Joinville         -          Sexta-feira, 16 de Agosto de 2002         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

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Aviso
Por recomendação da Associação Nacional de Jornais (ANJ), A Notícia deixa de publicar na página OPINIÃO artigos de candidatos até o fim da campanha eleitoral.




Campanha presidencial
começa a esquentar em SC

Ciro ganhará hoje comitê suprapartidário em Florianópolis

Pedro Schmitt

Florianópolis - A inauguração hoje à tarde do segundo comitê do candidato Ciro Gomes (PPS) em Florianópolis, numa das principais avenidas da Capital, mostra que, às vésperas da estréia da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, a campanha presidencial começa a aquecer. Com as participações de PDT e PTB, que fazem parte da Frente Trabalhista - a coligação que apóia Ciro - e dividindo o espaço considerado suprapartidário com PFL e PPB, o comitê denota que, no Estado, a candidatura pode ter mais visibilidade fora do seu partido de origem. Ontem, a direção do PPS ainda não havia confirmado presença, considerando que já inaugurou há algumas semanas um comitê de Ciro, num prédio do Centro da cidade.
Para mostrar força, o PFL pretende escalar para o evento os senadores Jorge Bornhausen e Geraldo Althoff, mais o candidato Paulo Bornhausen e pretendentes à Câmara dos Deputados e à Assembléia. Deputados estaduais do PPB também irão marcar presença, como o agora candidato a federal Ivan Ranzolin, incluído entre os coordenadores da campanha de Ciro em Santa Catarina.
Da coordenação nacional de campanha, estará o secretário nacional do PDT, Manoel Dias, que ontem estava em Brasília, no comitê nacional de Ciro, onde era cogitada a vinda do candidato ao Estado já na próxima sexta-feira - o que pode ser confirmado hoje. Seu vice, Paulo Pereira da Silva (PTB), também deve cumprir roteiro por algumas cidades catarinenses até o final do mês.
Já a Grande Aliança, coligação entre PSDB e PMDB, que apóia o presidenciável tucano José Serra, iniciou ontem uma estratégia de mobilização a partir do interior. Os presidentes em exercício dos dois partidos no Estado, Jacó Anderle (PSDB) e Dejandir Dalpasqualle (PMDB), mais os coordenadores estaduais da campanha Serra, Oscar Hildebrandt e Marcos Vieira, e o coordenador geral da campanha do candidato ao governo, Geovah Amarante, deflagraram um programa de reuniões com lideranças, para mobilizar forças em favor do presidenciável e de Luiz Henrique da Silveira (PMDB), candidato ao governo pela coligação Por Toda Santa Catarina.
Ontem foram feitos encontros com prefeitos, vereadores, dirigentes partidários, empresários e militantes das duas siglas em Maravilha, Chapecó e Xanxerê. Hoje o roteiro prevê reuniões em Joaçaba, Campos Novos e Curitibanos, e amanhã em Rio do Sul, Blumenau e Balneário Camboriú. Em outra frente, o próprio Luiz Henrique faz um intenso roteiro no Planalto Serrano, e mescla pequenas reuniões com showmícios em que a candidatura Serra também ganha espaço. Ontem os maiores encontros eram em Ponte Alta e Correia Pinto. Hoje está previsto em Otacílio Costa, e amanhã em São Joaquim, além de passagens do candidato em Rio Rufino, Urupema e Painel.

Pequenos municípios

A coligação Lula Presidente trabalha junto com a Frente Popular também no rumo da interiorização da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), especialmente nos pequenos municípios, com a distribuição de material, contando com a participação de prefeitos, vereadores e dirigentes de diretórios municipais. As maiores mobilizações vão aguardar a largada do horário eleitoral na televisão e no rádio.
A aposta no poder da mídia também é a estratégia do PSB, que sem recursos freiou as iniciativas de grandes mobilizações com o candidato da Frente Brasil Esperança, Anthony Garotinho. A campanha está praticamente restrita às igrejas evangélicas.
O PSTU está direcionando seus esforços para a mobilização de sindicalistas e a campanha do candidato à Presidência José Maria de Almeida vai ser intensificada com a distribuição do material casado com o do candidato ao governo Gilmar Salgado, a partir da próxima semana, contendo as propostas de ambos para seus planos de governo.


