Joinville
-
Sábado, 17 de Agosto de 2002
-
Santa Catarina - Brasil
ANotícia
P
O
L
Í
T
I
C
A
Aviso
Por recomendação da Associação Nacional
de Jornais (ANJ), A Notícia deixa de publicar na página
OPINIÃO
artigos de candidatos até o fim da campanha eleitoral.
Itamar apóia
Lula e flerta Ciro
Governador de Minas
só quer vitória da oposição a FHC
Belo
Horizonte - O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (sem
partido), manifestou ontem o seu apoio ao candidato do PT à
Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, mas deixou
seu palanque aberto também a Ciro Gomes, candidato da
Frente Trabalhista. Itamar esteve por duas vezes com Lula em
Belo Horizonte, na casa do candidato a vice, José Alencar,
e no Café Nice, mas não fez a caminhada pelas ruas
de cidade com o petista, conforme estabelecido pela agenda. De
acordo com Israel Pinheiro, amigo pessoal de Itamar e candidato
a senador na coligação de Ciro, o governador quer
é garantir a vitória da oposição,
seja com Lula ou com o candidato da Frente Trabalhista. "Itamar
trabalha de um lado e de outro. Esse é o jogo dele",
afirmou o candidato, ex-representante do governo de Itamar Franco
em Brasília.
Depois do almoço na casa de José Alencar, Itamar
Franco voltou para o Palácio da Liberdade e, à
tarde, foi para o Café Nice encontrar-se com Lula. Lá,
pediram cafezinho e brindaram à vitória. Meia-hora
depois, Itamar foi embora. Lula, então, deu início
à passeata, que fechou a Avenida Afonso Pena por cerca
de 50 minutos. A respeito do apoio de Itamar, Lula declarou que
aprendeu a ter paciência e aguardar o momento certo. "O
apoio de Itamar é muito importante, porque Minas é
o segundo maior colégio eleitoral do País",
disse o candidato.
Itamar justificou sua forma de dar apoio: "Aceitamos as
ponderações do Lula. Estou empenhado na campanha
para presidente. Lula e José Alencar poderão mudar
todo o aspecto do Brasil nessa turbulência que estamos
vivendo. Nesse acordo que foi feito com o FMI, o Brasil, na palavra
do presidente da República, precisa respirar oxigênio,
mas nós queremos que o Lula, chegando à Presidência,
possa mudar esse modelo econômico, abrindo fronteiras no
País". Lula disse que dos três ex-presidentes
vivos, tem o apoio de dois: Itamar Franco e José Sarney.
"Sinto orgulho de ter apoio de dois ex-presidentes. O outro
(Fernando Collor de Mello, atualmente candidato a governador
de Alagoas) eu não sei o que vai fazer da vida e nem quero
saber".
Petista desconversa
sobre declaração de Maluf
Sobre o apoio do ex-governador Paulo Maluf à sua candidatura,
Lula disse que está atrás dos votos de todos os
brasileiros que quiserem ajudar o Brasil. Enquanto Itamar Franco
acompanhava Lula na capital, em Diamantina, a cerca de 280 quilômetros
de Belo Horizonte, uma faixa dava bem a tradução
da salada que é a política mineira. Dizia: "Aécio,
Ciro, Brant", um do PSDB, outro do PPS e o terceiro do PFL.
As vaias também não escolheram partido. O vice
José Alencar, do PL, foi vaiado quando seu nome foi chamado,
bem como o prefeito Fernando Pimentel, do PT. Num comício
improvisado na Avenida Afonso Pena, Lula disse que somente ele
falaria, "para não perder os votos dos que estavam
presos no engarrafamento". Cerca de 5 mil pessoas acompanharam
a passeata de Lula pela avenida, embora o candidato tenha ficado
o tempo todo em cima de um veículo. No discurso, Lula
disse que a campanha está começando agora e no
tempo que falta tem de ocupar cada metro quadrado do País
para garantir mais votos. Ele elogiou a prefeita de São
Paulo, Marta Suplicy, que deixa o cargo toda sexta-feira para
andar pelo País afora pedindo votos para Lula.
