Joinville
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Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2002
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Santa Catarina - Brasil
ANotícia
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S
FHC lamenta
desequilíbrio do
Orçamento para 2002
Peça aprovada
pelo Congresso prevê mais despesas que receitas, reclama
o presidente
O
presidente Fernando Henrique Cardoso lamentou ontem, em reunião
com alguns ministros no Palácio da Alvorada, o desequilíbrio
do Orçamento da União para este ano. "Há
mais despesas que receitas", disse, referindo-se à
diferença de R$ 3 bilhões no texto aprovado pelo
Congresso. Após a reunião, o presidente informou
que pediu ao ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão,
Martus Tavares, um reexame da matéria. Mais tarde, em
Goiás Velho (GO), ele confirmou que está preocupado
com o assunto e admitiu a possibilidade de vetar o Orçamento.
"Espero que o Congresso tenha aprovado um Orçamento
realizável", afirmou. Ele ressalvou que não
pretende vetar a proposta aprovada. "Mas vamos ver; se houver
recursos suficientes, não será preciso vetar, mas,
se não houver, tem de vetar." O presidente esteve
em Goiás, a 300 quilômetros de Brasília,
para ver os estragos causados pelas chuvas.
Mas o encontro com cinco ministros e o secretário-geral
da Presidência, Arthur Virgílio Neto, serviu, sobretudo,
para que Fernando Henrique começasse a checar o cumprimento
dos acertos políticos fechados no fim do ano, quando foram
definidas as obras e ações prioritárias
em cada ministério. "Daqui a uns dez ou 15 dias,
vamos reunir-nos (o ministério) para ver o que caberá
a cada um", comunicou Fernando Henrique no encontro. "Costuramos
um critério com muita luta e estamos checando a aplicação
dos recursos", explicou Virgílio Neto, ao lembrar
os entendimentos com governadores, deputados e senadores na definição
das emendas parlamentares que seriam privilegiadas e dos porcentuais
de recursos a serem liberados para as atender.
Na reunião de ontem, realizada em duas etapas, foi acertada
a liberação de cerca de R$ 2,8 bilhões do
Orçamento de 2001 empenhados pelos Ministérios
da Fazenda e do Planejamento, Orçamento e Gestão.
Virgílio Neto, que participou das duas rodadas do encontro,
afirmou que o presidente promoveu o acerto com os ministros para
evitar desgastes com as bancadas que aprovaram emendas durante
a tramitação da proposta orçamentária
de 2001 no Congresso. "Queremos que tudo o que foi acordado
seja cumprido para evitar frustrações e problemas
na base de sustentação do governo no Congresso",
disse o secretário-geral.
Durante o encontro, foi elaborada uma lista das obras consideradas
prioritárias para o governo federal. Para dar início
à execução do orçamento de 2002,
os ministros tomarão por base essa listagem. A preocupação
do presidente é com relação ao ano eleitoral.
A partir de junho, até dezembro deste ano, os governos
federal, estaduais e municipais não podem fazer mais fazer
qualquer despesa. O presidente recomendou que, até março,
estejam encaminhados todos os projetos e programas de cada área.
Ministro está mais otimista
O ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão,
Martus Tavares, disse que o Orçamento da União
deste ano poderá não sofrer qualquer corte. Segundo
ele, as estimativas de arrecadação, a serem refeitas
em breve pelo governo, deverão ser beneficiadas por um
cenário melhor para a economia em relação
ao utilizado nas projeções iniciais, feitas em
agosto passado.
O ministro lembrou que o governo vem reduzindo o tamanho dos
cortes no Orçamento nos últimos anos, quando os
parlamentares aumentaram em média R$ 11 bilhões
às despesas de investimentos inicialmente propostas pelo
Executivo. "Cortamos os R$ 11 bilhões em 2000, o
corte caiu para R$ 5 bilhões no ano passado e neste exercício
ainda não sabemos, mas a frustração das
receitas podem ser compensadas por um desempenho da economia
mais promissor".
A revisão completa das receitas federais poderá
inclusive acomodar o rombo de R$ 1,7 bilhão na arrecadação
do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRPF), decorrente da correção
em 3,5% da tabela. Logo após a sanção da
lei orçamentária pelo presidente da República,
que deverá ocorrer no próximo dia 20, o governo
editará o decreto de programação orçamentária
e financeira estabelecendo o teto dos gastos de cada ministério,
com base em uma revisão completa das receitas e despesas.
Os parâmetros da inflação, câmbio,
juros e crescimento da economia deste ano embutidos nas estimativas
de receitas de R$ 308 bilhões para os próximos
doze meses estão subestimados em comparação
às últimas previsões do mercado. Como essas
variáveis - não alteradas pelo Congresso - impactam
a base de preços da economia, em conseqüência
deverão elevar a previsão de arrecadação
de tributos federais de R$ 308 bilhões para este ano.
