Joinville         -          Quinta-feira, 22 de Agosto de 2002         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

ANotícia  




 




Foto: Divulgação

Festa editorial

Academia Catarinense de Letras promove hoje quatro lançamentos de livros em noite que promete fazer história

Carla Pessotto

Florianópolis - A noite de hoje promete reunir a elite literária de Santa Catarina durante o lançamento de quatro livros de membros da Academia Catarinense de Letras (ACL). Destes, três estão sendo editados pela instituição: "A Estrela da Tempestade", de Almiro Caldeira; "O Espiritualismo de Bergson", de Edy Leopondo Tremel; e "A Palavra e o Livro", de Hoyêdo G. Lins. Por último, também será lançada segunda edição de "Singradura" (Editora Movimento), de Flávio José Cardozo.
"Será o principal evento da academia este ano", resume o presidente Paschoal Apóstolo Pítsica. Foram enviados 1,8 mil convites, e o acadêmico acredita que pelo menos 500 convidados irão comparecer. Segundo ele, a grande presença está relacionada à qualidade dos trabalhos literários e de seus autores. "Esses escritores representam, cada um em seu estilo, o que há de melhor na ACL e na literatura catarinense", argumenta.
Um dos lançamentos mais esperados é a segunda edição de "Singradura", que marcou a estréia literária de Flávio José Cardozo em 1970 e que estava esgotado há muito tempo. Neste título estão reunidos 20 contos, com a maioria narrando histórias ambientadas na Ilha de Santa Catarina, universo ficcional preferido pelo escritor. Também estão ali "Longínguas Baleias", "Santa Amelinha" e "Olindona", com os quais ganhou o 1º Concurso Nacional de Contos do Paraná, em 1968. Entre as principais características da obra estão o lirismo das histórias e a brevidade dos relatos.
No estilo romance, o destaque é para "A Estrela da Tempestade", de Almiro Caldeira. Na nova obra, mantém a mistura de fatos históricos com ficção, desta vez abordando a Revolução Farroupilha, com a aventura amorosa vivida por Giuseppe Garibaldi e a guerreira catarinense Anita. Caldeira iniciou na literatura em 1958 com o romance "Rocamaranha" e desde então produziu outros nove títulos. É deão da ACL, onde ingressou em 1959 e dez anos depois assumiu a presidência.
Contista, cronista e ensaísta premiado, Hoyêdo G. Lins reuniu seus ensaios, dissertações e prefácios em "A Palavra e o Livro", o seu 14º trabalho. Advogado e administrador, Lins tem farto material a apresentar, já que vem mantendo um ritmo constante de produção, segundo Pítsica. Já Edy Leopoldo Tremel utilizou sua experiência filosófica em "O Espiritualismo de Bergson", em que aborda questões do espiritismo. Gaúcho de Rio Grande, assumiu tão bem os costumes e tradições do povo ilhéu que foi eleito para a presidência do Senadinho, ponto de encontro de figuras tradicionais da Capital.
Cada livro tem custo individual de R$ 15,00, mas a ACL montou um kit com os quatro títulos que custa R$ 45,00 e inclui ainda a edição de 2002 da Revista da Academia, recém-editada.

O QUÊ: Lançamento dos livros SINGRADURA, de Flávio José Cardozo; A ESTRELA DA TEMPESTADE, de Almiro Caldeira; O ESPIRITUALISMO DE BERGSON, de Edy Leopoldo Tremel; e A PALAVRA E O LIVRO, de Hoyêdo G. Lins. QUANDO: Hoje, às 19h.
ONDE: Academia Catarinense de Letras, no Centro Integrado de Cultura (CIC), av. Irineu Bornhausen, 5.600, Agronômica, Florianópolis, tel.: (48) 333-2166.
QUANTO: R$ 15,00 (cada livro) e R$ 45,00 (kit com os quatro).


Cultura popular
é discutida na Ilha

Quarta edição do Encontro das Nações, que começa hoje, em Florianópolis, inclui debates sobre folclore e direitos autorais

