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Terça-feira, 8 de Janeiro de 2002
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Santa Catarina - Brasil
ANotícia
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MP diz que nova
lei beneficia traficante
Promotores e procuradores
de Justiça pedem que FHC vete legislação
aprovada pelo Congresso em 2001
Representantes
de cerca de 12.500 promotores e procuradores de Justiça
estaduais e federais de todo o Brasil encaminham hoje ao presidente
Fernando Henrique Cardoso um documento em que reivindicam o veto
integral ao projeto da nova lei sobre drogas, aprovado pelo Congresso
em 2001. Integrantes dos ministérios públicos Federal
e estaduais argumentam que o texto não traz avanços
para os usuários e abranda o tratamento dado aos traficantes,
até mesmo os já condenados, que poderiam requerer
liberdade imediata em milhares de casos. Os MPs também
apontam erros técnicos na proposta, que facilitariam a
impunidade.
"O discurso oficial é o de que o novo texto seria
um avanço, por afastar a pena de prisão do usuário,
mas isso é uma falácia", disse o presidente
da Associação Nacional dos Membros do Ministério
Público (Conamp), procurador Marfan Martins Vieira. "O
Código Penal já prevê hoje a conversão
das penas pelo juiz, e a pena privativa de liberdade, na prática,
desde 1998 não é aplicada contra quem usa drogas."
Segundo a Conamp, o projeto aprovado, no seu artigo 24, parágrafo
2º, flexibiliza a pena de prisão para os traficantes.
Crime hediondo, o tráfico é punido com prisão
integralmente fechada. O novo texto estabelece que "pelo
menos a primeira terça parte" da pena deve ser em
prisão fechada. O mais grave, para o Ministério
Público, é que, por um preceito legal, isso poderá
ser aplicado a traficantes condenados, com sentença transitada
em julgado. Ou seja: milhares de presos por traficar drogas poderiam,
legalmente, voltar às ruas.
A Conamp também aponta erros como o de incluir, no artigo
14 do texto, entre as condutas punidas pela lei, o ato de "traficar
ilicitamente" drogas. Como o texto lista outros procedimentos
(importar, exportar, remeter etc), os advogados dos traficantes
poderiam alegar que foram esses comportamentos os seguidos por
seus clientes, não o de "tráfico ilícito"
de entorpecentes, escapando, assim, à Lei de Crimes Hediondos
(que nesse caso fala em tráfico) e requerendo progressão
de regime com até 1/6 da pena cumprida em regime de prisão
fechada.
Para o Ministério
Público, só o veto integral
evitará erro jurídico
As brechas deixadas na legislação aprovada pelos
parlamentares são tantas que os promotores e procuradores
pedirão o veto integral de FHC. "Não basta
que o presidente vete o artigo 24, como afirmou, porque os traficantes
poderiam usar o artigo 14", explicou o procurador Marfan
Martins Vieira. O procurador também criticou a exclusão,
da lista de crimes citados no novo texto, do ato de participar
de quadrilha de traficante; da faculdade, dada ao juiz, de reduzir
a pena de 1/6 a 1/3, que poderia diminuir para dois anos de prisão
a pena mínima para tráfico; e a possibilidade,
dada ao defensor, assim como o MP, de pedir o arquivamento do
inquérito. "Por lei, se o crime é de ação
pública, quem decide se o crime vai ser arquivado ou não
é apenas o Ministério Público", disse
Vieira.
Outro ponto atacado pela Conamp é a exclusão, do
novo texto, da possibilidade de prisão preventiva ou cautelar
por "conveniência da instrução criminal",
ou seja, para impedir que o acusado ameace testemunhas ou prejudique
a coleta de provas. "Sancionada a lei, o Brasil tornar-se-ia
atrativo aos cartéis internacionais, em razão do
abrandamento excessivo das punições", diz
o documento, que será encaminhado ao presidente.
Ele foi preparado pela Comissão de Acompanhamento da Reforma
Penal e Processual Penal da Conamp, que se reuniu extraordinariamente
hoje no Rio. Hoje, Vieira e outros dirigentes da Conamp estarão
em Brasília, para encaminhar o texto da entidade ao presidente.
Cássia bebeu,
diz instrumentista
Novos depoimentos
reforçam hipótese de overdose
Rio - As percussionistas Elaine Moreira, a Lan Lan, e Thamyma
Brasil informaram aos médicos de plantão na Casa
de Saúde Santa Maria, onde Cássia Eller morreu
na noite de 29 de dezembro, que a cantora tinha tomado bebida
alcoólica e suspeitavam de que também tivesse usado
cocaína. Os cardiologistas Marcus Vinícius de Oliveira
e Jorge Francisco Castro y Perez, responsáveis pelo atendimento
da cantora, prestaram depoimento na 10ª Delegacia de Polícia,
ontem, no Rio.
