Joinville
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Sexta-feira, 16 de Agosto de 2002
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Santa Catarina - Brasil
ANotícia
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Aviso
Por recomendação da Associação Nacional
de Jornais (ANJ), A Notícia deixa de publicar na página
OPINIÃO
artigos de candidatos até o fim da campanha eleitoral.
Campanha presidencial
começa a esquentar em SC
Ciro ganhará hoje
comitê suprapartidário em Florianópolis
Pedro Schmitt
Florianópolis
- A inauguração hoje à tarde do segundo
comitê do candidato Ciro Gomes (PPS) em Florianópolis,
numa das principais avenidas da Capital, mostra que, às
vésperas da estréia da propaganda eleitoral gratuita
no rádio e na televisão, a campanha presidencial
começa a aquecer. Com as participações de
PDT e PTB, que fazem parte da Frente Trabalhista - a coligação
que apóia Ciro - e dividindo o espaço considerado
suprapartidário com PFL e PPB, o comitê denota que,
no Estado, a candidatura pode ter mais visibilidade fora do seu
partido de origem. Ontem, a direção do PPS ainda
não havia confirmado presença, considerando que
já inaugurou há algumas semanas um comitê
de Ciro, num prédio do Centro da cidade.
Para mostrar força, o PFL pretende escalar para o evento
os senadores Jorge Bornhausen e Geraldo Althoff, mais o candidato
Paulo Bornhausen e pretendentes à Câmara dos Deputados
e à Assembléia. Deputados estaduais do PPB também
irão marcar presença, como o agora candidato a
federal Ivan Ranzolin, incluído entre os coordenadores
da campanha de Ciro em Santa Catarina.
Da coordenação nacional de campanha, estará
o secretário nacional do PDT, Manoel Dias, que ontem estava
em Brasília, no comitê nacional de Ciro, onde era
cogitada a vinda do candidato ao Estado já na próxima
sexta-feira - o que pode ser confirmado hoje. Seu vice, Paulo
Pereira da Silva (PTB), também deve cumprir roteiro por
algumas cidades catarinenses até o final do mês.
Já a Grande Aliança, coligação entre
PSDB e PMDB, que apóia o presidenciável tucano
José Serra, iniciou ontem uma estratégia de mobilização
a partir do interior. Os presidentes em exercício dos
dois partidos no Estado, Jacó Anderle (PSDB) e Dejandir
Dalpasqualle (PMDB), mais os coordenadores estaduais da campanha
Serra, Oscar Hildebrandt e Marcos Vieira, e o coordenador geral
da campanha do candidato ao governo, Geovah Amarante, deflagraram
um programa de reuniões com lideranças, para mobilizar
forças em favor do presidenciável e de Luiz Henrique
da Silveira (PMDB), candidato ao governo pela coligação
Por Toda Santa Catarina.
Ontem foram feitos encontros com prefeitos, vereadores, dirigentes
partidários, empresários e militantes das duas
siglas em Maravilha, Chapecó e Xanxerê. Hoje o roteiro
prevê reuniões em Joaçaba, Campos Novos e
Curitibanos, e amanhã em Rio do Sul, Blumenau e Balneário
Camboriú. Em outra frente, o próprio Luiz Henrique
faz um intenso roteiro no Planalto Serrano, e mescla pequenas
reuniões com showmícios em que a candidatura Serra
também ganha espaço. Ontem os maiores encontros
eram em Ponte Alta e Correia Pinto. Hoje está previsto
em Otacílio Costa, e amanhã em São Joaquim,
além de passagens do candidato em Rio Rufino, Urupema
e Painel.
Pequenos municípios
A coligação Lula Presidente trabalha junto com
a Frente Popular também no rumo da interiorização
da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), especialmente
nos pequenos municípios, com a distribuição
de material, contando com a participação de prefeitos,
vereadores e dirigentes de diretórios municipais. As maiores
mobilizações vão aguardar a largada do horário
eleitoral na televisão e no rádio.
A aposta no poder da mídia também é a estratégia
do PSB, que sem recursos freiou as iniciativas de grandes mobilizações
com o candidato da Frente Brasil Esperança, Anthony Garotinho.
A campanha está praticamente restrita às igrejas
evangélicas.
