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Joinville         -         Quinta-feira, 17 de Julho de 2003        -          Santa Catarina - Brasil
 
 

ANotícia  

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Cálculo renal

Pedra surpreende médico

Joinville - Um cálculo renal maior que uma bolinha de pingue-pongue, retirado do rim de uma paciente da Fundação Pró-Rim, de Joinville, impressionou a equipe do médico Jean Cristóvão Guterres. "Geralmente a gente encontra casos de pessoas que têm várias cálculos, bem menores. É bastante incomum um cálculo deste tamanho", diz o médico, que guardou a pedra, de aproximadamente cinco centímetros de diâmetro e ovalada, no consultório.
Os cálculos renais são formações sólidas compostas de sais minerais e uma série de outras substâncias, especialmente o cálcio e o ácido úrico. Os sais formam cristais que podem migrar pelas vias urinárias causando muita dor. Podem atingir os mais variados tamanhos, desde pequenos grãos, como os de areia, até o tamanho do próprio rim (uma mão fechada). Eles se formam tanto nos rins quanto na bexiga.
A paciente que passou pela cirurgia - uma mulher de 50 anos que prefere não se identificar - chegou até a fundação depois de fazer uma consulta por causa de um freqüente "desconforto lombar". Ao fazer um raio X, os médicos descobriram que se tratava de um cálculo renal que poderia levar à falência do órgão e à necessidade de um futuro transplante. Depois de passar pela cirurgia, segundo o médico, a paciente passa bem e os seus rins voltaram a funcionar normalmente. "Certamente este cálculo se formou nos últimos dez anos. Não é algo que surge de uma hora para a outra", diz o médico. Há relatos médicos da retirada de cálculos ainda maiores ou de mais de três mil pedras de um único rim, mas não há registros como estes em Santa Catarina.
Há dois dias, outro cálculo considerado "grande" pela equipe médica foi retirado, só que desta vez, com pouco mais de três centímetros de diâmetro. "É importante que as pessoas consultem o médico quando sentirem qualquer dor nas costas ou desconforto. Nem sempre a cólica renal, que é o sintoma característico da presença do cálculo, aparece", explica o médico.


Índios recebem
certidões de nascimento

Mutirão do judiciário, ministério público e Funai permitiu entrega de 349 documentos

Marcos Horostecki

Chapecó - Concluir os estudos, conseguir um emprego numa fazenda e levar a vida adiante, sem perder de vista a origem indígena. Foi com esses sonhos na cabeça que o caingangue Atanásio Fokai da Silva, 18 anos, recebeu ontem, no Toldo Chimbangue, em Chapecó, seu primeiro documento pessoal: a certidão de nascimento. Um simples registro civil para a maioria dos brasileiros, mas uma chance de se tornar um verdadeiro cidadão para o jovem indígena e outros 348 caingangues e guaranis beneficiados por um mutirão de emissão de documentos promovido pelo ministério público, poder judiciário e Fundação Nacional do Índio (Funai). O trabalho de identificação levou mais de seis meses para ser concluído e teve o cuidado de preservar os nomes indígenas de cada um dos beneficiados.
Até a tarde de ontem, quando recebeu a certidão de nascimento do juiz dos feitos da Fazenda Pública, Selso de Oliveira, Atanásio Fokai (árvore de fruta com folha dura, em língua caingangue) tinha o registro administrativo de nascimento, feito pela Funai, como único documento pessoal. Esse registro, no entanto, deixou de ser aceito pelo Estado em outubro de 2000 e não havia nenhuma possibilidade de o jovem conseguir sua carteira de trabalho ou carteira de identidade sem a realização de um processo judicial, que lhe garantisse o acesso à certidão de nascimento.
Como nas áreas indígenas da cidade havia mais de 50% de moradores sem documentos, a saída encontrada pela promotoria e pelo judiciário foi promover um mutirão e uma ação judicial em conjunto, que beneficiasse a todos de uma única vez, eliminando o problema. A Funai e as lideranças das aldeias foram as responsáveis pelo levantamento correto da filiação de cada beneficiado e o ministério público formalizou a ação civil pública, imediatamente despachada pelo juiz.
"Essas pessoas passam a existir em termos estatísticos para o Brasil e poderão exercer a verdadeira cidadania", comemora o juiz. Sem a certidão de nascimento não podem retirar outros documentos e também não tem acesso a benefícios como a aposentadoria.


Indígenas liberam tráfego
de veículos em estrada de José Boiteux

José Boiteux - Os indígenas da reserva Duque de Caxias liberaram o tráfego de veículos na estrada que liga os municípios de José Boiteux a Vítor Meireles, no Alto Vale do Itajaí, depois de 15 dias de bloqueio. A medida foi anunciada pelo cacique-presidente, Aniel Priprá. Ele encaminhou correspondência ao superintendente regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Curitiba, Antônio Roberto de Paula, advertindo que caso o ministro da Justiça, Márcio Thomas Bastos, não assine até o próximo dia 31 a portaria que amplia a área de 14 mil para 37 mil hectares, serão tomadas medidas mais sérias. O documento não especifica quais, mas algumas lideranças já admitiram a possibilidade de bloquear a BR-470.
Mesmo antes das lideranças do Sul do país serem recebidas no Ministério da Justiça, os índios da reserva Duque de Caxias ocuparam novamente a área pertencente ao complexo da Barragem Norte, de propriedade da União, na localidade de Barra Dolmann. No dia seguinte eles bloquearam a estrada que liga José Boiteux com Vítor Meireles e com Witmarsum. Inicialmente eles fizeram fogueiras, mas depois fizeram uma vala. O tráfego era permitido apenas para ônibus escolar e ambulância, além de veículos da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e da Funai.
O documento encaminhado pelo cacique-presidente ao superintendente regional da Funai, em Curitiba, adverte que a liberação do tráfego é provisória. Tanto assim que quatro famílias permanecem acampadas nas imediações da estrada.