Rita faz
campanha em fábrica
São Paulo - O entusiasmo da deputada Rita Camata (PMDB-ES),
candidata a vice-presidente na chapa de José Serra, parece
inesgotável. Ontem ela foi pedir votos numa porta de fábrica
na periferia de Guarulhos, cidade da região metropolitana
de São Paulo. Estava tão animada que confundiu
o repórter com um eleitor indeciso e ao vê-lo aproximar-se
não teve dúvidas: "Ei, sou Rita Camata, candidata
a vice-presidente na chapa de José Serra (PSDB)..."
No instante seguinte o repórter já havia recebido
um aperto de mão, um afago no ombro e o folheto, com uma
foto da candidata: tão simpática, sorridente e
elegante quanto a própria, ali, ao vivo, sob o sol forte,
numa rua estreita, empoeirada e de aspecto desolador.
Ela esperava a saída das costureiras da Trifil, umas das
principais indústrias brasileiras de meias de náilon
para mulheres. Por volta da uma da tarde, quando terminou o turno
iniciado às seis da manhã, e as operárias
começaram a sair, Rita ficou ao lado do portão,
apertando mãos e se apresentando. A maior parte - cujos
salários variam entre R$ 400 e R$ 500 - nem sequer a olhava
no rosto. Elas saíam às pressas, intimidadas com
a inesperada aparição da candidata e de sua entourage
- cabos eleitorais munidos de farto material publicitário
e acompanhados por um carro de som. Rita parecia acostumada àquela
reação: "Nas campanhas para deputada, sempre
pedi voto em fábrica. Eu gosto."
As poucas costureiras que se detinham um pouco ganhavam afagos
e ouviam a candidata dizer que pretende cuidar principalmente
dos interesses das mulheres. Se tivesse mais tempo, Rita poderia
até dizer que continuará o que vem fazendo desde
1986 na Câmara: seus projetos são voltados sobretudo
para a defesa dos direitos da mulher e a proteção
da infância. "Quero fazer muito mais", dizia
ela.
Eram quase duas horas quando o portão de carga e descarga
da fábrica se abriu e dois executivos da Trifil apareceram
para cumprimentar Rita. Eles lhe ofereceram dois presentes, embrulhados
em papel laminado dourado: um par de meias de náilon e
lingerie. A candidata a vice saiu da periferia de Guarulhos para
o elegante Shopping Higienópolis, sempre bem disposta.
Antes de chegar à Trifil, ela pediu ao motorista para
parar ao lado de uma feira livre e desceu para cumprimentar eleitores.
Serra sai em
defesa de jato da Embraer
São Paulo - O presidenciável do PSDB, José
Serra, defendeu ontem o projeto do consórcio formado pela
Embraer na licitação para a escolha do novo avião
de caça para a Força Aérea Brasileira (FAB).
O presidente Fernando Henrique Cardoso deverá reunir o
Conselho de Defesa Nacional, na próxima semana, para decidir
qual das cinco empresas que participam da concorrência
internacional fornecerá para a FAB os novos caças
FX. O valor do contrato é de cerca de US$ 700 milhões.
De acordo com José Serra, a transferência de tecnologia
deve ser o critério fundamental para a escolha do novo
avião de caça da Força Aérea Brasileira.
"É claro que a Comissão de Seleção
deverá levar em conta outros aspectos das propostas, mas,
sem qualquer dúvida, esse ponto (a transferência
de tecnologia) deve ser o decisivo se queremos que nossa indústria
aeronáutica continue o processo desencadeado com a criação,
pela FAB, do Instituto Tecnológico da Aeronáutica,
em São José dos Campos,"reiterou.
O tucano lembrou o consórcio realizado, em 1979, pela
Embraer e a italiana Aermacchi para a fabricação
do caça AMX. Segundo ele, foi a transferência de
tecnologia imposta pelo acordo com a Aermacchi que ajudou a Embraer
a colocar o Brasil como o quarto País construtor de aviões
do mundo. O candidato disse, ainda, que sempre que viaja no jato
EBM-145, da Embraer, avalia quanto o Brasil está economizando,
pelo fato de estar produzindo este modelo. Além disso,
destacou o montante de cerca de US$ 3 bilhões que o País
arrecada anualmente com a venda desses aviões.
PDT e PTB gaúchos
pedem "integração" a Brito
Porto Alegre - O PDT e o PTB gaúchos apresentaram,
no fim da tarde de ontem, um pedido de "integração"
à aliança do candidato Antônio Britto (PPS-PFL-PT
do B-PSL) ao governo do Rio Grande do Sul. O requerimento inédito
foi recebido pelo corregedor substituto do Tribunal Regional
Eleitoral (TRE), Danúbio Edon Franco, que irá solicitar
a manifestação do Ministério Público
antes de submetê-lo ao órgão especial da
corte.
