Joinville         -         Domingo, 14 de Setembro de 2003        -          Santa Catarina - Brasil
 
 

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Reportagem

Campos de
concentração em Santa Catarina

Entre 1942 e 1945, pelo menos 200 pessoas foram confinadas no Estado. Ao contrário, do que acontecia na Europa, não eram judeus, mas suspeitas de nazismo

Leandro S. Junges

Santa Catarina manteve dois campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial. Num período ainda obscuro da história catarinense, entre 1942 e 1945, pelo menos 200 pessoas foram confinadas sob a acusação de "invasores infiltrados", "espiões" ou "agentes de Hitler" em campos montados em Florianópolis e Joinville.
Ironicamente, aqui não eram os judeus, mas os nazistas que foram retidos em campos de concentração. Enquanto Hitler exterminava milhões de judeus, os alemães - simples imigrantes ou simpatizantes do nazismo - que moravam no Brasil foram perseguidos pelo governo Getúlio Vargas, que contava com um eficiente aparelho nacionalista.
Além dos dois campos, delegacias serviram para que milhares de estrangeiros e descendentes fossem detidos em todo o Estado, interrogados, e não raras vezes torturados por agentes da Delegacia de Ordem Política e Social (Dops), simplesmente porque falavam alemão ou italiano.
Em todo o País, o governo de Getúlio Vargas perseguiu, prendeu e confinou mais de 3 mil alemães, italianos e japoneses em campos de concentração criados em oito Estados brasileiros (além de Santa Catarina, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul). Como na época a colônia japonesa praticamente inexistia no Estado, a polícia catarinense caçou italianos e, especialmente, alemães. Quando a guerra acabou, os arquivos oficiais foram lacrados e esquecidos. A legislação sobre o acesso aos documentos, que proibia consultas ou pesquisas por 50 anos, foi abrandada em 1988, e o prazo caiu para 30 anos. Mesmo assim, só em 1996 os historiadores tiveram acesso ao acervo.
O número correto das áreas de prisões criadas pelo Brasil ainda é impreciso. De acordo com os documentos, os campos de concentração brasileiros foram criados a partir de agosto de 1942, quando o País deixou a neutralidade e passou a lutar ao lado dos Aliados (França, Inglaterra e Estados Unidos) contra os países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão).
Pelo menos 13 áreas de confinamento já foram mapeadas por um grupo de historiadores que mergulhou nos documentos oficiais da Divisão de Polícia Política e Social (Deops) e em prontuários e relatórios da polícia política, o Dops.
Não há registros de que tenha havido qualquer execução, extermínio ou morte em câmaras de gás, como na Alemanha, mas os documentos mostram que houve trabalho forçado, tortura e, como em todos os episódios históricos em que o poder é prevalece pela força, prisões ilegais.
Em Santa Catarina, o interventor Nereu Ramos manteve uma linha dura e um regime considerado pelas autoridades militares do governo Vargas como exemplar. O Estado também teve um brutal sistema de captura. Sob o comando do chefe do Dops, Antônio Lara Ribas, policiais em todo o Estado produziram verdadeiras caçadas a nazistas e fascistas, com tortura em praça pública, invasão de casas, apreensão de objetos e vingança pessoal.
Na época, nas colônias e cidades mais vigiadas, ninguém saía de casa ao anoitecer e todos os que falam português com sotaque europeu silenciaram, com a certeza de que as próprias palavras seriam utilizadas como prova do subjetivo crime contra a segurança nacional.
O assunto é tema de uma tese de doutorado em história na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), defendida pela historiadora Marlene De Fáveri, e dos livros "O Perigo Alemão e a Repressão Policial no Estado Novo", de Priscila Ferreira Perazzo, e "O Canto do Vento" (em alemão, Windhuk, que era o nome de um navio), do jornalista Camões Filho. "A perseguição era justificada pela presença de nazistas no Brasil. Havia muitos alemães fascinados por Hitler em Santa Catarina", diz Marlene.A Notícia passa a contar hoje, numa série de reportagens, parte desta história, que jamais foi impressa em livros didáticos e ficou silenciada entre traumas e dramas de consciência.