Governo prepara mudanças
nos exames para motorista

As alterações serão feitas no sistema de exame psicotécnico para obter ou renovar a CNH

Florianópolis - O governo do Estado prepara para os próximos dias mudanças na sistemática de exames psicotécnicos para obtenção, mudança de categoria e renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Os serviços prestados por psicólogos será terceirizado, feitos pelos centros de avaliação de condutores, a serem criados com a nova portaria que será emitida pelo governo, através da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Cidadania e Departamento Estadual de Trânsito. "Um dos objetivos é descentralizar os serviços, com atendimento personalizado às pessoas. E a médio prazo a intenção é mudar a postura e consciência do condutor no trânsito", explicou o diretor do Detran, Luiz Vanderlei Sala.
A comissão que analisou e redigiu a proposta de portaria que será apresentada pelo Detran ao secretário João Henrique Blasi está convencida de que o novo procedimento trará benefícios para os usuários. Atualmente, os candidatos são avaliados em grupos de 30 e não há uma avaliação criteriosa e individual. Com a nova portaria, cada psicólogo credenciado poderá atender, no máximo, cinco pessoas por turno. Uma entrevista individual deverá durar, no mínimo, 20 minutos.
"Poderemos detectar aspectos de agressividade, desequilíbrios emocionais e até encaminhar para tratamento, se for o caso", explicou o presidente da Associação de Psicólogos Peritos e Examinadores do Trânsito, Emílio Brkanitch Filho. Além das entrevistas, os psicólogos irão dispor de instrumentos de avaliação (testes) mais atualizados, com menor margem de erro. "Em um prazo de aproximadamente 12 meses estaremos com um banco de dados formados para estabelecer o perfil do bom motorista, que irá balizar os testes psicométricos", garantiu Emílio.

Falha humana

O principal objetivo, segundo o psicólogo, é diminuir os acidentes de trânsito. Segundo um levantamento divulgado durante 0 3º Seminário Catarinense pela Preservação da Vida no Trânsito, 90% dos acidentes de trânsito no Brasil são causados por falha humana. "Durante as entrevistas individuais, estaremos trabalhando na formatação de prevenção. Em pouco tempo esses motoristas estarão contribuindo de forma educativa no trânsito", prevê Emílio.
A terceirização dos serviços não trará mais despesas ao governo do Estado, segundo o Detran. Atualmente esse serviço já é pago. "O que vai acontecer agora é que os psicólogos atenderão os candidatos fora do Detran, com mais privacidade e tempo para as entrevistas", explicou o diretor do órgão. Os custos com a formação dos centros de avaliação de condutores ficará a cargo dos profissionais que serão credenciados para o serviço. "O custo por consulta será cobrado a partir da tabela da categoria", concluiu Sala.


Cai aviso de radar

Florianópolis - O Conselho Nacional de Trânsito definiu, pela resolução 38 que revogou a resolução 142, que não será mais necessário a utilização de placas avisando da existência de radares nas ruas e rodovias. As placas serão retiradas e novas não serão mais colocadas para avisar aos motoristas. Segundo a assessora jurídica do Detran/SC, Magali Ignácio, a resolução não modifica a contestação por parte do governo, da lei do ex-deputado Paulinho Bornhausen que impede a colocação de radares por parte do Departamento de Infra-Estrutura de Trânsito (Deinfra) em estradas estaduais.
A resolução do Contran vale para todos os radares já instalados. As placas dos limites de velocidade, entretanto, são obrigatórias e devem ser colocadas pelas prefeituras nas regiões onde estão instalados os radares.


BID vai rever edital da 101

Brasília - O representante do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no Brasil, Waldemar Wirsig, se comprometeu ontem em reavaliar as exigências do edital para a supervisão de obras da duplicação do trecho Sul da BR-101. Os sindicatos dos engenheiros, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Federação Nacional dos Engenheiros questionam o valor de faturamento exigido para a concorrência pública. Segundo eles, o atual edital restringe a participação de empresas brasileiras e regionais no processo. As empresas são capazes tecnicamente, mas estão incapacitadas devido aos altos valores de faturamento exigidos para a participação da concorrência. "Vamos aguardar a resposta oficial do BID para, posteriormente, através da nossa equipe técnica, fazer sugestões aos editais de duplicação", disse o presidente da Associação Catarinense dos Engenheiros (ACE) e da Comissão pela Duplicação da BR-101 no Trecho Sul, Nelson Bittencourt, após a audiência em Brasília.


