Joinville         -         Domingo, 30 de maio de 2004        -          Santa Catarina - Brasil
 
 

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Sumiço de taxista
pode ter sido forjado

Delegado vê semelhança com "Caso Meco", na década de 80

José Carlos Goes
Especial para A Notícia

Blumenau - Carro incendiado para forjar uma situação. Esta prática, que marcou a crônica policial na década de 80 com o caso "Meco", é a principal linha de investigação da policia sobre o desaparecimento do taxista Livio Zanella, 69 anos, entre Ascurra e Indaial, no Médio Vale do Itajaí. Ele saiu num sábado para fazer uma corrida e nunca mais voltou. O carro em que trabalhava, um Fiesta preto foi encontrado incendiado no dia seguinte, próximo às casas de prostituição em Indaial. De acordo com a polícia, Zanella respondia vários processos criminais e tinha o pronunciamento de um júri popular pela Justiça de Barra Velha, onde seria julgado por homicídio.
O delegado Rodrigo Marchetti, da Divisão de Investigação Criminal (DIC), que auxilia as delegacias de Indaial e Ascurra nas investigações, não descarta a possibilidade de um homicídio, mas acha mais provável que o taxista esteja vivo e que forjou um incêndio em seu carro para ludibriar a Justiça. Se passando por morto, seus processos criminais poderiam ser arquivados.
Livio Zanella desapareceu na tarde de 24 de abril, quando saiu de casa em Ascurra, onde morava com sua mulher, para fazer uma corrida. O carro incendiado, que segundo a polícia pertence à sua mulher, estava próximo à pedreira da rua Palotina e às casas de prostituição, local conhecido como "Vale das Bonecas", em Indaial. Depois do seu desaparecimento a polícia descobriu que o taxista responde por 12 procedimentos criminais, sendo 11 na comarca de Ascurra, constantes no site do Tribunal de Justiça e confirmados pela juíza Cândida Inês Zoellner. A polícia investiga ainda a informação de que Zanella teria matado um sobrinho em Barra Velha, onde já teria sido pronunciado para o júri popular. A informação não consta no site do Poder Judiciário de Santa Catarina.

Semelhança

O caso "Meco", um dos crimes que mais mexeu com a opinião pública em Santa Catarina na década de 80, também teve um carro incendidado para forjar uma situação. Américo Fuchs, o "Meco", hoje com 61 anos, proprietário de casas de prostituição em Blumenau, forjou a sua própria morte para que sua mulher Evandina Girardi recebesse um milionário seguro de vida. Eles foram condenados pela morte de Vorli da Silva, cujo corpo foi encontrado carbonizado no interior do carro de "Meco", o Passat BL-5400 (Blumenau), no dia 15 de janeiro de 1978, na Serra dos Pires, em Curitibanos. Por muito tempo acreditou-se que o cadáver seria do próprio "Meco", mas a farsa foi descoberta pela polícia anos depois, quando Américo Fuchs foi preso no Rio de Janeiro, por crimes de tráfico de drogas e prostituição.
Para desvendar o caso, a polícia de Santa Catarina realizou um histórico trabalho de investigação, com a participação do comissário Nagel Marinho (em Blumenau) e de Renato Hendges (em Florianópolis), da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic).

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Mulher do 'morto'
recebe seguro milionário
logo após a farsa

No interior do automóvel Passat, de Américo Fuchs, encontrado há 26 anos entre os kms 204 e 205 da BR-470, na serra dos Pires, em Curitibanos, no Planalto Serrano, estava o corpo de um homem carbonizado. A aliança em seu dedo serviu para provar aos familiares que "Meco" estava morto. Uma fratura na sua cabeça, encontrada no exame de necropsia, revelou que ele havia recebido uma pancada antes de morrer queimado. Logo configurou-se latrocínio, hipótese que foi aceita pela polícia de Curitibanos.
O suposto corpo de Fuchs foi sepultado dias depois em Blumenau. O caso ficou em banho-maria até o final de 1978, quando as seguradoras resolveram ir mais a fundo nas suspeitas, acionando a polícia que intensificou as investigações sob o comando do delegado Renato Hendges. A mulher de "Meco", Evandina Girardi, a "Dinda" já tinha recebido o seguro pela "morte" do marido, na época 1 bilhão de cruzeiros.
Após a sua falsa morte, "Meco" foi para o Rio de Janeiro, onde passou a usar o nome de João Batista Alves. Dirigia um bordel e envolveu-se com o tráfico de drogas. Atuava sempre com a assessoria do seu filho Edson Girardi, o "Bimbo", e sua esposa "Dinda". Em dezembro de 1984, foi preso com 3,5 quilos de cocaína pura, a maior apreensão já feita no Brasil até então, de acordo com o delegado Hendges.

Azar

Mas o azar de "Meco" estava longe do Rio, ou seja, em Blumenau, exatamente na 1ª Delegacia de Polícia. Quando o então escrivão Dalvino Francisco Salvador olhava casualmente um número atrasado do jornal "O Globo", reconheceu o rosto de "Bimbo" na foto que acompunhava a notícia sobre a prisão. Fez contato com a polícia carioca, foram comparadas as impressões digitais e as dúvidas foram esclarecidas. O traficante João Batista Alves, preso junto com "Bimbo", era mesmo o "Meco", que foi removido para Blumenau em 85, onde confessou toda a trama.
O corpo carbonizado no Passat era de Vorli da Silva, 16 anos, natural de Itajaí, onde vivia com sua mãe Adelaide da Silva. Alcoólatra e desequilibrado mentalmente, Vorli foi escolhido por "Meco" para ser morto em seu lugar na trama que visava abocanhar o seguro de vida. Para isso "Meco" se valeu de Sandra Mara Seara Abreu, amiga íntima de Maria Albertina Pereira, sua amante. Seduzido por Sandra Mara, Vorli acabou por apaixonar-se pela bela mulher que o levaria ao encontro da morte. Ela fingiu estar apaixonada pelo jovem, dando-lhe dinheiro e prometendo um emprego em Curitiba. Ludibriando-o, Sandra conseguiu fazer com que ele tirasse todos os dentes para uma "renovação". Conforme apurou o delegado Hendges, os trabalhos do dentista foram pagos pela própria Sandra com dinheiro de Américo. (JCG)

