Joinville         -          Quinta-feira, 15 de Agosto de 2002         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

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Aviso
Por recomendação da Associação Nacional de Jornais (ANJ), A Notícia deixa de publicar na página OPINIÃO artigos de candidatos até o fim da campanha eleitoral.




TRE orienta partidos
para evitar irregularidades

Justiça alerta para temas como propaganda e prestação de contas

Fabrício Rodrigues
Especial para A Notícia

Florianópolis - O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SC) promoveu ontem, em sua sede, na Capital, uma reunião com os delegados de todos os partidos políticos para prestar orientações sobre as regras e as novidades para as eleições de 6 de outubro. Os membros do TRE escolheram os mais importantes e polêmicos temas nesta disputa, como o exercício do poder de polícia aos juízes eleitorais, a regulamentação da propaganda em rádio, televisão, imprensa escrita e internet, alteração na prestação de contas de partidos e candidatos, além da utilização da urna com módulo impressor de voto, considerada uma das principais novidades para esta eleição.
O presidente do Tribunal, desembargador Anselmo Cerello, lembrou também de outras mudanças, como a eleição paralela e a determinação publicada na terça-feira, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que libera o eleitor da obrigatoriedade de votar para todos os cargos eletivos.
A eleição paralela será uma simulação que os Tribunais Regionais Eleitorais de todo o País irão fazer simultaneamente ao horário de votação para conferir a confiabilidade do voto eletrônico. Duas urnas serão previamente sorteadas e estarão sob fiscalização da Justiça. O resultado não terá validade para as eleições, pois só irá servir para verificar a segurança do sistema. Ao mesmo tempo em que o voto será digitado, uma filmadora gravará a imagem e o áudio. Ao final, serão comparados os resultados filmados com o boletim de urna.
O juiz membro da Coordenação de Fiscalização Eleitoral, Paulo Roberto Camargo Costa, falou sobre o papel de polícia que os juízes eleitorais terão para combater irregularidades e crimes - desde colocação de cartazes em locais proibidos a denúncias de compra de voto.
A menos de uma semana do início da propaganda eleitoral gratuita em rádio e televisão, a Justiça Eleitoral lembrou também que é proibido veicular publicidade eleitoral fora dos horários gratuitos e dos turnos para inserções. Na mídia impressa, a publicidade de candidatos é permitida, desde que obedeça aos limites especificados na lei eleitoral 9504/97.

MUDANÇAS

O voto impresso só será realidade para todo o Estado nas eleições municipais de 2004, mas como três municípios catarinenses (Balneário Camboriú, Laguna e Brusque) irão utilizar este modelo de urna neste ano, o TRE voltou a comentar as particularidades do equipamento. A ênfase é no fato de que o eleitor poderá conferir no papel se o voto foi o mesmo que visualizou na urna eletrônica, embora não possa guardar o comprovante.
Outra mudança prevista para este ano se refere especificamente aos candidatos e partidos políticos. É a prestação de contas informatizada, que o TSE tornou obrigatória. A Justiça disponibilizou no mês passado o material aos candidatos e legendas.


TSE terá de
reprogramar urnas

Brasília/Florianópolis - A Secretaria da Informática do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) terá de reprogramar as 380 mil urnas sem o módulo impressor para adaptá-las à determinação aprovada na quarta-feira à noite, a pedido dos partidos políticos. O TSE suspendeu a resolução que modificava a regra para o voto interrompido, que permite o aproveitamento parcial dos votos dados pelo eleitor. Agora, somente nas 23 mil urnas com impressão do voto o eleitor terá de escolher todos os candidatos para os votos computados sejam válidos.
Nessas urnas com módulo impressor externo, que serão utilizadas em 150 municípios brasileiros, o voto terá de ser global, porque as urnas não aceitam o sistema de aproveitamento dos votos digitados parcialmente pelo eleitor.
O assunto foi amplamente discutido ontem na reunião promovida pelo TRE com os partidos catarinenses, em Florianópolis.
Durante a reunião com os delegados dos partidos, o presidente do TRE, Anselmo Cerello, lembrou outras alterações previstas para as eleições deste ano, como a utilização do voto impresso e a votação paralela - uma amostragem técnica que será realizada simultaneamente às eleições, visando comprovar a eficiência e a segurança das urnas eletrônicas.

