Joinville
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Sábado, 17 de Agosto de 2002
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Santa Catarina - Brasil
ANotícia
EXPECTATIVA Kalika Damian (E), Douglas Roberto Speckhahn e Marinice Pfau
Lenz são os três catarinenses que irão integrar
o Bidu Sayão, apontado como o principal concurso brasileiro
do setor Fotos: Divulgaçåo
Três cantores de SC
estão no Concurso Bidu Sayão
Principal concurso
brasileiro de canto lírico começa dia 26 de agosto,
no Theatro da Paz, em Belém
Joinville
- Os cantores líricos catarinenses Kalika Damian, Marinice
Pfau Lenz e Douglas Roberto Speckhahn estão entre os 34
cantores líricos classificados para disputar o 3º
Concurso Internacional de Canto Bidu Sayão, entre 26 de
agosto e 1º de setembro, no histórico Theatro da
Paz, em Belém (PA). No total, participarão seis
candidatos estrangeiros dos Estados Unidos, Rússia
(2), Finlândia, Grécia e Uruguai
e 28 cantores dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro,
Pará, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais e Distrito
Federal.
Kalinka Damiani nasceu em Urussunga, é graduada em música
pela Universidade Federal Santa Catarina (UFSC), reside em Curitiba
e já se apresentou em Roma, nas comemorações
dos 500 Anos do Brasil, a convite da Embaixada Brasileira. Marinice
Pfau Lenz nasceu em Joinville, mora em Curitiba, é formada
em canto e pós-graduada em música de câmara
pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná e
integra o Grupo Lírico de Joinville. Douglas Speckhahn
também é de Joinville e iniciou seus estudos na
Escola de Música Villa-Lobos. Já participou de
diversas montagens operísticas em Florianópolis,
São Paulo e Porto Alegre e obteve 1º lugar no Concurso
Carlos Gomes, em Campinas.
Considerado o principal concurso brasileiro do setor, o Bidu
Sayão é também o que oferece os melhores
prêmios: um total de R$ 71 mil. Os dois primeiros colocados
em cada categoria masculina e feminina - receberão
R$ 15 mil, havendo ainda prêmios de R$ 10 mil (segundo
lugar), R$ 5 mil (terceiro), R$ 3 mil (quarto) e R$ 2 mil (quinto).
O vencedor do prêmio Júri Popular escolhido
pela platéia, em votação secreta receberá
R$ 1.000,00. Todos os premiados recebem também o Troféu
Bidu Sayão um busto criado pelo artista plástico
Fernando Pessoa, de 45 centímetros de altura e os
professores dos primeiros colocados em cada categoria o certificado
Prêmio Professor.
Apesar dos valores oferecidos, os organizadores acreditam que
o prêmio em dinheiro não é a principal atração
do concurso. "Na prática, o Bidu Sayão tornou-se
uma audição privilegiada, onde os cantores têm
a oportunidade de se apresentar para um júri internacional
de altíssimo nível e para uma platéia onde
é cada vez maior o número de 'olheiros' à
procura de novos talentos", afirma Cléber Papa, diretor-geral
do concurso e da São Paulo ImagemData, a empresa organizadora.
No júri deste ano estarão atuando sete autoridades
do setor: maestro John Neschling, regente titular da Orquestra
Sinfônica do Estado de São Paulo (presidente); Asta-Rose
Alcaide, coordenadora de montagens de ópera da Orquestra
Sinfônica do Teatro Nacional de Brasília; Christina
C. Scheppelmann, administradora artística da Washington
Opera, Estados Unidos; Luca Targetti, diretor de elenco do Teatro
Alla Scala (Milão, Itália); Menno Feenstra, diretor
de elenco do The Glyndebourne Festival, Inglaterra; maestro Patrick
Shelley, regente titular da Dorset Opera, Inglaterra; e Vicente
Salles, professor, pesquisador e musicólogo.
Paulo Chaves, secretário de Cultura do Pará, acrescenta
que a filosofia do Bidu Sayão, desde sua primeira edição,
também se constitui em enorme atrativo para os cantores.
"Fazemos questão de impulsionar a carreira deles.
Exemplo disso é o fato de termos convidados todos os premiados
dos dois primeiros concursos para participar do Festival de "pera
que reabriu o Theatro da Paz, no primeiro semestre deste ano",
ressalta.
Prato Principal
Poderosa pimenta!
Além de
incrementar as comidas, essa frutinha picante também funciona
como agente que contribui para a saúde de seus consumidores
Regis Mallmann
Florianópolis - Pimenta é aquele tipo de condimento
que a gente ama ou odeia. Vilã da cozinha para muitos,
ela é adorada por outros, que não abrem mão
de ter à mesa ou incluir em suas comidas diferentes versões
dessas frutinhas de ardência às vezes suave, mas
que na maioria dos casos são bastante picantes. Os mitos
em torno dela estão sendo derrubados a medida em que se
conhece mais seus poderes e se estreita a relação
entre seu consumo e os benefícios que trazem à
saúde. Mas essa face "boa" da pimenta é
encontrada somente nas originárias da América,
para sorte dos brasileiros, que as têm em fartura.
Isso porque pertencem à família das capsicum, pobres
em sódio e praticamente livres de calorias e sem nenhum
colesterol. A presença, na parte que arde, de generosas
doses de capsaicina, impede a coagulação sangüínea
e, conseqüentemente, ajuda a evitar tromboses. Elas são
capazes também de fazer o cérebro produzir endorfina,
agente que gera sensação de euforia e prazer. Têm
ainda poderosas doses de vitamina A, B e C, essa última
numa proporção seis vezes maior do que a laranja.
Outro ponto favorável para seu consumo é o fato
de serem poderosos agentes antioxidantes, que atuam no sangue
e impedem a destruição das células.
Reside aí, principalmente no estímulo da endorfina,
a razão para sentirmos mais calor e o rosto enrubescido
depois de comer pimenta, para muitos um dos fatores que faz com
que os baianos sejam aquele povo sempre alegre e cheio de ginga.
