Joinville         -          Sexta-feira, 6 de Setembro de 2002         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

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Embaixador
é demitido por
improbidade administrativa

Benedini usou recursos para comprar duas propriedades

Brasília - Em um caso raro na história da diplomacia brasileira, o Ministério das Relações Exteriores demitiu esta semana um embaixador por improbidade administrativa e desvio de recursos destinados a cobrir despesas com moradia no exterior. O alvo foi Luiz Fernando Oliveira e Cruz Benedini, 56 anos, embaixador do Brasil na Costa Rica até a última segunda feira e ex-porta-voz do Itamaraty entre 91 e 92, quando ocuparam o posto de chanceler o atual titular, Celso Lafer, e o presidente Fernando Henrique Cardoso.
Destituído até mesmo do título de embaixador, Benedini poderá responder à Justiça pelas mesmas infrações e pelo crime de falsidade ideológica. Assinada por Lafer, a portaria que demitiu Benedini foi publicada na edição da última segunda-feira no "Diário Oficial da União" e provocou constrangimento entre os diplomatas.
De acordo com o processo administrativo conduzido pela Corregedoria de Serviço Exteriores do Itamaraty desde abril do ano passado, Benedini apropriou-se dos recursos que o ministério destinou para cobrir boa parte de seus gastos com o aluguel nas duas vezes em que serviu como cônsul-geral do Brasil em Miami, nos Estados Unidos. O relatório final concluiu que Benedini destinou esses recursos para a aquisição de um imóvel particular em 1986, vendido 11 anos depois. Em seguida, o ex-embaixador comprou outro imóvel em Miami, avaliado em US$ 1 milhão.
A investigação concluiu que documentos foram forjados para não gerar suspeitas. Benedini infringiu os artigos 117 e 132 da Lei 8.112/99, que regula o serviço público. Acabou demitido, com desonra, por improbidade administrativa e por valer-se de seu cargo para obter proveito pessoal e em detrimento do serviço público. No último dia 29, a Corregedoria encaminhou o seu relatório final a Lafer, que assinou a demissão, e uma cópia ao Ministério Público, que vem conduzindo investigações próprias desse caso.
Na carreira diplomática desde 1970, Benedini serviu em Londres, Assunção, Washington e duas vezes em Miami. Desde outubro de 2000, era o embaixador do País na Costa Rica. Embora raro, seu processo não é o único da história da diplomacia. Em 1995, o então embaixador do Brasil no Iraque, Mauro Couto, foi demitido por ter se apropriado da diferença das taxas de câmbio ao converter as verbas da embaixada para a moeda local. O desfecho desse caso foi trágico. Couto suicidou-se no Rio de Janeiro.


Acionista confirma que
houve desvio no projeto da Usimar

Curitiba - O principal acionista do projeto Usimar, o empresário curitibano Teodoro Hubner Filho, disse ontem,
em depoimento à Justiça Federal, em Curitiba, que cerca de R$ 24 milhões dos R$ 44,1 milhões liberados pela Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) para o projeto foram parar com "sete doleiros e três ou quatro contas entre pessoas físicas e jurídicas". A informação foi passada à imprensa pelo advogado de Hubner Filho, João Casillo.
"Fizemos busca tostão por tostão para saber onde tinha ido", afirmou Casillo. Segundo ele, o levantamento foi entregue ao Ministério Público Federal. Repetindo o que já havia declarado em depoimento anterior, o empresário disse que aproximadamente R$ 20 milhões foram aplicados na obra da Usimar ou dados como sinal para importação de equipamentos.
Casillo afirmou que no desvio do dinheiro estaria envolvido um "diretor da empresa" (referindo-se a Valmor Felipetto), que também tinha depoimento previsto para ontem. "O dinheiro acabou parando em doleiros ou nas contas de pessoas físicas ou jurídicas", disse.
Segundo ele, 5% do valor total foi destinado ao pagamento de comissão ao Banco da Amazônia. No levantamento "minucioso" que teria sido feito a pedido de Hubner Filho, o advogado disse que o dinheiro passou por várias contas, tendo sido descontados cerca de R$ 530 mil somente de CPMF.
O advogado disse que Hubner Filho assinava muitos dos cheques "por ordem do diretor financeiro (Felipetto)". Segundo o advogado, Hubner Filho teria entrado de forma "inocente" no projeto.
Hubner Filho teria dito à Justiça que nunca teve contato com o ex-senador Jader Barbalho, que viu a ex-governadora do Maranhão, Roseana Sarney, apenas uma vez, e que trocou palavras duas vezes com o ex-secretário do Maranhão, Jorge Murad, num tempo não superior a cinco minutos. Dos três, apenas Roseana não está sendo processada.
Ontem à noite, ainda seriam ouvidos a filha de Hubner Filho, Magaly, e o lobista Amaury Cruz Santos. Em depoimento ao Ministério Público Federal no Tocantins, Santos tinha afirmado que Barbalho recebeu cerca de R$ 8,8 milhões como "comissão" por ter ajudado na liberação das verbas da Sudam para o projeto.