PORTARIAS

Outro tema polêmico abordado foram as duas portarias publicadas pela Comissão de Fiscalização de Propaganda Eleitoral do TRE/SC neste mês, restringindo a utilização de cartazes em locais públicos. A primeira delas, publicada no último dia 5, proibiu a colocação de qualquer tipo de propaganda eleitoral em áreas declaradas de proteção cultural e paisagística. A outra portaria impede a inclusão de cartazes em postes de distribuição de luz, além de fixar limites de altura (mínimo de três metros acima do chão e máximo de 4,5 metros).
Representantes dos partidos consideraram autoritárias as decisões da Justiça Eleitoral. Para o juiz membro da Coordenação de Fiscalização, Paulo Roberto Corrêa, estas portarias não ferem a lei eleitoral.


Candidato
renuncia em Tubarão

Tubarão - O presidente da Câmara de Vereadores de Tubarão, Ronério Cardoso Manoel (PDT), anunciou ontem a renúncia de sua candidatura a uma vaga a deputado estadual. "Não vou concorrer ao fracasso", explicou. Ronério alegou descumprimento de acordo para compor coligação, o que teria enfraquecido seu partido.
Na convenção do partido, dia 27 de julho, foi decidido que o PDT iria se coligar com o PPS, PV e PTB, onde seria lançada a candidatura de Sérgio Grando (PPS), ao governo do Estado. Porém, o acordo não foi cumprido e dia 5 de julho, o último dia para a inscrição dos nomes dos candidatos na Justiça, PDT e PTB deixaram a coligação.
"O partido ficou enfraquecido e as candidaturas desprotegidas", criticou Ronério. O apoio do presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, ao candidato à reeleição Esperidião Amin (PPB), também desanimou Ronério.
A reeleição para a presidência da Câmara, semana passada, também pesou para a tomar a decisão. "Percebi que a legenda ficou pequena e que os outros candidatos eram inexpressivos. Mesmo que eu ganhasse e atingisse 25 mil votos, não iria me eleger pela falta de legenda. Não vale a pena me candidatar para o fracasso e prejudicar a minha cidade", entende.
Na reunião de ontem, na Câmara de Vereadores, Ronério deixou claro que não pretender apoiar outro candidato.


Empresários

Fritsch debate propostas

Chapecó - A redistribuição dos recursos do Estado e as propostas para geração de emprego dominaram, na noite de terça-feira, o debate dos empresários de Chapecó com o candidato ao governo do Estado pela Frente Popular, José Fritsch (PT). O encontro durou quase duas horas e contou com a participação de cerca de 50 empresários. Fritsch garantiu que, como governador, não será omisso em relação aos problemas de saúde e segurança pública.
No governo da Frente Popular, conforme explicou o candidato, não haverá transferência de responsabilidades para os setores privados e para os municípios. Todos os hospitais regionais devem ser administrados pelo Estado e as regiões carentes nessa área receberão investimentos. As ações serão centradas no orçamento participativo estadual, onde cada região e cada município terá uma verba anual para o atendimento das prioridades definidas.
Empresários questionaram a meta de criação de empregos do candidato, fixada em 240 mil novos postos. Observaram que a estratégia de incentivo às pequenas agroindústrias e a proposta de construção de uma ferrovia, ligando os portos ao Oeste, pode prejudicar as transportadoras, mecânicas e as próprias agroindústrias já instaladas. Fritsch disse que não acredita que uma inovação tão importante como a ferrovia seja capaz de produzir desemprego, já que vai reduzir os custos dos transportes.
O candidato explicou que, para gerar empregos, também pretende criar um programa de incubadoras de empresas e de incubadoras de exportação.