O PSTU está direcionando seus esforços para a mobilização
de sindicalistas e a campanha do candidato à Presidência
José Maria de Almeida vai ser intensificada com a distribuição
do material casado com o do candidato ao governo Gilmar Salgado,
a partir da próxima semana, contendo as propostas de ambos
para seus planos de governo.
Empresários conversam com
LHS
Chapecó - A proposta de descentralização
governamental, apresentada pelo candidato a governador pela coligação
Por Toda a Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB),
despertou a curiosidade e o senso crítico dos empresários
de Chapecó, durante debate promovido pela Associação
Comercial e Industrial (Acic), quarta-feira à noite. Acostumados
a ouvirem, eleição após eleição,
promessas de que o Oeste não será esquecido, os
dirigentes empresariais perguntaram ao candidato como será
feita a implantação das chamadas secretarias de
desenvolvimento regional, previstas em seu plano de governo.
Também questionaram sobre a possibilidade de a proposta
inchar a folha de pagamento do Estado ou não passar pelo
crivo da Assembléia Legislativa.
Posicionando-se como alternativa para os eleitores que desejarem
o fim da centralização das decisões e dos
recursos no litoral e na Capital, Luiz Henrique respondeu aos
empresários que é um otimista e que, se "o
partido da Ilha" quiser bloquear a descentralização,
vai convocar o povo para "sitiar" a Assembléia
e "forçar a realização da mudança".
No entendimento do candidato, a manutenção do atual
sistema, com todas as decisões centradas na Capital, será
a ruína de Santa Catarina, que em breve ficará
semelhante aos Estados do Nordeste, "onde a Capital é
tudo e o interior é nada".
Para evitar que a implantação das secretarias regionais,
os chamados sub-governos, inchem a folha de pagamento, Luiz Henrique
prometeu aos empresários eliminar cargos e órgãos
na Capital. "Vamos reduzir o tamanho do Estado em Florianópolis
e acabar com órgãos como o DAE, que não
funciona", comentou.
O candidato explicou ainda que as secretarias terão orçamento
próprio e autonomia para realizar obras e ações
de competência do Estado. O governador, segundo ele, vai
trabalhar fora do Estado, buscando obras junto ao governo federal
e investimentos externos. LHS garantiu que vai atender os principais
anseios das comunidades do Oeste, como a conclusão e reforma
da BR-282 e a construção do contorno viário
Leste de Chapecó.
Na área de desenvolvimento econômico, uma das propostas
que mais chamou a atenção dos empresários
foi a de investimento em setores alternativos, como o de turismo
de eventos.
Candidatos aproveitam o
feriado para visitar Lages
Lages - O feriado da padroeira de Lages, Nossa Senhora dos
Prazeres, foi marcado ontem por intensa movimentação
política. Logo no período da manhã, o candidato
ao governo do estado, Luiz Henrique da Silveira visitou a cidade.
Já no período da tarde foi a vez de um comício
realizado pelos partidos PFL, PPB e PTB, que reuniu cerca de
duas mil pessoas na rua São Joaquim, próximo ao
centro.
Em sua passagem por Lages, Luiz Henrique aproveitou para visitar
alguns bairros e manter um encontro com a comunidade, especialmente
estudantes. Logo após o almoço, ele partiu em comitiva
para o município de São José do Cerrito.
Na parte da tarde, mesmo sem a presença de Luiz Henrique,
seus correligionários trataram de promover uma carreata
pelas principais ruas do centro de Lages.
Já os integrantes da coligação que apóia
o atual governador Esperidião Amin (PPB) para a reeleição,
trataram de realizar um showmício na rua São Joaquim.
Apesar do frio intenso, cerca de duas mil pessoas compareceram.
No palanque, comandados pelo prefeito de Lages, Raimundo Colombo
(PFL), estavam todos os candidatos da região serrana que
pertencem à coligação. No sábado,
eles voltam a se reunir, mas com as presenças do governador
e dos candidatos ao Senado Hugo Biehl (PPB) e Paulinho Bornhausen
(PFL).
"Participo de debate quando
quiser"
Quebec, Canadá - O governador e candidato à
reeleição Esperidião Amin (PPB) sinalizou
ontem, antes de embarcar de volta ao Brasil, para uma provável
distância dos debates eleitorais este ano. Até o
início deste mês, Amin anunciava que participaria
de debates somente após a conclusão do seu plano
de governo, no final de agosto, postura já adotada no
pleito de 1998.