Empresários conversam com LHS

Chapecó - A proposta de descentralização governamental, apresentada pelo candidato a governador pela coligação Por Toda a Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB), despertou a curiosidade e o senso crítico dos empresários de Chapecó, durante debate promovido pela Associação Comercial e Industrial (Acic), quarta-feira à noite. Acostumados a ouvirem, eleição após eleição, promessas de que o Oeste não será esquecido, os dirigentes empresariais perguntaram ao candidato como será feita a implantação das chamadas secretarias de desenvolvimento regional, previstas em seu plano de governo. Também questionaram sobre a possibilidade de a proposta inchar a folha de pagamento do Estado ou não passar pelo crivo da Assembléia Legislativa.
Posicionando-se como alternativa para os eleitores que desejarem o fim da centralização das decisões e dos recursos no litoral e na Capital, Luiz Henrique respondeu aos empresários que é um otimista e que, se "o partido da Ilha" quiser bloquear a descentralização, vai convocar o povo para "sitiar" a Assembléia e "forçar a realização da mudança". No entendimento do candidato, a manutenção do atual sistema, com todas as decisões centradas na Capital, será a ruína de Santa Catarina, que em breve ficará semelhante aos Estados do Nordeste, "onde a Capital é tudo e o interior é nada".
Para evitar que a implantação das secretarias regionais, os chamados sub-governos, inchem a folha de pagamento, Luiz Henrique prometeu aos empresários eliminar cargos e órgãos na Capital. "Vamos reduzir o tamanho do Estado em Florianópolis e acabar com órgãos como o DAE, que não funciona", comentou.
O candidato explicou ainda que as secretarias terão orçamento próprio e autonomia para realizar obras e ações de competência do Estado. O governador, segundo ele, vai trabalhar fora do Estado, buscando obras junto ao governo federal e investimentos externos. LHS garantiu que vai atender os principais anseios das comunidades do Oeste, como a conclusão e reforma da BR-282 e a construção do contorno viário Leste de Chapecó.
Na área de desenvolvimento econômico, uma das propostas que mais chamou a atenção dos empresários foi a de investimento em setores alternativos, como o de turismo de eventos.


Candidatos aproveitam o
feriado para visitar Lages

Lages - O feriado da padroeira de Lages, Nossa Senhora dos Prazeres, foi marcado ontem por intensa movimentação política. Logo no período da manhã, o candidato ao governo do estado, Luiz Henrique da Silveira visitou a cidade. Já no período da tarde foi a vez de um comício realizado pelos partidos PFL, PPB e PTB, que reuniu cerca de duas mil pessoas na rua São Joaquim, próximo ao centro.
Em sua passagem por Lages, Luiz Henrique aproveitou para visitar alguns bairros e manter um encontro com a comunidade, especialmente estudantes. Logo após o almoço, ele partiu em comitiva para o município de São José do Cerrito. Na parte da tarde, mesmo sem a presença de Luiz Henrique, seus correligionários trataram de promover uma carreata pelas principais ruas do centro de Lages.
Já os integrantes da coligação que apóia o atual governador Esperidião Amin (PPB) para a reeleição, trataram de realizar um showmício na rua São Joaquim. Apesar do frio intenso, cerca de duas mil pessoas compareceram. No palanque, comandados pelo prefeito de Lages, Raimundo Colombo (PFL), estavam todos os candidatos da região serrana que pertencem à coligação. No sábado, eles voltam a se reunir, mas com as presenças do governador e dos candidatos ao Senado Hugo Biehl (PPB) e Paulinho Bornhausen (PFL).


