Joinville         -          Sábado, 2 de Fevereiro de 2002         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

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Cai o ritmo
de assentamentos

Queda chegou a 56% na área de terras para reforma agrária

Balanço divulgado ontem pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário mostra que, no ano passado, caiu o ritmo de assentamentos no País em relação a 2000. A queda foi de 56% na área de terras destinadas à reforma agrária e de 6% no número de famílias atendidas. Se forem consideradas famílias que ainda aguardam trâmites burocráticos para ter acesso às glebas, porém, a redução de assentamentos chegou a 23%.
A assessoria de imprensa do ministério explicou que uma greve de engenheiros agrônomos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), de setembro a novembro, atrasou a vistoria de áreas a serem desapropriadas. Além disso, 10% dos processos de desapropriação estão suspensos por determinação da Justiça, devido a ações movidas pelos proprietários.
Apesar da redução, o balanço mostra que o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso assentou, em 7 anos, mais do que o dobro de famílias em comparação aos 30 anos anteriores. Segundo o ministério, 584.655 famílias tiveram acesso à terra de 1995 a 2001, número que ficou em 218.033 nos anos de 1964 a 1994.
Os dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário foram contestados pelo presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Manoel dos Santos. "Não sabemos onde estão assentadas essas famílias. O ministério e o Incra precisam explicar melhor esses números", disse Santos.
De acordo com o balanço, 102.449 famílias foram atendidas no ano passado, embora 18.972 estejam ainda na fase de regularização das terras e não tenham sido efetivamente assentadas, segundo a assessoria de imprensa do ministério. Em 2000, o total de famílias chegou a 108.986, o mais alto nos sete anos de governo Fernando Henrique Cardoso. Já a extensão de terras destinadas à reforma agrária ficou em 1,69 milhão de hectares, em 2001, ante 3.86 milhões em 2000.
O balanço mostrou que o governo economizou R$ 654,7 milhões nos últimos cinco anos no pagamento de precatórios. Isso foi possível graças a medidas adotadas pelo ministério, como o fortalecimento de sua área jurídica. Caiu também o número de grilagens e invasões de terras no País.
O ministro Raul Jungmann minimizou a redução das áreas destinadas a assentamentos. "Não é redução. Em 2000 fizemos um grande estoque de terras que passaram a ser usadas no ano seguinte", disse Jungmann, enfatizando que, em ambos os anos, o governo cumpriu a meta de assentar pelo menos 100 mil famílias. O ministro anunciou que o IBGE vai realizar este ano um censo da reforma agrária para acabar com a polêmica em torno dos números divulgados pelo governo.


Enfarte em Cássia não é explicado

Rio - A morte da cantora Cássia Eller corre o risco de jamais ser esclarecida. Depois de 30 dias de investigações sobre o que a levou à morte, o Instituto Médico-Legal do Rio (IML) concluiu o que os médicos já haviam informado desde o dia da internação da cantora: as quatro paradas cardíacas que ela sofreu a mataram. Os peritos não descobriram o que causou o colapso no coração de Cássia.
O laudo do IML atesta que ela morreu de enfarte do miocárdio depois de múltiplas paradas cardiorrespiratórias, mas os legistas não têm "elementos tecnicamente hábeis suficientes" para determinar a causa dessas paradas. Diante dessa falta de "elementos", "os peritos não se opõem a que a morte tenha ocorrido por enfarte do miocárdio, devido às sucessivas paradas cardiorespiratórias".

Prontuário

O diretor do Instituto Nacional de Cardiologia Laranjeiras, Carlos Scherr, confirmou que o uso contínuo de drogas poderia provocar o enfarte numa mulher jovem, mas disse que o comportamento de Cássia ao chegar à Clínica Santa Maria não era o de uma paciente enfartada.
O presidente do Conselho Regional de Medicina (Cremerj), Mário Jorge Rosa de Noronha, disse não acreditar que Cássia tenha sido vítima de erro médico. Ele abriu sindicância para investigar a possibilidade e recebeu ontem o prontuário médico da Clínica Santa Maria. "Esse laudo não esclarece muita coisa. Algo aconteceu antes de ela chegar à clínica que provocou a parada cardiorrespiratória", afirmou o médico. O diretor da clínica, Mário Lúcio Heringer, não quis comentar o laudo do IML.