O delegado Antônio Carlos Calazans leu um trecho do depoimento
dos médicos. Os cardiologistas afirmaram que, segundo
as amigas, a cantora "teria ingerido bebida alcoólica
desde a véspera e achavam que a mesma tinha inalado cocaína".
Segundo Calazans, Oliveira e Perez confirmaram que Cássia
tinha arranhões nas pernas, hematoma na cabeça
e flebite (inflamação das veias) no braço
esquerdo. Os médicos contaram aos policiais que Cássia
chegou muito agitada ao hospital, não quis ser medicada
e saiu da casa de saúde chorando e tentando ir embora,
retornando em seguida, convencida pelas amigas.
Dois diretores da clínica, Mário e Gedalias Heringer,
também prestaram depoimento. Diretor-presidente da clínica,
Mário Lúcio Heringer, ortopedista, disse que não
acompanhou o relato dos dois cardiologistas mas conversou com
eles depois do depoimento. "Eles confirmaram que elas (Lan
Lan e Thamyma) disseram que Cássia havia bebido álcool
e que achavam que ela havia feito uso de cocaína. Quando
Cássia chegou, eles não entraram em detalhes, porque
tinham pressa em adotar logo os procedimentos adequados",
disse Heringer. Procurado pela reportagem, Oliveira não
quis dar declarações sobre o atendimento a Cássia
Eller. "Está tudo no depoimento, isso tudo é
muito constrangedor", disse o cardiologista.
Hoje pela manhã três funcionários da casa
de saúde estiveram na delegacia. Segundo Calazans, nenhum
deles deu informações relevantes para a investigação
das circunstâncias da morte de Cássia. Lan Lan disse
informalmente à polícia e a seu advogado, Arthur
Lavigne, que na manhã de sábado, dia 29, recebeu
um telefonema da cantora dizendo que estava passando mal. Foi,
então, acompanhada de Thamyma, buscar Cássia de
carro e a levou para dar uma volta. Como a cantora não
melhorava, resolveu levá-la ao hospital. Lan Lan e Thamyma
devem depor na quinta-feira. "Precisamos juntar os antecedentes
e aguardar o laudo da necropsia", disse Calazans. Na hipótese
de ficar comprovado que a cantora foi vítima de uma mistura
de álcool e drogas, o delegado diz que será preciso
"investigar a origem da droga". Ao todo, a polícia
já ouviu 20 testemunhas.
Pílula do dia
seguinte volta
em fevereiro
São Paulo - O laboratório Aché informou
que o anticoncepcional Postinor-2, a "pílula do dia
seguinte", voltará às farmácias somente
no início de fevereiro. O remédio teve sua comercialização
suspensa por determinação da Agência Nacional
de Vigilância Sanitária (Anvisa), por causa de irregularidades
no prazo de validade. O anticoncepcional era vendido com a informação
de que poderia ser usado por até cinco anos, contados
da data de sua fabricação, prazo superior ao determinado
pela Anvisa, que é de três anos.
O produto é importado pela Aché da empresa Gedeon
Richter. Na nota oficial, a Aché informa que, no mundo
todo, o produto é comercializado com prazo de validade
de 60 meses. De acordo com a Aché, o Postinor-2 (levonorgestrel
0,75 mg) é o único no mercado com essa concentração
e indicado para casos de violência sexual, relação
sexual não planejada e desprotegida, uso inadequado de
métodos anticoncepcionais e falha contraceptiva presumida.
Em centros de referência da mulher, o produto é
indicado depois de casos de estupro, para evitar uma gravidez
indesejada. Esta é a segunda vez, em três meses,
que a Aché tem de retirar do mercado um anticoncepcional
por determinação da Anvisa. Em novembro, o contraceptivo
Femina teve sua venda suspensa.
FHC sanciona lei que
facilita aposentadoria
Brasília - O presidente Fernando Henrique Cardoso sanciona
hoje lei que diminui as exigências burocráticas
para trabalhadores que vão pedir aposentadoria. Caberá
ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), e não mais
aos interessados, comprovar o tempo de serviço e os salários
referentes a períodos trabalhados desde julho de 1994.
A chamada inversão do ônus da prova vai dispensar
os trabalhadores de apresentarem documentos comprovando o vínculo
empregatício e o salário que recebiam para efeito
de cálculo do benefício. Isso será feito
pelo próprio INSS, com base em dados de seu Cadastro Nacional
de Informações.