Mas quando se fala na capsaisina, não há nenhuma
ligação com a pimenta-do-reino, do grupo das pimentas
pretas originárias da Ásia. Essas não contêm
o elemento, portanto, em nada contribuem a não ser para
dar sabor diferente aos pratos que saboreamos e, se exagerarmos
na dose, podem até provocar uma indigesta queimação
no estômago.
Se as pimentas vermelhas só passaram a ser conhecidas
dos ocidentais a partir do período dos descobrimentos
na América, onde Cristóvão Colombo deu de
cara com verdadeiras lavouras nativas da fruta, a pimenta-do-reino
tem uma longa história de aplicação na culinária.
É usada há milênios tanto na cozinha asiática
quanto na européia, aí depois que foi introduzida
no Continente no século 6 antes de Cristo, levada da Índia,
de onde é orginária. Hipócrates, pai da
medicina, chegou a fazer estudos e indicá-la no tratamento
de alguns males. Era então um produto caro, de acesso
restrito, que tinha em Portugal o monopóplio de distribuição.
Tão cara quanto o ouro, a pimenta preta foi artigo de
primeira necessidade durante vários séculos, principalmente
porque era usada como forma de tirar o gosto ruim de produtos
usados na cozinha e que se deterioravam facilmente. Esse uso
e forma de aplicação se difundiu porque a ardência
acabava por disfarçar qualquer possível sinal de
comida rançosa. Contribuiu para que virasse artigo de
primeira linha o fato de ser usadas na produção
de embutidos, por longo tempo uma das melhores maneiras de se
preservar carnes por mais tempo e também por seus propalados
poderes afrodisíacos.
No Brasil, apesar de ainda ser alvo de mitos, a maioria deles
atribuídos às nossas avós ou às avós
dessas, a pimenta ganha cada vez mais mercado. É comum
ver lojas de condimentos especializados com prateleiras inteiras
dedicadas ao produto. Em feiras livres e até supermercados,
é possível encontrar a pimenta vermelha sendo comercializada
à granel, inatura, forma perfeita para que seja usada
em conservas. Um rápido levantamento faz saber que entre
os brasileiros a campeoníssima é a dedo-de-moça,
seguida da acumari e malagueta. Há ainda uma crescente
procura pelas espécies habanero e jalapeño (originárias
do México).
Pimentões
recheados
Ingredientes
4 pimentões grandes (2 verdes e 2 vermelhos)
500g de carne moída
2 cebolas médias picadas
3 tomates picados
1/2 maço de salsinha picada
1/2 maço de cebolinha picada
3 pimentas dedo-de-moça cortadas em rodelas finas
100g de queijo parmesão ralado
sal a gosto
azeite de oliva.
Modo de preparar
Numa panela frite a cebola e a carne. Acrescente o tomate e o
sal e deixe refogar até virar uma mistura homogênea.
Misture a salsa, a cebolinha e as pimentas. Reserve.
Faça uma abertura circular retirando o talo dos pimentões
e com uma
faca retire as sementes e a parte fibrosa.
Recheie os pimentões com o refogado. Cubra cada um com
o queijo ralado e deposite numa forma. Derrame um pouco de azeite
sobre eles e leve ao forno para assar por cerca de 1 hora, até
que a pele fique tostada. Sirva com arroz, batatas sauté
e salada de rúcula
Estante
Para comer
com os olhos
Conhecido pelas suas incursões televisivas em canais
a cabo, o americano Jeff Smith consegue unir em suas aulas de
culinária todos os tipos de influências, mantendo
sempre um estilo de cozinhar que privilegia os pratos leves.
Assim, levou para o livro "Frugal Gourmet" tudo o que
sabe do assunto, que domina como ninguém, em uma série
que repete o que ele apresenta com exclusividade na TV, indicando
inclusive a ordem de veiculação dos programas com
cada tema tratado no livro.
O volume traz na primeira parte uma série de conselhos
práticos para quem gosta de enfrentar o fogão,
com informações preciosas sobre utensílios
de cozinha - indo das panelas e talheres aos pratos e copos -,
termos culinários e definições sobre ingredientes
e alimentos. Numa segunda etapa, Smith reúne as receitas,
partindo das sopas e seguindo para os peixes, a cozinha americana
de outrora, as comidas da Grécia e a de New Orleans, entre
outras.
O gourmet leva o leitor para outros mundos e ensina tudo sobre
a cebola, as batatas e os ovos, só para citar alguns assuntos.
No capítulo dedicado às cebolas, conta a história
deste bulbo tão usado na gastronomia de todo o mundo,
apurando que é originária da Ásia ou da
Palestina e já era comum no antigo Egito, onde era adorada
como um deus menor. Dá algumas receitas curiosas, como
as pétalas de cebolas recheadas e as cebolas recheadas
à moda judaica, ambas quase desconhecidas em terras brasileiras,
mas que não são de difícil execução.
O "Frugal Gourmet" nos revela ainda dicas valiosas
no capítulo "cozinhando com papel", onde aponta
caminhos para preparar um frango inteiro num saco ou a galinha
no papel à chinesa. Ao longo das 395 páginas, há
verdadeiras aulas sobre pratos originários do Líbano
(Armênia), algumas receitas cubanas, italianas e outras
combinações que introduzem o leitor ao reservado
universo da cozinha judaica. Há uma página particularmente
interessante, onde o escritor-cozinheiro ensina os passos para
o planejamento dos cardápios, verdadeiro tesouro para
quem gosta do assunto. (RM)
Vinho mágico
"O Vinho e suas Circunstâncias" é um
desses livros que a gente pega para ler e não supõe
aonde vai nos levar. Com uma linguagem acessível, o escritor
Sérgio de Paula Santos escreve pensando em acrescentar
conhecimento ao leitor, que encontra nas 255 páginas um
caminho para melhor compreender o que se esconde atrás
de uma taça contendo esse maravilhoso fermentado de uvas
que vem agradando nobres e plebeus, pobres e ricos desde tempos
imemoriais.