No pedido, considerado histórico pelos autores, vários
argumentos foram utilizados. O consultor jurídico da aliança
de Britto, Sérgio Porto, explicou que há previsão
na lei para que os partidos possam substituir candidaturas em
caso de renúncia, mas não ha veria norma explícita
para esta hipótese em caso de coligação.
Ele afirmou que este é um caso novo - pois PDT e PTB ficaram
sem candidato - e, por analogia, poderia ser aplicada a uma coligação
a substituição de uma candidatura que renunciou,
já que a le i é omissa neste ponto.
O presidente do PPS estadual, Nélson Proença, disse
que o sentido do pedido é formalizar o que já existe
em termos práticos entre os partidos e procurou reduzir
a importância de uma possível decisão favorável
do TRE no tempo que Britto terá na propaganda eleitoral
gratuita. "Mais importante que o tempo é termos a
formalização de nossa união", afirmou,
após a entrega do requerimento.
Depois de apresentar os argumentos ao corregedor do TRE, o presidente
do PDT gaúcho, Pedro Ruas, comunicou a adesão de
seu partido à campanha de Britto. A aproximação
de Britto com o PDT já tinha sido chancelada por um encontro
do presidente nacional da legenda, Leonel Brizola, com o candidato,
mas os dois lados sustentavam publicamente que ainda aguardavam
a aceitação de um programa de governo para finalizar
o entendimento. Ruas disse que Britto aprovou esta tarde as propostas
formuladas pelo PDT, que serão anunciadas hoje.
Polêmica
PPS nega mudança
com FMI
São Paulo - O assessor econômico do candidato
da Frente Trabalhista à Presidência, Ciro Gomes,
Mauro Benevides Filho, negou ontem que o ex-governador do Ceará
e ex-ministro da Fazenda pretenda propor mudanças no acordo
feito entre o Brasil e o Fundo Monetário Internacional
(FMI). Segundo Benevides, que participou de um debate realizado
pelo Conselho Regional de Economia em São Paulo, no encontro
que terá com o presidente Fernando Henrique Cardoso, na
próxima segunda-feira, Ciro dirá que não
adianta haver acordos conjunturais com o FMI, se não for
alterada a condução da política econômica.
De acordo com Benevides, Ciro entende que "é importante
que o mercado seja irrigado, mas que se não for alterada
a forma de como é conduzida a política econômica,
o Brasil terá que estar sempre recorrendo ao Fundo".
O assessor de Ciro disse, no entanto, que se o candidato da Frente
Trabalhista for eleito, ele pretende implementar a reforma tributária
já no início de seu governo. Benevides acrescentou
que o governo de Ciro poderá propor ao FMI, nas revisões
trimestrais do acordo, que a meta do superávit fiscal,
atualmente em 3,75 do PIB, seja reduzida, desde que a reforma
tributária proporcione superávites fiscais.
Outro ponto que Benevides fez questão de ressaltar, é
que a elevação da meta de superávit fiscal
de 3,5% do PIB para atuais 3,75% acabou resultando numa economia
forçada de R$ 8 bilhões, que poderiam estar sendo
aplicados na produção. Segundo o assessor, Ciro
mão pretende fazer uma auditoria da dívida externa.
Fundação em
campanha por voto consciente
São Paulo - Acostumados a mobilizar o público
em defesa das florestas e da biodiversidade, os ambientalistas
da Fundação SOS Mata Atlântica entram na
campanha política para pedir votos conscientes aos eleitores.
A partir de hoje e até 29 de setembro, às vésperas
das eleições, eles estarão em diversos locais
públicos, tentando explicar aos eleitores a importância
de votar em candidatos comprometidos com o meio ambiente, sem
citar nomes, nem endossar qualquer partido. O tema da campanha
é "Mata Atlântica - Vote para Proteger"
e o lançamento acontece no Parque do Ibirapuera, em São
Paulo, a partir das 13 horas.
