Joinville
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Terça-feira, 13 de Agosto de 2002
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Santa Catarina - Brasil
ANotícia
SONHO "Tentei mostrar um lugar envolvido com festividades
da cidade, com crianças brincando", conta Índio,
que reúne 15 telas com contornos firmes e cores vibrantes Foto: Carlos Pereira
O morro
Os barracos
A cidade
Elias Andrade,
o Índio, abre exposição em Florianópolis
com telas em que destaca o lado alegre da favela
Florianópolis
- Na exposição que inaugura hoje, Barracos da Cidade,
o artista plástico Elias Andrade buscou retratar um morro
diferente dos que são vistos hoje. "Tentei mostrar
algo alegre, um lugar envolvido com festividades da cidade, com
crianças brincando", conta ele. O resultado é
composto por 15 telas de grandes dimensões que se caracterizam
pelos contornos firmes e cores vibrantes.
As obras marcam uma nova fase do trabalho do artista, que em
22 anos dedicados à pintura produziu quadros em que se
destacam cenas, lugares, pessoas e atividades da cidade, como
o folclore e a pesca, por exemplo. Agora, ele parte para o abstrato,
sem deixar de lado o estilo figurativo e primitivista.
A idéia para a série barracos surgiu há
dez anos, numa viagem ao Rio de Janeiro. "Neste tempo, os
nossos morros também se ampliaram bastante e eu percebi
que era o momento de usar a arte a serviço da sociedade",
conta Andrade, que é conhecido como Índio. Por
isso, a visão alegre e colorida. "É como deveria
ser, pois 99% dos moradores dali são trabalhadores."
Ele pretende organizar uma exposição em um morro,
para aproximar o cidadão comum da sua obra. "Ele
tem direito de conhecer o que é arte. Os moradores dos
barracos precisam ver uma imagem deles que não seja associada
à violência."
Autodidata, Andrade já realizou 20 exposições
individuais e mais de cem coletivas. Também tem obras
em Portugal, Alemanha, França, Itália, Espanha,
Argentina, México, Canadá e Estados Unidos. Ele
é o responsável pela comercialização
de seus trabalhos. "O meu público é concreto,
não abstrato, sei onde estão as minhas obras."
Os trabalhos expostos estão à venda e têm
preço médio de R$ 1 mil.
O QUÊ: Exposição BARRACOS DA CIDADE,
de Elias Andrade. QUANDO: Abertura hoje, às 20h.
Até 6 de setembro, de segunda a sexta, das 10 às
18h30. ONDE: Galeria de Arte da Universidade Federal de
Santa Catarina (UFSC), no Centro de Convivência, campus,
Trindade, Florianópolis, tel.: (48) 331-9348. QUANTO: Gratuito.
Joinville define curador da 32ª
Coletiva de Artistas de Joinville
Marlise Groth
Joinville - Já está definido o nome do curador
que atuará na 32ª Coletiva de Artistas de Joinville
(CAJ). O responsável pelo formato do evento será
o paranaense Geraldo Leão, artista plástico que
integra o Conselho Estadual de Cultura daquele Estado. Em seu
currículo constam a 12ª Mostra de Gravura Cidade
de Curitiba realizada entre 1999 e 2000 e assistência na
mostra "A Poética da Morte", apresentada no
Museu de Arte de Santa Catarina (Masc), em Florianópolis,
e Cidadela Cultural Antarctica, em Joinville, ano passado.
Em 1990, Leão participou, com Adalice Araujo e Sérgio
Kirdzej, da comissão curadora que selecionou artistas
paranaenses para exposição no Museu de Himeji,
no Japão. Em 1991, foi responsável pela curadoria
da retrospectiva do artista plástico Mohamed Ali, para
a Fundação Cultural de Curitiba (FCC). Em 1995,
criou e organizou a exposição Arte Contemporânea
na UFPR, a convite da coordenadoria de cultura da pró-reitoria
de extensão e Cultura da Universidade Federal do Paraná
(UFPR). Embora programada para o mês de outubro, a Coletiva
de Artistas de Joinville, que ano passado ocorreu de 5 de novembro
a 20 de dezembro, ainda não tem data definida.