Brasileiro, o escritor é médico de profissão
e integrante de confrarias enogastronômicas na França,
Alemanha, Espanha e Portugal. Ele reserva uma aventura inigualável
em termos de novidades ao contar fatos relacionados ao vinho,
com histórias que abordam o vinho do Porto, vinho Madeira,
vinhos brasileiros, galegos, vinhos antigos e novos, e também
os espumantes. Erudito, vai mais além ao relatar circunstâncias
que a bebida influenciou ao longo da história, desde sua
relação com personagens ou simplesmente seu vínculo
com a gastronomia e com a literatura.
Na apresentação da obra que assina, Sérgio
afirma que os prazeres da mesa e do copo são infinitos.
Diz que com a coletânea de textos publicados em "O
Vinho e Suas Circunstâncias" foi até o passado
para encontrar belas histórias relacionadas ao produto
que tanto aprecia e ao qual dedica grande parte de suas horas
de folga.
Um presente e tanto para que tem em mãos o volume e que
assim pode ler embevecido, por exemplo, o texto que fala sobre
um manuscrito de cozinha do século 14, no qual o autor
discorre sobre a origem do próprio produto livro e sobre
os primeiros manuscritos gastronômicos os quais a humanidade
tem conhecimento. De fato, uma obra e tanto, não só
para amantes do vinho, mas também para quem gosta de se
aventurar pelo mundo das palavras e do conhecimento. (RM)
"FRUGAL GOURMET", de Jeff Smith. Editora
Ediouro, 395 páginas. QUANTO: R$ 57,20.
"O VINHO E SUAS CIRCUNSTÂNCIAS", de
Sergio de Paula Santos, Editora Senac/São Paulo, 255 páginas.
QUANTO: R$ 28,00.
Laboratório de sabores
Rica Cubas faz
da cozinha de seus restaurantes um cenário de influências,
sem deixar que as comidas percam o caráter de brasilidade
Florianópolis - Fatias de batata cozidas, lascas de
bacalhau passadas na manteiga, gomos de lagosta levemente cozidos
com sal, tomates secos e cebolinha verde frita ao ponto de ficar
crocante são os ingredientes que dão personalidade
à bacallá all' aragosta e pomadori sec, um dos
pratos que emprestam nobreza ao restaurante Bragança.
A casa integra uma rede de estabelecimentos - formada ainda serviços
de catering e eventos - cujos cardápios são assinados
por Ricardo Cubas, ou simplesmente Rica, que, ao lado do sócio
Zeca Caputo, comanda ainda o Z Perry, também em Florianópolis,
e o Harmonia-Lyra, em Joinville. Restaurantes que não
seguem uma mesma linha gastronômica, eles têm em
comum o fato de as comidas serem resultado das constantes pesquisas
empreendidas por Rica no mundo dos sabores e das combinações
de produtos. O que surge dessa inventividade é uma cozinha
de caráter sofisticado, sem no entanto fugir da realidade
e do paladar brasileiros. Há influências de várias
regiões do planeta, numa mistura internacional que eleva
as receitas que o chef joinvilense cria a um patamar dos mais
altos e que nunca perde o tom de novidade e de brasilidade.
Nesse contexto, a bacallá não chega a ser produto
da genialidade de um inventor, mas ganha toques surpreendentes
ao ser adaptada por Rica, que se confessa um alquimista que trouxe
de casa, da infância, o gosto pela cozinha. "Vem de
família", garante ao ser questionado sobre como e
onde aprendeu as manhas do fogão. Um dom que foi aperfeiçoado
quando ele saiu de Joinville para estudar na Capital, no começo
dos anos 80. "Morei perto do Mercado Público, onde
ia com frequência para comprar coisas para a casa",
lembra hoje, aos 43 anos, atribuindo a essas visitas a base para
o aprendizado que adquiriu ao longo dos anos.
Um conhecimento que vem sendo colocado em prática profissionalmente
há 15 anos, desde quando abriu o Neu Fiedler, bar-restaurante
que fez história em Joinville. Foi lá que Rica
desenvolveu ainda mais seus dotes e formou uma geração
de admiradores, um público que respondeu imediatamente
quando ele e Zeca assumiram o comando do restaurante da Sociedade
Harmonia-Lyra, também na "Manchester". O sucesso
rendeu dividendos e a dupla resolveu ir além abrindo outras
casas, empreendimentos que deram certo e que os colocaram no
circuito gastronômico mais respeitado do Estado.
Os procedimentos mágicos que Rica Cubas desenvolve nas
cozinhas de seus restaurantes não escondem grandes segredos.
Suas equipes já sabem exatamente o que ele quer quando
vem com a idéia de um prato novo para ser testado. Algo
do tipo que aconteceu para a criação do cardápio
do Festival Português, que estreou no Bragança na
última quinta-feira e que se repetirá nas próximas
duas quintas-feiras. É um evento que pretende reunir em
torno das mesas do restaurante do centro de Florianópolis
gente que gosta das combinações da gastronomia
da terra de Pedro Álvares Cabral.
Entre as opções, arroz de cabrito à moda
de Monção (pernil temperado com vinho branco, açafrão
e especiarias, envolto em tiras de toucinho e posteriormente
fatiado e servido com arroz cozido com caldo do assado) e açorda
de camarão (pirão de camarão feito com miolo
de pão amolecido em caldo temperado de camarão,
camarão Laguna, alho, coentro, azeite de oliva e cebola).
A promoção também premia os que apreciam
os doces de Portugal, cuja tradição da confeitaria
à base de ovos vem de séculos. Para esses, há
opções como o pudim de vinho Madeira (servido molhado
com caldo de abacaxi) e a encharcada alentejana (feita com gemas,
amêndoas, miolo de pão e especiarias). (Regis Mallmann)
O QUÊ: RESTAURANTE BRAGANÇA. ONDE:
Hotel Blue Tree Towers, rua Bocaiúva, 2.304, centro, Florianópolis,
tel.: (48) 252-5549 e 251-5548. QUANDO: Segunda a sábado,
das 12 às 15h, e das 18h à meia noite.