Florianópolis/Joinville - O 4º Encontro das Nações - Brasil de todos os Tons, que inicia hoje, no largo da Alfândega, em Florianópolis, traz também para a capital catarinense, além de grupos foclóricos de todo o Brasil, especialistas da Organização Mundial da Propiedade Intelectual (OMPI) e Ministério da Cultura. Eles participam, com representantes da Prefeitura de Florianópolis, do 2º Seminário Internacional do Conhecimento Tradicional, Folclore e Artesanato, cujas conferências acontecem hoje e amanhã, no auditório Juiz Luiz Carlos de Castro Paiva, da Justiça Federal de Santa Catarina (antigo Cine Cecomtur).
As atividades do encontro enfocam a relação dos aspectos tradicionais da cultura popular, proteção do artesanato e propriedade intelectual, direitos autorais, direitos morais e patrimoniais do folclore, exploração comercial e integridade das manifestações populares, experiências e perspectivas.
Gratuitas, as inscrições estão abertas a educadores, artistas, estudantes, profissionais de turismo, artesãos, folcloristas, pesquisadores, produtores culturais, gestores e secretários de cultura, diretores e presidentes de fundações culturais, jornalistas e a qualquer pessoa interessada.
O livro "Folclore Catarinense" (EdUFSC, 224 páginas), que será lançado hoje pela Editora da Universidade Federal de Santa Catarina (EdUFSC), no largo da Alfândega, em Florianópolis, é o resultado do trabalho de um pesquisador apaixonado: Doralécio Soares, pernambucano que dedicou boa parte da sua vida à valorização da cultura do Estado que o acolheu. Nem mesmo os folcloristas catarinenses, com exceção de Franklin Cascaes, foram tão longe e tão fundo na pesquisa, no resgate e na preservação da cultura catarinense. O lançamento integra a programação do 4º Encontro das Nações/Brasil de todos os Tons.

Trajetória

Doralécio, presidente da Comissão Catarinense de Folclore desde 1970, nasceu no dia 23 de outubro de 1914. Foi professor da antiga Escola de Aprendizes e Artífices, atual Escola Técnica Federal de Santa Catarina. Como fototécnico, tem especialização em fotografia, fotogravura de offset. Atuou no jornalismo, na função de redator do jornal "O Estado" (1965/1970). Publicou várias obras, entre elas "Florianópolis Turístico", "Aspectos do Folclore Catarinense", "Folclore Brasileiro: Santa Catarina", "Boi-de- mamão Catarinense", "Rendas e Rendeiras da Ilha", que teve destaques autorizados para as enciclopédias Britânica e Barsa, e "Valentes e Valentões". Pela EdUFSC, publicou "Folclore Catarinense", coletânea que dá o mais completo panorama sobre o folclore barrigaverde.
Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, Doralécio Soares publica também, anualmente, o boletim da Comissão Catarinense de Folclore. Atualmente, está concluindo o livro "O Imigrante Italiano, sua Música, seus Costumes, seu Folclore".

O QUÊ: 4º Encontro das Nações - Brasil de Todos os Tons. QUANDO: De hoje até domingo. ONDE: Largo da Alfândega, centro, Florianópolis. QUANTO: Gratuito.

O QUÊ: 2º Seminário Internacional do Conhecimento Tradicional, Folclore e Artesanato. QUANDO: Hoje, das 9h45 às 18h, e amanhã, das 8h30 às 17h. ONDE: Auditório Juiz Luiz Carlos de Castro Paiva, da Justiça Federal de Santa Catarina (antigo Cine Cecomtur), rua Arcipreste Paiva, 107, centro, Florianópolis. QUANTO: Gratuito. Inscrições e informações no tel.: (48) 324-1415, ramal 210, ou na sede da Fundação Franklin Cascaes (Forte de Santa Bárbara, rua Antônio Luz, nº 260, centro).

O QUÊ: Lançamento do livro Folclore Catarinense, de Doralécio Soares. QUANDO: Hoje, às 18h30. ONDE: Largo da alfândega, centro, Florianópolis, QUANTO: R$ 26,00.


NOVA MPB NA ILHA

Representante da nova música popular brasileira, a cantora maranhense Rita Ribeiro é a atração de hoje, às 23 horas, na casa noturna Latitude, em Florianópolis. No show, ela intepreta músicas dos três discos de sua carreira. Com um repertório marcado por composições de gente como o conterrâneo Zeca Baleiro e Chico César, só para citar exemplos de músicos que traçaram um caminho semelhante ao da intérprete, Rita aposta nos ritmos de clara influência sonora do Nordeste, como as emboladas e o reggae do Maranhão. Os ingressos antecipados, a R$ 10,00, estão à venda nas Óticas Guanabara e lojas O Boticário do centro, Beiramar Shopping e Shopping Itaguaçu. O Latitude está localizado na estrada geral da Barra da Lagoa, 365, Lagoa da Conceição, tel.: (48) 234-2420.