Nesta segunda, data em que o fascismo completa exatos 60 anos, A Notícia conta as histórias de quem foi perseguido, torturado e preso nos campos de concentração de Santa Catarina. Também mostra que a rotina das cidades do Estado foi transformada num cenário que reproduzia a guerra que acontecia na Europa.

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Ruínas em cemitério de Joinville e três prédios centenários reformados na UFSC é o que restou das unidades

Três prédios centenários reformados em Florianópolis e ruínas quase imperceptíveis entre túmulos do Cemitério Municipal de Joinville é tudo o que restou dos prédios onde funcionaram os campos de concentração em Santa Catarina durante a Segunda Guerra Mundial.
A ala masculina do campo da Trindade, onde ficaram internados quase todos os alemães presos durante a guerra, abriga hoje a Prefeitura do campus da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Antes de ser local para o exílio dos "súditos do Eixo" era apenas uma seção agrícola da penitenciária estadual.
No primeiro andar do edifício funcionava o refeitório, e quase 100 presos dormiam no segundo andar. Há poucos registros sobre a ala feminina, um prédio longo e estreito de apenas um piso, no centro do campo. Hoje, a vigilância e o serviço de manutenção de telefonia ocupam a ala.
O terceiro prédio, onde funcionava a administração da prisão e eram realizados todos os longos interrogatórios, é ocupado atualmente por um projeto de educação ambiental, o Larus. "A gente sabe que funcionou um campo de concentração no prédio. Mas não há mais qualquer sinal disso. O que impressiona é que o prédio foi muito bem construído", diz o professor Alcides Dutra, do Projeto Larus.
A sala mais escura do prédio, que hoje abriga o almoxarifado do projeto, possivelmente serviu como local de tortura. Apesar de recuperados, os três edifícios ainda destoam da moderna arquitetura do campus da UFSC.
Tanto em Florianópolis quanto em Joinville, quase todos os presos eram imigrantes alemães radicados no Estado desde o período de colonização ou casados com brasileiras.
Em Joinville, o campo de concentração ainda não foi incluído na listagem de áreas destinadas à prisão de alemães, italianos e japoneses. Ele foi descoberto por pesquisadores da Universidade da Região de Joinville (Univille) e do Arquivo Histórico de Joinville em 1999.
Estudiosa da saúde, a historiadora Arselle de Andrade Foutura descobriu um relatório confidencial do Ministério do Exterior em Bohn (Alemanha), que relatava como funcionava o campo de concentração de Joinville.
O prédio que serviu para a instalação do campus era utilizado, até 1942, como hospício. O Hospital Oscar Schneider foi construído na década de 20 para servir como local de isolamento para doentes mentais, e desativado em 1942, exatamente no ano em que o governo de Getúlio Vargas decidiu declarar guerra contra a Alemanha, o Japão e a Itália (Eixo).
O prédio foi requisitado pelo governo e nele foram confinadas as pessoas presas em Joinville. Segundo o relatório do Ministério do Exterior, em 1944 as condições do Oscar Schneider eram melhores do que as de outras prisões brasileiras, especialmente porque havia mais higiene nos quartos.
O campo tinha capacidade para 200 presos, mas o relatório diz que, em 1944, havia apenas 28 detentos e a maioria deles era descendente. Só quatro eram alemães.
O prédio ficava numa das planícies do terreno onde hoje está o Cemitério Municipal de Joinville, no bairro Atiradores. "Hoje, existem apenas ruínas no chão, que dão uma vaga idéia de que ali havia um hospital", explica a historiadora.
Segundo ela, a partir da reabertura do Arquivo Histórico de Joinville, fechado para desintoxicação e microfilmagem do material, novos estudos devem ser realizados e podem revelar mais detalhes do campo.
O trecho mais contundente sobre a existência da prisão política diz que "a instituição Oscar Schneider é um prédio antigo, vizinho do cemitério de Joinville. Funcionava antigamente como hospício. O local não é insalubre. A vigilância está a cargo de uma divisão da polícia, sob as ordens de um sargento, que é o comandante da instituição. Os internados estão alojados em celas espaçosas. A administração fornece apenas a cama, mas, neste meio tempo, os internados já puderam prover-se de colchões e cobertores próprios. Em cada cela há uma mesa e um banco, há chuveiros e pias, bem como um grande salão para jogos e bastão e quintal para passeios e jogos de bola. Os presos não são obrigados a nenhum tipo de trabalho, muitos se dedicam a diversos trabalhos manuais. Periodicamente os internados recebem a visita de um médico. Em caso de acidentes ou doenças graves, ocorre a transferência para o hospital municipal. Não são realizados cultos dominicais. Visitas de familiares apenas são permitidas com autorização especial, com exceção do Natal, quando há uma permissão geral. As cartas são limitadas a 15 linhas." (LSJ)

