Joinville         -         Quinta-feira, 22 de abril de 2004        -          Santa Catarina - Brasil
 
 

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PM descobre
desmanche em
Joinville após acidente

Loja no bairro Irirú mantinha estoque de peças retiradas de veículos furtados no Estado

Poliana Santos

Joinville - Cinco pessoas suspeitas de receptação foram detidas ontem, depois que a polícia de Joinville, no Norte do Estado, descobriu dois locais que armazenavam peças de veículos furtados. O desmanche foi descoberto depois de um acidente de trânsito. Os policiais chegaram até a loja Wolcar Auto Peças, no bairro Iririú.
Uma Saveiro que transportava peças de veículos furtados bateu em um caminhão. Os policiais militares desconfiaram que as peças do Celta e do Palio poderiam estar sendo transportadas para um desmanche de veículos e questionou o motorista do carro, Antônio Tomé, sobre a procedência dos objetos. O caroneiro Jonas César Cardoso disse que eram dele e que iria em sua casa buscar os documentos. Ele saiu do local no Gol do colega E.C., que foi chamado para ajudá-los. A dupla seguiu até a Wolcar Auto Peças, no bairro Iririú, e Cardoso não foi mais visto. O ponto já havia sido fechado anteriormente sob a acusação de desmanchar veículos furtados.
Depois de dar carona a Cardoso, E. foi até um barracão na rua Rio do Ferro, no bairro Aventureiro. No local a polícia encontrou o motor de um Gol furtado em Piçarras. Outros motores e peças de veículos foram apreendidas para serem periciadas. E. e Tomé foram encaminhados a Central de Plantão Policial (CPP), mas o primeiro foi liberado.
Após descobrir que Cardoso havia sido deixado na loja, a polícia foi até o local. Bernardete e José Heitor Amorim, que moram na sobreloja, não permitiram a entrada. Amorim possui 21 passagens policiais e ela uma. O genro do casal, o "caixeiro" Marcos Espíndola, acusado de envolvimento em furtos em caixas eletrônicos de bancos e está foragido, é o proprietário da loja. Com um mandado de busca e apreensão, a polícia entrou na residência, mas Cardoso não foi encontrado. Testemunhas afirmaram que ele saiu em uma motocicleta.
No banheiro da casa os policiais acharam um motor e na casa havia notas fiscais da loja. Nas prateleiras da Wolcar havia centenas de peças, muitas delas pertencentes a veículos furtados. Depois das revistas e apreensão de documentos e objetos, Bernardete, José Amorim e um sobrinho deles foram levados à CPP para prestar declarações.
A polícia descobriu que as peças do Celta e Palio transportadas na carreta da Saveiro eram de carros furtados no mês passado, mas as ocorrências foram registradas somente um dia depois do crime. "Alguns objetos apreendidos aqui podem comprovar associação ao golpe do seguro. O fato de só comunicarem o furto um dia depois pode ser parte do golpe", afirma o delegado Luiz Felipe Fuentes. Até as 22 horas de ontem os quatro continuavam prestando depoimento.


Quadrilha age no Sul do Brasil

Caçador - A Polícia Civil de Caçador, Meio-oeste, trabalha para desmantelar uma mega-quadrilha de roubo e desmanche de veículos que atua em Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. Conforme o delegado da comarca, Mauro Cândido Rodrigues, a organização age no roubo e furtos de carros de passeios na região de Guarapuava (PR) e desmanche em Caçador e furtos e roubos de caminhonetes de luxo, tratores e caminhões na região de Caçador, tendo como destino o Paraná e o Paraguai.
A quadrilha começou a se desmantelar semana passada com a prisão de Odir Antônio da Silva de Souza e Vandré Bianchi, durante uma tentativa de furto de um trator em Caçador frustrada pela polícia. No dia seguinte, conforme informações da polícia, a mesma quadrilha furtou uma caminhonete, também em Caçador, e manteve o proprietário por mais de dez horas sob cárcere, até que empreendesse fuga.