Esse detalhe deve ser acertado pelo curador e comissão
organizadora nos próximos dias, quando Leão estará
na cidade discutindo sua proposta de trabalho junto aos artistas
e estudantes de artes plásticas de Joinville. Numa conversa
informal, marcada para acontecer no próximo dia 23, no
Teatro Juarez Machado, ele pretende expor um panorama da produção
contemporânea e o respeito à diversidade. "Não
quero impor nada, por isso estou propondo uma mostra por 'afinidades',
independente da vertente adotada pelo artista", declara.
Sua idéia é iniciar um mapeamento das artes na
cidade.
Formação
Tendo como objetivo ampliar a formação do artista
plástico que atua em Joinville, a Associação
dos Artistas Plásticos (Aaplaj) organizou, sábado
à tarde, uma conversa informal com o curador independente
Charles Narloch. O bate-papo, realizado na sala de cinema da
Cidadela Cultural Antarctica, reuniu 40 pessoas de diversas idades.
Para Narloch, artista bom é aquele que apresenta um trabalho
consistente, com base na pesquisa. "O tempo vai filtrar
quem fica e quem não fica nas artes", resumiu. Diante
disso, argumenta que de nada adiantam boas exposições
se não houver um verdadeiro envolvimento da sociedade.
"Não podemos dizer que são os números
que definem a qualidade de um evento, mas sim a real participação
do público nas discussões que o envolvem",
observa.
Enfático, o curador acentuou a idéia de que Santa
Catarina ainda não possui mercado para arte contemporânea
e mostrou a realidade dos museus, que não têm propostas
de aquisição do acervo. "É preciso
repensar nossa realidade e a realidade das instituições.
Como estão as reservas técnicas? Os museus estão
habilitados para lidar com as novas tendências?",
questiona.
Em sua opinião, Santa Catarina, em especial Joinville,
vive um bom momento nas artes plásticas. Não tanto
pela produção, mas pelas discussões. "Ser
contemporâneo é estar extremamente coerente com
o momento, e questionar os processos de organização
é ser contemporâneo", arrematou.
O QUÊ: Conversa sobre a 32ª Coletiva
de Artistas de Joinville com Geraldo Leão. QUANDO:
Dia 23, às 19h. ONDE: Teatro Juarez Machado, anexo
ao Centreventos Cau Hansen, av. José Vieira (Beira-rio),
315, Joinville, tel.: (47) 433-4677. QUANTO: Gratuito.
Orquestra
alemã chega à Capital
Sinfônica
Jovem de Berlim encerra turnê por Santa Catarina com espetáculo
hoje à noite, no CIC
Florianópolis - A Sinfônica Jovem de Charlottenburg,
de Berlim, se apresenta hoje à noite, na Capital, no encerramento
da turnê catarinense. Dois solistas de renome internacional
acompanham a sinfônica: o violoncelista paulista, radicado
na Alemanha, Matias de Oliveira Pinto, e o saxofonista alemão
Christof Griese.
Oliveira Pinto começou a estudar na Alemanha aos 19 anos
como bolsista da Fundação Herbert von Karajan.
Na Europa, estudou na Escola Superior de Música de Berlim
e na Academina Franz Liszt, em Budapeste. Entre os seus professores
está o também brasileiro Antonio Meneses, considerado
o maior violocentista do mundo na atualidade. Também gravou
CDs para os selos europeus Academy, Kreuzberg Records, Bella
Musica e Hungaraton Classics.
