Joinville
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Sexta-feira, 23 de Agosto de 2002
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Santa Catarina - Brasil
ANotícia
ATUAL Nélson Rodrigues morreu
em 1980, deixando uma obra instigante e integralmente identificada
com a contemporaneidade Foto: Arquivo/AN
90 anos do
gênio definitivo
Nélson Rodrigues
é lembrado como o anjo pornográfico que escreveu
sobre traição, taras, compulsões, fraquezas
e violência
Jefferson Saavedra
Joinville
É uma simulação recorrente. O que
estariam fazendo hoje os gênios do passado? Beethoven se
aventuraria a um sintetizador? O que Einstein seria capaz de
propor se tivesse em casa um micro com mais de 600 megahertz?
Como reagiria Marx às interpretações que
produzem de sua obra nas universidades? Ou Machado de Assis vendo
Paulo Coelho ganhar uma vaga na academia que criou? Bom, ao que
se propôs, Nélson Rodrigues foi definitivo. O dramaturgo,
jornalista, polemista, romancista, contista, - não
necessariamente nesta ordem - que hoje completaria 90 anos
se problemas cardíacos não o tivessem levado em
1980, talvez não tivesse muito a acrescentar. Até
hoje, ninguém desnudou tanto a intimidade humana.
Já definiram a obra de Machado de Assis como um "mundo
que se mostra por dentro e se esconde por fora". Em Nélson
Rodrigues, nada era escondido. O anjo pornográfico sempre
soube que o desejo não muda. Desde que o método
de conquista de uma mulher mudou de uma bordoada na cabeça
dos adversários da tribo para o convite para rodízio
de sopas - foram alguns séculos - o desejo de
cada um segue o mesmo, inventem o que inventarem: religião
para reprimir ou psicologia para explicar, a compulsão
é a mesma.
Basta observar um capítulo de "Engraçadinha"
em exibição na tela da Globo, a adaptação
televisiva do romance "Asfalto Selvagem", publicado
aos pedaços no extinto "Última Hora"
entre 1959 e 1960. A maioria tenta e consegue se controlar, por
maiores que sejam as pressões dos hormônios, instinto
animal, ou seja lá a denominação que queira
se dar. Nélson escrevia sobre os que não resistiam.
E suas lutas para se manter dentro dos limites da moral, aquilo
que inventaram para todo mundo parecer decente. "Se todos
conhecessem a intimidade sexual uns dos outros, ninguém
cumprimentaria ninguém", dizia.
Por isso o fascínio pela obra de Nélson. Traição,
taras, compulsões, fraquezas, frustrações,
violência. E todo mundo ainda lê ou assiste sua produção
com um certo espanto, um ar de "como é que pode?!".
É muito cinismo.
Uma
vida rodriguiana
Nascido em Recife, Nélson Rodrigues
passava a ser carioca aos quatro anos: enfrentando problemas
políticos, o pai teve de se mudar para o Rio de Janeiro.
Quinto dos 14 filhos do jornalista Mário Rodrigues, Nélson
começou a trabalhar aos 13 anos, como repórter
policial. Já era um veterano. Aos nove anos, apresentou
uma redação na escola. No texto, um homem pede
perdão ao cadáver da mulher adúltera, assassinada
a faca por ele mesmo. Com 14 anos, Nélson começava
sua vida sexual. Com profissionais, é claro.
A sucessão de tragédias começou ainda nos
anos 20. O jornal do pai de Nélson irritou uma socialite
com uma matéria sobre desquite. Indignada, entra na redação
de "Crítica" e mata o irmão de Nélson,
Roberto, com um tiro. O pai não resiste à perda
e morre de infarte dois meses depois. Desgraça pouca sempre
é bobagem. Getúlio Vargas toma o poder, e "Crítica"
é fechada em 1930. Somente no ano seguinte, os irmãos
Rodrigues conseguem emprego em "O Globo" de Roberto
Marinho. Além de Nélson, trabalhavam Mário
Filho e Joffre. Foi uma época em que Nélson só
tinha um terno. E os problemas de saúde - tuberculose
- começavam a aparecer.
Nélson casou-se com Elza, uma colega de "O Globo",
em 1940. No ano seguinte, sempre sem dinheiro, começa
a produção de peças de teatro. Somente a
segunda peça, "Vestido de Noiva", ganha destaque.
