Joinville         -          Quinta-feira, 8 de Maio de 2003         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

ANotícia  




 




Ilustração: Rodrigo Sikuro

Na espera

Atraso no pagamento da primeira parcela do Prêmio Cinemateca Catarinense/2002 provoca apreensão nos vencedores

Deluana Buss
Especial para o Anexo

Florianópolis - Passados quatro meses, os vencedores do Prêmio Cinemateca Catarinense/2002 continuam aguardando o pagamento da primeira parcela da premiação, que deveria ter sido repassada em 5 de janeiro pela Fundação Catarinense de Cultura (FCC). O atraso fez com que os cineastas tivessem que interromper os trabalhos, desistindo de locações e paralisando contatos com atores e técnicos. A fundação reconhece o problema, afirma que falta dinheiro e que está tentando viabilizar o pagamento. Devido à falta de recursos, a nova edição do prêmio, que é anual, não está garantida, devendo passar por definição do Conselho Estadual de Cultura (CEC).
Diretor de Administração da FCC, Hélio Santos afirma que apesar dos contratos com os 11 vencedores terem sido assinados em dezembro do ano passado, os responsáveis pelo governo anterior não fizeram reserva no orçamento para permitir o pagamento do prêmio. "A bomba estourou em janeiro, quando ficamos sabendo que não havia previsão orçamentária. Ainda assim, a orientação do Edson (Machado) foi que estudássemos uma maneira de honrar esse compromisso", conta Santos. Para isso, a FCC fez um remanejamento interno e conseguiu reservar R$ 357,5 mil do seu orçamento para a premiação, o equivalente a 25% do total de R$ 1,43 milhão de prêmio. "Agora estamos atrás do financeiro junto à Secretaria da Fazenda. Para o pagamento dos demais 75% teremos que ir atrás depois", conta Santos, lembrando que o orçamento da fundação para todo este ano é de apenas R$ 7,5 milhões.
Enquanto isso, os cineastas premiados experimentam um misto de esperança e apreensão. "A gente entende que a mudança de governo acaba complicando o pagamento, e creio que eles vão cumprir a promessa. Só estamos começando a ficar preocupados porque não estão mais estipulando datas para o repasse", conta Zeca Pires, que espera seus R$ 900 mil para concluir o longa-metragem "A Antropóloga", que conta a história de uma professora carioca que decide se fixar na Ilha de Santa Catarina para estudar a obra do pesquisador e folclorista Franklin Cascaes. "Cheguei a iniciar contato com artistas, mas tive que parar pois não tinha como garantir nada. Queria filmar no outono, que tem uma luminosidade boa, mas vou ter de remanejar", lamenta Pires, lembrando que a produção dos filmes geraria centenas de empregos diretos e indiretos.
Carlos Wagner La-Bella, produtor executivo da TVI, empresa que vai produzir o curta "Sr. e Sra. Martins", lembra que o orçamento dos filmes terá de ser refeito, já que nos últimos meses houve variação nos preços de diversos itens, como combustíveis e latas de filme. "Fizemos o roteiro e o trabalho de pesquisa, mas agora estamos parados. Temos certeza de que o prêmio será pago, só que por enquanto estamos de mãos atadas", afirma La-Bella.
Vencedor da categoria documentário, Angelo Sganzerla calcula que seu filme "Aos Espanhóis Confinantes" vai envolver mais de cem trabalhadores, entre equipe de filmagem, técnicos, atores e coadjuvantes. "Estão todos esperando uma definição. A previsão era de concluir o filme já em agosto, o que agora será difícil. A premiação precisa ser paga, é uma lei", reclama Sganzerla. O Prêmio Cinemateca Catarinense da FCC foi criado pela Lei no 0135/02, de 23 maio de 2002, com os objetivos de estimular a produção na área do cinema e vídeo e transformar Santa Catarina num pólo cinematográfico de importância no País.

PREMIADOS NO AGUARDO

Categoria Longa-metragem:
"A Antropóloga", de Zeca Pires - R$ 900 mil

Categoria Curta/ficção:
"Sr. e Sra. Martins", de Laine Milan - R$ 90 mil

"Vinte Mil Léguas até Desterro", de Walter Plitt Quintin - R$ 90 mil

"Nem o Céu, nem a Terra", de Isabela Hoffmann - R$ 90 mil

Documentário:
"Aos Espanhóis Confinantes - Uma História Catarinense", de Angelo Sganzerla - R$ 140 mil