Grando
se dedica a gravações

Florianópolis - O candidato ao governo do Estado pela Frente Popular Ecológica, Sérgio Grando (PPS), quer começar a operar o que pode ser considerado um milagre a partir dos próximos dias. Vai dedicar seu tempo às gravações dos programas para o horário eleitoral, quando terá modestos 73 segundos por inserção para passar suas propostas, e assim tentar reverter o quarto lugar nas pesquisas, acreditando que poderá chegar ao segundo turno da eleição.
"Sou o único candidato que pode estar junto com o Ciro Gomes, os demais só podem apoiá-lo", avisa, referindo-se à "colagem" que pretende explorar junto à candidatura do presidenciável, que é de seu partido, embora concorra por uma coligação diferenciada. "Vou surpreender, mesmo com pouco tempo", diz.
Grando garante que a eleição "está apenas começando" e afirma que, "com competência e capacidade", será possível passar a mensagem do desenvolvimento sustentável, que na sua visão agrada o público jovem. "Mais da metade do eleitorado está nesta faixa etária, dos 17 aos 34 anos, motivo pelo qual também venho priorizando visitas e contatos nas 18 universidades catarinenses, como fiz esta semana em Itajaí na Univali".
O candidato também quer ganhar o apoio de eventuais dissidentes de outros partidos insatisfeitos com coligações ou com o rumo de candidaturas estaduais, que já estariam propensos a apoiar o candidato à Presidência do PPS.


Gestão fiscal rende
homenagem a 8 prefeitos

Florianópolis - O Conselho Regional de Contabilidade de Santa Catarina (CRC/SC) prestou homenagem ontem a oito prefeitos catarinenses que obtiveram bons resultados na gestão fiscal de seus municípios em 2001. Os destaques foram Concórdia, premiada no mês passado como a Prefeitura com melhor gestão fiscal do Brasil, e São José, primeira cidade brasileira a lançar seu balanço social. Também foram homenageados os prefeitos de Araranguá, Cunhataí, Dona Emma, Lages, Palhoça e Xavantina. Os prefeitos receberam o reconhecimento durante cerimônia no auditório do CRC, na capital.
No dia 17 de julho, 20 cidades brasileiras receberam o Certificado de Gestão Fiscal Responsável 2002, em cerimônia no Palácio do Itamaraty, em Brasília. O prêmio foi concedido pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), em parceria com o Instituto Ethos e o Ministério do Planejamento. O objetivo foi reconhecer o trabalho de prefeitos que cumpriram com mais eficiência as metas estabelecidas pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Das 1.246 prefeituras inscritas, foram selecionadas 20 cidades, das quais sete de Santa Catarina, inclusive a primeira colocada. O CFC analisou as prestações de contas apresentadas pelas prefeituras aos Tribunais de Contas estaduais.
A Prefeitura de Concórdia ficou com o primeiro lugar na soma de todos os aspectos analisados no julgamento do prêmio. Para o prefeito Neodi Saretta (PT), o prêmio é o resultado de um trabalho feito para sanear as contas da Prefeitura, reduzindo custos e controlando os gastos. "No caso do recolhimento de lixo, por exemplo, elaboramos uma planilha de custos para orientar a licitação e conseguimos reduzir o custo do serviço por tonelada de R$ 52 para R$ 29, o que representou uma economia de R$ 500 mil."
O prêmio foi dividido em duas categorias, uma para cidades com mais de 50 mil habitantes e outra para os municípios menores. Além de Concórdia, outras duas prefeituras catarinenses ficaram entre as 10 cidades com mais de 50 mil habitantes que apresentaram melhor gestão fiscal. Lages ficou com o 4º lugar e Araranguá com o 9º. Palhoça recebeu menção honrosa no quesito gastos com pessoal. Entre as cidades com menos de 50 mil habitantes, receberam menção honrosa as prefeituras de Xavantina (gastos com pessoal), Cunhataí e Dona Emma (arrecadação). (Carlito Costa)