Enquanto o mercado projeta entre 5,8% e 6,5%, pelo Índice
Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) neste
ano, a estimativa no Orçamento é menor, de 5,4%.
Situação semelhante é a do câmbio,
praticamente nas mesmas proporções.
Legistas da USP repetirão
necropsia em Dutra Pinto
Brasília - Antes mesmo de o Instituto Médico-Legal
(IML) de São Paulo apresentar o resultado da necropsia
do corpo do seqüestrador Fernando Dutra Pinto, a Secretaria
de Segurança Pública informou ao Ministério
da Justiça, no início da tarde de ontem, que os
legistas da Faculdade de Medicina da Universidade de São
Paulo (USP) repetirão a análise. O corpo do seqüestrador,
que morreu quarta-feira, ficará preservado até
a nova necropsia.
O secretário Marco Vinício Petrelluzzi comunicou
ainda que a organização não-governamental
(ONG) Teotônio Vilela acompanhará as apurações
sobre a morte do seqüestrador. Fundada em 1983 pelo ex-senador
Teotônio Vilela (AL), a entidade escolhida pelo governo
paulista para dar "transparência" às investigações
atua em presídios e casas de detenção. Essa
organização elaborará um relatório
ao final dos trabalhos.
O secretário nacional de Direitos Humanos, Paulo Sérgio
Pinheiro, disse que a decisão de fazer uma nova necropsia
no corpo de Pinto é "normal", e não representa
nenhuma dúvida quanto à integridade e capacidade
do IML. "A organização Teotônio Vilela
existe há quase 20 anos e está acima de qualquer
suspeita", afirmou Pinheiro.
Punição
O secretário da Administração Penitenciária,
Nagashi Furukawa, garantiu que não vai acobertar nada
sobre a morte do seqüestrador Fernando Dutra Pinto. Ele
declarou que o laudo do IML vai dizer o que ocorreu. "Se
foi assassinato a polícia vai identificar o culpado. Se
a morte foi por negligência médica vamos comunicar
ao Conselho Regional de Medicina e pedir inquérito por
homicídio doloso", afirmou Furukawa, que concedeu
entrevista ao lado do médico Ricardo Cypriani, que atendeu
Dutra Pinto.
O promotor Dimitrius Eugênio Bueri - responsável
pelo processo sobre os seqüestros de Patrícia Abravanel
e de seu pai, o apresentador Silvio Santos - foi designado ontem
pela Procuradoria-Geral de Justiça para acompanhar a investigação.
Fernando Dutra Pinto tinha um bom relacionamento com os colegas
de cela e era elogiado pelos demais presos por suas ações:
o seqüestro de Patrícia Abravanel, o fato de ter
mantido Silvio Santos como refém em sua casa, ter assassinado
dois investigadores e baleado outro policial. O problema do seqüestrador
era com alguns funcionários do Centro de Detenção
Provisória (CDP). Na manhã de 10 de dezembro, por
não ter cumprimentado "de maneira adequada"
o chefe do pavilhão e dois agentes, Dutra Pinto foi espancado
pelos três. O exame de corpo de delito feito pelo médico
Ricardo Cezar Cypriani constatou que o seqüestrador apresentava
lesões de "natureza leve" e equimoses no antebraço
direito e coxa direita, escoriações na axila direita
e no ombro. O pai de Dutra Pinto, Antônio Sebastião
Pinto, porém, disse ontem que o filho vinha se queixando
de dores na semana passada.
Secretária de
Justiça vai
a Rondônia
Brasília - A secretária nacional de Justiça,
Elizabeth Süssekind, e o diretor do Departamento Penitenciário
Nacional, Ângelo Roncalli, deverão estar amanhã
em Porto Velho (RO) para avaliar a situação no
Presídio Urso Branco, onde morreram 27 pessoas, em uma
rebelião registrada na madrugada de quarta-feira. O Ministério
da Justiça vai propor à Secretaria de Segurança
Pública do Estado a formação de uma comissão
de entidades ligadas à área de direitos humanos
para assumir ou, pelo menos, participar da direção
do presídio. Essa comissão será integrada
por representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da
Pastoral Carcerária (vinculada à Igreja Católica)
e por integrantes de uma associação local de mães
de presidiários.
No último dia 28, o governo federal liberou recursos para
a construção de duas novas unidades prisionais
em Rondônia. Hoje, o ministério solicitará
à Procuradoria-Geral do Estado dispensa do processo de
licitação na construção dos novos
presídios, para acelerar as obras. O Ministério
da Justiça liberou R$ 1,8 milhão para a construção
da Penitenciária de Porto Velho, que poderá abrir
360 novas vagas, e mais R$ 1,4 milhão para as obras de
um presídio no município de Rolim Moura, para onde
seriam transferidos 120 internos.