Já Christof Griese estudou flauta, saxofone e composição
com Bernd Konrad, Evan Parker, Dave Liebman e Steve Lacy. É
membro do Quarteto de Saxofones de Berlim, tendo excursionado
pela Europa e Estados Unidos, atuando, inclusive, no famoso Carnegie
Hall. Foi vencedor do Prêmio Berlim Studio Project em 1988,
1989, 1994, 1995 e 2000. Sua discografia conta com mais de 30
CDs.
Regente
Outro destaque é a regente Elke Mentges, que estudou
violoncelo na Escola Superior de Música de Ruhr com o
famoso professor Richard Klemm, e piano na Escola Superior de
Arte de Berlim. É considerada a grande responsável
pelo crescimento e aperfeiçoamento da sinfônica,
fundada em 1984 e cujo repertório concentra-se em obras
sinfônicas dos séculos 18 ao 20 (veja programa).
A promoção é da Pró-Música.
O QUÊ: SINFôNICA JOVEM DE CHARLOTTENBURG.
QUANDO: Hoje, às 21h. ONDE: Teatro Ademir
Rosa, Centro Integrado de Cultura (CIC), av. Irineu Bornhausen,
5.600, Agronômica, Florianópolis, tel.: (48) 333-2166.
QUANTO: R$ 30,00/R$ 15,00 (estudantes).
PROGRAMA
O repertório
da Sinfônica Jovem de Charlottenburg
Mar Calmo e Viagem Feliz - Abertura op.27,
de F. Mendelssohn - Bartholdy
Adagio
Allegro
Variações sobre um tema rococó para violoncelo
e orquestra
de Tchaikovsky
solista: Matias de Oliveira Pinto
Intervalo
Danças Eslavas op.46
de A. Dvorak
nº 1 - Presto
nº 2 - Allegretto Scherzando
nº 4 - Tempo di Minuetto
nº 7 - Allegro Assai
nº 8 - Presto
"Scaramouche" para saxofone e orquestra
de D. Milhaud
Vivo
Moderado
Brasileira
Solista: Christof Griese
Projeto
O Caldo tem início hoje
Florianópolis - Mídia, sexualidade, produção
literária e ocupação do espaço urbano
são os quatro primeiros módulos do projeto O Caldo
- Debates Contemporâneos, que começa hoje, na Capital.
"A intenção é discutir questões
que atravessam o nosso caminho o tempo todo", afirma Kátia
Bittencourt Borges, professora e uma das coordenadoras.
A primeira discussão será Mídia: Ética
e Papel Social, tema apresentado por Antunes Severo, coordenador
do laboratório de marketing e inovação da
Única, e que terá como debatedores Sônia
Maluf, jornalista, antropóloga e professora da Universidade
Federal de Santa Catarina (UFSC), e Sérgio Murilo, professor
de jornalismo da UFSC e ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas
de Santa Catarina.
Discussões
O Caldo é formado por 15 professores da Escola Praia
do Riso, em Coqueiros, que sentiram a necessidade de abordar
questões levadas pelos alunos e que afetam a vida de todos.
A escolha da mídia como primeira abordagem, segundo Kátia,
foi motivada pela influência comportamental que possui.
Depois do último evento, em novembro, o projeto entra
em férias, sendo retomado após o verão,
novamente em quatro módulos. O evento é aberto
ao público em geral. A entrada é franca, mas a
capacidade máximo do local é 60 pessoas.
O QUÊ: O CALDO - Debates Contemporâneos.
QUANDO: Hoje, 10 de setembro, 8 de outubro e 12 de novembro,
sempre às 20h. ONDE: Café Matisse, Centro
Integrado de Cultura (CIC), av. Irineu Bornhausen, 5.600, Agronômica,
Florianópolis, tel.: (48) 333-2166. QUANTO: Gratuito.
Roteiro
Os módulos
do módulos do projeto O Caldo
Hoje
Mídia: Ética e Papel Social,
por Antunes Severo, coordenador do Laboratório de Marketing
e Inovação da Única.