Manifesto pede
substituição no Ibama

Florianópolis - Entidades comunitárias e ambientais realizam uma manifestação hoje às 9 horas, na frente da sede do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) pedindo mais rigor na concessão de licenças e na fiscalização de obras irregulares. "Estamos particularmente preocupados com o desmantelamento do Ibama em Santa Catarina, através da cessão de funcionários da fiscalização para outros Estados", explica Roberto Malamud, um dos coordenadores da manifestação.
Ele considera que "a atual gestão" do Ibama no Estado "vem tirando todas as condições dos fiscais trabalharem em prol do meio ambiente, punindo e transferindo aqueles que trabalham autuando e ambargando. Além disso, vem praticando omissão com loteamentos irregulares em dunas, não tomando as devidas providências com obras embargadas que continuam sendo construídas e tentando fazer ajustes de conduta com incorporadoras de prédios em área de preservação permanente", acusa.
Os manifestantes também vão pedir "um técnico de carreira para gerente regional do Ibama", no lugar de Luiz Fernando Merico. Eles consideram que "o PT fez uma nomeação política para a gerência de Santa Catarina, de pessoa indicada pelo prefeito Décio Lima, de Blumenau, e pela senadora Ideli Salvati, e que não vem demonstrando identificação com as questões ambientais".
Também são feitas críticas à Fundação Estadual do Meio Ambiente (Fatma), "onde existem denúncias de falsificação de licenças e de expedição de licenças irregulares".


Engenheiro
defende uso do flotflux

Joinville - O diretor da empresa responsável pelo sistema de flotação, cuja implantação está em estudo para despoluir o rio Cachoeira em Joinville, João Carlos Gomes de Oliveira, disse ontem que a proibição do uso do sistema pela Justiça paulista no rio Pinheiros, daquele Estado, não deve afetar o processo no Norte catarinense. "São situações diferentes. Enquanto no rio Pinheiros o flotflux está sendo utilizado para a reversão de águas, ou seja para transportar água de um rio para a represa Billings, o projeto de Joinville é para melhorar o corpo hídrico do rio", disse ontem o diretor da DT Engenharia.
Na última semana, a flotação das águas do Pinheiros foi proibida pela Justiça a pedido do Ministério Público paulista, que considera o sistema ineficiente para a retirada de poluentes químicos da água. Imediatamente, ambientalistas de 25 organizações não-governamentais, ligadas à Campanha Billings, Eu Te Quero Viva!, e deputados paulistas também se manifestaram contra o uso do sistema. "Há muita disputa política envolvida nesta polêmica aqui em São Paulo, mas tenho certeza de que vamos derrubar a liminar e provar que o sistema é muito eficiente até para o consumo humano", disse o empresário.

Estações

O sistema de flotação usa substâncias coagulantes para aglutinar a sujeira, que depois é retirada do rio em blocos. Em 2001, um projeto piloto foi instalado num afluente no rio Cachoeira, no centro de Joinville, e peixes foram expostos na água resultante do processo, como prova da despoluição. Segundo Oliveira, a despoluição através da flotação "é a forma mais rápida, simples e barata de limpara o Cachoeira."
As sete estações de tratamento previstas para a despoluição do Cachoeira prevêem um investimento de aproximadamente R$ 11 milhões. Antes disso, porém, é necessária a realização de uma audiência pública, com a participação de toda a comunidade. O Ministério Público Estadual está acompanhando o processo.


Recursos para
saúde são menores em SC

Valor per capita é o mais baixo do Sul do País. Estado tenta aumentar repasse do Ministério

Florianópolis - Com dívidas que já não conseguem administrar, superlotados e com dificuldades para manter a estrutura para atendimento, os pequenos hospitais de Santa Catarina pedem socorro. Alguns, como o Hospital Santa Cruz (HSC), único de Canoinhas, ameaçam fechar as portas. Outros, como o Hospital Sociedade Beneficiente de Piratuba, no Alto Uruguai, já cumpriram a promessa e estão parados. Em Araquari e Içara a Vigilância Sanitária se adiantou e interditou os estabelecimentos. No cerne do problema, a falta de recursos: hoje o Estado tem o menor recurso per capita do Sul: R$ 54,64, contra R$ 65,22 do Paraná e R$ 68,79 do Rio Grande do Sul, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde.
Para tentar amenizar a situação, a secretaria está gestionando junto ao governo federal o aumento do repasse de verbas para o setor. A crise nos hospitais precipitou audiência do secretário Fernando Coruja Agustini com o ministro da Saúde, Humberto Costa, que deve ocorrer em Brasília até o final de julho. "Buscamos a equiparação dos recursos com os Estados do Rio Grande do Sul e Paraná, que ultrapassa os R$ 4 milhões por mês, e a implementação de serviços de média e alta complexidade nos hospitais", revelou a secretária-adjunta de Saúde, Carmem Zanotto.
A secretaria pretende também aumentar o teto das autorizações de internação hospitalares (AIHs). O pedido será entregue ao Ministério da Saúde. Segundo Carmem Zanotto, o Estado não tem toda a cobertura financeira para os procedimentos. Em números exatos, a secretaria precisaria de R$ 4,1 milhões mensais para normalizar o atendimento.
A escassez de recursos está afetando diretamente o funcionamento dos hospitais, principalmente dos pequenos, com até 30 leitos. A maioria das instituições acumula dívida pela falta de reembolso de internações já feitas. A Secretaria da Saúde montou, junto com os municípios, uma comissão para encontrar uma solução.
Nas 13 unidades hospitalares geridas pelo Estado, o déficit é mensal. A arrecadação soma R$ 6,3 milhões, enquanto as despesas chegam a R$ 14 milhões. Nos últimos quatro anos, foram pelo menos 17 mil laudos represados, o que representa aproximadamente R$ 10 milhões.


