Joinville         -          Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2002         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

ANotícia  




 




Fachada

As "casas de massagem" transformaram-se em lugares de prostituição da moda. Um mundo movido a dinheiro e prazer.
Foto: Luiz Micheluzzi

Prostituição
maquiada como massagem

Polícia encontrou adolescentes em estabelecimentos clandestinos

Diogo M. Vargas
e Diego Santos

Segundo andar de um edifício comercial no centro de Joinville. Quatro moças aguardam homens e mulheres que procuram realizar seus desejos sexuais e, num lugar maquiado como "casa de massagem", a vez de somarem cifras de reais na espécie de prostituição da moda. O AN Cidade percorreu alguns dos endereços onde se pode apreciar garotas - muitas vezes com menos de 18 anos, entregues à corrupção, à exploração e às drogas - dividindo espaço num permanente mundo movido por dinheiro e prazer.
Funcionam em paredes de fachada, em regiões comerciais no centro, ou, em áreas residenciais de classe média, menos propícias a batidas policiais e aparentemente inofensivas à quebra da reputação pessoal e familiar.
Os ambientes são uma mistura de alegria e frustração. Estar neles, no papel de observador, não foi simples nem confortável. O telefone que não pára de tocar - uma casa recebe mais de 100 ligações por dia -, o entra e sai de todo o tipo de gente e uma pressão em cima de "serviços" e valores a todo o instante.
Sob a luz da verdade e da realidade, as protagonistas admitem estar ali também como um trabalho, uma forma de sobrevivência. "É uma experiência, como unir o útil ao agradável", diz uma gaúcha de 26 anos, casada, há um mês prostituindo-se no centro, numa sala de uma tradicional galeria.
A fiscalização é difícil. Esbarra no tarefa de mapear os pontos, maquiados como bares e whiskerias. Apesar disso, esforços dos órgãos competentes têm resultado em dor-de-cabeça aos proprietários de casas de massagens. Nos primeiros 15 dias deste ano, dois inquéritos policiais envolvendo adolescentes foram remetidos à Justiça. Os donos foram indiciados por favorecimento à prostituição. A investigação descobriu que duas adolescentes de 16 anos vieram do interior do Paraná. Uma delas tinha em seu poder documento de identidade de outra pessoa, maior de idade, e o apresentava à fiscalização quando exigido.
Em 2001, o Comissariado da Infância e Juventude fiscalizou mais de 50 casas. Em oito delas, foram encontradas adolescentes se prostituindo. Acabaram sendo retiradas e entregues aos pais ou responsáveis. Já os proprietários terminaram presos.
A Prefeitura notificou, nos últimos dois meses, 120 estabelecimentos. Muitos acabaram interditados. "A maioria funciona sem ter o alvará", diz a engenheira Raquel Kormann, chefe da divisão de obras e posturas da Secretaria de Infra-estrutura.


Profissional
teme confusão

Karini sexy. Hélen estilo mulherão. Lívia sedutora. Nomes e adjetivos que enchem páginas dos classificados dos jornais. Mexem com as fantasias e desejos de homens e mulheres. Para escapar dos rigores da lei, escondem-se atrás de uma respeitada profissão: massagistas. Com a proliferação das "casas de massagens" em Joinville, verdadeiros profissionais acabam tendo sua atividade confundida.
Karla Pereira Costa, 28 anos, há cinco, atende clientes que realmente precisam tratamento para superar dores no corpo. Karla está há poucos meses na cidade, mas o suficiente para perceber que garotas usam o nome de sua profissão para se prostituir. "Ficamos com receio na hora de anunciar. Pode aparecer uma pessoa que não procura exatamente uma massagem muscular", ressalta.