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Tripulação de
navio presa em São Paulo

O maior campo de concentração do Brasil foi instalado em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo e nele foi confinada, durante toda a guerra, a tripulação do navio alemão Windhuk (que em português significa canto do vento). A embarcação partira de Hamburgo, na Alemanha, para uma viagem à África do Sul, em outubro de 1936. Em 1939, na sua 13ª viagem, quando voltava para Hamburgo, vários países da África declararam guerra à Alemanha e o navio não conseguiu mais voltar à Europa.
Como Getúlio Vargas tomara a decisão de manter o Brasil neutro - situação que se manteve apenas até 1942 -, o capitão do navio resolveu navegar até o porto de Santos, onde ancorou o Windhuk em 7 de dezembro de 1939, com o mundo já em guerra. Mal sabia ele que toda a tripulação acabaria presa durante cinco anos.
Primeiro, todos ficaram no próprio navio, durante três anos. Em 1942, foram levados para a Casa de Detenção do Carandiru e, depois, confinados definitivamente no maior campo de concentração do Brasil, de onde só saíram quando a guerra acabou. Foram presos os 244 tripulantes (todos alemães). Entre eles havia engenheiros, médicos, marinheiros e famílias inteiras que faziam uma viagem considerada luxuosa para a época. A maioria deles tinha entre 20 e 30 anos.
Em Guaratinguetá, também no interior de São Paulo, o regime do campo de concentração era mais rígido, e os alemães não tinham contato com os brasileiros. Os prisioneiros não podiam improvisar a alimentação e comiam invariavelmente arroz com feijão. O trabalho nas lavouras começava cedo e terminava à noite.
A rotina do campo de concentração de Chã Estevam, em Pernambuco, foi uma das primeiras a ser desvendadas, no final da década passada, por pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco. A jornalista e pesquisadora Susan Lewis revirou documentos, cartas, telegramas e ofícios do Departamento da Ordem Política e Social (Dops) e descobriu que ele ficava em Araçoiaba, município localizado a 60 quilômetros do Recife. O Chã de
Estevam, como foi batizado, foi criado em 22 de novembro de 1942 e também funcionou durante todo o período da guerra.
O curioso é que este é o único campo do Brasil onde os alemães e italianos foram forçados a trabalhar. Enquanto estiveram presos, eles trabalharam na Fábrica de Tecidos Paulista, da família Lundgren, fundadora das Casas Pernambucanas.
De acordo com documentos reunidos pela jornalista, foram confinados em torno de 30 estrangeiros, com mulher e filhos. Mas não há qualquer registro de maus tratos ou extermínio, como na Europa. Embora não comprovada, há uma teoria de que os Lundgren tenham protegido os nazistas no Brasil, uma comparação com o que fez Oscar Schindler com os judeus da Alemanha.
Apesar de serem em menor número do que alemães e italianos, os japoneses foram os que mais sofreram dentro das prisões no Brasil. Embora houvesse imigrantes em vários Estados, só em São Paulo e Pará eles foram presos. O campo de concentração de Tomé-açu, uma ilha próxima de Belém (PA), foi utilizado para manter os japoneses isolados do resto do Brasil. Uma fechada floresta amazônica e a falta de alimentos tornaram a área uma das mais hostis de todo o País. Em Belém também foram registrados levantes populares nacionalistas que transformaram as ruas da capital num campo de batalha. Nenhum descendente do Eixo na região escapou de hostilidades, interrogatórios e agressões.
O Presídio Daltro Filho, em Charqueadas, no Rio Grande do Sul, seguiu a linha das prisões do Sul do País, com controle rígido. Os outros campos de concentração ainda estão sendo estudados, e novos livros devem ser lançados nos próximos anos, desvendando um dos períodos mais sombrios da história do Brasil. (LSJ)