Questionado se mantinha sua decisão de debater somente
após o término do plano, Amin respondeu: "Mantenho
a decisão de participar de debates quando eu quiser. E
só depois de concluir o plano de governo", declarou.
O governador explicou que não vê sentido em discussões
morais e políticas, numa clara avaliação
dos debates dos quais já participaram seus adversários,
embora tenha feito reserva em comentar as discussões.
"São assuntos que até gosto e são de
fácil discussão. Mas nesta linha há dificuldades
para a escolha do eleitor, quando não se diz o que vai
fazer e como fazer", justificou.
Amin também anunciou que está incluindo no programa
de governo da chapa Santa Catarina Melhor (PPB/PFL) um programa
de melhoria e pavimentação dos acessos rodoviários
aos pequenos municípios do Estado. O levantamento da necessidade
já foi efetuado, segundo o governador, que não
dispunha dos dados por encontrar-se fora do País. Ao anunciar
obras deste porte, Amin
está em parte respondendo a principal crítica dos
concorrentes à sua atual
gestao, de que não foram realizadas obras entre 1999 e
2002. (Aline Felkl, enviada especial)
Câmara define hoje futuro
de prefeito de Barra Velha
Joinville - Pela segunda vez em um intervalo de uma semana,
o prefeito Walter Zimmermann (PFL) e seu vice Luiz Pacheco de
Souza correm hoje o risco de serem afastados dos seus cargos
pela Câmara de Vereadores. No início de agosto,
quando ia ser votado o relatório que sugere a cassação
da dupla, a sessão foi suspensa porque a Justiça
determinou o regresso aos cargos de seis vereadores cassados
em junho.
Como a decisão judicial foi modificada nesta semana e
os seis parlamentares voltaram a perder o cargo, a votação
sobre o destino de Zimmermann será realizada a partir
das 18h30 de hoje. A previsão, inclusive do próprio
prefeito, é que os vereadores aprovem a cassação.
Se isso ocorrer, o presidente da Câmara, Eunildo dos Santos
(PSDB), assume o cargo e convoca eleições em 90
dias, embora Zimmermann pretenda recorrer da eventual cassação.
"Eunildo fica 48 horas no cargo, no máximo",
afirma.
Na sessão de hoje, que deverá ser encerrada na
madrugada de sábado, após a leitura de mais de
três mil páginas do processo e contar com policiamento,
é necessário o voto favorável de pelo menos
seis dos nove vereadores para derrubar o prefeito e o vice, acusados
de improbidade administrativa, como realização
de licitações "dirigidas" e outras irregularidades.
As chances de cassação do prefeito cresceram porque
os seis vereadores de sua base de apoio foram cassados por quebra
de decoro parlamentar: formaram um bloco parlamentar, firmando
acordo de apoio ao prefeito. De acordo com o presidente da Câmara,
o grupo teria abdicado de exercer a função de "fiscalizar"
o Poder Executivo.
Os suplentes que assumiram não têm relação
com o prefeito e devem votar pela cassação. "Acho
que vão me afastar, embora não tenha indício
algum de irregularidade. Irregular é a compra do terreno
para a Câmara", diz o prefeito Zimmermann. De acordo
com ele, o presidente da Câmara autorizou a compra de um
terreno, sem licitação. A área teria custado,
no ano passado, R$ 12 mil, a uma incorporadora. "E agora
o presidente pagou R$ 78 mil", acrescenta.
Eunildo dos Santos nega ilegalidades. "Acho que tem gente
que não quer o crescimento do Legislativo, que fiquemos
vivendo de favor na Prefeitura", rebate. A Câmara
funciona em um dos pavimentos da Prefeitura. (Jefferson Saavedra)
Declarações provocam
indignação
O irmão de Eunildo, Eurides dos Santos, reagiu com
indignação às declarações
do deputado estadual Lício Mauro da Silveira (PPB), que
qualificou de "golpe" a cassação dos
seis vereadores e a provável derrubada do prefeito de
Barra Velha, Walter Zimmermann (PFL). "Esse deputado é
mentiroso. Esteve em Barra Velha tentando aliciar um suplente
de vereador com promessa de obras", disparou Eurides, negando
ser assessor jurídico da Câmara.