O QUÊ: RESTAURANtE HARMONIA-LYRA. ONDE:
Rua
15 de Novembro, 485, centro, Joinville, tel.: (47)
422-2129. QUANDO: Segunda a sexta, 12 às 14h e
18 às 11h30; e sábados, somente para jantar, das
18 às 11h30.
O QUÊ: RESTAUrANTE Z PERRY. ONDE: Hotel
Jurerê Beach Village, alameda Cesar Nascimento, 646, Jurerê,
Florianópolis, tel.: 261-5435. QUANDO: Diariamente,
das 11 às 15h e das 20h à meia-noite.
A Itália é aqui - Quatro dias de muita
festa e gastronomia. É o que promete a 10ª Vinveneto,
que se encerra neste domingo, na Cidadela Cultural Antarctica,
em Joinville. A partir das 19h30, shows típicos relembram
a cultura italiana em Joinville e região. Uma das atrações
é a Festa Veneta del Vino, que oferece variedade de comidas
típicas, referencial da cultura italiana. No cardápio,
pratos como nhoque, macarrão, pizza, lasanha e outras
delícias, como polenta com galinha, sopa, calzone, docinhos
crepe italiano. Poderão ser degustados ainda, deliciosos
doces, como os irresistíveis bombons fabricados na cidade.
Para acompanhar, o motivo maior da festa: o vinho.
Encontro de amigos - A confraria de gourmets florianopolitana
Clube do Galfo, promove encontro de confraternização
no próximo final de semana, no Hotel Fazenda Jomar, em
Santo Amaro da Imperatriz. No programa, o destaque fica por conta
do almoço de sábado, que terá como prato
principal a rabada, a cargo do chef Luis Artur Luz, sócio
fundador do Clube do Galfo. Há ainda extensa programação,
com café colonial, jantar e café da manhã
e almoço de domingo. As reservas pode ser feitas pelo
telefone (48) 9983-1710, ou então, pessoalmente, na reunião
do Clube do Galfo, realizada tradicionalmente nas terças-feiras,
no quarto andar do Clube Doze de Agosto, na Capital.
Lançamento - A Livraria Catarinense promove
na
próxima terça-feira, às 18h30, o lançamento
do livro "A Culinária da Imigração
Italiana - As Comidas e Suas Histórias", de Darcy
Loss Luzzato. No livro, esse gaúcho que se dedica aos
estudos sobre a cultura italiana no Brasil faz um apanhado do
que esses imigrantes legaram em termos de cozinha. Luzzato relaciona
as comidas típicas e conta fatos sobre suas origens, das
ocasiões em que eram servidas e de como
é possível reproduzi-las hoje em dia. O lançamento
será realizado na Megaestore da rua Felipe Schmidt, no
centro da Capital. O livro custa R$ 19,00.
Papo de Gourmet
Vira e
mexe a polenta
Therence Mir
Especial para o Anexo
Quem nunca provou uma polentinha? Dificilmente alguém
responderá que não. Esta delícia da culinária
italiana consolidou-se no mundo gastronômico com o sua
apresentação simples e aroma ingênuo. O fubá,
a matéria-prima, é uma farinha especial feita do
milho. Cozido em fogo brando e sempre mexendo, ao poucos se torna
o angu (tipo purê). Que por sua vez, podemos saborear desta
forma mais tradicional ou de várias outras maneiras. O
angu descansado na geladeira por algumas horas acaba ficando
compacto no ponto para fritarmos em filetes médios.
Na forma frita ela é muito apreciada. As combinações
são infinitas. Até porque a cozinha que a originou
é muito alternativa e com ingredientes mistos. Qualquer
tipo de carne combina. Frango, porco, boi e até as mais
exóticas. E de qualquer elaboração. Assada
de panela, ensopada, de forno, frita, cozida, grelhada... Acompanhado
as massas como macarrão, lasanhas e pratos gratinados.
Com pescados, ela conseguiu também o seu espaço,
devido a criatividade dos chefs e gourmets na elaboração
de receitas próprias. Com saladas verdes como a rúcula,
radiche, entre outras, vai muito bem. Na papinha do neném,
ele adora.É um alimento com uma fonte energética
admirável. Com ela, você nunca fica em apuros, pois
o que tiver em mão para acompanhá-la será
bem-vindo. Noutro dia, havia na geladeira meio vidro de tomates
secos, um pedaço de queijo duro, meia lata de creme de
leite e um pedaço de toicinho. Na pressa, resolvi picar
tudo, fritar com cebola e orégano na manteiga, bem rápido.
Misturei o fubá e joguei água. Levei uns 15 minutos
para preparar. Ficou bom! Isto é prova da versatilidade.
Mas a grande maioria das pessoas provaram e aprovaram a polenta
acompanhando pratos típicos regionais feitos em toda a
parte do nosso território. Em Minas Gerais, come-se muito
com carne moída, jiló e quiabo. No Norte e Nordeste,
nos pratos "quentes", apimentados. No Rio, fazem a
farofa de milho. Em São Paulo, existem rodízios
onde a polenta é quem manda. No Sul, ela é usada
sobretudo acompanhando a galinha caipira ensopada e carne moída
de porco. Sempre acompanhada de queijo e vinho. A colônia
italiana no Sul do Brasil é marcante em todas as regiões.
Com isto, encontramos com muita facilidade casas especializadas.
Depois de tanta comida gostosa à base de polenta ainda
podemos saborear como sobremesa um fofinho bolo de fubá.
Sempre reforçando aquela lembrança da casa dos
avós e almoços de família. É uma
sensação! Vira e mexa a polenta sempre esta na
moda.
