Joinville         -          Sábado, 17 de Agosto de 2002         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

ANotícia  




 




EXPECTATIVA

Kalika Damian (E), Douglas Roberto Speckhahn e Marinice Pfau Lenz são os três catarinenses que irão integrar o Bidu Sayão, apontado como o principal concurso brasileiro do setor
Fotos: Divulgaçåo

Três cantores de SC
estão no Concurso Bidu Sayão

Principal concurso brasileiro de canto lírico começa dia 26 de agosto, no Theatro da Paz, em Belém

Joinville - Os cantores líricos catarinenses Kalika Damian, Marinice Pfau Lenz e Douglas Roberto Speckhahn estão entre os 34 cantores líricos classificados para disputar o 3º Concurso Internacional de Canto Bidu Sayão, entre 26 de agosto e 1º de setembro, no histórico Theatro da Paz, em Belém (PA). No total, participarão seis candidatos estrangeiros ­ dos Estados Unidos, Rússia (2), Finlândia, Grécia e Uruguai ­ e 28 cantores dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pará, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais e Distrito Federal.
Kalinka Damiani nasceu em Urussunga, é graduada em música pela Universidade Federal Santa Catarina (UFSC), reside em Curitiba e já se apresentou em Roma, nas comemorações dos 500 Anos do Brasil, a convite da Embaixada Brasileira. Marinice Pfau Lenz nasceu em Joinville, mora em Curitiba, é formada em canto e pós-graduada em música de câmara pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná e integra o Grupo Lírico de Joinville. Douglas Speckhahn também é de Joinville e iniciou seus estudos na Escola de Música Villa-Lobos. Já participou de diversas montagens operísticas em Florianópolis, São Paulo e Porto Alegre e obteve 1º lugar no Concurso Carlos Gomes, em Campinas.
Considerado o principal concurso brasileiro do setor, o Bidu Sayão é também o que oferece os melhores prêmios: um total de R$ 71 mil. Os dois primeiros colocados em cada categoria ­ masculina e feminina - receberão R$ 15 mil, havendo ainda prêmios de R$ 10 mil (segundo lugar), R$ 5 mil (terceiro), R$ 3 mil (quarto) e R$ 2 mil (quinto). O vencedor do prêmio Júri Popular ­ escolhido pela platéia, em votação secreta ­ receberá R$ 1.000,00. Todos os premiados recebem também o Troféu Bidu Sayão ­ um busto criado pelo artista plástico Fernando Pessoa, de 45 centímetros de altura ­ e os professores dos primeiros colocados em cada categoria o certificado Prêmio Professor.
Apesar dos valores oferecidos, os organizadores acreditam que o prêmio em dinheiro não é a principal atração do concurso. "Na prática, o Bidu Sayão tornou-se uma audição privilegiada, onde os cantores têm a oportunidade de se apresentar para um júri internacional de altíssimo nível e para uma platéia onde é cada vez maior o número de 'olheiros' à procura de novos talentos", afirma Cléber Papa, diretor-geral do concurso e da São Paulo ImagemData, a empresa organizadora.
No júri deste ano estarão atuando sete autoridades do setor: maestro John Neschling, regente titular da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (presidente); Asta-Rose Alcaide, coordenadora de montagens de ópera da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional de Brasília; Christina C. Scheppelmann, administradora artística da Washington Opera, Estados Unidos; Luca Targetti, diretor de elenco do Teatro Alla Scala (Milão, Itália); Menno Feenstra, diretor de elenco do The Glyndebourne Festival, Inglaterra; maestro Patrick Shelley, regente titular da Dorset Opera, Inglaterra; e Vicente Salles, professor, pesquisador e musicólogo.
Paulo Chaves, secretário de Cultura do Pará, acrescenta que a filosofia do Bidu Sayão, desde sua primeira edição, também se constitui em enorme atrativo para os cantores. "Fazemos questão de impulsionar a carreira deles. Exemplo disso é o fato de termos convidados todos os premiados dos dois primeiros concursos para participar do Festival de "pera que reabriu o Theatro da Paz, no primeiro semestre deste ano", ressalta.


Prato Principal

Poderosa pimenta!

Além de incrementar as comidas, essa frutinha picante também funciona como agente que contribui para a saúde de seus consumidores