"Não conheço nada no teatro mundial que se
pareça com isso", disse o diretor polonês Ziembinski.
Ainda na década de 40, Nélson dava início
à publicação de folhetins, com os pseudônimos
como Suzana Flag e Myrna. Depois de perambular por vários
jornais, estreava em 1950 a coluna "A Vida como Ela É...",
no "Última Hora" de Samuel Wainer. A vida pessoal
também era atribulada. Após várias amantes,
inclusive com filhos, ele só separaria de Elza em 1963,
para viver com Lúcia. Foi de Nélson a primeira
novela de televisão, "A Morte sem Espelho".
Nos anos 60, começa em "O Globo" as crônicas
esportivas sobre o título "À Sombra das Chuteiras
Mortais".
Anos 70, nova década, nova mulher, Helena, 35 anos mais
jovem. Curiosamente, Nélson, um defensor da ditadura,
teve de procurar os porões para tentar livrar o filho
Nelsinho da tortura. Apesar de alvo do ódio da esquerda,
se encarregou de ajudar a libertar vários amigos perseguidos
pelos militares. Morreria em dezembro de 1980. (JS)
Belchior promove viagem
no tempo em Florianópolis
Cantor cereanse
passeia por quase 30 anos de música em show, hoje, no
Paula Ramos
Florianópolis - Autor de mais de 300 composições
e com 26 títulos em sua discografia, Belchior faz show
hoje à noite na Capital. A intenção é
reunir o vasto repertório dos 30 anos de carreira e oferecer
aos fãs uma viagem no tempo. De um geração
surgida no auge da ditadura militar, o cantor conseguiu se diferenciar
por carregar nas tintas românticas, tendo ao mesmo tempo
um trabalho de caráter engajado e também com toques
regionais.
Antonio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes nasceu em
Sobral (CE), em 1946. Na infância, teve influência
direta de cantores da época auréa do rádio
como Ângela Maria, Cauby Peixoto e Nora Ney. Em casa, tinha
um ambiente fértil para desenvolver a criatividade artística:
os tios eram poetas boêmios, e a iniciação
musical foi estimulada pela própria mãe. Na adolescência,
estudou filosofia e humanidades e, mais tarde, abandonou e curso
de medicina para viver exclusivamente da música.
Em 1974, lançou o primeiro disco, "Belchior a Palo
Seco", e desde então teve um disco produzido anualmente
(com exceção de 1983) até 1996. O ano de
1993 foi um dos mais férteis, com quatro álbuns:
"Eldorado" (em espanhol), "Baihuno", "Geração
Pop" e "Personalidade". O último CD sozinho
foi "25 Anos de Sonho, de Sangue e de América do
Sul". No início deste ano, lançou "Pessoal
do Ceará", em conjunto com Amelinha e Ednardo.
No show de hoje, toda esta trajetória deve ser revivida
através das clássicas "Medo de Avião",
"Velha Roupa Colorida" e "Apenas um Rapaz Latino-americano",
essa última a responsável pela conquista do sucesso
no início da carreira. Além de intérprete,
Belchior é um compositor consagrado, tendo músicas
gravadas por Roberto Carlos, Elis Regina, Erasmo Carlos, Elba
Ramalho, Engenheiros do Hawaii, entre outros.
O QUÊ: Show com o cantor BELCHIOR. QUANDO:
Hoje, às 23h. ONDE: Paula Ramos Esporte Clube,
rua Madre Bevenuta, 340, Trindade, Florianópolis, tel.:
(48) 234-4100. QUANTO: R$ 20,00/R$ 10,00 (sócios).
Metal do Shaman é
atração em Balneário Camboriú
Joinville - Balneário Camboriú parece estar
virando rota do metal brasileiro. Depois de receber o Angra,
há algumas semanas, a cidade assiste amanhã a uma
dissidência da famosa banda paulista: Shaman, grupo que
conta com três integrantes originais do Angra. O rock também
é atração em Joinville, onde hoje se apresentam
os capixabas do Mukeka di Rato, ícones do punk nacional.
Depois de saírem do Angra, André Matos (vocal),
Luís Mariutti (baixo) e Ricardo Confessori (guitarra)
se reuniram em 2000 para formar o Shaman, que significa "curandeiro".
Para completar o grupo, foi convocado o guitarrista Hugo Mariutti.