Os beneficiados só terão de apresentar os documentos
caso discordem do valor da aposentadoria calculado pela Previdência
Social e, naturalmente, para computar tempo de serviço
referente a períodos anteriores a 1994.
Atualmente, ao encaminhar o pedido de aposentadoria, o trabalhador
precisa anexar a relação dos salários de
contribuição ao INSS, mês a mês, a
partir de julho de 1994. Em caso de perda da carteira do trabalho
ou se todas as alterações salariais não
estiverem anotadas no documento, o requerente precisa voltar
às empresas onde trabalhou para recuperar as informações.
Uma vez sancionada, a lei entrará em vigor tão
logo seja publicada no Diário Oficial, o que deverá
ocorrer já nesta quarta-feira. A sanção
está prevista para as 15h30, no Palácio do Planalto,
e será acompanhada pelo ministro da Previdência,
Roberto Brant. A medida vinha sendo aguardada há muito
tempo pelas associações de aposentados e pensionistas
de todo o Brasil.
Porto Alegre - O auxiliar de cozinha João Sérgio
dos Santos Pereira, de 27 anos, que manteve nove pessoas de um
lotação como reféns durante 27 horas, em
Porto Alegre, pode ficar no Instituto Psiquiátrico Forense
(IPF) até seu julgamento por extorsão mediante
seqüestro. A possibilidade foi cogitada hoje pelo coronel
Martin Luiz Gomes, diretor do Centro Integrado de Operações
Especiais da Segurança Pública (CIOSP). "Muito
provavelmente ele vai ficar", disse o oficial da Brigada
Militar, um dos principais interlocutores do secretário
de Segurança Pública Estadual José Paulo
Bisol.
A decisão sobre o local onde o seqüestrador aguardará
seu julgamento caberá à Justiça. Hoje a
11ª Vara Criminal de Porto Alegre encaminhou o processo
109.022.500 para o Ministério Público, que poderá
sugerir a transferência de Pereira para o Presídio
Central após uma semana de tratamento no IPF.
De acordo com boletim médico divulgado às 17 horas
de ontem pelo diretor-geral do IPF, Luiz Coronel, Pereira "apresenta
boa resposta ao tratamento psiquiátrico, mas não
há previsão de alta". Pereira foi encaminhado
ao instituto psiquiátrico na tarde do sábado, três
horas e meia depois de se render, após sofrer um surto
enquanto aguardava para depôr no Departamento Estadual
de Investigações Criminais (Deic).
Conforme a mãe do seqüestrador, Juraci, ele tem "ataques
dos nervos" desde adolescente, mas nunca agrediu ninguém.
"Ele já quebrou os móveis em casa quando as
coisas davam errado na vida dele", disse a mãe. Pereira
esteve internado seis vezes em hospitais ou alas psiquiátricas
e hospitais da capital gaúcha, sempre com distúrbios
definidos como psicose.
Federais
Os estudantes e professores das universidades federais voltaram
ontem às aulas. Depois de mais de 100 dias de greve e
31 dias de recesso de Natal e ano-novo, as 52 instituições
de ensino superior reclamam novos concursos para docentes e maior
liberdade para gerir os recursos obtidos por meio de parcerias
e serviços prestados ao mercado. Nas contas dos reitores,
o governo precisa contratar oito mil professores para ocupar
as vagas em aberto nas 52 instituições federais
de ensino superior. O MEC já liberou duas mil vagas e
pretende abrir, até junho, concurso para mais mil docentes.
Necropsia
Indicado pela Universidade de São Paulo (USP) para coordenar
a equipe encarregada da necropsia do corpo do seqüestrador
Fernando Dutra Pinto, o professor titular do Departamento de
Patologia da Faculdade de Medicina Paulo Saldiva disse ontem
que o trabalho começará do zero. Segundo ele, nada
do que o Instituto Médico-Legal (IML) fez até agora
será aproveitado pelos participantes de sua equipe. "Não
há desconfiança", afirmou Saldiva. "Vou
procurar não saber o que fizeram até agora e o
que encontraram."
Chuvas minas
A Coordenadoria Estadual de Defesa Civil de Minas Gerais confirmou
ontem a 23ª morte provocada pelas chuvas no Estado desde
setembro e a 12ª, a partir do Natal, quando as condições
climáticas pioraram, sobretudo nas regiões Leste,
Nordeste e Norte. Carlos Henrique Carvalho, de 18 anos, havia
sido soterrado junto com quatro pessoas da mesma família,
na sexta-feira, em um casebre na zona rural de Jacinto, no Vale
do Jequitinhonha - cidade que ainda estava ilhada, ontem, em
razão da destruição de três pontes.