Joinville         -         Terça-feira, 24 de fevereiro de 2004        -          Santa Catarina - Brasil
 
 

ANotícia  




 





Foto: Paulo Jares/Futura Press

O maior
espetáculo da terra

Ambiente cênico criado pelo Carnaval transforma a festa numa dramatização da história e do cotidiano

Edélcio Mostaço
Especial para A NOTÍCIA

Florianópolis - Desde tempos imemoriais, o Carnaval é um modo de se fazer teatro. Usando uma máscara real ou apenas assumindo uma postura da permissividade, os indivíduos vivem quatro dias de inversões, desrecalques e transgressões. Associados a uma incoercível necessidade humana de dramatizar - para si ou para os outros - as várias facetas que compõem sua personalidade.
Embora oficialmente considerado o País do Carnaval, o Brasil dispõe de poucas peças teatrais a ele associadas. O destaque maior fica com "Orfeu da Conceição", de Vinicius de Moraes, poucas vezes encenada, mas transposta para o cinema, dadas suas complexidades. Ambientada no morro, onde se prepara o enredo de um desfile, entrecruza os destinos humanos e os ficcionais: traído, Orfeu desce ao inferno para resgatar Eurídice, fazendo com que a cena culminante se dê em pleno desfile na avenida.

ORIGENS

Com o perfil que o conhecemos hoje, o Carnaval brasileiro tem raízes no século 19, associadas ao entrudo, às folias e ranchos rurais e urbanos e às procissões e cortejos praticados em ocasiões religiosas e comemorativas. Na península ibérica, contudo, sede das culturas dominantes na colonização, ele mantinha laços vivos com a antigüidade.
A cultura romana imperial tornou-se um verdadeiro caldeirão de ingredientes vindos de todos os lugares conquistados no império. No mito egípcio de Ísis, ela prepara, durante alguns dias, uma trégua repleta de satisfação de prazeres para seu amado Osíris, antes de matá-lo e iniciar o cinzento período de recolhimento. Esse mito está associado à semeadura e germinação dos campos.
De modo semelhante, a Grécia articulou sua mitologia em torno da figura de Dioniso, cuja reconstituição mais célebre está em "As Bacantes", peça de Eurípides. Nela, o deus se traveste de mulher para atrair as mulheres do vilarejo e iniciar seu festim celebratório. Penteu, o rei, enciumado do poder daquele estrangeiro na cidade, igualmente veste-se de mulher para aproximar-se do local sagrado, mas é interceptado pelas mulheres enlouquecidas, que o esquartejam vivo. Agave, mãe do soberano, é quem dá a última fala do texto, segurando a cabeça decepada do filho desafiador dos mistérios do deus da vegetação.
Nesse rito de morte e ressurreição, encontram-se os principais traços também presentes nas saturnais, festas romanas nas quais Saturno presidia a inversão das condições da vida cotidiana. Nos quatro dias, os senhores serviam os escravos, os papéis sociais eram intercambiados. Com o tempo chegaram às transgressões mais rudes, incluindo a moral e a sexual. As saturnais tornaram-se obscenas e começaram a confundir-se com as bacanais e lupercais, conformando um tríduo presidido por Momo, o permissivo deus comilão das macaqueações. É a razão pela qual a festa passa a ter o sentido de "lavar a carne", carnum lavare, origem da palavra assumida em português (alguns autores defendem a etimologia carnelevamem, "adeus à carne").
No período cristão, tais festas foram as mais renitentes em serem controladas pelo poder eclesiástico. Era difícil conter o ímpeto do povo, não apenas acostumado aos ritos, mas especialmente com a transgressividade que ensejavam, evidenciando corresponderem a necessidades humanas básicas. Ligadas, como se sabe, à dramatização da imaginação do indivíduo, seu imaginário.
Transfiguradas e associadas com outros mitos e ritos locais, diversas festas medievais mantinham vivas estas tradições, origem das oposições entre o sagrado e o profano. Nos primórdios do teatro medieval estão as representações na própria missa. Aos poucos, vão crescendo em importância, até assumirem feição própria, demandando espaços e agregadas aos ciclos do Natal e da Páscoa.
Do interior dos templos para os adros foi um pulo, uma vez que inúmeras corporações delas se encarregavam, acirrando a disputa entre as melhores produções. O aparecimento de elementos cômicos nestes eventos foi tolerado como concessão à maior conquista de fiéis. Por outro lado, a festa de São Vito comportava, desde há muito, algazarras e travessuras por parte dos padres, fornecendo o clima para a desagregação sacra da celebração.
As festas de loucos e a do rei dos feijões, assim como a dos inocentes e bufões, mantinham presentes as tradições transgressivas advindas da antigüidade. Tais influxos estão na origem das farsas, peças cômicas populares muito freqüentes no medievo. Em todas elas é notória a inversão dos papéis e das hierarquias.
O triunfo definitivo do Carnaval, entretanto, ocorre no século 15, por iniciativa papal. Mandando adornar a Via-láctea com guirlandas de flores e tochas de fogo, o papa Paulo 2o criou o espaço cenográfico para que danças de anões e corcundas, corridas, desafios e jogos entre a população permitissem um período lúdico antes de decretar a Quaresma. O costume rapidamente espalhou-se pela Europa. O que levou Maquiavel a recomendar aos príncipes que desejassem garantir o poder, permitir livremente as festas e espetáculos. Papas posteriores só fizeram aumentar a importância do evento, no qual padres e freiras compareciam mascarados.
Com a austeridade da Contra-reforma, uma mudança nesses festejos profanizados e truculentos ocorre, intensificando o contraste entre o Carnaval e as Cinzas. O luto, a morte, os esqueletos começam a substituir os emblemas associados à comilança, desregramento e sensualidade anteriores, tornando mais nítida a distinção entre o tempo alegre e o triste.