Programa vira alternativa na cidade

A história de Sheron (nome fictício) é típica do roteiro de uma novela das oito. Uma menina que saiu do campo com o sonho de se dar bem na cidade grande. Viajou quilômetros para esbarrar na dura realidade do desemprego. Sem dinheiro e longe do lar, encontrou na prostiuição uma alternativa de vida.
Conheceu meninas de uma casa de massagem, no centro de Joinville. "Não tinha mais o que perder." Por R$ 35,00 passou a se entregar. O apartamento onde está abriga outras cinco garotas. No ambiente, sujo e desorganizado, Sheron é uma espécie de líder. É nela que a proprietária confia na hora de acertar as contas.
"Damos até 50% do que ganhamos para a dona do apartamento que mora em Curitiba. Ela tem de pagar R$ 500,00 pelo aluguel da sala", revelou. Mesmo assim, garante que no final do mês tem lucro de até R$ 1 mil e ganha mais que muita gente formada.
Aos 23 anos, admite que não era exatamente o que queria para a vida. "Foi a minha primeira experiência. Nunca trabalhei em outro lugar." Na prostituição há dois anos, fala que sua família - mora no Paraná - não sabe como sobrevive em Joinville. "Meus pais trabalham na roça. Não ficaria colhendo verduras pelo resto de meus dias. Quero ganhar mais, ter dinheiro", contou.

Entrevista//Camile (nome fictício)

Clientela variada atende aos apelos de anúncios

Diogo M. Vargas
e Diego Santos

Com mais três garotas dividindo um espaço pequeno, porém, discreto, ela atende homens, mulheres, solteiros, casados, jovens, adultos novos ou nem tanto, durante 12 horas diárias, numa sala comercial do centro. Através de telefone divulgado em jornais e panfletos, oferece 'serviços' íntimos a partir de R$ 20,00. Aos 24 anos e mãe de dois filhos, a joinvilense de classe média alta, atualmente divorciada, aceitou conversar com a reportagem, desde que não fosse fotografada e identificada. Revela detalhes de uma vida de altos e baixos.

"A maioria é casado e pobre. Os pobres são certinhos. Já os ricos ficam pechinchando. O casado vem procurar fora o que não tem dentro de casa."

AN Cidade - Há quanto tempo você está na casa e como ela funciona?

Camile - Faz duas semanas. O atendimento é das nove da manhã às oito da noite.

ANC - Como entrou na prostituição?

Camile - Fui casada seis anos e meio. Nunca tive emprego. Me separei, não tenho uma profissão e não sei fazer nada. Fiquei aqui dois meses no ano passado. Fui embora e voltei. Já tenho bastante amizade nesse ramo, inclusive uma amiga que tem uma agência.

ANC - Encara essa "atividade" como algo normal?

Camile - Não é uma coisa que quero para o resto da vida. O bom é o dinheiro fácil. O preço do programa caiu muito de um ano para cá. Ganho uma média de R$ 1 mil por mês.

ANC - Como é a relação com os clientes?

Camile - A maioria é casado e pobre. Os pobres são certinhos. Já os ricos ficam pechinchando. O casado vem procurar fora o que não tem dentro de casa.

ANC - Chegou a se envolver com algum?

Camile - Não. Talvez eles já se envolveram comigo.

ANC - Nunca tentou estudar e ter um emprego normal?

Camile - Fiz o 2º grau completo. Não gosto de estudar. Acho que a vida ensina mais do que uma escola. Hoje em dia também não tem trabalho.

ANC - A família sabe da escolha?

Camile - Não. Que orgulho terão de mim. Acho que me abandonariam.

ANC - Muitas mulheres afirmam que entram nessa vida porque tiveram alguma decepção amorosa. Foi o seu caso?

Camile - Não. Geralmente são mulheres que têm filhos. Não conseguem serviço e procuram essa vida para sustentá-los. Aqui dentro é uma coisa. Lá fora é outra. Ninguém sabe que eu faço programa. Vim de uma família classe média alta, de educação rígida. Sou considerada a ovelha negra e a única errada.


CARNAVAL

Larissa Santos, Larissa Nogueira e Caroline gostaram das roupas de papel crepom criadas pelas professoras e prometem muita folia.
Foto: Cleber Gomes