MINHA RECEITA
Prepare numa panela de angu "polenta mole" com sal,
orégano e salsinha bem picada. Em uma forma de vidro (tipo
marinex), faça uma camada de angu, uma camada de requeijão,
uma de folhas de espinafre bem picadas, uma de tomates bem maduros
cortados em rodelas bem finas e a uma de fatias bem finas de
lombinho de porco defumado. Faça quatro camadas desta
e termine cobrindo com o angu. Decore com folhas de louro. Coloque
no forno pré aquecido por 40 minutos em fogo médio.
Acompanhe com salada de folhas radiche, pão e manteiga.
Sempre a deguste com vinho, de preferência tinto. Bom apetite.
MINHA RECEITA PRÁTICA
Prepare a carne moída ao molho bolonhesa. Jogue a farinha
de fubá e misture bem, vá acrescentando água
fervida aos poucos até ficar no ponto. Sempre em fogo
brando. Tire da panela e coloque em uma forma de cuca. Deixe
esfriar e coloque na geladeira por três horas. Corte em
cubos médios e passe na farinha de milho e frite como
batata frita (bastante azeite e bem quente). Quando dourar, retire
e escorra bem. Está pronto o aperitivo. Com ela, vai bem
uma cervejinha. Bom apetite novamente.
POLENTA COM O QUÊ?
Polenta frita - frango frito, bisteca de porco na chapa,
bife acebolado e pura. Polenta cozida - ensopados de carne e molhos à
base de tomates. Polenta de forno - queijos e defumados. Polenta na chapa - com cubos de fígado de boi ou
picanha mal passada (ambos na chapa) Polenta crua - farofa de alho e filé de gaivira
ou bagre frito passado na farinha. Polenta fria - com goiabada e café com leite.
Documentário
do canal GNT busca respostas para a morte do músico
São Paulo - Lábios finos, óculos de vendedor
de enciclopédias, cabelo gomalinado, Glenn Miller foi
a antítese do galã americano. A despeito disso,
tornou-se, aos 40 anos, o maior popstar de sua época,
amado pelas multidões que botava para dançar com
a música orquestral apropriada para grandes serenatas
ao luar.
Um dia do ano de 1942, para glória e orgulho de sua legião
"família" de admiradores, Miller desmanchou
sua big band e foi para a guerra, para liderar a Glenn Miller
Army Air Force Band. Em 15 de dezembro de 1944, ele voaria para
um show patriótico em Paris em um pequeno monomotor Noorduyn
Norseman, um D64, saindo da base Twinwood Farm, em Bedfordshire,
na Inglaterra. Nunca chegou ao destino, não acharam o
avião, nunca mais se viram os óculos de Glenn Miller.
O avião que sumiu causou especulações que
nunca cessaram, ao longo dos anos. Neste domingo, o canal por
assinatura GNT (Net) mostra, às 19 horas, o documentário
"O Último Vôo de Glenn Miller", um ambicioso
projeto de reconstituição dos acontecimentos que
levaram ao desaparecimento do band leader mais amado da América.
Dirigido e produzido por Dryn Higgins, o filme parte do depoimento
de dois ex-combatentes da RAF (Real Força Aérea
britânica) para engrossar uma das teses mais discutidas
desde aqueles tempos: a de que o avião de Miller foi abatido
por "fogo amigo", uma expedição aérea
que voltava do front para Londres e viu o pequeno avião
em área proibida. Embalado pela música da big band
do trombonista, com cenas de época e impressionantes imagens
de guerra, o documentário se edifica em clima convincente,
mas que turva o essencial: o que interessa saber se Miller morreu
de fato nos braços de uma prostituta em Paris ou se foi
metralhado pela RAF?
Era um músico, e sua obra precocemente abortada é
que é a tragédia a ser analisada. O filme termina
com uma melancólica busca no ponto do mar onde se acredita
que o avião de Miller caíra. O mergulhador pago
pela produção do especial chega com seu barquinho,
Discovery, ao ponto, mergulha e acha algo que "parece muito"
parte da fuselagem. Não era. O barco volta ao porto, com
seus tripulantes cabisbaixos. Retornam depois com outro mergulhador.
"Deep seeker", diz o aviso na cabine do navio. Mergulho
nas profundezas, e outra decepção. Miller não
estava lá.
Ainda assim, é nessa busca de uma "verdade"
sobre os fatos que se assenta todo o material. O principal depoimento
é de um ex-navegador dos bombardeiros Lancaster, Fred
Shaw, que testemunhou o abate do avião de Glenn Miller.
O depoimento de Shaw foi colhido por um cinegrafista amador pouco
antes de ele morrer, na África do Sul.
Um dos reis da "Era do Swing", ao lado de Tommy Dorsey
(1905-1956), Benny Goodman (1909-1986), Artie Shaw e Bunny Berigan
(1908-1942), Miller deixou grandes discos como bandleader e também
acompanhando outros músicos. Com Berigan, por exemplo,
gravou "Swingin' High" (Topaz, 1939). Sua música
merece mais atenção que sua tragédia.
Cinema 1 A Fundação Cultural de
Joinville (FCJ) segue com o ciclo de cinema dedicado aos portadores
de necessidades especiais. As sessões com entrada franca,
são organizadas por Herbert Holetz, cinéfilo e
pesquisador da sétima arte. Hoje o ciclo exibe "Perfume
de Mulher", de Martin Brest, tendo no elenco Al Pacino,
Chris O'Donnell, James Rebhron, Gabrielle Anwar. O filme realizado
em 1992 foi roteirizado por Bo Goldman. A fotografia é
assinada por Donal E. Thorin, e música é de Thomas
Newman.
Cinema 2 O filme é a refilmagem do homônimo
italiano de 1974, do diretor italiano Dino Risi. A trama sofreu
alterações, e quem passou a ter mais importância
foi o garoto. Ele é um estudante contratado para cuidar
de um veterano cego (Al Pacino) durante o fim de semana de ação
de graças. Mas o que o rapaz não imagina, é
que o militar tem planos de passar esses dias em alto estilo
em New York, o que acaba gerando várias confusões.
Hoje, às 19 horas, na Cidadela Cultural Antarctica, rua
15 de Novembro, 1.383, Joinville.