Manifestações
regionais compõem o mosaico

Segundo Gilberto Freyre, o Carnaval brasileiro deve ser investigado em suas manifestações regionais, para que possa ser mais bem compreendido, pois são grandes suas variações. A historiadora Olga von Simson, contudo, distingue três fases nessa evolução: da colônia até 1850, quando foram introduzidos no País os costumes lusitanos e africanos, com suas amplas intersecções culturais; entre 1850 e 1920, conhecemos uma adaptação do Carnaval de Veneza e do lisboeta, quando foi "domesticado" para ambientes abertos e fechados, comportando bailes e corsos; dos anos 20 até hoje, quando os modelos desenvolvidos no Rio de Janeiro se impõem ao resto do Brasil, propiciando uma fusão com os elementos percebidos nas origens.
As arruaças, que comportam violência e pornografia, derivam dos entrudos, quando se borrifava pessoas com líquidos, jogavam-se frutas e confete uns nos outros; os desfiles das escolas de samba provêm dos ranchos, típicos cortejos de negros que fundiram ingredientes africanos com ocidentais, baseados nas procissões.
O desfile de uma escola de samba corresponde à grandiosidade da ópera, abrindo ambas espaço para os solistas e para o coro, os destaques e as alas. O enredo fornece o tema ou assunto, unificando o conjunto, organizado segundo as necessidades da narração. A imaginação se incumbe de alargar seus subtemas ou sugestões, estimulando a imaginação, que deve girar em torno de um assunto nacional. A música é considerada enquanto execução (bateria e canto) e soluções poéticas (melodia e letra), e dentre os elementos visuais são marcantes as alegorias (objetos, carros e enfeites) e os figurinos (as fantasias, a indumentária das alas).

ELEMENTOS

A comissão de frente apresenta a escola, enquanto o mestre-sala e a porta-bandeira, cobertos de luxo e gentilezas, buscam conquistar a simpatia do público para a agremiação. Harmonia e evolução (graça dos movimentos, dança e marcações de conjunto) conferem relevo e exploram ao máximo todos os ingredientes.
Estes elementos são planejados por um carnavalesco que, funcionando como um encenador, responsabiliza-se pela unidade do desfile. Verdadeiro teatro aberto, criativo e popular, os desfiles propiciam ao público sua cota anual de livre trânsito pelo imaginário, seja como participante do cortejo, seja nas arquibancadas, afetivamente ligado no clima da festa.
Embora poucas peças brasileiras retratem o Carnaval, talvez pela sua complexidade estrutural e numérica, ele surge aqui e ali. Em "A Falecida", de Nelson Rodrigues, ele é o pano de fundo para a doença da protagonista. Em "O Poeta da Vila e seus Amores", Plínio Marcos enfoca a vida de Noel Rosa, abrindo espaço para uma cena de folia. Em "Chiquinha Gonzaga", Maria Adelaide Amaral presta uma homenagem à grande compositora que, entre outros sucessos, compôs muitas marchinhas imortalizadas no tríduo momesco. "Dr. Getúlio, sua Vida e sua Glória", de Dias Gomes e Ferreira Gullar, assim como "Rei Momo", de César Vieira, enfocam os bastidores de uma escola de samba, salientando as disputas internas de poder.
Mas é como dramatização individual, sobretudo, ao viver nas ruas e praças suas diversas máscaras, que o brasileiro encontra no Carnaval o ápice deste ritual, num jogo cômico e sério, sacro e profano, terrestre e cósmico. (EM)

Edélcio Mostaço, crítico de teatro


Festival de Dança 2004
abre inscrições no dia 1º

Maior encontro do gênero no Brasil ocorre em julho

Joinville - Abrem na próxima segunda-feira, dia 1o de março, as inscrições à 22a edição do Festival de Dança de Joinville. Os grupos que desejam participar do maior encontro do gênero no País têm até o dia 30 de abril para enviar a documentação necessária e fita com a gravação da coreografia para a mostra competitiva ao Instituto Festival de Dança de Joinville. A seleção ocorre entre 14 e 20 de maio, sendo que para os grupos de Joinville o processo é diferente. Em uma data determinada (ainda a ser definida), os candidatos se apresentarão para a comissão julgadora.
O dia 30 de abril também é a data limite para as inscrições ao 5o Festival Meia-ponta (destinado aos bailarinos da categoria infantil), e a 4a Mostra de Dança Contemporânea (com apresentação de grupos profissionais) e dos Palcos Alternativos (realizados em fábricas, shopping centers, praças e outros espaços públicos da cidade), eventos que são realizados paralelamente ao festival.
Para quem pensa em atualização, já é tempo de selecionar os cursos e oficinas que deseja fazer paralelamente ao evento. Eles ocorrem de 23 a 25 e 27 a 30 de julho. Este ano, 19 cursos e duas oficinas oferecem mais de 1,5 mil vagas para bailarinos e estudantes de dança. Além das opções tradicionais, volta a fazer parte da grade de programação o curso de pilates, com o professor Bergson Queiroz.
A aula de dança contemporânea para professores, ministrada pela professora Ester Wetizmann, será desmembrada em duas partes, sendo a primeira de técnicas da dança contemporânea e, a segunda, de concepção coreográfica para este gênero artístico. Uma das novidades do Festival 2004 é o surgimento de um espaço literário, reunindo autores em tardes de autógrafos e lançamentos voltados ao segmento.

O QUÊ: INSCRIÇÕES AO 22º FESTIVAL DE DANÇA DE JOINVILLE. QUANDO: De 1º de março a 30 de abril. ONDE: Instituto Festival de Dança de Joinville, www.festivaldedanca.com.br ou tel.: (47) 423-1010.