Use a criatividade
e faça a sua fantasia

Genara Rigotti

A menos de uma semana do Carnaval, está mais do que na hora de pensar qual vai ser a fantasia para esta temporada de folia. Várias lojas da região trabalham com esses artigos, principalmente nesta época do ano, mas existem soluções práticas e baratas que podem ser confeccionadas em casa mesmo, com materiais que poderiam acabar no lixo, ou que estão guardados no fundo do baú.
Restos de papel alumínio, de papel crepom, de garrafas plásticas de refrigerante, lacres de latinhas, balões, retalhos de tecidos, aquelas roupas velhas que já não servem mais, e até papel de bala ou de bombom, podem se transformar em belas fantasias para garantir a diversão, sem muitos gastos.
As professoras da Creche Comunitária Meu Pequeno Mundo, do bairro Adhemar Garcia, usaram muita criatividade e reaproveitaram os materiais de trabalho, para confeccionar as fantasias dos pequenos. Larissa Santos, Larissa Nogueira e Caroline, todas com quatro anos, adoraram as roupas de papel crepom, criadas pelas "tias", e afirmaram que neste Carnaval vão pular pra valer.
Algumas dicas são importantes para a diversão ser completa: tomar muito líquido, preferir comidas leves e nutritivas e usar roupas bem leves, para não se desidratar. Estar sempre acompanhado dos pais ou adultos responsáveis nos bailes de Carnaval dos clubes e também nas praias, onde não se deve ficar muitas horas no sol forte, para evitar problemas de pele.


Curiosidades

Saiba como surgiu o Carnaval

O Carnaval teve início há mais de 10 mil anos antes de Cristo, quando homens, mulheres e crianças se reuniam no verão com os rostos mascarados e os corpos pintados para espantar os demônios da má colheita. Atualmente, os famosos carnavais da Europa, de cidades como Paris, Veneza, Munique e Roma, praticamente desapareceram. A palavra "carnaval" pode ter sua origem na expressão latina carrum novalis, com a qual os romanos abriam seus festejos, ou na palavra carnelevale, do dialeto milanês, que significa "adeus à carne" - relacionada com os 40 dias antes da Páscoa.

A festa brasileira

No Brasil, o carnaval surgiu em 1723, com a vinda dos imigrantes portugueses, das ilhas da Madeira, Açores e Cabo Verde. As festividades carnavalescas eram chamadas de entrudo (significa "entrada"). Durante o entrudo, aconteciam brincadeiras, como o mela-mela de farinha, água com limão e as batalhas de confetes e serpentinas. Bem mais tarde, em 1855, é que surgiram os primeiros grandes clubes carnavalescos do País. Mas foram os cordões e blocos que originaram as famosas escolas de samba, algumas que existem até hoje. As escolas desfilaram pela primeira vez em 1935.

Crie sua própria fantasia
1
- Com um tecido para forro de roupa a mamãe pode costurar uma saia e uma blusinha bem simples, onde vai ser aplicado o material que você tiver disponível em casa. Também serve um conjuntinho mais velho, aquele que você já está quase abandonando.
2- Sobre a blusa cole papéis de bala, ou de bombom bem esticadinhos, um ao lado do outro (é preciso que seja uma cola própria para tecido). Na saia costure cada papelzinho de bala em forma de leque, cobrindo todos os espaços.
3- Você também pode forrar uma bolsa, enfeitar a sandália ou uma sapatilha e fazer os acabamentos com a própria bala colada ou costurada na cintura e nas alças da blusa. No cabelo os arranjos também podem ser feitos com balas e para finalizar faça uma maquiagem bem colorida para entrar no ritmo da folia.

Mais dicas...
*** O papel de bala também pode ser substituído por cartões telefônicos ou bilhetes de passagem de ônibus, que podem ser costurados (começando de baixo para cima em camadas, tanto na saia, quanto na blusa).
*** Para os meninos, uma jardineira forrada com papel alumínio vai lembrar um astronauta. Se tiver um capacete pode forrá-lo, ou então aproveite um boné bem velho. O importante é soltar a criatividade. Os sacos de lixo também são uma ótima opção para aquelas famosas capas, que os garotos tanto gostam. As máscaras podem ser feitas com cartolina ou papelão, pintados e enfeitados com purpurina.
*** Plástico colorido, balões vazios e lacres de latinhas costurados na roupa têm um efeito muito interessante. Canudinhos podem se tornar saias e garrafas recortadas podem se tornar lantejoulas coloridas gigantes, que vão servir para forrar blusas, biquínis e máscaras.

Fonte: As dicas das roupas e materiais são das estudantes de estilismo Talita Santiago e Sandy Luana Lindner.

Agende-se
Na região Norte, o maior agito acontece mesmo é nas praias, mas vários clubes e sociedades, também estão organizando uma programação bem divertida, com muita dança, música, concursos e brincadeiras. Convide o papai e mamãe e aproveite.

