Joinville         -          Sexta-feira, 23 de Agosto de 2002         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

ANotícia  




 




ATUAL
Nélson Rodrigues morreu em 1980, deixando uma obra instigante e integralmente identificada com a contemporaneidade
Foto: Arquivo/AN

90 anos do
gênio definitivo

Nélson Rodrigues é lembrado como o anjo pornográfico que escreveu sobre traição, taras, compulsões, fraquezas e violência

Jefferson Saavedra

Joinville ­ É uma simulação recorrente. O que estariam fazendo hoje os gênios do passado? Beethoven se aventuraria a um sintetizador? O que Einstein seria capaz de propor se tivesse em casa um micro com mais de 600 megahertz? Como reagiria Marx às interpretações que produzem de sua obra nas universidades? Ou Machado de Assis vendo Paulo Coelho ganhar uma vaga na academia que criou? Bom, ao que se propôs, Nélson Rodrigues foi definitivo. O dramaturgo, jornalista, polemista, romancista, contista, - não necessariamente nesta ordem - que hoje completaria 90 anos se problemas cardíacos não o tivessem levado em 1980, talvez não tivesse muito a acrescentar. Até hoje, ninguém desnudou tanto a intimidade humana.
Já definiram a obra de Machado de Assis como um "mundo que se mostra por dentro e se esconde por fora". Em Nélson Rodrigues, nada era escondido. O anjo pornográfico sempre soube que o desejo não muda. Desde que o método de conquista de uma mulher mudou de uma bordoada na cabeça dos adversários da tribo para o convite para rodízio de sopas - foram alguns séculos - o desejo de cada um segue o mesmo, inventem o que inventarem: religião para reprimir ou psicologia para explicar, a compulsão é a mesma.
Basta observar um capítulo de "Engraçadinha" em exibição na tela da Globo, a adaptação televisiva do romance "Asfalto Selvagem", publicado aos pedaços no extinto "Última Hora" entre 1959 e 1960. A maioria tenta e consegue se controlar, por maiores que sejam as pressões dos hormônios, instinto animal, ou seja lá a denominação que queira se dar. Nélson escrevia sobre os que não resistiam. E suas lutas para se manter dentro dos limites da moral, aquilo que inventaram para todo mundo parecer decente. "Se todos conhecessem a intimidade sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém", dizia.
Por isso o fascínio pela obra de Nélson. Traição, taras, compulsões, fraquezas, frustrações, violência. E todo mundo ainda lê ou assiste sua produção com um certo espanto, um ar de "como é que pode?!". É muito cinismo.


Uma
vida rodriguiana

Nascido em Recife, Nélson Rodrigues passava a ser carioca aos quatro anos: enfrentando problemas políticos, o pai teve de se mudar para o Rio de Janeiro. Quinto dos 14 filhos do jornalista Mário Rodrigues, Nélson começou a trabalhar aos 13 anos, como repórter policial. Já era um veterano. Aos nove anos, apresentou uma redação na escola. No texto, um homem pede perdão ao cadáver da mulher adúltera, assassinada a faca por ele mesmo. Com 14 anos, Nélson começava sua vida sexual. Com profissionais, é claro.
A sucessão de tragédias começou ainda nos anos 20. O jornal do pai de Nélson irritou uma socialite com uma matéria sobre desquite. Indignada, entra na redação de "Crítica" e mata o irmão de Nélson, Roberto, com um tiro. O pai não resiste à perda e morre de infarte dois meses depois. Desgraça pouca sempre é bobagem. Getúlio Vargas toma o poder, e "Crítica" é fechada em 1930. Somente no ano seguinte, os irmãos Rodrigues conseguem emprego em "O Globo" de Roberto Marinho. Além de Nélson, trabalhavam Mário Filho e Joffre. Foi uma época em que Nélson só tinha um terno. E os problemas de saúde - tuberculose - começavam a aparecer.
Nélson casou-se com Elza, uma colega de "O Globo", em 1940. No ano seguinte, sempre sem dinheiro, começa a produção de peças de teatro. Somente a segunda peça, "Vestido de Noiva", ganha destaque. "Não conheço nada no teatro mundial que se pareça com isso", disse o diretor polonês Ziembinski. Ainda na década de 40, Nélson dava início à publicação de folhetins, com os pseudônimos como Suzana Flag e Myrna. Depois de perambular por vários jornais, estreava em 1950 a coluna "A Vida como Ela É...", no "Última Hora" de Samuel Wainer. A vida pessoal também era atribulada. Após várias amantes, inclusive com filhos, ele só separaria de Elza em 1963, para viver com Lúcia. Foi de Nélson a primeira novela de televisão, "A Morte sem Espelho". Nos anos 60, começa em "O Globo" as crônicas esportivas sobre o título "À Sombra das Chuteiras Mortais".
Anos 70, nova década, nova mulher, Helena, 35 anos mais jovem. Curiosamente, Nélson, um defensor da ditadura, teve de procurar os porões para tentar livrar o filho Nelsinho da tortura. Apesar de alvo do ódio da esquerda, se encarregou de ajudar a libertar vários amigos perseguidos pelos militares. Morreria em dezembro de 1980. (JS)


