Joinville
-
Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2002
-
Santa Catarina - Brasil
ANotícia
P
A
Í
S
Pressionado,
Serra antecipa anúncio
de pré-candidatura
Crescimento do
nome de Roseana Sarney leva o PSDB a lançar ministro para
a sucessão de FHC
O
ministro da Saúde, José Serra, vai antecipar o
lançamento de sua pré-candidatura a presidente
da República. Ele não resistiu às pressões
de seu próprio partido, do presidente Fernando Henrique
Cardoso e do avanço da candidatura de Roseana Sarney,
do PFL. Além do mais, enfrenta a real possibilidade de
uma dissidência tucana, liderada pelo governador do Ceará,
Tasso Jereissati, em favor de Roseana. Os encontros entre os
dois governadores passaram a ser freqüentes nos últimos
meses.
No dia 28, conversaram por mais de seis horas no Palácio
dos Leões, em São Luiz. "De hoje até
o dia 31 Serra anunciará que é candidato",
diz o líder do PSDB na Câmara, Jutahy Júnior
(BA). Mas segundo o presidente nacional do PSDB, José
Aníbal (SP), Serra não vai esperar até o
dia 31. José Serra não deverá se afastar
imediatamente do ministério. Após o anúncio
de que é pré-candidato, ele ainda ficará
no cargo por mais uma semana. É certo que no dia 19 de
fevereiro ele reassumirá a sua cadeira de senador.
Mesmo com a decisão de Serra de antecipar o lançamento
de sua pré-candidatura e de parte do PSDB proclamar a
existência, hoje, de um clima de paz no partido, a situação
não é tranqüila assim. O governador do Ceará,
Tasso Jereissati, que ensaia uma dissidência em favor da
governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL), recusou-se
a comparecer ontem à reunião dos governadores do
Nordeste com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Mandou a
clássica carta de desculpas. Disse que tinha uma reunião
com todos os seus secretários.
Depois de duas reuniões com o presidente Fernando Henrique
em menos de 36 horas, Serra disse aos principais dirigentes do
PSDB que vai esperar apenas o melhor momento para se declarar
candidato. Antes de viajar para a França, no fim do ano
passado, o ministro teve uma conversa com o presidente nacional
do PSDB, José Aníbal (SP). Concordou que seria
necessário fazer a antecipação do anúncio.
Mas pediu que nada a respeito de sua decisão fosse divulgado
antes do início de janeiro. "Senão, não
faremos mais nada e nem teremos condição de festejar
a passagem de ano", disse Serra ao presidente do PSDB.
O próprio Serra tem dito que a situação
do País hoje está muito melhor do que imaginava
há poucos meses. Ele temia, por exemplo, que a alta do
dólar afetasse o custo de vida e que isso causasse dificuldades
para a sua campanha. Mas agora, com o dólar, senão
em queda, pelo menos estabilizado em relação ao
real, Serra afirma que ficou bem mais fácil enfrentar
uma disputa na qual não conseguiu atingir ainda 10 pontos
na preferência dos eleitores.
Jungmann vai disputar prévias
Brasília - O ministro do Desenvolvimento Agrário,
Raul Jungmann, anunciou que disputará as prévias
do PMDB que elegerão o candidato do partido à Presidência
da República, em 17 de março. Discursando na Academia
de Tênis, em Brasília, Jungmann disse que tomou
essa decisão para que a coalizão de forças
que hoje apóia o governo do presidente Fernando Henrique
Cardoso possa oferecer ao País um projeto de "avanços
e conquistas", sem que o comando da aliança governista
mude de mãos.
Ele afirmou que o PFL não pode "dar o rumo"
do processo, mas fez a ressalva de que nada tem de "pessoal"
contra a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL),
à qual algumas pesquisas atribuem até 20% das intenções
de voto. O ministro disse que Roseana "tem todo o direito
e toda a qualificação para postular" a condição
de candidata da legenda. Jungmann, que é filiado ao PMDB
desde outubro, foi integrante desta sigla de 1970 a 1985. O ministro
acrescentou que, no seu entender, o comando da coalizão
governista tem de permanecer em mãos "da centro-esquerda"
e, por isso, propôs uma aliança com o PSDB de Fernando
Henrique.
Jungmann assegurou que a decisão de disputar as prévias
foi "uma iniciativa pessoal" e não uma idéia
de Fernando Henrique. O ministro do Desenvolvimento Agrário
acrescentou que, se o plano fosse de Fernando Henrique, não
sugeriria uma aliança "de centro-esquerda",
pois o presidente defende a tese de que o candidato à
sucessão dele deve ser um nome apoiado pelas três
agremiações da aliança governista (PSDB,
PMDB e PFL). Ideologicamente, Jungmann sempre esteve ligado ao
antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB), atual PPS, cujo candidato
é o ex-ministro Ciro Gomes.