Joinville
* Sociedade Esportiva e Recreativa Alvorada: somente na terça-feira, dia 12, a partir das 15 horas. Telefone (47) 437-1128
* Sociedade Esportiva e Recreativa Dallas: domingo, dia 10, e na segunda-feira, dia 11, a partir das 15 horas. Telefone (47) 436-1642

São Francisco do Sul
* Clube Náutico Cruzeiro do Sul: domingo, dia 10, e na terça-feira, dia 12, a partir das 15 horas. Telefone (47) 444-2493
* Praia da Enseada: a programação para a garotada é na tenda da Petrobrás, no domingo, dia 10, e na terça-feira, dia 12, das 15 às 18 horas. Telefone (47) 444-5380
* Centro Histórico: domingo, dia 10, e terça-feira, dia 12, a partir das 15 horas. Telefone (47) 444-5380

Barra Velha
* Sociedade Barra Velha: tardes de domingo e terça-feira. Telefone (47) 456-3690

Balneário Barra do Sul e Piçarras
* Ainda estão definindo a programação do Carnaval 2002, mas prometem muita diversão para a garotada.
Itapoá: segundo a Secretaria de Turismo do Município, não haverá programação infantil.

Se você tem alguma sugestão ou material de interesse para o público infantil, entre em contato pelo telefone (47) 431-9108, escreva para AN Cidade/Criança, rua Caçador 112, Cep 89203 -610, Joinville - SC, mande um fax para o (47) 431-9100 ou um e-mail para anoticia@an.com.br, aos cuidados da repórter Genara Rigotti.


Alcino, a volta
depois de 26 anos

Treinador recomeça no time alvinegro a sua trajetória no futebol profissional estadual

Oliver T. Albert

Otimismo e muito trabalho são as marcas do novo técnico do Caxias, Alcino Carvalho Simas, 59 anos, para o primeiro grande teste do time neste ano: a seletiva do Campeonato Catarinense. Na apresentação dos 12 jogadores contratados até o momento, que ocorre amanhã, às 17 horas, Simas conversará com todos os atletas para esboçar a equipe titular. "Provavelmente teremos cerca de 24 a 26 jogadores no elenco, que é um número bom", diz o treinador caxiense.
Alcino Simas é um líder conhecido em Joinville. Após iniciar a carreira como jogador profissional no Carlos Renaux, de Brusque, nos anos 60, ele foi jogar no Corinthians de Presidente Prudente (SP), em 1962. Permaneceu por dois anos no time paulista e, depois de se frustrar com a sua não transferência para a Ferroviária, de Araraquara (SP), voltou para Santa Catarina, onde atuou pelo Guarani, de Blumenau.
Mais tarde fora vendido para o poderoso time profissional da Tupy, saindo em seguida para defender o alvinegro joinvilense. "O Caxias tinha uma boa equipe, mas acabei voltando a Blumenau e, aos 26 anos, para o América, de Joinville", relembra o treinador, que em 1975 começou a trabalhar no Besc, onde ficou por 26 anos, aposentando-se como gerente. "Exercia uma boa função lá dentro e só dividia o tempo com o cargo de técnico de futebol em algumas vezes", completa.
Em sua volta ao time profissional, depois de ser o último técnico do próprio Caxias, em 1975, antes da fusão que originou o Joinville Esporte Clube (JEC), Alcino Simas afirma que não vê muitos problemas. Para ele, treinar um time com jogadores profissionais é "mais fácil que uma equipe amadora". Ele explica que um grupo como o do Caxias, por exemplo, irá absorver melhor seus ensinamentos. "Além disso, temos uma boa estrutura", destaca, lamentando apenas o modo como o Caxias está perdendo o seu estádio.


ROTEIRO DE VITÓRIAS
Jogador e treinador com diversas conquistas em lugares diferentes

  • Alcino Simas nasceu em Tijucas e se mudou para Joinville ao 12 anos, onde jogou no juvenil do Glória e no Fluminense, do Itaum
  • Aos 16 anos foi a Brusque para atuar pelo Carlos Renaux
  • Em 1962, foi transferido para o Corinthians de Presidente Prudente (SP). Ficou dois anos
  • Após tentativa frustrada de se transferir para a Ferroviária, de Araraquara (SP), voltou para Santa Catarina, em 1964
  • Iniciou as idas e vindas, passando pelo Guarani, de Blumenau, Tupy, Caxias, novamente Guarani e América, todos como jogador
  • Mais tarde, tornou-se técnico do Caxias, onde ficou até 1975, quando iniciou o processo de fusão que originou o JEC. Simas foi o último treinador do alvinegro
  • Em 1976 trabalhou no JEC, 1977 no Besc e 1978 campeão pelo Joinville. Foi também tricampeão de juniores do JEC como diretor de futebol
  • Em 2002 volta ao futebol profissional depois de 26 anos, período em que trabalhou no futebol amador e no Besc (aposentou-se como gerente). Ele foi seis vezes campeão amador, sendo quatro pelo rival América, duas pelo Grêmio 25 de Agosto