Cirurgião denunciado por morte

Goiânia - O cirurgião plástico Denísio Marcelo Caron foi acusado anteontem de ser o responsável pela morte de Adcélia Martins de Souza, no Distrito Federal. Ela internou-se na última terça-feira num hospital particular de Taquatinga, cidade-satélite, para fazer uma lipoaspiração e colocar prótese de silicone nos seios. O laudo do Instituto Médico-Legal (IML) atesta que a paciente sofreu perfurações que lhe causaram hemorragia interna.
O cirurgião plástico tem um prontuário enorme e estava proibido de exercer a profissão. Ele é acusado da morte de três outras mulheres em Goiânia, de ter causado seqüelas em outras e ainda responde a seis processos na Justiça de Goiás. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - Regional de Goiás - (SBCP-Go), que apura a morte de uma de suas pacientes, Flávia Oliveira Rosa,
morta no dia 12 de março de 2001, e o Ministério Público (MP) de Goiás, investigam o trabalho do médico. No momento, o MP prepara documentação para mover ação cautelar na Justiça. No Conselho Regional de Medicina (CRM-GO), há 35 sindicâncias em andamento e sete processos já instaurados.
As denúncias contra o cirurgião começaram a ser feitas à Justiça em outubro de 2000, por pacientes que afirmam ter ficado com seqüelas de cirurgias plásticas e de lipoaspirações. Em março de 2001, a SBCP-Go divulgou nota informando que estava apurando a morte de Flávia, na mesma ocasião em que o CRM-GO instaurou sindicâncias para apurar denúncias contra o médico.
Também em março do ano passado, Caron comprometeu-se com o MP em afastar-se dos consultórios até o fim das investigaões. A decisão do médico foi amplamente divulgada pela imprensa.
Em outubro de 2001, o CRM instaurou cinco processos ético-profissionais contra o cirurgião para apurar sua responsabilidade nos procedimentos nos quais haviam indícios de imperícia e imprudência.
Caron informou ao Hospital Anchieta, ao pedir ao centro cirúrgico para fazer cirurgias plásticas, que tinha registro no CRM de Goiás. O diretor administrativo do hospital, Eduardo Bermudez, disse que o hospital não tinha conhecimento dos processos que corriam contra Caron, muito menos do termo de compromisso com o MP.
A história de Caron em Goiás começou em março de 2000, quando Vera Lúcia Teodoro morreu 24 horas depois de submeter-se a uma cirurgia de lipoaspiração no abdome e plástica nos seios. Em janeiro de 2001, a advogada e concunhada do médico, Janet Virgínia Novaes, morreu nove dias depois de fazer uma lipoescultura com Caron. A família da mulher disse que ela teve seu intestino perfurado em seis pontos. Em 12 de março de 2001, Flávia de Oliveira Rosa morreu cinco dias após ter se submetido a uma lipoaspiraçao com o cirurgião.
Em depoimento na 12ª Delegacia de Polícia do DF, Caron afirmou que a morte da secretária Adcélia Martins após uma lipoaspiração oi uma "fatalidade". O médico também tentou responsabilizar um cardiologista, que, na UTI, teria comandado as medidas de emergência para salvar a paciente, entre elas uma incisão na altura do ombro esquerdo para introduzir um cateter para estimular o músculo cardíaco.
O delegado Alberto Vieira Bastos indiciou o médico por crime culposo. E, por enquanto, Caron permanecerá em liberdade.

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Presos teriam confessado
que mataram Celso Daniel

São Paulo - Dois ladrões presos ontem forneceram detalhes à Polícia Civil que poderão levar ao esclarecimento da morte do prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel (PT). Os policiais consideram as informações valiosas, mas não suficientes para encerrar o caso. "Ainda é cedo. Não tenho segurança. Estamos atrás de provas técnicas", declarou o delegado-geral, Marco Antonio Desgualdo. Policiais paulistas chegaram aos cinco suspeitos, apontados como possíveis envolvidos no assassinato de Celso Daniel, após denúncia de um informante. Dois deles começaram a dar detalhes que chamaram a atenção dos investigadores chefiados pelo delegado Ruy Ferraz Fontes. Somente quem participou da perseguição à Pajero do empresário Sérgio Gomes da Silva, onde estava o prefeito, ou conhecesse quem executou o crime poderia ter as informações. Os outros três fazem parte de uma quadrilha responsável por seqüestros relâmpagos.

Objetivo

Os doishomens teriam declarado ao delegado Ferraz Fontes que o objetivo dos seqüestradores era conseguir dinheiro. Eles ignoravam que estavam levando para o cativeiro o prefeito de Santo André e teriam decidido matá-lo por causa da repercussão do crime.
Os policiais não confirmaram as informações sobre uma possível confissão dos suspeitos. Eles reiteraram ser preciso encontrar provas, porque o que existe são bons indícios. Os dois homens presos estão ligados ao cativeiro da Rua Guaicuri, 80-F, na Favela Pantanal, Cidade Júlia, na divisa da zona sul da capital com Diadema. A prisão ocorreu em duas outras favelas próximas à Pantanal.


Greenpeace
protesta em
fórum social

Porto Alegre - Militantes do grupo ambientalista internacional Greenpeace, que participa do 2º Fórum Social Mundial, escalaram ontem a chaminé da Usina do Gasômetro, centro cultural localizado às margens do Guaíba, em Porto Alegre, e estenderam uma faixa de 30 metros, com a imagem do rosto do presidente norte-americano, George W. Bush. Eles queriam protestar contra a falta de ação de governos em todo o mundo, com destaque para os Estados Unidos, para deter as mudanças climáticas provocadas por gases emitidos por indústrias e veículos - o chamado efeito estufa, que aquece a temperatura da Terra.
O diretor-executivo mundial da organização, o alemão Gerd Leopold, acusou os governos dos Estados Unidos, Canadá e Austrália de estarem movendo "uma guerra contra o planeta" e de tentarem debilitar acordos ambientais internacionais, como o Protocolo de Kyoto, que determinava a redução progressiva de emissões nocivas.
A escalada da chaminé da usina não foi informada com antecedência. Os jornalistas foram convocados para um encontro num barco de turismo e levados até um ponto do rio Guaíba, de onde puderam observar a ação. Cerca de 20 pessoas participaram do ato.
No primeiro dia de seminários do fórum, o que se viu novamente foi a ausência de debates. Na maioria dos programas, predominou um uníssono: sobre os mais diversos assuntos, ouviram-se basicamente as mesmas idéias.


 
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