Intensifica a
crise política em Barra Velha

Florianópolis - A crise política que envolve uma batalha jurídica entre vereadores de Barra Velha e Executivo ganhou ontem nova dimensão, com a entrada no circuito do deputado estadual Lício Mauro da Silveira (PPB). Em defesa de seis vereadores cassados, do prefeito Walter Marino Zimmermann (PFL) e de seu vice Luiz Pacheco de Souza (PFL), também ameaçados de cassação, Lício anunciou que vai se empenhar para provar o interesse do presidente da Câmara Eunildo dos Santos (PSDB) em promover as cassações para assumir a Prefeitura, contando com o apoio de seu irmão, o procurador jurídico do legislativo, Eurides dos Santos, e do juiz responsável pelo Fórum local, Edson Luiz de Oliveira.
"Trata-se de um golpe que está sendo dado pelo presidente da Câmara e seu irmão, contando com a parcialidade da Justiça de Barra Velha. Uma barbaridade que vamos nos empenhar para fazer chegar à Corregedoria do Tribunal de Justiça, para que possa ser avaliada a conduta ética do responsável pelo Fórum", disse o deputado.
O deferimento de um mandado de segurança despachado terça-feira pelo desembargador Souza Varella, no Tribunal de Justiça, reformando sentença anterior que reconduziu seis de nove vereadores cassados em junho, colocou novamente em xeque os mandatos do prefeito e vice, pois a Câmara tem sessão marcada para amanhã, com o objetivo de votar o relatório final de processos visando suas cassações.
Na última sexta-feira, com os vereadores reintegrados, Eunildo encerrou a sessão que antes previa a votação do relatório. Os vereadores retomaram a sessão sem o presidente para votar o relatório, mas Eunildo ingressou com medida cautelar contra os vereadores João Carlos Bittencourt (sem partido), Ivo Gonçalves (PTB), João Regis (PPB), Jony de Borba (PPB) e Márcia Aguiar (PFL), solicitando o encerramento da sessão. Às 22h30, foi feito um aditamento da petição, incluindo os vereadores Ênio dos Santos e Roberto Bengo (PMDB). Quinze minutos depois, o juiz concedeu liminar suspendendo a sessão.
"É um recorde", considera Lício, que está em contato com os advogados Marcelo Harger, Nelson Serpa e Alceu Frassetto, para propor as defesas dos vereadores, do prefeito e do vice.
A Notícia tentou ouvir o juiz, por telefone, ontem no final da tarde, mas não conseguiu localizá-lo no Fórum. Também tentou falar com Eunildo e Eurico por telefone celular, mas estavam desligados.


Notificações 1 - O TRE-SC notificou ontem os candidatos Antônio Carlos Vieira (PFL), Márcio de Souza (PT), Afrânio Boppré (PT), Heitor Sché (PFL) e Rogério Santana (PMDB) por propaganda irregular. Vieira foi notificado por estacionamento de veículo com propaganda em local proibido, na cabeceira da ponte Pedro Ivo Campos. Santana estacionou caminhão com propaganda próximo à residência oficial do governo do Estado.

Notificações 2 - Márcio de Souza terá que incluir o nome da coligação Frente Popular em cartazes colocados em postes do centro. Os fiscais eleitorais notificaram, no mesmo local, que cartazes de publicidade de Afrânio Boppré e Heitor Sché causavam perigo ao tráfego, pois estava colocado em cruzamento sinalizado. Os candidatos têm prazo de 24 horas para retirar os cartazes irregulares.


Correção

Ao contrário do publicado na página A-6 da edição de ontem, na matéria sobre planos de governo, o PSTU pretende desprivatizar o sistema de ensino superior, tornando pública as universidades do sistema Acafe.