Programação

22º Festival de Dança de Joinville e eventos paralelos

Mostra principal
21 a 31 de julho de 2003
Centreventos Cau Hansen
20 horas (noites especiais), e 19 horas (competitivas)

5º Festival Meia-Ponta
28 a 30 de julho
Teatro Juarez Machado, anexo ao
Centreventos Cau Hansen
15 horas

4ª Mostra de Dança Contemporânea
22 a 25 de julho
Teatro Juarez Machado, anexo ao
Centreventos Cau Hansen
22 horas

Programação didática
23 a 30 de julho
Casa da Cultura, Cidadela Cultural Antarctica e
outros locais
9 às 16h30

Feira da Sapatilha
21 a 31 de julho
Expocentro Edmundo Doubrawa -
Centreventos Cau Hansen
9 às 22 horas

Cursos e oficinas
23 a 30 de julho


Debate

Temas sociais
pautam colóquio na Uniplac

Florianópolis - Para aproximar o curso de serviço social da Universidade do Planalto Catarinense (Uniplac) com entidades, órgãos de classe e comunidade da região serrana, está programado para amanhã colóquio sobre conceito de Estado e sociedade civil. O evento ocorre no salão de atos, com a participação especial do professor Domingos Rodrigues, que abordará o tema em questão.
Foram convidados todos os 18 prefeitos da serra catarinense, representantes dos conselhos de direito: segurança alimentar, assistência social, criança e adolescente, idoso e de saúde, o núcleo de Profissionais de Serviço Social da Região Serrana, comunidade acadêmica e externa.
A coordenadora do curso, professora Adriana Zanqueta Wilbert, destaca a importância do evento, "quando o curso estará desenvolvendo um espaço de reflexão e debate sobre o tema, de modo a apresentar a discussão do cotidiano profissional do assistente social."

O QUÊ: COLÓQUIO SOBRE CONCEITO DE ESTADO E SOCIEDADE CIVIL. QUANDO: Amanhã, 19h. ONDE: Salão de Atos da Uniplac, av. Castelo Branco, 170, bairro Universitário, Lages, tel.: (49) 251-1022, Lages. QUANTO: Gratuito.


Prêmio de
literatura distribui R$ 150 mil

Florianópolis - O Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira deste ano irá eleger, em novembro, as três melhores obras de criação literária (romance, conto, poesia e teatro) publicadas em 2003. Os livros precisam ser escritos em língua portuguesa e por autores brasileiros. As premiações são de R$ 100 mil, R$ 30 mil e R$ 20 mil, para o primeiro, segundo e terceiro lugares, repectivamente.
O objetivo do prêmio é promover um impacto significativo na cultura brasileira. Este ano, a lista do júri do concurso conta com 600 nomes, entre críticos literários e professores universitários de todo o Brasil. Em Santa Catarina, a relação traz referências como Alcides Buss, Fábio Brüggemann e a editora do Anexo, Néri Pedroso. Cada um desses 600 nomes indicará as cinco melhores criações literárias de 2003.
Feita a seleção, cada um dos membros desse júri indicará em seis nomes do grupo para formação do júri nacional, que contará com os 15 mais votados. Depois, será formado o júri final - com cinco membros da comissão artística fixa e mais cinco do júri nacional -, que vai eleger as três melhores obras de 2003.
Os grandes vencedores em 2003, com obras publicadas no ano de 2002, foram Dalton Trevisan ("Pico na Veia") e Bernardo Carvalho ("Nove Noites"). O contista e o romancista dividiram o primeiro prêmio de R$ 100 mil. Os poetas Sebastião Uchôa Leite ("A Regra Secreta") e Mario Chamie ("Horizonte de Esgrimas") ficaram em segundo e terceiro lugar, respectivamente.


Crônica

Eduardo Socha - Especial para A Notícia

Influências

Que o ato criativo, seja ele de qualquer natureza, decorre de um grande complexo de influências, é coisa evidente. Ou, pelo menos, deveria. Alguns julgam tirar quase tudo da própria cartola de idéias e apostam em originalidade absoluta. Iludem-se (saqueando, inconscientes, a cartola do outro) ou tiram só poeiras (caindo em vazias pretensões).
Tudo se constrói sobre o anterior. Existem trechos de "O Som e a Fúria", de Faulkner que, segundo Ernesto Sábato, parecem um claro arremedo de "Ulisses", de Joyce. Não há pecado nisso. Apoteose da literatura alemã, Goethe sempre declarava "eu vivo de empréstimos", e não se referia à conta no boteco.
Mas fiquemos na música. Em específico, na brasileira. Mesmo a potente verve criadora de Villa-Lobos, cânone indiscutível da nossa composição, foi lá e colou descaradamente do vizinho. A frase musical trabalhada no Prelúdio das "Bachianas no 4" é idêntica (nota por nota, incluindo valor rítmico) à da "Oferenda Musical" de Bach, e o resultado não soa pastiche.
Pode-se dizer que a genialidade criativa de um Villa-Lobos repousa na justa dosagem de largas influências, que neste caso iam de Bach ao canto da araponga, passando pelo choro carioca e pelo maxixe "esquenta-muié". Criar é saber sintetizar influências.
Uma curiosa pesquisa do departamento de física teórica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) investigou, recentemente, o emaranhado de influências na música brasileira, sob o prisma conceitual dos networks e complex systems, palavrões da física estatística. Publicada no início do mês, utilizou uma base de mais de 5 mil compositores nacionais e verificou que o nível de conectividade entre eles raramente ultrapassa dois graus de separação.
O que, em tupi, significa uma forte proximidade e mistura de estilos em nosso meio musical. Assim, Villa-Lobos e o compositor Nelson Ned estariam distantes apenas por dois graus, atráves de intérpretes que os gravaram - Agnaldo Timóteo cantou músicas de Nelson Ned e Antônio Marcos; Maria Bethânia gravou Villa-Lobos e também Antônio Marcos, que foi portanto a "ponte" entre Ned e Villa.
Se a análise tem sua graça científica, deve-se naturalmente questionar sua validade estética. Afinal, a frieza estatística costuma encobrir inúmeros aspectos da complexidade humana. Seguindo o critério da pesquisa, seria fácil, por exemplo, ligar Chiquinha Gonzaga ao Grupo Akhbad (!), do Turcomenistão(!!), através de apenas um salto - os dois aparecem num mesmo disco da Orquestra Popular de Câmara. Entretanto, bem se sabe que o mundo musical é rocambolesco demais para ser enquadrado em saltos.
De todo modo, o estudo revela um dado interessante sobre os compositores mais "conectados". No topo, paira o maestro Tom Jobim, um desses felizes assombros que a humanidade acolhe vez por outra, canalizador de influências criando sobre métodos de Debussy e lamentos de Noel Rosa.
Na linguagem estatística das networks, Tom Jobim é considerado um ponto de "ligação preferencial" - mais e mais intépretes desejam gravá-lo. Na linguagem dos homens, não houve quem pudesse dar definição - os empréstimos da sua cartola são incalculáveis.