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O nazismo no Brasil e mundo

1937
10/11
Golpe do Estado Novo. Getúlio Vargas cerca, fecha o Congresso e outorga a Constituição Polaca (por ser copiada da Carta da ditadura polonesa do marechal Pilsudski). Prisões políticas no RJ, SP, RS e BA são embriões dos campos de concentração. O vigor do nacionalismo começa a aparecer em decretos e atos do Estado Novo, que intervém em praticamente todos os Estados (só Minas Gerais escapa).

1938
17/3
Começa a perseguição, com a promulgação do decreto-lei 341. O texto regula a apresentação de documentos pelos estrangeiros. Para tomar qualquer iniciativa na vida civil, era exigido até um "atestado de bom procedimento do estrangeiro", expedido pela polícia.

18/4
Decreto-lei 383 (federal) proíbe toda e qualquer atividade política aos estrangeiros. Ficava vedado organizar sociedades, portar bandeiras ou qualquer objeto alemão.

27/4
Decreto-lei 392 (federal) regulamentava a expulsão dos estrangeiros. A "segurança nacional" era o motivo principal, e qualquer acusação poderia levar a ela.

18/5
O Estado Novo endurece a Lei de Segurança Nacional e define os nove crimes contra a segurança nacional e a ordem social. A pena de morte, por fuzilamento, seria imposta a todos os que atentassem contra a unidade da soberania do Estado.

1939
7/3
A Itália fascista invade a Albânia, para alguns o marco inicial da 2ª Guerra.

1/9
Alemanha e Rússia invadem a Polônia. Inglaterra e França declaram guerra à Alemanha e é iniciada a Segunda Guerra Mundial.

25/8
O governo brasileiro silencia os estrangeiros. A partir desta data ficou proibido o uso da língua estrangeira no ensino e em praticamente todas as atividades públicas. Falar alemão, italiano ou japonês era motivo de denúncias que, a partir de 1942, levaram milhares de pessoas à prisão em todo o País.

2/9
Getúlio Vargas declara que o Brasil se manterá neutro e, no dia seguinte, países americanos assinam a Declaração do Panamá, de neutralidade.

12/10
Começa, na Alemanha, a deportação de judeus para campos de concentração.

1940
27/4
Hitler ordena a criação do campo de concentração de Auschwitz, que acabaria com algo em torno de 3 a 4 milhões de vidas (especialmente judeus).

25/5
O governo do Estado proíbe a recepção radiofônica de notícias de guerra. A punição é curiosa: quem desrespeitar será "severeamente castigado".

7/9
A aviação nazista inicia o bombardeio de Londres, durante a 2ª Guerra. A blitz dura 57 noites consecutivas.

27/9
Formado o eixo Roma-Berlim-Tóquio (Itália, Alemanha e Japão), expressão diplomática do nazifascismo, a partir do Pacto Anticomunista.

1941
22/3
Navios alemães metralham o navio brasileiro Taubaté, no Mediterrâneo.

22/6
Hitler invade a URSS sem declaração de guerra.

7/12
O Japão ataca base dos EUA em Pearl Harbor (Havaí).
Os EUA declaram guerra ao Japão, seguidos por 12 países latino-americanos.

11/12
Hitler declara guerra aos EUA.

1942
28/1
O Brasil corta relações com a Alemanha e a Itália. Cresce a pressão pró-ingresso do País na guerra contra o nazifascismo.

28/1
O governo do Estado anuncia que os estrangeiros naturais dos países do Eixo devem comunicar a sua residência às autoridades policiais em 15 dias. O decreto também proibia reunir-se (mesmo em casa) e viajar sem licença (salvo-conduto).

14/2
Submarino alemão afunda o navio brasileiro Buarque (54 mortos), iniciando escalada de ataques.

11/3
Decreto-lei 4.166 (federal) diz que os bens de alemães, japoneses e italianos respondem pelo prejuízo que brasileiros viessem a ter por causa de atos de guerra praticados pelos seus países de origem.