Regis Mallmann

Florianópolis - Pimenta é aquele tipo de condimento que a gente ama ou odeia. Vilã da cozinha para muitos, ela é adorada por outros, que não abrem mão de ter à mesa ou incluir em suas comidas diferentes versões dessas frutinhas de ardência às vezes suave, mas que na maioria dos casos são bastante picantes. Os mitos em torno dela estão sendo derrubados a medida em que se conhece mais seus poderes e se estreita a relação entre seu consumo e os benefícios que trazem à saúde. Mas essa face "boa" da pimenta é encontrada somente nas originárias da América, para sorte dos brasileiros, que as têm em fartura.
Isso porque pertencem à família das capsicum, pobres em sódio e praticamente livres de calorias e sem nenhum colesterol. A presença, na parte que arde, de generosas doses de capsaicina, impede a coagulação sangüínea e, conseqüentemente, ajuda a evitar tromboses. Elas são capazes também de fazer o cérebro produzir endorfina, agente que gera sensação de euforia e prazer. Têm ainda poderosas doses de vitamina A, B e C, essa última numa proporção seis vezes maior do que a laranja. Outro ponto favorável para seu consumo é o fato de serem poderosos agentes antioxidantes, que atuam no sangue e impedem a destruição das células.
Reside aí, principalmente no estímulo da endorfina, a razão para sentirmos mais calor e o rosto enrubescido depois de comer pimenta, para muitos um dos fatores que faz com que os baianos sejam aquele povo sempre alegre e cheio de ginga. Mas quando se fala na capsaisina, não há nenhuma ligação com a pimenta-do-reino, do grupo das pimentas pretas originárias da Ásia. Essas não contêm o elemento, portanto, em nada contribuem a não ser para dar sabor diferente aos pratos que saboreamos e, se exagerarmos na dose, podem até provocar uma indigesta queimação no estômago.
Se as pimentas vermelhas só passaram a ser conhecidas dos ocidentais a partir do período dos descobrimentos na América, onde Cristóvão Colombo deu de cara com verdadeiras lavouras nativas da fruta, a pimenta-do-reino tem uma longa história de aplicação na culinária. É usada há milênios tanto na cozinha asiática quanto na européia, aí depois que foi introduzida no Continente no século 6 antes de Cristo, levada da Índia, de onde é orginária. Hipócrates, pai da medicina, chegou a fazer estudos e indicá-la no tratamento de alguns males. Era então um produto caro, de acesso restrito, que tinha em Portugal o monopóplio de distribuição.
Tão cara quanto o ouro, a pimenta preta foi artigo de primeira necessidade durante vários séculos, principalmente porque era usada como forma de tirar o gosto ruim de produtos usados na cozinha e que se deterioravam facilmente. Esse uso e forma de aplicação se difundiu porque a ardência acabava por disfarçar qualquer possível sinal de comida rançosa. Contribuiu para que virasse artigo de primeira linha o fato de ser usadas na produção de embutidos, por longo tempo uma das melhores maneiras de se preservar carnes por mais tempo e também por seus propalados poderes afrodisíacos.
No Brasil, apesar de ainda ser alvo de mitos, a maioria deles atribuídos às nossas avós ou às avós dessas, a pimenta ganha cada vez mais mercado. É comum ver lojas de condimentos especializados com prateleiras inteiras dedicadas ao produto. Em feiras livres e até supermercados, é possível encontrar a pimenta vermelha sendo comercializada à granel, inatura, forma perfeita para que seja usada em conservas. Um rápido levantamento faz saber que entre os brasileiros a campeoníssima é a dedo-de-moça, seguida da acumari e malagueta. Há ainda uma crescente procura pelas espécies habanero e jalapeño (originárias do México).

Pimentões recheados

Ingredientes
4 pimentões grandes (2 verdes e 2 vermelhos)
500g de carne moída
2 cebolas médias picadas
3 tomates picados
1/2 maço de salsinha picada
1/2 maço de cebolinha picada
3 pimentas dedo-de-moça cortadas em rodelas finas
100g de queijo parmesão ralado
sal a gosto
azeite de oliva.

Modo de preparar
Numa panela frite a cebola e a carne. Acrescente o tomate e o sal e deixe refogar até virar uma mistura homogênea. Misture a salsa, a cebolinha e as pimentas. Reserve.
Faça uma abertura circular retirando o talo dos pimentões e com uma
faca retire as sementes e a parte fibrosa.
Recheie os pimentões com o refogado. Cubra cada um com o queijo ralado e deposite numa forma. Derrame um pouco de azeite sobre eles e leve ao forno para assar por cerca de 1 hora, até que a pele fique tostada. Sirva com arroz, batatas sauté e salada de rúcula


Estante

Para comer
com os olhos

Conhecido pelas suas incursões televisivas em canais a cabo, o americano Jeff Smith consegue unir em suas aulas de culinária todos os tipos de influências, mantendo sempre um estilo de cozinhar que privilegia os pratos leves. Assim, levou para o livro "Frugal Gourmet" tudo o que sabe do assunto, que domina como ninguém, em uma série que repete o que ele apresenta com exclusividade na TV, indicando inclusive a ordem de veiculação dos programas com cada tema tratado no livro.
O volume traz na primeira parte uma série de conselhos práticos para quem gosta de enfrentar o fogão, com informações preciosas sobre utensílios de cozinha - indo das panelas e talheres aos pratos e copos -, termos culinários e definições sobre ingredientes e alimentos. Numa segunda etapa, Smith reúne as receitas, partindo das sopas e seguindo para os peixes, a cozinha americana de outrora, as comidas da Grécia e a de New Orleans, entre outras.
O gourmet leva o leitor para outros mundos e ensina tudo sobre a cebola, as batatas e os ovos, só para citar alguns assuntos. No capítulo dedicado às cebolas, conta a história deste bulbo tão usado na gastronomia de todo o mundo, apurando que é originária da Ásia ou da Palestina e já era comum no antigo Egito, onde era adorada como um deus menor. Dá algumas receitas curiosas, como as pétalas de cebolas recheadas e as cebolas recheadas à moda judaica, ambas quase desconhecidas em terras brasileiras, mas que não são de difícil execução.
O "Frugal Gourmet" nos revela ainda dicas valiosas no capítulo "cozinhando com papel", onde aponta caminhos para preparar um frango inteiro num saco ou a galinha no papel à chinesa. Ao longo das 395 páginas, há verdadeiras aulas sobre pratos originários do Líbano (Armênia), algumas receitas cubanas, italianas e outras combinações que introduzem o leitor ao reservado universo da cozinha judaica. Há uma página particularmente interessante, onde o escritor-cozinheiro ensina os passos para o planejamento dos cardápios, verdadeiro tesouro para quem gosta do assunto. (RM)