Câmara de
Jaraguá do Sul questiona crise

Jaraguá do Sul - A crise financeira dos hospitais de Jaraguá do Sul provocou essa semana ácidos discursos na Câmara de Vereadores, até com acusações contra médicos. Pelo menos dois vereadores questionaram a não contratação de uma auditoria externa, acusaram médicos de usarem as estruturas sem nada pagarem e até mesmo casos em que emprestam dinheiro aos hospitais cobrando juros de 10% ao mês. Os diretores dos hospitais rebateram. Alegam que já convidaram os vereadores para vasculharem as contas no sentido de verificarem onde os recursos são aplicados, mas garantem que nunca receberam resposta. Para atneder os cinco maiores municípios do Vale do Itapocu, há apenas três hospitais, dois em Jaraguá do Sul e outro em Guaramirim, com cerca de 279 leitos juntos para todos os procedimentos, incluindo atendimentos em unidades de tratamento intensivo (UTIs) e maternidades. eles atendem a uma população estimada de 175 mil habitantes. Schroeder, município fundado há 39 anos, nunca teve hospital e os que existiam em Corupá e Massaranduba faliram e foram fechados há quase dois anos. Superlotados, os hospitais que restaram vivem quase que exclusivamente de ajuda das prefeituras, de empresas e das comunidades.
No ano passado, a diretoria do São José, de Jaraguá do Sul, hoje com dívidas em torno de R$ 5 milhões e que guarda a sete-chaves resultado de sindicância interna feita há cerca de dois anos para apurar gestão de ex-servidor da Secretaria Estadual da Educação como responsável pelas compras, chegou a anunciar que o hospital estava à venda.
A diretora, irma Jacira Maria dos Santos, se disse "envergonhada" com as afirmações dos vereadores Carione Pavanello (PFL) e Lio Tironi (PSDB), ambos da base de sustentação do prefeito Irineu Pasold (PSDB). O São José, segundo ela, administra há 15 anos uma dívida ao redor de R$ 5 milhões, sem conseguir diluí-la por vários fatores, entre eles a baixa remuneração oferecida pelo Ministério da Saúde. A clientela atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) representa mais de 90%. No total, o prejuízo mensal é da ordem de R$ 30 mil. A diretora garante que os médicos que utilizam o centro de imagem instalado no hospital recolhem 50% do valor arrecadado nas consultas em favor do estabelecimento.


Vereadores
não entendem contas

O Hospital Jaraguá, segundo o administrador Hilário Dalmann, tem uma dívida de R$ 2,4 milhões e mais R$ 1,5 milhão de empréstimos, com juros e correção monetária. São 280 funcionários, incluindo médicos. Dalmann diz que os médicos sempre colaboram com promoções do hospital e que pagam até 10% pela utilização da estrutura existente. O presidente da Associação Médica de Jaraguá do Sul, Antônio Carlos Scaramello, disse ontem que só pretende se manifestar quando conhecer o real teor das críticas dos vereadores.
Os vereadores dizem não entender as contas, já que a Prefeitura de Jaraguá do Sul paga a mais pelos atendimentos, além de manter o pronto-socorro do São José. Eles lembram que a cidade tem pelo menos 50 mil pessoas associadas a planos de saúde, além de 21 postos mantidos pelo município, mas os hospitais vivem lotados. Concordam que, para isso, municípios vizinhos também colaboram com centenas de pacientes sem qualquer contrapartida.
O presidente da Câmara, Carione Pavanello (PFL), fez acusação séria. Segundo ele, só conseguem trabalhar no município médicos com "QI", na versão dele, "quem indique" para a associação médica local. "Alguns chegam à cidade como uma mala de roupas e em pouco tempo estão nadando em dinheiro", disparou Pavanello, acrescentando existir "uma verdadeira máfia na região."


Registrados dois casos de tétano

Criciúma - A aposentada Vilma Teodoro Garcia, 64 anos, está em estado de coma e seu estado de saúde é muito grave. Ele é a segunda vítima de tétano do mês, doença que se manifestou após ter ferido um dos pés em um grampo do sofá da sala de sua casa, em Içara. "A situação é crítica e serve de alerta para todos, pois para se evitar problemas semelhantes é preciso que as pessoas se vacinem contra o tétano e façam doses de reforço a cada 10 anos", alerta Eduardo Schmitz, médico chefe da UTI do Hospital São José, onde Vilma está internada e mesmo local em que morreu um homem de 91 anos, na semana passada, pelo mesmo motivo. Ele morava em Balneário Arroio do Silva e se feriu com um prego.
A aposentada de Içara está internada desde o dia sete, completando dez dias ontem na UTI do Hospital São José. "A paciente deu entrada já com tetânia, em estado avançado, e nesses casos o índice de mortalidade é muito alto", acrescenta. A Vigilância Epidemiológica da Prefeitura de Criciúma foi notificada dos dois casos.


Situação crítica

Piratuba
As comunidades de Ipira e Piratuba esperam contar com o apoio do governo do Estado para reabrir o Hospital Sociedade Beneficiente de Piratuba, que fechou as portas no dia 8 de julho por falta de renda. O prefeito de Ipira, Roque de Simas, conversou no início da semana com o secretário estadual da Saúde, Fernando Agustini, sobre a possibilidade de uma ajuda temporária ao hospital. O prefeito acredita que o hospital possa ser reaberto em duas semanas. Desde que foi reaberto, em dezembro de 2002, o hospital recebeu apenas R$ 20 mil a partir de repasses feitos pelas prefeituras de Ipira e Piratuba. Mais nenhum recurso foi liberado porque a instituição não conseguiu se credenciar junto ao SUS para ter acesso às AIHs, principal fonte de renda dos pequenos hospitais. Os recursos seriam liberados mensalmente até que fosse obtido o credenciamento junto ao SUS.