Documentário
de Regina de Almedia resgata as raízes de alemão
filho de imigrantes na cidade
Marlise Groth
Joinville - A informação de que a história
de Joinville começa em outro continente não é
novidade quando se fala em imigrantes europeus em Santa Catarina.
Logo vem à memória a história de um casal
de príncipes que ganhou um dote de terras como presente
e, num momento de necessidade, vendeu-as para uma sociedade colonizadora.
Fugindo do senso comum, a jornalista Regina de Almeida convida
a ouvir outra narrativa. A de Emílio do Hohwald, um europeu
que viveu até os 99 anos e sempre buscou compreender a
história da Joinville que um dia atraiu seus pais e transformou
toda a vida da família.
Emílio (como gostava de ser chamado), era Emile Kuntz,
filho de Johann-Emil Kuntz, que em 1907 veio com a mulher, Berthe,
para Joinville, com o objetivo de trabalhar. Johann-Emil saiu
da Alsácia, que na época pertencia à Alemanha,
deixando para trás uma família com bom padrão
econômico e que administrava um empreendimento de grande
porte chamado Grand Hotel du Hohwald. Em busca da independência,
o casal desembarcou no Rio de Janeiro antes de se deslocar para
o Sul. Três dias após a chegada dos dois na cidade,
Johann-Emil morreu num acidente trágico, deixando a esposa,
que acabara de descobrir-se grávida.
Acolhida pela família, que veio buscá-la no Brasil,
Berthe teve o filho, Emile, na Alsácia. Noventa e cinco
anos depois, nessa mesma região, ele conheceu a jornalista
Regina de Almeida, que agora pretende transformar sua história
em um documentário de 52 minutos para a televisão
francesa. O projeto é uma co-produção da
Dora Productions com a France 3 Alsace. Também apóiam
o trabalho a Gambit Filmproduktion (da Alemanha) e a Freihänder
Filmproduktion (da Suíça). De acordo com a jornalista,
contatos já foram feitos com a TV Educativa para que uma
cópia do filme seja feita em português e apresentada
no Brasil.
Jornalista acha registros
e sepultura de imigrante
Mesmo sem resposta oficial da televisão brasileira,
Regina acredita nessa possibilidade, uma vez que conta com o
respaldo europeu. "Vamos batalhar para divulgar ao máximo
essa história que conheci e que acabei fazendo parte",
relata. Isso porque, explica, foi ela quem descobriu para a família
Kuntz, em 2000, a sepultura de Johann-Emil no cemitério
do Imigrante, em Joinville. "Para Emílio e seus filhos,
foi um momento muito significativo. Ao olhar as fotografias,
Emílio pode absorver melhor a história da sua própria
vida, uma história que seria completamente diferente caso
o pai não tivesse morrido logo após sua chegada
a Joinville", fala.
Com o apoio dos técnicos do Arquivo Histórico de
Joinville, Regina descobriu muito mais que a sepultura do pai
de Emílio. Encontrou registros do acidente no jornal "Kolonie
Zeitung", que circulava na época, e um documento
instituindo poderes a Johann-Emil Kuntz para atuar como um dos
coordenadores na usina de açúcar da cidade. De
acordo com o jornal, foi justamente a caminho do trabalho que
Johann-Emil morreu. Ao atravessar uma ponte acompanhado de Jean
Knatz, um dos supervisores do empreendimento, ele teria sido
surpreendido pela cheia do rio Cubatão. A carroça
em que estava foi levada pelas águas. Knatz foi socorrido
pela população ribeirinha. Johann-Emil foi encontrado
apenas três dias depois.
Apoio Logístico
Depois de reunir-se com o presidente da Fundação
Cultural de Joinville (FCJ), Edson Busch Machado, no início
do mês, Regina de Almeida deve retornar à cidade
na última semana de agosto. Fará tomadas da área
rural e urbana de Joinville e buscará o apoio dos empresários
para subsidiar custos do projeto. "A FCJ já nos garantiu
o apoio logístico, o que é muito importante",
destaca. Regina é natural de Belo Horizonte (MG), mas
mora na França há 17 anos. Foi lá que conheceu
Emile Kuntz, durante uma festividade promovida por uma associação
franco-brasileira. (MG)
Peça infantil
reestréia na Scar
Em "A Revolta
dos Brinquedos", bonecos ganham vida e se revoltam
Sônia Pillon
Jaraguá do Sul - Apresentada em 2001 como "A Menina
e os Brinquedos" pelo grupo teatral Da Hora, a peça
infanto-juvenil ganhou novo nome. "A Revolta dos Brinquedos"
volta a ser encenada neste sábado e domingo, no Centro
Cultural da Sociedade Cultura Artística (Scar), mantendo
texto e elenco originais. O espetáculo continuará
em cartaz nos dias 24, 25 e 31 de agosto e 1º de setembro.
Com texto de Pernambuco de Oliveira, "A Revolta dos Brinquedos"
é dirigida e produzida pela diretora e atriz da Scar,
Sandra Baron, que atesta o sucesso alcançado no Vale do
Itapocu. "Ano passado, o público lotou todos os dias,
por isso decidimos retomar as apresentações",
justifica. A receptividade acontece "porque aborda um universo
que todos conhecem, o mundo dos brinquedos, os cuidados que se
deve ter e até a estratégia adotada por crianças
que os quebram para chamar a atenção dos pais."
A peça relata a história de uma menina rica e mimada,
dona de inúmeros brinquedos, mas solitária e sem
amigos. A protagonista, que "maltrata" os brinquedos
mantidos em seu quarto, um dia passa a enfrentar a ira de suas
vítimas. Revoltados, os brinquedos ganham vida e decidem
prender e julgar sua dona. Numa seqüência divertida,
destaca-se o mimoso e ingênuo ursinho, que logo conquista
o público; o soldado que lutou na "guerra das pastilhas";
e o boneco de corda. Complementam a turma o divertido fantoche
e as delicadas bonequinhas. Tudo ainda incrementado com música
e números de dança. "Os que não vieram
ano passado têm a oportunidade de ver agora. Os que viram,
estão convidados a voltar", salienta a diretora.