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Envolvido em
outros golpes

Outros golpes contra seguradoras foram executados por Américo Fuchs antes de forjar a própria morte, incendiando seu carro com um cadáver dentro. De acordo com o delegado Renato Hendges, ainda na década de 70 ele incendiou uma Kombi velha, na qual transportava pensionistas, com o intuito de receber o seguro.
José Roberto Tarnowski, o "Polaco", seu ex-garçom, separado de Jovelina Tarnowski, foi a sua primeira vítima. "Meco" era padrinho de casamento dos dois e pagava um seguro de vida cuja beneficiária era Jovelina. No início de 1977, "Meco" passou com um veículo Volks por cima de "Polaco", tentando matá-lo. No dia 20 de novembro do mesmo ano, por volta das 3 horas da madrugada, "Polaco" foi encontrado morto no acostamento da BR-470, no Médio Vale do Itajaí, com fratura de crânio.
"Meco" foi procurador da viúva Jovelina e com ela repartiu o seguro de "Polaco". No dia 6 de janeiro de 1988, ele recebeu a sua parte no valor de 936 mil cruzeiros da época, o equivalente hoje a nove Santanas 0 km, conforme o delegado Hendges. "O dinheiro foi entregue dentro da agência do Bradesco, em um ato solene. O banco queria registrar a entrega do dinheiro", observa o policial.
Todas as tramas de "Meco" foram descobertas pela polícia catarinense a partir de sua prisão no Rio de Janeiro, em dezembro de 1984. Fucks sentou no banco dos réus em três julgamentos. Em 1985 foi condenado no Rio a oito anos de prisão por tráfico de drogas. Em 7 de agosto de 1986 foi condenado em Blumenau a 16 anos de reclusão pelo assassinato de Paulo Roberto Tarnowski. E no dia 24 de maio de 1988 foi condenado a 15 anos de reclusão em Curitibanos pela morte de Vorli da Silva, cujo corpo foi encontrado carbonizado em seu Passat. O total das penas era de 39 anos e "Meco" as vinha cumprindo na Penitenciária de Florianópolis, de onde fugiu em 1994, conforme informou Carlos Roberto dos Santos, gerente de execuções penais do Departamento de Administração Penal (Deap). (JCG)

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Em Itajaí continuam as
buscas a desaparedidos

Itajaí - Três casos de criminosos que sumiram há mais de dez anos ainda continuam pendentes no Fórum de Itajaí, no Litoral Norte. O titular da Divisão de Investigação Criminal (DIC), delegado Rui Garcia dos Santos, destaca que, embora o trabalho de inteligência e a troca de informações entre as polícias, num planejamento integrado, surta efeitos rapidamente, existem crimes que até hoje os autores não foram achados.
O suspeito de aplicar o "golpe do consórcio", um homicida e dois homens acusados de latrocínio figuram na lista de processos ainda pendentes na Justiça. Apesar de os mandados de prisão terem sido encaminhados a diversos Estados, até hoje nenhum dos foragidos foi recapturado.
Informações privilegiadas ajudaram Antônio João Azevedo a escapar da prisão, decretada em 1995. Pessoas ligadas a ele alertaram sobre o rumo das investigações policiais e, quando o mandado de prisão foi emitido, o golpista havia desaparecido. Policiais investigaram qual a extensão de seu papel no "golpe do consórcio" e descobriram que ele é procurado pela polícia de São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Santa Catarina. Antes de ter a prisão decretada o acusado morava em um apartamento no centro de Balneário Camboriú.
O crime consistia na publicação de anúncios em jornais de grande circulação anunciando a venda de veículos. As vítimas eram atraídas pelo negócio e induzidas a depositar pequena importância a título de entrada com a promessa de receber o bem em curto prazo. O saldo seria pago em suaves prestações e as negociações eram consolidadas através de contatos telefônicos. A polícia acredita que quanto maior o poder econômico, maior é a dificuldade de prender os fugitivos. (Rosangela Ricardo, especial para A Notícia)

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Leia também

Pedreiro foge
sem dar pista

O pedreiro Adão Gonçalves sequer chegou a ser ouvido no inquérito policial em que é acusado de homicídio. Ele está sumido desde a madrugada de 28 de outubro de 1990, depois da morte de Francisco Domingos da Silva Filho. Segundo os autos do processo, a vítima e o desafeto haviam se conhecido momentos antes em um bar da Praia Brava. Os dois se embebedaram e depois foram dormir na casa da vítima, ocasião em que o pedreiro teria desferido duas facadas na vítima. Segundo a denúncia do ministério público, a mulher de Francisco, que também estaria embriagada, afirmou que não houve discussão entre eles.
Apesar de uma quadrilha acusada de matar a pauladas o vigilante Flávio Faustino, 52 anos, ter sido presa, dois integrantes do bando estão foragidos há cerca de 14 anos. "Em menos de 48 horas todos estavam presos", lembra o delegado Rui. No entanto, Nilson Roberto Gonçalves Monteiro, o "Marmanjo", e Maureci Medeiros, o "Curru" estão foragidos das penitenciárias agrícolas de Curitibanos e Chapecó. (RR)


 

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