Joinville         -          Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2002         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

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Hidrelétricas
aumentam o efeito
estufa, diz estudo

Barragens são fonte de gases mais poluentes, como o metano

Estudo de pesquisadores da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mostra que barragens de hidrelétricas produzem quantidades consideráveis de metano, gás carbônico e óxido nitroso, gases que provocam o chamado efeito estufa. A pesquisa atinge o discurso de que as usinas hidrelétricas sempre foram um modelo de geração de energia limpa, ou seja, que não contribuíam para o aquecimento global. Em alguns casos, elas podem emitir mais gases poluentes do que as próprias termoelétricas, movidas a carvão mineral ou a gás natural.
De acordo com o geógrafo Marco Aurélio dos Santos, um dos autores do estudo, com o engenheiro Luiz Pinguelli Rosa, três fatores são responsáveis pela produção desses gases quentes em uma hidrelétrica: a decomposição da vegetação pré-existente, ou seja, das árvores atingidas pela inundação de áreas usadas na construção dos reservatórios; a ação de algas primárias que emitem CO2 nos lagos das usinas; e o acúmulo nas barragens de nutrientes orgânicos trazidos por rios e pela chuva.
O trabalho da Coppe foi apresentado ontem por Santos durante o penúltimo dia da conferência Rio-02, sobre mudanças climáticas e energias renováveis, evento preparatório para a Rio + 10, que será em setembro, na África do Sul.
De acordo com o pesquisador, há duas formas de produção de gases quentes em uma usina hidrelétrica: por difusão ou por bolhas. O primeiro caso ocorre na superfície do reservatório. Por ser um meio aeróbico, com maior presença de oxigênio, as bactérias decompõem a matéria orgânica e emitem gás carbônico, que se difunde pela água. Já o metano resulta da decomposição de matéria orgânica no fundo dos lagos das usinas, onde a presença de oxigênio é nula ou muito pequena.
"Como não se dilui na água, esse metano chega à superfície por meio de bolhas", afirma. Em reservatórios com grande profundidade, acima de 40 metros, o metano não consegue subir à superfície. "Lagos profundos em áreas pequenas e com grande potência energética emitem pouco gases deste tipo. Agora, lagos rasos, em áreas extensas, e com pouca densidade de potência, são grande poluidores."


Lagos maiores e mais rasos
são campeões de poluição

Entre 1998 e 1999, o grupo do geógrafo Marco Aurélio dos Santos fez duas medições em nove usinas brasileiras e elaborou um ranking das maiores usinas poluidoras do País. Na produção de metano (CH4), a hidrelétrica de Três Marias, em Minas Gerais, ficou em primeiro lugar, com emissão de 196 miligramas de CH4 por metro quadrado/dia. No ranking de emissão de dióxido de carbono, Tucuruí, no Tocantins, ganhou o indesejável título de maior produtora do gás, com 8.4574,5 miligramas de CO2 por metro quadrado/dia.
A binacional Itaipu, no Paraná, está entre as hidrelétricas com melhor qualidade na produção de energia limpa. Com área ocupada de 1.350 metros quadrados e produção de 12,6 mil megawatts (MW), a usina emite, por dia, apenas 10,7 miligramas de metano por metro quadrado. A emissão de gás carbônico também é pequena: 170 mg de CO2 por metro quadrado dia. Segundo Santos, a medição de óxido nitroso (N2O), outro gás do efeito estufa, ainda não começou a ser feita. "Assinamos um convênio com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para fazer medições mensais de óxido nitroso", explicou.
No estudo, o pesquisador mostra que, em alguns casos, usinas hidrelétricas produzem mais gases de efeito estufa do que as termoelétricas movidas a carvão mineral ou a gás natural. É o caso das usinas de Samuel, em Rondônia, e Três Marias, em Minas Gerais. "Três Marias, por exemplo, é 0,84 vez menos eficiente do que uma termoelétrica a carvão mineral e 0,54 vez menos eficiente do que uma termoelétrica a gás natural", citou.
Apesar disto, Santos ressalta que uma usina termoelétrica é mais prejudicial ao meio ambiente do que uma hidrelétrica. "A termoelétrica não emite só gases quentes, mas também dióxidos de enxofre e de nitrogênio, além de materiais particulados, altamente prejudiciais à saúde humana. Este tipo de material não existe nas hidrelétricas", lembra.