"Participo de debate quando quiser"

Quebec, Canadá - O governador e candidato à reeleição Esperidião Amin (PPB) sinalizou ontem, antes de embarcar de volta ao Brasil, para uma provável distância dos debates eleitorais este ano. Até o início deste mês, Amin anunciava que participaria de debates somente após a conclusão do seu plano de governo, no final de agosto, postura já adotada no pleito de 1998.
Questionado se mantinha sua decisão de debater somente após o término do plano, Amin respondeu: "Mantenho a decisão de participar de debates quando eu quiser. E só depois de concluir o plano de governo", declarou.
O governador explicou que não vê sentido em discussões morais e políticas, numa clara avaliação dos debates dos quais já participaram seus adversários, embora tenha feito reserva em comentar as discussões. "São assuntos que até gosto e são de fácil discussão. Mas nesta linha há dificuldades para a escolha do eleitor, quando não se diz o que vai fazer e como fazer", justificou.
Amin também anunciou que está incluindo no programa de governo da chapa Santa Catarina Melhor (PPB/PFL) um programa de melhoria e pavimentação dos acessos rodoviários aos pequenos municípios do Estado. O levantamento da necessidade já foi efetuado, segundo o governador, que não dispunha dos dados por encontrar-se fora do País. Ao anunciar obras deste porte, Amin
está em parte respondendo a principal crítica dos concorrentes à sua atual
gestao, de que não foram realizadas obras entre 1999 e 2002. (Aline Felkl, enviada especial)


Câmara define hoje futuro
de prefeito de Barra Velha

Joinville - Pela segunda vez em um intervalo de uma semana, o prefeito Walter Zimmermann (PFL) e seu vice Luiz Pacheco de Souza correm hoje o risco de serem afastados dos seus cargos pela Câmara de Vereadores. No início de agosto, quando ia ser votado o relatório que sugere a cassação da dupla, a sessão foi suspensa porque a Justiça determinou o regresso aos cargos de seis vereadores cassados em junho.
Como a decisão judicial foi modificada nesta semana e os seis parlamentares voltaram a perder o cargo, a votação sobre o destino de Zimmermann será realizada a partir das 18h30 de hoje. A previsão, inclusive do próprio prefeito, é que os vereadores aprovem a cassação. Se isso ocorrer, o presidente da Câmara, Eunildo dos Santos (PSDB), assume o cargo e convoca eleições em 90 dias, embora Zimmermann pretenda recorrer da eventual cassação. "Eunildo fica 48 horas no cargo, no máximo", afirma.
Na sessão de hoje, que deverá ser encerrada na madrugada de sábado, após a leitura de mais de três mil páginas do processo e contar com policiamento, é necessário o voto favorável de pelo menos seis dos nove vereadores para derrubar o prefeito e o vice, acusados de improbidade administrativa, como realização de licitações "dirigidas" e outras irregularidades.
As chances de cassação do prefeito cresceram porque os seis vereadores de sua base de apoio foram cassados por quebra de decoro parlamentar: formaram um bloco parlamentar, firmando acordo de apoio ao prefeito. De acordo com o presidente da Câmara, o grupo teria abdicado de exercer a função de "fiscalizar" o Poder Executivo.
Os suplentes que assumiram não têm relação com o prefeito e devem votar pela cassação. "Acho que vão me afastar, embora não tenha indício algum de irregularidade. Irregular é a compra do terreno para a Câmara", diz o prefeito Zimmermann. De acordo com ele, o presidente da Câmara autorizou a compra de um terreno, sem licitação. A área teria custado, no ano passado, R$ 12 mil, a uma incorporadora. "E agora o presidente pagou R$ 78 mil", acrescenta.
Eunildo dos Santos nega ilegalidades. "Acho que tem gente que não quer o crescimento do Legislativo, que fiquemos vivendo de favor na Prefeitura", rebate. A Câmara funciona em um dos pavimentos da Prefeitura. (Jefferson Saavedra)