Araquari
No Norte do Estado, o Hospital Senhor Bom Jesus de Araquari está interditado há duas semanas pela Vigilância Sanitária, amarga uma dívida de cerca de R$ 1 milhão e perdeu o repasse do governo do Estado que garantia a folha de pagamentos - o termo aditivo foi cortado no início do mês. Os 38 funcionários estão em greve desde o dia 23 de junho, mas cumprem a carga-horária de trabalho.
O presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Joinville e Região, Lorival Pisetta, lembra que o hospital de Araquari é patrimônio do Estado e não pode ser abandonado pelo governo. A diretora de assuntos hospitalares da Secretaria Estadual da Saúde, Rosina Moritz dos Santos, diz que o governo não pode assumir uma unidade nas condições do Bom Jesus. "Temos de investir em hospitais que ofereçam alguma estrutura", declarou.

Canoinhas
Com dívidas superiores a R$ 5 milhões e amargando um déficit mensal de aproximadamente R$ 40 mil, o Hospital Santa Cruz (HSC), único de Canoinhas, continua na iminência de fechar suas portas e deixar de atender uma população de aproximadamente 60 mil pessoas. "A situação do hospital continua piorando a cada dia", disse o presidente do HSC, Lincoln Simas. O hospital em média atende cerca de 500 pessoas por mês, não só de Canoinhas de todos os municípios vizinhos. Parte das dívidas do hospital são de empréstimos contraídos em instituições financeiras. Todos os financiamentos estão negociados com as instituições, mas como as parcelas já são descontadas diretamente do repasse do SUS, o valor que sobra mal garante a quitação da folha de pagamento dos 156 funcionários.


Conselho de Saúde
fecha o cerco a novos cursos

Entidade recomendou a suspensão por 180 dias das autorizações para abertura de novas graduações

Florianópolis - O Conselho Nacional de Saúde (CNS) aprovou uma antiga reivindicação das entidades de classe dos médicos do País: a recomendação ao Ministério da Educação (MEC) para que suspenda por 180 dias as autorizações para a abertura de novos cursos na área de Saúde em todo o território nacional. A medida foi anunciada pelo ministro da Saúde, Humberto Costa, presidente do CNS, no entanto, ainda precisa ser aprovada pelo Conselho Nacional de Educação para ser posta em prática. A decisão foi comemorada pelo presidente do Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (Cremesc), Newton Mota.
A secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Maria Luíza Jaeger, informou que a decisão conta com o apoio do MEC. "Está ocorrendo uma abertura indiscriminada de cursos sem critérios técnicos", critica a secretária. Ela cita como exemplo o caso de Brasília, que já formou mil administradores hospitalares, superando o que o mercado consegue absorver. Por outro lado, o governo federal não consegue ampliar o número de leitos de unidade de tratamento intensivo (UTI) na região Norte porque não há número suficiente de médicos intensivistas.
Santa Catarina tem hoje seis cursos superiores de medicina, que colocam no mercado 160 profissionais por ano, de acordo com os números do Cremesc. "Dentro de dois anos, com a formatura de cursos novos, como o da Univali, esse número chegará a 400", prevê Mota. "Além disso, uma média de 1,2 médicos por dia procura registro no Cremesc, mostrando que profisionais de outros Estados estão migrando para cá". Na opinião do médico, o Estado não precisa formar mais profissionais. "O que há é uma má distribuição, mas podem ser adotadas alternativas, como a criação de residências médicas com supervisão em cidades que precisam de mais profissionais", argumenta.


Ensino da
matemática em análise

Blumenau - Cinco conferencistas de diversos países, especializados em educação matemática, participam há quatro dias da 11ª Conferência Interamericana de Educação Matemática, que termina hoje no salão de convenções do Grande Hotel em Blumenau. O evento organizado pelo Comitê Interamericano de Matemática (Ciaem) em parceria com a Universidade Regional de Blumenau (Furb) reúne 500 pesquisadores do Chile, Colômbia, Argentina, Paraguai, França, Estados Unidos e Brasil.
"O professor é a chave de toda evolução do sistema educativo", afirmou um dos conferencistas, a professora francesa, Michéle Artigue, da Universidade Paris, ao falar sobre os "Problemas e Desafios da Educação Matemática". Segundo Artigue, a avaliação sobre os problemas da educação estão avançando. Antes as dificuldades do ensino estavam concentradas no aluno e na falta de interação entre teoria e prática. "O professor nunca foi visto como problema", observou.
Hoje, explicou, é possível concluir que o docente está no centro do processo ensino-aprendizagem e por isso precisa ser melhor pesquisado. "Ele é a chave de toda evolução do sistema educativo e, nos tempos atuais, é imperioso que domine certas ferramentas, como a tecnologia", destacou. A pesquidadora francesa, falando em espanhol, lembrou que "devemos considerar que o professor é trabalhador, vive em uma certa dinâmica, é aberto e coerente com o seu entorno". Tem, como disse, "uma lógica pessoal".
Para ressaltar este ponto, apresentou o resultado de uma pesquisa feita na França que revelou que em 50 minutos de aula, o professor convive em média com cerca de 40 incidentes não planejados e deve, constantemente, tomar decisões baseado em sua história cultural.
Michele Artique sugeriu que se mude o olhar sobre o professor, valorizando sua formação. "O docente deve ser um perito em tecnologia. Hoje o professor é um militante científico e não tecnológico."


