Joinville         -          Sábado, 11 de Janeiro de 2003         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

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Inflação oficial
em 2002 foi de 12,53%

Escalada na cotação do dólar, que chegou a atingir R$ 4,00 foi o motivo da alta do IPCA

Rio - A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usada como balizador da meta oficial do governo, acumulou alta de 12,53% em 2002, ultrapassando todos os limites fixados. A escalada do dólar pressionou os preços no segundo semestre e foi o principal fator responsável pela maior taxa anual registrada no País desde 1995, quando atingiu 22,41%.
A variação extrapolou até mesmo a última meta negociada pelo governo em dezembro com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que previa inflação máxima de 11% no ano passado. A projeção inicial, que ainda serve como meta interna, era de inflação de 3,5%, podendo chegar ao limite máximo de 5,5%, ou seja, menos da metade da taxa efetivamente alcançada.
A gerente do sistema de índices de preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que calcula o índice, Eulina Nunes dos Santos, avalia que o IPCA de 2002 foi "uma inflação de custos". Ela lembrou que a desvalorização do real no período "atingiu os diversos produtos em proporções diferentes".
Mas, apesar da taxa recorde, a inflação chegou ao final de 2002 em trajetória de desaceleração. O IPCA de dezembro atingiu 2,10%, variação inferior aos 3,02% registrados em novembro e que foram o recorde do Plano Real. A queda de um mês para o outro foi resultado da redução no ritmo de reajustes dos alimentos e combustíveis.
A influência do dólar foi mais intensa no segundo semestre. A taxa de inflação acumulada nos últimos seis meses do ano totalizou 9,32%, ante 2,94% no primeiro semestre. O IPCA triplicou no período empurrado especialmente pelos alimentos, exatamente o item que mais ajudou a conter a inflação no primeiro semestre, com alta acumulada de apenas 0,6%. Na segunda metade do ano, os preços dos alimentos registraram aumento de 18,76%.
Os produtos alimentícios deram a principal contribuição para a alta da inflação no ano passado, com aumento acumulado de 19,47%. E foram responsáveis, sozinhos, por 4,63 ponto percentual da taxa, ou seja, por um terço da inflação anual. A elevação foi reflexo direto da alta do dólar e foi mais intensa em produtos como farinha de trigo (75,57%), óleo de soja (73,07%), açúcar refinado (66,23%) e feijão carioca (61,79%).
Mas, a maior contribuição individual para a inflação do ano foi dada pelas tarifas de energia elétrica, que registraram alta acumulada de 19,88% no ano passado, participando sozinhas com 0,77 ponto percentual para o IPCA. Outras contribuições significativas para a inflação acumulada em 2002 foram dadas pelo gás de botijão (48,33% de aumento e contribuição de 0,65 ponto percentual); ônibus urbanos (12,06% e 0,56 pp) e gasolina (12,09% e 0,53 pp).
Em dezembro, alimentos e combustíveis permaneceram com variações elevadas, apesar da redução do ritmo de reajustes em relação a novembro. A menor influência do dólar fez cair também o aumento do grupo alimentício para 3,91%, ante 5,85% em novembro. Por outro lado os remédios, que tiveram reajuste extraordinário de 8,63% autorizado a partir de novembro, subiram 5,86% e representaram a maior contribuição individual (0,22 ponto percentual) para a inflação do mês.


Inflação em disparada

A meta de inflação oficial estabelecida para 2002 era de 3,5%. O IPCA do IBGE, atingiu 12,53%

2002 / variação (%)
Janeiro / 0,52
Fevereiro / 0,36
Março / 0,60
Abril / 0,80
Maio / 0,21
Junho / 0,42
Julho / 1,19
Agosto / 0,65
Setembro / 0,72
Outubro / 1,31
Novembro / 3,02
Dezembro / 2,10

Acumulado no ano / 12,53

2001 / variação (%)
Janeiro / 0,57
Fevereiro / 0,46
Março / 0,38
Abril / 0,58
Maio / 0,41
Junho / 0,52
Julho / 1,33
Agosto / 0,70
Setembro / 0,28
Outubro / 0,83
Novembro / 0,71
Dezembro / 0,65

Acumulado no ano / 7,67%3

FONTE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)


