Joinville
-
Domingo, 24 de Março de 2002
-
Santa Catarina - Brasil
ANotícia
P
O
L
Í
T
I
C
A
Aposentadorias de
políticos consomem
R$ 383 mil/mês
Gastos dos cofres
públicos de SC só não são maiores
porque os privilégios na Assembléia foram derrubados
em 1990
Aposentadorias
de ex-deputados, ex-governadores e viúvas consomem, por
mês, R$ 383,4 mil dos cofres públicos catarinenses.
O valor só não é maior porque em 1990 foram
extintos os privilégios que facilitavam a concessão
do benefício previdenciário a políticos
na Assembléia Legislativa.
O governo de Santa Catarina gasta R$ 42 mil/mês com pensões
de ex-governadores ainda vivos. O benefício é pago
a cinco ex-chefes do Executivo e dois vices que foram efetivados
no cargo, por conta de renúncia ou morte do titular. Os
ex-governadores Ivo Silveira (1966-71), Colombo Sales (1971-75),
Jorge Bornhausen (1979-82), Paulo Afonso Vieira (1995-98) e os
ex-vices que assumiram o cargo até o final do mandato,
Casildo Maldaner e Henrique de Córdova, recebem uma pensão
de R$ 6 mil por mês. O valor equivale ao salário
pago aos desembargadores e deputados estaduais. O atual governador,
Esperidião Amin, abriu mão do benefício
que teria direito por já ter exercido o cargo (1983-86).
A legislação não estabelece um período
mínimo de permanência para que o chefe do Executivo
passe a receber a pensão, desde que não seja somente
em exercício. Henrique Córdova assumiu o governo
em decorrência da renúncia de Jorge Bornhausen para
disputar uma vaga ao Senado (1982-83). Casildo Maldaner ficou
à frente do governo por dois anos (1991-92) por causa
da morte do governador Pedro Ivo Campos.
As viúvas de governadores também têm direito
a uma pensão. O valor dos benefícios, no entanto,
é diferenciado. As casadas com governadores que eram funcionários
públicos (quatro) recebem cerca de R$ 2,2 mil por mês
e são pagas pela Secretaria Estadual da Fazenda. Outras
duas viúvas de governadores recebem a remuneração
específica (R$ 4,4 mil/mês), através do Instituto
de Previdência do Estado de Santa Catarina (Ipesc).
Maior fatia
Já a aposentadoria de 132 ex-deputados consome dos
cofres públicos R$ 328.185,64 por mês. Neste total
estão incluídas as pensões de parlamentares
que exerceram mandato até 1989 e de algumas viúvas
de deputados. Os benefícios, repassados via Ipesc, variam
entre R$ 1,1 mil e R$ 4,4 mil, conforme o número de mandatos.
Os gastos com pensão a ex-deputados se limitam ao exercício
de 1989 em decorrência da extinção, em 1990,
do Fundo de Previdência Parlamentar, pelo então
governador Casildo Maldaner. Os deputados eleitos a partir do
ano em que a lei foi sancionada, incluindo os que em 90 estavam
exercendo o mandato, receberam de volta as contribuições
feitas ao fundo. "Era uma quantia irrisória, sem
juros ou correções", conta Ivan Ranzolin (PPB),
que na época contabilizava 16 anos de recolhimento.
"Deputado não tem direito a nada. Nem auxílio
previdenciário, nem saúde", complementa Ranzolin.
Além dele, outros deputados da atual legislatura contribuíam
ao fundo na época, como Heitor Sché (PFL), Herneus
de Nadal (PMDB), Reno Caramori (PPB) e Gilmar Knaesel (PPB).
Quando o fundo previdenciário foi extinto, mediante aprovação
de projeto de lei pela Assembléia Legislativa (AL), seu
patrimônio (bens móveis e imóveis e disponibilidades
financeiras) foi incorporado ao governo do Estado. Os documentos
e papéis foram transferidos à AL, que até
94 ficou encarregada pelo pagamento aos pensionistas, através
do duodécimo repassado pelo Executivo.
Em 1994, ao regulamentar, em Santa Catarina, o artigo 159 da
Constituição Federal (que dispõe sobre a
pensão previdenciária por morte de agente público
estadual), o então governador do Estado, Antônio
Carlos Konder Reis, desativou o fundo parlamentar e integrou
seus beneficiários ao quadro de pensionistas do Ipesc.