22/8
Brasil declara guerra à Itália e Alemanha, e o "estado de guerra" toma conta de todo o Brasil.

1943
2/2
URSS vence a batalha de Stalingrado e passa à ofensiva contra a Alemanha.

18/2
Goebbels anuncia "guerra total" e põe em prática a maior ofensiva militar da Alemanha.

24/7
Mussolini é deposto e preso (mas será libertado por um comando alemão).

31/7
Avião da FAB põe submarino alemão a pique e recolhe 12 sobreviventes.

23/11
A Força Expedicionária Brasileira é criada, para dar combate ao nazifascismo na Europa.

18/12
Criado o 1º Grupo de Aviação de Caça, destinado à campanha contra a Alemanha de Hitler (com o lema "Senta a pua").

1944
28/1
Exército Vermelho, da URSS, liberta Leningrado e começa a virar o jogo.

6/6
Dia D, desembarque aliado na Normandia de 55 mil soldados, em 5 mil navios e mil aviões.

2/7
Primeiro contingente da FEB, com 5.379 homens, parte do RJ. Chega em Nápoles 14 dias depois.

4/8
Anne Frank, a prisioneira que escreveu um diário que ficou famoso em todo o mundo, é descoberta pela Gestapo.

15/9
Batismo de fogo da FEB, em Vada-Ostedaletto, na Itália.

1945
27/01
Soviéticos libertam os primeiros prisioneiros do campo de concentração de Auschwitz.

13/2
A aviação anglo-americana joga 40 toneladas de bombas em Dresden, centro industrial e cultural alemão.

19/3
"Decreto Nero" de Hitler ordena a destruição dos bens alemães que possam cair nas mãos dos Aliados.s

11/4
O STF concede habeas corpus aos exilados políticos durante o Estado Novo.

7/5
Rendição da Alemanha nazista.

6/8
Os EUA lançam a primeira bomba atômica, em Hiroshima.

9/8
Os EUA lançam a segunda bomba atômica, em Nagasaki.

14/8
Rendição incondicional do Japão.

29/10
Golpe militar depõe Getúlio, que se auto-exila em São Borja, no Rio Grande do Sul.

Os campos de concentração no brasil

Campo de Concentração de Tomé-Açu/PA
Campo de Concentração de Chã Estevam/PE
Campo de concentração de Ribeirão Preto/SP
Campo de Concentração de Bauru/SP
Campo de Concentração de Pouso Alegre/MG
Presídio de Niterói/RJ
Campo de concentração de Garatinguetá/SP
Campo de concentração de pindamonhangaba/SP
Presídio Daltro Filho/RS
Hospício Oscar Schneider/Joinille, SC
Presídio da Trindade/Florianópolis, SC

Manchetes AN
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Clonagem de celulares
ameaça viajantes no País

Quadrilhas especializadas agem nos aeroportos fazendo ligações que caem na conta das vítimas