Sobram técnicos
no futebol amador

Poucos times já definiram nomes para Primeirona

O mercado do futebol amador de Joinville encontra-se em baixa com relação à cotação dos treinadores. A oferta é bem maior que a procura e tudo por conta da mudança de procedimento de muitos clubes. A maioria reduziu os investimentos e que deixa vários "desempregados". Até o Tamandaré, que chega com o melhor orçamento para esta temporada, recorreu a uma solução caseira, aproveitando Ivo Pereira.
A novidade vem mesmo do Jardim Iririú, onde a Associação Atlética Serrana deixa de lado os elevados gastos para empregar um sistema de apoio e incentivo aos atletas jovens. Junto a esta proposta o clube acrescenta a chegada do técnico Renaldo Nalo Blank, que tem este sistema como uma prática comum.
"Nada de gastos fora do comum", recomenda José Sandro Duca de Souza, presidente da Serrana. O dirigente do clube alviverde avisa que do elenco do ano passado ficam apenas o goleiro Sid, volante Mineiro e o zagueiro Sidnei, este de Massaranduba. A meta é dar incentivo aos atletas revelados no clube, entre eles os ex-juniores Cleiton, Jonatan e Norberto.
A rigor, antes da Serrana, apenas o Tamandaré com Ivo Siri Pereira e a Tupy, mantendo Reinaldo Mateussi, são os poucos clubes da Primeirona com técnicos difinidos para 2002. O América tenta contar com Da Silva (ex-Tamandaré), mas depende de patrocinadores para montar um estrutura melhor do que teve no ano passado.
Até o Pirabeiraba ainda não acertou o nome do treinador. Tudo indica que Norberto Davet seja mantido. "Ainda vamos ter uma reunião, na próxima quarta-feira, e só daí é que vamos saber se fico", observa Davet. Neste encontro o Pirabeiraba também vai confirmar a festa da entrega das faixas, que não deve sair antes do dia 24.
No 25 de Agosto, o presidente Claudecir Raulino ainda não tem um substituto para Paulo Roberto Martins, mesmo que já tenha recebido algumas propostas. E deixa transparecer suas preferências: "Gosto do trabalho de dois treinadores: Da Silva e Jeferson Teco". (Roberto Dias Borba)


Resultados não
garantem vaga

Jeferson Teco foi outro técnico estreantes na Primeirona do ano passado. Mesmo sem muitos investimentos conseguiu levar o Fluminense ao quadrangular decisivo do campeonato. O trabalho não foi suficiente para encantar os novos diretores do Caldeirão do Itaum. Resultado: Teco é um dos técnicos "desempregados" no futebol amador joinvilense. "Gostaria de fazer um trabalho num clube com estrutura, que tenha vontade de chegar às finais e ser campeão", disse logo depois de deixar o tricolor do Itaum.
O Fluminense ainda estuda alguns nomes para assumir o time. As preferências ficam para Linor do Rosário e Valdir Frigideira, este vice-campeão pelo Juventus na Segundona do ano passado. Ainda na zona Sul, outro nome em disponibilidade é do experiente João Araújo, acostumado a revelar novos talentos. Enquanto na zona Leste, o "desempregado" é o gaúcho Jones Roberto Fernandes, que dirigiu a Serrana depois da saída de Alcino Simas. (RDB)

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LÁGRIMAS
Terezinha da Luz não se conforma com a morte da filha Deise (no detalhe), ocorrida em julho do ano passado
Foto: Luiz Micheluzzi

Um sonho
enterrado pela tragédia

Família da adolescente Deise dos Reis, morta por PMs em junho do ano passado, pede justiça

