Joinville         -          Sábado, 5 de Janeiro de 2002         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

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Seqüestrador mantém sete
reféns em ônibus no RS

Duas mulheres foram liberadas e polícia segue negociando

O seqüestro de um microônibus de lotação fez os moradores de Porto Alegre lembrarem ontem do terror vivido pelos reféns cariocas de um ônibus da linha 174, em 2000. Armado, usando touca ninja e dizendo portar uma bomba, um homem identificado como Paulo, de 30 anos, fez os oito passageiros e o motorista do lotação reféns, pouco antes das 9 horas. Até as 21 horas, apenas duas mulheres tinham sido libertadas. O seqüestrador exigia R$ 500 mil e helicóptero para a fuga - pedidos negados pelos comandantes da Brigada Militar, a PM gaúcha.
As negociações começaram logo após o seqüestro, quando o microônibus - com os pneus furados - parou na avenida Osvaldo Aranha, do lado da Reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), após perseguição policial pelo centro da cidade. O seqüestrador disse que está desempregado e possui dois filhos, tendo planejado tudo para fazer reféns e conseguir dinheiro. Ele revelou que estudou eletrônica por três meses para fazer a bomba. "Não tenho passagem (na polícia). Sou trabalhador, não sou vagabundo. Só fiz isso pela minha família", declarou, por celular, a um repórter.
A perseguição começou antes das 9 horas, quando o lotação entrou na contramão da rua Uruguai, do lado da prefeitura, e estacionou na frente da agência central do Banco do Brasil. Avisados pelos fiscais de trânsito, policiais militares chegaram ao local e cercaram o veículo, dando início a um tiroteio. "Um policial se aproximou e ordenou que saíssem do veículo. Daí o seqüestrador abriu o vidro e deu um tiro para cima", disse o camelô Humberto Bevilacqua. Em seguida, o microônibus voltou a andar e os policiais furaram os pneus do lotação com tiros. Mesmo assim, o veículo seguiu pela avenida Júlio de Castilhos e chegou à avenida Osvaldo Aranha, onde parou de vez, cercado pelos policiais.
No início, a negociação foi feita pela porta do veículo. Depois, Paulo concordou falar pelo celular com o tenente-coronel Rodolfo Pacheco, do Batalhão de Operações Especiais. Centenas de pessoas se aglomeraram em volta dos cordões de isolamento. O comércio manteve as portas fechadas e o trânsito foi bloqueado. Aos poucos começaram a chegar pessoas dizendo-se parentes dos envolvidos. Um deles se identificou como pai do seqüestrador.

Libertação

A primeira refém libertada, Ana Luiza Delfino Pires, de 65 anos, deixou o veículo às 12h10 e foi levada a um Posto de Saúde. Ela havia sido trocada por dois pneus. À tarde, Neli Leon Cessim, de 70 anos, foi solta em troca de água. "Ele entrou levando uma caixa e todo enrolado com fita adesiva. Falou que era seqüestro, que baixássemos a cabeça e não olhássemos para ele."
As exigências do seqüestrador causaram impasse nas negociações. "Essas reivindicações são de cinema", afirmou o coronel Tarso Marcadella, comandante da BM. A estratégia do Batalhão de Operações Especiais é vencer o seqüestrador pelo cansaço. "O tempo é o nosso melhor aliado. Podemos ficar aqui até a semana que vem." A seguir, trechos da entrevista do seqüestrador a um jornalista de Porto Alegre:
"Por que não querem negociar comigo? Não quero matar ninguém. Eu sei que R$ 500 mil é pouco para o que está acontecendo aqui em volta, é uma mixaria. (...) Sei que tem vários pais que são trabalhadores e também não tiveram uma bala para dar no Natal para os seus filhos. é o que está acontecendo comigo. (...) O que estou fazendo é por amor ao lugar onde moro. Que o Olívio (Dutra, governador) entenda isso."