Antes do fundo
O Fundo de Previdência Parlamentar foi criado em 1974,
em substituição ao Instituto de Previdência
da AL (Ipalesc), existente desde 1967. Tinha autonomia orçamentária,
financeira e personalidade jurídica própria. Desde
a primeira lei (1.051,de 67) foram 11 alterações,
referentes, principalmente às contribuições.
Desde a criação, em 1967, à extinção,
em 90, os índices de contribuição - por
parte dos deputados e os relativos à parte patronal -
oscilaram entre 8% e 13%. Os atuais pensionistas contribuem com
12%, ou cerca de R$ 780,00 por mês, calculado sobre o atual
salário de deputado estadual.
"Eu fui um dos que trabalharam para extinguir o fundo. Queira
ou não, uma parte ficava para o poder público",
conta o ex-deputado Otávio Gilson dos Santos, atualmente
conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Ele presidiu
o Ipalesc entre 1979 e 83. (Com colaboração de
Fabiana de Liz)
Em Brasília, regras iguais
a dos servidores há 3 anos
Brasília - Os privilégios dos deputados e senadores
na concessão de aposentadorias e pensões, que duraram
25 anos, foram derrubados há três anos, com a extinção
do Instituto de Previdência dos Congressistas (IPC) e a
criação do Plano de Seguridade dos Congressistas.
As pensões que vinham sendo pagas até fevereiro
de 1999 continuam existindo, com o ônus para a União,
devido ao direito adquirido. Mas para os novos congressistas,
a aposentadoria ficou definida da mesma forma que para os demais
servidores públicos federais.
A contribuição para o Plano de Seguridade Social
dos Congressistas hoje não é obrigatória
e a estrutura que na época do IPC era única para
o Senado e a Câmara foi dividida com a nova realidade e
cada Casa cuida dos seus parlamentares.
Por não ser obrigatória a adesão ao Plano
de Seguridade, os parlamentares que não contribuem com
ele e nem estão em algum outro plano privado são
obrigatoriamente incluídos na previdência oficial
do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).
Assim, hoje para um parlamentar ter a sua aposentadoria, tem
de trabalhar por 35 anos ou completar 60 anos de idade. O privilégio
de uma aposentadoria com oito anos de serviço ainda existe,
mas para poucos remanescentes da época do IPC e mesmo
assim apenas para aqueles que já recebiam antes da nova
lei. Os que não haviam conseguido atingir os oito anos
de contribuição quando nova legislação
passou a vigorar, puderam optar por entrar no novo plano ou receber
de volta o dinheiro que havia sido pago.
Os que completaram oito anos em janeiro de 1999 foram submetidos
a outra exigência: a idade mínima de 50 anos. Para
os que já recebiam e hoje exercem um novo mandato, a pensão
anterior é cancelada. A acumulação de aposentadorias,
antes permitida, também foi extinta junto com o IPC. (Jefferson
Dalmoro, especial para A Notícia)
Extinto IPC foi alvo
de críticas
desde 63
Brasília - Se ainda existisse, o Instituto de Previdência
dos Congressistas (IPC) estaria completando 29 anos em 2002.
Criado pela lei 4.284, de 20 de novembro de 1963 no governo de
João Goulart, o IPC foi extinto em primeiro de fevereiro
de 1999 com a entrada em vigor da lei 9.506/97, que criou o Plano
de Seguridade Social do Congressistas. Alvo de críticas
durante seus poucos mais de 25 anos de existência, o IPC
constitui-se em um símbolo de um privilégio que
apenas uma categoria pôde ter no Brasil: a aposentadoria
com oito anos de contribuição.
Outra diferença entre a antiga previdência e a nova
é que agora os parlamentares não são mais
obrigados a contribuir para a Previdência dos Congressistas.
A intenção de entrar no plano deve ser feita no
máximo 30 dias após o início do mandato.
O antigo IPC ainda previa outras duas formas de pensão,
além dos oito anos de mandato. Ambas atendiam aos parlamentares
que não alcançavam os oito anos estipulados pela
lei. Para os que terminavam o mandato na Câmara dos Deputados,
o instituto previa um auxílio durante seis meses no mesmo
valor da pensão que seria paga caso o período mínimo
de contribuição tivesse sido cumprido. A outra
forma de garantir uma aposentadoria para o parlamentar que não
tivesse atingido os seis anos no Congresso Nacional, era a contribuição,
mesmo sem mandato, até que o limite mínimo fosse
alcançado.
