Joinville         -          Terça-feira, 13 de Agosto de 2002         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

ANotícia  




 




SONHO
"Tentei mostrar um lugar envolvido com festividades da cidade, com crianças brincando", conta Índio, que reúne 15 telas com contornos firmes e cores vibrantes
Foto: Carlos Pereira
O morro
Os barracos
A cidade

Elias Andrade, o Índio, abre exposição em Florianópolis com telas em que destaca o lado alegre da favela

Florianópolis - Na exposição que inaugura hoje, Barracos da Cidade, o artista plástico Elias Andrade buscou retratar um morro diferente dos que são vistos hoje. "Tentei mostrar algo alegre, um lugar envolvido com festividades da cidade, com crianças brincando", conta ele. O resultado é composto por 15 telas de grandes dimensões que se caracterizam pelos contornos firmes e cores vibrantes.
As obras marcam uma nova fase do trabalho do artista, que em 22 anos dedicados à pintura produziu quadros em que se destacam cenas, lugares, pessoas e atividades da cidade, como o folclore e a pesca, por exemplo. Agora, ele parte para o abstrato, sem deixar de lado o estilo figurativo e primitivista.
A idéia para a série barracos surgiu há dez anos, numa viagem ao Rio de Janeiro. "Neste tempo, os nossos morros também se ampliaram bastante e eu percebi que era o momento de usar a arte a serviço da sociedade", conta Andrade, que é conhecido como Índio. Por isso, a visão alegre e colorida. "É como deveria ser, pois 99% dos moradores dali são trabalhadores."
Ele pretende organizar uma exposição em um morro, para aproximar o cidadão comum da sua obra. "Ele tem direito de conhecer o que é arte. Os moradores dos barracos precisam ver uma imagem deles que não seja associada à violência."
Autodidata, Andrade já realizou 20 exposições individuais e mais de cem coletivas. Também tem obras em Portugal, Alemanha, França, Itália, Espanha, Argentina, México, Canadá e Estados Unidos. Ele é o responsável pela comercialização de seus trabalhos. "O meu público é concreto, não abstrato, sei onde estão as minhas obras." Os trabalhos expostos estão à venda e têm preço médio de R$ 1 mil.

O QUÊ: Exposição BARRACOS DA CIDADE, de Elias Andrade. QUANDO: Abertura hoje, às 20h. Até 6 de setembro, de segunda a sexta, das 10 às 18h30. ONDE: Galeria de Arte da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), no Centro de Convivência, campus, Trindade, Florianópolis, tel.: (48) 331-9348.
QUANTO: Gratuito.


Joinville define curador da 32ª
Coletiva de Artistas de Joinville

Marlise Groth

Joinville - Já está definido o nome do curador que atuará na 32ª Coletiva de Artistas de Joinville (CAJ). O responsável pelo formato do evento será o paranaense Geraldo Leão, artista plástico que integra o Conselho Estadual de Cultura daquele Estado. Em seu currículo constam a 12ª Mostra de Gravura Cidade de Curitiba realizada entre 1999 e 2000 e assistência na mostra "A Poética da Morte", apresentada no Museu de Arte de Santa Catarina (Masc), em Florianópolis, e Cidadela Cultural Antarctica, em Joinville, ano passado.
Em 1990, Leão participou, com Adalice Araujo e Sérgio Kirdzej, da comissão curadora que selecionou artistas paranaenses para exposição no Museu de Himeji, no Japão. Em 1991, foi responsável pela curadoria da retrospectiva do artista plástico Mohamed Ali, para a Fundação Cultural de Curitiba (FCC). Em 1995, criou e organizou a exposição Arte Contemporânea na UFPR, a convite da coordenadoria de cultura da pró-reitoria de extensão e Cultura da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Embora programada para o mês de outubro, a Coletiva de Artistas de Joinville, que ano passado ocorreu de 5 de novembro a 20 de dezembro, ainda não tem data definida.
Esse detalhe deve ser acertado pelo curador e comissão organizadora nos próximos dias, quando Leão estará na cidade discutindo sua proposta de trabalho junto aos artistas e estudantes de artes plásticas de Joinville. Numa conversa informal, marcada para acontecer no próximo dia 23, no Teatro Juarez Machado, ele pretende expor um panorama da produção contemporânea e o respeito à diversidade. "Não quero impor nada, por isso estou propondo uma mostra por 'afinidades', independente da vertente adotada pelo artista", declara. Sua idéia é iniciar um mapeamento das artes na cidade.