Suspensa venda
de 10 medicamentos

Irregularidades foram constatas por agência de saúde

São Paulo - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do Ministério da Saúde constatou irregularidades em lotes de dez medicamentos, que tiveram suas vendas suspensas. Os remédios com lotes irregulares são o anticoncepcional Postinor-2 e o comprimido para tratamento da tireóide chamado Tetróide, ambos do laboratório Aché; o antiulceroso similar Ranitidina e o antibiótico injetável Ciprofloxan, do laboratório Hipolabor; o ansiolítico Diazepam, do laboratório União Química; os repositores de cálcio Gluconato de Cálcio 10%, dos laboratórios Hypofarma e Arystom; o antiulceroso Loprazol, do laboratório Teuto; do vermífugo Mebendazol, do laboratório Sedabel; e o anti-hipertensivo Losatal, do laboratório Hebron.
Todos os produtos devem ser retirados imediatamente dos postos de venda. Os fabricantes e revendedores que não cumprirem a determinação poderão receber notificação e multas que variam de R$ 2 mil a R$ 1,5 milhão, de acordo com a Lei nº 6.437/77. Os consumidores que encontrarem ou tiverem em casa esses produtos devem encaminhá-los às vigilâncias sanitárias locais.
Segundo a Anvisa, o anticoncepcional Postinor-2, conhecido como "pílula do dia seguinte", teve a venda suspensa por apresentar na embalagem prazo de validade acima do autorizado. O prazo descrito era de cinco anos, mas o registro concedido no Brasil é para até três anos. Testes de estabilidade asseguram que esse é o período ideal para o consumo do remédio. O comprimido Tetróide teve o lote nº 0000279 (data de fabricação 01/01/2000 e data de validade até 31/01/2002) apreendido por apresentar problemas de dissolução.
A Anvisa determinou que as vigilâncias sanitárias estaduais e municipais fiquem atentas à retirada dos lotes nº 62.399 e 743/00 do antiulceroso similar Ranitidina, do laboratório Hipolabor. Análises laboratoriais mostraram que os comprimidos apresentavam deformações e manchas escuras. O mesmo laboratório deve retirar o lote nº 0432/01 (data de fabricação abril/2001 e data de validade abril/2003) do antibiótico injetável Ciprofloxan. A solução analisada tinha líquido incolor com impurezas diferentes do aspecto convencional do produto.
Outro medicamento que apresentou aspecto e impurezas diferente do convencional é ansiolítico Diazepam. Os lotes nº 00090970 (data de validade setembro/2002), nº 00080760 (data de validade agosto/2002), nº 00030193 (data de validade março/2002) e nº 00020144 (data de validade fevereiro/2002) do repositor de cálcio Gluconato de Cálcio 10%, apresentaram problemas com a solução analisada, que continha líquido incolor com impurezas.
Também foram retirados das prateleiras as tinturas de cabelo Henne Cor e o creme corante Henna Cor, ambos no tom Blond e Doré Loiro Dourado, distribuídos pelas empresas Hennfort e Revo.

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Irmão de Dutra
Pinto acusa
carcereiros

São Paulo - Esdras Dutra Pinto, irmão de Fernando Dutra Pinto, que também participou do seqüestro de Patrícia Abravanel, acusou ontem os funcionários do Centro de Detenção Provisória 2, do Belém, em São Paulo, de terem provocado a morte do irmão. Num depoimento ao juiz Octávio Machado de Barros Filho, da Vara das Execuções Criminais, na presença da promotora Cristina Bilcher e da advogada Maura Marques, afirmou que Fernando começou a passar mal depois de ter sido espancado pelos agentes penitenciários.
O espancamento ocorreu no dia 10 de dezembro. Segundo Esdras, bateram muito nos braços, pernas e nas costas de Fernando. Usaram canos de ferro. Bateram porque não chamou um deles de "senhor". Fernando, ainda segundo Esdras, foi levado para o 81º Distrito e citado num boletim de ocorrência como agressor dos funcionários. Na volta, foi direto para a cela forte, onde ficou 11 dias isolado dos demais presos, sem ser medicado.


Chuvas
As chuvas que atingem principalmente a região Norte de Minas provocaram quatro mortes. Segundo a Prefeitura de Rubim, uma das 12 cidades mineiras que já decretaram estado de calamidade pública (outras 25 estão em situação de emergência), as vítimas foram soterrados com um desabamento do barraco onde moravam.

 
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