A carência de uma frente parlamentar ambiental, ampla e
suprapartidária, na atual composição das
casas do Legislativo, vem dificultando a discussão de
temas tão complexos quanto fundamentais, como uma lei
de acesso, uso e proteção à biodiversidade;
um novo Código Florestal; instrumentos de proteção
ao conhecimento tradicional sobre fauna e flora ou de promoção
do desenvolvimento sustentável. O próprio projeto
de lei de proteção da Mata Atlântica, de
autoria do então deputado Fábio Feldmann, tramita
no C ongresso Nacional desde 1992, por falta de quem o monitore
e acompanhe. Ao entrar - finalmente - na pauta de votações,
antes do recesso parlamentar de julho, acabou retirado a pedido
do Executivo, que manifestou algumas dúvidas mesmo depois
do projeto ter circulado em todas as comissões, durante
dez anos.
"Mesmo em momentos onde foi possível evitar a derrota
do meio ambiente, como no caso das alterações ao
Código Florestal, propostas pela bancada ruralista, isso
só foi possível graças a um posicionamento
claro da sociedade civil, que congestionou o correio eletrônico
dos congressistas", conta José Sarney Filho, ex-ministro
do Meio Ambiente e candidato a deputado federal pelo PFL do Maranhão.
Como ministro, ele chegou a ser hostilizado no Congresso devido
a suas posições em defesa da preservação
ambiental.
Magistrados repudiam
insinuação de deputado
Joinville - As declarações do deputado
estadual Lício Mauro das Silveira (PPB), insinuando parcialidade
nas decisões judiciais sobre a guerra política
em Barra Velha, motivaram ontem um ato de desagravo da Associação
Catarinense de Magistrados (ACM). A entidade defendeu o juiz
local, Edson Luiz de Oliveira, e lamentou as acusações
do parlamentar. "São lamentáveis e repudiamos
tais afirmações. Em quase dez anos de magistratura,
o juiz sempre se destacou pela lisura e coragem", afirmou
o presidente da ACM, Rodrigo Collaço, que esteve em Barra
Velha acompanhado do presidente do conselho deliberativo da associação,
Ricardo Roesler.
Por decisão do Tribunal de Justiça do Estado de
Santa Catarina, foi cancelada a votação do relatório
que sugere a cassação do prefeito Walter Zimmermann
e de seu vice Luiz Pacheco de Souza, ambos do PFL. A decisão
atendeu ao recurso de vereadores cassados em junho. No relatório
que seria votado hoje, o prefeito e o vice são acusados
de ato de improbidade administrativa, como licitações
"dirigidas" e superfaturamento.
As declarações do deputado Lício ocorreram
depois de uma visita do prefeito Zimmermann e dos vereadores
cassados de Barra Velha à Assembléia Legislativa.
Os seis parlamentares, todos aliados do prefeito, perderam o
cargo devido à acusação de quebra de decoro
parlamentar, pois teriam formado um bloco e anunciado que votariam
somente de acordo com os interesses do Executivo. De acordo com
o presidente da Câmara, Eunildo dos Santos (PSDB), o bloco
estava abrindo mão da função de fiscalizar
o prefeito. Em uma sessão conturbada, seis suplentes assumiram
e votaram pela cassação dos titulares.
Os cassados recorreram e chegaram a retornar aos cargos, mas
a liminar foi derrubada e os suplentes serão reempossados
na sessão de hoje. O desembargador Dionízio Jenczak,
em decisão tomada ontem, entendeu que enquanto estiver
sub judice a sessão do último dia 9 - quando
foi colocado em votação, pela primeira vez, o relatório
da cassação - está suspensa a pauta,
isto é, o relatório não pode ser votado.
Se os vereadores cassados não retornarem à Câmara,
o prefeito e o vice devem ser cassados quando relatório
for votado. O presidente da Câmara promete recorrer da
decisão judicial nesta segunda-feira.
Reforma eleitoral não
basta, diz especialista
Florianópolis - A reforma da estrutura eleitoral no
Brasil é necessária, mas nem tudo o que ela propõe
pode realmente ser positivo para todas as classes sociais do
país. A conclusão é da professora da Universidade
de São Paulo (USP), Maria D'Alva Kinzo, uma das palestrantes
do último dia de debates do seminário "Dimensões
da Democracia Eleitoral", promovido pelo programa de pós-graduação
em Sociologia Política da UFSC, que encerrou ontem, na
Capital.
PhD em Ciência Política pela Universidade de Oxford
e autora de vários livros sobre o tema, Maria Kinzo acredita
que o voto facultativo, uma das propostas da reforma eleitoral
no Brasil, poderá provocar a longo prazo uma maior alienação
política da população, pois muitos não
irão mais às urnas para eleger seus governantes.