Diego Santos

A estudante Deise Fagundes dos Reis, 15 anos, sonhava com as passarelas. A família já guardava dinheiro para a matrícula em uma agência de modelos. Mas, na madrugada do dia 3 de junho do ano passado, um erro de dois policiais militares encerrou os planos e a vida da bela menina. Deise levou um tiro na escuridão da estrada Aratacas, bairro Vila Nova, confundida com um marginal. E morreu horas depois.
Na parede de uma dos cômodos de sua residência - a poucos quilômetros de onde foi assassinada -, a foto que tirou minutos antes da tragédia é a maior recordação da mãe, Terezinha da Luz Soares de Lima. "Foi ela quem mais apareceu nas fotos e no vídeo da festa. Deise não queria, mas os colegas insistiam", lembra a mãe. A estudante voltava de um encontro com os amigos da escola na companhia de Gilmar Luiz Mira Júnior, 18 anos, em um Ford Pampa. Os policiais Dobner e Guerber efetuaram dois disparos certeiros que atingiram os jovens pelas costas.
Apesar de seqüelas, Júnior se recuperou depois de ficar quatro meses no hospital. Deise não teve a mesma sorte. Morreu minutos após dar entrada no Hospital Municipal São José. Os familiares receberam a notícia pouco depois, através de um tio de Júnior. Terezinha já não tinha mais a filha que queria ser modelo, pouco saía de casa e tinha medo do escuro e de bandidos. "Até agora, não fizeram nada. Minha filha foi assassinada pela incompetência de policiais, mas é como se nunca tivesse existido", diz, revoltada.
A mãe de Deise sabe que a punição aos PMs não trará sua filha de volta. Mas servirá como um conforto, um comprovante de que ela tinha algum valor. "Ficou um vazio muito grande. Minha filha saiu feliz e não voltou para casa. Olho para a foto e lembro de que, oito meses depois, tudo está sendo esquecido", lamenta.
A expectativa por justiça move, hoje, a família da estudante Deise Fagundes dos Reis. A menina que teve o sonho de modelo interrompido precocemente. Segundo a mãe Terezinha, o acontecimento na estrada Aratacas, na madrugada do dia 3 de junho, nunca ficou totalmente esclarecido. O matagal nas duas margens da estrada contribui ainda mais para aumentar as dúvidas sobre o que a viatura 766 da Polícia Militar estava fazendo naquele local, à 1 hora da madrugada.
O inquérito policial militar (IPM) já foi concluído e o caso está sendo analisado no Ministério Público Estadual, em Florianópolis. O promotor Elói Dalabrida é o responsável pelo andamento do processo. A assessoria de imprensa do órgão informou à reportagem do AN Cidade que Dalabrida está de férias. Os assessores avisaram, ainda, que o promotor substituto não tem conhecimento sobre o caso. "Enquanto isso, permanecemos nessa angústia, sem saber se o assassinato de minha filha terá solução", desabafa Terezinha.


Jovens foram confundidos
com assaltantes do Paraná

Uma caçada a caixeiros (arrombadores de caixas eletrônicos) de Curitiba, que se escondiam da polícia em Joinville, pode justificar a atitude dos PMs Dobner e Guerber. Segundo o subcomandante do 8º Batalhão da Polícia Militar (BPM), coronel Ricardo Broening, os policiais suspeitavam que os assaltantes de caixa eletrônico usassem a estrada do Sul para fugir, evitando a rodovia BR-101.
"A caminhonete não obedeceu uma ordem de parar e os policiais atiraram. Provavelmente acreditando que se tratavam dos assaltantes", justifica Broening. Segundo o subcomandante, as luzes do veículo - que trafegava no sentido contrário ao dos policiais - impediram que Dobner e Guerber identificasse o carro. Os tiros atingiram as costas dos jovens, ou seja, os disparos aconteceram quando a caminhonete já havia ultrapassado a viatura.
Apesar de os familiares de Deise garantirem que viram os policiais em atividade nas ruas de Joinville, o coronel afirma que, após o episódio, Dobner e Guerber realizam apenas tarefas burocráticas dentro do 8º BPMo. "Talvez, em algum dia, necessitávamos de mais policiais para alguma operação e eles foram convocados", admite. Mas isso, segundo Broening, aconteceria apenas em casos extremos. Os policiais militares envolvidos na morte da estudante Deise não foram encontrados pela reportagem do AN Cidade. (DS)