Formação

Tendo como objetivo ampliar a formação do artista plástico que atua em Joinville, a Associação dos Artistas Plásticos (Aaplaj) organizou, sábado à tarde, uma conversa informal com o curador independente Charles Narloch. O bate-papo, realizado na sala de cinema da Cidadela Cultural Antarctica, reuniu 40 pessoas de diversas idades.
Para Narloch, artista bom é aquele que apresenta um trabalho consistente, com base na pesquisa. "O tempo vai filtrar quem fica e quem não fica nas artes", resumiu. Diante disso, argumenta que de nada adiantam boas exposições se não houver um verdadeiro envolvimento da sociedade. "Não podemos dizer que são os números que definem a qualidade de um evento, mas sim a real participação do público nas discussões que o envolvem", observa.
Enfático, o curador acentuou a idéia de que Santa Catarina ainda não possui mercado para arte contemporânea e mostrou a realidade dos museus, que não têm propostas de aquisição do acervo. "É preciso repensar nossa realidade e a realidade das instituições. Como estão as reservas técnicas? Os museus estão habilitados para lidar com as novas tendências?", questiona.
Em sua opinião, Santa Catarina, em especial Joinville, vive um bom momento nas artes plásticas. Não tanto pela produção, mas pelas discussões. "Ser contemporâneo é estar extremamente coerente com o momento, e questionar os processos de organização é ser contemporâneo", arrematou.

O QUÊ: Conversa sobre a 32ª Coletiva de Artistas de Joinville com Geraldo Leão. QUANDO: Dia 23, às 19h. ONDE: Teatro Juarez Machado, anexo ao Centreventos Cau Hansen, av. José Vieira (Beira-rio), 315, Joinville, tel.: (47) 433-4677. QUANTO: Gratuito.


Orquestra
alemã chega à Capital

Sinfônica Jovem de Berlim encerra turnê por Santa Catarina com espetáculo hoje à noite, no CIC

Florianópolis - A Sinfônica Jovem de Charlottenburg, de Berlim, se apresenta hoje à noite, na Capital, no encerramento da turnê catarinense. Dois solistas de renome internacional acompanham a sinfônica: o violoncelista paulista, radicado na Alemanha, Matias de Oliveira Pinto, e o saxofonista alemão Christof Griese.
Oliveira Pinto começou a estudar na Alemanha aos 19 anos como bolsista da Fundação Herbert von Karajan. Na Europa, estudou na Escola Superior de Música de Berlim e na Academina Franz Liszt, em Budapeste. Entre os seus professores está o também brasileiro Antonio Meneses, considerado o maior violocentista do mundo na atualidade. Também gravou CDs para os selos europeus Academy, Kreuzberg Records, Bella Musica e Hungaraton Classics.
Já Christof Griese estudou flauta, saxofone e composição com Bernd Konrad, Evan Parker, Dave Liebman e Steve Lacy. É membro do Quarteto de Saxofones de Berlim, tendo excursionado pela Europa e Estados Unidos, atuando, inclusive, no famoso Carnegie Hall. Foi vencedor do Prêmio Berlim Studio Project em 1988, 1989, 1994, 1995 e 2000. Sua discografia conta com mais de 30 CDs.

Regente

Outro destaque é a regente Elke Mentges, que estudou violoncelo na Escola Superior de Música de Ruhr com o famoso professor Richard Klemm, e piano na Escola Superior de Arte de Berlim. É considerada a grande responsável pelo crescimento e aperfeiçoamento da sinfônica, fundada em 1984 e cujo repertório concentra-se em obras sinfônicas dos séculos 18 ao 20 (veja programa). A promoção é da Pró-Música.

O QUÊ: SINFôNICA JOVEM DE CHARLOTTENBURG. QUANDO: Hoje, às 21h. ONDE: Teatro Ademir Rosa, Centro Integrado de Cultura (CIC), av. Irineu Bornhausen, 5.600, Agronômica, Florianópolis, tel.: (48) 333-2166. QUANTO: R$ 30,00/R$ 15,00 (estudantes).