"Sem a participação do povo, a elite poderá
deixar de prestar contas a boa parte da população
que a elegeu, já que a participação nas
urnas será mais restrita".
Como exemplo da falta de interesse popular pelas eleições,
a professora citou uma pesquisa desenvolvida pela USP na qual
apenas 25% dos entrevistados soube responder a que partido pertence
o presidente Fernando Henrique Cardoso. "Há poucos
partidos que conseguem deixar sua marca para o eleitor. Isso
porque muitos deles sequer têm uma característica
fácil de entender e porque os candidatos vivem migrando
de partido para partido. Não é à toa que
as legendas não tenham raízes com seus eleitores",
comenta.
Na avaliação de Maria Kinzo, o financiamento público
das campanhas eleitorais tende a equilibrar o pleito, embora
possa não causar o "efeito moralizante" que
é esperado. Os debates contaram com a presença
também do desembargador presidente do Tribunal Regional
Eleitoral, Anselmo Cerello, representantes do Ibope e da Universidade
de Brasília. O seminário encerrou à tarde
com o lançamento do livro "A Esquerda Presta Contas
- Comunicação e Democracia nas Cidades" (Editora
da UFSC), do professor Paulo Fernando Liedtke.
Justiça
Condenado ex-prefeito
Timbó - O juiz da 2ª Vara Civil e Criminal de
Timbó, José Agenor Aragão, condenou o ex-prefeito
Juvêncio Slomp a cumprir quatro anos e seis meses de reclusão
e o inabilitou para exercer cargos públicos eletivos pelo
prazo de cinco anos. A sentença consta na ação
penal nº 07395000483-1 de 23 de julho. Slomp é acusado
de falsificação de documentos públicos,
falsidade ideológica e supressão de documentos
da prefeitura. Junto com o ex-prefeito, foram condenados também
Vítor Zatelli, Gilmar Dalpiaz, Nelson Faria e Aparecido
Quaresma da Silva. Os demais receberam penas de dois anos e seis
meses a dois anos e quatro meses.
O juiz conta que os réus agora poderão recorrer
da sentença e, por isso, não serão detidos.
O nome do ex-prefeito está envolvido em 26 ações
de natureza civil, criminal, embargos, execuções
e instrumentos de agravo, seja como réu ou como autor.
Há dois anos, Slomp foi beneficiado com a prescrição
de uma ação em que respondia pela compra de equipamentos
sem licitação. Há processos contra o ex-prefeito
correndo na 1ª Vara Civil e Criminal de Timbó, no
Tribunal Regional Federal e no Tribunal de Contas do Estado.
Na primeira vara ainda correm duas ações civis,
nas quais o réu será obrigado, se julgado culpado,
a devolver aos cofres públicos recursos usados indevidamente.
Amin 1
Em mais um ato antipedágio realizado ontem pelo comitê
de campanha de Esperidião Amin, os militantes distribuíram
um panfleto intitulado "Compare os times" justamente
em Ilhota, onde o governo anterior queria instalar um posto para
cobrança de pedágio. O panfleto compara as propostas
dos dois governos e, claro, pede o voto para a reeleição
de Amin.
Amin 2
Seguido de outros candidatos de sua coligação,
o governador visitou também a cidade de Gaspar, onde participou
de uma caminhada pelo centro da cidade e se encontrou com microempresários
na Associação de Micro e Pequenas Empresas de Blumenau.
No encontro, Amin defendeu o programa Simples, qualificado como
"um prêmio à adimplência".
Aliança
foi consolidada na inauguração de comitê
pró-Ciro
Florianópolis - Em três depoimentos, durante
a inauguração do segundo comitê do presidenciável
Ciro Gomes (PPS) na Capital, ontem, um novo quadro eleitoral
no Estado foi desenhado. O deputado estadual Ivan Ranzolin (PPB)
marcou presença "oficial" em nome de seu partido,
"com todo o respeito aos que ainda não aderiram a
esta aliança". O secretário nacional do PDT
e um dos coordenadores nacionais da campanha da Frente Trabalhista
(PDT-PPS-PTB), Manoel Dias, declarou o apoio de seu partido às
candidaturas majoritárias da coligação Santa
Catarina Melhor, pedindo "o empenho dos companheiros para
eleger o governador (Esperidião) Amin, o senador Paulinho
Bornhausen e o Hugo Biehl". E o senador Jorge Bornhausen,
presidente nacional do PFL, considerando a eleição
presidencial "campanha de uma causa só", conclamou
Ranzolin a ser "o pastor incumbido de conduzir o rebanho
(do PPB), para podermos ganhar no segundo turno".
