Joinville
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Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2002
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Santa Catarina - Brasil
ANotícia
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Rebelião deixa 45 mortos
em presídio de Rondônia
Presos protestavam
contra a superlotação e decisão que os impedia
de circular no prédio
Um
motim iniciado durante a madrugada de ontem na penitenciária
Doutor José Mário Alves da Silva, conhecida como
Urso Branco, em Porto Velho (Rondônia), deixou 45 presos
mortos. Os detentos controlaram a penitenciária até
as 18h (horário de Brasília), quando a PM entrou
no local. O presídio tem capacidade para 400 pessoas e
abrigava 800. De acordo com os policiais, as mortes foram provocadas
por uma briga entre facções rivais. Aproveitando
a situação, houve tentativa de fuga. Ainda segundo
a PM, os corpos dos mortos foram encontrados amontoados no pátio,
com marcas de golpes de "chuchos", armas artesanais
feitas com barras de ferro.
O diretor do Depen (Departamento Penitenciário Nacional),
Ângelo Roncalli, disse que, se forem confirmadas as 45
mortes, esse terá sido "o incidente mais grave no
sistema penitenciário desde o ano passado". Ele não
quis falar em relação aos anos anteriores.
Segundo Roncalli, a situação do presídio
preocupa o governo federal, que acompanha a precariedade do sistema
prisional do Estado há quatro meses.
Na manhã de terça-feira, os detentos já
tinham tentado fugir. "Eles correram para o muro atirando
na direção dos policiais", afirmou o tenente-coronel
José Rodrigues, da central de comunicação
da PM. Na revista feita após o incidente foram encontrados
um revólver calibre 38, barras de ferro, "chuchos"
e celulares. "Provavelmente eles (os presos) conseguiram
esconder outras armas, utilizadas ontem", disse Rodrigues.
O governador em exercício, Miguel de Souza (PFL), reuniu-se
com o superintendente de Assuntos Penitenciários, Abimael
dos Santos, com o juiz da Vara de Execuções Penais,
Arley Souza, e com o presidente da seccional da OAB (Ordem dos
Advogados do Brasil), Hiram Marques, para definir como controlar
a rebelião.
Presídio tinha 12 túneis
Outro possível motivo para a rebelião teria
sido uma decisão da Vara de Execuções Penais
restringindo a circulação dos detentos no interior
do presídio.
A Comissão de Justiça e Paz enviou, há cerca
de um mês, relatório sobre o presídio para
a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados
e para a Superintendência de Assuntos Penitenciários
de Rondônia. No ano passado foram encontrados 12 túneis.
O arcebispo de Rondônia, dom Moacyr Grecchi, disse que
um dos presos teve a cabeça separada do corpo. Até
o fechamento desta edição, ainda hão havia
sido divulgada a lista com os nomes das vítimas.
FHC verifica
prejuízos em Goiás Velho
Brasília - O presidente Fernando Henrique Cardoso viaja
hoje para a cidade de Goiás Velho, antiga capital do estado
de Goiás, para visitar os sítios históricos
afetados pelo transbordamento do Rio Vermelho, que corta a cidade.
Ontem, o ministro da Cultura, Francisco Weffort, anunciou que
serão liberados R$ 2 milhões do Programa Monumenta,
que tem apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID),
para o início das obras de reconstrução
dos monumentos e prédios históricos de Goiás
Velho, destruídos pelo temporal de segunda-feira. O estado
receberá a verba em caráter emergencial, para utilizar
de forma imedita.
O ministro também viaja amanhã para a cidade de
Goiás, acompanhado do secretário do Patrimônio,
Octávio Elísio Brito, do presidente do Instituto
de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
(Iphan), Carlos Heck e do coordenador do Programa Monumenta,
Pedro Taddei, para avaliar junto com o governador do estado de
Goiás, Marconi Perillo, quais as outras medidas devem
ser adotadas e avaliar os danos provocados pela tempestade. A
coordenadora da área de cultura da Unesco/Brasil, Jurema
Machado, também vai ao local, verificar a situação
do município. Segundo ela, a Convenção de
Patrimônio Mundial prevê um fundo para emergências
no valor máximo de U$ 50 mil. "A liberação
dessa verba deve ser rápida, o pedido vai ser encaminhado
e em questão de dias teremos a resposta", afirmou.