Meta vai
estourar de novo em 2003

Rio - A meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para a inflação de 2003, de 4%, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais, não será atingida pelo terceiro ano consecutivo. A constatação já foi feita em análises do próprio Banco Central e analistas de mercado estimam que o IPCA deste ano deverá atingir 11%, ficando pouco abaixo do registrado em 2002. A meta do conselho atende às definições da política econômica e serve como base inicial das metas para o ano definidas com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Normalmente, é revisada nos períodos de renegociação do acordo com o Fundo, que ocorre de três em três meses.
O sistema de metas de inflação foi adotado no Brasil em março de 1999 pelo então presidente do Banco Central, Armínio Fraga, e deverá prosseguir no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, segundo já anunciou o ministro da Fazenda, Antônio Palocci. A inflação ficou dentro da margem definida pelo conselho em 1999 (8,9%, dentro do teto de 10%) e 2000 (5,97%, no centro da meta de 6%). Ultrapassou em quase dois pontos percentuais o teto de 6% da meta de 2001 (7,67%) e extrapolou completamente a meta de 2002 (12,53% para um teto de 5,5%).
O economista Ricardo Braule, membro do conselho consultivo do IPCA, disse que dificilmente a meta será cumprida neste ano, mas que esse é um processo natural, ainda que seja importante que a meta seja perseguida. Para ele, o importante é que o sistema de metas mantenha a atual transparência e credibilidade.
O economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Salomão Quadros avalia que a inflação ao consumidor em 2003 sofrerá efeitos das fortes altas registradas no atacado no ano passado. Ele explicou que vários contratos são reajustados com base nos índices acumulados de 12 meses, como eletricidade residencial e tarifas de água e esgoto.


Tarifas
foram as grandes vilãs

Rio - O Plano Real estabilizou os preços mas não evitou reajustes, especialmente de tarifas, que ultrapassaram de longe a variação da inflação. Enquanto o IPCA acumulou alta de 137,93% desde o início do plano, em julho de 1994, até dezembro do ano passado, algumas tarifas registraram no período reajustes bem superiores, como telefone fixo (433 37%) e energia elétrica (255,91%).
O levantamento foi divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e aponta também variação de 302,54% no grupo habitação, pressionado especialmente pelo aluguel (385,54%). Houve aumentos bem acima da inflação do Real também no gás de botijão (540,95%) e na gasolina (259,68%).
O ápice de alguns desses reajustes ocorreu nos primeiros anos do plano. A energia elétrica residencial, por exemplo, subiu 65,12% naquele ano e depois registrou as maiores variações em anos de escalada do dólar - as tarifas têm reajuste vinculado ao IGP-M, que tem forte influência da moeda americana - em 1999 (19,89%) e no ano passado (19,88%). Situação similar ocorreu com os serviços de telefonia, que no caso aumentaram os preços especialmente nos três primeiros anos do Real: 1995 (25,21%), 1996 (69,19%) e 1997 (89 64%). Os aluguéis também subiram sobretudo em 1995, com alta de 81,21%. Por outro lado, os consecutivos aumentos da safra agrícola reduziram os preços das frutas no País, com queda acumulada de 11,26% no Real.

INPC

A população mais pobre foi a que sofreu os maiores efeitos das altas nos preços no ano passado. A inflação medida pelo INPC (renda de um a oito salários mínimos) acumulou alta de 14,74% no ano, ou 2,21 ponto percentual superior ao IPCA (renda de um a 40 salários mínimos). Em dezembro, o INPC registrou alta de 2,7%.


Receita
prorroga prazo do Refis

Entidade regulamentou ontem minirreforma tributária

Brasília - A Receita Federal regulamentou ontem a prorrogação para 31 de janeiro do prazo dos pagamentos de tributos e contribuições federais com redução de multas e juros previstas na lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002, que trata da minirreforma tributária, proposta pela Medida Provisória 66. Além do prazo, a lei amplia a abrangência prevista na MP. A partir de agora, passam a ser contemplados os pagamentos vinculados a ações judiciais que a medida não abrangia. A prorrogação do prazo final para o pagamento com benefício fiscal vale também para o Regime Especial de Tributação (RET) das fundações e para o Programa de Recuperação Fiscal (Refis) das empresas.
Segundo o secretário-adjunto da Receita, Carlos Alberto Barreto, a prorrogação do prazo de pagamento para as entidades fechadas ou abertas de previdência complementar, a sociedade seguradora e o administrador do Fapi não deverá ser uma fonte significativa de receita extraordinária como ocorreu ao longo do ano passado. "Refere-se mais a valores residuais de algumas entidades que tinham dúvidas sobre a base de cálculo da tributação", explicou.
A empresa interessada em usufruir do benefício estipulado pela Receita Federal terá que desistir de ações que tenham sido impetradas na Justiça, questionando a cobrança do tributo. De acordo com a portaria número 7, as empresas terão que protocolar até o dia 28 de fevereiro, em uma unidade da Receita ou da Procuradoria-geral da Fazenda Nacional (PGFN), uma prova de que efetuaram o pagamento do débito em atraso.