O ato, com marcante predominância da militância pedetista,
teve como mestre de cerimônia a secretária estadual
do partido, Paulinha de Souza, que deu clima já na abertura
falando da "energia quase invisível em torno do presidente
que o Brasil já escolheu". Juarez Furtado, presidente
estadual do PTB, também enalteceu Ciro, "que tem
perfil que a gente quer". Ranzolin, o terceiro orador, lembrou
que "todos terão que se integrar no segundo turno".
O coordenador estadual da campanha presidencial pelo PDT, Sandro
Alencar, começou elogiando Bornhausen e terminou atacando
o governo Fernando Henrique, dizendo que "quantias monumentais
estão sendo desviadas sob os tapetes do Palácio
do Planalto".
O Senador Geraldo Althoff (PFL) disse que todos estavam reunidos
em "mais um exercício de cidadania", e destacou
a importância de Manoel Dias e Bornhausen para consolidarem,
desde o início de julho, a aliança em favor de
Ciro no Estado, ampliando-se nacionalmente, "com o PFL se
integrando aos timoneiros da Frente Trabalhista". A integração,
segundo Dias, tem sido atribuída por Ciro como "o
momento em que a eleição pode ter se definido,
a partir de Santa Catarina". Jorge Bornhausen, por sua vez,
defendeu a união de forças como "uma causa
grande, para a qual não há muros", e considerou
o presidenciável como o "candidato que tem liberdade
para governar".
O líder pefelista, último orador, considerando
a eleição nacional bipolarizada com Luiz Inácio
Lula da Silva (PT), fez ainda questão de conclamar os
militantes e candidatos dos partidos representados na inauguração
do comitê a se engajarem na campanha, especialmente a partir
do segundo turno. "Nossos adversários também
irão se unir e trabalhar muito". Em sua avaliação,
Ciro avança e pode até ganhar o primeiro turno
no Estado.
Bornhausen
contra minirreforma
O presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen, deu
ontem o indicativo de que seu partido não pretende apoiar
qualquer iniciativa no Congresso para encaminhar uma minirreforma
tributária antes das eleições. Para ele,
"até é possível" votar o projeto
de lei que altera a cobrança de impostos como o PIS e
o Pasep, desonerando as exportações, "desde
que outros setores não acabem prejudicados, como o agroindustrial".
Já a reforma, avalia, "deve ser a do candidato vitorioso".
"Cada um tem uma proposta, então uma reforma constitucional
desse porte deve ficar para depois". O senador entende que
a matéria pode ser votada ainda neste ano, "encaminhada
em novembro, e se necessário o Congresso pode ser convocado
extraordinariamente até em janeiro". Sobre a proposta
do candidato Ciro Gomes, diz que "contempla a modernidade,
retirando a cobrança de impostos em cascata". Mas,
prefere não se aprofundar. "Não sou um especialista",
admite.
Considerando "um gesto civilizado" a convocação
dos principais candidatos pelo presidente Fernando Henrique Cardoso
"para destacar o acordo com o FMI (Fundo Monetário
Internacional), se existe alguma coisa que deve ser dita sem
a exposição à mídia", Bornhausen
entende que também ficou evidenciada a constatação
que o candidato do governo não será vitorioso.
Assediado por telefonemas de políticos e empresários
que querem articular apoios em torno da candidatura do presidenciável
Ciro Gomes (PPS), Bornhausen avaliou que ao menos 70% de seu
partido está com o candidato, mas adianta que, após
o primeiro turno, fará uma convocação: "A
totalidade do PFL irá se integrar à campanha".
Ele também rebateu comparações de Ciro com
o ex-presidente Fernando Collor. "Como conheço o
Collor e o Ciro, posso dizer com autoridade que não há
semelhança nenhuma".
