Joinville         -          Domingo, 25 de Agosto de 2002         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

ANotícia  




 




Novela sangue bom
Thiago Lacerda, que interpreta o conde Rogério
Foto
: Jorge Rodrigues

Alexandre Borges e Cláudia Raia: novela pretende conciliar tramas sobrenaturais com outras, mais realistas
Foto: Luiza Dantas

Gargalhadas nas trevas

Enfocada na comicidade, "O Beijo do Vampiro" estréia nesta segunda

André Bernardo
TV Press

Dez anos depois de "Vamp", Antônio Calmon volta a escrever uma novela sobre vampiros. Mas as semelhanças entre "Vamp" e "O Beijo do Vampiro", que estréia nesta segunda, ressalva o autor, limitam-se ao enfoque cômico. Os vampiros da nova novela das sete são do tipo "politicamente correto". Para não amedrontar o público, eles usam protetor solar, bebem sangue engarrafado na Escócia e não mordem crianças, idosos ou gestantes. Dessa forma, o autor planeja abocanhar o pescoço do maior número possível de telespectadores. "'Vamp' fez sucesso entre os jovens e tornou-se cult pela mídia. Infelizmente, não atingiu o público mais fiel das telenovelas: as donas de casa", lamenta Calmon.
Por conta disso, "O Beijo do Vampiro" pretende conciliar tramas sobrenaturais com outras, mais realistas. O fio condutor da novela é a história de Lívia, interpretada por Flávia Alessandra. A personagem entra em desespero quando o marido morre e ela descobre que o sujeito perdeu uma fortuna em negócios escusos. Viúva e com três filhos, ela se vê obrigada a lutar pela sobrevivência da família. "A Lívia é uma mulher valente, destemida. Costumo dizer que ela é uma mistura da Malu Mulher com a Mulher-Maravilha", compara a atriz.
Paralelamente às dificuldades financeiras, Lívia descobre que está envolvida na eterna luta do Bem contra o Mal. Na verdade, Lívia é a reencarnação da princesa Cecília, a eterna paixão do vampiro Bóris, interpretado por Tarcísio Meira. Os dois se conheceram na Europa do século 12, quando Bóris disputou o amor da princesa com o Conde Rogério, personagem de Thiago Lacerda. Nas duas vezes em que enfrentou seu arquiinimigo, Rogério levou a pior. "Só perdi o duelo porque lutei com o Tarcísio Meira", consola-se Thiago.
Tarcísio Meira, aliás, é um dos mais animados com a nova novela. Com olhar demoníaco e dentes afiados, Bóris vive perseguindo a heroína da história ao longo dos séculos. A composição do personagem promete assustar quem se habituou a vê-lo como o eterno galã da Globo. "As coisas que esse Bóris faz são incríveis. Ele possui poderes impressionantes, como fazer as pessoas sumirem ou voar de um lugar para o outro", enumera, garboso.
Mas Bóris não está sozinho. Ele veio ao mundo acompanhado por uma horda de vampiros, como a fogosa Mina, vivida por Cláudia Raia, ou o sedutor Victor, interpretado por Gabriel Braga Nunes. "A personagem é um barato. Ela pode tudo porque não é realista. É uma mulher extremamente engraçada", avisa Cláudia Raia, grávida de dois meses. Já Victor faz a linha "bad boy do além". Metido a galã, gosta de vagar pela noite em busca de "menininhas de sangue quente".
Mais do que de emboscadas de vampiros na calada da noite, Marcos Paulo sente calafrios só de pensar no horário de verão, período em que, normalmente, há uma queda no número de televisores ligados no horário. Munido de crucifixo e água benta, o diretor promete ficar atento ao share - audiência que considera apenas o universo de televisores ligados. "A meta é sempre ficar acima de 50%", avisa, confiante.
Quando a Globo confirmou o nome de Marcos Paulo como diretor da suposta continuação de "Vamp", uma legião de telespectadores enviaram e-mails de protesto para a emissora. Não era justo que ele assumisse a seqüência de uma novela dirigida originalmente por Jorge Fernando. Logo, Calmon veio a público para desfazer o mal-entendido. Ele ressalva que a Globo só aceitou fazer "O Beijo do Vampiro" se a novela não fosse uma "Vamp 2". "É a mesma coisa que fizesse um filme de caubói e, dez anos depois, resolvesse fazer outro. A abordagem é diferente", defende-se Calmon.
Todo Drácula que se preza pede um Van Helsing de respeito. Nos anos 50 e 60, Christopher Lee e Peter Cushing contracenaram em diversos filmes do gênero, como "O Vampiro da Noite" e "As Noivas de Drácula", ambos de Terence Fisher. Em "O Beijo do Vampiro", a dupla vai ser interpretada por Tarcísio Meira e Luiz Gustavo. "O Bóris é diferente de tudo que venho fazendo na tevê. Sempre haverá bons papéis para que eu possa fazê-los", elogia Tarcísio, que trabalhou com Calmon em "Uma Anjo Caiu do Céu". Já Luiz Gustavo não fazia novelas desde "O Mapa da Mina", de Cassiano Gabus Mendes, de 1992. Nos últimos seis anos, ele se dedicou integralmente ao Vavá de "Sai de Baixo".
Para compor o atrapalhado Galileu, Luiz Gustavo recorreu ao mesmo método que utilizou com o Mário Fofoca, de "Elas por Elas", ou o Victor Valentim, de "Ti-Ti-Ti". Ele cria o personagem e, em seguida, o apresenta às crianças do condomínio em que mora em Itatiba, no interior de São Paulo. Enquanto a garotada não cai na gargalhada, não se dá por satisfeito. "Não tenho a menor dúvida de que o Galileu vai fazer sucesso. Quando a garotada acha graça, não tem erro", enfatiza. Mesmo assim, Luiz Gustavo confessa que, depois de tanto tempo sem fazer novela, anda "meio pesado, fora de forma". "Estou me sentindo um elefante. Mas esse Dumbo ainda vai voar", promete.