Debatedores: Sônia Maluf, jornalista, antropóloga
e professora da UFSC; Sérgio Murilo, professor de jornalismo
da UFSC e ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas
Mediadora: Rosi Isabel Bergamaschi
10 de setembro
A Construção Social da Sexualidade: Mudanças
nas Relações de Gênero após os Anos
60,
por Joana Maria Pedro, historiadora e professora da UFSC
8 de outubro
Produção Literária em SC: Quem escreve?
Quem Lê?,
por Nelson Rolim, editor e presidente da Câmara Catarinense
do Livro
12 de novembro
Espaço Urbano de Florianópolis: Lugar de Convivência?,
por Lino Fernando Bragança Peres, doutor em urbanismo
e professor da UFSC
"Variações Enigmáticas",
um espetáculo impecável
Regis Mallmann
Florianópolis - Espetáculo que tem no desempenho
dos atores Paulo Autran e Cecil Thiré uma sintonia raras
vezes vista no teatro brasileiro, "Variações
Enigmáticas" fez jus à casa lotada nos três
dias em que foi apresentada no teatro do Centro Integrado de
Cultura (CIC), entre sexta-feira e domingo. De surpresa em surpresa,
o texto do francês Eric-Emmanuel Schmitt é interpretado
de forma a criar no público um sentimento de expectativa
premiado com um final empolgante, que lança no ar perguntas
de ilimitadas respostas.
Num jogo onde nada é o que parece ser e tudo pode acontecer,
os dois personagens se enfrentam durante uma hora e meia no palco.
Contribui para dar grandiosidade a esse conjunto um competente
trabalho de luz, lançado sobre um cenário simples,
porém, perfeito para o que pede o roteiro. A história
em que um escritor premiado com o Nobel recebe um jornalista
para uma reportagem é centrada num enigma, um mistério
que vai sendo desvendado a cada seqüência do diálogo
rápido e ágil.
É como se os dois atores estivessem a desatar nós
e que a cada um deles desatado premiasse a platéia com
respostas e esclarecimentos que todos esperam com ansiedade.
As mudanças que se processam ao longo da trama são
complemento do discurso ácido, às vezes quase amargo,
desfiado por Abel Zorko, mais um personagem interpretado magistralmente
pelo veterano Autran, quem tem no colega Thiré um parceiro
de palco perfeito no papel do sensível Eric Larsen.
Ao se encontrarem num lugar isolado, os dois acabam por também
remexer no passado. Encontram, assim, muitas respostas para aquilo
que são e vivem no presente e, ao final de tudo, razões
para manterem-se vivos, deixando na mão de cada espectador
a sensasão de que amor, paixão e amizade devem
navegar lado a lado.
Grupo G8
estréia com "Procura-se!?"
Joinville - O grupo de teatro G8, formado por alunos da Universidade
do Estado de Santa Catarina (Udesc), campus Joinville, estréia
hoje com a peça "Procura-se!?". O espetáculo
é dirigido pelo ator e diretor teatral Cristóvão
Petry e o roteiro foi criado a partir de trechos de textos de
autores desconhecidos.
Abordando as pessoas qualificadas que estão fora do mercado
profissional e a falta de trabalho, o espetáculo conta
a história de uma mulher que está à procura
de emprego.
O QUÊ: Peça Procura-se!?, do grupo G8.
QUANDO: Hoje, às 20h. ONDE: Auditório
do bloco F da Udesc, campus universitário, Bom Retiro,
Joinville, tel.: (47) 431-7200. QUANTO: Gratuito.
Semana começa com
exposições em Joinville
Joinville - Duas mostras de arte e artesanato acontecem em
Joinville esta semana. A primeira, aberta ontem, é realizada
pelo grupo Artemix na praça de eventos do Shopping Mueller.
A segunda abre hoje, no Espaço Cultural Yázigi,
e reúne obras de Anderson Castilho, Scheila Bianca de
Freitas e Ticiana Sandoval.