Advogado em Barra Velha, Eurides afirmou que a última
decisão do Tribunal de Justiça, determinando que
os vereadores cassados permanecessem fora dos cargos, comprova
a "lisura" da decisão judicial em primeira instância.
A Notícia entrou em contato com o gabinete do deputado
Lício Mauro, mas a ligação não foi
retornada. (JS)
Democracia eleitoral é discutida
Florianópolis - As dimensões da democracia eleitoral
no Brasil foram tema de debate ontem em seminário no Centro
de Filosofia e História (CFH) da Universidade Federal
de Santa Catarina (UFSC). O professor Remy Fontana abriu o seminário,
discutindo sobre a conjuntura político-eleitoral. Para
ele, a sociedade deve diminuir as expectativas para este pleito,
pois "a mentalidade de escolher o candidato 'menos pior'
não ajuda a construir mudanças na sociedade".
Fontana argumenta que este tipo de mudança não
ocorre de uma eleição para outra, mas depende da
vontade política, e também dos eleitores, durante
sucessivos pleitos. "A eleição começa
na hora em que se escolhe o candidato, antes mesmo do sufrágio",
conclui.
Outro debatedor do tema, o professor da Univali Julian Borba
afirmou que há uma tendência dos candidatos, nas
eleições presidenciais, abandonarem programas de
governo considerados de "esquerda" ou de "direita"
para se concentrarem no centro. O palestrante esperado para a
ocasião, o PhD em ciência política e autor
de vários livros sobre o tema, Wanderley Guilherme dos
Santos, não pôde comparecer ao seminário.
As discussões continuam hoje, abordando temas como a legislação
eleitoral, o sistema partidário e a influência das
pesquisas nas eleições presidenciais.
MP acusa
administradores
de improbidade
Videira - Ação civil pública foi ajuizada
ontem pelo Ministério Público Estadual acusando
o prefeito de Videira, Carlos Alberto Piva (PPB), e seu vice,
Mário Adolfo Corrêa Filho (PSDB), de improbidade
administrativa. Entre as providências, o promotor Aurélio
Giacomelli da Silva requer liminar para anular a contratação
de 271 funcionários em caráter temporário.
A principal alegação é de que os contratos
foram feitos de forma irregular, tomando por base uma lei municipal
que dispensa a realização de concurso público
para atender necessidades de áreas como educação,
saúde e assistência social. O promotor diz que a
lei é inconstitucional. Giacomelli explica ainda que a
Lei 8.745/93 norteia as contratações por parte
dos municípios e prevê este tipo de ação
somente em casos específicos, como calamidades, epidemias
ou, no caso dos professores, substituição.
Na ação, ele pede liminares para anular a contratação
de todos os funcionários citados, nomeação
imediata dos aprovados em concurso público realizado há
três meses pelo município e a proibição
de novas contratações temporárias.
O promotor requer ainda que prefeito e vice sejam condenados
a ressarcir integralmente o suposto dano causado aos cofres públicos,
perda da função pública e suspensão
dos direitos políticos de três a cinco anos.
Piva disse ontem que ainda não havia sido notificado sobre
a ação e por isso preferiu não comentá-la.
Coordenador quer
Serra no ataque
Vellozo Lucas defende
linha mais à esquerda para PSDB
São Paulo - Na atual campanha presidencial nenhum candidato
pode dizer que é verdadeiramente de oposição.
A avaliação é de um dos coordenadores do
programa de governo do presidenciável tucano José
Serra e prefeito de Vitória (ES), Luiz Paulo Vellozo Lucas
(PSDB). Num contraste à postura moderada que Serra vem
adotando na campanha governista, Vellozo Lucas é taxativo
ao acusar os adversários da Frente Trabalhista, Ciro Gomes,
e do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, de se apropriarem
de espólios do governo Fernando Henrique Cardoso nesta
campanha. Com base nessa análise, Vellozo Lucas defendeu
que Serra assuma uma postura de oposição não
ao presidente FHC, mas às "forças retrógradas"
que formaram a base de sustentação do governo nos
últimos oito anos. "Esse discurso tem que ficar claro",
diz.
No entanto, até agora, os coordenadores da campanha tucana
ainda não chegaram a um consenso sobre a questão.