Sandra Baron também destaca os preparativos para o projeto
A Escola vai ao Teatro, que entre 1º e 18 de outubro apresentará
cinco espetáculos aos estudantes do Vale do Itapocu: "O
Circo", "A Verdadeira História de Cinderela",
"Keirbeck, a Pedra Negra", "A Revolta dos Brinquedos"
e "Fulaninha e Dona Coisa". "O Circo" foi
lançado em junho. "A Verdadeira História..."
será encenada em setembro, e "Kerbeck...", em
outubro. Já "Fulaninha e Dona Coisa" possivelmente
será levada para Brusque. Oito escolas já haviam
reservado horário para as apresentações.
Os estudantes pagam R$ 2,00 e R$ 3,00 (com transporte). A locomoção
de alunos de outros municípios fica a cargo das escolas.
As reservas estão sendo feitas pelos telefones (47) 275-2477
(Scar), 371-9022 e 9111-0195.
Lançado em 1993, quando atraiu 388 crianças, A
Escola vai ao Teatro teve a adesão de 4.800 alunos no
ano passado. "Em 2002, pretendemos atrair 7 mil crianças.
De que adianta ter um espaço tão grande, tão
lindo, se a comunidade não se sentir parte do teatro?",
questiona Sandra Baron.
O quê: Peça A Revolta dos Brinquedos.
Quando: Dias 17 e 18, 24 e 25, 31 de agosto e 1 de setembro,
sempre às 16h. Onde: Centro Cultural da Scar, na
rua Jorge Czerniewicz, 160, Jaraguá do Sul, tel.: (47)
275-2477. Quanto: R$ 3,00 (antecipados); R$ 6,00 (hora).
Os altos e
baixos do Cisne Negro
Cisne Negro comemorou
25 anos de atividade no palco do CIC
Sandra Meyer
Especial para o Anexo
Florianópolis - A Cisne Negro Cia. de Dança
comemorou seus 25 anos de atividades no Teatro Ademir Rosa do
Centro Integrado de Cultura (CIC), em Florianópolis, com
dois trabalhos que acentuam as particularidades do elenco. A
obra que abriu a noite, "Mozartíssimo", do coreógrafo
naturalizado francês Gigi Caciuleanu, teve sua estréia
em 1991. A opção por retratar o teatro dentro do
teatro, baseado na "vida de artista ambulante" de Mozart
e sua afinidade com os artistas saltimbancos, além de
apresentar fragilidades conceituais, revelou um elenco pouco
à vontade com o tipo de teatralidade proposta por Caciuleanu.
Embora versátil, visto que o grupo optou por não
ter um coreógrafo residente, o repertório técnico
do elenco não favorece inteiramente a comicidade necessária
para evidenciar a gestualidade da comédia dell'arte, própria
da trupe de saltimbancos. Boas células de movimento e
quadros cênicos se esvaziam frente a uma superficial comicidade.
Reconhecida pela formação de excelentes bailarinos,
a companhia e escola Cisne Negro têm em seu repertório
mais de 50 obras, cinco delas criadas por Caciuleanu.
Já em "Cherché, Trouvé, Perdu"
(2002), a companhia dança em sua plenitude, evidenciando
o perfil que a consagrou. A obra de Patrick Delcroix é
vibrante e inteligentemente articulada, com a marca de quem dançou
na Companhia Nederlands Dans Theater, do genial coreógrafo
Jirí Kylian. O elenco de quatro casais da Cisne Negro
Cia. de Dança se move com propriedade e extrema qualidade,
trazendo à tona o jogo de encontros e desencontros propostos.
Salienta as sutilezas, estabelece pausas em meio ao frenético
desenho coreográfico e a belíssima composição
do músico estoniano Arvo Part, não deixando dúvidas
sobre sua competência de criar poética com dança.
É a segunda coreografia que Delcroix cria para a companhia.
"Além da Pele", de 1998, já apontava
para a afinidade entre o coreógrafo francês e o
grupo paulista. O mérito da celebração destas
bodas de prata é incontestável. Ao lado de companhias
como o Balé da Cidade de São Paulo, o Cisne Negro
é uma das mais competentes e sólidas do País,
sobrevivendo, dignamente, a revelia de políticas públicas
pouco efetivas e às custas de patrocínios privados
inconstantes.
O prestígio nacional e internacional, comprovado em suas
turnês desde 1988, não foi suficiente para lotar
o Teatro Ademir Rosa na chuvosa noite de quarta feira, como merecia.
A tímida presença dos estudantes leva a questionar
o tipo de formação cultural que se está
promovendo nas inúmeras escolas de dança da cidade
(sem citar outras instâncias). Formação que
norteia a postura da produtora Eveline Orth, que vem brindando
o Estado com a presença de importantes companhias nacionais.
Joinville - Poetas de Santa Catarina têm até
o dia 2 de setembro para enviar inscrições ao concurso
estadual de poesia da Fundação Cultural de Itajaí
(FCI) - Jornal "O Papa-Siri". Os textos deverão
ser remetidos em cinco vias à FCI, valendo a data de postagem.
O mínimo exigido pela comissão organizadora são
30 páginas, sendo livre a escolha do autor pela técnica,
estilo, tema e composição.
Premiação
Cada poesia não precisa, necessariamente, preencher
todo o corpo da página. Quanto à premiação,
três obras serão escolhidas por júri, que
também distribuirá mais duas menções
honrosas, sem direito à publicação. Os três
primeiros colocados terão os trabalhos editadas em formato
de livro, em até 120 dias após a divulgação
dos premiados. A tiragem é de mil exemplares. Pela procura
de escritores de diversas localidades, acredita-se que o nível
do concurso superará expectativas.