"Parece que aquilo tudo sai da minha cabeça. Mas o roteiro é tão minucioso como o de uma novela", garante a atriz

Na rota da
irreverência

Regina Casé mostra no "Fantástico" a cumplicidade que tem com o público

Renata Petrocelli
TV Press

Quando vão ao ar no "Fantástico", os quadros de Regina Casé parecem fruto exclusivo da espontaneidade da atriz. Ou da "intimidade com o público", privilégio que ela afirma ter conquistado ao longo de mais de dez anos entrevistando anônimos. Mas, antes de ir para as ruas, Regina já sabe exatamente que situações vai encontrar. E como reagir a elas. "Parece que aquilo tudo sai da minha cabeça. Mas o roteiro é tão minucioso como o de uma novela", esclarece ela, destacando o trabalho do roteirista João Carrascosa e do diretor Estevão Ciavatta, os mesmos de "Brasil Legal" e "Muvuca".
Os cinco minutos que vão ao ar no "Fantástico" podem consumir até um mês de produção, como aconteceu com "O Cocô", exibido no último domingo, dia 18. Estevão passou dez dias observando os personagens do quadro: o cachorro Dunga tinha horário e local certos para suas fezes matinais, sempre acompanhado de sua dona, Maria Rita. No 11º dia, o diretor voltou ao local com Regina, quatro câmaras e o psicanalista que participou do quadro, mas Dunga não apareceu. A situação se repetiu por mais dois dias até que fosse possível "flagrar os infratores" da lei que prevê multa de R$ 50,00 para quem sujar as ruas com os dejetos dos animais. "Ele começou a ficar paranóico, achando que tinham avisado para ela", diverte-se Regina.
Já para a gravação de "O Trânsito", o último episódio da série, que vai ao ar neste domingo, dia 25, o diretor se deparou com uma situação inusitada. "Fui para a Mena Barreto numa sexta-feira, às seis horas da tarde, e o trânsito fluía maravilhosamente bem", conta Estevão, surpreso com uma das ruas mais movimentadas de Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro. As gravações incluíram um dia no centro da cidade e uma passagem pela CET-Rio, a Companhia de Engenharia de Tráfego. "Estamos tendo ajuda de todos os órgãos competentes", destaca o diretor, lembrando que foi preciso pesquisar os melhores locais para a gravação e determinar o posicionamento das câmaras de modo que o público não percebesse a presença da equipe.
Produzida pela Pindorama, produtora de Estevão e Regina, a série surgiu longe da idéia de campanha. "Queríamos temas que fizessem as pessoas terem vontade de falar. Que elas estivessem cheias de opinião para dar, loucas para se estressar", define Regina. Os dois afirmam que uma das maiores preocupações foi exatamente evitar o tom educativo. Com uma equipe acostumada a programas com um bom nível de pesquisa, como "Um Pé de Quê?", apresentado pela própria Regina no Canal Futura, eles aproveitam números e dados em prol da diversão. "O legal é fazer disso uma informação inusitada", defende a atriz, que rejeita o rótulo de "fiscal da cidadania". "Não sou política nem professora. Sou porta-voz. Tenho a sorte de ser querida, por isso, posso falar", acredita.
Regina garante que, até hoje, não enfrentou nenhum tipo de reação negativa por parte das pessoas que "repreende" nas ruas. Embora reconheça que há muita gente "estressada, arrogante e autoritária", ela afirma que não só se sente absolutamente à vontade no quadro como sabe que conquistou o respeito e a confiança do público para desempenhar esse papel. "Se descesse uma atriz glamourosa de um carro todo preto e com um bando de seguranças atrás, seria diferente...", ressalva. O que também tem seus lados negativos. "Todo mundo me pára na rua, cutuca, dá opinião. Ninguém me trata como uma atriz qualquer", diverte-se.
Em breve, o público vai conhecer uma nova faceta do talento de Regina. Ela dirigiu o especial "Wallace e João Vítor", que vai ao ar na série "Brava Gente" do dia 11 de outubro. Para o ano que vem, a atriz tem o projeto de um programa com o diretor Guel Arraes e o antropólogo Hermano Vianna. A idéia é abrir espaço para matérias produzidas em diversas partes do país. Apesar de tantas frentes de atuação, Regina não se sente dividida. "Eu não tenho vontade de ser atriz, apresentadora ou diretora. O que tenho são idéias, desejos, paixões. É para concretizá-los que eu viro atriz, apresentadora ou diretora", empolga-se.


