autorizar as contratações da Epagri obedecendo aos critérios legais, mas não pode nomear", explica, lembrando ainda que a própria LRF impede o aumento da folha salarial nos últimos meses dos governantes.
O cumprimento da LRF, assim como a fiscalização da obediência às restrições impostas sob o limite prudencial são atribuições do Tribunal de Contas. Através de sua assessoria, o presidente Salomão Ribas Júnior informou que esta é uma etapa posterior à análise dos dados recentemente publicados.
Os relatórios de gestão fiscal são prestações de contas que antes da vigência da LRF só aconteciam anualmente, e agora são quadrimestrais para os Estados, permitindo um acompanhamento mais freqüente das finanças públicas. (AF)


Municípios
extrapolam

As restrições impostas aos poderes do Estado valem ainda para os municípios, apenas com parâmetros percentuais diferentes. O mesmo balanço, portanto, mostra que prefeituras não apenas atingiram limites prudenciais da Lei Fiscal nos gastos com folha salarial (Caçador, Canoinhas e Jaguaruna), mas extrapolaram. É o caso das prefeituras de Palmeira e Otacílio Costa, que obrigatoriamente têm de eliminar um terço do excesso de despesas no quadrimestre seguinte (portanto, de maio a agosto deste ano).
O primeiro relatório de gestão fiscal deste ano foi preenchido por 41 dos 293 municípios, os que têm mais de 50 mil habitantes. As demais cidades optaram pela remessa semestral do balanço ao Tribunal de Contas. Mais de dois anos após a promulgação da Lei Fiscal, oito câmaras de vereadores (veja quadro) e a Prefeitura de Fraiburgo, do universo de 41 cidades, sequer enviaram a prestação de contas ao TCE. Estão desde já sujeitos a multas e sanções a serem aplicadas pelo órgão fiscalizador.
No primeiro semestre deste ano, o TCE aplicou multas entre R$ 300,00 a R$ 1.000,00 para 33 câmaras de vereadores e 13 prefeituras por descumprimento à Lei de Responsabilidade Fiscal. A atenção aos prazos legais foi recomendada a 36 câmaras e 38 prefeituras catarinenses que atrasaram os relatórios por menos de 30 dias. (AF)

Gestão fiscal
Confira os números dos poderes públicos catarinenses encaminhados ao TCE

A DESPESA COM PESSOAL DOS MUNICÍPIOS COM MAIS DE 50 MIL HABITANTES DE JANEIRO A ABRIL DE 2002

PREFEITURA
Limite máximo
: 54% da receita corrente líquida municipal
Limite prudencial: a partir de 51,3% da receita corrente líquida municipal

Municípios que atingiriam limite prudencial ou máximo no período
Caçador no limite prudencial: 53,26%
Canoinhas no limite prudencial: 51,90%
Jaguaruna no limite prudencial: 52,22%
Otacílio Costa descumpriu: 57,73%
Palmeira descumpriu: 77,06%
Camboriú não remeteu o dado ao TCE
Fraiburgo não remeteu o dado ao TCE
Rio do Sul não remeteu o dado ao TCE
Rodeio não remeteu o dado ao TCE
Saltinho não remeteu o dado ao TCE
Santa Terezinha não remeteu o dado ao TCE

CÂMARA DE VEREADORES
Limite
: 6% da receita corrente líquida municipal
Limite prudencial: 5,7% da receita corrente líquida municipal

Municípios que atingiriam limite prudencial ou máximo no período

Bela Vista do Toldo não remeteu o dado ao TCE
Camboriú não remeteu o dado ao TCE
Concórdia não remeteu o dado ao TCE
Fraiburgo o Executivo não informou o dado ao TCE
Otacílio Costa não remeteu o dado ao TCE
Palmeira não remeteu o dado ao TCE
Rio do Sul não remeteu o dado ao TCE
Rodeio não remeteu o dado ao TCE
Saltinho não remeteu o dado ao TCE
Santa Terezinha não remeteu o dado ao TCE

O QUE A LEI FISCAL PREVÊ PARA O DESCUMPRIMENTO DOS LIMITES DE DESPESA COM PESSOAL

Se atingir o limite prudencial, o Poder fica vedado a:

- conceder vantagem, aumento, reajuste ou adequação de remuneração;
- criar cargo, emprego ou função;
- alterar estrutura de carreira que implique em aumento de despesa;
- prover cargo público, admitir ou contratar pessoal (exceto em caso de aposentadoria ou falecimento de servidor nas áreas de educação, saúde e segurança);
- pagar hora extra;

Se ultrapassar o limite máximo, o Poder fica obrigado a reduzir a despesa nos dois quadrimestres seguintes, adotando as medidas:

- redução em pelo menos 20% das despesas com cargos em comissão e funções de confiança, podendo reduzir valores ou extinguir cargos;
- exoneração dos servidores não estáveis e até dos estáveis, se necessário - pode haver opção pela redução da jornada de trabalho com adequação dos vencimentos;
- enquanto durar o excesso, o município fica proibido de receber transferências voluntárias, obter garantia direta ou indireta de outro ente e contratar operações de crédito (exceto quando servir ao refinanciamento da dívida mobiliária e operações que objetivem a redução de despesas com pessoal);