Tucanos fecham apoio a Serra

Numa virada surpreendente, cúpula do PSDB isola Tasso

Brasília - Agora só falta Tasso Jereissati. À exceção do governador do Ceará, o ministro da Saúde, José Serra, fechou ontem o apoio de todas as alas do PSDB em torno de sua candidatura à Presidência da República. Até mesmo o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga - "tassista" renitente - participou do almoço para tratar da agenda do pré-candidato Serra. O lançamento oficial será na semana que vem, possivelmente na quarta-feira.
Os aliados de Serra comemoraram a virada das últimas 24 horas, que trouxe para a linha de frente da campanha de Serra o presidente do partido, deputado José Aníbal (SP), o ministro Arthur Virgílio Netto, secretário-geral da Presidência e o governador de Mato Grosso, Dante de Oliveira. O governador comunicou ontem a Serra a desistência de sua pré-candidatura, prometendo arregaçar as mangas e trabalhar por ele. Também aderiram outros "tassistas" como os senadores Teotônio Vilela Filho (AL) e o líder tucano no Senado, Geraldo Melo (RN), além do governador do Pará, Almir Gabriel.
Nessa virada, tanto o presidente Fernando Henrique Cardoso quanto os ex-adversários de Serra deram ao ministro-candidato o mesmo conselho: articular e conversar mais. A sugestão inclui uma conversa "urgente" com o próprio Tasso. "O Serra é que tem de se mexer, porque essa é uma tarefa intransferível", disse Fernando Henrique a um dirigente do partido. E Serra não perdeu tempo. Iniciou as articulações imediatamente. Mas Dante ainda reforçou o conselho de Fernando Henrique: "Em política você tem de fazer carinho em homem, porque é assim que funciona."
"Estamos todos com Serra", disse José Aníbal. "De A a Z, do Acre ao Rio Grande do Sul, estamos todos fechados com a candidatura de Serra." Os "serristas" queriam definir ontem mesmo a data e o formato do anúncio do lançamento do ministro. Mas, para prestigiar e envolver na campanha o recém-convertido José Aníbal, que tinha simpatia pela candidatura de Tasso, preferiram delegar ao presidente do partido a tarefa de acertar tudo pessoalmente com o candidato. Tasso está literalmente isolado.
Já no lado do PMDB o racha é visível. O líder do partido, Geddel Vieira Lima (BA), reagiu com ironia e irritação ao lançamento da candidatura do ministro Raul Jungmann à Presidência da República. "Processo mal conduzido, extemporâneo, amador, mal preparado, sem consistência...", classificou Geddel, que ontem ligou para o presidente Fernando Henrique para falar de Jungmann. "É muita pretensão de alguém que se filiou ao PMDB há menos de quatro meses lançar-se dessa maneira como se o partido não existisse", considerou o líder. Avalia a direção do PMDB que as chances de Jungmann na convenção nacional do partido, 17 de março, são remotíssimas.

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Toxoplasmose já
atingiu 95 pessoas no PR

Curitiba - Em uma semana, o número confirmado de casos de toxoplasmose subiu de 65 para 95 em Santa Isabel do Ivaí, município de 9.300 habitantes no noroeste do Paraná, a 580 quilômetros de Curitiba. Além desses, há outros 180 notificados em análise. Equipes do Ministério da Saúde e da Fundação Nacional da Saúde estão no município para tentar identificar como o protozoário Toxoplasma gondii, causador da infecção, propagou-se entre a população.
A Secretaria de Estado da Saúde acredita que ele foi transmitido pela rede de água, depois de ela ter sido contaminada provavelmente por fezes de gato. Os animais domésticos são os principais hospedeiros do protozoário. De acordo com a secretária municipal de Saúde de Santa Isabel do Ivaí, Ana Elisa Mazzotini, este é o maior surto de toxoplasmose registrado no País. Entre os contaminados estão três gestantes. Elas requerem os maiores cuidados porque o protozoário pode atingir o feto, causando má-formação ou aborto.
De acordo com protocolo estabelecido pela secretaria, além das gestantes apenas os pacientes imunodeficientes têm tratamento especial. Os outros contaminados recebem medicamentos apenas para aliviar os sintomas, que são febre alta e dores na cabeça e no corpo. As autoridades sanitárias têm recomendado à população que ferva a água e leite antes de ingeri-los. Também foi pedido que não consumam verduras cruas e carne mal passada até que se saiba como a doença foi transmitida.

 
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