PROGRAMA

O repertório da Sinfônica Jovem de Charlottenburg

Mar Calmo e Viagem Feliz - Abertura op.27,
de F. Mendelssohn - Bartholdy
Adagio
Allegro

Variações sobre um tema rococó para violoncelo e orquestra
de Tchaikovsky
solista: Matias de Oliveira Pinto

Intervalo

Danças Eslavas op.46
de A. Dvorak
nº 1 - Presto
nº 2 - Allegretto Scherzando
nº 4 - Tempo di Minuetto
nº 7 - Allegro Assai
nº 8 - Presto

Danças Eslavas op.72
nº 2 - Allegreto Grazioso
nº 7 - - Allegro Vivace

"Scaramouche" para saxofone e orquestra
de D. Milhaud
Vivo
Moderado
Brasileira
Solista: Christof Griese


Projeto
O Caldo tem início hoje

Florianópolis - Mídia, sexualidade, produção literária e ocupação do espaço urbano são os quatro primeiros módulos do projeto O Caldo - Debates Contemporâneos, que começa hoje, na Capital. "A intenção é discutir questões que atravessam o nosso caminho o tempo todo", afirma Kátia Bittencourt Borges, professora e uma das coordenadoras.
A primeira discussão será Mídia: Ética e Papel Social, tema apresentado por Antunes Severo, coordenador do laboratório de marketing e inovação da Única, e que terá como debatedores Sônia Maluf, jornalista, antropóloga e professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e Sérgio Murilo, professor de jornalismo da UFSC e ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina.

Discussões

O Caldo é formado por 15 professores da Escola Praia do Riso, em Coqueiros, que sentiram a necessidade de abordar questões levadas pelos alunos e que afetam a vida de todos. A escolha da mídia como primeira abordagem, segundo Kátia, foi motivada pela influência comportamental que possui. Depois do último evento, em novembro, o projeto entra em férias, sendo retomado após o verão, novamente em quatro módulos. O evento é aberto ao público em geral. A entrada é franca, mas a capacidade máximo do local é 60 pessoas.

O QUÊ: O CALDO - Debates Contemporâneos. QUANDO: Hoje, 10 de setembro, 8 de outubro e 12 de novembro, sempre às 20h. ONDE: Café Matisse, Centro Integrado de Cultura (CIC), av. Irineu Bornhausen, 5.600, Agronômica, Florianópolis, tel.: (48) 333-2166. QUANTO: Gratuito.

Roteiro

Os módulos do módulos do projeto O Caldo

Hoje
Mídia: Ética e Papel Social,
por Antunes Severo, coordenador do Laboratório de Marketing e Inovação da Única.
Debatedores: Sônia Maluf, jornalista, antropóloga e professora da UFSC; Sérgio Murilo, professor de jornalismo da UFSC e ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas
Mediadora: Rosi Isabel Bergamaschi

10 de setembro
A Construção Social da Sexualidade: Mudanças nas Relações de Gênero após os Anos 60,
por Joana Maria Pedro, historiadora e professora da UFSC

8 de outubro
Produção Literária em SC: Quem escreve? Quem Lê?,
por Nelson Rolim, editor e presidente da Câmara Catarinense do Livro

12 de novembro
Espaço Urbano de Florianópolis: Lugar de Convivência?,
por Lino Fernando Bragança Peres, doutor em urbanismo e professor da UFSC


"Variações Enigmáticas",
um espetáculo impecável

Regis Mallmann

Florianópolis - Espetáculo que tem no desempenho dos atores Paulo Autran e Cecil Thiré uma sintonia raras vezes vista no teatro brasileiro, "Variações Enigmáticas" fez jus à casa lotada nos três dias em que foi apresentada no teatro do Centro Integrado de Cultura (CIC), entre sexta-feira e domingo. De surpresa em surpresa, o texto do francês Eric-Emmanuel Schmitt é interpretado de forma a criar no público um sentimento de expectativa premiado com um final empolgante, que lança no ar perguntas de ilimitadas respostas.
Num jogo onde nada é o que parece ser e tudo pode acontecer, os dois personagens se enfrentam durante uma hora e meia no palco. Contribui para dar grandiosidade a esse conjunto um competente trabalho de luz, lançado sobre um cenário simples, porém, perfeito para o que pede o roteiro. A história em que um escritor premiado com o Nobel recebe um jornalista para uma reportagem é centrada num enigma, um mistério que vai sendo desvendado a cada seqüência do diálogo rápido e ágil.
É como se os dois atores estivessem a desatar nós e que a cada um deles desatado premiasse a platéia com respostas e esclarecimentos que todos esperam com ansiedade. As mudanças que se processam ao longo da trama são complemento do discurso ácido, às vezes quase amargo, desfiado por Abel Zorko, mais um personagem interpretado magistralmente pelo veterano Autran, quem tem no colega Thiré um parceiro de palco perfeito no papel do sensível Eric Larsen.
Ao se encontrarem num lugar isolado, os dois acabam por também remexer no passado. Encontram, assim, muitas respostas para aquilo que são e vivem no presente e, ao final de tudo, razões para manterem-se vivos, deixando na mão de cada espectador a sensasão de que amor, paixão e amizade devem navegar lado a lado.