Carlito Costa

Florianópolis - Gerente de marketing de uma indústria de cosméticos, João Paulo Fontelles precisa viajar constantemente. Em outubro do ano passado, durante uma dessas viagens de trabalho, passou pelo aeroporto de Curitiba (PR), onde usou o telefone celular. Era uma sexta-feira. No sábado, recebeu uma ligação da operadora. "Informaram que a minha linha estava bloqueada porque eles tinha detectado que o número foi clonado", conta Fontelles. Ele foi vítima de um problema muito comum em aeroportos, principalmente do Rio de Janeiro e São Paulo.
A clonagem de telefones celulares é uma forma sofisticada de roubo, operada por quadrilhas especializadas. Com um scanner de freqüência ou um receptor de rádio de alta freqüência, o criminoso consegue identificar os números da linha e de série de um aparelho que esteja fazendo uma ligação de um local próximo. Esses dados são então transferidos para um outro aparelho, o "clone". A partir daí, as ligações feitas do clone são registradas na conta do proprietário do aparelho original. Ao abrir o telefone celular para conserto, um técnico também tem acesso aos números que permitem a clonagem.
"Fiquei o fim de semana sem celular e tive que trocar o número e avisar os meus contatos sobre a mudança", diz o gerente. "Felizmente, o maior prejuízo que eu tive foi esse", disse Fontelles. Mas o dano pode ser grande. Em geral os telefones clonados são utilizados para fazer ligações de longa duração e longa distância, geralmente internacionais. Quase todas as clonagens detectadas pelas operadoras ocorrem em aeroportos, principalmente de São Paulo e Rio de Janeiro, e as ligações feitas de celulares clonados costumam ser originadas de Estados do Nordeste.
A TIM, uma das operadoras que atua no Estado, dispõe de um sistema que detecta ligações suspeitas, como aconteceu com Fontelles. "Temos o perfil de cada cliente e o tipo de ligação que ele costuma fazer", explica o superintendente da TIM em Santa Catarina, Ari Boheme. "Quando uma ligação foge desse perfil, entramos em contato com o cliente". A diretoria da Vivo, a outra operadora com presença no Estado, optou por não se pronunciar a respeito da clonagem de celulares, "tendo em vista que esta seria uma forma de incentivar essa prática criminosa."
Segundo Boheme, a clonagem é realizada quando o celular está operando na rede analógica (acionada em certos locais, onde o sistema digital não está disponível, ou por aparelhos antigos sem essa tecnologia). "Não há registro de ocorrência de clonagem enquanto o aparelho opera na rede digital", garante. "Isso ocorre porque o sistema digital é muito mais seguro, enviando informações criptografadas (codificadas) e a clonagem demandaria equipamentos muito mais caros", diz Boheme. Ainda segundo o superintendente, a tecnologia GSM, em implantação pela TIM no Estado, é praticamente imune ao problema. "Os celulares GSM jamais operam em modo analógico e, como são de uma geração mais nova, já trazem uma tecnologia mais segura embutida", diz Boheme.


Modo analógico
é mais vulnerável

Se o cliente viaja para outro Estado em que a tecnologia utilizada na sua faixa de freqüência (banda) não é a mesma do seu aparelho, o celular passa a funcionar no modo analógico, tornando-se vulnerável à fraude. Os aeroportos concentram muitas pessoas vindas de outros Estados e por isso são muito visados pelas quadrilhas de clonadores.
Na maioria dos Estados brasileiros, as operadoras da banda A utilizam a tecnologia TDMA, a mesma da TIM. Quando viajam para esses lugares, os clientes da TIM continuam falando no modo digital, a salvo dos clonadores. O problema começa quando eles entram em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Bahia ou Sergipe. Nesses Estados, as operadoras da banda A utilizam outro padrão, o CDMA, fazendo com que os celulares da TIM funcionem no modo analógico, abrindo uma brecha para a clonagem. O problema pode ser resolvido se, antes de entrar nesses Estados o usuário configurar o aparelho para operar na banda B (no caso da TIM) ou na banda A, no caso da Vivo. (CC)


Apnéia,
um obstáculo
à qualidade de vida

Doença causa interrupção da respiração durante o sono e pode levar paciente à morte

Aline Machado Parodi
Especial para A Notícia

Itajaí - Acordar no meio da noite com falta de ar e pela manhã com uma grande sensação de cansaço. Durante muito tempo, o oceanógrafo Rodrigo Mazzoleni, 28 anos, não sabia a origem da fadiga que o acompanhava em algumas manhãs, até assistir uma reportagem na televisão sobre apnéia do sono e descobrir que tinha os sintomas da doença. A apnéia é um distúrbio caracterizado por interrupções da respiração durante o sono. A doença provoca queda na qualidade de vida, problemas cardíacos e em muitos casos pode levar até à morte. Os homens são os mais afetados pela apnéia, principalmente os de meia-idade. Dados da Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia mostram que 4% dos homens e 2% das mulheres de meia-idade manifestam condições de desenvolver a doença. No caso de Mazzoleni, ela começou a se manifestar a partir dos 14 anos. "Quando estou muito estressado, aqueles dias que fiz muito esforço físico e mental, pode apostar que não vou conseguir dormir direito à noite. Chego aacordar duas ou três vezes por noite com falta de ar e uma sensação angustiante", conta o oceanógrafo. "A sensação é como se alguma coisa me abafasse e isso me apavora", explica. Apesar de saber que sofre do distúrbio, Mazzoleni nunca procurou um médico para fazer um tratamento. Ele também notou que a mãe e avó também sofrem de apnéia do sono. "Já percebi que as vezes a mãe está dormindo e de repente ela pára de respirar e segundos depois volta. Na hora dá vontade de acordá-la, mas basta mudar de posição que ela volta a respirar", afirma. Mas a apnéia não incomoda só o oceanógrafo. A namorada dele reclama muito do ronco durante a noite. "Ela reclama que eu ronco muito, mas espero que logo ela acostume", brinca.
O neurologista Rodrigo Ramos, professor do curso de medicina da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), explica que a apnéia pode acontecer por vários motivos, mas principalmente porque durante a noite os músculos da garganta e da língua relaxam e em certos casos acabam bloqueando a via área, dificultando a respiração, provocando o ronco e a apnéia.


