Joinville
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Segunda-feira, 12 de Agosto de 2002
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Santa Catarina - Brasil
ANotícia
Fotos:
Divulgação
Para começar bem a semana
Conjunto de flautas
doces Compassolivre faz recital no Juarez Machado
Marlise Groth
Joinville
- O programa cultural desta semana inicia hoje com música
no Teatro Juarez Machado, em Joinville. Os responsáveis
pelo espetáculo são os instrumentistas do conjunto
de flautas doces Compassolivre, da Escola de Música Villa-Lobos.
O recital é uma promoção da Fundação
Cultural de Joinville (FCJ) e da Casa da Cultura Fausto Rocha
Júnior.
No programa da noite estão peças populares - algumas
renascentistas, outras brasileiras (dois choros, um baião
e uma bossa), dois trios, um muito rítmico sobre tema
folclórico da Macedônia, outro mais lírico
e contemporâneo, um tango arranjado da Suécia, uma
peça pop holandesa e um
blues argentino.
O conjunto é formado pelos flautistas Vera Zen Zucco,
Renata Pereira, Débora Zucco e Borges de Garuva, o violonista
Jair Correa e a cantora Marilene Sprogis. Este espetáculo
conta com participação do percussionista André
Steuernagel.
O conjunto Compassolivre surgiu em 1998, a partir do antigo Conjunto
de Flautas Doces da Escola de Música Villa-Lobos. Seu
repertório transita da música tradicional para
flauta doce, violão e percussão, até a música
contemporânea, parte dela de caráter popular, incluindo
composições e arranjos próprios. Em 2000,
uma parceria com o Coral Boca da Noite popularizou o grupo entre
a comunidade local.
O objetivo do conjunto, segundo a coodenadora Vera Zen Zucco,
é resgatar "a flauta doce para uma música
menos formal do que a que tradicionalmente tem sido associada
ao instrumento, mas sem afastar-se das exigências estéticas
que a boa música requer". De acordo com a instrumentista,
"este trabalho busca alcançar os ouvidos mais delicados
e tranqüilos, cuja sensibilidade pede uma música
mais doce".
O QUÊ: Recital do Conjunto de flautas doces Compassolivre.
QUANDO: Hoje, às 20h. ONDE: Teatro Juarez
Machado, anexo ao Centreventos Cau Hansen, av. José Vieira
(Beira-rio), 315, Joinville, tel.: (47) 433-2190 (FCJ, pela manhã).
QUANTO: Gratuito.
Realidade mostrada na ficção
Carla Pessotto
Florianópolis - Há alguns anos, o diretor de
cinema Chico Caprário leu "1984", best-seller
de George Orwell, e não gostou muito do futuro projetado
pelo inglês em 1948. No livro, o Estado domina o mundo,
e tudo o que resta de privado são os poucos centímetros
quadrados do cérebro. Esta possível realidade ficou
na cabeça de Chico e, tempos depois, serviu de inspiração
para o curta-metragem "Sorria, Você Está Sendo
Filmado", que está sendo produzido em Florianópolis.
Passado meio século do seu lançamento, o livro
parece mais atual do que nunca, pois a cada dia fica mais tênue
a linha que divide o real da ficção. O reforço
extra vem através dos tão em moda reality shows,
que invadiram a televisão brasileira e, num caso local
da capital catarinense, as câmeras de segurança
que monitoram algumas ruas do centro da cidade. "O curta
traz fatos verídicos tratados de maneira ficcional",
conta ele, que escreveu o roteiro e é responsável
pela direção.
Através da comédia - gênero que o diretor
mais se identifica -, Caprário busca levantar a discussão
sobre as diferenças entre o público e o privado.
"Não pretendo impor uma visão fechada, mas
levantar a questão, o que é uma das funções
do cinema", argumenta ele. Com tempo final de 17 minutos,
o curta vai mostrar locais onde todos nós somos permanentemente
monitorados como caixas eletrônicos, corredores de edifícios
públicos, elevadores.