Escola promove
oficinas de técnica vocal

Joinville - Técnicas vocais aplicadas à música popular brasileira e ao louvor são o enfoque das oficinas oferecidas pelo Conservatório Belas-artes de Joinville nos dias 30 e 31 de agosto, no Shopping Cidade das Flores. Os participantes das duas oficinas se apresentam às 17 horas do dia 31 na quarta edição do Palco Alternativo, que também reúne alunos da escola e acontece no estacionamento do shopping.
A oficina de música popular brasileira trará informações sobre as técnicas utilizadas pela música popular brasileira (MPB), além de exercícios para amplificar a capacidade vocal. Duas professoras da própria escola conduzem a oficina. No dia 31, à tarde, os participantes ensaiam para a apresentação no palco alternativo.
A oficina de louvor é voltada para cristãos interessados em desenvolver o canto como forma de adoração a Deus. Além das aulas ministradas por professoras do conservatório, os participantes terão aulas, na manhã do dia 31, com a ministra de louvor e adoração Giana Abdon.

Apresentação

Os participantes das duas oficinas apresentam músicas no Palco Alternativo, cuja última edição foi em dezembro do ano passado. No palco, alunos da escola, bandas e músicos de Joinville e região têm apoio técnico e espaço livre para as apresentações. Nessa edição, o espaço é reservado para os participantes das oficinas da voz e demais alunos do conservatório.

O quê: Oficinas de técnicas vocais. Quando: 30 e 31 de agosto. Onde: Conservatório Belas-artes, Shopping Cidade das Flores, rua Mário Lobo, 106, centro, Joinville, tel.: (47) 422-1816. Quanto: R$ 5,00 (alunos)/R$ 10,00 (não-alunos). Informações: (47) 422-1816.


Sidnei Duarte
lança CD de estréia

Música popular brasileira domina repertório de "Divisor de Águas", primeiro disco de Sidnei Duarte

Gilvan de França
Especial para o Anexo

Criciúma - Definindo como um filho que teve uma gestação de cinco anos, o músico criciumense Sidnei Duarte, 40 anos, desde 1981 atuando profissionalmente, lança hoje o CD "Divisor de Águas". O evento acontece no Bar Feira do Engenho, em Termas de Gravatal. Ao contrário da maioria dos músicos que lançam discos, sua intenção não é fazer sucesso e estar nas paradas das rádios. Sem nenhum tipo de patrocínio ou parcerias, o álbum é resultado de muito trabalho nos bares da região Sul, onde Sidnei toca violão e canta música popular brasileira (MPB).
As composições registram momentos diversos da vida do autor e da própria sociedade. Sua própria história e da gravação do CD, revela Sidnei, estão contidas em "Marcas": "Quando ainda havia um túnel/ E quem sabe ao fim a luz/ Escolhi andar no escuro/ Pra ocultar a minha cruz/ Passei pelo teste sozinho/ Eu sobrevivi/ Eu arranquei os espinhos? Eu beijei o abismo? Fiz meu próprio batismo/ Tenho as marcas".
Não se considerando um cantor, mas um intérprete, o músico define a própria voz como "mal resolvida", mas não se considera o único. "Caetano, Chico Buarque, Cazuza, Raul Seixas, entre tantos outros, também são ou eram assim", enfatiza Duarte. Seu estilo preferido é a MPB, mas no CD não deixou de fora as influências do passado, quando atuou em bandas de rock, e do repertório que executa nos bares. "Tem de tudo, de chamamé a rap, passando por samba e, claro, MPB", comenta.
Sem patrocínio algum, lembra Sidnei, gravar o CD foi uma tarefa árdua. "Toquei de terça a sábado, durante anos, deixei de comprar roupas, de fazer a manutenção do carro para atingir esse objetivo, mas me sinto recompensado e, com certeza, quem gosta de ouvir boa música tem um CD para comprar", comemora.

O quê: Lançamento do CD Divisor de Águas, de Sidnei Duarte. Quando: Hoje, às 21h. Onde: Bar Feira do Engenho, rua Hélio Agostinelli, 100, Termas de Gravatal, tel.: (48) 648-2706. Quanto: R$ 15,00.

Manchetes AN

 Das últimas edições de Anexo
21/08 - Ser escritor no Brasil é uma espécie de tragédia
20/08 - Na carona da fama
19/08 - Espiritualidade sem religião
18/08 - No patamar da pintura brasileira
17/08 - Três cantores de SC estão no Concurso Bidu Sayão
16/08 - O rei do rock'n'roll
15/08 - Hahnemann retrata Joinville