Condições

Além disso, as empresas terão que apresentar uma declaração de desistência "expressa e irrevogável" das ações judiciais anteriormente protocoladas. O valor pago pela empresa até o dia 31 de janeiro será deduzido da dívida reconhecida no Refis. A Receita ressalta, no texto da portaria número 6, que se o pagamento do débito em atraso não for feito integralmente, o saldo devedor será mantido na dívida consolidada no âmbito do programa de recuperação fiscal. O comitê gestor do Refis também publicou hoje uma resolução definido as regras de conversão da forma de pagamento das dívidas consolidadas no âmbito do programa.
Existem duas maneiras de se efetuar o pagamento de débitos consolidados no Refis. A empresa pode pagar, mensalmente, um valor equivalente a um percentual de sua receita ou optar pelo sistema alternativo que é feito por meio do pagamento de parcelas mensais com valores fixos. As empresas que, por erro comprovado, tenham efetuado o pagamento dos débitos numa forma diferente da opção original feita quando do ingresso no Refis poderão solicitar à Receita a conversão do sistema.


FMI impõe fiscalização
mensal para Argentina

Buenos Aires - Fiscalizar o andamento da economia argentina uma vez por mês. Esta foi a imposição do Fundo Monetário Internacional (FMI) ao governo do presidente Eduardo Duhalde. A medida é inédita na história do Fundo, já que até agora as visitas de fiscalização costumavam ser semestrais. A exigência foi feita pela desconfiança que o organismo internacional possui há mais de um ano em relação aos sucessivos governos argentinos, que não costumaram cumprir as metas prometidas ao FMI.
A equipe econômica do ministro Roberto Lavagna teve que aceitar a exigência a contragosto. Mais ainda, se for levado em conta que a primeira missão fiscalizadora chegaria a Buenos Aires no início de fevereiro. Analistas afirmam que com estas missões mensais, para evitar que o governo Duhalde saia da linha nem um centímetro sequer, o controle do FMI sobre a evolução da economia argentina chegará a níveis nunca antes vistos. No ministério da Economia, comenta-se extra-oficialmente que a diretoria do FMI possui uma série de reticências em relação a Lavagna.
Por este motivo, pretende vigiá-lo de perto, mais ainda nos próximos meses, quando o país poderá sofrer turbulências ao embalo da campanha presidencial. O Fundo também voltou a exigir o impopular aumento das tarifas dos serviços das empresas públicas privatizadas. O governo respondeu que o decreto autorizando o aumento foi bloqueado na Justiça, e que por enquanto, nada pode ser feito. O vice-ministro da Economia, Oscar Tangelson, comentou com otimismo que considera que "existem boas perspectivas para que este acordo seja assinado".


Exportação
ganha mais recursos

Brasília - O Programa de Financiamento às Exportações (Proex) contará com R$ 196 milhões a mais em 2003 para alavancar uma parcela das exportações brasileiras, um crescimento de 8,82% em relação ao orçamento do ano passado. Os recursos previstos no Orçamento deste ano para as duas linhas - a de financiamento direto e a de equalização - somarão R$ 2,416 bilhões. O Banco do Brasil, gestor do programa, prepara ainda o desmonte de reformas implementadas por decisão do governo anterior no programa, como a retomada do acesso de grandes empresas ao Proex-financiamento, e novas mudanças, como a criação de uma nova linha de pré-embarque, ou seja, para beneficiar a produção de bens destinados ao mercado externo.
Segundo Rogério Lot, gerente-executivo da diretoria de governo do Banco do Brasil, 97,5% do total de recursos previstos no orçamento para o Proex no ano passado, de R$ 2,2 bilhões, foram desembolsados. Trata-se de um mecanismo que financia as vendas brasileiras com prazos de 60 dias a 10 anos, cuja taxa de juros é uma das mais baixas do mercado, a Libor (cerca de 2,3% ao ano atualmente). O objetivo, segundo Lot, foi o de privilegiar os embarques realizados por pequenas e médias empresas, que responderam por 69% das operações de exportação que incursaram por essa linha ou por US$ 107 milhões.