Belchior promove viagem
no tempo em Florianópolis

Cantor cereanse passeia por quase 30 anos de música em show, hoje, no Paula Ramos

Florianópolis - Autor de mais de 300 composições e com 26 títulos em sua discografia, Belchior faz show hoje à noite na Capital. A intenção é reunir o vasto repertório dos 30 anos de carreira e oferecer aos fãs uma viagem no tempo. De um geração surgida no auge da ditadura militar, o cantor conseguiu se diferenciar por carregar nas tintas românticas, tendo ao mesmo tempo um trabalho de caráter engajado e também com toques regionais.
Antonio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes nasceu em Sobral (CE), em 1946. Na infância, teve influência direta de cantores da época auréa do rádio como Ângela Maria, Cauby Peixoto e Nora Ney. Em casa, tinha um ambiente fértil para desenvolver a criatividade artística: os tios eram poetas boêmios, e a iniciação musical foi estimulada pela própria mãe. Na adolescência, estudou filosofia e humanidades e, mais tarde, abandonou e curso de medicina para viver exclusivamente da música.
Em 1974, lançou o primeiro disco, "Belchior a Palo Seco", e desde então teve um disco produzido anualmente (com exceção de 1983) até 1996. O ano de 1993 foi um dos mais férteis, com quatro álbuns: "Eldorado" (em espanhol), "Baihuno", "Geração Pop" e "Personalidade". O último CD sozinho foi "25 Anos de Sonho, de Sangue e de América do Sul". No início deste ano, lançou "Pessoal do Ceará", em conjunto com Amelinha e Ednardo.
No show de hoje, toda esta trajetória deve ser revivida através das clássicas "Medo de Avião", "Velha Roupa Colorida" e "Apenas um Rapaz Latino-americano", essa última a responsável pela conquista do sucesso no início da carreira. Além de intérprete, Belchior é um compositor consagrado, tendo músicas gravadas por Roberto Carlos, Elis Regina, Erasmo Carlos, Elba Ramalho, Engenheiros do Hawaii, entre outros.

O QUÊ: Show com o cantor BELCHIOR. QUANDO: Hoje, às 23h. ONDE: Paula Ramos Esporte Clube, rua Madre Bevenuta, 340, Trindade, Florianópolis, tel.: (48) 234-4100. QUANTO: R$ 20,00/R$ 10,00 (sócios).