Formado basicamente por funcionários do Banco do Estado
de Santa Catarina (Besc), o grupo Artemix leva ao shopping óleos
sobre tela, esculturas em cerâmica, tapeçaria e
quadros feitos com ponto cruz. Esse trabalho, de autoria de Lucia
Sempticowski, está registrado no Banco de Talentos da
Federação Brasileira de Associação
de Bancos (Febraban) na categoria artesanato.
"O grupo surgiu no trabalho e aos poucos ganhou novos participantes.
Para nós, a arte é uma terapia, uma forma de aliviar
o estresse do cotidiano", resume Lucia. Além dela,
participam da mostra Caroline e Evelyn Bach, Iolanda S. dos Santos,
Mabli F. Silva, Marilene F. Vieira, Nelson Bibow e Rejanes M.
Galon.
Mostra reúne
diferentes estilos
Scheila Bianca de Freitas, que expõe no Espaço
Cultural Yázigi, apresenta três telas em acrílica
sobre MDF. No mesmo local, Anderson Castilho exibe seis painéis
em óleo sobre tela dentro de uma vertente abstracionista
com tendência surrealista.
Autodidata, Castilho pinta desde 1987. Professor da Casa das
Artes, já participou de outras coletivas, inclusive em
São Paulo. Completam a exposição painéis
em acrílico de Ticiana Sandoval.
"Nosso objetivo é promover uma comunicação
visual diferente e tornar o espaço irreconhecível
para quem o freqüenta todos os dias", observa Castilho.
O QUÊ: Mostra de Artes Plásticas do grupo
Artemix. QUANDO: Até dia 16, das 10 às 22h.
ONDE: Praça de eventos do Shopping Mueller, rua
Senador Felipe Schmidt, esquina com Pedro Lobo, centro, Joinville,
tel.: (47) 451-8000. QUANTO: Gratuito.
O QUÊ: Abertura da Exposição de
Arte Moderna. QUANDO: Hoje, às 20h30. Até
dia 21, das 9 às 21h, sábados, das 9 às
14h. ONDE: Espaço Cultural Yázigi, rua Henrique
Meyer, 189, centro, Joinville, tel.: (47) 433-1806. QUANTO:
Gratuito.
Arte - O Espaço Cultural Leonardo Da Vinci,
anexo à Piazza Italia, em Joinville, sedia, na próxima
quinta-feira, abertura da exposição de Elio Hahnemann
e lançamento do livro de Guiomar Beltrão Ferreira.
Enquanto Hahnemann traduz a área rural da cidade em Flores,
Formas e Cores, Guiomar apresenta Passado - Presente, 151 Anos
de Joinville.
Produto cool, ela
se transformou num ícone da moda brasileira
Maristela Amorim
Especial para o Anexo
Florianópolis A sandália mais popular
e democrática do Brasil chega com muito charme aos 40
anos. Criada em 1962, apareceu como alternativa de calçado
confortável e barato. O nome remetia ao paraíso
da época, o Havaí, onde os milionários e
famosos americanos iam passar as férias na praia, sob
o sol escaldante e num clima glamuroso. Exatamente dois anos
depois, já fazendo sucesso, a direção da
São Paulo Alpargatas resolveu entrar com pedido de patente
do novo modelo de palmilha com forquilha, inspirado nos chinelos
japoneses. O pedido chegou ao Departamento Nacional da Propriedade
Industrial do Ministério da Indústria e do Comércio
em 13 de agosto de 1964. O aval definitivo veio em 1966.
De lá para cá, nem eles mesmos imaginavam que as
Havaianas se transformariam num produto cool, um ícone
da moda brasileira. Confortáveis, leves, simples, práticas,
combinam com tudo. Estão na praia, nas piscinas, nas ruas,
no trabalho, nos protestos. A atriz Luana Piovani elegeu um modelo
de solado branco com tiras fosforescentes para passar o réveillon
2000. São as preferidas das crianças, dos estudantes,
de dona Ruth Cardoso. A premiada designer de jóias catarinense
Pitti Paludo tem coleção. E o escritor paulista
Mário Prata, agora morando em Florianópolis, é
outro apaixonado confesso.