Marca de tiros e
triste lembrança

Baleado pelas costas, jovem ficou 4 meses hospitalizado

Diego Santos

Quatro meses no hospital, corpo marcado pelos tiros e uma doença crônica chamada osteomielite. Apesar disso, Gilmar Luiz Mira Júnior, 18 anos, ainda encontra motivos para comemorar. "O médico disse que eu não andaria mais. No mínimo, ficaria com uma perna menor que a outra", conta. "Por sorte, consigo caminhar perfeitamente".
Júnior lamenta a morte de Deise, "a maior inocente da história". "Gostava muito dela. Sua família era como se também fosse minha", comenta. Em sua residência, na rua Nilo Peçanha, bairro Floresta, Gilmar lembra os detalhes da fatídica madrugada do dia 3 de junho do ano passado.
Por volta das 22 horas, foram buscar Deise em uma festa na estrada do Sul. A estudante preferiu ficar até mais tarde e pediu que voltassem à 1 hora. No horário marcado, Júnior pegou seu carro, um Ford Pampa e foi ao encontro de Deise. "Quando retornávamos, cruzei com a viatura na estrada Aratacas. Achei que tinha entrado na rua errada e retornei poucos metros", conta.
Gilmar só não esperava que os policias os aguardassem em tocaia. Ao passarem pela viatura, os agentes atiraram. O primeiro tirou acertou a bacia de Júnior. O segundo perfurou o pulmão de Deise. "Ela disse: 'levei um tiro, Júnior', depois caiu em meu colo", relembra. A Pampa ainda rodou por aproximadamente 1.500 metros. Quando parou, Júnior já não tinha mais forças para se mover.
"Os policiais se aproximaram gritando: 'sai do carro ladrão, com as mãos para cima. Sai do carro'". Logo, perceberam que se tratava de dois adolescentes e se encarregaram de chamar o socorro. Deise chegou ao hospital conversando com os paramédicos. Dizia que suas costas ardiam e pedia que chamassem seus pais. Menos de uma hora depois, faleceu com hemorragia interna. "Quando os socorristas chegaram, perdi os sentidos e só acordei no hospital", afirma Júnior.


Tratamento deve ser prolongado

A tragédia mudou a vida de Júnior. Além das marcas no corpo e da doença crônica, o peso de ser um dos principais personagens da história da morte de Deise o incomoda. A garota com quem tinha a esperança de um dia namorar morreu ao seu lado. "Acho que começaríamos algo mais sério naquela noite", acredita. Dois policiais e dois tiros interromperam tudo de forma precoce. Uma vida se partiu e outras ficarão marcadas para sempre.
A osteomielite crônica Gilmar ainda vai carregar por muito tempo. "Ainda sinto dores na região em que fui atingido. O que aconteceu foi um absurdo", protesta. Periodicamente, deve ir ao hospital para fazer a limpeza dos ossos da bacia, que infeccionam com facilidade por causa do tiro. "Esse trabalho exige que ele passe dias em tratamento", revela o pai de Júnior, Gilmar Luiz Mira, 38 anos.
Gilmar Luiz lembra que só poderá entrar com um processo por danos morais e físicos contra o Estado quando os policiais forem julgados. "Se tudo demorar 500 anos, teremos de esperar", comenta. Segundo Mira, o episódio mostra o real preparo dos homens destinados à segurança da população. "Com certeza, estamos correndo risco", acusa. (DS)


DIC apura envolvimento
de bando em 3 assaltos

Depois de dois dias, a Divisão de Investigação Criminal (DIC) conseguiu apurar que, em pelo menos três assaltos, houve a participação de integrantes da quadrilha liderada por Vilmar Burato Siqueira, que está foragido. Quatro integrantes do bando foram presos na tarde de quarta-feira, em dois locais na localidade de Lagoinha, no Morro do Meio. São eles: Valmir Antônio Burato Siqueira, 31 anos - irmão do líder, José Osni Catafesta, 41 anos, Luciano Carlos Marques, e Kátia Roberta Lazarotto, 22 anos. Os assaltos desvendados foram dois contra a agência do Banco do Brasil, e contra a residência do agricultor João Luiz Hattenhauer, ambos em Garuva.
Os roubos contra o Banco do Brasil aconteceram em 5 de setembro e em 28 de dezembro do ano passado, e teria rendido cerca de R$ 20 mil para cada quadrilheiro. Foram reconhecidos pelas vítimas Jackson Diego Vaz e José Osni Catafesta. O assalto contra a residiência dos Hattenhauer, em 21 de dezembro do ano passado, na estrada Caovi, rendeu à quadrilha talonários de cheques, aproximadamente R$ 320,00 e outros objetos. De acordo com o que foi apurado na época pela polícia, a quadrilha chegou um dia depois que o agricultor já tinha realizado o pagamento do 13º salário para seus empregados. Os cheques da vítima, inclusive, estavam em poder do bando preso quarta-feira, o que confirma o envolvimento dele. (MO)