Declarações provocam indignação

O irmão de Eunildo, Eurides dos Santos, reagiu com indignação às declarações do deputado estadual Lício Mauro da Silveira (PPB), que qualificou de "golpe" a cassação dos seis vereadores e a provável derrubada do prefeito de Barra Velha, Walter Zimmermann (PFL). "Esse deputado é mentiroso. Esteve em Barra Velha tentando aliciar um suplente de vereador com promessa de obras", disparou Eurides, negando ser assessor jurídico da Câmara.
Advogado em Barra Velha, Eurides afirmou que a última decisão do Tribunal de Justiça, determinando que os vereadores cassados permanecessem fora dos cargos, comprova a "lisura" da decisão judicial em primeira instância. A Notícia entrou em contato com o gabinete do deputado Lício Mauro, mas a ligação não foi retornada. (JS)


Democracia eleitoral é discutida

Florianópolis - As dimensões da democracia eleitoral no Brasil foram tema de debate ontem em seminário no Centro de Filosofia e História (CFH) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O professor Remy Fontana abriu o seminário, discutindo sobre a conjuntura político-eleitoral. Para ele, a sociedade deve diminuir as expectativas para este pleito, pois "a mentalidade de escolher o candidato 'menos pior' não ajuda a construir mudanças na sociedade". Fontana argumenta que este tipo de mudança não ocorre de uma eleição para outra, mas depende da vontade política, e também dos eleitores, durante sucessivos pleitos. "A eleição começa na hora em que se escolhe o candidato, antes mesmo do sufrágio", conclui.
Outro debatedor do tema, o professor da Univali Julian Borba afirmou que há uma tendência dos candidatos, nas eleições presidenciais, abandonarem programas de governo considerados de "esquerda" ou de "direita" para se concentrarem no centro. O palestrante esperado para a ocasião, o PhD em ciência política e autor de vários livros sobre o tema, Wanderley Guilherme dos Santos, não pôde comparecer ao seminário.
As discussões continuam hoje, abordando temas como a legislação eleitoral, o sistema partidário e a influência das pesquisas nas eleições presidenciais.


MP acusa
administradores
de improbidade

Videira - Ação civil pública foi ajuizada ontem pelo Ministério Público Estadual acusando o prefeito de Videira, Carlos Alberto Piva (PPB), e seu vice, Mário Adolfo Corrêa Filho (PSDB), de improbidade administrativa. Entre as providências, o promotor Aurélio Giacomelli da Silva requer liminar para anular a contratação de 271 funcionários em caráter temporário.
A principal alegação é de que os contratos foram feitos de forma irregular, tomando por base uma lei municipal que dispensa a realização de concurso público para atender necessidades de áreas como educação, saúde e assistência social. O promotor diz que a lei é inconstitucional. Giacomelli explica ainda que a Lei 8.745/93 norteia as contratações por parte dos municípios e prevê este tipo de ação somente em casos específicos, como calamidades, epidemias ou, no caso dos professores, substituição.
Na ação, ele pede liminares para anular a contratação de todos os funcionários citados, nomeação imediata dos aprovados em concurso público realizado há três meses pelo município e a proibição de novas contratações temporárias.
O promotor requer ainda que prefeito e vice sejam condenados a ressarcir integralmente o suposto dano causado aos cofres públicos, perda da função pública e suspensão dos direitos políticos de três a cinco anos.
Piva disse ontem que ainda não havia sido notificado sobre a ação e por isso preferiu não comentá-la.