Vinho mágico

"O Vinho e suas Circunstâncias" é um desses livros que a gente pega para ler e não supõe aonde vai nos levar. Com uma linguagem acessível, o escritor Sérgio de Paula Santos escreve pensando em acrescentar conhecimento ao leitor, que encontra nas 255 páginas um caminho para melhor compreender o que se esconde atrás de uma taça contendo esse maravilhoso fermentado de uvas que vem agradando nobres e plebeus, pobres e ricos desde tempos imemoriais.
Brasileiro, o escritor é médico de profissão e integrante de confrarias enogastronômicas na França, Alemanha, Espanha e Portugal. Ele reserva uma aventura inigualável em termos de novidades ao contar fatos relacionados ao vinho, com histórias que abordam o vinho do Porto, vinho Madeira, vinhos brasileiros, galegos, vinhos antigos e novos, e também os espumantes. Erudito, vai mais além ao relatar circunstâncias que a bebida influenciou ao longo da história, desde sua relação com personagens ou simplesmente seu vínculo com a gastronomia e com a literatura.
Na apresentação da obra que assina, Sérgio afirma que os prazeres da mesa e do copo são infinitos. Diz que com a coletânea de textos publicados em "O Vinho e Suas Circunstâncias" foi até o passado para encontrar belas histórias relacionadas ao produto que tanto aprecia e ao qual dedica grande parte de suas horas de folga.
Um presente e tanto para que tem em mãos o volume e que assim pode ler embevecido, por exemplo, o texto que fala sobre um manuscrito de cozinha do século 14, no qual o autor discorre sobre a origem do próprio produto livro e sobre os primeiros manuscritos gastronômicos os quais a humanidade tem conhecimento. De fato, uma obra e tanto, não só para amantes do vinho, mas também para quem gosta de se aventurar pelo mundo das palavras e do conhecimento. (RM)

"FRUGAL GOURMET", de Jeff Smith. Editora Ediouro, 395 páginas. QUANTO: R$ 57,20.

"O VINHO E SUAS CIRCUNSTÂNCIAS", de Sergio de Paula Santos, Editora Senac/São Paulo, 255 páginas. QUANTO: R$ 28,00.


Laboratório de sabores

Rica Cubas faz da cozinha de seus restaurantes um cenário de influências, sem deixar que as comidas percam o caráter de brasilidade

Florianópolis - Fatias de batata cozidas, lascas de bacalhau passadas na manteiga, gomos de lagosta levemente cozidos com sal, tomates secos e cebolinha verde frita ao ponto de ficar crocante são os ingredientes que dão personalidade à bacallá all' aragosta e pomadori sec, um dos pratos que emprestam nobreza ao restaurante Bragança. A casa integra uma rede de estabelecimentos - formada ainda serviços de catering e eventos - cujos cardápios são assinados por Ricardo Cubas, ou simplesmente Rica, que, ao lado do sócio Zeca Caputo, comanda ainda o Z Perry, também em Florianópolis, e o Harmonia-Lyra, em Joinville. Restaurantes que não seguem uma mesma linha gastronômica, eles têm em comum o fato de as comidas serem resultado das constantes pesquisas empreendidas por Rica no mundo dos sabores e das combinações de produtos. O que surge dessa inventividade é uma cozinha de caráter sofisticado, sem no entanto fugir da realidade e do paladar brasileiros. Há influências de várias regiões do planeta, numa mistura internacional que eleva as receitas que o chef joinvilense cria a um patamar dos mais altos e que nunca perde o tom de novidade e de brasilidade.
Nesse contexto, a bacallá não chega a ser produto da genialidade de um inventor, mas ganha toques surpreendentes ao ser adaptada por Rica, que se confessa um alquimista que trouxe de casa, da infância, o gosto pela cozinha. "Vem de família", garante ao ser questionado sobre como e onde aprendeu as manhas do fogão. Um dom que foi aperfeiçoado quando ele saiu de Joinville para estudar na Capital, no começo dos anos 80. "Morei perto do Mercado Público, onde ia com frequência para comprar coisas para a casa", lembra hoje, aos 43 anos, atribuindo a essas visitas a base para o aprendizado que adquiriu ao longo dos anos.
Um conhecimento que vem sendo colocado em prática profissionalmente há 15 anos, desde quando abriu o Neu Fiedler, bar-restaurante que fez história em Joinville. Foi lá que Rica desenvolveu ainda mais seus dotes e formou uma geração de admiradores, um público que respondeu imediatamente quando ele e Zeca assumiram o comando do restaurante da Sociedade Harmonia-Lyra, também na "Manchester". O sucesso rendeu dividendos e a dupla resolveu ir além abrindo outras casas, empreendimentos que deram certo e que os colocaram no circuito gastronômico mais respeitado do Estado.
Os procedimentos mágicos que Rica Cubas desenvolve nas cozinhas de seus restaurantes não escondem grandes segredos. Suas equipes já sabem exatamente o que ele quer quando vem com a idéia de um prato novo para ser testado. Algo do tipo que aconteceu para a criação do cardápio do Festival Português, que estreou no Bragança na última quinta-feira e que se repetirá nas próximas duas quintas-feiras. É um evento que pretende reunir em torno das mesas do restaurante do centro de Florianópolis gente que gosta das combinações da gastronomia da terra de Pedro Álvares Cabral.
Entre as opções, arroz de cabrito à moda de Monção (pernil temperado com vinho branco, açafrão e especiarias, envolto em tiras de toucinho e posteriormente fatiado e servido com arroz cozido com caldo do assado) e açorda de camarão (pirão de camarão feito com miolo de pão amolecido em caldo temperado de camarão, camarão Laguna, alho, coentro, azeite de oliva e cebola). A promoção também premia os que apreciam os doces de Portugal, cuja tradição da confeitaria à base de ovos vem de séculos. Para esses, há opções como o pudim de vinho Madeira (servido molhado com caldo de abacaxi) e a encharcada alentejana (feita com gemas, amêndoas, miolo de pão e especiarias). (Regis Mallmann)

O QUÊ: RESTAURANTE BRAGANÇA. ONDE: Hotel Blue Tree Towers, rua Bocaiúva, 2.304, centro, Florianópolis, tel.: (48) 252-5549 e 251-5548. QUANDO: Segunda a sábado, das 12 às 15h, e das 18h à meia noite.