Restauração de
igreja em ritmo lento

Obra em cartão postal de São Francisco está longe de acabar

Fernando Augusto
Especial para o AN Cidade

Um dos cartões postais mais famosos de São Francisco do Sul, a Igreja Matriz Nossa Senhora da Graça está fechada para visitas. Pode apenas ser fotografada. Desde fevereiro do ano passado, passa por uma reforma geral. Em um mês, a primeira fase da obra, fiscalizada pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), termina, com a instalação da rede elétrica. Nesta semana, um grupo de turistas argentinos se contentava em apenas ver um dos marcos históricos da cidade pelo lado de fora. A restauração ainda vai levar meses.
O engenheiro-proprietário da Vineli Serviços de Engenharia e Terraplenagem, Godofredo Moreira Filho, informa que em 30 dias fica pronta a instalação elétrica. Depois, entra-se na fase de acabamento, que inclui, entre outras melhorias, pinturas interna e externa. "Tivemos de parar a obra algumas vezes para atender às exigências do Iphan e reforma do galpão paroquial, onde atualmente estão acontecendo as missas", conta Godofredo. Foram investidos R$ 133 mil nesta fase da obra.
Registros no Museu Histórico de São Francisco do Sul mostram que a primeira construção para abrigar a Igreja Nossa Senhora da Graça data de 1665. A cobertura foi realizada em 1793. O reboco das paredes, a pia batismal e três pias de água benta foram conquistados em 1802, com recursos da Câmara Municipal. Depois de 20 anos, iniciaram-se a pintura e o acabamento do prédio, também com verbas da Câmara, isso em 1822. Um órgão comprado em 1823 completou a implantação da Igreja Matriz.
Originalmente, foi construída em estilo veneziano, com uma só torre. Passou por várias modificações. A última foi a inclusão de uma segunda torre, sugerida pelo vigário, frei Sebaldo, com donativos deixados por José Basílio Corrêa, em 1926.


Grêmio 25 prioriza
investir em obras

Posse da nova diretoria marca compromisso com melhorias

ROBERTO DIAS BORBA

A posse de Claudecir Raulino em substituição de Silvino Possamai não representa a mudança da proposta do Grêmio Esportivo 25 de Agosto em ter como prioridade a atenção e o cuidado com o patrimônio. "Só vamos aplicar no futebol aquilo que for garantido com patrocínios", anunciou o novo presidente gremista, empossado no cargo na quinta-feira.
Em solenidade concorrida e prestigiada por gremistas de diferentes épocas, a nova diretoria com o presidente Claudecir Raulino e o vice José Ademir Negherbon teve a oportunidade de sentir prestígio e apoio para o início da nova gestão. Em troca, Claudecir anuncia que serão realizadas obras de melhorias no patrimônio seguindo uma lista de prioridades.
A primeira obra será a construção de um muro em torno do imóvel do clube e ainda colocado em portão frontal, na rua Iguaçu. Em seguida, a meta é concluir os vestiários da casamata recentemente construída na lateral do campo. O novo presidente também pretende profissionalizar o clube. A proposta começou a ser colocada na noite da posse, quando começou a atuar o vigia. Um outro funcionário do clube será um zelador. "Vamos profissionalizar seguindo um planejamento", explica Claudecir.
Na quinta-feira à noite foi empossada a nova diretoria com 41 integrantes. Ainda faltam dois cargos - de diretor de futebol e o representante junto à Liga Joinvilense de Futebol. "Temos alguns nomes para o departamento de futebol. E só quando ocorrer uma definição é que vamos tratar de acertar com um treinador", revela o presidente empossado. "O futebol é, inegavelmente, o maior produto que o clube tem e por isso é importante que tenhamos sucesso para que tudo possa andar bem", completa.

 
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Por: Torque Comunicação e Internet