Eduardo Socha, engenheiro e estudante de filosofia.


Múltiplas

Artes Plásticas
O Indicador Catarinense de Artes Plásticas inicia as pesquisas para o 3o volume, com a inclusão de novos artistas catarinenses. Para a publicação da obra, os interessados devem preencher a ficha disponível no Museu de Arte de Santa Catarina (Masc), com comentários críticos, catálogos, notas e fotos. O prazo para o preenchimento é final de abril. De acordo com o que foi estipulado para a elaboração do Indicador 1 e 2, publicado em 1988 e 2001, somente artistas que participaram de, no mínimo, uma exposição individual em espaço nobre - exceção de bares, restaurantes, hotéis e congêneres - podem participar.

Oficina
Abre amanhã o período de inscrições para os Cursos e Oficinas Livres de Arte oferecidas semestralmente ao público pelo departamento artístico cultural (DAC) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis. O início das atividades é previsto para dia 8 de março. Ao todo, são oferecidas 415 vagas distribuídas em 26 cursos e oficinas como artes plásticas, teatro, com oficina para adulto e adolescentes (foto) e música. Os novos cursos para este semestre são história em quadrinhos, cantos da memória, oratória, guitarra preliminar, grupo de violões e mind games, jogo de alfabetização estético visual.

Fotografia
O fotógrafo Gal Oppido ministra oficina de fotografia voltada para realizações de grandes espetáculos durante a preview de verão do Joinville Jazz Festival, em Joinville. A oficina será realizada nos dias 2, 3 e 4 de março, com carga horária diária de três horas. As inscrições podem ser feitas na Fundação Cultural de Joinville, tel.: (47) 433-2190. R$ 50,00/R$ 30,00 (estudantes).


Foto: Pena Filho

Zoeira num
mar de calmaria

Com rock retrô de ataque garageiro, banda Lopez quebra monotonia noturna dos sábados em Araquari

Rubens Herbst

Joinville - Se você procurar no dicionário a definição de "tranqüilidade", corre o risco de encontrar a foto do centro de Araquari ao lado do verbete. Uma tranqüilidade que não é interrompida nem no sábado à noite - poucos bares para poucos clientes, fiéis voltando, a pé ou de bicicleta, da missa, um automóvel passando a cada 15 minutos. No entanto, afiando bem os ouvidos, um som áspero de guitarras e batidas pode ser percebido em meio ao ruído dos grilos. É o Lopez, quebrando a monotonia dos adolescentes locais, loucos por um pouco de festa, cerveja e rock'n'roll.
É fácil descobrir como o rock se infiltra numa cidade como Araquari. Historicamente, a falta do que fazer - seja numa metrópole, seja numa vila - e meia dúzia de discos induzem jovens entediados a pegar em instrumentos e começar a fazer música. Com o Lopez foi mais ou menos assim. Robson (guitarra e vocal) e Helliot Jr. (bateria) tocam juntos há cerca de sete anos, sempre acompanhados por um baixista diferente - o último deles até foi mandado para o Japão pelo pai, cansado da "vadiagem" do rebento. A cada novo integrante, uma troca de nome. No repertório, influências do "som de Seattle", leia-se Nirvana e Pearl Jam.
Mas alguma coisa aconteceu quando a dupla percebeu o quão magníficos são Beatles, Who, Small Faces e, principalmente, Kinks. Com a descoberta do rock dos anos 60, Robson resolveu dispensar a distorção. "Quando o meu pedal estragou é que descobri que é mais legal tocar sem distorção", conta o guitarrista.
A mudança definitiva veio no início do ano passado. Às vésperas de participarem do Maracujá Rock Festival, eles precisavam desesperadamente de alguém para as quatro cordas. Foram até a casa do colega Daniel - que, para variar, estava no boteco -, e, desolados, decidiram: "O primeiro cara que encontrarmos vamos convidar para tocar", conta Helliot. Cruzando a esquina vinha Keit, namorada do baterista, que só precisou de umas poucas aulas para se tornar íntima do instrumento. A história, garante o trio, é tão verdadeira quanto o batismo que veio a seguir: Lopez. A origem do nome, porém, é longa demais para ser contada aqui, o que também não importa.
O fato é que novas composições começaram a tomar forma, juntando as influências sixties com a aspereza do novo rock americano de White Stripes, Strokes, Mooney Suzuki e Yeah Yeah Yeahs. Uma demo foi gravada, mas logo renegada pelo trio. Algumas semanas depois, a banda pôde voltar ao estúdio e registrou as mesmas faixas, só que usando o português. "Nós queríamos soar mais sinceros, e para algumas pessoas menos favorecidas entenderem o sentido do nosso som", explica Helliot.
O CD-demo traz cinco boas faixas, com destaque para "Coleção" e "Nem que te Roubem", mas nem de longe mostram o que é o Lopez ao vivo. No palco, a base garageira ganha mais pronúncia, urgência, graças a performance alucinada de Helliot e os riffs economicamente sujos que Robson tira de sua guitarra asseada. Segundo ele, "a gente gosta do disco, mas em cima dessas músicas começamos a fazer outras paradas". Assim, algumas canções ganharam novos arranjos, e outras foram limadas do repertório, abrindo espaço para a dominação da bendita tosqueira.
Loucos para gravar de novo, os três seguem tentando encaixar seu rock retrô entre bandas de apelo pop e grupos punk/hardcore. Ociosos eles não estão. Quase que semanalmente, um misto de show e ensaio, regado a cerveja e decibéis, se desenrola numa chácara às margens da SC-280. Na platéia, chapas de outras bandas, como Reino Fungi, Os Depira, Karadura e Sylver Dale (guarde este nome!). Enquanto Araquari dorme, a turma consome diversão.