Passado em alta

Emissoras apostam cada vez mais em reprises

Rodrigo Teixeira
TV Press

Houve tempo em que reprises não passavam de "tapa-buracos" na programação. Os arquivos de produções já exibidas eram vistos como um peso morto nas emissoras brasileiras. Tanto que uma prática comum era destruir os próprios acervos reutilizando as fitas de videoteipes para gravar novas produções. Mas de uns anos para cá, as TVs brasileiras estão acordando para a importância das reprises. Não pelo valor histórico, que não enche barriga, mas porque as reprises têm sido eficientes para angariar audiência.
Globo, Record, SBT, Rede TV! e TV Cultura utilizam cada vez mais o recurso. A Globo, por exemplo, acaba de colocar no ar pela terceira vez a minissérie "Engraçadinha", de 1995. Além de "prestar uma homenagem aos 90 anos de Nélson Rodrigues", é uma forma da emissora dar férias a produções da linha de show e preencher a problemática grade durante o Horário Eleitoral. Enquanto a Rede TV! reprisou aos domingos os melhores momentos de "Betty, A Feia" nas primeiras semanas logo após a estréia, com o intuito de divulgar a produção, a Record foi buscar a novela "Louca Paixão", de 1999, para reexibi-la no horário das 17 horas. A estratégia deu certo. A novela de Yves Dumont está conseguindo uma média de 5 pontos e chega a bater 7 pontos de pico.
Uma das emissoras que utilizam as reprises sem parcimônia é a TV Cultura. O recurso serve até mesmo para a emissora preencher a programação sem gastar muito, já que depende principalmente dos recursos do governo de São Paulo para as produções. Um exemplo é a série infantil "Rá-tim-bum", que estreou na emissora em 1990. Em 1994, a TV Cultura estreou a segunda fase, com "Castelo Rá-tim-bum", e em junho deste ano colocou no ar a terceira versão do programa: o "Ilha Rá-tim-bum". Num mesmo dia, por exemplo, a nova produção é exibida e tem mais duas reprises em horários diferentes.
Aos poucos, as emissoras abertas também reprisam suas produções em canais por assinatura. O SBT tem três programas reexibidos em canais a cabo. Além do "Ilha da Sedução", em dois horários alternativos da co-produtora Fox, "Zapping Zone" e "Popstars" também são reapresentados pelo Disney Channel, pela TVA. Para o SBT é uma maneira de atingir ao público dos canais por assinatura, que provavelmente não assistiriam os programas no SBT. A Globo também faz o mesmo esquema com a Globosat. Os telejornais "Bom Dia Brasil" e "Jornal da Globo", por exemplo, têm reprises diárias no canal Globo News.
A reprise é tão importante na Globo que a emissora acabou abrindo um espaço fixo para este tipo de atração em 1980 com o "Vale a Pena Ver de Novo". Como o próprio nome diz, serve para os espectadores reverem novelas antigas. E a emissora obtém ótimos índices de audiência. As duas últimas reprises, por exemplo, "História de Amor" e, atualmente, "Por Amor", a Globo atinge 20 pontos de média e lidera de audiência no início das tardes.