Suinocultor tenta
reverter embargo russo

Florianópolis - O mercado de alimentos acredita em uma solução rápida para a suspensão das importações russas de carne suína catarinense. O embargo foi motivado pela presença de 88 mil animais contaminados com o vírus de Aujeszky, que não afeta os humanos, em 74 granjas do Estado. Apesar do impacto que a medida causou aos exportadores, afetando sua previsão de faturamento de aproximadamente US$ 50 milhões/mês, analistas do setor de alimentos não acreditam na contaminação dos resultados financeiros das empresas neste primeiro semestre. "Estamos otimistas por uma solução rápida para o problema, por isso não estamos calculando prejuízos", afirmou um analista de um banco de investimentos europeu com filial em São Paulo.
As grandes empresas exportadoras estão diversificando suas opções de vendas externas e negociando com países asiáticos. Os focos são China, Filipinas e Coréia do Sul. O mais promissor é a China, para quem o Brasil já chegou a exportar carne suína. O mercado de alimentos espera a confirmação das vendas para a China até meados deste ano.
Com a abertura deste mercado e o retorno das compras pela Rússia, especialistas em alimentos acreditam em um aumento entre 15% e 20% nas vendas externas. Com base nas 480 mil toneladas exportadas pelo Brasil em 2002 (75% de Santa Catarina), isto significa vendas de quase 580 mil toneladas. "A China é o mercado mais provável a receber a carne brasileira", acredita o analista.


Polônia

Embraer
ganha concorrência

São Paulo - A companhia aérea polonesa LOT Polish Airlines informou ontem que irá comprar dez jatos Embraer-170, de 70 lugares, num contrato avaliado pelo mercado em mais de US$ 200 milhões e que representa a primeira grande venda da fabricante de aviões brasileira neste ano. Além dos pedidos firmes, a companhia adquiriu opções de compra de outros 11 jatos da família 170/190, que inclui modelos de até 108 assentos. Se forem exercidas, as opções podem elevar o valor do contrato para a casa dos US$ 500 milhões, segundo estimativas não-oficiais.
A autorização para a compra dos aviões foi concedida ontem pelo conselho administrativo da companhia aérea, e em seguida comunicada ao governo da Polônia. Segundo a assessoria de imprensa da Embraer, as aeronaves começarão a ser entregues no próximo ano. Outros 14 jatos regionais da Embraer, do modelo ERJ-145, configurados com 48 assentos, voam atualmente com a bandeira da companhia aérea polonesa, o que já conferia à empresa brasileira uma vantagem na disputa pelo contrato, segundo especialistas do mercado de aviação.
O porta-voz da LOT, Leszek Chorewski, que confirmou a operação, informou também que a aquisição será parcialmente financiada por meio de leasing operacional e financeiro - a principal diferença entre as duas modalidades é que na segunda os aviões são incorporados aos ativos da empresa à medida que as parcelas são pagas.
"A decisão da LOT em favor do Embraer-170 confirma que sempre que esta combinação de conforto, desempenho e economia oferecida pela Embraer for levada em consideração, não restarão dúvidas sobre qual realmente é a melhor escolha", afirmou o diretor-presidente da Embraer, Maurício Botelho
A decisão põe fim a um polêmico processo de negociações. Em outubro do ano passado, o governo brasileiro acusou representantes do Canadá de estarem exercendo pressões sobre autoridades polonesas, numa tentativa de favorecer a escolha dos aviões fabricados pela empresa canadense Bombardier, que disputava o contrato com a Embraer.
Segundo as suspeitas levantadas pelas autoridades brasileiras na época, Ottawa estaria ameaçando retirar da Polônia investimentos da empresa canadense AD Tranz, maior multinacional do setor de transporte com presença no país. Oficialmente, a existência de tais pressões foi negada pelos governos do Canadá e da Polônia.