Grupo G8
estréia com "Procura-se!?"

Joinville - O grupo de teatro G8, formado por alunos da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), campus Joinville, estréia hoje com a peça "Procura-se!?". O espetáculo é dirigido pelo ator e diretor teatral Cristóvão Petry e o roteiro foi criado a partir de trechos de textos de autores desconhecidos.
Abordando as pessoas qualificadas que estão fora do mercado profissional e a falta de trabalho, o espetáculo conta a história de uma mulher que está à procura de emprego.

O QUÊ: Peça Procura-se!?, do grupo G8. QUANDO: Hoje, às 20h. ONDE: Auditório do bloco F da Udesc, campus universitário, Bom Retiro, Joinville, tel.: (47) 431-7200. QUANTO: Gratuito.


Semana começa com
exposições em Joinville

Joinville - Duas mostras de arte e artesanato acontecem em Joinville esta semana. A primeira, aberta ontem, é realizada pelo grupo Artemix na praça de eventos do Shopping Mueller. A segunda abre hoje, no Espaço Cultural Yázigi, e reúne obras de Anderson Castilho, Scheila Bianca de Freitas e Ticiana Sandoval.
Formado basicamente por funcionários do Banco do Estado de Santa Catarina (Besc), o grupo Artemix leva ao shopping óleos sobre tela, esculturas em cerâmica, tapeçaria e quadros feitos com ponto cruz. Esse trabalho, de autoria de Lucia Sempticowski, está registrado no Banco de Talentos da Federação Brasileira de Associação de Bancos (Febraban) na categoria artesanato.
"O grupo surgiu no trabalho e aos poucos ganhou novos participantes. Para nós, a arte é uma terapia, uma forma de aliviar o estresse do cotidiano", resume Lucia. Além dela, participam da mostra Caroline e Evelyn Bach, Iolanda S. dos Santos, Mabli F. Silva, Marilene F. Vieira, Nelson Bibow e Rejanes M. Galon.


Mostra reúne
diferentes estilos

Scheila Bianca de Freitas, que expõe no Espaço Cultural Yázigi, apresenta três telas em acrílica sobre MDF. No mesmo local, Anderson Castilho exibe seis painéis em óleo sobre tela dentro de uma vertente abstracionista com tendência surrealista.
Autodidata, Castilho pinta desde 1987. Professor da Casa das Artes, já participou de outras coletivas, inclusive em São Paulo. Completam a exposição painéis em acrílico de Ticiana Sandoval.
"Nosso objetivo é promover uma comunicação visual diferente e tornar o espaço irreconhecível para quem o freqüenta todos os dias", observa Castilho.

O QUÊ: Mostra de Artes Plásticas do grupo Artemix. QUANDO: Até dia 16, das 10 às 22h. ONDE: Praça de eventos do Shopping Mueller, rua Senador Felipe Schmidt, esquina com Pedro Lobo, centro, Joinville, tel.: (47) 451-8000. QUANTO: Gratuito.

O QUÊ: Abertura da Exposição de Arte Moderna. QUANDO: Hoje, às 20h30. Até dia 21, das 9 às 21h, sábados, das 9 às 14h. ONDE: Espaço Cultural Yázigi, rua Henrique Meyer, 189, centro, Joinville, tel.: (47) 433-1806. QUANTO: Gratuito.


Arte - O Espaço Cultural Leonardo Da Vinci, anexo à Piazza Italia, em Joinville, sedia, na próxima quinta-feira, abertura da exposição de Elio Hahnemann e lançamento do livro de Guiomar Beltrão Ferreira. Enquanto Hahnemann traduz a área rural da cidade em Flores, Formas e Cores, Guiomar apresenta Passado - Presente, 151 Anos de Joinville.