"Sorria, Você Está Sendo Filmado" é
um dos três curtas-metragens vencedores do Prêmio
Cinemateca/Fundação Catarinense de Cultura, lançado
no ano passado. Pelo edital, o projeto recebe R$ 80 mil, mas
Caprário trabalha na captação de outros
R$ 50 mil, através da Lei Rouanet (federal, de renúncia
fiscal) para completar o trabalho. Mesmo assim, para tornar realidade
o filme, houve uma ajuda extra, a do Grupo Expressão Sarcástica,
formado por amigos e que participaram em várias etapas,
entre técnica e interpretações.
Totalmente filmado com tecnologia digital, que deixa a produção
cerca de 30% mais barata, o curta está em fase de pré-montagem
e edição. Pelo edital, deve ser concluído
em janeiro de 2003, mas o diretor pretende antecipar este prazo
para novembro ou dezembro. Este é o primeiro filme de
Caprário, que fez a produção de "O
Capitão Imaginário", documentário do
diretor Chico Faganello. Agora, trabalha em outros dois projetos:
um novo roteiro e um plano de edição.
Diretor de "Vigilante
Rodoviário" planeja refilmar a clássica série
dos anos 60
Igor Giannasi
AgÊncia Estado
São Paulo - O diretor de cinema e televisão
Ary Fernandes tem dois filhos - além dos dois naturais
- que lhe dão orgulho e alegria: os seriados "Vigilante
Rodoviário" e "Águias de Fogo".
Como acontece em várias famílias, um deles destacou-se
mais do que o outro - "Vigilante Rodoviário",
o primeiro seriado nacional, teve altos índices de audiência
em sua primeira exibição, em 1961, pela TV Tupi.
Desde pequeno, Fernandes, ao assistir às sessões
de cinema, sentia falta de histórias que falassem de assuntos
brasileiros. Entre um episódio de Flash Gordon e outro,
o que ele queria mesmo era acompanhar as aventuras de um herói
genuinamente nacional.
Anos mais tarde, depois de começar a carreira no rádio,
passar pelo teatro e participar do início da televisão
- que o levou a trabalhar no cinema -, a idéia de trazer
ao público um herói brasileiro ainda o perseguia.
No final de 1958, Fernandes comentava com o amigo e produtor
Alfredo Palácios a vontade de criar um seriado de televisão.
Ele e Palácios já haviam produzido juntos os primeiros
comerciais publicitários, substituindo as garotas propagandas
que anunciavam os produtos ao vivo. Durante a conversa, algumas
profissões chegaram a ser sugeridas como o tema da série,
até que chegaram à escolha do policial rodoviário.
"Ninguém tinha problemas com eles", lembra.
Sem recursos, apenas com a ajuda de conhecidos - e com apoio
da Polícia Rodoviária -, Fernandes e Palácios
começaram as filmagens, em 35 mm, dos primeiros episódios
de "Vigilante Rodoviário", estrelado pelo ator
Carlos Miranda e pelo cachorro pastor-alemão Lobo. Com
alguns capítulos prontos, "Vigilante Rodoviário"
foi exibido pela Tupi e conseguiu desbancar o "Grande Show
União", campeão de audiência da TV Record.
"Os críticos de cinema começaram a gozar do
seriado enquanto ele estava sendo feito", conta Fernandes,
vingado depois do sucesso alcançado. A ironia é
que, no primeiro mês, as pessoas pensavam que a série
com o novo herói nacional tratava-se de um programa estrangeiro
dublado. O seriado ficou no ar por um ano e foi reapresentado
nos anos 70.
Aos 71 anos, depois de participar de cerca de 130 filmes, em
diversas funções, Ary Fernandes ainda tem a disposição
de um iniciante. "A idade vem de qualquer maneira, depende
de como cada um a encara". O único impedimento para
que ele mantenha suas atividades habituais foi um derrame sofrido
em novembro, que paralisou o lado direito do corpo do diretor,
do qual está se recuperando. "Em quatro meses estarei
quase normal".
Um dos projetos do diretor é transformar os 26 episódios
do "Vigilante Rodoviário" - dos 38 produzidos
-, recuperados pela Cinemateca de São Paulo, em DVD. Outro,
mais ambicioso, é voltar a produzir o seriado. O roteiro
de 13 episódios já está pronto, e algumas
negociações com emissoras estão sendo feitas.
"Se o 'Vigilante' voltar, eu serei o diretor-geral",
diz Fernandes, sempre preocupado em cuidar de sua prole.