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Código Civil muda
regras de empresas

Abrir a administrar sociedades limitadas fica mais complicado a partir de hoje

Silvia Pinter

Joinville - Abrir e administrar uma empresa de sociedade limitada a partir de hoje ficará mais complicado. O novo Código Civil altera regras e impõe mais formalidades ao processo. As firmas com menos de dez sócios, por exemplo, terão de comunicar qualquer tipo de mudança somente através de reunião. E as que dispõem um número maior de sócios terão que fazer o anúncio por meio de assembléia. O prazo de adaptação é de um ano.
"As empresas limitadas precisam formar um conselho fiscal com pessoas não sócias, como dependentes, empresários, auditores ou advogados. É uma forma de dar mais transparência à gestão", acrescenta o advogado tributarista, Charles Machado. As alterações foram discutidas durante 27 anos e foram aprovadas pelo Congresso Nacional em agosto de 2001. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) tentou adiar a entrada em vigor do novo Código.

RESTRIÇÃO AOS CASAIS

As novas regras restringem ainda a sociedade entre marido e mulher. Isso se eles forem casados em regime de comunhão universal de bens ou separação obrigatória. "Significa que quem tem a mulher como sócia, ou vice-versa, terá que substituí-lo. O problema é que essa relação é de confiança", diz a advogada em direito societário da consultoria Oliveira Neves e Associados, Ana Cláudia da Mota, que vê as alterações como um complicador.
O novo código criou ainda regras para a denominação da empresa limitada. Não serve agora somente a inscrição do nome fictício. É necessário a inclusão do ramo da atividade que está sendo criada. Nem o usucapião (modo de adquirir propriedade de um imóvel) escapou das novas regras. Agora qualquer cidadão não precisa mais esperar por 20 dias para requer a posse de uma propriedade. Dependendo do caso esse prazo pode cair para até 10 anos.

JUROS

Com as novas regras os contratos de compra de uma casa, terreno ou até no comércio local precisam prever os juros e correções. Caso contrário vai valer a taxa Selic. E isso não é nada bom para o consumidor, já que a taxa básica de juros está em 25% ao ano. "É precisa ter muito atenção ao fechar qualquer contrato", alerta o advogado tributarista, Charles Machado.
O prazo máximo para exigir o conserto de defeitos no imóvel foi alterado. Passou de 20 anos para dez anos. Mas os fundamentos para a ação continuam os mesmos. Segundo o Instituto de Defesa do Consumidor do Distrito Federal, os problemas devem ser observados nos cinco anos seguintes à entrega das chaves e deve ser graves, como rachaduras e desabamento de lajes.


Mais
trabalho para a Jucesc

Cristiano Escobar Maia

Florianópolis - O novo Código Civil que entrou em vigor no sábado trará muito trabalho aos funcionários da Junta Comercial do Estado de Santa Catarina (Jucesc). A mudança na legislação obriga a todas as empresas a registrarem-se novamente. Em Santa Catarina existem 320 mil empresas inscritas na Junta, das quais presume-se que 250 mil estão em atividade regular que terão que enquadrarem-se as novas regras.
A mudança significará a multiplicação do trabalho de atendimento da Jucesc. "Acreditamos que o atendimento triplicará neste ano", reforça o presidente Jucesc, Antônio Bulcão Viana. Até novembro de 2002, os 32 escritórios regionais da Junta atenderam 64 mil pessoas. Em 2003, Bulcão Viana estima que passarão de 180 mil. "Por conta dessas modificações", diz.
Os funcionários da Junta estão sendo treinados desde meados do ano passado pelo Departamento Nacional de Registro Comercial e o órgão colocou uma equipe para atender, por telefone, e-mail e fax, as dúvidas dos empresários. "Dúvidas simples poderão ser solucionadas por nossa ouvidoria, por telefone", confirma. O telefone da Junta é 48-2125599. As empresas terão um ano para adequarem-se as novas regras. "Espero que não deixem para a última hora", diz.
Como toda a movimentação legal feita dentro da Junta só será colhida se a empresa estiver enquadrada na nova legislação, Bulcão Viana acredita que os empresários acabarão por enquadrarem-se rapidamente ao novo Código. De janeiro a novembro do ano passado, dos 64 mil atendimentos da Junta, 21 mil foram de processos para abertura de novas empresas e 35 mil de alterações de dados.