Obesos têm
maior propensão

As pessoas obesas são as mais propensas a desenvolver essa doença, pois o acúmulo de gordura estreita as vias aéreas. O problema pode ser agravado pelo consumo de bebidas alcoólica ou pílulas para dormir. "As paradas respiratórias duram de 10 a 30 segundos e podem ocorrer até 10 vezes por hora. Isso pode causar um aumento da pressão arterial e levar a uma esquimia cerebral e até à morte", revela o neurologista Rodrigo Ramos.
A doença é muito mais complexa do que se pode imaginar, garante Ramos. O problema é que poucas pessoas sabem ou procuram ajuda médica para fazer um tratamento. "Eu faço uma investigação do sono em todos os meus pacientes. Porque eles dificilmente procuram o médico por causa do ronco ou das noites mal dormidas, mas os sintomas que apresentam podem indicar que essa seja a causa dos problemas", comenta.
Segundo ele, as pessoas precisam ficar alertas para alguns sinais, como um ronco muito alto. "Nem sempre o ronco está associado à apnéia, mas ela sempre estará associada ao ronco", ensina o médico. Outros sinal são o cansaço ao acordar, hipertensão no caso de pessoas jovens e sem uma causa aparente, além de casos de refluxo gastroesofágico, irritabilidade, tabagismo e álcool.
O tratamento vai depender de uma análise clínica de cada paciente e de um exame chamado polisonografia. "Dependendo da causa da apnéia, o tratamento vai passar por uma reeducação dos hábitos. Aquela pessoa que come muito alimento pesado à noite e ainda por cima tem um problema de refluxo vai ter de mudar os seus hábitos", afirma o médico. Os casos mais graves podem ser tratados com medicamentos e até com utilização de máquinas para auxiliar no sono. O estudo do sono, de acordo com o médico, é uma ciência nova no Brasil com pouco mais de 10 anos e que agrega uma equipe multidisciplinar. "Ainda não existem muitos dados estatísticos sobre a fatia da população que sofre de apnéia do sono. Os dados ainda estão restritos a alguns centros de tratamento e o fato de poucas pessoas procurarem um medico por causa da doença dificulta esta estatística.". (AMP)