Os mais à esquerda, como Vellozo Lucas, defenderam, desde
o início, o rompimento com o PFL. "Serra sempre fez
oposição a essa base de sustentação
e às políticas neoliberais defendidas por eles",
diz o coordenador, acrescentando que o candidato tem credenciais
para resgatar as origens centro-esquerda do partido. "É
um discurso complexo e Serra optou por uma atitude propositiva",
afirma o tucano, que aposta no horário eleitoral gratuito
para tentar esclarecer essa dubiedade.
As críticas do coordenador do programa de governo de José
Serra não se concentraram apenas nas forças que
já deixaram o governo Fernando Henrique, mas também
em algumas, ainda presentes, como é o caso do tucano Tasso
Jereissati, que já declarou explicitamente seu apoio a
Ciro e faz ataques freqüentes a José Serra. "O
Tasso não está do nosso lado e isso tem de ficar
claro", diz Vellozo Lucas. Além de Tasso, o coordenador
também não poupou críticas ao presidente
da Petrobras, Francisco Gros. Circula em Brasília a informação
de que Ciro já o teria convidado para ser um de seus ministros
da área econômica e que Gros estaria pedindo, nos
bastidores, apoio ao candidato da Frente Trabalhista. É
notório que o presidente da estatal não esconde
sua antipatia por Serra, ainda mais depois que o candidato começou
a atacar publicamente a Petrobras pelo aumento das tarifas de
gás de cozinha. O ataque, na visão de Vellozo,
foi muito suave. "Serra precisava declarar que, no governo
dele, pessoas como Gros não teriam espaço",
e completa: "Isso é que é ser oposição."
Desmentido
O candidato da Frente Brasil a presidente, Anthony Garotinho
(PSB-PGT-PTC), desmentiu ontem, em São Paulo, a informação
de que apoiaria o candidato da Coligação Lula Presidente,
Luiz Inácio Lula da Silva (PT-PL-PC do B-PCB-PMN), caso
não vá para o segundo turno. Garotinho afirmou
que respondia a uma pergunta de um eleitor, dizendo que votou
duas vezes em Lula. "Mas a minha pergunta foi: 'Se eu for
para o segundo turno, e eu vou, o Lula votaria em mim?'",
comentou. Ao ser questionado sobre com qual dos candidatos teria
mais afinidade ideológica, Garotinho não respondeu.
Correção
Ao contrário do que foi publicado ontem nesta página,
o município de São Joaquim, rigorosamente, pertence
à região do Planalto Serrano, embora a referência
genérica a "Sul do Estado" leve em conta apenas
a posição geográfica, que é mais
abrangente.
Secretário-geral
da entidade diz político deve mostrar programa
Brasília - O candidato do PSB à Presidência
da República, Anthony Garotinho, tentou ontem ocupar o
espaço deixado pelo PT na frente de entidades contrárias
à Área de Livre Comércio das Américas
(Alca), como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
(CNBB), mas levou um puxão de orelhas. O secretário-geral
da CNBB, dom Raymundo Damasceno, criticou o ex-governador do
Rio pelo fato de ele estar "explorando a religião
como instrumento para conseguir votos".
Garotinho é da Igreja Presbiteriana e tem usado as igrejas
evangélicas como canal de contato com o eleitor. Na segunda-feira,
Garotinho conclamou o povo evangélico, durante show gospel
em Brasília, a trabalhar dia a dia pela sua candidatura
e disse que a "ira de Deus" se abateria em 6 de outubro,
primeiro turno das eleições presidenciais, sobre
os adversários e todos os que o criticam.
"Ele (Garotinho) não deveria explorar a religião
como instrumento para conseguir votos. O importante é
que o candidato apresente aos eleitores durante a campanha o
seu programa de governo, debata os problemas que o País
está enfrentando e proponha soluções concretas",
disse dom Raymundo, após se reunir com Garotinho. Para
o bispo, não há problema em "misturar religião"
com a defesa de uma política coerente com os princípios
da igualdade social. Segundo ele, a CNBB tem defendido, em cartilhas
e documentos, que os eleitores escolham seus candidatos de acordo
com "critérios de honestidade, da experiência
do passado".