Frente Popular pede
revisão de portaria do TRE
Florianópolis - A coligação Frente Popular
(PT/PL/PC do B/PMN) impetrou nesta semana representação
contra portaria publicada no último dia 8 pela Coordenação
de Fiscalização de Propaganda, do Tribunal Regional
Eleitoral (TRE/SC), que restringe a colocação de
placas em locais onde houver bens tombados, vias de trânsito
rápido e locais turísticos. A portaria foi baseada
no fato de que esses cartazes provocam poluição
visual em áreas que devem ficar protegidas por serem consideradas
de preservação histórica, cultural e paisagística.
A princípio, a medida vale apenas para a Capital, mas,
dependendo do desfecho desse caso específico, poderá
vir a ser estendida para o restante do Estado.
Integrantes da Frente Popular consideram que a exigência
da Justiça Eleitoral é abusiva e prejudica os candidatos
com menos recursos financeiros, os quais se valem apenas das
placas como forma de divulgação da candidatura.
No entanto, a Coordenação de Fiscalização
do TRE argumenta que a portaria é válida e não
desobedece a legislação federal, pois Tribunais
Regionais de outros Estados (como Alagoas e Minas Gerais, por
exemplo) tomaram medidas semelhantes em relação
à restrição de propaganda eleitoral em locais
públicos.
Comissão
tucana recomenda
expulsão de Cezar Ramos
Joinville - O diretório municipal do PSDB em
Joinville marcou para a próxima quinta-feira a reunião
extraordinária para decidir o futuro do secretário
estadual de Justiça e Cidadania, Paulo Cezar Ramos de
Oliveira. O parecer produzido por uma comissão de tucanos
recomenda a expulsão de Ramos de Oliveira do partido,
sugestão que deverá ser acatada na reunião.
Pelos estatutos do PSDB, o secretário pode recorrer da
decisão, em caso de expulsão, ao diretório
estadual, e, posteriormente, à executiva nacional.
Integrante do primeiro escalão do governo Esperidião
Amin (PPB), Ramos de Oliveira não aceitou a decisão
de entregar o cargo quando o PSDB fechou aliança com o
PMDB para a disputa do governo do Estado. O secretário
tentou se licenciar do partido durante a campanha eleitoral,
mas não teve o pedido aceito pela executiva estadual.
"Nossa recomendação sempre foi que entregasse
o cargo", diz o secretário-geral do PSDB/SC, Jacó
Anderle.
Compromisso
O prefeito de Joinville e presidente do PSDB em Joinville,
Marco Tebaldi, garante que o secretário nunca desempenhou
atividades partidárias no PSDB e sua insistência
em permanecer no governo Amin deve ser punida com a expulsão.
"O PSDB tem um compromisso com o PMDB, definido em convenção.
Isso precisa ser respeitado", alegou Tebaldi no início
de julho.
A assessoria do secretário confirmou que Ramos de Oliveira
foi notificado ontem da reunião extraordinária
do PSDB de Joinville. Como o secretário estava viajando
durante toda a tarde de ontem, não foi localizado pela
reportagem para dar a sua versão dos fatos. No entanto,
é dado como certo que Ramos de Oliveira, se de fato for
expulso, deve recorrer.
Rede Peperi
promove ciclo de debates
São Miguel do Oeste - A Rede Peperi de Comunicação
começa, a partir de hoje, um ciclo de debates envolvendo
os candidatos a deputado estadual, federal, ao Senado e ao governo
do Estado. Segundo avaliação dos próprios
promotores, o programa deve atingir cerca de 500 mil pessoas,
através de cadeia entre as cinco emissoras do grupo. O
primeiro debate será transmitido hoje, das 8 às
10 horas, com os pretendentes à vaga de deputado estadual
Herneus De Nadal (PMDB), Murilo Silva (PPS), Pedro Baldissera
(PT) e João Rodrigues(PFL). As assessorias confirmaram
a presença dos três candidatos.
No dia 24 de agosto mais uma rodada contará com a participação
de outros cinco candidatos à Assembléia Legislativa,
todos vinculados de alguma forma à região Oeste
do Estado. No dia 31 de agosto será a vez dos aspirantes
ao Senado.
O debate mais esperado vai ocorrer no dia 14 de setembro, reunindo
os seis postulantes ao governo do Estado. Para ouvir os candidatos
à Câmara Federal, o programa foi dividido em duas
etapas: dias 21 e 28 de setembro. O debate, mediado pelo jornalista
Ageu Vieira, terá perguntas formuladas pela produção
da emissora e também de candidato para candidato. O formato
do programa segue o padrão de outros realizados no País.