Administração municipal
de Camboriú investigada

Camboriú - A Prefeitura de Camboriú está sendo acusada de má utilização dos recursos públicos por ter investido de forma irregular na organização da 20ª edição do Congresso de Gideões Missionários da Última Hora, realizado de 25 a 30 de abril deste ano. A denúncia foi feita pela vereadora Claudinéia Wolff (PPB), que entrou com uma representação na Curadoria da Defesa da Moralidade Administrativa, em Florianópolis.
Conforme a denúncia, foram utilizados cerca de R$ 23 mil do Fundo Municipal de Saúde, sendo R$ 12 mil só para confeccionar 40 mil abanadores de papel, que fariam campanha de prevenção à saúde. "Anexei na denúncia uma cópia desses abanadores e não há qualquer tipo de mensagem sobre saúde neles", disse a vereadora. Mas o que levou Claudinéia a investigar os gastos do município com a organização do evento foi a arrecadação com alvarás. "Levei um susto quando descobri que foram liberados 70 alvarás e arrecadados apenas R$ 35 mil, enquanto o decreto que instituiu a comissão organizadora da festa previa um total de R$ 38.700,00 em apenas 40 pontos destinados à praça de alimentação", explica a vereadora.
A partir dessa constatação, ela fez um levantamento no balancete de abril e descobriu que a Prefeitura gastou em torno de R$ 115 mil na festa. Os alvarás foram autorizados pelo vice-prefeito Andrônico Pereira Filho, que na época era prefeito em exercício. Segundo Claudinéia, além da má utilização dos recursos públicos, a Prefeitura também subvencionou o evento, o que é proibido pela Constituição Federal e pela Lei Orgânica do Município.
Para o vice-prefeito, não existiu qualquer tipo de irregularidade na organização da festa. Ele disse que a diferença entre a arrecadação e o faturamento da Prefeitura foi em função dos alvarás liberados para entidades assistenciais. Sobre as outras acusações, ele não quis comentar.


Liminar
repõe vereador
de Itapoá no cargo

Itapoá - O presidente da Câmara de Vereadores de Itapoá, Wagner Tadeu Faria Marcondes (PTB), deposto na semana passada, está de volta ao cargo. O juiz Carlos Adilson da Silva, da Fazenda Pública de Joinville, acatou ontem, em liminar, o pedido de reintegração do vereador a seu cargo. O despacho também torna nulo todos os atos praticados pelo vice-presidente da casa, César Pereira (PSDB), enquanto ocupou a cadeira do presidente. A deposição de Wagner Marcondes aconteceu no último dia 7, quando o vereador Edson Luiz Tavares (PSDB) apresentou uma representação contra o presidente acusando-o de má gestão e arbitrariedades na condução do Legislativo. Marcondes ignorou o pedido. Nesse momento, o vice-presidente cortou o som de Marcondes, ocupou sua cadeira e conduziu uma votação destituindo o colega.


Parlamentar renuncia
para buscar emprego

Descanso - O vereador Sérgio Soster (PSDB), o quarto mais votado para a Câmara municipal de Descanso, no Extremo-oeste do Estado, surpreendeu os colegas na sessão de terça-feira à noite, quando anunciou sua renúncia ao mandato. Soster fez 334 votos na eleição de 2000 como candidato estreante dentro da coligação PDT/PPB/PSDB/PFL. O vereador alegou problemas particulares e disse que a decisão é irrevogável. Até o final do ano passado, Soster era proprietário de uma pequena fábrica de massas para pizza. A empresa, que funcionava na própria residência, foi destruída por um incêndio e ele perdeu todos seus bens. Segundo explicou, em função da situação financeira, terá que mudar de cidade em busca de emprego. Assumiu a vaga o suplente Irmany Bortolotto (PPB).