Manchetes AN

 Das últimas edições de Anexo
12/08 - Para começar bem a semana
11/08 - Com a essência da vida
10/08 - Noite erudita
09/08 - O homem que sabia como fazer as coisas
08/08 - Achado precioso
07/08 - A volta do consagrado
06/08 - Vida via carta

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Uma
senhora sandália

Produto cool, ela se transformou num ícone da moda brasileira

Maristela Amorim
Especial para o Anexo

Florianópolis ­ A sandália mais popular e democrática do Brasil chega com muito charme aos 40 anos. Criada em 1962, apareceu como alternativa de calçado confortável e barato. O nome remetia ao paraíso da época, o Havaí, onde os milionários e famosos americanos iam passar as férias na praia, sob o sol escaldante e num clima glamuroso. Exatamente dois anos depois, já fazendo sucesso, a direção da São Paulo Alpargatas resolveu entrar com pedido de patente do novo modelo de palmilha com forquilha, inspirado nos chinelos japoneses. O pedido chegou ao Departamento Nacional da Propriedade Industrial do Ministério da Indústria e do Comércio em 13 de agosto de 1964. O aval definitivo veio em 1966.
De lá para cá, nem eles mesmos imaginavam que as Havaianas se transformariam num produto cool, um ícone da moda brasileira. Confortáveis, leves, simples, práticas, combinam com tudo. Estão na praia, nas piscinas, nas ruas, no trabalho, nos protestos. A atriz Luana Piovani elegeu um modelo de solado branco com tiras fosforescentes para passar o réveillon 2000. São as preferidas das crianças, dos estudantes, de dona Ruth Cardoso. A premiada designer de jóias catarinense Pitti Paludo tem coleção. E o escritor paulista Mário Prata, agora morando em Florianópolis, é outro apaixonado confesso.
É o único calçado que não faz distinção de sexo, raça, crença, condição social. Difícil encontrar alguém que não tenha um par desta sandália de borracha macia. Segundo dados do fabricante, dois de cada três brasileiros têm pelo menos um par. Muitos estrangeiros também têm as suas. As modelos Naomi Campbell e Kate Moss, a atriz Nicole Kidman, a rainha Sílvia, da Suécia. Isso sem contar os milhares de anônimos que compram seus chinelos em Paris, na célebre Galeria Lafayette. Ou no Japão, em Milão, Singapura, República Dominicana, Austrália, Nova Zelândia entre outros países para onde é exportada e vendida com preço médio de US$ 10,00. Em Londres, chega a custar US$ 12,00 (cerca de R$ 36,00), enquanto no Brasil fica em torno de R$ 9,00.
Feitas de borracha, produto natural 100% brasileiro, elas conseguem índices insuperáveis. São cinco pares vendidos por segundo, 300 por minuto, 18 mil por hora, 140 milhões por ano. Já foram mais de 2,4 bilhões desde a sua criação, o que, segundo Cristina Dell'Amore, assessora de imprensa da São Paulo Alpargatas, "utilizando um modelo de numeração 37 é possível encher 15 campos de futebol ou, se colocadas uma na frente da outra, dar 50 voltas ao redor do mundo (na linha do Equador) ou, ainda, ir, voltar e ir novamente da Terra à Lua". É durável também. Dois homens foram a pé de Arapiraca (AL) até o Rio de Janeiro. Andaram exatos 2.600 quilômetros. E chegaram calçados...
Em 1994 veio a revolução. "Durante 32 anos tivemos um só modelo que, com o tempo, foi perdendo o glamur. "Se as pessoas viravam a sola é porque estavam querendo um modelo assim", analisa Rui Porto, diretor de marketing da São Paulo Alpargatas. Foi aí que nasceu a Havaianas Top.
A jogada certeira despertou para a diversificação de opções, sempre com a mesma base. As Havaianas foram para a Expo 98, em Lisboa, estiveram na Bienal de Veneza (em obras de Bispo do Rosário), inspiraram jóias e estampa de camiseta. Desfilaram na coleção de Ocimar Versolato, no Carrossel do Louvre, em 1999. Calçaram os modelos de Ricardo Almeida, no mesmo ano, no MorumbiFashion Brasil. O jornalista Fernando de Barros, o papa da moda brasileira, se deixou fotografar para a Vogue de smoking e havaianas pretas. Nas últimas temporadas de moda, Amir Slama (Rosa Chá), Fause Haten, Walter Rodrigues e Ronaldo Fraga foram alguns dos que levaram suas coleções com sandálias de borracha exclusivas.
Os antigos sacos plásticos amarrados com cordinha de algodão ­ pendurados em vendas e mercados - ficaram para trás. Vieram as caixas personalizadas e os corners para exposição dos produtos em lugares estratégicos. Dos anúncios das revistas "Seleções" passaram para as publicações mais concorridas. E as propagandas, sempre em horário nobre, ganharam o aval de famosos como Thereza Collor e suas pernas esculturais. Os jogadores Bebeto, Raí, atores e atrizes sempre com a cotação em alta.
Hoje são 20 modelos diferentes, todos com a mesma base. Um deles, lançado agora, traz tiras no calcanhar, um modelo próprio para caminhadas e trilhas, "Não tem mais volta. Ela é a cara do Brasil. Simboliza o País como referência de praia, sensualidade, futebol, samba, biquíni, moda", continua Rui Porto, que não pára de pensar em estratégias para manter o produto sempre no topo e como objeto de desejo permanente. Uma das mais interessantes é a que ele chama de "estratégia da inveja". Todo final de ano, a empresa produz 6 mil pares de um modelo especial, que não vai para o comércio. Estas sandálias são distribuídas para personalidades, artistas, formadores de opinião em nove cidades brasileiras. O resultado é surpreendente. "O retorno é excelente. Boa parte da elite brasileira é muito bem educada. Antônio Ermírio de Moraes escreve de próprio punho para agradecer", comenta satisfeito o diretor de marketing. Para ele, o velho slogan vai ser sempre válido. "Legítimas, só Havaianas."