No vácuo deixado pelo PT sobre a polêmica discussão
a respeito da Alca, Garotinho decidiu ir à CNBB para garantir
que apóia o plebiscito nacional a respeito da criação
da área de livre comércio e da adesão do
Brasil. Recentemente, o PT abandonou a parceria com a CNBB para
a realização do plebiscito, que ocorrerá
na primeira semana de setembro. O partido desistiu de patrocinar
a consulta popular temendo prejuízos políticos
na campanha do candidato da Coligação Lula Presidente,
Luiz Inácio Lula da Silva (PT-PL-PC do B-PCB-PMN).
Após o encontro com dom Raymundo, o ex-governador do Rio
disse que a ida à CNBB não pode ser interpretada
como uma reação às críticas de que
tem explorado sua religião para angariar apoio dos eleitores.
"Não vamos confundir a opção individual
do cidadão com a posição de um presidente
da República ou de um governador", disse. "O
homem público é presidente ou governador de todos
os brasileiros, sejam eles católicos, batistas, presbiterianos
ou membros da Assembléia de Deus. Isso sempre foi uma
exploração falsa para me atingir", acrescentou.
Garotinho foi o segundo candidato à Presidência
da República a procurar a CNBB. Lula foi recebido por
bispos da entidade. O presidenciável José Serra
(PSDB) deverá visitar a CNBB no fim do mês.
Bispos apóiam
pacto com FMI
Brasília - O secretário-geral da Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Raymundo Damasceno,
defendeu ontem o acordo do Brasil com o Fundo Monetário
Internacional (FMI) com o argumento de que o novo contrato será
um instrumento importante para o governo brasileiro superar a
crise cambial. É a primeira vez, na atual crise econômica,
que a cúpula da Igreja Católica manifesta preocupação
com a questão da instabilidade econômica. "Para
o momento, sem dúvida nenhuma (o acordo) foi importante
para a superação da crise. Parece que hoje o mercado
está um pouco mais tranqüilo", disse dom Damasceno.
Admitir aspectos positivos na ida do Brasil ao FMI é uma
opinião que contrasta com os históricos posicionamentos
de dirigentes da CNBB nos últimos oito anos. Há
dois anos, a entidade patrocinou, em conjunto com o Movimento
dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e o PT, um plebiscito
para saber se o País deveria manter o pagamento da dívida
externa. A CNBB, à época, não só
patrocinou a consulta como defendeu a necessidade de uma revisão
no pagamento da dívida brasileira. Ainda na linha crítica
em relação ao governo do presidente Fernando Henrique
Cardoso, a CNBB participou nos últimos anos de todos grandes
atos promovidos pela oposição, como a Marcha dos
Cem Mil, a grande passeata do MST em Brasília. A entidade
sempre contestou as exigências impostas ao Brasil pelas
instituições financeiras internacionais.
FHC escala ministros para encontro
com candidatos
Brasília - O presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu
que os ministros da Fazenda, Pedro Malan, e o ministro-chefe
da Secretaria-geral da Presidência, Euclides Scalco, participarão
de suas conversas com os principais candidatos à Presidência
da República, na próxima segunda-feira. Malan foi
escolhido por experiência de quase oito anos no cargo e
por ter conduzido os entendimentos para a renovação
do acordo brasileiro com o Fundo Monetário Internacional
(FMI). A escolha de Scalco é de natureza política.
Ex-líder do PSDB na Câmara e coordenador político
da campanha de reeleição de Fernando Henrique em
1988, Scalco acumulou experiência na relação
entre o Executivo e o Legislativo e é reconhecido como
um ator com bom trânsito em todas as correntes políticas.
O formato da reunião prevê uma exposição
sobre as negociações com o Banco Mundial, o Banco
Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o FMI. O presidente
pretende mostrar que, mesmo tendo se antecipado aos efeitos mais
severos da crise externa e procurado o acordo com o FMI, isso
não foi suficiente para reverter a crise de credibilidade
que o Brasil enfrenta e que tem se refletido na forte oscilação
da taxa de câmbio e na retração das linhas
de financiamento para o comércio exterior. Parte dessa
crise de confiança, o presidente poderá dizer,
deve-se às incertezas políticas produzidas pela
sucessão brasileira. Nesse sentido, o encontro servirá
para exibir o grau de maturidade democrática e institucional
que o País alcançou e que seus governantes não
estão propensos a aventuras. Na conversa, o presidente
não solicitará que os candidatos assinem qualquer
termo de compromisso, mas que assumam publicamente um discurso
coerente, inclusive no ambiente de suas equipes, e que seja favorável
à iniciativa do atual governo.