Metal do Shaman é
atração em Balneário Camboriú

Joinville - Balneário Camboriú parece estar virando rota do metal brasileiro. Depois de receber o Angra, há algumas semanas, a cidade assiste amanhã a uma dissidência da famosa banda paulista: Shaman, grupo que conta com três integrantes originais do Angra. O rock também é atração em Joinville, onde hoje se apresentam os capixabas do Mukeka di Rato, ícones do punk nacional.
Depois de saírem do Angra, André Matos (vocal), Luís Mariutti (baixo) e Ricardo Confessori (guitarra) se reuniram em 2000 para formar o Shaman, que significa "curandeiro". Para completar o grupo, foi convocado o guitarrista Hugo Mariutti. Após tocar na Europa e na América Latina, o quarteto roda o Brasil apresentando as composições de seu primeiro disco, "Ritual". A abertura do show do Shaman fica por conta da Perpetual Dreams, banda de Blumenau que está desde 1995 na estrada e também faz a linha metal melódico.
O Mukeka di Rato sobe ao palco do Garage amparado pelas músicas de "Acabar com Você", seu terceiro disco, recém-lançado pela Läjä Records. Formado em 1995, em Vila Velha (ES), o quarteto toca um hardcore veloz e gritado, recheado de letras que ironizam as mazelas da sociedade. Na mesma noite tocam Sanchez e Ahotten, de Joinville, e Swallon the Wafle, de Balneário Camboriú.
Ainda em Joinville, mas no domingo, a banda curitibana Mr. Einstein retorna ao Rutana para tentar repetir o êxito de seus shows anteriores. O objetivo do grupo é colocar o público para dançar, abusando dos clássicos da disco music dos anos 70 e hits de astros do pop nacional.

O quê: Show com Mukeka di Rato, Swallon the Wafle, Sanchez e Ahotten. Quando: Hoje, às 22h30. Onde: Garage, rua dos Esportistas, 140, Itinga, Joinville. Quanto: R$ 7,00.

O quê: Show com Shaman e Perpetual Dreams. Quando: Amanhã, às 22h. Onde: Armazém Bar, av. Atlântica, 4.646, Balneário Camboriú. Quanto: R$ 15,00.

O quê: Show com Mr. Einstein. Quando: Domingo, às 22h. Onde: Rutana, rua Visconde de Taunay, 533, centro, Joinville, tel.: (47) 433-6796. Quanto: Não divulgado.


Os Berbigão
leva rock a Brusque

Brusque - A banda Os Berbigão, de Florianópolis, se apresenta hoje, pela primeira vez, em Brusque. O show será no Bar Hocus Pocus, da Boate Mandrake. No repertório, blues e rock' n' roll de artistas consagrados, como The Doors, Creedence, Eric Clapton, Little Richard, Rolling Stones, Beatles, Elvis Presley e Bob Dylan, além de composições próprias do CD "Durante Abril", lançado no final do ano passado. A performance energética do quarteto ilhéu contribui para tornar o espetáculo ainda mais dançante e menos nostálgico.
A banda formada por Maurício Peixoto (guitarra, voz e violão), Marcelo Peixoto (bateria), Daniel Bez (baixo) e Luciano Postal (guitarra e vocal) tem se apresentado em todo o Sul do País e já abriu shows de bandas como Blues Etílicos e Jota Quest. Outra atração da noite, esta na pista eletrônica, é o DJ residente Cesinha e os convidados Sandrinho (Balneário Camboriú) e Jejê (Curitiba).

O quê: Show com Os Berbigão. Quando: Hoje, às 23h30. Onde: Boate Mandrake, rua Barão do Rio Branco, s/nº, centro, Brusque, tel.: (47) 9952-5413. Quanto: R$ 8,00 (antecipados, no Posto Jardim e Rovian)/R$ 10,00 (hora).


Festa em Videira apresenta
shows com Sérgio Reis e Renato Borghetti

Edelcio Lopes
Especial para o Anexo

Videira - Sérgio Reis e Renato Borghetti, dois monstros da música regionalista brasileira, voltam hoje a Videira para participar das comemorações aos 68 anos das Empresas Perdigão. O show acontece no ginásio da Sociedade Esportiva e Recreativa Perdigão. Dois mil convites estão sendo distribuídos. "Será uma oportunidade única para apreciar os artistas, cujo talento é reconhecido em todo o País", destaca o diretor regional da Perdigão de Videira, Wlademir Paravisi.
Aos 18 anos, Sérgio Reis teve sua primeira oportunidade de cantar em público, no programa Enzo de Almeida Passos. Com 21 anos, gravou seu primeiro disco. Com a Jovem Guarda, Sérgio Reis emplacou com a canção "Coração de Papel", de sua autoria, que gravou acompanhado pela orquestra de Peruzzi e com a retaguarda vocal dos Fevers, Golden Boys e Trio Esperança. Mais tarde, o cantor adotou a música sertaneja, dando-lhe uma roupagem pop que abriria caminho para duplas como Christian & Ralph e Chitãozinho & Xororó. Também atuou como
peão violeiro em novelas como "Paraíso", "Pantanal" e "O Rei do Gado". Nestas duas últimas formou dupla com o também músico Almir Sater. Em 1983, lançou o disco "Panela Velha" e, quatro anos mais tarde, "Pinga ni Mim", dois de seus maiores sucessos.
A Jovem Guarda voltou a sua vida através da gravação do CD comemorativo dos 30 anos de Jovem Guarda (Polygram). Sérgio Reis é um dos poucos artistas que conseguiram mudar de gênero musical com sucesso: do iê-iê-iê ao universo sertanejo. Conquistou mais de 20 discos de ouro, oito de platina, um de platina dupla e um de diamante.