Após tocar na Europa e na América Latina, o quarteto
roda o Brasil apresentando as composições de seu
primeiro disco, "Ritual". A abertura do show do Shaman
fica por conta da Perpetual Dreams, banda de Blumenau que está
desde 1995 na estrada e também faz a linha metal melódico.
O Mukeka di Rato sobe ao palco do Garage amparado pelas músicas
de "Acabar com Você", seu terceiro disco, recém-lançado
pela Läjä Records. Formado em 1995, em Vila Velha (ES),
o quarteto toca um hardcore veloz e gritado, recheado de letras
que ironizam as mazelas da sociedade. Na mesma noite tocam Sanchez
e Ahotten, de Joinville, e Swallon the Wafle, de Balneário
Camboriú.
Ainda em Joinville, mas no domingo, a banda curitibana Mr. Einstein
retorna ao Rutana para tentar repetir o êxito de seus shows
anteriores. O objetivo do grupo é colocar o público
para dançar, abusando dos clássicos da disco music
dos anos 70 e hits de astros do pop nacional.
O quê: Show com Mukeka di Rato, Swallon the Wafle,
Sanchez e Ahotten. Quando: Hoje, às 22h30. Onde:
Garage, rua dos Esportistas, 140, Itinga, Joinville. Quanto:
R$ 7,00.
O quê: Show com Shaman e Perpetual Dreams. Quando:
Amanhã, às 22h. Onde: Armazém Bar,
av. Atlântica, 4.646, Balneário Camboriú.
Quanto: R$ 15,00.
O quê: Show com Mr. Einstein. Quando:
Domingo, às 22h. Onde: Rutana, rua Visconde de
Taunay, 533, centro, Joinville, tel.: (47) 433-6796. Quanto:
Não divulgado.
Os Berbigão
leva rock a Brusque
Brusque - A banda Os Berbigão, de Florianópolis,
se apresenta hoje, pela primeira vez, em Brusque. O show será
no Bar Hocus Pocus, da Boate Mandrake. No repertório,
blues e rock' n' roll de artistas consagrados, como The Doors,
Creedence, Eric Clapton, Little Richard, Rolling Stones, Beatles,
Elvis Presley e Bob Dylan, além de composições
próprias do CD "Durante Abril", lançado
no final do ano passado. A performance energética do quarteto
ilhéu contribui para tornar o espetáculo ainda
mais dançante e menos nostálgico.
A banda formada por Maurício Peixoto (guitarra, voz e
violão), Marcelo Peixoto (bateria), Daniel Bez (baixo)
e Luciano Postal (guitarra e vocal) tem se apresentado em todo
o Sul do País e já abriu shows de bandas como Blues
Etílicos e Jota Quest. Outra atração da
noite, esta na pista eletrônica, é o DJ residente
Cesinha e os convidados Sandrinho (Balneário Camboriú)
e Jejê (Curitiba).
O quê: Show com Os Berbigão. Quando:
Hoje, às 23h30. Onde: Boate Mandrake, rua Barão
do Rio Branco, s/nº, centro, Brusque, tel.: (47) 9952-5413.
Quanto: R$ 8,00 (antecipados, no Posto Jardim e Rovian)/R$
10,00 (hora).
Festa em Videira apresenta
shows com Sérgio Reis e Renato Borghetti
Edelcio Lopes
Especial para o Anexo
Videira - Sérgio Reis e Renato Borghetti, dois monstros
da música regionalista brasileira, voltam hoje a Videira
para participar das comemorações aos 68 anos das
Empresas Perdigão. O show acontece no ginásio da
Sociedade Esportiva e Recreativa Perdigão. Dois mil convites
estão sendo distribuídos. "Será uma
oportunidade única para apreciar os artistas, cujo talento
é reconhecido em todo o País", destaca o diretor
regional da Perdigão de Videira, Wlademir Paravisi.
Aos 18 anos, Sérgio Reis teve sua primeira oportunidade
de cantar em público, no programa Enzo de Almeida Passos.