Calor da
solidariedade em Blumenau

Programa social dá abrigo e agasalhos para sem-teto ou pessoas que resistem em deixar as ruas no frio

Blumenau ­ Os moradores de rua estão protegidos contra o frio e a chuva em Blumenau. Os que aceitaram ser recolhidos ao abrigo da Fundação Pedro Machado (Fupema), mantido pela Prefeitura, recebem atendimento social, psicológico e educativo. Já aqueles que insistem permanecer nas ruas recebem roupa quente e cobertores distribuídos por uma equipe volante da fundação, na chamada operação inverno.
A população de rua vem sendo atendida em Blumenau através do programa "Superação", que atende a Política Municipal de Atenção e Proteção a População Adulta de na Rua, instituída pela Lei 5.826/01. O programa está subdividido em abrigamento, atendimento social de rua e centro dia. O primeiro envolve o recolhimento dos que aceitam sair das ruas, e são submetidos a um programa de atendimento composto por resgate dos vínculos familiares e sociais, palestras e prática de ações sócio-educativas, participação de grupos de leitura e de responsabilidade mútua onde é resgatada a auto-estima, atendimento psicológico, alfabetização e participação em grupos laboterapêuticos. "Eles mesmos é que cultivam a horta, arrumam seus quartos e mantém a limpeza do abrigo, para que quando voltarem a vida normal, saibam cuidar de suas casas," diz o coordenador do programa, Adilson Fortunato. No abrigamento, o morador de rua fica de um dia até seis meses com a possibilidade de prorrogação, dependendo do caso.
O atendimento social de rua é destinado aos moradores que insistem em permanecer nas ruas. "Nesses casos fornecemos roupa e agasalho e procuramos tirá-los debaixo das pontes onde estão expostos ao frio, vento e doenças, procuramos levá-los à locais mais seguros como casas abandonadas", explica Fortunato. Nesta época do ano é desencadeada a operação inverno, onde uma kombi percorre os "mocós" (pontes, casas abandonadas, praças e jardins) e distribui roupas quentes e cobertores para os moradores que não aceitam serem conduzidos ao abrigo. Já o centro dia envolve o recolhimento noturno de moradores de rua que durante o dia se dedicam na busca de solução para suas vidas, como a recuperação de vínculos familiares e busca de empregos.
Com capacidade para 39 leitos, o abrigo da Fupema já sofre superlotação, mas ninguém fica na rua. "Temos inúmeros colchões para atender quem quiser sair das ruas," garante. Segundo ele, o número de agasalhos, acolchoados e cobertores tem sido suficiente para atender a demanda. "Mas é importante que tenhamos uma sobra", diz o coordenador informando que as doações podem ser feitas através do disque-tralha (47) 326-6979.

Drogas e álcool

O morador de rua em Blumenau carrega uma história de problemas familiares e sociais, e como conseqüência disso está envolvido em drogas e álcool. Este é o resultado de uma pesquisa coordenada pelo professor Adilson Fortunato, 29 anos, que deixou as escolas há sete anos para ser o precursor do trabalho voltado para a população de rua. Ele enfrentou riscos ao percorrer pontes, casas abandonadas, praças e jardins para convencer os moradores à irem para o abrigo da Prefeitura.
De acordo com Fortunado, a população de rua em Blumenau era de 250 moradores há sete anos. "A sociedade como um todo omitia esse dado para não denegrir a imagem da cidade, mas era uma realidade." A pesquisa que ele coordenou revela que 90% daqueles que se encontravam na rua eram homens, quase sempre separados, que deixaram mulher, casas e filhos para tentar uma nova vida. Foram parar numa pensão, e não conseguiram superar o problema, envolveram-se com bebidas ou drogas, perderam o emprego e acabaram ficando na rua.
O coordenador do programa Superação tem um mapeamento de 40 lugares no município que são freqüentados pelos moradores de rua. Fortunato garante que hoje existem em Blumenau somente 16 deles, que não aceitaram o abrigamento. (José Carlos Goes, especial para AN)


"Encontrei aqui
o apoio que precisava"

Blumenau ­ Vários são os casos solucionados através do programa Superação, que envolvem desde a recuperação de vínculos familiares até o encaminhamento de moradores de rua para o mercado de trabalho. Um dos casos que chama a atenção é o de E. C. 42 anos, que foi usuário de drogas, traficante, assaltante, cumpriu 8,6 anos de prisão, ficou nas ruas por nove meses e agora se encontra em uma nova vida.
E. C. conta que sua infância foi muito problemática, e que se envolveu em drogas já aos 12 anos, quando se tornou dependente químico. Saiu de casa, envolveu-se com traficantes e passou assaltar para sustentar o vício. Rapidamente envolveu-se no mercado de droga e se tornou traficante. Perdeu mulher, deixou filhos e entrou para o mundo do crime. Cumpriu uma pena de 8,6 anos na prisão e quando foi liberado não tinha onde ir. Sua família não o aceitava mais, nem tampouco seria absorvido pelo mercado de trabalho.
Ficou então durante nove meses perambulando pelas ruas de Blumenau quando foi recolhido ao abrigo da Fupema e incluso no programa Superação. Hoje está quase liberto da dependência química e tem uma nova perspectiva de vida. "Sou outro homem, encontrei aqui o apoio que precisava", diz E.C., enquanto conversa com Adilson Fortunado, coordenador do programa. (JCG)