O perigo
da geladeira

Serem "esquecidos" pela emissoraé um pesadelo para os artistas

São Paulo - Após quase três meses de geladeira, Gilberto Barros, o Leão, estréia no próximo sábado o seu novo programa na Band. Ainda sem nome definido, a nova atração marca um capítulo feliz de uma história que não costuma ter o melhor dos finais: artistas que a TV acaba descartando sem dar a menor satisfação ao público. Mudança de programação, troca de emissoras, demissão, preparação para a estréia de um novo programa, geladeira: não faltam motivos para que o telespectador faça a famosa pergunta: por onde aquele cara da TV?
Foi assim com Gilberto Barros, que, após acertar em maio que não iria renovar seu contrato com a Record, foi colocado imediatamente na geladeira do Bispo Macedo. Detalhe: além de sua atração dar uma boa audiência, o contrato de Leão ia até o final de julho, embora já estivesse com as malas prontas para ir para a Band. "O público me perguntava na rua em que canal eu estava, o que tinha acontecido com o meu programa e eu não podia abrir a boca, pois meu contrato ainda estava em vigor", diz Barros. "Eles me tiraram do ar para me queimar. Para qualquer artista, a falta de exposição é sofrível", continua. "Somos como uma marca que, se não divulgada, acaba ninguém mais sentindo falta."
Para o advogado Sérgio Dantino, que cuida da imagem e dos contratos de nove entre dez estrelas, a TV costuma ser cruel quando quer dar um "sumiço" em alguém. Empresariando gente como Ana Maria Braga, Reynaldo Gianecchini e Adriane Galisteu, Dantino fala que as emissoras não agem com transparência na hora de descartar um nome de seu casting, e esquecem que o seu principal consumidor precisa de uma satisfação sobre os seus produtos. "Quando um artista é mandado embora, ou é escanteado, o público não fica sabendo o verdadeiro porquê. Fica meio perdido, orfão daquele que era fã", afirma o advogado. "Parece que se emissora disser que o programa não deu certo, ou que o artista mudou de canal, vai estar admitindo um erro seu, uma fraqueza."
Segundo o advogado, ficar algum tempo fora do ar pode até ser uma boa para alguns artistas, que fogem do excesso de exposição. "O ator que faz uma novela longa deve dar um tempo na TV, para não queimar sua imagem. Não podemos chamar isso de geladeira. Foi o que aconteceu com o Gianecchini depois de 'Laços de Família'", diz. Mesmo assim, ele insiste que esse período não pode passar de seis meses, pois a memória do telespectador costuma ser "fraca". "Dois meses fora do ar e o público já não se lembra direito do programa ou do artista. A TV lida com a imagem instantânea, e estar fora dela significa, às vezes, prejuízo para quem precisa de exposição", continua. "Quando um artista meu está na geladeira, eu perco e ele perde. Diminuem os contratos para publicidade, para eventos, e as oportunidades na carreira. Costumo brigar muito nas emissoras quando isso acontece."

 
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