Vídeo:
"Um Vento Nostálgico", de Leandro A. da Silva - R$ 30 mil

"Na Batucada dos Bambas", de Graziela Storto - R$ 30 mil

"O Espelho", de Flávia Zanchetta - R$ 30 mil

Categoria Pesquisa:
"Kola-Marte", de Cristiane Mateus - R$ 10 mil

"O Pequeno Príncipe do Campeche", de Anita Dutra - R$ 10 mil

"Noturno", de Tatiana Lee - R$ 10 mil

TOTAL: R$ 1.430.000,00


Dia de
homenagens
na Feira do Livro

Dedicação de Eglê Malheiros e Salim Miguel à cultura de SC é reconhecida

ANA CLÁUDIA MENEZES

Florianópolis - Enquanto escritores, editores e dirigentes culturais discursavam na abertura do evento, um público considerável circulava pela Feira de Rua do Livro de Florianópolis, atrás de novidades e, principalmente, descontos. O primeiro dia "verdadeiramente" de outono na cidade, com céu azul e vento sul, atraiu pessoas de todas as idades, que perambulavam pelos 78 estandes espalhados pelas tendas no Largo da Alfândega, folheando clássicos da literatura, best-sellers, livros de bolso e estrangeiros.
A inauguração da Feira de Rua, que segue até o dia 17 de maio, também reuniu velhos conhecidos das lides literárias. O patrono do evento, o escritor Jair Francisco Hamms, remexeu nas memórias de infância e lembrou do tempo em que, ainda menino, apaixonou-se por livros "numa casa onde não havia livros". A necessidade do incentivo à leitura nas comunidades brasileiras - de bibliotecas a salas de aula, de lares a clubes de serviço, foi a tônica de todos os discursos, ontem. "A palavra escrita é o maior milagre já realizado pela humanidade", comentou ele, emocionado.
O cronista e contista contou que o amor pela literatura foi incentivado pelo irmão Betinho, no final da década de 40, mesmo período em que conheceu os escritores Eglê Malheiros, 74 anos, e Salim Miguel, 79, a quem entregou uma homenagem especial. "É um dos momentos mais felizes da minha vida, o de poder entregar esta placa a vocês", disse Jair Francisco Hamms, 68.
Falando em nome do casal, que durante décadas vem criando nas áreas da literatura, teatro, cinema e artes plásticas - daí o motivo da homenagem concedida pela Câmara Catarinense do Livro (CDL) -, Eglê Malheiros disse que a contribuição dos dois é muito pequena diante do que deve ser feito "para levantar este Brasil" e fazê-lo "caminhar para frente".
A programação da feira começa a esquentar hoje com mais lançamentos e sessões de autógrafos durante todo o dia. A estrela do segundo dia é o escritor Luís Fernando Veríssimo, que autografará livros na praça Nossa Senhora do Desterro, às 18 horas.
Entre os lançamentos estão "Caminho das Tropas", de Homero da Costa Araújo, com selo da Editora Insular. Nascido em Lages em 1948, o autor realizou pesquisa sobre a importância das comunidades tropeiras para o funcionamento da economia e da sociedade de uma larga extensão de terras, dos limites atuais do Brasil com o Uruguai e Argentina até o Sul do Estado de São Paulo. Segundo o autor, o tropeiro foi o personagem central de uma parte da história do Brasil, pois ele era quem fazia chegar os animais a vários destinos do País.
O livro também resgata o lado sentimental do autor, descendente de uma família tradicional de campesinos. "Existe coisa mais linda que o grito do quero-quero, o assovio da codorna e o canto da siriema? O caboclo de manhã quebrando o gelo da madrugada recolhendo as vacas para o leite santo de todo dia? A serração tapando a coxilha e a fumaça da chaminé furando a nuvem cinzenta, anunciando mais um alvorecer?", pergunta.

O QUÊ: FEIRA DE RUA DO LIVRO DE FLORIANóPOLIS. QUANDO: Até 17 de maio, diariamente, das 10 às 21h. ONDE: Largo da Alfândega, Centro, Florianópolis, tel.: (48) 224-5135. QUANTO: Gratuito. REALIZAÇÃO: Câmara Catarinense do Livro e Fundação Franklin Cascaes.