Juizados especiais abrem na 2ª
Brasília - O presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou
ontem, no programa semanal de rádio "Palavra do Presidente",
que começarão a funcionar a partir de segunda-feira
os Juizados Especiais Civis e Criminais. Segundo o Fernando Henrique,
esses juizados vão beneficiar principalmente as pessoas
que não têm condições de pagar bons
advogados e são obrigadas a acompanhar seus processos
durante anos na Justiça. "Os Juizados Especiais vão
promover uma verdadeira revolução na Justica Federal,
que ficará livre de milhares de processos no valor de
até 60 salários mínimos que, hoje, demoram
até dez anos para serem resolvidos", afirmou o presidente.
As causas mais simples serão julgadas pelos Juizados Especiais,
no máximo, em seis meses. Os Juizados Especiais vão
resolver questões entre o cidadão e o poder público,
como administrativas e previdenciárias, e julgar pequenos
crimes, cuja pena de detenção será de, no
máximo, dois anos. O advogado-geral da União, Gilmar
Mendes, ressaltou que com a criação dos juizados
especiais, pessoas físicas e microempresas poderão,
mediante um simples pedido oral ou escrito, demandar contra a
União, autarquias e fundações para, em apenas
30 dias, ser marcada a primeira audiência de conciliação.
Essa primeira audiência já poderá resultar
na definição do processo. Se não, uma segunda
e última audiência será marcada, e tudo se
resolverá dentro de no máximo 180 dias.
Cássia Eller
O juiz Leonardo Castro Gomes, da 1ª Vara da Infância
e da Juventude do Rio, decidiu entregar a guarda provisória
de Francisco Ribeiro Eller, o Chicão, filho de Cássia
Eller, a Maria Eugênia Vieira Martins, companheira da cantora
nos últimos 14 anos. O juiz acatou, em decisão
liminar, o pedido de tutela impetrado pelo advogado de Eugênia,
Marcos Campuzano. Ela e Chicão estão em Brasília.
Caso o parecer seja mantido pela Justiça, Eugênia
terá a guarda de Francisco até ele completar 21
anos e será a tutora dos bens que o menino vier a herdar.
Esta é a primeira vez que a Justiça brasileira
entrega a guarda de uma criança a uma companheira do mesmo
sexo da mãe morta.
Governo aposta no mercado
de desenvolvimento limpo
Rio - O governo brasileiro tem uma proposta para padronizar
os critérios necessários às empresas nacionais
interessadas em entrar no mercado de certificados de emissões
de gás carbônico, que deverá vigorar assim
que for ratificado o protocolo de Kyoto. A expectativa é
de que o acordo seja ratificado na conferência Rio + 10,
em setembro, na África do Sul.
O protocolo de Kyoto, que visa reduzir as emissões de
gases do efeito estufa nos países desenvolvidos a partir
de 2008, prevê a criação dos chamados Mecanismos
de Desenvolvimento Limpo (MDL). Ou seja, as nações
desenvolvidas poderão investir em produtos ecologicamente
limpos em países em desenvolvimento em troca destes certificados,
usados para abater as suas metas de redução das
emissões de gás carbônico.
Um dos integrantes da Comissão Interministerial de Mudanças
Climáticas, que elaborou a proposta do governo, o professor
Emílio La Rosere explicou que a intenção
do governo é vincular os projetos ambientais ao cumprimento
de critérios de sustentabilidade ambiental, social, tecnológica
e econômica. Para emitir um certificado de emissão
de CO2, a empresa terá que ter seu projeto aprovado pelo
governo e pela secretaria-executiva da Convenção
do Clima das Nações Unidas, que funcionará
permanentemente em Bonn, na Alemanha, após a ratificação
do protocolo de Kyoto.
"Será uma espécie de ISO 14000, que hoje avalia
a gestão ambiental da empresa", explicou La Rosere,
especialista em planejamento energético da Coordenação
dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia
(Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele
cita como exemplo o projeto de biodiesel desenvolvido pela Coppe
em parceria com uma empresa privada do Rio.
"O projeto atende a todos os critérios propostos
pelo governo, porque emite menos carbono do que o diesel, pode
gerar mais empregos que a indústria petrolífera,
tem tecnologia nacional e, numa perspectiva macroeconômica,
contribui para a redução do déficit da balança
comercial, já que o produto não é importado",
explicou o pesquisador.
Municípios já
têm verba para
gerenciar lixo
Campinas - As prefeituras de municípios com 20 a 100
mil habitantes já podem se candidatar, no Ministério
do Meio Ambiente (MMA), a recursos destinados ao gerenciamento
de resíduos sólidos urbanos, construção
de aterros sanitários e recuperação de lixões.
O total de recursos disponíveis é de R$ 8 milhões,
provenientes do Fundo Nacional de Meio Ambiente (FNMA).
Os editais estão disponíveis no site do ministério
(http://www.mma.gov.br) e as prefeituras de municípios
com menos de 20 mil habitantes também podem concorrer,
desde que se unam a municípios vizinhos, apresentando
planos conjuntos. A prioridade será dada a projetos de
criação de legislação ou que envolvam
grupos sociais e parcerias com organizações não-governamentais
ou serviços comunitários, com alternativas de geração
de renda para as comunidades locais, em especial as da Amazônia
Legal.