Dólar recua
para R$ 3,295

Captação de recursos no exterior anima mercado

São Paulo - A confirmação ontem de captações externas de US$ 525 milhões por quatro grandes bancos e a rolagem de 74% do vencimento de US$ 1,8 bilhão em cambiais no dia 16 fizeram o dólar comercial encerrar abaixo de R$ 3,30, pela segunda vez esta semana. O câmbio comercial fechou cotado a R$ 3,295, em queda de 0,60%. Na mínima pela manhã, a moeda americana caiu até 1,21%, para R$ 3,275, por causa da expectativa positiva em torno do primeiro leilão de rolagem do novo governo e das emissões. Na segunda-feira, o BC prossegue na rolagem. Na rolagem de ontem, o Banco Central (BC) pagou taxas inferiores às de consenso do mercado antes do primeiro leilão e também abaixo das taxas aceitas nas rolagens feitas em dezembro, relativas ao vencimento de 2 de janeiro.
Os investidores estão voltando aos fundos de renda fixa, após as retiradas maciças registradas entre maio e dezembro do ano passado, quando os fundos viram "evaporar" R$ 64 bilhões do setor. Este mês, ao contrário, os depósitos estão sendo maiores que os saques, conforme o vice-presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Edson Nascimento de Oliveira Júnior, que registrou captação positiva de R$ 450 milhões dos dia 2 a 8 de janeiro na CEF. "Há uma onda de otimismo no mercado no momento."
Ele observou que este movimento ocorre após o período de incerteza eleitoral e depois do aumento na taxa básica de juros (Selic) para 25% - o que conduziu à melhora na rentabilidade dos fundos. O Unibanco também está otimista. "Estamos detectando aumento na rentabilidade dos fundos, nos últimos tempos", disse o administrador de fundo de renda fixa do banco Guilherme Gaertner. Este retorno é causado por um conjunto de fatores, na avaliação do vice-presidente. Ele explica que a partir de setembro iniciou-se uma melhora na liquidez para títulos no mercado de renda fixa brasileira.
Segundo o executivo, com o fim do período inicial de marcação a mercado, que durou de maio a agosto do ano passado, os investidores começaram a retornar para os fundos de renda fixa - o vice-presidente lembrou que no início da marcação, os clientes se voltaram para outros papéis, atrelados ao IGP-M. "Os investidores agora se sentiram seguros para voltar ao DI", disse. A Caixa Econômica, por exemplo, registrou captação positiva de R$ 1 bilhão em dezembro. Em setembro, a Caixa registrou captação de R$ 178 milhões, passando para R$ 294 milhões em outubro e para R$ 593 milhões em novembro. Ele observou que não é possível dizer que os investidores recuperarão este ano suas perdas com investimentos em fundos de renda fixa durante a época da marcação a mercado. "Ter uma boa rentabilidade agora não é necessariamente uma recuperação do que eles perderam", afirmou.


Exportação em alta
anima fabricantes de calçados

Joinville - O pólo calçadista do Vale do Rio Tijucas está passando pela sua melhor fase. A avaliação é do consultor da Associação dos Exportadores de Calçados e Acessórios de Santa Catarina, João Alba. Segundo ele, as 25 empresas associadas exportaram mais de US$ 1 milhão em 2002. "Em 99, quando fundamos a Associação as exportações não superavam os US$ 80 mil", lembra.
O presidente do Sindicato da Indústria Calçadista de São João Batista, Almir Manoel Atanázio dos Santos, diz que, em média, o segmento aumentou em 10% o faturamento em 2002, comparado a 2001. "As indústrias da região tem a peculiaridade de produzir lotes menores e mais diversificados. Essa é a tendência dos clientes internacionais. Por isso, estamos ganhando clientes das empresas gaúchas", explica.
"Algumas empresas têm pedidos de 20 mil pares para entregar até fevereiro. Isso nunca aconteceu nessa época do ano". Cerca de 80% da produção é de calçados femininos. A meta dos empresários que compõem a associação de exportadores é vender mais de US$ 1,6 milhão nesse ano, principalmente para os Estados Unidos e América Latina. "Vamos investir R$ 2,6 milhões só em divulgação dos produtos em feiras, catálogos e em missões empresariais nesse ano", revela Alba.
Segundo ele, em média, as indústrias associadas geraram cerca de mil empregos diretos em 2002. "A meta é que até 2004 mais 1.200 novas vagas sejam criadas". São produzidos, em média, 26 mil pares por dias por essas indústrias.
Santa Catarina tem 256 fábricas de calçados e cerca de 130 ficam na região do Vale do Rio Tijucas. "O número de empregados cresceu cerca de 14% nas empresas da região no ano passado, devido ao aumento das exportações. Hoje, cerca de 14% da produção é vendida para fora do País", explica Santos. (Jeferson Ribeiro)

 
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