Ferro velho

Ontem, o delegado informou que foi preso outro suposto integrante da quadrilha: César Augusto de Camargo. O acusado tinha um ferro velho na rodovia SC-302, perimetral de Caçador, que era fachada para desmanche dos veículos furtados no Paraná. No local, a polícia encontrou peças de carros furtados. Ele já foi recambiado para o Paraná, onde tinha outro desmanche, enquanto os outros dois suspeitos permanecem presos no Presídio Regional de Caçador. De acordo com o delegado, já foi pedido à Justiça a expedição de mandado de prisão para outros seis integrantes da organização criminosa.
Ao todo, a polícia já recuperou uma caminhonete, um caminhão e dois tratores furtados. O delegado desconfia que a quadrilha atue na região desde o ano passado. Ele alerta que eles escolheram Caçador pelo alto poder aquisitivo de empresários do setor madeireiro e da tomaticultura, que possuem caminhonetes de alto valor comercial. A divisão de Furtos e Roubos de Veículos da Deic já foi acionada e auxilia nas investigações a partir de hoje.


Acidente 1
Uma menina de 13 anos morreu atropelada na noite de terça-feira, no km 437 da BR-101, em Sombrio, no Sul do Estado. Jéssica Rocha da Silva retornava para casa com um irmão e foi colhida pela caminhonete S10 IDE-2008 (Santa Rosa do Sul) ao tentar atravessar a pista. A garota foi arremessada a dez metros de distância e morreu na hora. Elin Antônio Pereira, 50 anos, condutor do veículo, saiu ileso.

Acidente 2
O caroneiro da moto LZP-0540 (Vitor Meirelles), Jaison Antônio Antunes, 19 anos, morreu, na manhã de ontem, no Hospital Dr. José Athanasio, em Campos Novos, no Meio-oeste do Estado. Foi a segunda morte em conseqüência do acidente no bairro Nossa Senhora Aparecida, na tarde de terça-feira. O motoqueiro Rogério Paz, 19, morreu na hora na colisão com o caminhão Mercedes-Benz MAW-6418 (Campos Novos).

Desaparecido
A polícia do Sul do Estado ainda não tem pistas do jovem Wagner Porto, 25 anos, que está desaparecido em Araranguá desde a tarde da última segunda-feira. M.A., namorada do desaparecido, conta que Wagner, gerente financeiro de uma empresa, deixou a cidade às 16 horas e seguiu num Ford Ka preto em direção a Criciúma. "Desde então ninguém teve qualquer informação a respeito dele", conta M..

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Achada arma que pode ter
matado juiz do trabalho

Pistola estava na casa de vizinho do acusado de assassinato, no município de Canelinha

Florianópolis - A Polícia Federal localizou a arma que pode ter sido utilizada no assassinato do juiz do Trabalho Nei Machado Cordeiro, que estava desaparecido desde o dia 1º de abril e cujo corpo foi achado dia 20. A pistola 380 (que se assemelha à pistola 9mm, de uso restrito das Forças Armadas) foi deixada por Fábio Loiola Franzini - que confessou o crime, ao ser preso na segunda-feira - na casa de um vizinho seu em Canelinha, no Vale do Rio Tijucas, dentro dos limites da Grande Florianópolis.
Os delegados federais chegaram ao local depois de tomar novo depoimento de Fábio. Em sua primeira versão, ele disse que havia dispensado a arma num córrego daquela região. Ao ser interrogado novamente, na tarde de terça-feira, ele resolveu revelar que deixou a pistola com um amigo em Canelinha. A pessoa que guardou a arma para Fábio também está sendo investigada pela polícia e por esta razão seu nome está sendo mantido em sigilo. Sabe-se apenas que atende pelo apelido de "Binho".
A arma já foi anexada aos autos do processo e será submetida à perícia técnica. O exame de balística irá confirmar que a arma indicada por Fábio foi a que disparou os tiros que atingiram o juiz e também deve revelar informações como o trajeto da bala, que complementarão as investigações.
"A versão de Fábio é coerente, mas a investigação não está encerrada e pode seguir várias vertentes", observa o delegado Ildo Rosa, da Polícia Federal. "Estamos trabalhando com o que temos hoje: a prisão do acusado, a apreensão da arma e o reconhecimento do corpo, tudo num curto espaço de tempo. Agora partiremos para um trabalho minucioso, já que é evidente que muitas questões precisam ser esclarecidas", diz o delegado.
Uma delas, explica, são as condições em que um cheque no valor de R$ 19,2 mil, assinado por um terceiro, foi parar nas mãos de Fábio. A reconstituição do crime também deve fornecer detalhes que apontem para fatos novos, inclusive para o envolvimento de outras pessoas, possibilidade não descartada pela polícia. A reconstituição está prevista para a próxima segunda-feira, dia 26. Enquanto isso, Fábio permanece preso na carceragem da superintendência da PF em Florianópolis. (Fabiana de Liz)