Programa de imunização
comemora 30 anos no País

Vacinação contra a pólio e o tétano neonatal são prioridades

Brasília - No Brasil, as ações de imunização, que começaram há 100 anos, trouxeram resultados importantes, como a erradicação da varíola e da poliomielite, doenças que atingiam milhares de pessoas. A criação do Programa Nacional de Imunizações (PNI), da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde, foi um passo fundamental para as conquistas alcançadas. O PNI comemora 30 anos no dia 18 de setembro, com direito a um livro que contará sua história. Somente neste ano, o governo federal está investindo R$ 470 milhões em aquisição de vacinas. A prevenção do tétano neonatal é uma das prioridades do ministério.
Além da vacinação de rotina, realizada diariamente em milhares de postos de saúde em todo o País, a Secretaria de Vigilância em Saúde coordena a realização das campanhas de vacinação, que chegam a envolver mais de 440 mil pessoas, entre profissionais e voluntários. A estratégia começou em 1980, com a primeira Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite, conhecida como paralisia infantil. "Hoje, o PNI é um dos programas de saúde pública mais bem-sucedidos do mundo", defende Expedito Luna, diretor da Vigilância Epidemiológica, da SVS.
As principais campanhas desenvolvidas pelo Sistema Único de Saúde são a da pólio, em duas etapas (junho e agosto), e a vacinação do idoso contra a gripe, em abril. "Há doenças que exigem ação de combate intensiva", afirma Maria de Lourdes Sousa Maia, coordenadora geral do PNI. Dados preliminares do Ministério da Saúde mostram que cerca de 17 milhões de crianças menores de 5 anos receberam a vacina contra a paralisia infantil na última etapa da campanha, realizada no dia 23 de agosto.
Uma das prioridades da Secretaria de Vigilância em Saúde é fortalecer as ações de prevenção do tétano neonatal, doença que sofreu sensível redução no número de casos, mas que ainda ocorre e, pela sua gravidade, inspira cuidados. A meta é vacinar cerca de 5 milhões de mulheres, com idade entre 15 e 49 anos, ao longo do segundo semestre de 2003 e em 2004. Nos anos de 2001 e 2002, houve 64 registros de tétano neonatal no Brasil, 87% deles nas regiões Norte e Nordeste, em Goiás e no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. O tétano neonatal ataca o bebê nos primeiros dias de vida e pode comprometer o sistema nervoso central do recém-nascido.


Vitória na
erradicação de doenças

Uma das primeiras vitórias das ações de vacinação aconteceu em 1975, quando o Brasil recebeu da Organização Mundial de Saúde (OMS) o certificado de erradicação da varíola. Em 1980, o Ministério da Saúde iniciou as campanhas de vacinação contra a poliomielite, doença que atingia anualmente cerca de 3 mil brasileiros. O último registro da pólio no Brasil ocorreu em 1989 e em 1994 a OMS concedeu ao País o certificado de erradicação.
"O PNI ganhou mais visibilidade a partir de 1980, quando começaram as campanhas. A partir daí, o programa demonstrou sua eficácia, com a erradicação de doenças como a pólio", avalia Expedito Luna, diretor da Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Vigilância em Saúde. "Hoje nossas vacinas alcançam cobertura superior a 90%", observa.
Os números demonstram essa eficácia. O Brasil não apresenta casos de sarampo há três anos e reduziu consideravelmente as mortes por difteria (99%), coqueluche (97%), tétano acidental (83%) e tétano neonatal (94,3%).
O PNI também encabeçou uma das maiores campanhas de vacinação contra a rubéola, para prevenir a síndrome de rubéola congênita. Em dois anos, a campanha atingiu 29 milhões de mulheres, com redução dos casos em 80%.
As Campanhas de Vacinação do Idoso são outra ação fundamental. Realizadas desde 1999, já levaram doses da vacina contra influenza (gripe) a 51 milhões de pessoas. "A vacina contra a gripe tem diminuído sensivelmente o número de mortes e internações de idosos", afirma Luna.


Convênio garante
recursos para hospital em Lages

Lages - O Hospital Infantil Seara do Bem, de Lages, deu mais um passo para se tornar referência no Estado para o tratamento de câncer em crianças e adolescentes. Um convênio firmado no início da tarde de ontem com a Secretaria de Estado da Saúde possibilitará a criação de um bloco destinado à oncologia pediátrica. Pelo acordo, o Seara do Bem recebeu um repasse de R$ 245 mil.
Na cerimônia de assinatura do convênio, o secretário Estadual da Saúde, Fernando Agustini, confirmou que novos acordos serão celebrados com a direção do Seara do Bem. Entre eles uma parceria para a realização de cirurgias que beneficiem toda a população catarinense e diminuam as filas existentes em hospitais como o Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis. Até o final deste mês já devem ser iniciadas 150 cirurgias.
Para o diretor-clínico do Seara do Bem, Gilberto Duarte, as parcerias com a Secretaria Estadual da Saúde vão beneficiar em muito a comunidade catarinense. Ele destaca que o hospital está em fase final em seu processo para reclassificar a unidade de terapia intensiva (UTI). Com isso, vai se tornar também referência em neurocirurgia e ortopedia.

 
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Por: Torque Comunicação e Internet