Leia também

Arte e
estranhamento

Florianópolis - Uma mostra que mistura vários materiais e suportes e que se propõe a ser uma espécie de investigação sobre o branco, não enquanto cor, mas como matéria/experiência/conceito. São obras dentro dessa proposta que integram a Espaços em Branco, série de trabalhos que a artista plástica Raquel Stolf apresenta a partir de hoje, na sala de exposições temporárias do Museu Vítor Meireles. Em suas criações, ela instiga o espectador já a partir dos nomes sugestivos como esquecimentos, interruptor, invisível a ovo nu e i. a. o. n., por exemplo.
Reunindo trabalhos de caráter conceitual, a mostra é, segundo a artista, "uma fatia" de outra, maior, que ela montou na Pinacoteca do Estado de São Paulo. Raquel esclarece que, enquanto "livro sem sentido", "invisível a ovo nu" e "plena pausa" trabalham a questão da palavra, do livro de artista e da instalação/intervenção. "Busco construir intersecções e/ou relações de estranhamento entre o branco (branco enquanto cheio, que veda, cega e obnubila), o em branco (o branco enquanto vazio, lacuna, subtração) e o deu-o-branco (o branco enquanto interrupção de sentido, instante suspenso de não-saber, ruído-silêncio)", afirma Raquel.

O QUÊ: Exposição ESPAÇOS EM BRANCO, de Raquel Stolf. QUANDO: De hoje a 10 de outubro, de terça a sexta, das 13 às 18h, e sábados, domingos e feriados, das das 15 às 18h. ONDE: Museu Vítor Meireles, rua Vítor Meireles, 59, centro, Florianópolis, (48) 222-0692. QUANTO: R$ 2,00.


A festa do
pop nacional

MTV transmite ao vivo, hoje à noite, o Video Music Brasil

Rodrigo Teixeira
TV Press

Rio de Janeiro - A MTV transmite hoje, às 22 horas, o Video Music Brasil, com uma certeza: o evento é a produção mais importante da emissora. Além do VMB ser o pico de audiência da MTV - algo em torno de 5 pontos de média no Ibope -, o retorno financeiro para a emissora é garantido. Este ano, a MTV desembolsou, por exemplo, R$ 8 milhões para realizar a premiação anual dos melhores videoclipes nacionais. Mas, entre janeiro e março de 2002, já havia vendido as cinco cotas nacionais de patrocínio estipuladas em R$ 2,6 milhões cada, além de embolsar também duas cotas regionais, em São Paulo, no valor de R$ 1,3 milhão. Como o VMB é a menina-dos-olhos da emissora musical, apresentar o evento acaba sendo uma função concorrida. A escolhida para comandar a festa deste ano do VMB é a VJ Fernanda Lima.
Para edição do VMB de 2002, a MTV pretende superar a marca de mais de 1 milhão e 700 mil votos da audiência do ano passado. São nove categorias indicadas pelo voto popular, que agora também vai poder votar através do celular. São 59 clipes brasileiros concorrendo em 15 categorias no total. Os artistas com maior número de indicações são Charlie Brown Jr. e O Rappa, com cinco cada.
Uma diferença da festa transmitida ao vivo do Credicard Hall, em São Paulo, vai ser as inserções gravadas para o evento. A MTV vai exibir esquetes de um minuto inspirados no reality show da matriz norte-americana "The Osbournes", que mostrou o dia-a-dia da família do roqueiro Ozzy Osbourne e se transformou na maior audiência da MTV em todo o mundo. A versão brasileira acompanhou por um dia as famílias do cantor Zezé di Camargo, do baixista Canisso, dos Raimundos, e do roqueiro Marcelo Nova. A maior expectativa, no entanto, é em torno da esquete gravada em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, com o cantor Caetano Veloso, que comemorava 60 anos na ocasião.
Para rechear a festa da premiação, a MTV promete alguns shows ao vivo. Caetano Veloso, por exemplo, vai se apresentar ao lado de Jorge Mautner. Em parceria inédita, os dois vão interpretar a música "Todo Errado", cujo videoclipe concorre nas categorias de MPB, direção e fotografia. A banda CPM 22, na disputa pelo melhor videoclipe de rock, revelação e edição, vai dividir o palco com Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura. Já o rapper Xis e a banda Charlie Brown Jr. também preparam números. O mais esperado, porém, é a homenagem a Cássia Eller, que faleceu no final de 2001. Acompanhado pela banda que pertencia à cantora, Nando Reis vai interpretar "O Segundo Sol", canção de sua autoria gravada por Cássia.
O final do evento, previsto para durar duas horas e meia, vai ficar a cargo dos humoristas do grupo Hermes & Renato. Além de algumas participações ao vivo durante o evento, onde prometem "azucrinar" a apresentadora, a trupe vai produzir uma espécie de videoclipe para o encerramento. Na verdade, vai ser uma sátira aos grupos de heavy metal, que extrapolam os efeitos especiais e possuem vocalistas com irritante timbre agudo.

 
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