Com 21 anos, gravou seu primeiro disco. Com a Jovem Guarda, Sérgio
Reis emplacou com a canção "Coração
de Papel", de sua autoria, que gravou acompanhado pela orquestra
de Peruzzi e com a retaguarda vocal dos Fevers, Golden Boys e
Trio Esperança. Mais tarde, o cantor adotou a música
sertaneja, dando-lhe uma roupagem pop que abriria caminho para
duplas como Christian & Ralph e Chitãozinho &
Xororó. Também atuou como
peão violeiro em novelas como "Paraíso",
"Pantanal" e "O Rei do Gado". Nestas duas
últimas formou dupla com o também músico
Almir Sater. Em 1983, lançou o disco "Panela Velha"
e, quatro anos mais tarde, "Pinga ni Mim", dois de
seus maiores sucessos.
A Jovem Guarda voltou a sua vida através da gravação
do CD comemorativo dos 30 anos de Jovem Guarda (Polygram). Sérgio
Reis é um dos poucos artistas que conseguiram mudar de
gênero musical com sucesso: do iê-iê-iê
ao universo sertanejo. Conquistou mais de 20 discos de ouro,
oito de platina, um de platina dupla e um de diamante.
BORGHETINHO
Renato Borghetti está em seu 15º disco e terminou
há pouco uma turnê pela Europa, onde fez 15 shows.
Toca desde os dez anos, quando ganhou a primeira gaita do pai.
Aos 15, já era atração turística
de centro de tradições gaúchas (CTG), e
com 16, subia profissionalmente a um palco pela primeira vez,
num dos tantos festivais nativistas que efervesciam no Rio Grande
dos anos 80. Tocava como um possuído, o que causava ainda
maior impressão em quem conhecia as imensas limitações
do seu instrumento, a gaita-ponto.
Alternando trabalhos tradicionais com momentos de maior sofisticação
e acenos para o jazz e a música erudita, Borghetti tem
sabido se cercar dos melhores músicos do Rio Grande do
Sul. Já na década de 80, depois de perder a conta
dos prêmios ganhos em festivais, deu canjas com gente como
Leon Russel e Edgar Winter, tocou no Free Jazz Festival e fez
shows em cidades que vão de Munique e Stuttgart a Maceió.
Entre 1995 e 1996, já respeitadíssimo, como representante
sulista no projeto Brasil Musical, fez shows com Paulo Moura,
Hermeto Pascoal, Wagner Tiso e Egberto Gismonti. Também
começa a estabelecer uma ponte consistente com o Uruguai
e a Argentina, tocando e armando parcerias com artistas de ambos
os países.
O QUÊ: Shows com Sérgio Reis e Renato
Borghetti. QUANDO: Hoje, às 19h. QUANTO:
Só com convite. ONDE: Ginásio da Sociedade
Esportiva e Recreativa Perdigão (Serp).
Pop
A cantora carioca Kelly Key, intérprete do hit "Baba",
se apresenta hoje, às 20 horas, no Lagoa Iate Clube (LIC),
em Florianópolis. Ingressos a R$ 15,00 (sócios
pagam R$ 10,00) estão à venda nas Óticas
Santa Luzia das galerias Comasa e Jaqueline, na rua Felipe Schmidt,
centro; supermercados Imperatriz do Beiramar Shopping e Shopping
Itaguaçu; Auto Escola Aprendiz do centro, Estreito e Kobrasol
(tel.: 238-6466); loja Ai Bai Bia, na Lagoa da Conceição
(tel.: 223-0250); e no escritório do clube, na avenida
Hercílio Luz, 639, sala 510, centro (tel.: 223-0303).
Sons
Também na Capital, a banda Landau 76 toca sons dos anos
70 no Sótão (av. Afonso Delambert Neto, 688, Lagoa
da Conceição), a partir das 23 horas. Os ingressos
masculinos custam R$ 10,00 e os feminino, R$ 5,00. Até
meia noite mulheres não pagam entrada. No Café
Matisse (av. Irineu Bornhausen, 5.600, Agronômica), tem
soul, blues e MPB com a banda Duoutsiders, às 23 horas.
Ingressos a R$ 5,00. No Armazém Vieira (rua Aldo Alves,
2, Saco dos Limões), a noite é da banda Get Back,
que interpreta clássicos do rock a partir das 23 horas.
Ingressos a R$ 10,00.