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Paixão e morte
Como sucederam-se os fatos que culminaram com o assassinato do juiz do Trabalho Nei Machado Cordeiro, em Santa Catarina

26 de fevereiro

Após sete anos atuando como juiz substituto em Mafra, no Planalto Norte catarinense, Nei Machado Cordeiro assume a Vara da Justiça do Trabalho em Xanxerê, no Oeste, como titular.

31 de março
O juiz telefona para a companheira, que morou dois anos com ele em Mafra, avisando que viajaria amanhã para Bombinhas resolver negócios da compra de um terreno. Comunica que mais tarde passaria em Curitiba e então lhe visitaria em Mafra.

1º de abril
Nei Cordeiro faz a viagem de Xanxerê a Bombinhas. Mas, segundo a polícia, encontra Fábio Loiola Franzini na região de Brusque, com quem mantém contato há quatro anos. Os dois vão para um lugar ermo. Conforme relatou Fábio à polícia, Nei Cordeiro o teria pressionado para morar com ele em Xanxerê e caso contrário mandaria prendê-lo. Fábio diz não aceitar o assédio, discute com o juiz, o mata com dois tiros e enterra o corpo num matagal, no interior de Guabiruba (Vale do Rio Tijucas).

5 de abril
O carro do magistrado, a BMW X5, de R$ 290 mil, aparece às onze horas da manhã incendiando num terreno da avenida Santos Dumont, em Joinville, ponto de encontros amorosos. Fábio disse aos policiais que ateou fogo para tirar as suas impressões digitais do veículo. Uma hora antes, o carro é filmado pelas minicâmeras da PM no centro de Joinville. Conforme a polícia, Fábio está no volante. Nesse dia, o juiz é dado oficialmente como desaparecido pelas Polícias Federal e Civil.

19 de abril
O vendedor de carros Fábio Loiola Franzini, 24 anos, morador de Canelinha, é preso pela Polícia Federal próximo a Curitiba. Ele leva os policiais até um mato na localidade de Lajeado Alto, em Guabiruba, onde diz ter enterrado o corpo do juiz. O resgate do cadáver (já em estado de decomposição) é feito por volta das 22 horas.

20 de abril
O matador do juiz é apresentado de manhã pela Polícia Federal em Florianópolis e confessa tê-lo assassinado por motivos passionais. Ou seja, por ter sido supostamente pressionado pelo magistrado a morar com ele em Xanxerê e assumir o relacionamento amoroso, o que não queria. À tarde, peritos confirmam no IML de Brusque o cadáver como sendo do juiz Nei Cordeiro, desaparecido há mais de duas semanas. Em Canelinha, a PF faz buscas na casa de um amigo de Fábio e procura a arma usada no crime, uma pistola 380. Os indícios são de que há mais pessoas envolvidas no homicídio.


 

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