Nico canta a dor
dos corações adolescentes

Florianópolis - Desde criança Nico Bennati foi cercado pela música. O pai ouvia Roberto Carlos, a mãe, Cazuza e Beatles. O interesse aumentou e ele passou a fazer aulas de piano, violão e canto. Aos 17 anos, gravou o primeiro CD independente, "Isto É Namorado", que divulgou no interior de São Paulo e Minas Gerais. O sucesso veio logo e em maio do ano passado foi contratado pela Qi Musics. Agora, um ano mais velho, lança o novo CD, que leva o seu nome no título.
Nico e o produtor Marcelo Sorte escolheram o repertório repleto de músicas que falam de amor e dor de cotovelo. A primeira música. "Eu te Quero", já dá uma idéia do que vem nas próximas faixas: "Baby eu te quero, baby eu te amo, não sei porquê, pisei na bola com você..." "No se como Decirte Adios" ganhou versão também em português e segue no ritmo choroso: "Não sei como te dizer adeus, como terminar a relação, como provar, que não traí seu coração..."
A série de 12 canções do trabalho fecha com "Eu me Apaixonei", cujo refrão diz: "eu me apaixonei, baby agora eu sei, o que eu mais quero é ser feliz com você, tudo o que eu sonhei, hoje eu encontrei..." "Exagerado", de Leni e Cazuza, é uma pérola rara no meio do oceano de tantos amores e lamentos. No entanto, com um arranjo pobre e interpretação melosa, ela entra no ritmo das outras faixas.
O cantor diz que uma separação recente pode ter motivado na escolha das músicas. "Ela me deixou, mas só percebi o que tinha escolhido quando entrei no estúdio para gravar", revela. Nico vem ao Estado em março para divulgar o CD e apresentações.


Jorge Aragão

Sambista dá voz à tradição

WLADIMIR SOARES
Especial para A NOTÍCIA

Florianópolis - A boa música popular brasileira continua resistindo bravamente às intempéries das modas sonoras. Quando se pensava que a proliferação insuportável de grupos de pagode de quinta categoria estivesse matando o samba, eis que surge o surpreendente Zeca Pagodinho revitalizando as raízes e recuperando a dignidade do samba. O melhor de tudo é que, agora, ele não está mais sozinho na luta pela recuperação do mais exemplar ritmo brasileiro. Com o lançamento do seu excelente CD "Da Noite pro Dia" (Indie Records), Jorge Aragão inscreve seu nome no panteão dos artistas que não deixam o samba morrer.
Oriundo do grupo Fundo de Quintal, Aragão aprendeu muito com Martinho da Vila e, neste momento de intensa maturidade e criatividade, oferece ao público um trabalho digno de figurar entre os melhores lançamentos do ano, mesmo levando-se em consideração que o ano está apenas começando. E, neste CD, ele exibe seus múltiplos talentos, como cantor, compositor, instrumentista e arranjador.
Entretanto, afirmar que "Da Noite Pro Dia" é um disco de samba significa diminuir a intensidade rítmica de seu conteúdo. A base é o samba e, em cima dela o músico desenvolve uma linguagem moderna, anexando sons inesperados (e belíssimos) sem, com isso, pretender fazer fusões rítmicas ou inventar novos ritmos. Ele apenas aproveita seus conhecimentos musicais para aprimorar e requintar sua sonoridade.

ARRANJOS

Nesse sentido, a melhor faixa do disco acaba sendo a composição de Sombra e Aldir Blanc muito convenientemente batizada de "Vale a Pena Ouvir o Novo", em que os instrumentos de sopro praticamente criam um refrão que é mais importante do que as palavras. Se o arranjo dessa canção é surpreendente, o restante não fica desprotegido. As outras 15 também oferecem delícias sonoras que transformam sua audição numa grata obrigatoriedade. Além disso, Aragão tem a oferecer uma voz impressionante, tão grave quanto a de Dori Caymmi, e com uma limpidez ímpar.
O repertório foi montado com uma evidente dose de humor e parece que Jorge Aragão resolveu brincar com as expectativas do ouvinte. Para separar uma enfiada de samba de uma outra seqüência, ele coloca músicas inesperadas, porém, justificadas. Acreditem, a inclusão de uma saborosa versão, feita por ele mesmo, para o clássico americano que é "Can't Take my Eyes off You" revela uma coerência musical irreprovável no seu andamento bem bossanovístico. A abertura do conhecido samba de Paulo Vanzolim, "Volta por Cima", ganhou arranjo de violoncelo que reforça o original, transformando-o num clássico cativante. Jorge demonstra que, assim, tem um olho no passado sem desgrudar da realidade atual e coloca uma boa pitada de funk em "Dobradinha Light", composição dele mesmo que valoriza ainda mais o conteúdo do disco.
Com este CD, que tem o samba como base, Jorge Aragão exibe virtudes suficientes para torná-lo um cantor "cult", na tradição proposta pelo canadense Leonard Cohen. A sofisticação de seus arranjos desemboca numa música extremamente descomplicada que soa muito prazeirosa aos ouvidos. É por isso que cabe, num disco como este, a música "O Iraque é Aqui", um oportuno poema sobre a violência gerada por quem exerce o poder. Jorge Aragão escreveu a música e faz dela uma demonstração de protesto bem ao estilo dos cantores que já conseguiram o status de cult. Agora, com este "Da Noite pro Dia" chegou a vez dele ocupar o posto.


Discoteca

Quintal do Semba Ao Vivo (Maianga Discos) - Uma imperdível oportunidade de se conhecer um pouco da música que se faz em Angola, este CD é o registro de um show que traz os principais intérpretes e compositores do semba, o ritmo da unificação daquele país. Parece samba, mas tem mais a ver com ritmos cubanos na sua sonoridade. Os intérpretes cantam em português e em quimbundo e prestam homenagem a compositores brasileiros ao juntarem, na faixa "Rapsódia Brasileira", trechos de músicas de Djavan, Nei Lopes, Wilson Moreira e Caetano Veloso. (Wladimir Soares)

Tocando em Frente - Xara (Independente) - Disco de estréia do cantor e compositor José Ricardo Machry, que adotou o nome artístico de Xara. A música que dá nome ao CD é uma composição de Almir Sater e Renato Teixeira e, parece que sua inclusão no disco é forma de demonstrar que Xara está para a música regional gaúcha como esses dois autores estão para a música que se faz em São Paulo e Mato Grosso. Voz, para tanto, Xara tem e sabe soltá-la em canções como "Tempo Guapo", "Um Vistaço na Tropa", "Serrana Morena", "Iguaria Campeira" ou "Eu Sou do Sul". (WS)