BORGHETINHO

Renato Borghetti está em seu 15º disco e terminou há pouco uma turnê pela Europa, onde fez 15 shows. Toca desde os dez anos, quando ganhou a primeira gaita do pai. Aos 15, já era atração turística de centro de tradições gaúchas (CTG), e com 16, subia profissionalmente a um palco pela primeira vez, num dos tantos festivais nativistas que efervesciam no Rio Grande dos anos 80. Tocava como um possuído, o que causava ainda maior impressão em quem conhecia as imensas limitações do seu instrumento, a gaita-ponto.
Alternando trabalhos tradicionais com momentos de maior sofisticação e acenos para o jazz e a música erudita, Borghetti tem sabido se cercar dos melhores músicos do Rio Grande do Sul. Já na década de 80, depois de perder a conta dos prêmios ganhos em festivais, deu canjas com gente como Leon Russel e Edgar Winter, tocou no Free Jazz Festival e fez shows em cidades que vão de Munique e Stuttgart a Maceió.
Entre 1995 e 1996, já respeitadíssimo, como representante sulista no projeto Brasil Musical, fez shows com Paulo Moura, Hermeto Pascoal, Wagner Tiso e Egberto Gismonti. Também começa a estabelecer uma ponte consistente com o Uruguai e a Argentina, tocando e armando parcerias com artistas de ambos os países.

O QUÊ: Shows com Sérgio Reis e Renato Borghetti. QUANDO: Hoje, às 19h. QUANTO: Só com convite. ONDE: Ginásio da Sociedade Esportiva e Recreativa Perdigão (Serp).


Pop
A cantora carioca Kelly Key, intérprete do hit "Baba", se apresenta hoje, às 20 horas, no Lagoa Iate Clube (LIC), em Florianópolis. Ingressos a R$ 15,00 (sócios pagam R$ 10,00) estão à venda nas Óticas Santa Luzia das galerias Comasa e Jaqueline, na rua Felipe Schmidt, centro; supermercados Imperatriz do Beiramar Shopping e Shopping Itaguaçu; Auto Escola Aprendiz do centro, Estreito e Kobrasol (tel.: 238-6466); loja Ai Bai Bia, na Lagoa da Conceição (tel.: 223-0250); e no escritório do clube, na avenida Hercílio Luz, 639, sala 510, centro (tel.: 223-0303).

Sons
Também na Capital, a banda Landau 76 toca sons dos anos 70 no Sótão (av. Afonso Delambert Neto, 688, Lagoa da Conceição), a partir das 23 horas. Os ingressos masculinos custam R$ 10,00 e os feminino, R$ 5,00. Até meia noite mulheres não pagam entrada. No Café Matisse (av. Irineu Bornhausen, 5.600, Agronômica), tem soul, blues e MPB com a banda Duoutsiders, às 23 horas. Ingressos a R$ 5,00. No Armazém Vieira (rua Aldo Alves, 2, Saco dos Limões), a noite é da banda Get Back, que interpreta clássicos do rock a partir das 23 horas. Ingressos a R$ 10,00.