O QUÊ: RESTAURANtE HARMONIA-LYRA. ONDE: Rua
15 de Novembro, 485, centro, Joinville, tel.: (47)
422-2129. QUANDO: Segunda a sexta, 12 às 14h e 18 às 11h30; e sábados, somente para jantar, das
18 às 11h30.

O QUÊ: RESTAUrANTE Z PERRY. ONDE: Hotel Jurerê Beach Village, alameda Cesar Nascimento, 646, Jurerê, Florianópolis, tel.: 261-5435. QUANDO: Diariamente, das 11 às 15h e das 20h à meia-noite.

A Itália é aqui - Quatro dias de muita festa e gastronomia. É o que promete a 10ª Vinveneto, que se encerra neste domingo, na Cidadela Cultural Antarctica, em Joinville. A partir das 19h30, shows típicos relembram a cultura italiana em Joinville e região. Uma das atrações é a Festa Veneta del Vino, que oferece variedade de comidas típicas, referencial da cultura italiana. No cardápio, pratos como nhoque, macarrão, pizza, lasanha e outras delícias, como polenta com galinha, sopa, calzone, docinhos crepe italiano. Poderão ser degustados ainda, deliciosos doces, como os irresistíveis bombons fabricados na cidade. Para acompanhar, o motivo maior da festa: o vinho.

Encontro de amigos - A confraria de gourmets florianopolitana Clube do Galfo, promove encontro de confraternização no próximo final de semana, no Hotel Fazenda Jomar, em Santo Amaro da Imperatriz. No programa, o destaque fica por conta do almoço de sábado, que terá como prato principal a rabada, a cargo do chef Luis Artur Luz, sócio fundador do Clube do Galfo. Há ainda extensa programação, com café colonial, jantar e café da manhã e almoço de domingo. As reservas pode ser feitas pelo telefone (48) 9983-1710, ou então, pessoalmente, na reunião do Clube do Galfo, realizada tradicionalmente nas terças-feiras, no quarto andar do Clube Doze de Agosto, na Capital.

Lançamento - A Livraria Catarinense promove na
próxima terça-feira, às 18h30, o lançamento do livro "A Culinária da Imigração Italiana - As Comidas e Suas Histórias", de Darcy Loss Luzzato. No livro, esse gaúcho que se dedica aos estudos sobre a cultura italiana no Brasil faz um apanhado do que esses imigrantes legaram em termos de cozinha. Luzzato relaciona as comidas típicas e conta fatos sobre suas origens, das ocasiões em que eram servidas e de como
é possível reproduzi-las hoje em dia. O lançamento será realizado na Megaestore da rua Felipe Schmidt, no centro da Capital. O livro custa R$ 19,00.


Papo de Gourmet

Vira e
mexe a polenta

Therence Mir
Especial para o Anexo

Quem nunca provou uma polentinha? Dificilmente alguém responderá que não. Esta delícia da culinária italiana consolidou-se no mundo gastronômico com o sua apresentação simples e aroma ingênuo. O fubá, a matéria-prima, é uma farinha especial feita do milho. Cozido em fogo brando e sempre mexendo, ao poucos se torna o angu (tipo purê). Que por sua vez, podemos saborear desta forma mais tradicional ou de várias outras maneiras. O angu descansado na geladeira por algumas horas acaba ficando compacto no ponto para fritarmos em filetes médios.
Na forma frita ela é muito apreciada. As combinações são infinitas. Até porque a cozinha que a originou é muito alternativa e com ingredientes mistos. Qualquer tipo de carne combina. Frango, porco, boi e até as mais exóticas. E de qualquer elaboração. Assada de panela, ensopada, de forno, frita, cozida, grelhada... Acompanhado as massas como macarrão, lasanhas e pratos gratinados. Com pescados, ela conseguiu também o seu espaço, devido a criatividade dos chefs e gourmets na elaboração de receitas próprias. Com saladas verdes como a rúcula, radiche, entre outras, vai muito bem. Na papinha do neném, ele adora.É um alimento com uma fonte energética admirável. Com ela, você nunca fica em apuros, pois o que tiver em mão para acompanhá-la será bem-vindo. Noutro dia, havia na geladeira meio vidro de tomates secos, um pedaço de queijo duro, meia lata de creme de leite e um pedaço de toicinho. Na pressa, resolvi picar tudo, fritar com cebola e orégano na manteiga, bem rápido. Misturei o fubá e joguei água. Levei uns 15 minutos para preparar. Ficou bom! Isto é prova da versatilidade.
Mas a grande maioria das pessoas provaram e aprovaram a polenta acompanhando pratos típicos regionais feitos em toda a parte do nosso território. Em Minas Gerais, come-se muito com carne moída, jiló e quiabo. No Norte e Nordeste, nos pratos "quentes", apimentados. No Rio, fazem a farofa de milho. Em São Paulo, existem rodízios onde a polenta é quem manda. No Sul, ela é usada sobretudo acompanhando a galinha caipira ensopada e carne moída de porco. Sempre acompanhada de queijo e vinho. A colônia italiana no Sul do Brasil é marcante em todas as regiões. Com isto, encontramos com muita facilidade casas especializadas.
Depois de tanta comida gostosa à base de polenta ainda podemos saborear como sobremesa um fofinho bolo de fubá. Sempre reforçando aquela lembrança da casa dos avós e almoços de família. É uma sensação! Vira e mexa a polenta sempre esta na moda.

MINHA RECEITA

Prepare numa panela de angu "polenta mole" com sal, orégano e salsinha bem picada. Em uma forma de vidro (tipo marinex), faça uma camada de angu, uma camada de requeijão, uma de folhas de espinafre bem picadas, uma de tomates bem maduros cortados em rodelas bem finas e a uma de fatias bem finas de lombinho de porco defumado. Faça quatro camadas desta e termine cobrindo com o angu. Decore com folhas de louro. Coloque no forno pré aquecido por 40 minutos em fogo médio. Acompanhe com salada de folhas radiche, pão e manteiga. Sempre a deguste com vinho, de preferência tinto. Bom apetite.