Hospitais lotam no Sul

Tubarão/Laguna - As baixas temperaturas dos últimos dias é a causa das principais doenças respiratórias que lotam os hospitais da região. No Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), em Tubarão, o atendimento no setor de emergência aumentou 40%. Os mais atingidos são crianças e idosos com sintomas de asma, pneumonia, gripe, resfriado ou dor de garganta. Segundo o médico da emergência do HNSC, Luiz Afonso Picareli, é natural que as doenças do inverno atinjam mais pessoas com o aumento do frio. "Como agora ficamos confinados em ambientes fechados, é maior a possibilidade de contágio de doenças virais e bacterianas, bem como as alergias", explica. Picareli fala também que crianças e idosos são mais atingidos por terem baixa imunidade. "Eles têm a compleição mais fragilizada," observa.
A responsável pelo setor de prontuários do HNSC, Marta Buratto, informa que há 47 crianças ocupando leitos, seis a mais que a capacidade da instituição. "Nosso normal é termos uma média de vinte crianças internadas," diz. Desde que começou a baixar a temperatura, Marta diz que aumentaram em 30% as internações de crianças e 20% de adultos.
Em Laguna, segundo a recepcionista do Hospital de Caridade Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos, Leonora Bittencourt, desde sábado foram internados mais de 30 pacientes. "São mais de 50 consultas por dia de pessoas com problemas respiratórios, a maioria deles idosos."


Nova onda de frio no Estado

São Joaquim - Temperaturas frias pela manhã e fim da chuva é o que a meteorologia está prevendo para Santa Catarina, hoje. Uma massa de ar polar continua agindo sobre o Estado e pode proporcionar a ocorrência e geadas no Oeste, Meio-oeste e região serrana. De acordo com o Centro Integrado de Meteorologia e Recursos Hídricos (Climerh), a mínima deve ficar próxima a zero grau centígrado nestas regiões. Já máxima deve acontecer o Litoral Norte e Médio Vale do Rio Itajaí, com 16°C.
O Climerh indica que amanhã o tempo fica firme, com geada na madrugada no Meio-oeste e planaltos, além de predomínio de sol no decorrer do dia em todo o Estado, quando ocorre um aumento gradativo da temperatura. Já segundo a Climaterra, de São Joaquim, a temperatura deve começar a subir a partir deste final de semana e a próxima onda de frio deve ser esperada no próximo final de semana.


Biblioteca

O Sistema Acafe lançou nesta semana um projeto que pretende integrar o acervo contido nas bibliotecas das 13 instituições de ensino superior afiliadas. O Sistema Integrado de Bibliotecas Acafe (Sinbac) já proporciona o acesso a 250 mil títulos.

Manchetes AN
Das últimas edições de Geral
16/07 - Universitárias usam A Notícia em projeto
15/07 - Solidariedade é arma na luta contra o câncer
14/07 - Final de semana gelado em Santa Catarina
13/07 - Quando a rua oferece mais que a sociedade
12/07 - Oeste assiste a espetáculo da primeira geada
11/07 - População carente sofre com baixa temperatura
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No País, 33% das mulheres já sofreram alguma agressão
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Tubarão contra
a violência doméstica

Município se mobiliza para criar Conselho dos Direitos da Mulher e combater o problema

Carolina Carradore
Especial para A Notícia

Tubarão - No Brasil, oficialmente 41% dos casos de violência contra a mulher são de agressão física, 52% de agressão psicológica e 7% de violência sexual. Em 78% dos casos, o agressor é o próprio marido ou companheiro, e 63% dos atos de violência ocorrem dentro da própria família. As pesquisas mostram ainda que o problema atinge todas as camadas sociais. A situação é mais grave se lembrarmos que somente um terço dos casos chega a ser denunciado.
O índice alarmante de agressões contra a mulher está causando a mobilização da comunidade de Tubarão, no Sul do Estado e uma comissão já foi formada para instalar o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher. Toda semana, a equipe formada por representantes da Secretaria de Assistência Social (SAS), dos cursos de psicologia e serviço social da Unisul e também da Câmara da Mulher Empresária se reúne para organizar frentes de trabalho em favor da mulher. "O conselho será um órgão de proteção aos direitos da mulher", conta a assistente social e assessora técnica da SAS, Marlei Moretti.
A comissão também está realizando pesquisas em empresas e entidades para avaliar a real situação da violência contra a mulher em Tubarão. Pretende ainda conscientizar e esclarecer as mulheres sobre o problema. "Para se proteger de qualquer tipo de agressão, é necessário que as mulheres tenham consciência de seu verdadeiro papel na família e na sociedade", ressalta Marlei.
As estatísticas apontam que somente um terço dos casos de violência é denunciado. "Isso ocorre por medo e muitas vezes por falta de informação, já que muitas mulheres são vítimas de agressão psicológica, por exemplo, e não têm consciência disso."
Em breve, a comissão também vai lançar um folder com informações sobre os locais que prestam auxílio no município a mulheres vítimas de violência.

Atendimento

Atualmente, três locais oferecem atendimento especializado: o curso de psicologia da Unisul, fone 621-3071; o programa Sentinela, fone 622-1798; e a Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente e à Mulher, fone 622-1545.