Manchetes AN

 Das últimas edições de Anexo
22/08 - Festa editorial
21/08 - Ser escritor no Brasil é uma espécie de tragédia
20/08 - Na carona da fama
19/08 - Espiritualidade sem religião
18/08 - No patamar da pintura brasileira
17/08 - Três cantores de SC estão no Concurso Bidu Sayão
16/08 - O rei do rock'n'roll

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Mergulho

Artista Astrid Lindroth, que vive em Rio Negrinho, tem estreitos laços com Joinville, onde encerra mostra no Museu de Arte de Joinville
Foto: Silvio Reinert

Introspecções de Astrid

Em momento delicado da vida, artista produz série de obras em que estabelece um encontro consigo mesma

Marlise Groth

Joinville - Encerra neste domingo a mostra Instrospecção, que a artista Astrid Lindroth apresenta no Museu de Arte de Joinville (MAJ). O trabalho reúne painéis de grandes e pequenas dimensões, e "é o resultado de um mergulho" da artista dentro de si mesma. Um momento em que armazenou imagens que intuitivamente obteve "em viagens astrais".
Segundo Astrid, a série "Introspecção" começa com sua pesquisa pelos "azuis", em 1995, e coincide com um momento difícil em sua vida: a perda da filha em um acidente. O processo, de reclusão e ao mesmo tempo de amadurecimento, fez vislumbrar alternativas de criação. Do desenho, da qual é considerada mestre, principalmente o bico-de-pena, passou para os painéis em grandes dimensões. Através da pesquisa e do contínuo estudo da perspectiva e da forma geométrica, inseriu relevos em madeira em suas obras e criou polípticos adaptáveis ao espaço. Também buscou novas formas de apresentação do trabalho, incluindo o movimento por engrenagens.
E é com essa produção que Astrid retorna a Joinville. Embora viva em Rio Negrinho, a artista mantém fortes vínculos com a maior cidade do Estado, local onde iniciou carreira e firmou suas bases. Foi integrante do movimento que divulgou a cultura joinvilense nos anos 80 e participou de 25 das 31 edições da Coletiva de Artistas de Joinville (CAJ). Mesmo sem ter concluído o curso de belas-artes (na época optou pelo casamento), Astrid nunca abandonou as artes plásticas. Foi assim que tornou seu nome conhecido entre o Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Entre coletivas e individuais, expôs na Alemanha, em 1979.
Recentemente, foi a responsável pela criação e execução de um painel de 30m2 no hall de entrada do Pavilhão dos Imigrantes, em Rio Negrinho, cidade onde trabalha e reside. Intitulada "Engrenagem", a obra homenageia uma antiga fábrica de móveis que incentivou a expansão do município. No momento, está envolvida noutra proposta que deve consumir mais um ano e meio de atividade. Trata-se de um projeto artístico e histórico, cujo objetivo é resgatar residências que fizeram história nos municípios de Corupá, Rio Negrinho e São Bento do Sul.
Em "Marcas Humanas", Astrid planeja um conjunto de obras, desenhos em bico-de-pena e pontilhismo, reproduzindo casarões e levantando a história das famílias que neles viveram. A idéia é deixar "gravado na história de cada cidade, o verdadeiro sentido da preservação, uma vez que a casa perpetua as emoções e a vida". O conjunto de desenhos que registra parte da história de Corupá já está pronto e exposto no Centro Cultural de Hansa Humboldt (antiga denominação do município). Lá estão 15 trabalhos em tamanho "A4". Eles reproduzem fotos antigas, obtidas junto à comunidade, e possibilitam às novas gerações o conhecimento de uma época que não viveram.

O QUÊ: Mostra Introspecção, de Astrid Lindroth. QUANDO: Até 25 de agosto, das 8 às 17h. ONDE: Museu de Arte de Joinville (MAJ), rua 15 de Novembro, 1.400, Joinville, tel.:(47) 433-4677. QUANTO: Gratuito.