Mergulho Artista Astrid Lindroth, que vive em Rio Negrinho, tem estreitos
laços com Joinville, onde encerra mostra no Museu de Arte
de Joinville Foto: Silvio Reinert
Introspecções de Astrid
Em momento delicado
da vida, artista produz série de obras em que estabelece
um encontro consigo mesma
Marlise Groth
Joinville - Encerra neste domingo a mostra Instrospecção,
que a artista Astrid Lindroth apresenta no Museu de Arte de Joinville
(MAJ). O trabalho reúne painéis de grandes e pequenas
dimensões, e "é o resultado de um mergulho"
da artista dentro de si mesma. Um momento em que armazenou imagens
que intuitivamente obteve "em viagens astrais".
Segundo Astrid, a série "Introspecção"
começa com sua pesquisa pelos "azuis", em 1995,
e coincide com um momento difícil em sua vida: a perda
da filha em um acidente. O processo, de reclusão e ao
mesmo tempo de amadurecimento, fez vislumbrar alternativas de
criação. Do desenho, da qual é considerada
mestre, principalmente o bico-de-pena, passou para os painéis
em grandes dimensões. Através da pesquisa e do
contínuo estudo da perspectiva e da forma geométrica,
inseriu relevos em madeira em suas obras e criou polípticos
adaptáveis ao espaço. Também buscou novas
formas de apresentação do trabalho, incluindo o
movimento por engrenagens.
E é com essa produção que Astrid retorna
a Joinville. Embora viva em Rio Negrinho, a artista mantém
fortes vínculos com a maior cidade do Estado, local onde
iniciou carreira e firmou suas bases. Foi integrante do movimento
que divulgou a cultura joinvilense nos anos 80 e participou de
25 das 31 edições da Coletiva de Artistas de Joinville
(CAJ). Mesmo sem ter concluído o curso de belas-artes
(na época optou pelo casamento), Astrid nunca abandonou
as artes plásticas. Foi assim que tornou seu nome conhecido
entre o Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Entre coletivas e
individuais, expôs na Alemanha, em 1979.
Recentemente, foi a responsável pela criação
e execução de um painel de 30m2 no hall de entrada
do Pavilhão dos Imigrantes, em Rio Negrinho, cidade onde
trabalha e reside. Intitulada "Engrenagem", a obra
homenageia uma antiga fábrica de móveis que incentivou
a expansão do município. No momento, está
envolvida noutra proposta que deve consumir mais um ano e meio
de atividade. Trata-se de um projeto artístico e histórico,
cujo objetivo é resgatar residências que fizeram
história nos municípios de Corupá, Rio Negrinho
e São Bento do Sul.
Em "Marcas Humanas", Astrid planeja um conjunto de
obras, desenhos em bico-de-pena e pontilhismo, reproduzindo casarões
e levantando a história das famílias que neles
viveram. A idéia é deixar "gravado na história
de cada cidade, o verdadeiro sentido da preservação,
uma vez que a casa perpetua as emoções e a vida".
O conjunto de desenhos que registra parte da história
de Corupá já está pronto e exposto no Centro
Cultural de Hansa Humboldt (antiga denominação
do município). Lá estão 15 trabalhos em
tamanho "A4". Eles reproduzem fotos antigas, obtidas
junto à comunidade, e possibilitam às novas gerações
o conhecimento de uma época que não viveram.
O QUÊ: Mostra Introspecção, de
Astrid Lindroth. QUANDO: Até 25 de agosto, das
8 às 17h. ONDE: Museu de Arte de Joinville (MAJ),
rua 15 de Novembro, 1.400, Joinville, tel.:(47) 433-4677. QUANTO:
Gratuito.
Foto:
Divulgação
Resgatados
relatos de Schutel
Florianópolis - A história da Revolução
de 1893 sob a ótica do federalista catarinense Duarte
Paranhos Schutel é o conteúdo do livro "A
República Vista do Meu Canto", que será lançado
hoje, no final da tarde, pelo Instituto Histórico Geográfico
de Santa Catarina (IHGSC), na Capital. O título traz como
prefácio o estudo da historiadora-doutora Rosângela
Miranda Cherem.
Médico e político, Schutel fez um relato dia a
dia dos acontecimentos da época, iniciando em 15 de novembro
de 1889, a sexta-feira em que foi proclamada a República,
e concluindo em cinco de outubro de 1900. "Mesmo sendo federalista,
ele não era um fanático, por isso oferece uma visão
um tanto quanto isenta", afirma Carlos Humberto Corrêa,
presidente do Instituto Histórico.