Coordenador quer
Serra no ataque

Vellozo Lucas defende linha mais à esquerda para PSDB

São Paulo - Na atual campanha presidencial nenhum candidato pode dizer que é verdadeiramente de oposição. A avaliação é de um dos coordenadores do programa de governo do presidenciável tucano José Serra e prefeito de Vitória (ES), Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB). Num contraste à postura moderada que Serra vem adotando na campanha governista, Vellozo Lucas é taxativo ao acusar os adversários da Frente Trabalhista, Ciro Gomes, e do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, de se apropriarem de espólios do governo Fernando Henrique Cardoso nesta campanha. Com base nessa análise, Vellozo Lucas defendeu que Serra assuma uma postura de oposição não ao presidente FHC, mas às "forças retrógradas" que formaram a base de sustentação do governo nos últimos oito anos. "Esse discurso tem que ficar claro", diz.
No entanto, até agora, os coordenadores da campanha tucana ainda não chegaram a um consenso sobre a questão. Os mais à esquerda, como Vellozo Lucas, defenderam, desde o início, o rompimento com o PFL. "Serra sempre fez oposição a essa base de sustentação e às políticas neoliberais defendidas por eles", diz o coordenador, acrescentando que o candidato tem credenciais para resgatar as origens centro-esquerda do partido. "É um discurso complexo e Serra optou por uma atitude propositiva", afirma o tucano, que aposta no horário eleitoral gratuito para tentar esclarecer essa dubiedade.
As críticas do coordenador do programa de governo de José Serra não se concentraram apenas nas forças que já deixaram o governo Fernando Henrique, mas também em algumas, ainda presentes, como é o caso do tucano Tasso Jereissati, que já declarou explicitamente seu apoio a Ciro e faz ataques freqüentes a José Serra. "O Tasso não está do nosso lado e isso tem de ficar claro", diz Vellozo Lucas. Além de Tasso, o coordenador também não poupou críticas ao presidente da Petrobras, Francisco Gros. Circula em Brasília a informação de que Ciro já o teria convidado para ser um de seus ministros da área econômica e que Gros estaria pedindo, nos bastidores, apoio ao candidato da Frente Trabalhista. É notório que o presidente da estatal não esconde sua antipatia por Serra, ainda mais depois que o candidato começou a atacar publicamente a Petrobras pelo aumento das tarifas de gás de cozinha. O ataque, na visão de Vellozo, foi muito suave. "Serra precisava declarar que, no governo dele, pessoas como Gros não teriam espaço", e completa: "Isso é que é ser oposição."


Desmentido
O candidato da Frente Brasil a presidente, Anthony Garotinho (PSB-PGT-PTC), desmentiu ontem, em São Paulo, a informação de que apoiaria o candidato da Coligação Lula Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT-PL-PC do B-PCB-PMN), caso não vá para o segundo turno. Garotinho afirmou que respondia a uma pergunta de um eleitor, dizendo que votou duas vezes em Lula. "Mas a minha pergunta foi: 'Se eu for para o segundo turno, e eu vou, o Lula votaria em mim?'", comentou. Ao ser questionado sobre com qual dos candidatos teria mais afinidade ideológica, Garotinho não respondeu.


Correção

Ao contrário do que foi publicado ontem nesta página, o município de São Joaquim, rigorosamente, pertence à região do Planalto Serrano, embora a referência genérica a "Sul do Estado" leve em conta apenas a posição geográfica, que é mais abrangente.

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Garotinho explora
religião, critica CNBB

Secretário-geral da entidade diz político deve mostrar programa

Brasília - O candidato do PSB à Presidência da República, Anthony Garotinho, tentou ontem ocupar o espaço deixado pelo PT na frente de entidades contrárias à Área de Livre Comércio das Américas (Alca), como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), mas levou um puxão de orelhas. O secretário-geral da CNBB, dom Raymundo Damasceno, criticou o ex-governador do Rio pelo fato de ele estar "explorando a religião como instrumento para conseguir votos".
Garotinho é da Igreja Presbiteriana e tem usado as igrejas evangélicas como canal de contato com o eleitor. Na segunda-feira, Garotinho conclamou o povo evangélico, durante show gospel em Brasília, a trabalhar dia a dia pela sua candidatura e disse que a "ira de Deus" se abateria em 6 de outubro, primeiro turno das eleições presidenciais, sobre os adversários e todos os que o criticam.
"Ele (Garotinho) não deveria explorar a religião como instrumento para conseguir votos. O importante é que o candidato apresente aos eleitores durante a campanha o seu programa de governo, debata os problemas que o País está enfrentando e proponha soluções concretas", disse dom Raymundo, após se reunir com Garotinho. Para o bispo, não há problema em "misturar religião" com a defesa de uma política coerente com os princípios da igualdade social. Segundo ele, a CNBB tem defendido, em cartilhas e documentos, que os eleitores escolham seus candidatos de acordo com "critérios de honestidade, da experiência do passado".
No vácuo deixado pelo PT sobre a polêmica discussão a respeito da Alca, Garotinho decidiu ir à CNBB para garantir que apóia o plebiscito nacional a respeito da criação da área de livre comércio e da adesão do Brasil. Recentemente, o PT abandonou a parceria com a CNBB para a realização do plebiscito, que ocorrerá na primeira semana de setembro. O partido desistiu de patrocinar a consulta popular temendo prejuízos políticos na campanha do candidato da Coligação Lula Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT-PL-PC do B-PCB-PMN).
Após o encontro com dom Raymundo, o ex-governador do Rio disse que a ida à CNBB não pode ser interpretada como uma reação às críticas de que tem explorado sua religião para angariar apoio dos eleitores. "Não vamos confundir a opção individual do cidadão com a posição de um presidente da República ou de um governador", disse. "O homem público é presidente ou governador de todos os brasileiros, sejam eles católicos, batistas, presbiterianos ou membros da Assembléia de Deus. Isso sempre foi uma exploração falsa para me atingir", acrescentou. Garotinho foi o segundo candidato à Presidência da República a procurar a CNBB. Lula foi recebido por bispos da entidade. O presidenciável José Serra (PSDB) deverá visitar a CNBB no fim do mês.