Programação de hoje

15 horas - "Copiando a Vida - Contos Infantis", de Nilson Mello (lançamento) Onde: Estande da Academia São José de Letras

16 horas - "Diário de uma Paixão", de Ulisses Tavares (sessão de autógrafos) Onde: Estande da RZM - Ed 34 - Original/Panda-Geração - Conrad

17 horas - "A Felicidade se Conquista com a Gentileza", de Yedda Goulart (lançamento) Onde: Estande da Editora Insular

"Juca Ruivo Tradição", de José Isaac Pilatti (sessão de autógrafos)
Onde: Estande da Academia Desterrense de Letras

18 horas - "Caminho das Tropas", de Homero Araújo (sessão de autógrafos) Onde: Estande da Editora Insular


Camerata leva música
erudita às comunidades

Florianópolis - Mais uma vez, a música erudita sai do elitizado teatro e sobe as comunidades de Florianópolis. A Camerata Florianópolis realiza hoje a sua terceira apresentação dentro de mais um Concerto nas Comunidades, projeto que pretende envolver públicos que não freqüentam espaços culturais.
A apresentação será na Igreja da Santíssima Trindade, no bairro Trindade, sob a regência do maestro Jeferson Della Rocca e repertório de Vivaldi, Bach, Marcos Toniolo, Carlos Gomes, Heitor Villa-Lobos, Astor Piazzolla, e de artistas locais, como o pianista Alberto Heller e o contrabaixista Kleber Alexandre.
O mesmo programa será apresentado amanhã, quando os músicos seguem para o bairro José Mendes, na Igreja São Judas Tadeu. No domingo é a vez da Igreja São João Batista, no Rio Vermelho. Com quatro CDs gravados em quase dez anos de trajetória, a Camerata vem se firmando como um dos mais atuantes grupos de música de Santa Catarina. No domingo, o grupo terá realizado 19 apresentações desde o início do projeto, há três anos. No final de cada concerto, o maestro convida uma pessoa a reger a orquestra.

O QUÊ: CONCERTO NAS COMUNIDADES, com a Camerata Florianópolis. QUANDO: Hoje, 20h30, na Igreja da Santíssima Trindade; amanhã, 20h, na Igreja São Judas Tadeu, no bairro José Mendes, e domingo, 20h, na Igreja São João Batista, no Rio Vermelho, tel.: (48) 233-2324/234-7451. QUANTO: Gratuito. PATROCÍNIO: Brasil Telecom.


Palestra hoje
enfoca museologia

Florianópolis - A professora Rosana Nascimento, coordenadora do curso de pós-graduação em museologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), profere hoje à noite no Museu Universitário Oswaldo Rodrigues Cabral, na Capital, palestra sobre a formação do profissional da área. Atualmente, a instituição é a única do Brasil com um curso regular em museologia e o evento vem sendo aguardado por profissionais do setor em Santa Catarina e no Sul do País que sentem a necessidade de um curso nos mesmos moldes na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Rosana é parceira do projeto do Núcleo de Estudos Museológicos (Nemu) em Santa Catarina, que vem desde meados da década passada instrumentalizando funcionários de museus e de secretarias municipais de educação e cultura com conhecimentos sobre documentação e pesquisa. Em Santa Catarina foi criado no ano passado a graduação em museologia na Fundação Educacional Barriga Verde, no município de Orleans, mas por falta de candidatos, o curso não foi oferecido. Atualmente, a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) está com as inscrições abertas para a especialização em museologia que inicia em julho.

O QUÊ: Palestra A FORMAÇÃO DO PROFISSIONAL EM MUSEOLOGIA, com Rosana Nascimento. QUANDO: Hoje,19h. ONDE: Museu Universitário Oswaldo Rodrigues Cabral, campus Trindade, Florainópolis, tel.: (48) 331-9325. QUANTO: Gratuito.


Cinema brasileiro
é atração em Blumenau

Blumenau - A Fundação Cultural da cidade está promovendo mais um segmento do Cinema Temático, que integra o Projeto 7o Arte, desta vez com produções nacionais. A promoção é aberta ao público, com entrada gratuita. Hoje o filme programado é "A Marvada Carne", de André Klotzel.
No filme, Nhô Quim vive lá nos cafundós em companhia do cachorro e da cabra de estimação. Ele se cansa da vida no meio do mato e resolve sair no mundo e procurar uma solução para duas questões que o incomodam: arranjar uma boa moça para casar e comer a tal carne de boi, um de seus maiores desejos. Nas suas andanças Nhô Quim vai dar na casa de Nho Totó, cuja filha está em conflito com Santo Antônio. E logo ele descobre que o pai da moça tem um boi reservado para o casamento da filha e começa a pensar que este o momento para realizar seus dois maiores desejos.

O QUÊ: Exibição de A MARVADA CARNE.QUANDO: Hoje, 19h. ONDE: Sala Edith Gaertner, da Fundação Cultural, rua 15 de novembro, 161. QUANTO: Gratuito.