Dedication - Richard Powell (Independente) - O gaúcho Richard Powell é um ágil guitarrista que não se dedica à música dos pampas. Seu negócio mesmo é o velho rock and roll das bandas pesadas, presente nas 11 faixas do disco. As composições são dele, algumas em parceria com Gustavo Blank, Silvio Lima e Alexandre Hoehr. Quando ganham letra, as músicas são cantadas em português por Lima. Os títulos soam estranhos: "Grafton House", "Mayflower Road", "Himalaia", "Remember Japan" e "Lulu Sleep's like an Angel". (WS)

Música Própria Brasileira - Casca de Nós (Independente) - O quarteto curitibano revela seu estilo ao dedicar o disco ao dissolvido Os Mulheres Negras, que fizeram a fama de André Abujamra e Maurício Pereira na cena underground paulistana no início dos anos 90. O disco tem apenas seis faixas e revela o talento das letras de Estrela Leminski e das musicas de Téo Ruiz. Em "Samba Sambô", eles exibem este vibrante e observador estribilho: "Hoje em dia ninguém mais se espanta/é no morro que morre o samba". (WS)


Boa parte das novidades literárias chega ao mercado nas feiras de livros
Foto: James Tavares

Previsão otimista

Editoras catarinenses preparam série de lançamentos que devem fazer deste um ano melhor do que 2003

Deluana Buss

Florianópolis - O ano promete ter uma boa safra de livros saídos das editoras catarinenses. Depois de amargar um 2003 que vendeu, no Brasil, 20% a menos do que em 2002, os editores e livreiros agora têm a esperança de que as coisas melhorem. "O ano passado foi atípico, com mudanças de políticas governamentais, e todos as áreas acabaram afetadas. Agora, existe a expectativa generalizada de que retornaremos pelo menos ao patamar anterior", avalia o presidente da Câmara Catarinense do Livro (CCL), Nelson Rolim de Moura.
Rolim aponta a comercialização antecipada de todos os 120 estandes disponibilizados para a Feira de Rua do Livro de Florianópolis, que ocorre entre os dias 5 e 15 de maio, como um bom termômetro. O editor, que comanda a Editora Insular - que mantém uma média de 50 lançamentos anuais -, já está com uma série de novos livros previstos para chegarem ao mercado. No primeiro semestre, devem se destacar "Assassinatos Políticos", de Aimberê Araken Machado, reconstituição histórica dos acontecimentos que vitimaram Che Guevara, Lincoln, Henrique 4o, Garcia Lorca, Julio Cesar, entre outros; "Teoria do Jornalismo", do português Nelson Traquina, e "Cruzadas Contra as Ciências", no qual o autor Orlando Tambosi faz uma análise dos ataques sofridos, por exemplo, por novidades como a clonagem.
Para o segundo semestre, Rolim antecipa "História de Florianópolis", do historiador Carlos Humberto Corrêa, numa edição com ilustrações em grande parte inéditas. "É um trabalho de vulto, o mais completo já feito sobre o assunto", diz o editor. Também com previsão de lançamento de 50 títulos durante o ano, a Editora da Universidade Federal de Santa Catarina (Edufsc) está preparando um novo livro de poemas de Júlio de Queiroz, que se chamará "Sementes do Tempo". Vai lançar, já em março, "Leituras do Hipertexto - Viagem ao Dicionário Kazar", de Raquel Wandelli, uma referência à obra do iugoslavo Milrad Pávitch, numa coedição com a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo (Ioesp). Para outubro, está previsto "A História da Política em Santa Catarina durante o Império", de Oswaldo Rodrigues Cabral, recuperado e finalizado por sua sobrinha, Sara Regina Poyares dos Reis. Dividida em quatro volumes e totalizando 2,3 mil páginas, com material inédito, a obra será coeditada com a Assembléia Legislativa.

FILOSOFIA

Na Editora Letras Contemporâneas, que no ano passado colocou 16 novos livros no mercado, os destaques para os próximos meses são "A Formação Humana na Modernidade", obra de filosofia de Anita Bacellar, em coedição com a Editora da Unisul, e "Planificando a Comunicação", do português Jorge Pedro Souza. Para o final de abril, está previsto um livro de depoimentos de 14 escritores catarinenses, de autoria de Fábio Brüggemann, reponsável pela editora. "Neste ano, vamos investir mais em reedições", diz Fábio, anunciando novas rodadas de "Crimes Contra a Ordem Tributária", de Pedro Roberto Decomain; "Educação ou Adestramento Ambiental?", de Paula Brügger, e "História de Santa Catarina", organizado por Ana Brancher.
Com seis volumes publicados em 2003, a Editora Garapuvu deverá lançar, até o final de abril, os livros "Identidade Literária Catarinense", "uma seleção de textos de escritores do Estado com organização de Mário Pereira, que também deverá lançar uma obra de contos pela editora", segundo seu proprietário, Francisco Pereira. Também estão previstos "Contos de Outono", de Zenilda Nunes Lins, e "Retalhos Poéticos", de Hélio dos Santos.
Comandada pela professora Zahidé Muzart, a Editora Mulheres lança em média seis livros por semestre. Entre os próximos programados, está o romance "Úrsula", da maranhense Maria Firmina dos Reis (1825-1917), editado pela primeira vez em 1859, e que é considerado o primeiro romance brasileiro anti-escravagista e também o primeiro escrito por uma mulher. A própria Zahidé estará lançando, como organizadora, a obra "Escritoras Brasileiras do Século 19 - Volume 2". Outros livros previstos são "Pilares Narrativos: a Construção do Eu e da Nação na Prosa de Oito Romancistas Brasileiras", de Débora Ferreira, e "Uma Parisiense no Brasil", de Mme. Toussaint-Samson, com tradução de Paula Berinson.