Ex-prefeito e sócios são
condenados em São Joaquim

São Joaquim - Pelos próximos três anos, o ex-prefeito de São Joaquim Rogério Tarzan Antunes da Silva vai ter de passar na cadeia cinco horas do sábado e outras cinco no domingo. Tudo porque ele foi condenado em última instância, onde não cabe mais recurso, pelo juiz da Justiça Federal de Lages, Giovani Bigolin. O ex-prefeito só não começou a cumprir sua pena porque ainda não foi localizado pelo oficial de Justiça.
A sentença diz respeito a um processo impetrado no ano de 1992 pelo Ministério Público, em que Rogério Tarzan (pai do deputado estadual Sandro Tarzan), juntamente com seu chefe de gabinete Jader Geissler de Moura e os empresários Pedro de Quadro da Cruz, Marco Antonio Ferraz e Miguel dos Santos Lima, foram acusados de terem desviado recursos dos cofres municipais de maneira fraudulenta. Em primeira instância, eles já haviam sido condenados em junho de 2000 pela juíza federal Susana Sbrolio Gália, mas tiveram direito de recorrer em liberdade.
De acordo com o processo, o ex-prefeito e demais acusados (que foram condenados a passar as mesmas cinco horas na cadeia, só que por dois anos e seis meses) estabeleceram "como usual a prática da rapinagem aos cofres públicos, mediante os mais escusos e defraudatórios expedientes para os quais contribuíam e auferiam proveitos". No caso citado pelo MP, eles constituíram uma empresa chamada Comércio de Madeiras Condor Ltda. Com esta empresa participavam de licitações públicas, simulando a venda de madeiras para a Prefeitura mediante a emissão de notas fiscais frias.
Outro caso citado MP: em março de 1990, a mesma empresa venceu a licitação do convênio firmado entre a Prefeitura e a antiga Secretaria Especial da Ação Comunitária (Sehac), do Governo Federal, em que deveria fornecer 100 dúzias de madeira de pinho serrado em bruto. A madeira deveria ser usada na construção de casas populares, no regime de mutirão, no conjunto habitacional do bairro Olaria. Por esta operação a Condor recebeu o corresponde a cerca de R$ 10 mil, corrigido pelo INPC de julho. A madeira não foi entregue e as casas não foram construídas. Os réus correm o risco de terem de devolver o dinheiro aos cofres municipais, pois existe no fórum de São Joaquim, uma ação civil pública neste sentido.

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Garotinho declara apoio
a Lula no segundo turno

Candidato do PSB vota no PT se adversário for Ciro Gomes

Brasília - O candidato do PSB à Presidência da República, Anthony Garotinho, declarou ontem seu voto em Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do PT, num eventual segundo turno entre o petista e o candidato da Frente Trabalhista, Ciro Gomes (PPS). "Por duas vezes eu votei em Lula. Ele não precisa ter dúvidas. A dúvida é se ele vai votar em mim", disse Garotinho, durante palestra no Centro Comunitário da Universidade de Brasília (UnB). Com essa declaração, ele segue, portanto, a linha política do comando de seu partido, parceiro do PT nas últimas disputas eleitorais.
De olho nesse apoio, o próprio Lula tem evitado, por razão estratégica, criticar Garotinho, procurando ser comedido nas respostas às críticas feitas pelo ex-governador do Rio de Janeiro. Hoje, o candidato do PSB destacou o "discurso light" de Lula sobre suas propostas econômicas e o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Mas também reservou críticas indiretas a Ciro, que, segundo ele, se reúne na "calada da noite com banqueiros em busca de dinheiro" para sua campanha. Garotinho classificou de "espúrio" o novo acordo com o FMI e disse que o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso não foi capaz de viabilizar a estabilidade econômica. "Ao contrário do que se diz, esse é um governo da instabilidade econômica". Defendeu ainda a renegociação da dívida externa brasileira.
Ao dizer que um dirigente de um país deve sempre defender os interesses nacionais, o candidato do PSB elogiou o presidente dos Estados Unidos, George W.Bush, pelo fato de ele ter se negado a assinar o tratado de Kyoto, que prevê a redução e o controle dos níveis de poluição em âmbito mundial. Garotinho também manifestou ser contrário à Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Ao ser questionado sobre sua fama de populista, o ex-governador respondeu: "Não sou populista, sou popular".