Bispos apóiam
pacto com FMI

Brasília - O secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Raymundo Damasceno, defendeu ontem o acordo do Brasil com o Fundo Monetário Internacional (FMI) com o argumento de que o novo contrato será um instrumento importante para o governo brasileiro superar a crise cambial. É a primeira vez, na atual crise econômica, que a cúpula da Igreja Católica manifesta preocupação com a questão da instabilidade econômica. "Para o momento, sem dúvida nenhuma (o acordo) foi importante para a superação da crise. Parece que hoje o mercado está um pouco mais tranqüilo", disse dom Damasceno.
Admitir aspectos positivos na ida do Brasil ao FMI é uma opinião que contrasta com os históricos posicionamentos de dirigentes da CNBB nos últimos oito anos. Há dois anos, a entidade patrocinou, em conjunto com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e o PT, um plebiscito para saber se o País deveria manter o pagamento da dívida externa. A CNBB, à época, não só patrocinou a consulta como defendeu a necessidade de uma revisão no pagamento da dívida brasileira. Ainda na linha crítica em relação ao governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, a CNBB participou nos últimos anos de todos grandes atos promovidos pela oposição, como a Marcha dos Cem Mil, a grande passeata do MST em Brasília. A entidade sempre contestou as exigências impostas ao Brasil pelas instituições financeiras internacionais.


FHC escala ministros para encontro com candidatos

Brasília - O presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu que os ministros da Fazenda, Pedro Malan, e o ministro-chefe da Secretaria-geral da Presidência, Euclides Scalco, participarão de suas conversas com os principais candidatos à Presidência da República, na próxima segunda-feira. Malan foi escolhido por experiência de quase oito anos no cargo e por ter conduzido os entendimentos para a renovação do acordo brasileiro com o Fundo Monetário Internacional (FMI). A escolha de Scalco é de natureza política. Ex-líder do PSDB na Câmara e coordenador político da campanha de reeleição de Fernando Henrique em 1988, Scalco acumulou experiência na relação entre o Executivo e o Legislativo e é reconhecido como um ator com bom trânsito em todas as correntes políticas.
O formato da reunião prevê uma exposição sobre as negociações com o Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o FMI. O presidente pretende mostrar que, mesmo tendo se antecipado aos efeitos mais severos da crise externa e procurado o acordo com o FMI, isso não foi suficiente para reverter a crise de credibilidade que o Brasil enfrenta e que tem se refletido na forte oscilação da taxa de câmbio e na retração das linhas de financiamento para o comércio exterior. Parte dessa crise de confiança, o presidente poderá dizer, deve-se às incertezas políticas produzidas pela sucessão brasileira. Nesse sentido, o encontro servirá para exibir o grau de maturidade democrática e institucional que o País alcançou e que seus governantes não estão propensos a aventuras. Na conversa, o presidente não solicitará que os candidatos assinem qualquer termo de compromisso, mas que assumam publicamente um discurso coerente, inclusive no ambiente de suas equipes, e que seja favorável à iniciativa do atual governo.