Aécio diz que
apóia Ciro se
for eleito
Belo Horizonte - O presidente da Câmara dos Deputados
e candidato a governador de Minas Gerais, Aécio Neves
(PSDB), disse, na noite de quarta-feira, em Belo Horizonte, dará
"total apoio" ao candidato da Frente Trabalhista a
presidente, Ciro Gomes (PPS-PDT-PTB), caso os dois sejam eleitos.
"Posso garantir que, se for eleito governador, não
haverá uma decisão em Brasília que não
passe pela aprovação do governador de Minas Gerais.
Se for da vontade do povo que Ciro Gomes seja eleito ou qualquer
outro candidato, ele terá apoio total do governo de Minas",
afirmou, numa reunião de confraternização
com líderes do PPS no Estado. Em Minas Gerais, Ciro apóia
Neves, que conseguiu reunir em torno da candidatura diversos
partidos, entre eles, os da Frente Trabalhista.
"Eu vim aqui agradecer o apoio", justificou o presidente
da Câmara dos Deputados. "O PPS, desde o primeiro
momento, foi um partido que estimulou essa nossa caminhada, está
firme na nossa campanha e estará no nosso projeto de governo."
Líder na disputa, de acordo com as pesquisas, Neves declarou
que sustentará a gestão do próximo presidente,
qualquer que seja ele, e reconheceu que existem afinidades entre
as legendas que apóiam a candidatura dele e a de Ciro.
No fim de julho, o presidente da Câmara recebeu o apoio
da Força Sindical, ao lado do candidato da Frente Trabalhista
a vice-presidente, Paulo Pereira da Silva (PTB), o Paulinho,
presidente licenciado da entidade.
As articulações políticas de Neves e a base
suprapartidária que reuniu desagradam ao comando da campanha
presidencial tucana, que decidiu tentar "colar" a campanha
do senador José Serra (PSDB-SP) à de Neves para
que o candidato da Coligação PSDB-PMDB a presidente
ocupe o espaço cobiçado por Ciro. Apesar de reafirmar
o apoio à candidatura de Serra, Neves ressaltou a amizade
que mantém com Ciro.
Lula rebate
cobrança de
presidente
Rio - Depois da cobrança do presidente Fernando Henrique
Cardoso de que os candidatos sejam claros com relação
ao acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o
candidato do PT à Presidência da República,
Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou ontem que "quem
está precisando mostrar clareza é o presidente
da República". Lula rejeitou a tese de que a crise
econômica se deve à instabilidade por causa das
eleições. "A crise é de gerenciamento
e quem gerenciou foi ele", declarou, referindo-se a Fernando
Henrique.
Lula cobrou do presidente uma explicação sobre
que modelo de desenvolvimento defende para o País, pois,
"em oito anos de governo, as exportações não
cresceram, o País não cresceu". "A produção
tem de substituir a especulação", afirmou.
Sobre o encontro com o presidente, na segunda-feira, o candidato
voltou a dizer que Fernando Henrique "não pode tentar
repartir o ônus porque, quando teve bônus, ele não
repartiu".
Em relação à minirreforma tributária,
o petista afirmou que "já deveria ter sido feita
em 2000, estava acordada por todos os partidos e o governo não
quis votar". Lula disse que, se a minirreforma entrar em
pauta no Congresso, "a bancada do PT estará lá".
Indagado sobre a investigação de uso de carros
oficiais do PT na campanha do candidato petista ao governo de
São Paulo, José Genoíno, Lula afirmou que
o deputado não cometeu nenhum tipo de irregularidade e
considerou inaceitável o uso desse tipo de veículo
por autoridades. "Acho até uma insanidade um secretário
qualquer que seja ele, numa reunião, ir de carro oficial.
Tem metrô, tem táxi, tem carro particular. O Genoíno
não deve ter ido de carro oficial porque o partido dá
carro para ele fazer campanha", afirmou o petista. Lula
evitou comentar declarações do candidato do PSB,
Anthony Garotinho, de que poderá votar no PT no segundo
turno das eleições presidenciais. "Sou amigo
do Garotinho, estamos numa disputa", disse Lula.