QUEM NÃO REMETEU O RELATÓRIO DE GESTÃO FISCAL DO PRIMEIRO QUADRIMESTRE DE 2002 AO TCE

PREFEITURA
Fraiburgo

CÂMARA DE VEREADORES
Bela Vista do Toldo
Camboriú
Concórdia
Otacílio Costa
Palmeira
Rodeio
Saltinho
Santa Terezinha

QUEM NÃO CUMPRIU O PRAZO DE REMESSA DETERMINADO PELA LRF

PREFEITURA
Blumenau
Brusque
Criciúma
Imaruí
Itajaí
Jaguaruna
Joinville
Mafra
Otacílio Costa
Palmeira
Rio do Sul
Saltinho
Santa Cecília
Tubarão

CÂMARA DE VEREADORES
Araranguá
Brusque
Caçador
Criciúma
Fraiburgo
Jaguaruna
Jaraguá do Sul
Joinville
Macieira
Mafra
Rio do Sul
Tubarão

A DESPESA COM PESSOAL DO GOVERNO ESTADUAL DE JANEIRO A ABRIL DE 2002

PODER LIMITES
PRUDENCIAL PARA ALERTA MÁXIMO NO PERÍODO (jan a abr) NO ANO DE 2001(sobre a receita corrente líquida estadual)

Executivo - 46,55% - 44,10% - 49% - 47,58% - 46,14%
Assembléia Legislativa - 2,09% - 1,98% - 2,20% - 2,18% - 2,14%
Tribunal de Justiça - 5,70% - 5,40% - 6,00% - 4,99% - 4,52%
Ministério Público - 1,90% - 1,80% - 2,00% - 1,79% - 1,78%
Tribunal de Contas - 0,76% - 0,72% - 0,80% - 0,78% - 0,77%

O QUE A LEI FISCAL PREVÊ PARA O DESCUMPRIMENTO DOS LIMITES DE DESPESA COM PESSOAL NO GOVERNO DO ESTADO (TODOS OS PODERES)

SE ATINGIR O LIMITE PRUDENCIAL
Proibições:
- Concessão de aumento, reajuste, vantagem ou qualquer outro tipo de benefício a seus servidores, exceto revisão anual geral e decorrentes de sentença judicial, determinação legal ou contratual;
- contratação de horas-extras (exceto situações previstas na LDO);
- criação ou provimento de cargos, exceto em casos de vacância nas áreas de educação, saúde e segurança;

SE ULTRAPASSAR O LIMITE MÁXIMO
Obrigações:
- adequação aos limites, podendo reduzir temporariamente a jornada de trabalho, com redução proporcional dos vencimentos;
- prazo de oito meses para retorno a percentual inferior ao limite máximo. Se necessário, podem ser adotadas as medidas:
* redução de 20% das despesas com cargos de confiança;
* exoneração dos servidores não estáveis;
* exoneração dos estáveis, segundo os critérios menor tempo de serviço, maior remuneração e menor idade;
* pelo menos 1/3 do excesso deve ser eliminado no primeiro quadrimestre;

FONTE: Resultado estatístico dos pontos de controle da LRF do 1º quadrimestre de 2002, publicado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) no site "www.tce.sc.gov.br" e "Guia da Lei de Responsabilidade Fiscal", publicado pelo TCE


Inadimplência impede
Prefeitura de fazer convênio

Brusque - A Prefeitura de Brusque está inadimplente com o governo federal e foi registrada no Cadastro Informativo de Créditos Não Quitados do Setor Público Federal (Cadin) e Sistema de Informação da Administração Federal (Siaf). A situação impede a Prefeitura de assinar novos convênios. A Secretaria Especial de Desenvolvimento Urbano apontou falhas na prestação de contas de um convênio assinado entre a Prefeitura e o Ministério do Bem-estar Social, no valor de R$ 7 milhões, em 1993, para implantação de rede de esgoto sanitário.
Conforme o procurador da Prefeitura, Edson Ristow, a prestação de contas enviada ao ministério, ainda na gestão de Danilo Moritz, em 1996, apresentou problemas, como a falta de extratos para o pagamento de faturas e diferença de valores pagos com os cheques e as faturas apresentadas. O governo federal ainda se manifestou em maio de 1997, na administração de Hylário Zen, solicitando a prestação de contas.
Em 2001, a Prefeitura recebeu, novamente, comunicado sobre a pendência na prestação das contas. "Procurando a documentação existente na Prefeitura, não encontramos registros para dar sustentação à uma prestação decente", acrescenta Ristow.
Danilo Moritz diz que deve, na próxima semana, comparecer na Prefeitura, para auxiliar na nova prestação de contas.
Já o advogado Ivo Mário Visconti, procurador do município durante a administração de Hylário Zen, confirmou que, na época, já faltava documentação.

 
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Por: Torque Comunicação e Internet