É o único calçado que não faz distinção
de sexo, raça, crença, condição social.
Difícil encontrar alguém que não tenha um
par desta sandália de borracha macia. Segundo dados do
fabricante, dois de cada três brasileiros têm pelo
menos um par. Muitos estrangeiros também têm as
suas. As modelos Naomi Campbell e Kate Moss, a atriz Nicole Kidman,
a rainha Sílvia, da Suécia. Isso sem contar os
milhares de anônimos que compram seus chinelos em Paris,
na célebre Galeria Lafayette. Ou no Japão, em Milão,
Singapura, República Dominicana, Austrália, Nova
Zelândia entre outros países para onde é
exportada e vendida com preço médio de US$ 10,00.
Em Londres, chega a custar US$ 12,00 (cerca de R$ 36,00), enquanto
no Brasil fica em torno de R$ 9,00.
Feitas de borracha, produto natural 100% brasileiro, elas conseguem
índices insuperáveis. São cinco pares vendidos
por segundo, 300 por minuto, 18 mil por hora, 140 milhões
por ano. Já foram mais de 2,4 bilhões desde a sua
criação, o que, segundo Cristina Dell'Amore, assessora
de imprensa da São Paulo Alpargatas, "utilizando
um modelo de numeração 37 é possível
encher 15 campos de futebol ou, se colocadas uma na frente da
outra, dar 50 voltas ao redor do mundo (na linha do Equador)
ou, ainda, ir, voltar e ir novamente da Terra à Lua".
É durável também. Dois homens foram a pé
de Arapiraca (AL) até o Rio de Janeiro. Andaram exatos
2.600 quilômetros. E chegaram calçados...
Em 1994 veio a revolução. "Durante 32 anos
tivemos um só modelo que, com o tempo, foi perdendo o
glamur. "Se as pessoas viravam a sola é porque estavam
querendo um modelo assim", analisa Rui Porto, diretor de
marketing da São Paulo Alpargatas. Foi aí que nasceu
a Havaianas Top.
A jogada certeira despertou para a diversificação
de opções, sempre com a mesma base. As Havaianas
foram para a Expo 98, em Lisboa, estiveram na Bienal de Veneza
(em obras de Bispo do Rosário), inspiraram jóias
e estampa de camiseta. Desfilaram na coleção de
Ocimar Versolato, no Carrossel do Louvre, em 1999. Calçaram
os modelos de Ricardo Almeida, no mesmo ano, no MorumbiFashion
Brasil. O jornalista Fernando de Barros, o papa da moda brasileira,
se deixou fotografar para a Vogue de smoking e havaianas pretas.
Nas últimas temporadas de moda, Amir Slama (Rosa Chá),
Fause Haten, Walter Rodrigues e Ronaldo Fraga foram alguns dos
que levaram suas coleções com sandálias
de borracha exclusivas.
Os antigos sacos plásticos amarrados com cordinha de algodão
pendurados em vendas e mercados - ficaram para trás.
Vieram as caixas personalizadas e os corners para exposição
dos produtos em lugares estratégicos. Dos anúncios
das revistas "Seleções" passaram para
as publicações mais concorridas. E as propagandas,
sempre em horário nobre, ganharam o aval de famosos como
Thereza Collor e suas pernas esculturais. Os jogadores Bebeto,
Raí, atores e atrizes sempre com a cotação
em alta.
Hoje são 20 modelos diferentes, todos com a mesma base.