Aécio diz que
apóia Ciro se
for eleito

Belo Horizonte - O presidente da Câmara dos Deputados e candidato a governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), disse, na noite de quarta-feira, em Belo Horizonte, dará "total apoio" ao candidato da Frente Trabalhista a presidente, Ciro Gomes (PPS-PDT-PTB), caso os dois sejam eleitos. "Posso garantir que, se for eleito governador, não haverá uma decisão em Brasília que não passe pela aprovação do governador de Minas Gerais. Se for da vontade do povo que Ciro Gomes seja eleito ou qualquer outro candidato, ele terá apoio total do governo de Minas", afirmou, numa reunião de confraternização com líderes do PPS no Estado. Em Minas Gerais, Ciro apóia Neves, que conseguiu reunir em torno da candidatura diversos partidos, entre eles, os da Frente Trabalhista.
"Eu vim aqui agradecer o apoio", justificou o presidente da Câmara dos Deputados. "O PPS, desde o primeiro momento, foi um partido que estimulou essa nossa caminhada, está firme na nossa campanha e estará no nosso projeto de governo." Líder na disputa, de acordo com as pesquisas, Neves declarou que sustentará a gestão do próximo presidente, qualquer que seja ele, e reconheceu que existem afinidades entre as legendas que apóiam a candidatura dele e a de Ciro. No fim de julho, o presidente da Câmara recebeu o apoio da Força Sindical, ao lado do candidato da Frente Trabalhista a vice-presidente, Paulo Pereira da Silva (PTB), o Paulinho, presidente licenciado da entidade.
As articulações políticas de Neves e a base suprapartidária que reuniu desagradam ao comando da campanha presidencial tucana, que decidiu tentar "colar" a campanha do senador José Serra (PSDB-SP) à de Neves para que o candidato da Coligação PSDB-PMDB a presidente ocupe o espaço cobiçado por Ciro. Apesar de reafirmar o apoio à candidatura de Serra, Neves ressaltou a amizade que mantém com Ciro.


Lula rebate
cobrança de
presidente

Rio - Depois da cobrança do presidente Fernando Henrique Cardoso de que os candidatos sejam claros com relação ao acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou ontem que "quem está precisando mostrar clareza é o presidente da República". Lula rejeitou a tese de que a crise econômica se deve à instabilidade por causa das eleições. "A crise é de gerenciamento e quem gerenciou foi ele", declarou, referindo-se a Fernando Henrique.
Lula cobrou do presidente uma explicação sobre que modelo de desenvolvimento defende para o País, pois, "em oito anos de governo, as exportações não cresceram, o País não cresceu". "A produção tem de substituir a especulação", afirmou. Sobre o encontro com o presidente, na segunda-feira, o candidato voltou a dizer que Fernando Henrique "não pode tentar repartir o ônus porque, quando teve bônus, ele não repartiu".
Em relação à minirreforma tributária, o petista afirmou que "já deveria ter sido feita em 2000, estava acordada por todos os partidos e o governo não quis votar". Lula disse que, se a minirreforma entrar em pauta no Congresso, "a bancada do PT estará lá".
Indagado sobre a investigação de uso de carros oficiais do PT na campanha do candidato petista ao governo de São Paulo, José Genoíno, Lula afirmou que o deputado não cometeu nenhum tipo de irregularidade e considerou inaceitável o uso desse tipo de veículo por autoridades. "Acho até uma insanidade um secretário qualquer que seja ele, numa reunião, ir de carro oficial. Tem metrô, tem táxi, tem carro particular. O Genoíno não deve ter ido de carro oficial porque o partido dá carro para ele fazer campanha", afirmou o petista. Lula evitou comentar declarações do candidato do PSB, Anthony Garotinho, de que poderá votar no PT no segundo turno das eleições presidenciais. "Sou amigo do Garotinho, estamos numa disputa", disse Lula.

 
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