POESIA

Voltada para o mercado de livros produzidos artesanalmente, atualmente a Editora Noa Noa tem programado para este ano apenas o lançamento de "Armadura, Espada, Cavalo e Fé - Novos Fragmentos", com poemas inéditos de Cléber Teixeira, que comanda a empresa.
Sediada em Joinville, a Editora Letradágua, que lança em média 40 títulos por ano, tem novos livros saindo já em março. Um deles é a terceira edição, atualizada e ampliada, do "Grito das Águas", do paulista Leonardo Moreli, que fala sobre a situação da água no País. "Também estamos preparando o catálogo do Museu Nacional do Mar, em São Francisco do Sul. Todo o acervo estará nesse trabalho, que terá textos em português, inglês e francês", adianta o editor Joel Gehlen.


Concretismo
ganha edição artesanal

Florianópolis - Produzidos artesanalmente, com papel fabricado pelos detentos da Penitenciária Estadual de Florianópolis, os 400 exemplares do livro de poesias "Ruído Branco", de Cláudio Trindade, já estão no mercado. Numerado, o lote sai em edição particular do autor, que fez essa opção para dar caráter totalmente artesanal ao produto. "Nem cheguei a procurar editoras. Gosto desse processo gráfico", diz.
O livro foi sendo composto em linotipo e impresso em máquina manual, numa tipografia de Santo Amaro da Imperatriz. A capa e a folha de apresentação, assinada por Sérgio Medeiros, professor de teoria literária da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), foram feitos em papel reciclado com fibras de cana-de-açúcar, produzido à mão pelo Instituto da Terra, que atua com os presos da Capital.
O cuidado com a forma do livro tem justificativa. Trindade, de 36 anos, formado em letras pela UFSC, onde fez seu trabalho de conclusão de curso sobre poesia concreta, é também designer gráfico, profissão de onde tira seu sustento. Seu trabalho de estréia, "Poesia Outro Dia", foi lançado há dez anos, pela Editora Massaohno. Havia dois anos, vinha trabalhando em "Ruído Branco", no qual usa versos curtos e explora espaçamentos, quebra de palavras e pontuação.
"Às vezes, uma palavra remete a vários significados", explica Trindade. Assim, no poema que fala sobre neve, os pontos podem significar flocos, e noutro, que fala sobre ruído,s os parênteses remetem a orelhas. Em outro, é a própria palavra "desfez-se" que se desmonta.

"Ruído Branco", de Cláudio Trindade, edição do autor, R$ 28,00. À venda na Livraria Livros e Livros, em Florianópolis, ou via
e-mail (ruido.branco@bol.com.br).


Estante

"Guia Sesc Brasil 2004" - Após publicar "Sesc em Férias", o Serviço Social do Comércio (Sesc) lança um guia que descreve a estrutura física e as atividades de suas unidades em todo o País. A publicação traz dicas de compras e restaurantes, mais as atrações turísticas das cidades com sedes da entidade. Além de informações sobre a rede hoteleira, o guia atenta para opções de lazer com preços acessíveis em teatros, museus, passeios e eventos regionais . 258 páginas, R$ 8,00 (preço de lançamento).

"Nó na Garganta" - Mirna Pinsky, ilustrações de Andréa Ramos, Atual Editora. Tânia é uma menina negra de dez anos, cujos pais decidem trocar a vida difícil da cidade grande para se tornarem caseiros no litoral, onde a garota enfrenta o preconceito e o desrespeito e passa a questionar tal desigualdade, que tem a conivência de adultos. O relançamento da obra - que já vendeu mais de 200 mil exemplares e está em sua 49a edição - marca a estréia da nova coleção "Entre Linhas". 88 páginas, R$ 18,00.

"Bilhetinhos" - Júlio Emílio Braz, ilustrações de Daisy Startari, Editora Saraiva. Modernidade e decadência da estrutura familiar. Os dois temas estão ligados na obra do escritor mineiro. O enredo trata da história de Tatiana, uma menina angustiada pelo imenso espaço de seu quarto, preenchido por brinquedos, e pelo vazio de igual tamanho no coração. A obra traz à tona uma sutil discussão sobre a vida moderna, em que pais trabalham muito e não têm tempo para atender aos filhos. 48 páginas, R$ 16,00.

"As Aventuras do Marujo Verde" - Gláucia Lemos, ilustrações de Luigi Rocco, Atual Editora. Alberto Pena era um viajante contumaz. Porém, em suas viagens, nunca descia do navio. Detalhe: Alberto Pena é um papagaio. Vítima de um naufrágio, ele consegue amparo nas costas da baleia Valderez e os dois partem para uma aventura de muitos perigos e descobertas pelas ilhas dos oceanos Pacífico e Índico. Na primeira viagem de verdade, ele convive com outras culturas e plantas e animais exóticos. 48 páginas, R$ 17,00.

Manchetes AN

 Das últimas edições de Anexo
23/02 - Mundos de mentirinha
22/02 - A guerra dos tamborins
21/02 - Atitude à tiracolo
20/02 - Peixes grandes
19/02 - Elke Hering Contemporânea sempre
18/02 - Agenda lotada
17/02 - Imagens de ação e emoção

Leia também

REALEZA

Luiza Brunet deu dicas sobre o comportamento das madrinhas
Foto: Wilton Junior/AE

EXPERIÊNCIA

Veterana na Marquês de Sapucaí, Luiza Brunet desfilou, pelo nono ano consecutivo, como madrinha de bateria da Imperatriz Leopoldinense. A ex-modelo e empresária deu algumas dicas para "novatas" no posto, como as atrizes Juliana Paes e Deborah Secco, rainhas da Viradouro e Grande Rio, respectivamente. "A madrinha está ali para enfeitar a escola e não para atrapalhar a evolução do mestre-sala e da porta-bandeira. Também tem de estar sempre atenta às marcações do mestre de bateria."

Destaque oriental
Daniele Suzuki, que vive a Miyuky em "Malhação", desfilou como destaque de carro alegórico. Ela saiu no carro abre-alas da Unidos da Tijuca, no Rio. Daniele já havia desfilado no chão pela Mocidade, como bailarina. "Desfilei com sapatilha de ponta e, no fim, estava com os pés sangrando. Agora, só vou ficar dando pinta lá em cima", diverte-se, com um bom humor que não aparenta uma má notícia no trabalho. Daniele não foi liberada pela direção de "Malhação" para fazer uma participação na minissérie "Um só Coração". O papel, escrito especialmente para ela, seria de uma imigrante japonesa. "Fiquei chateada, mas entreguei a Deus. Não era para acontecer", conforma-se.