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Novidades

Na madrugada

Maria Paula deve mesmo ganhar um programa na Globo. Agora sob a batuta de Marlene Mattos, a integrante do "Casseta & Planeta, Urgente!" deve comandar uma produção com ares de colunismo eletrônico. A idéia é colocar a moça para fazer matérias e entrevistas em festas, eventos e badalações em geral. Corre nos bastidores que, caso o piloto seja aprovado, a emissora deve colocá-lo de madrugada, antes ou depois do "Programa do Jô".

Retorno biônico
A onda de remakes está invadindo a tevê americana. O canal NBC está com um projeto de ressuscitar a "Mulher Biônica", seriado produzido entre os anos 70 e 80 e exibido pela Globo na extinta "Sessão Aventura". A idéia é estrear a série, uma versão feminina de "O Homem de Seis Milhões de Dólares", já no primeiro semestre do ano que vem.

Empurrãozinho
Não será por falta de divulgação que o grupo musical Rouge, formado pelas vencedoras do "Popstars", não vai emplacar. O conjunto já tem agendado um show na Via Funchal, em São Paulo. A primeira apresentação ao vivo da banda formada por Aline, Fantine, Karine, Luciana e Patrícia acontece no dia 31 de agosto e será exibido no dia 1º de setembro, às 19 horas, pelo canal por assinatura Disney, parceiro do SBT na produção de "Popstars".

Filmes de peso
A renovação de contrato do SBT com os estúdios Warner Bros. vai até 2008 e até lá a emissora de Silvio Santos vai continuar contando com filmes de sucesso. O canal já tem garantido, por exemplo, os direitos de exibição do longa-metragem "Scooby-Doo", que ainda nem estreou nos cinemas por aqui. Além disso, o pacote inclui superproduções como "Harry Potter e A Pedra Filosofal", "A Senha", "Matrix 2" e "O Senhor dos Anéis".


A semana

Viagem no tempo
Neste domingo, às 7h40, o programa "Planeta Turismo", do SBT, vai contar um pouco da história de São Luís, capital do Maranhão. A equipe do apresentador Ruy Façanário vai à cidade histórica de Alcântara e mostra ruínas e construções do século 18. No trajeto, Ruy passa por Barreirinhas, porta de entrada dos Lençóis Maranhenses, e passeia por dunas e lagos até chegar à Ilha de Caju.

No ritmo do samba
Nesta segunda, o ator Cláudio Lins se despede do programa "A Vida é um Show" para se dedicar a "Sabor da Paixão", próxima novela das seis da Globo. Para encerrar sua participação no programa da Rede Brasil, às 21h50, ele recebe a dupla Arlindo Cruz e Sombrinha, ex-integrantes do grupo Fundo de Quintal, que estão comemorando seis anos ininterruptos de uma pródiga parceria.

No mundo dos esportes
A MTV estréia nesta quinta, às 23 horas, a segunda temporada do "MTV Sports", apresentado pelo tenista Fernando Meligeni. No programa, Meligeni e Supla vão até o Vale Nevado, no Chile, para fazer esqui e snowboard. Já João Gordo desafia o campeão panamericano de xadrez, André Diamant, de apenas 12 anos, para uma partida.

Faça você mesmo
No "A Grande Família" desta quinta, às 22 horas, na Globo, Agostinho mobiliza a família para instalar um ar condicionado no seu táxi. Ele alega que, assim, vai conseguir mais passageiros. Lineu se compadece do genro e resolve emprestar dinheiro para ele, mas Agostinho guarda a grana e decide fazer ele mesmo o serviço.

 
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