MINHA RECEITA PRÁTICA

Prepare a carne moída ao molho bolonhesa. Jogue a farinha de fubá e misture bem, vá acrescentando água fervida aos poucos até ficar no ponto. Sempre em fogo brando. Tire da panela e coloque em uma forma de cuca. Deixe esfriar e coloque na geladeira por três horas. Corte em cubos médios e passe na farinha de milho e frite como batata frita (bastante azeite e bem quente). Quando dourar, retire e escorra bem. Está pronto o aperitivo. Com ela, vai bem uma cervejinha. Bom apetite novamente.

POLENTA COM O QUÊ?

Polenta frita - frango frito, bisteca de porco na chapa, bife acebolado e pura.
Polenta cozida - ensopados de carne e molhos à base de tomates.
Polenta de forno - queijos e defumados.
Polenta na chapa - com cubos de fígado de boi ou picanha mal passada (ambos na chapa)
Polenta crua - farofa de alho e filé de gaivira ou bagre frito passado na farinha.
Polenta fria - com goiabada e café com leite.

Therence Mir, gourmet, therencemir@bol.com.br


A tragédia
de Glenn Miller

Documentário do canal GNT busca respostas para a morte do músico

São Paulo - Lábios finos, óculos de vendedor de enciclopédias, cabelo gomalinado, Glenn Miller foi a antítese do galã americano. A despeito disso, tornou-se, aos 40 anos, o maior popstar de sua época, amado pelas multidões que botava para dançar com a música orquestral apropriada para grandes serenatas ao luar.
Um dia do ano de 1942, para glória e orgulho de sua legião "família" de admiradores, Miller desmanchou sua big band e foi para a guerra, para liderar a Glenn Miller Army Air Force Band. Em 15 de dezembro de 1944, ele voaria para um show patriótico em Paris em um pequeno monomotor Noorduyn Norseman, um D64, saindo da base Twinwood Farm, em Bedfordshire, na Inglaterra. Nunca chegou ao destino, não acharam o avião, nunca mais se viram os óculos de Glenn Miller.
O avião que sumiu causou especulações que nunca cessaram, ao longo dos anos. Neste domingo, o canal por assinatura GNT (Net) mostra, às 19 horas, o documentário "O Último Vôo de Glenn Miller", um ambicioso projeto de reconstituição dos acontecimentos que levaram ao desaparecimento do band leader mais amado da América.
Dirigido e produzido por Dryn Higgins, o filme parte do depoimento de dois ex-combatentes da RAF (Real Força Aérea britânica) para engrossar uma das teses mais discutidas desde aqueles tempos: a de que o avião de Miller foi abatido por "fogo amigo", uma expedição aérea que voltava do front para Londres e viu o pequeno avião em área proibida. Embalado pela música da big band do trombonista, com cenas de época e impressionantes imagens de guerra, o documentário se edifica em clima convincente, mas que turva o essencial: o que interessa saber se Miller morreu de fato nos braços de uma prostituta em Paris ou se foi metralhado pela RAF?
Era um músico, e sua obra precocemente abortada é que é a tragédia a ser analisada. O filme termina com uma melancólica busca no ponto do mar onde se acredita que o avião de Miller caíra. O mergulhador pago pela produção do especial chega com seu barquinho, Discovery, ao ponto, mergulha e acha algo que "parece muito" parte da fuselagem. Não era. O barco volta ao porto, com seus tripulantes cabisbaixos. Retornam depois com outro mergulhador. "Deep seeker", diz o aviso na cabine do navio. Mergulho nas profundezas, e outra decepção. Miller não estava lá.
Ainda assim, é nessa busca de uma "verdade" sobre os fatos que se assenta todo o material. O principal depoimento é de um ex-navegador dos bombardeiros Lancaster, Fred Shaw, que testemunhou o abate do avião de Glenn Miller. O depoimento de Shaw foi colhido por um cinegrafista amador pouco antes de ele morrer, na África do Sul.
Um dos reis da "Era do Swing", ao lado de Tommy Dorsey (1905-1956), Benny Goodman (1909-1986), Artie Shaw e Bunny Berigan (1908-1942), Miller deixou grandes discos como bandleader e também acompanhando outros músicos. Com Berigan, por exemplo, gravou "Swingin' High" (Topaz, 1939). Sua música merece mais atenção que sua tragédia.


Cinema 1 ­ A Fundação Cultural de Joinville (FCJ) segue com o ciclo de cinema dedicado aos portadores de necessidades especiais. As sessões com entrada franca, são organizadas por Herbert Holetz, cinéfilo e pesquisador da sétima arte. Hoje o ciclo exibe "Perfume de Mulher", de Martin Brest, tendo no elenco Al Pacino, Chris O'Donnell, James Rebhron, Gabrielle Anwar. O filme realizado em 1992 foi roteirizado por Bo Goldman. A fotografia é assinada por Donal E. Thorin, e música é de Thomas Newman.

Cinema 2 ­ O filme é a refilmagem do homônimo italiano de 1974, do diretor italiano Dino Risi. A trama sofreu alterações, e quem passou a ter mais importância foi o garoto. Ele é um estudante contratado para cuidar de um veterano cego (Al Pacino) durante o fim de semana de ação de graças. Mas o que o rapaz não imagina, é que o militar tem planos de passar esses dias em alto estilo em New York, o que acaba gerando várias confusões. Hoje, às 19 horas, na Cidadela Cultural Antarctica, rua 15 de Novembro, 1.383, Joinville.