Um deles, lançado agora, traz tiras no calcanhar, um modelo
próprio para caminhadas e trilhas, "Não tem
mais volta. Ela é a cara do Brasil. Simboliza o País
como referência de praia, sensualidade, futebol, samba,
biquíni, moda", continua Rui Porto, que não
pára de pensar em estratégias para manter o produto
sempre no topo e como objeto de desejo permanente. Uma das mais
interessantes é a que ele chama de "estratégia
da inveja". Todo final de ano, a empresa produz 6 mil pares
de um modelo especial, que não vai para o comércio.
Estas sandálias são distribuídas para personalidades,
artistas, formadores de opinião em nove cidades brasileiras.
O resultado é surpreendente. "O retorno é
excelente. Boa parte da elite brasileira é muito bem educada.
Antônio Ermírio de Moraes escreve de próprio
punho para agradecer", comenta satisfeito o diretor de marketing.
Para ele, o velho slogan vai ser sempre válido. "Legítimas,
só Havaianas."
O perigo
da geladeira
Serem "esquecidos"
pela emissoraé um pesadelo para os artistas
São Paulo - Após quase três meses de geladeira,
Gilberto Barros, o Leão, estréia no próximo
sábado o seu novo programa na Band. Ainda sem nome definido,
a nova atração marca um capítulo feliz de
uma história que não costuma ter o melhor dos finais:
artistas que a TV acaba descartando sem dar a menor satisfação
ao público. Mudança de programação,
troca de emissoras, demissão, preparação
para a estréia de um novo programa, geladeira: não
faltam motivos para que o telespectador faça a famosa
pergunta: por onde aquele cara da TV?
Foi assim com Gilberto Barros, que, após acertar em maio
que não iria renovar seu contrato com a Record, foi colocado
imediatamente na geladeira do Bispo Macedo. Detalhe: além
de sua atração dar uma boa audiência, o contrato
de Leão ia até o final de julho, embora já
estivesse com as malas prontas para ir para a Band. "O público
me perguntava na rua em que canal eu estava, o que tinha acontecido
com o meu programa e eu não podia abrir a boca, pois meu
contrato ainda estava em vigor", diz Barros. "Eles
me tiraram do ar para me queimar. Para qualquer artista, a falta
de exposição é sofrível", continua.
"Somos como uma marca que, se não divulgada, acaba
ninguém mais sentindo falta."
Para o advogado Sérgio Dantino, que cuida da imagem e
dos contratos de nove entre dez estrelas, a TV costuma ser cruel
quando quer dar um "sumiço" em alguém.
Empresariando gente como Ana Maria Braga, Reynaldo Gianecchini
e Adriane Galisteu, Dantino fala que as emissoras não
agem com transparência na hora de descartar um nome de
seu casting, e esquecem que o seu principal consumidor precisa
de uma satisfação sobre os seus produtos. "Quando
um artista é mandado embora, ou é escanteado, o
público não fica sabendo o verdadeiro porquê.
Fica meio perdido, orfão daquele que era fã",
afirma o advogado. "Parece que se emissora disser que o
programa não deu certo, ou que o artista mudou de canal,
vai estar admitindo um erro seu, uma fraqueza."
Segundo o advogado, ficar algum tempo fora do ar pode até
ser uma boa para alguns artistas, que fogem do excesso de exposição.
"O ator que faz uma novela longa deve dar um tempo na TV,
para não queimar sua imagem. Não podemos chamar
isso de geladeira. Foi o que aconteceu com o Gianecchini depois
de 'Laços de Família'", diz. Mesmo assim,
ele insiste que esse período não pode passar de
seis meses, pois a memória do telespectador costuma ser
"fraca". "Dois meses fora do ar e o público
já não se lembra direito do programa ou do artista.
A TV lida com a imagem instantânea, e estar fora dela significa,
às vezes, prejuízo para quem precisa de exposição",
continua. "Quando um artista meu está na geladeira,
eu perco e ele perde. Diminuem os contratos para publicidade,
para eventos, e as oportunidades na carreira. Costumo brigar
muito nas emissoras quando isso acontece."