Foto: Divulgação

Resgatados
relatos de Schutel

Florianópolis - A história da Revolução de 1893 sob a ótica do federalista catarinense Duarte Paranhos Schutel é o conteúdo do livro "A República Vista do Meu Canto", que será lançado hoje, no final da tarde, pelo Instituto Histórico Geográfico de Santa Catarina (IHGSC), na Capital. O título traz como prefácio o estudo da historiadora-doutora Rosângela Miranda Cherem.
Médico e político, Schutel fez um relato dia a dia dos acontecimentos da época, iniciando em 15 de novembro de 1889, a sexta-feira em que foi proclamada a República, e concluindo em cinco de outubro de 1900. "Mesmo sendo federalista, ele não era um fanático, por isso oferece uma visão um tanto quanto isenta", afirma Carlos Humberto Corrêa, presidente do Instituto Histórico.
No prefácio, a historiadora Rosângela Cherem afirma que "cabe tomar a 'República Vista do Meu Canto' como um caminho para imaginar o que os homens imaginavam e assim tentar compreender as diferentes colorações e nuances de uma época...".
"A República Vista do Meu Canto" é o terceiro título da Coleção Catariniana, que está fazendo o resgate dos originais do IHGSC. "É a forma de divulgar as idéias de catarinenses históricos, já que os manuscritos não podem ser manuseados", explica Corrêa. O próximo livro da coleção será "Evolução Histórico-jurídica", com textos de Conselheiro Mafra, que já está no prelo e deve ser lançado ainda este ano, sem data definida.

O QUÊ: Lançamento de A REPÚBLICA VISTA DO MEU CANTO, de Duarte Paranhos Schutel. QUANDO: Hoje, às 17h. ONDE: Auditório do Palácio Cruz e Sousa/Museu Histórico de Santa Catarina, praça 15 de Novembro, s/nº, centro, Florianópolis, tel.: (48) 221-3502. QUANTO: R$ 20,00 (preço de lançamento)/R$ 25,00 (livrarias).


Por amor
à audiência

Manoel Carlos escreve a próxima novela das sete de olho no Ibope

André Bernardo
TV Press

Rio de Janeiro - O autor Manoel Carlos estava em Nova York quando recebeu um telefonema inusitado de Mário Lúcio Vaz. O diretor de controle de qualidade da Globo ligou para avisar que Maneco estava escalado para escrever a próxima novela das oito. Afinal, a sinopse de Gilberto Braga, cotada para substituir "Esperança", de Benedito Ruy Barbosa, fora reprovada pela Globo. Na mesma hora, o autor de "Laços de Família" teve de suspender as férias e regressar com a família para o Brasil. Já batizada de "Mulheres Apaixonadas", a próxima novela das oito está prevista para estrear dia 17 de fevereiro. Mas, dependendo da audiência de "Esperança", pode ir ao ar antes do previsto. "Não sou pago apenas para escrever novelas e sim para fazer sucesso. As novelas têm de dar certo porque é um desastre quando não dão. É como manter um Boeing no ar por oito meses sem combustível", compara.
Como geralmente acontece nas tramas do autor, "Mulheres Apaixonadas" vai ser ambientada no Leblon, na zona Sul do Rio, o mesmo cenário de "Por Amor" e "Laços de Família", e a protagonista vai se chamar Helena. A Helena da vez vai ser interpretada por Christiane Torloni. Embora faça suspense sobre o perfil da personagem, garante que a nova Helena não lembra em nada as interpretadas por Regina Duarte em "Por Amor" ou Vera Fischer em "Laços de Família". "As outras eram comportadas, fiéis aos maridos e boas mães. Mas a nova Helena vai virar a mesa. Ela vai ser 'descomportada'", define a atriz.
O autor Manoel Carlos também não ajuda muito a decifrar o mistério em torno da protagonista de "Mulheres Apaixonadas". Mas adianta que vai abordar, em sua próxima novela, temas delicados como bissexualidade feminina e união civil entre homossexuais. Em "Por Amor", atualmente no "Vale a Pena Ver de Novo", Maneco já havia abordado a bissexualidade masculina através do personagem Rafael, vivido por Odilon Wagner. "A abordagem foi tímida, porque o assunto era considerado maldito. Espero que agora haja abertura suficiente para ir mais fundo", torce. O nome de Christiane não é o único confirmado em "Mulheres Apaixonadas". Dois velhos conhecidos do autor, Tony Ramos e Suzana Vieira, devem integrar o elenco da novela. Tony Ramos, que interpretou o Miguel de "Laços de Família", está cotado para fazer o Teófilo, o marido da protagonista. "Terei grande prazer se puder contar com o Tony. É um grande amigo e um excelente profissional", elogia Maneco. Quem também deve fazer parte de "Mulheres Apaixonadas" é Débora Falabella, a Mel de "O Clone". "Seria maravilhoso se fosse ela. Trabalhamos juntas em 'Um Anjo Caiu do Céu' e foi muito bom", lembra Christiane.

 
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