Seqüestrador de Silvio
Santos morre em São Paulo
São Paulo - Fernando Dutra Pinto, de 22 anos, que seqüestrou
Patrícia Abravanel, de 24, matou dois investigadores,
feriu um outro e manteve o pai de Patrícia, o apresentador
Silvio Santos na mira de uma arma automática durante cinco
horas, morreu ontem, no trajeto entre o Centro de Detenção
Provisória (CDP) 2 do Belém e o Hospital Municipal
do Tatuapé, em São Paulo. A hipótese de
assassinato por envenenamento é uma possibilidades que
estão sendo investigadas pela polícia. "Meu
filho era forte, estava bem de saúde, tinha apenas um
resfriado. Sua morte tem de ser muito bem explicada", disse
o pai, Antonio Sebastião Pinto. Lembrou que o filho tinha
bronquite desde os 10 anos. O seqüestrador, que estava no
CDP desde 31 de agosto, tomava um remédio para bronquite
e havia reclamado ao pai de sentir dores no peito desde sexta-feira.
O pai e a advogada do preso, Maura Marques, acreditam que Dutra
Pinto pode ter sido vítima de omissão de socorro.
A polícia, o Ministério Público e o Poder
Judiciário apuram, além da hipótese de envenenamento,
a possibilidade de intoxicação por medicamentos,
broncopneumonia ou parada cardiorrespiratória.
Segundo o diretor do Instituto Médico-Legal (IML), José
Jarjura Jorge, a causa da morte foi septicemia (infecção
generalizada) e pneumonia. "Vamos fazer uma série
de exames para determinar o que provocou a septicemia",
explicou Jarjura. "O corpo estava íntegro, sem lesões
externas ou internas." Em 20 dias, o IML deve divulgar o
resultado dos exames.
As informações sobre intoxicação
alimentar por carne de porco são contraditórias.
No sábado, segundo a advogada, Dutra Pinto almoçou
carne de porco. Passou mal e foi internado na enfermaria da prisão.
O secretário da Administração Penitenciária,
Nagashi Furukawa, desmentiu a advogada mostrando o cardápio.
PM investiga atuação
de policiais em tumulto
Curitiba - A Polícia Militar do Paraná investiga
a atuação de policiais durante um tumulto na festa
de passagem de ano na Avenida Atlântica, em Guaratuba,
no litoral do Estado. Nove pessoas foram presas - seis por conduta
incoerente e três por lesão corporal e resistência
- e 25 foram atendidas no pronto-socorro, entre elas, dois policiais,
um deles com um dos dedos da mão quebrado. Uma fita de
vídeo feita por um cinegrafista amador e depoimentos servirão
como provas.
O comandante da companhia de Guaratuba, capitão Marcelo
Figueiredo, disse que nenhum dos depoentes tinha reclamado da
conduta dos policiais e nem havia sido registrada qualquer queixa
contra eles. Segundo Figueiredo, até onde se pôde
levantar, os policiais agiram no cumprimento do dever, ao tentarem
conter o tumulto. "Se houve algum excesso, o comando tomará
uma atitude", afirmou.
Brasília - O desafio da Empresa Brasileira de Pesquisas
Agropecuárias (Embrapa), neste ano, será o aumento
de sua participação nas questões ambientais
e o incremento de ações para a agricultura familiar.
A afirmação é do presidente da Embrapa,
Alberto Duque Portugal, para quem "há uma massa de
aproximadamente 4 milhões de pequenos e médios
produtores que enfrentam problemas de sobrevivência".
Portugal disse que estas pessoas dependem de uma tecnologia apropriada
para se inserir no mercado e, por isso a necessidade de a Embrapa
aumentar a sua assistência a esta faixa de produtores.
Ele classificou como "bom" o ano de 2001 para a empresa.
A continuidade das pesquisas e o desenvolvimento de tecnologias
com impacto sobre agricultores e consumidores foram os pontos
destacados por ele. O presidente da Embrapa disse que os maiores
beneficiados com estes avanços foram os pequenos agricultores,
principalmente os do nordeste, onde predomina a agricultura familiar.
Jornaleiro diz
que cantora
"estava mal"
Rio - O jornaleiro Rivieri Guida disse ontem, na Delegacia
Policial de Botafogo, no Rio, onde prestou depoimento sobre as
circunstâncias da morte da cantora Cássia Eller,
no último sábado, que "ela estava mal, indo
no sentido contrário ao do hospital, e era amparada por
duas pessoas". "Estava de cabeça baixa e não
queria ir em direção à clínica",
disse o jornaleiro, depois do depoimento. Rivieri Guida viu a
artista por volta das 10h30 de sábado nas imediações
da Casa de Saúde Santa Maria, em Laranjeiras, zona sul,
onde a cantora morreu, às 19h05. A banca dele fica a poucos
metros do hospital. Hoje depôs também o frentista
João Valdir Ferreira, que trabalha num posto de gasolina
em frente à casa de saúde. Ele deixou a delegacia
sem dar entrevista. A polícia está ouvindo o porteiro
do prédio onde Cássia Eller morava, Ademir Nascimento.