No prefácio, a historiadora Rosângela Cherem afirma
que "cabe tomar a 'República Vista do Meu Canto'
como um caminho para imaginar o que os homens imaginavam e assim
tentar compreender as diferentes colorações e nuances
de uma época...".
"A República Vista do Meu Canto" é o
terceiro título da Coleção Catariniana,
que está fazendo o resgate dos originais do IHGSC. "É
a forma de divulgar as idéias de catarinenses históricos,
já que os manuscritos não podem ser manuseados",
explica Corrêa. O próximo livro da coleção
será "Evolução Histórico-jurídica",
com textos de Conselheiro Mafra, que já está no
prelo e deve ser lançado ainda este ano, sem data definida.
O QUÊ: Lançamento de A REPÚBLICA
VISTA DO MEU CANTO, de Duarte Paranhos Schutel. QUANDO:
Hoje, às 17h. ONDE: Auditório do Palácio
Cruz e Sousa/Museu Histórico de Santa Catarina, praça
15 de Novembro, s/nº, centro, Florianópolis, tel.:
(48) 221-3502. QUANTO: R$ 20,00 (preço de lançamento)/R$
25,00 (livrarias).
Por amor
à audiência
Manoel Carlos escreve
a próxima novela das sete de olho no Ibope
André Bernardo
TV Press
Rio de Janeiro - O autor Manoel Carlos estava em Nova York
quando recebeu um telefonema inusitado de Mário Lúcio
Vaz. O diretor de controle de qualidade da Globo ligou para avisar
que Maneco estava escalado para escrever a próxima novela
das oito. Afinal, a sinopse de Gilberto Braga, cotada para substituir
"Esperança", de Benedito Ruy Barbosa, fora reprovada
pela Globo. Na mesma hora, o autor de "Laços de Família"
teve de suspender as férias e regressar com a família
para o Brasil. Já batizada de "Mulheres Apaixonadas",
a próxima novela das oito está prevista para estrear
dia 17 de fevereiro. Mas, dependendo da audiência de "Esperança",
pode ir ao ar antes do previsto. "Não sou pago apenas
para escrever novelas e sim para fazer sucesso. As novelas têm
de dar certo porque é um desastre quando não dão.
É como manter um Boeing no ar por oito meses sem combustível",
compara.
Como geralmente acontece nas tramas do autor, "Mulheres
Apaixonadas" vai ser ambientada no Leblon, na zona Sul do
Rio, o mesmo cenário de "Por Amor" e "Laços
de Família", e a protagonista vai se chamar Helena.
A Helena da vez vai ser interpretada por Christiane Torloni.
Embora faça suspense sobre o perfil da personagem, garante
que a nova Helena não lembra em nada as interpretadas
por Regina Duarte em "Por Amor" ou Vera Fischer em
"Laços de Família". "As outras eram
comportadas, fiéis aos maridos e boas mães. Mas
a nova Helena vai virar a mesa. Ela vai ser 'descomportada'",
define a atriz.
O autor Manoel Carlos também não ajuda muito a
decifrar o mistério em torno da protagonista de "Mulheres
Apaixonadas". Mas adianta que vai abordar, em sua próxima
novela, temas delicados como bissexualidade feminina e união
civil entre homossexuais. Em "Por Amor", atualmente
no "Vale a Pena Ver de Novo", Maneco já havia
abordado a bissexualidade masculina através do personagem
Rafael, vivido por Odilon Wagner. "A abordagem foi tímida,
porque o assunto era considerado maldito. Espero que agora haja
abertura suficiente para ir mais fundo", torce. O nome de
Christiane não é o único confirmado em "Mulheres
Apaixonadas". Dois velhos conhecidos do autor, Tony Ramos
e Suzana Vieira, devem integrar o elenco da novela. Tony Ramos,
que interpretou o Miguel de "Laços de Família",
está cotado para fazer o Teófilo, o marido da protagonista.
"Terei grande prazer se puder contar com o Tony. É
um grande amigo e um excelente profissional", elogia Maneco.
Quem também deve fazer parte de "Mulheres Apaixonadas"
é Débora Falabella, a Mel de "O Clone".
"Seria maravilhoso se fosse ela. Trabalhamos juntas em 'Um
Anjo Caiu do Céu' e foi muito bom", lembra Christiane.