Itamar sobe no palanque
do presidenciável petista

Belo Horizonte - O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (sem partido), participará na próxima sexta-feira, pela primeira vez, de um ato público ao lado do candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a quem já declarou apoio político. O secretário de Comunicação Social do governo mineiro, Luiz Márcio Ribeiro Viana, confirmou ontem que Itamar irá participar da visita que o petista fará à tarde ao centro da capital mineira, encerrando sua programação prevista para Belo Horizonte com uma caminhada pela avenida Afonso Pena. O governador se encontra com Lula no Café Nice, ponto obrigatório de candidatos que visitam a capital do Estado.
O presidenciável estará acompanhado dos candidatos da coligação PT/PL ao governo de Minas, Nilmário Miranda, e ao Senado, Tilden Santiago. O governador, que apóia a candidatura de Aécio Neves (PSDB) à sua sucessão, chegará ao local acompanhado do prefeito em exercício de Belo Horizonte, Fernando Pimentel. Itamar chegou a adiar a sua participação na campanha presidencial do PT, alegando dificuldades financeiras do caixa do Estado, mas voltou atrás. O recuo gerou especulações de que o governador estaria desistindo da adesão a Lula para apoiar a candidatura de Ciro Gomes, da Frente Trabalhista. Na quarta-feira da semana passada, Itamar recebeu um telefonema de Lula, com quem se comprometeu a engajar-se na candidatura presidencial petista. No mesmo dia, no entanto, fez uma defesa veemente do candidato da Frente Trabalhista, das acusações que ele recebeu do presidenciável do PSDB, José Serra, no debate da TV Bandeirantes.


FHC é estrela
de Serra na TV

Brasília - Nada de denuncismo, ataques ou baixarias típicas de campanhas. O candidato tucano a presidente, senador José Serra, vai estrear no horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão, na próxima terça-feira, apresentando sua candidatura e suas idéias, ao lado do presidente Fernando Henrique Cardoso. "Nosso programa vai realçar o que é fundamental, que são nossas propostas. Não é fazendo acusações infundadas ou trapaças que se pode chegar à presidência", garante o coordenador político da campanha tucana, deputado Pimenta da Veiga (PSDB-MG).
A disposição inicial dos marqueteiros da campanha tucana era a de apontar as falhas dos adversários, especialmente Ciro Gomes, do PPS. Queriam aproveitar a fartura de minutos na tevê, que dão a Serra o dobro do tempo de exposição do PT e o triplo do PPS. Pimenta insiste, porém, que o denuncismo não é da natureza nem da tradição do PSDB". Mas isto não significa que tucanos e peemedebistas assistirão imóveis aos eventuais ataques dos concorrentes. "Responderemos à altura", adianta Pimenta.
Não é por acaso que o presidente Fernando Henrique será a estrela da candidatura do PSDB no horário eleitoral. Foi esta a forma que políticos e marqueteiros da campanha encontraram para pôr fim à polêmica em torno da vinculação entre o candidato e o governo. "Ficará bem claro para todo mundo que Serra é o candidato deste governo", diz o líder do PSDB na Câmara, Jutahy Júnior (BA), confiante na tática de colar Serra aos programas bem sucedidos do governo.