Estudantes da
Univali ganham videoteca

Acervo inicial é superior a cem fitas, com empréstimo gratuito

Itajaí - Uma novidade tem animado o campus da Universidade do Vale do Itajaí (Univali). A hemeroteca do Centro de Ciências Humanas e da Comunicação (Cehcom), oferece agora aos alunos e professores uma videoteca que começa a operar com um acervo superior a cem fitas. O empréstimo é gratuito e abrange cerca de 60 fitas com filmes do circuito comercial e mais de 40 fitas com trabalhos de conclusão de curso de jornalismo, publicidade e propaganda e relações públicas.
A criação de uma videoteca na Univali vem reforçar inúmeras iniciativas voltadas aos audiovisual como a disciplina optativa de cinema, grupo aberto de estudo de cinema, projeto Curta o Intervalo, grupo de discussão sobre cinema na Internet.
Para o professor responsável pela hemeroteca e idealizador do projeto de criação da videoteca, Magru Floriano, a intenção é dotar a videoteca com todos os filmes que abordam questões relacionadas à comunicação social.

Manchetes AN

 Das últimas edições de Anexo
07/05 - O livro, onde o povo está
06/05 - Menos poesia
05/05 - Capricho na cantoria
04/05 - O primeiro modernista de SC
03/05 - Dança democrática
02/05 - Meu Brasil brasileiro
01/05 - Melodias da alma e do coração

Leia também

Noite de música,
arte e literatura

Agenda cultural de Blumenau prevê, hoje, a abertura de três mostras, lançamento de livro e apresentação de banda

Blumenau - A Fundação Cultural de Blumenau (FCB) promove uma noite festiva hoje com a abertura de exposições de três artistas plásticos e o lançamento da segunda edição do livro "Espontânia", da jornalista e poetisa Tânia Rodrigues. Os artistas Odilon Ratzke, de Curitiba, Egenolf Theilacker, de Timbó, e Marlene Silveira, que usa o nome artístico de Imamaiah, de Blumenau, são os artistas deste ciclo, que será animado pela apresentação da Banda Municipal e do Grupo Vocal Óris, com direção musical de Helena Brown.
Theilacker reúne obras em torno da mostra A Dinâmica da Natureza. O artista retrata imagens do Vale do Itajaí e do Litoral, destacando lugares bucólicos da região. As telas de Odilon Ratzke são expressivas, a figura humana - às vezes documentada no rosto, outras corporalmente - é carregada de inquietude. Seus retratos ganham um tratamento diferenciado, alcançado a partir do uso de fotografias. Expressões Humanas foi o nome dado pelo artista, ao conjunto de obras selecionadas para esse momento. Com a exposição O Movimento das Cores, Imamaiah mostra aquarelas pintadas com os dedos e as mãos. Ela nunca usa pincel. Todas as suas pinturas remetem à natureza, aparecendo elementos marcantes na paisagem catarinense, entre elas, as marinas.

O QUÊ: Exposições A Dinâmica da Natureza, Expressões Humanas e O Movimento das Cores. ONDE: Galeria da Fundação Cultural de Blumenau, rua 15 de novembro, 161, centro, Blumenau, tel: (47) 326-6596. QUANDO: Hoje, 19h30. Até o dia 22, das 8 às 12h e das 13h30 às 17h30; sábados das 9 às 12h. QUANTO: Gratuito.


Tânia Rodrigues
relança livro com poemas
marcados pela singeleza

Toda a simplicidade e graça da vida estão presentes nas poesias da segunda edição do livro "Espontânia" (Editora Cultura em Movimento) jornalista e poetisa Tânia Rodrigues. A nova edição ganhou poemas publicados na coluna Espontânia que a autora assina semanalmente em um jornal da cidade. Os poemas, escritos e publicados entre 2001 e 2003, muitas vezes são criados no ambiente de trabalho. Tânia conta que escrevê-los não exige nenhum grande esforço. "Escrevo na redação, às vezes, no final de tarde, quando há um burburinho no jornal. Mas já me acostumei com isso", diz.
Para ela, basta ter uma idéia para depois ir trabalhando o texto. Mesmo que seja necessário fazer em meio à pressão do dia-a-dia e com barulho por todos os lados. "Concentro-me e esqueço de todo o resto quando estou escrevendo", revela. Com 41 anos, Tânia faz poesia desde a adolescência. Mais tarde foi "fisgada" pelo jornalismo e, atualmente, também empresta seu talento aos contos e crônicas. "Pretendo, no futuro, também lançar um livro com essa nova produção."
O apresentador, o jornalista Juarez Porto, não poupa elogios. "A singeleza e a força da palavra percorrem um a um os versos de Tânia Rodrigues, que não hesita em transformar em ideologia - ou seria um credo? - sua paixão por Blumenau e pelas coisas desta cidade... Ler a poesia de Taninha é uma experiência que nos propõe uma alta dose de humanidade e encantamento ante a constatação do poder e a sutileza com que vai tecendo seus versos deixando em cada um deles evidentes marcas de um imenso amor por tudo que a rodeia", situa Porto.