"A poesia é uma forma permanente e antiga da arte
verbal. Nunca existiu sociedade sem poesia. Entre a comunicação
midiática e a declamação (e o ouvir), ou
a própria leitura, justapõe-se esta oportunidade:
a visibilidade de novos autores e, conseguinte, novas obras.
Aí um dos valores de um concurso dirigido ao gênero
poesia, qual seja: o incentivo à produção
poética, sua revalorização, aceitação
e circulação, formando algo que podemos chamar
de movimentação poética", escreve o
editor Rogério Lenzi.
O QUÊ: Concurso Estadual de Poesia Fundação
Cultural de Itajaí (FCI) - Jornal Cultural O Papa-Siri.
QUANDO: Inscrições até 2 de setembro.
ONDE: FCI, rua Lauro Müller, 53, centro, Itajaí,
CEP: 88.301-400, tel.: (47) 348-1886 (Arquivo Histórico),
(47) 341-6131 (FCI) ou e-mail rmlenzi@hotmail.com.
O jovem
vai às compras
Gosto refinado
e avalanche de informações fazem adolescente ficar
exigente e gastar mais
São Paulo - Nada de cheeseburger com milk-shake e batatas
fritas. Nem de roupas desordenadas ou amassadas. Os adolescentes
brasileiros estão muito mais bem informados e ligados
em tudo o que surge de novidade no mundo. Conseqüentemente,
estão mais consumistas e (muito) mais exigentes. Apesar
de ter apenas 14 anos na época em que começou o
primeiro relacionamento sério com uma menina da escola,
o estudante Carlos Lichtenberge, hoje com 16, fez questão
de levá-la, no aniversário de um mês de namoro,
a um restaurante italiano requintado, à luz de velas.
Com pinta de adulto, vestiu sua melhor roupa, foi buscar a garota
em casa com o motorista, mas teve de pagar o jantar - cerca de
R$ 80,00 - em dinheiro, já que ainda não tinha
conta no banco.
"Fico impressionada com as transformações
de comportamento que ocorrem de geração para geração.
Na minha época, eu namorava em casa, não tinha
informação para escolher um bom restaurante nem
bebida. Só comecei a tomar caipirinha depois de casada",
diz Fernanda Lichtenberge, mãe de Carlos e de duas jovens.
"Hoje, eles estão atualizados, sabem o que é
bom, freqüentam locais sofisticados. Se baseiam muito nos
amigos e na propaganda de TV. Mas não se preocupam apenas
com a marca mais famosa. Querem roupas de melhor qualidade. E
os pais têm de se virar."
Carlos admite que a sua geração é mais consumista.
"Antigamente, os mais velhos deixavam as roupas para os
mais novos. Hoje, cada um tem seu guarda-roupa. A minha geração
lê mais, vê coisas do mundo todo na internet e também
sai bastante e, portanto, precisa de roupas e se cuida melhor",
diz o garoto. A mesada de R$ 120,00 dá só para
o dia-a-dia. "Todo mundo gosta de consumir."
A opinião de Carlos é compartilhada por quase metade
dos jovens entrevistados pelo Instituto Akatu sobre seus hábitos
de consumo: 49% admitiram gastar muito, assim como seus colegas.
A pesquisa ouviu 259 jovens de nove áreas metropolitanas
do Brasil. Para 78% deles, a qualidade é o principal critério
de compra, seguido pelo preço (74%). Apesar da preocupação
com os gastos, 56% acreditam que seriam mais felizes se tivessem
mais do que hoje. Para 27%, os amigos influenciam nas compras,
mas 69% consideram fundamental ter um estilo próprio.
Como ele, os adolescentes são presença cada vez
mais constantes em centros de estética e salões
de beleza badalados. Vaidosa, a estudante Natália Delbosque
Gonçalves está sempre com as unhas feitas, cabelos
bem escovados, pele tratada e visual em dia com a moda. Aos 14
anos recém-completados, gasta pelo menos R$ 500,00 por
mês entre compras no shopping e gastos no Studio W, um
dos salões de beleza mais badalados, que freqüenta
a cada dez dias. "Sou muito consumista", admite.
"Por conta do acesso rápido à informação,
o jovem é atropelado por um batalhão de novidades.
Isso traz mudanças relevantes em seu comportamento",
diz a psicóloga Illana Pinsky, especialista em adolescentes.
"Eles estão mais atentos, espertos e, portanto, mais
seguros. Se os pais vestem roupas caras e freqüentam bons
restaurantes, eles querem o mesmo."
A estudante Carol Jatene, de 15 anos, passou as férias
fazendo o que mais gosta: assistir a filmes no cinema, comprar
e comer fora. Encontra tudo nos shoppings que freqüenta,
normalmente, às sextas-feiras, sábados e domingos.
Com alimentação e lazer, gasta cerca de R$ 400,00
por mês, sem somar gastos "maiores", com roupas,
CDs e presentes ocasionais para as amigas.
Carol é o retrato do jovem identificado por uma pesquisa
feita pela Associação Brasileira dos Shopping Centers
(Abrace) para medir o potencial de consumo dos adolescentes,
que embora sejam 12,5% do total da população brasileira
(21.249.557 pessoas), já representam 15% do público
dos centros comerciais do País. Como Carol, 57% dos jovens
entrevistados vão ao shopping todas as semanas - índice
maior do que entre adultos (55%) -, a maioria (90%) acompanhada
de amigos ou namorados.
O dado que mais chama a atenção, no entanto, é
o motivo de sua ida. Ao contrário do que se pensa, 47%
dos adolescentes vão ao shopping para fazer compras (12%
usam serviços, 9% vão para comer e 5% para lazer).
O tempo de permanência dos adolescentes chega a ser maior
do que o dos adultos (87 minutos, contra 71 minutos) e eles gastam
mais - o valor médio por compra de pessoas com até
19 anos é de R$ 74,00, e dos mais velhos, R$ 59,00. Como,
em geral, recebem mesada em dinheiro, os adolescentes também
são bons pagadores: 73% deles pagam à vista, enquanto
o índice entre adultos é de 46%.