Manchetes AN

 Das últimas edições de Anexo
16/08 - O rei do rock'n'roll
15/08 - Hahnemann retrata Joinville
14/08 - Momentos marcantes em grande estilo
13/08 - O morro Os barracos A cidade
12/08 - Para começar bem a semana
11/08 - Com a essência da vida
10/08 - Noite erudita

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Joinville - A informação de que a história de Joinville começa em outro continente não é novidade quando se fala em imigrantes europeus em Santa Catarina. Logo vem à memória a história de um casal de príncipes que ganhou um dote de terras como presente e, num momento de necessidade, vendeu-as para uma sociedade colonizadora. Fugindo do senso comum, a jornalista Regina de Almeida convida a ouvir outra narrativa. A de Emílio do Hohwald, um europeu que viveu até os 99 anos e sempre buscou compreender a história da Joinville que um dia atraiu seus pais e transformou toda a vida da família.
Emílio (como gostava de ser chamado), era Emile Kuntz, filho de Johann-Emil Kuntz, que em 1907 veio com a mulher, Berthe, para Joinville, com o objetivo de trabalhar. Johann-Emil saiu da Alsácia, que na época pertencia à Alemanha, deixando para trás uma família com bom padrão econômico e que administrava um empreendimento de grande porte chamado Grand Hotel du Hohwald. Em busca da independência, o casal desembarcou no Rio de Janeiro antes de se deslocar para o Sul. Três dias após a chegada dos dois na cidade, Johann-Emil morreu num acidente trágico, deixando a esposa, que acabara de descobrir-se grávida.
Acolhida pela família, que veio buscá-la no Brasil, Berthe teve o filho, Emile, na Alsácia. Noventa e cinco anos depois, nessa mesma região, ele conheceu a jornalista Regina de Almeida, que agora pretende transformar sua história em um documentário de 52 minutos para a televisão francesa. O projeto é uma co-produção da Dora Productions com a France 3 Alsace. Também apóiam o trabalho a Gambit Filmproduktion (da Alemanha) e a Freihänder Filmproduktion (da Suíça). De acordo com a jornalista, contatos já foram feitos com a TV Educativa para que uma cópia do filme seja feita em português e apresentada no Brasil.


Jornalista acha registros
e sepultura de imigrante

Mesmo sem resposta oficial da televisão brasileira, Regina acredita nessa possibilidade, uma vez que conta com o respaldo europeu. "Vamos batalhar para divulgar ao máximo essa história que conheci e que acabei fazendo parte", relata. Isso porque, explica, foi ela quem descobriu para a família Kuntz, em 2000, a sepultura de Johann-Emil no cemitério do Imigrante, em Joinville. "Para Emílio e seus filhos, foi um momento muito significativo. Ao olhar as fotografias, Emílio pode absorver melhor a história da sua própria vida, uma história que seria completamente diferente caso o pai não tivesse morrido logo após sua chegada a Joinville", fala.
Com o apoio dos técnicos do Arquivo Histórico de Joinville, Regina descobriu muito mais que a sepultura do pai de Emílio. Encontrou registros do acidente no jornal "Kolonie Zeitung", que circulava na época, e um documento instituindo poderes a Johann-Emil Kuntz para atuar como um dos coordenadores na usina de açúcar da cidade. De acordo com o jornal, foi justamente a caminho do trabalho que Johann-Emil morreu. Ao atravessar uma ponte acompanhado de Jean Knatz, um dos supervisores do empreendimento, ele teria sido surpreendido pela cheia do rio Cubatão. A carroça em que estava foi levada pelas águas. Knatz foi socorrido pela população ribeirinha. Johann-Emil foi encontrado apenas três dias depois.

Apoio Logístico

Depois de reunir-se com o presidente da Fundação Cultural de Joinville (FCJ), Edson Busch Machado, no início do mês, Regina de Almeida deve retornar à cidade na última semana de agosto. Fará tomadas da área rural e urbana de Joinville e buscará o apoio dos empresários para subsidiar custos do projeto. "A FCJ já nos garantiu o apoio logístico, o que é muito importante", destaca. Regina é natural de Belo Horizonte (MG), mas mora na França há 17 anos. Foi lá que conheceu Emile Kuntz, durante uma festividade promovida por uma associação franco-brasileira. (MG)


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Em "A Revolta dos Brinquedos", bonecos ganham vida e se revoltam

Sônia Pillon

Jaraguá do Sul - Apresentada em 2001 como "A Menina e os Brinquedos" pelo grupo teatral Da Hora, a peça infanto-juvenil ganhou novo nome. "A Revolta dos Brinquedos" volta a ser encenada neste sábado e domingo, no Centro Cultural da Sociedade Cultura Artística (Scar), mantendo texto e elenco originais. O espetáculo continuará em cartaz nos dias 24, 25 e 31 de agosto e 1º de setembro.
Com texto de Pernambuco de Oliveira, "A Revolta dos Brinquedos" é dirigida e produzida pela diretora e atriz da Scar, Sandra Baron, que atesta o sucesso alcançado no Vale do Itapocu. "Ano passado, o público lotou todos os dias, por isso decidimos retomar as apresentações", justifica. A receptividade acontece "porque aborda um universo que todos conhecem, o mundo dos brinquedos, os cuidados que se deve ter e até a estratégia adotada por crianças que os quebram para chamar a atenção dos pais."
A peça relata a história de uma menina rica e mimada, dona de inúmeros brinquedos, mas solitária e sem amigos. A protagonista, que "maltrata" os brinquedos mantidos em seu quarto, um dia passa a enfrentar a ira de suas vítimas. Revoltados, os brinquedos ganham vida e decidem prender e julgar sua dona. Numa seqüência divertida, destaca-se o mimoso e ingênuo ursinho, que logo conquista o público; o soldado que lutou na "guerra das pastilhas"; e o boneco de corda. Complementam a turma o divertido fantoche e as delicadas bonequinhas. Tudo ainda incrementado com música e números de dança. "Os que não vieram ano passado têm a oportunidade de ver agora. Os que viram, estão convidados a voltar", salienta a diretora.
Sandra Baron também destaca os preparativos para o projeto A Escola vai ao Teatro, que entre 1º e 18 de outubro apresentará cinco espetáculos aos estudantes do Vale do Itapocu: "O Circo", "A Verdadeira História de Cinderela", "Keirbeck, a Pedra Negra", "A Revolta dos Brinquedos" e "Fulaninha e Dona Coisa". "O Circo" foi lançado em junho. "A Verdadeira História..." será encenada em setembro, e "Kerbeck...", em outubro. Já "Fulaninha e Dona Coisa" possivelmente será levada para Brusque. Oito escolas já haviam reservado horário para as apresentações. Os estudantes pagam R$ 2,00 e R$ 3,00 (com transporte). A locomoção de alunos de outros municípios fica a cargo das escolas. As reservas estão sendo feitas pelos telefones (47) 275-2477 (Scar), 371-9022 e 9111-0195.
Lançado em 1993, quando atraiu 388 crianças, A Escola vai ao Teatro teve a adesão de 4.800 alunos no ano passado. "Em 2002, pretendemos atrair 7 mil crianças. De que adianta ter um espaço tão grande, tão lindo, se a comunidade não se sentir parte do teatro?", questiona Sandra Baron.