Ciro é o único
a subir em pesquisa

Brasília - O candidato da Frente Trabalhista a presidente, Ciro Gomes (PPS-PDT-PTB), foi o único que teve aumento nas intenções de voto na pesquisa elaborada pelo Instituto Sensus para a Confederação Nacional dos Transportes (CNT), entre domingo (11) e terça-feira (13). De acordo com os dados, o candidato da Coligação Lula Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT-PL-PC do B-PCB-PMN), mantém a liderança, com 33,4%, seguido de Ciro, com 28,6%.
Na pesquisa anterior, Lula tinha 34,9% e Ciro, 25,5%. Em terceiro lugar, aparece o candidato José Serra (PSDB-PMDB), com 13,4%, e, em quarto, o ex-governador do Rio Anthony Garotinho (Frente Brasil Esperança), com 12,1%. Serra manteve o mesmo porcentual, enquanto Garotinho caiu 0,4 ponto. O número de indecisos, votos em branco e nulos caiu de 13,2% para 12,1%.
A margem de erro do levantamento é de 2 pontos porcentuais. O Sensus ouviu 2 mil eleitores em 195 municípios do País. O fresador ferramenteiro José Maria de Almeida (PSTU) teve 0,5% de intenção de votos, e o jornalista Rui Costa Pimenta (PCO), 0,1%.
O nível de rejeição ao candidato da Coligação Lula Presidente subiu de 25,4% para 29,7%. O segundo maior nível de rejeição é de Garotinho, com 16,5%, ante 13,3% da sondagem realizada no fim de julho. Serra tem nível de rejeição de 13,9%, ante 12,3% na pesquisa anterior. O candidato da Frente Trabalhista a presidente teve a rejeição elevada de 6,1% para 7,7%.
De acordo com o levantamento, 24,4% dos entrevistados disseram que Lula é o único candidato em quem votariam para presidente. No mesmo quesito, Ciro aparece com 17,8%, seguido de Serra, com 7,9%, e Garotinho, com 7,4%. Ciro venceria Lula num segundo turno: teria 48,6% das intenções de voto contra 42% de Lula.


Candidatos disputam voto de
mineiros no final de semana

Brasília - Os três candidatos à presidência da República melhor situados nas pesquisas de intenção de votos farão comícios e caminhadas em Minas Gerais neste final de semana. Não se trata de uma coincidência, mas de uma estratégia fundamentada em dados e na história política do Estado. Os coordenadores da campanha de Lula Inácio Lula da Silva (PT), Ciro Gomes (PPS) e José Serra (PSDB) sabem exatamente o quanto vale brigar pelo voto do eleitor mineiro. Além de ser o segundo maior colégio eleitoral do País, com 12,6 milhões de votos, o Estado funciona como um reflexo do restante do País. Daí o motivo de atrair mais os candidatos do que São Paulo, onde vivem 25,6 milhões de eleitores.
"Quem vence em Minas, ganha a eleição no Brasil", assegura o deputado Roberto Brant (PFL-MG), baseado na história recente do País. Segundo ele, foi o que ocorreu nas campanhas que elegeu Fernando Collor de Mello e o presidente Fernando Henrique Cardoso. Brant afirma que o perfil médio da população mineira se iguala à média nacional. Isso explicaria o fato dos especialistas em marketing escolherem o Estado para testar o lançamento de novos produtos. "O sul de Minas é o mesmo que São Paulo, já o norte se compara à região nordeste", compara o deputado.


Presidente
fará apelo patriótico

Brasília - O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que fará um apelo à "responsabilidade patriótica" dos candidatos à Presidência, nos encontros que terá com cada um deles, na segunda-feira, no Palácio do Planalto. Em entrevista à jornalista Miriam Leitão, no programa "Espaço Aberto", do canal a cabo Globonews, o presidente disse que é preciso que eles se comprometam claramente a respeitar contratos e a honrar os pagamentos da dívida pública para afastar a desconfiança dos investidores na solidez da economia brasileira. "É preciso que os candidatos não criem situações que beneficiem os especuladores", afirmou.
Fernando Henrique negou que a iniciativa de chamar os candidatos tenha objetivo eleitoral e rechaçou as interpretações de que pretenda dividir responsabilidades pela crise econômica. Ele reafirmou o ponto de vista de que a instabilidade dos mercados financeiro e de câmbio, que continua forte, mesmo depois de o Fundo Monetário Internacional (FMI) ter liberado uma ajuda de US$ 30 bilhões ao Brasil, tem origem na incerteza sobre a política econômica que será seguida pelo próximo governo. "Isso acontece porque o leme vai mudar de mão. Estou pedindo às mãos que eventualmente terão de segurar o leme que comecem a sentir a responsabilidade e o peso de ter o leme de um País na mão." O presidente disse ser necessário que os candidatos tenham "uma compreensão mais ampla" da situação vivida pelo País e que pretende contribuir para isso nas conversas da próxima semana.

 
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