Agressões e ameaças
lideram os boletins de ocorrência

Em Tubarão, um balanço da Delegacia de Proteção à Mulher e ao Menor (DPMM) aponta que centenas de mulheres continuam sendo vítimas da violência doméstica. Os casos de agressão dolosa, ameaça e assédio sexual lideram o ranking de boletins de ocorrências. Somente nos quatro primeiros meses deste ano já foram registrados 369 casos, contra 294 no mesmo período do ano passado. No verão cresce o número de agressões. Segundo o delegado César Reynaud, nesta época os maridos costumam chegar em casa mais tarde, passam em bares e bebem além da conta.
Mas estes números podem ser ainda maiores, já que algumas vítimas se recusam a registrar a ocorrência, temendo novas agressões ou por constrangimentos. De acordo com o delegado, as agressões estão sempre ligadas a problemas financeiros, alcoolismo e traição. Os principais agressores são maridos, namorados, companheiros e os próprios pais. Estima-se que em todo o País, 33% das mulheres já sofreram algum tipo de violência física, psíquica ou foram vítimas de assédio sexual.
Mulheres assediadas são as que menos registram ocorrência, pois em algumas situações não conhecem os agressores, e por isso fica difícil denunciá-los. Pelo menos 6,8 milhões de brasileiras já foram espancadas.

Acompanhamento

A Delegacia de Proteção à Mulher e ao Menor (DPMM) de Tubarão conta com policiais treinadas para tratarem de situações delicadas. Quando uma vítima vai denunciar o caso na delegacia, em alguns casos recebe acompanhamento psicológico de profissionais que trabalham na delegacia.
As crianças também contam com o mesmo acompanhamento. "Os casos precisam ser denunciados. As mulheres não merecem viver à mercê de maridos covardes ou de pais frustrados", alerta o delegado. A cada ano, o número de crianças agredidas - a maioria dentro de casa - aumenta. Em relação a crianças agredidas, a estatística é assustadora em Tubarão. Somente nos quatro primeiros meses deste ano já foram registrados 121 casos - mais do que todas as ocorrências registradas no ano passado, que somaram 103 de janeiro até dezembro.
Grande parte das vítimas sofre maus-tratos e agressões dentro de casa, por parte dos pais ou outro parente, além de abuso sexual e estupro. Os padrastos são os que mais agridem as crianças.
Alguns casos também chamam a atenção pela brutalidade. "Muitas crianças apanham com fios de instalação elétrica. Outros com pedaços de pau. Cortes profundos nestes casos são inevitáveis. Existem crianças que até hoje enfrentam seqüelas porque sofreram algum tipo de agressão dentro de casa e dos próprios pais", ressalta Reynaud. (CC)


Espancamento
e assédio sexual

Sem esconder os fantasmas do passado, relembrar os quatro anos que viveu com o companheiro é motivo de lágrimas e angústia para a professora N.J.G., 49 anos. Ela conheceu o companheiro logo depois da separação do primeiro marido, em 1989. Em poucos meses estavam morando juntos. "No início eram tudo flores". O príncipe começou a se transformar em sapo no primeiro ano juntos. O ciúme ficou doentio e tudo era motivo para agressão física. "Praticamente todos os dias, eu era obrigada a trabalhar com óculos escuros para esconder os hematomas nos olhos", diz.
Para ela, a dor maior era ver os dois filhos do primeiro casamento presenciando as cenas de violência. "Era uma tortura ver meus filhos chorando, enquanto eu apanhava". N. foi uma das centenas de mulheres brasileiras que apanham calada. O medo e constrangimento não a deixaram registrar queixa da delegacia.
Quando entrou no terceiro ano de convivência com o companheiro, engravidou. As agressões aumentara quando marido partiu para o alcoolismo. "Apanhei muitas vezes de cinta na barriga até os sete meses de gravidez".
No meio de tanta desilusão e tortura, N. descobriu que sua filha mais velha, na época com 11 anos, estava sofrendo abuso sexual por parte do padrasto. "Foi quando vi que não dava mais para agüentar. O pior para mim era ter que admitir mais um casamento fracassado." Para poder se livrar do agressor, teve se fugir. "Um dia, coloquei meus móveis em um caminhão e mudei de cidade. Nunca mais tive notícias dele."
Hoje, onze anos depois, a filha de N. ainda sofre os traumas. Relembrar o passado não é tarefa fácil para ela, pois sofre até hoje, com os pesadelos noturnos e a dificuldade de relacionamento com os homens. O companheiro da mãe se tornou o inimigo. "No início éramos uma família feliz. Nessa idade meus seios começaram a crescer, senti uma modificação até psicológica. Um dia, ele começou a passar a mãe pelo corpo." Ainda sem entender completamente o que estava acontecendo, passou a ser assediada todos os dias pelo padrasto. "Eu sabia que aquilo não era correto, mas ele dizia que não podia contar para minha mãe para não estragar nossa família", relembra com lágrimas nos olhos. O assédio durou até seus 14 anos, quando finalmente a mãe resolveu deixar o padrasto e mudar de cidade. "Quando achei que meus problemas haviam acabado, só começaram, pois comecei a conviver com os fantasmas do trauma que passei." Já adolescente, temia o retorno do padrasto e vivia a base de calmantes, que tomava escondida da mãe. "Era um martírio. Vivia nervosa e na rua, enxergava seu rosto o tempo todo." (CC)

 
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