Ativistas são
detidos após fazer protesto

Rio - Um protesto de nove ativistas da organização não-governamental Greenpeace contra o fracasso da Cúpula Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável, a Rio +10, em Johannesburgo (Africa do Sul), que terminou anteontem, irritou a Igreja e a Polícia Militar do Rio de Janeiro. O grupo escalou um dos principais cartões-postais da cidade, o monumento do Cristo Redentor e estendeu uma faixa com os dizeres "Rio + 10: 2ª chance?".
Os manifestantes foram detidos, e a Arquidiocese do Rio manifestou seu repúdio contra a "o uso indevido da imagem, símbolo dos católicos do Rio e de todo o Brasil". O comandante do batalhão de policiamento , tenente-coronel Paulo Sérgio Marujo, chamou o grupo de "um bando de canalhas".
Os ativistas - sete brasileiros, uma americana e um irlandês - chegaram ao Rio há dez dias e estavam acampados no morro do Corcovado desde terça-feira. Ontem, eles se aproveitaram de um momento de descuido da vigilância para subir na estátua com o auxílio de equipamentos.
Levados para a 7ª Delegacia de Polícia, em Santa Teresa, centro do Rio, os ativistas depuseram e foram liberados. O delegado Oswaldo Cupello tipificou o caso como "vilipêndio de objeto religioso", cuja pena vai de um mês a um ano de detenção. O Greenpeace também fez um protesto de 20 minutos no Congresso Internacional de Petróleo, no Riocentro.


Polícia prende Rainha após
receber denúncia anônima

Teodoro Sampaio, SP - O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, José Rainha Júnior, foi preso ontem pela manhã. Ele é acusado dos crimes de formação de quadrilha, furto e constrangimento ilegal. Após denúncia anônima, policiais civis localizaram Rainha na casa de sua ex-cunhada Lourdes Banni, no Assentamento Ernesto Che Guevara, em Mirante do Paranapanema, interior de São Paulo.
A prisão preventiva foi decretada na segunda quinzena de maio, pelo juiz da comarca de Teodoro Sampaio, Athis Araujo de Oliveira. Rainha deve permanecer na delegacia de Teodoro Sampaio. Ele ficou preso este ano, por porte ilegal de arma, de 25 de abril a 18 de maio, na delegacia de Presidente Venceslau.
Por volta das 7 horas, os delegados Donato Farias de Oliveira e Edmar Trindade Nagai, com dez investigadores, fecharam o cerco ao líder do MST. No momento da captura, Rainha ofereceu resistência, mas foi dominado. Detido, foi levado para delegacia de Teodoro Sampaio. Às 10 horas, seguiu para Presidente Venceslau, onde fez exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal, e retornou à cadeia ao meio-dia.
Rainha está preso numa cela com oito presos comuns. A cadeia abriga 76 presos, entre eles 15 integrantes do MST. "Tomei uma decisão pessoal, preferindo me manter calado. Só vou me pronunciar na Justiça. Fiquei no assentamento trabalhando. Estava colhendo feijão", disse à Rainha à imprensa. O advogado Henriques Belotto vai apresentar um documento de repúdio aos órgãos de Direitos Humanos do País por Rainha ter sido transportado em um carro de polícia.

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Incêndio destrói
igreja mais antiga de GO

Pirenópolis, GO - Um incêndio destruiu ontem a igreja matriz de Nossa Senhora do Rosário, a mais antiga de Goiás, construída em 1728, em Pirenópolis (GO) e tombada pelo patrimônio histórico nacional desde 1941. Todo o interior da igreja - castiçais de prata, porcelanas francesas do século 17 e afrescos no teto - foi destruído. Os únicos objetos salvos foram a imagem de Nossa Senhora do Rosário, padroeira da cidade, outras 12 imagens de santos, além de 14 quadros da Via Sacra. As paredes externas, de taipa, correm risco de desmoronar.
O presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Carlos Henrique Heck, informou que há um ano cópias de um laudo técnico de vistoria foram enviadas ao Ministério Público Federal, à Diocese de Anápolis e ao pároco responsável pela igreja, Luiz Virtuoso, alertando para o risco de acidentes. O arquiteto do Iphan Silvio Cavalcanti constatou, em setembro de 2001, a existência de gambiarras para instalação do som, velas acesas e uso inadequado de cera no piso, bastante inflamável.

Ajuda

"Desconheço o alerta", defendeu-se o padre Virtuoso, que não descarta a possibilidade de sabotagem. Admitiu, no entanto, usar uma régua de tomadas para ligar a mesa do som, um amplificador e um eqüalizador. A população de Pirenópolis está de luto.
O presidente Fernando Henrique Cardoso, que participou em 1999 da reinauguração da igreja após restauração na qual foi gasto US$ 1 milhão, lamentou o incêndio. Em nota à imprensa, ele garantiu total empenho para "devolver à população de Pirenópolis e de Goiás uma das mais importantes obras arquitetônicas do barroco do Centro-Oeste".

 
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