Quase lá
A dupla Chitãozinho e Xororó deve assinar contrato com a Record, depois do Carnaval, para comandar um programa nas noites de sexta-feira. Corre nos bastidores que falta só acertar uma cláusula do contrato: a emissora exige "apenas" que a audiência do programa não seja inferior a seis pontos, caso contrário, ele sai do ar. Se tudo der certo, a estréia está prevista para abril. O projeto da atração, um musical com reportagens e entrevistas, é da autoria de Marlene Mattos. Antes de assinar com a Record, a diretora foi procurada pela dupla sertaneja. A Band, no entanto, garante que não vê problemas em ter sua nova diretora artística envolvida com projetos de outra emissora.

Foi bem
O figurino impecável criado por Emília Duncan para "Um Só Coração". Como sempre, a Globo capricha na produção das tramas de época, mas a da minissérie de Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira se destaca pelo figurino. Principalmente o da protagonista Yolanda Penteado, vivida por Ana Paula Arósio, que é de uma beleza e um luxo só. Primoroso.

Foi mal
As reportagens feitas por Otaviano Costa para o especial "Skol Rio 2004", da Record. Embora seja um repórter descontraído e inteligente, Otaviano anda visivelmente "enferrujado" depois de tanto tempo fora do ar. As piadas do rapaz soaram forçadas e o pior é que, a todo momento, ele tentava fazer graça com o termo "redondinho", que faz referência à marca da cerveja que patrocina o evento.

Rápidas

Fusão - A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) analisa o processo de fusão das operadoras Sky e DirecTV. A união das duas empresas tem origem nos Estados Unidos, onde a Newscorp, controladora da Sky, comprou 34% da Hughes, controladora da DirecTV.

Triagem - Depois do Carnaval, o departamento de teledramaturgia do SBT vai selecionar três possíveis tramas para substituir "A Outra", que só vai ser exibida dublada. Desses três textos mexicanos, Sílvio Santos vai escolher um para adaptar e produzir.
Os testes que foram feitos para o elenco de "A Outra" vão ser aproveitados. Jacques Lagoa, diretor de novelas do SBT, aproveitou o impasse para ministrar uma oficina de interpretação no Rio de Janeiro.

Troca - O quadro "Nossos Filhos", que Anike Liberman comanda no "Bom Dia Mulher", da Rede TV!, vai passar a ser exibido no "Dia Dia", da Band. A apresentadora não tem mais contrato com a Rede TV!.

Ibope - As cenas da descoberta do verdadeiro sexo de Bernadete, papel de Kayky Brito, renderam ótima audiência para "Chocolate com Pimenta". A trama já chegou a bater 41 pontos de Ibope e 66% de share.

Estréia - Joelmir Betting estréia dia 15 de março como comentarista econômico do "Jornal da Band". Nesta data, Carlos Nascimento já vai estar no comando do telejornal.



Kim Cattrall


Sarah Jessica Parker

Carrie fica
com Mr. Big

No ar desde 1998, o capítulo final da série "Sex and the City" trouxe o happy end para as quatro personagens


Cynthia Nixon


Kristin Davis

Nova York - Dividida entre dois amantes, Carrie Bradshaw voltou para o Mr. Big e Nova York, deixando Aleksandr em Paris, no último episódio de "Sex and the City", exibido no último domingo, nos EUA. A grande decisão era esperada desde quando a HBO começou o seriado de sucessos, seis temporadas atrás: com qual homem, caso existisse um, Carrie ficaria?
A resposta final: Carrie (interpretada pela estrela Sarah Jessica Parker) escolheu o homem de negócios (Chris Noth) com quem ela passou boa parte da série, desde o primeiro ano. "Sou alguém que procura amor, amor de verdade. Amor do tipo não-consigo-viver-sem-você, e não acho que esse tipo de amor esteja aqui", Carrie diz a Aleksandr, o egoísta, negligente artista interpretado por Mikhail Baryshnikov. Momentos depois, Mr. Big, que foi até Paris para procurá-la, a encontra. "Demorou muito tempo para chegar aqui", diz Big. "Mas estou aqui. Carrie, você é a pessoa."
Depois de quase cem episódios românticos e apimentados, "Sex" se encerrou com uma conclusão mantida em segredo e que cumpriu a promessa de resolver a vida amorosa da colunista de sexo novaiorquina.

AMIGAS

Enquanto isso, mais bombas envolveram as três amigas da personagem: Miranda, a realista durona interpretada por Cynthia Nixon, continuou uma mãe feliz ao lado do bartender Steve, morando no Brooklyn (onde ela convida a mãe doente de Steve para morar com eles).
Charlotte, a idealista (Kristin Davis) e seu marido, Harry (anteriormente o advogado do divórcio dela) conseguem o que queriam, finalmente: adotar uma criança. Samantha, a amiga de sangue quente feita por Kim Cattrall, continua firme com o garotão Smith, apesar da perda de desejo sexual causada pelo tratamento contra câncer de seio. Ele disse que a amava. A libido voltou.
De volta a Nova York, Carrie aparece de surpresa no café onde ela e as amigas trocaram tantas experiências. Então, como presentinho de última hora, Big telefona para Carrie no celular dela. No identificador de chamadas os telespectadores podem finalmente ver o nome verdadeiro dele: John.

HISTÓRIA

O seriado, passado em Manhattan, estreou em junho de 1998 e se tornou um fenômeno cultural, definindo uma nova raça de mulheres - as que não têm medo de falar sobre homens - e do desejo por eles - com honestidade. Mas, com o fim chegando rapidamente, uma mensagem contraditória ganhava volume: talvez não fosse o fim de verdade de "Sex and the City".
O executivo-chefe do seriado, Michael Patrick King, e o elenco estão discutindo a produção de um filme, confirmou a porta-voz da HBO Tobe Becker.

 

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