O IPC permitia ainda a acumulação de pensões,
ou seja, um ex-governador poderia receber a aposentadoria do
Congresso e do seu Estado de origem. A pensão, entretanto,
era suspensa enquanto o beneficiário exercesse um cargo
público, eleito ou não. Em 1966, a lei que criou
o IPC sofreu a sua primeira modificação. A ela
foi agregada a possibilidade de os ex-congressistas também
receberem pensão do instituto. Para isso, bastaria pagar
uma contribuição referente aos oito anos de uma
só vez ou em oito prestações mensais. Além
disso, os parlamentares puderam começar a incluir dentro
do tempo de contribuição de oito anos o período
em tivessem exercido um mandato de nível estadual. Assim,
em 66 ficava mais fácil aposentar-se pelo IPC.
Em 1982, foi aumentado, através da lei 7.087, o número
de dependentes dos contribuintes. Foram acrescentados o pai,
desde que inválido, e a mãe e os irmão menores
de 21 anos. Até 1991, mais 15 leis acrescentaram ou revogaram
dispositivos à legislação original do Instituto
de Previdência dos Congressistas. (JD)
Partido nega reaproximação
do governo e busca opções
Brasília - O PFL rompeu com o governo, tem consciência
de que está em crise, mas seus líderes garantem
que se enganam os que contam com a reconciliação
com o Palácio do Planalto. "O governo não
entendeu que temos nosso projeto de partido e de poder",
garante o ex-ministro Roberto Brant (MG). O PFL vai arrastar
a candidatura presidencial da governadora Roseana Sarney (Maranhão)
enquanto der, mas já trabalha uma alternativa para o caso
de ela sair de cena. O plano "B" do PFL é Ciro
Gomes (PPS), em uma parceria com o PTB e o PDT.
Não é de hoje que o candidato Ciro Gomes movimenta-se
para atrair o PFL baiano de Antônio Carlos Magalhães
e o senador José Sarney (PMDB-AP), na esperança
de uma parceria oficial com o PFL e do apoio de dissidentes do
PMDB. A aliança com o PFL representaria nada menos do
que oito minutos de cadeia de rádio e televisão
gratuita na campanha eletrônica. O maior obstáculo,
porém, é o presidente do PPS, senador Roberto Freire
(PE), que não pode nem ouvir falar em aliança com
o PFL. O PTB e o PDT, porém, têm seus planos para
dobrar o velho comunista.
"Estamos conversando direto com o PFL, a conversa vai muito
bem e vamos convencer o Freire a fazer o mesmo", diz, esperançoso,
o líder do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ). Ele quer
aproveitar o encontro dos três partidos neste fim de semana
em Itaipava (RJ), para pressionar Freire a ceder. Socialistas
e trabalhistas estão reunidos com o economista Mangabeira
Unger para debater o programa de governo de Ciro Gomes.
Reação
"Mas a Roseana ainda é uma candidata competitiva
para chegar ao segundo turno", alerta o secretário-geral
do partido, deputado José Carlos Aleluia (AL). O baiano
faz as contas e não vê nenhum outro candidato em
melhores condições do que a governadora.
Depois da devassa na empresa Lunus Serviços e Participações,
de Roseana e seu marido Jorge Murad, e do estrago provocado pela
cena do milhão de reais encontrado no escritório,
a governadora vai tentar uma reação nesta segunda-feira.
Fará um discurso na solenidade de entrega do prêmio
Luís Eduardo Magalhães a universitários.
"Roseana reafirmará sua candidatura com muita ênfase",
adianta o presidente nacional do partido, senador Jorge Bornhausen
(SC). Dirigentes do partido sustentam que o discurso pode marcar
a virada da candidata. Nos bastidores, porém, a preocupação
maior é com o Plano "B".
Legenda já rompeu
antes, lembra
Alceny
Os tucanos desdenham dos planos pefelistas, certos de que
o partido não vai embarcar em uma segunda aventura. Mas
o coordenador da escola de gestores políticos do PFL,
Alceny Guerra, lembra que seu partido tem o gene do rompimento,
pois rompeu com José Sarney no início do terceiro
ano de governo. "Não há hipótese de
se manter a aliança governista até porque querem
desembarcar o PFL, têm ódio de nós, os representantes
da oligarquia rural e do capital que eles combateram a vida inteira",
diz Alceny, que chegou a participar do início da criação
do PSDB, mas acabou ficando no PFL.
"Conheço bem a alma tucana." Alceny acusa os
tucanos de rejeitar o PFL agora para não ter de dividir
com o ex-parceiro o crédito do grande projeto de modernidade
do País, montado sobre idéias pefelistas.