O quê: Peça A Revolta dos Brinquedos. Quando: Dias 17 e 18, 24 e 25, 31 de agosto e 1 de setembro, sempre às 16h. Onde: Centro Cultural da Scar, na rua Jorge Czerniewicz, 160, Jaraguá do Sul, tel.: (47) 275-2477. Quanto: R$ 3,00 (antecipados); R$ 6,00 (hora).


Os altos e
baixos do Cisne Negro

Cisne Negro comemorou 25 anos de atividade no palco do CIC

Sandra Meyer
Especial para o Anexo

Florianópolis - A Cisne Negro Cia. de Dança comemorou seus 25 anos de atividades no Teatro Ademir Rosa do Centro Integrado de Cultura (CIC), em Florianópolis, com dois trabalhos que acentuam as particularidades do elenco. A obra que abriu a noite, "Mozartíssimo", do coreógrafo naturalizado francês Gigi Caciuleanu, teve sua estréia em 1991. A opção por retratar o teatro dentro do teatro, baseado na "vida de artista ambulante" de Mozart e sua afinidade com os artistas saltimbancos, além de apresentar fragilidades conceituais, revelou um elenco pouco à vontade com o tipo de teatralidade proposta por Caciuleanu.
Embora versátil, visto que o grupo optou por não ter um coreógrafo residente, o repertório técnico do elenco não favorece inteiramente a comicidade necessária para evidenciar a gestualidade da comédia dell'arte, própria da trupe de saltimbancos. Boas células de movimento e quadros cênicos se esvaziam frente a uma superficial comicidade. Reconhecida pela formação de excelentes bailarinos, a companhia e escola Cisne Negro têm em seu repertório mais de 50 obras, cinco delas criadas por Caciuleanu.
Já em "Cherché, Trouvé, Perdu" (2002), a companhia dança em sua plenitude, evidenciando o perfil que a consagrou. A obra de Patrick Delcroix é vibrante e inteligentemente articulada, com a marca de quem dançou na Companhia Nederlands Dans Theater, do genial coreógrafo Jirí Kylian. O elenco de quatro casais da Cisne Negro Cia. de Dança se move com propriedade e extrema qualidade, trazendo à tona o jogo de encontros e desencontros propostos. Salienta as sutilezas, estabelece pausas em meio ao frenético desenho coreográfico e a belíssima composição do músico estoniano Arvo Part, não deixando dúvidas sobre sua competência de criar poética com dança.
É a segunda coreografia que Delcroix cria para a companhia. "Além da Pele", de 1998, já apontava para a afinidade entre o coreógrafo francês e o grupo paulista. O mérito da celebração destas bodas de prata é incontestável. Ao lado de companhias como o Balé da Cidade de São Paulo, o Cisne Negro é uma das mais competentes e sólidas do País, sobrevivendo, dignamente, a revelia de políticas públicas pouco efetivas e às custas de patrocínios privados inconstantes.
O prestígio nacional e internacional, comprovado em suas turnês desde 1988, não foi suficiente para lotar o Teatro Ademir Rosa na chuvosa noite de quarta feira, como merecia. A tímida presença dos estudantes leva a questionar o tipo de formação cultural que se está promovendo nas inúmeras escolas de dança da cidade (sem citar outras instâncias). Formação que norteia a postura da produtora Eveline Orth, que vem brindando o Estado com a presença de importantes companhias nacionais.

Sandra Meyer, crítica de dança, smeyer@matrix.com.br


Concurso de poesia
recebe inscrições até setembro

Joinville - Poetas de Santa Catarina têm até o dia 2 de setembro para enviar inscrições ao concurso estadual de poesia da Fundação Cultural de Itajaí (FCI) - Jornal "O Papa-Siri". Os textos deverão ser remetidos em cinco vias à FCI, valendo a data de postagem. O mínimo exigido pela comissão organizadora são 30 páginas, sendo livre a escolha do autor pela técnica, estilo, tema e composição.

Premiação

Cada poesia não precisa, necessariamente, preencher todo o corpo da página. Quanto à premiação, três obras serão escolhidas por júri, que também distribuirá mais duas menções honrosas, sem direito à publicação. Os três primeiros colocados terão os trabalhos editadas em formato de livro, em até 120 dias após a divulgação dos premiados. A tiragem é de mil exemplares. Pela procura de escritores de diversas localidades, acredita-se que o nível do concurso superará expectativas.
"A poesia é uma forma permanente e antiga da arte verbal. Nunca existiu sociedade sem poesia. Entre a comunicação midiática e a declamação (e o ouvir), ou a própria leitura, justapõe-se esta oportunidade: a visibilidade de novos autores e, conseguinte, novas obras. Aí um dos valores de um concurso dirigido ao gênero poesia, qual seja: o incentivo à produção poética, sua revalorização, aceitação e circulação, formando algo que podemos chamar de movimentação poética", escreve o editor Rogério Lenzi.