O QUÊ: Lançamento da segunda edição do livro Espontânia (Editora Cultura em Movimento). QUANDO: Hoje, 19h30. ONDE: Fundação Cultural de Blumenau, rua 15 de novembro, 161, centro QUANTO: R$ 10,00 (preço de lançamento).


No compasso de Jô Soares

Com "Frankensteins", apresentador volta a dirigir uma peça após duas décadas

RODRIGO TEIXEIRA
TV PRESS

Rio de Janeiro - Basta Jô Soares abrir a boca para Bete Coelho, Mika Lins, Clara Carvalho e Paulo Gorgulho ficarem silenciosos. A reação é até natural, já que o apresentador do "Programa do Jô" só resolveu voltar a dirigir uma peça de teatro, após duas décadas, graças à insistência do grupo. Em especial, da atriz Bete Coelho e de Mika Lins, atual namorada do humorista. Mas, para não perder a fama de "sabe-tudo", não só aceitou retornar à direção de teatro, como ele próprio escolheu a peça, traduziu, produziu e adaptou o texto, originalmente batizado de "A Noite em que Mary Shelley se Encontrou com Charlotte Bronte".
A peça, escrita em 1978 pelo cubano naturalizado francês Eduardo Manet, acabou sendo renomeada de "Frankensteins" e, após estrear em São Paulo, está em temporada no Rio de Janeiro até final de junho. Depois parte para turnê nacional, começando pelo Teatro São Pedro, em Porto Alegre. "Sempre me convidaram, mas só agora achei um texto e um elenco que me motivassem realmente a voltar à direção", ressalta Jô.
"Frankensteins" só foi montada duas vezes: em 1979, na França, e em 1994, nos Estados Unidos. A peça narra o hipotético encontro entre as escritoras inglesas Charlotte Bronte, vivida por Mika Lins, e Mary Shelley, interpretada por Clara Carvalho, com suas principais criações literárias, respectivamente, a heroína-título do drama"Jane Eyre", papel de Bete Coelho, e o monstro criado pelo Dr. Frankenstein, vivido por Paulo Gorgulho. Tudo se passa na noite de 1o de fevereiro de 1851, quando justamente Mary Shelley morre. Batizada de "comédia gótica" por Jô Soares, o enredo brinca com o fato das criaturas revelarem-se insatisfeitas com suas criadoras e reivindicarem uma nova personalidade e outra aparência. "O interessante é que o humor vai aparecendo aos poucos na peça. Não é uma comédia rasgada", afirma Mika Lins.
Antes da estréia, Jô Soares fez uma rígida leitura de texto - que durou 35 dias -, e depois sessões de ensaios que duravam até 12 horas seguidas. O humorista nem lembrava da peça e a encontrou por acaso, enquanto folheava uma revista francesa e viu uma fotografia em que o monstro criado por Frankenstein aparecia de óculos lendo sentado em uma poltrona. Até chegar ao nome de Paulo Gorgulho - que atualmente vive o pacato Joaquim em "Agora É que São Elas"-, o comediante pensou em ele mesmo fazer mostro, claro, gordo. "É sério isso", insistia Jô, apesar dos risos do elenco. Mas a tarefa acabou para Paulo Gorgulho mesmo, que não esconde que se preparar para interpretar o personagem é uma verdadeira maratona e uma requisito básico para o público acreditar na peça. Só para se maquiar, o ator leva duas horas. Paulo usa um molde para o rosto e a maquiagem é a mesma usada nas produções de cinema de Hollywood. Inclusive os produtos para retirar a maquiagem após o espetáculo, que não irritam a pele. "Já tentamos fazer a maquiagem em menos tempo, mas não fica bom. Solta pedaço, vaza suor e desconcentra todo o elenco", explica Paulo Gorgulho.
Já Bete Coelho decidiu mudar de personagem após o início dos ensaios. Lendo o enredo da peça, a atriz percebeu que renderia mais vivendo a criatura Jane Eyre do que Mary Shelley, que escreveu o livro "Frankenstein".

 
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