O QUÊ: Concurso Estadual de Poesia Fundação Cultural de Itajaí (FCI) - Jornal Cultural O Papa-Siri. QUANDO: Inscrições até 2 de setembro. ONDE: FCI, rua Lauro Müller, 53, centro, Itajaí, CEP: 88.301-400, tel.: (47) 348-1886 (Arquivo Histórico), (47) 341-6131 (FCI) ou e-mail rmlenzi@hotmail.com.


O jovem
vai às compras

Gosto refinado e avalanche de informações fazem adolescente ficar exigente e gastar mais

São Paulo - Nada de cheeseburger com milk-shake e batatas fritas. Nem de roupas desordenadas ou amassadas. Os adolescentes brasileiros estão muito mais bem informados e ligados em tudo o que surge de novidade no mundo. Conseqüentemente, estão mais consumistas e (muito) mais exigentes. Apesar de ter apenas 14 anos na época em que começou o primeiro relacionamento sério com uma menina da escola, o estudante Carlos Lichtenberge, hoje com 16, fez questão de levá-la, no aniversário de um mês de namoro, a um restaurante italiano requintado, à luz de velas. Com pinta de adulto, vestiu sua melhor roupa, foi buscar a garota em casa com o motorista, mas teve de pagar o jantar - cerca de R$ 80,00 - em dinheiro, já que ainda não tinha conta no banco.
"Fico impressionada com as transformações de comportamento que ocorrem de geração para geração. Na minha época, eu namorava em casa, não tinha informação para escolher um bom restaurante nem bebida. Só comecei a tomar caipirinha depois de casada", diz Fernanda Lichtenberge, mãe de Carlos e de duas jovens. "Hoje, eles estão atualizados, sabem o que é bom, freqüentam locais sofisticados. Se baseiam muito nos amigos e na propaganda de TV. Mas não se preocupam apenas com a marca mais famosa. Querem roupas de melhor qualidade. E os pais têm de se virar."
Carlos admite que a sua geração é mais consumista. "Antigamente, os mais velhos deixavam as roupas para os mais novos. Hoje, cada um tem seu guarda-roupa. A minha geração lê mais, vê coisas do mundo todo na internet e também sai bastante e, portanto, precisa de roupas e se cuida melhor", diz o garoto. A mesada de R$ 120,00 dá só para o dia-a-dia. "Todo mundo gosta de consumir."
A opinião de Carlos é compartilhada por quase metade dos jovens entrevistados pelo Instituto Akatu sobre seus hábitos de consumo: 49% admitiram gastar muito, assim como seus colegas. A pesquisa ouviu 259 jovens de nove áreas metropolitanas do Brasil. Para 78% deles, a qualidade é o principal critério de compra, seguido pelo preço (74%). Apesar da preocupação com os gastos, 56% acreditam que seriam mais felizes se tivessem mais do que hoje. Para 27%, os amigos influenciam nas compras, mas 69% consideram fundamental ter um estilo próprio.
Como ele, os adolescentes são presença cada vez mais constantes em centros de estética e salões de beleza badalados. Vaidosa, a estudante Natália Delbosque Gonçalves está sempre com as unhas feitas, cabelos bem escovados, pele tratada e visual em dia com a moda. Aos 14 anos recém-completados, gasta pelo menos R$ 500,00 por mês entre compras no shopping e gastos no Studio W, um dos salões de beleza mais badalados, que freqüenta a cada dez dias. "Sou muito consumista", admite.
"Por conta do acesso rápido à informação, o jovem é atropelado por um batalhão de novidades. Isso traz mudanças relevantes em seu comportamento", diz a psicóloga Illana Pinsky, especialista em adolescentes. "Eles estão mais atentos, espertos e, portanto, mais seguros. Se os pais vestem roupas caras e freqüentam bons restaurantes, eles querem o mesmo."
A estudante Carol Jatene, de 15 anos, passou as férias fazendo o que mais gosta: assistir a filmes no cinema, comprar e comer fora. Encontra tudo nos shoppings que freqüenta, normalmente, às sextas-feiras, sábados e domingos. Com alimentação e lazer, gasta cerca de R$ 400,00 por mês, sem somar gastos "maiores", com roupas, CDs e presentes ocasionais para as amigas.
Carol é o retrato do jovem identificado por uma pesquisa feita pela Associação Brasileira dos Shopping Centers (Abrace) para medir o potencial de consumo dos adolescentes, que embora sejam 12,5% do total da população brasileira (21.249.557 pessoas), já representam 15% do público dos centros comerciais do País. Como Carol, 57% dos jovens entrevistados vão ao shopping todas as semanas - índice maior do que entre adultos (55%) -, a maioria (90%) acompanhada de amigos ou namorados.
O dado que mais chama a atenção, no entanto, é o motivo de sua ida. Ao contrário do que se pensa, 47% dos adolescentes vão ao shopping para fazer compras (12% usam serviços, 9% vão para comer e 5% para lazer). O tempo de permanência dos adolescentes chega a ser maior do que o dos adultos (87 minutos, contra 71 minutos) e eles gastam mais - o valor médio por compra de pessoas com até 19 anos é de R$ 74,00, e dos mais velhos, R$ 59,00. Como, em geral, recebem mesada em dinheiro, os adolescentes também são bons pagadores: 73% deles pagam à vista, enquanto o índice entre adultos é de 46%.

 
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