Joinville         -         Segunda-feira, 08 de novembro de 2004        -          Santa Catarina - Brasil
 
 

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Governo declara
estado de emergência no Iraque

EUA preparam grande ofensiva em Faluja para capturar rebeldes

Bagdá - Em meio a uma onda de ataques rebeldes, o governo provisório iraquiano declarou ontem estado de emergência de 60 dias em todo o país, com exceção das áreas curdas do norte. A medida foi tomada ao mesmo tempo em que forças americanas preparam para uma grande ofensiva em Faluja, oeste de Bagdá, para sufocar a insurgência e caçar um de seus principais líderes, o jordaniano Abu Musab al-Zarqawi. Horas depois, as forças americanas anunciaram ter cercado e isolado Faluja, suspendendo todo o tráfego de entrada e saída da cidade, "em cumprimento da lei marcial". À noite, segundo testemunhas, aviões dos EUA começaram a bombardear pesadamente várias áreas da cidade, levando alguns analistas à interpretação de que a longamente esperada ofensiva maciça para sufocar a insurgência e caçar um de seus principais líderes, o jordaniano Abu Musab al-Zarqawi, tinha sido ordenada. Mas o início do ataque em grande escala não foi confirmado oficialmente por autoridades americanas ou iraquianas.
Pela manhã, a artilharia americana já havia bombardeado posições supostamente ocupada por rebeldes em Faluja. Segundo os militares dos EUA, os marines atacaram insurgentes que carregavam fuzis AK-47 e mataram pelo menos 16 deles.
O decreto do estado de emergência se seguiu a ataques, ocorridos na madrugada, contra três delegacias de polícia na Província de Anbar, que causaram a morte de 22 policiais. Segundo testemunhas, 200 homens armados invadiram postos policiais em Haditha e Haqlaniya, desarmaram os policiais e os reuniram antes de executá-los um a um com tiro na nuca.
Na véspera, pelo menos 30 policiais e soldados da Guarda Nacional morreram na explosão de quatro carros-bomba e ataques contra delegacias em Samarra, 130 quilômetros a norte de Bagdá. O grupo de Al-Zarqawi - que recentemente anunciou que estava se unindo à rede Al-Qaeda, de Osama bin Laden - reivindicou a autoria dos ataques.
O porta-voz do governo iraquiano, Thair Hassan al-Naqib, afirmou que os detalhes da medida de exceção só seriam conhecidas hoje, quando o primeiro-ministro Iyad Allawi dará uma entrevista coletiva.


Resistência na região
oeste mobiliza 20 mil militares

Entre 10 mil e 12 mil soldados americanos estão concentrados nas proximidades de Faluja. Comandantes dos EUA afirmam estar apenas esperando uma ordem de Allawi para o início da ofensiva. No total, aproximadamente 20 mil militares dos EUA foram deslocados para a região, onde a resistência à ocupação americana é mais violenta. A inteligência dos EUA estima que 3 mil insurgentes estão entrincheirados em Faluja, cidade que tornou-se, no mundo islâmico, o símbolo da resistência iraquiana à ocupação americana. Acredita-se que de seus 300 mil habitantes, 80% já tenham abandonado a cidade.
Em outro ataque, três funcionários da Província de Diyala foram mortos, quando se dirigiam para um funeral de um outro colega, morto no começo da semana em Kerbala, no sul do Iraque. Ainda ontem, um funcionário do partido xiita informou que 12 membros da Guarda Nacional foram assassinados numa emboscada promovida por rebeldes que vestiam farda da polícia iraquiana.
Um carro-bomba explodiu perto da casa do ministro das Finanças iraquiano, o xiita Adil Abdel-Mahdi, causando a morte de um de seus guardas de segurança. Abdel-Mahdi não estava em casa no momento da explosão. Os insurgentes também emboscaram ontem pelo menos três comboios militares americanos em Bagdá e arredores. Fontes americanas confirmaram a morte de pelo menos dois soldados. Outros 15 ficaram feridos. Em Basra, no sul do Iraque, um civil britânico trabalhando para as forças de ocupação foi morto num ataque com bomba contra o carro em que viajava. Também ontem, dois soldados britânicos do regimento Black Watch ficaram seriamente feridos num atentado com carro-bomba a sudoeste de Bagdá. Fontes policiais também afirmaram hoje ter encontrado os corpos de quatro civis iraquianos crivados de bala ao sul de Kirkuk, no norte do Iraque.


Saúde de Arafat
continua inalterada, informa general

França/Cisjordânia - O presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, se encontra em um "estado sem alteração em relação ao último boletim médico", informou ontem o general Christian Estripeau, responsável pela comunicação do serviço de saúde do exército da França. "Nenhuma declaração à imprensa está prevista para este domingo", acrescentou Estripeau. O último boletim médico do líder palestino foi divulgado na sexta-feira passada.
O general Estripeau disse na ocasião que o estado de saúde de Arafat não havia se "agravado" e que era considerado "estável" em relação ao boletim anterior. Porém, mais tarde, o ministro das Relações Exteriores francês, Michel Barnier, disse que Yasser Arafat "está vivo" e seu estado de saúde é "muito complexo, muito sério, mas estável". Segundo o chanceler francês, três dirigentes palestinos, o primeiro-ministro, Ahmed Qorei, o número dois da OLP, Mahmud Abbas, e o ministro das Relações Exteriores, Nabil Chaath, devem chegar hoje a Paris para visitar o líder palestino.
No sábado, Nabil Abu Rudeina, principal conselheiro de Arafat, declarou que o estado do líder continuava sendo "crítico", mas que "sua condição não chegou ao nível irreversível". Uma fonte médica francesa chegou a declarar na quinta-feira que o líder da Autoridade Palestina estava com "morte cerebral". Yasser Arafat foi internado no hospital militar Percy de Clamart no dia 29 de outubro.
Suha Arafat, a esposa de Yasser Arafat, encarregou um membro da delegação na França de transmitir uma mensagem aos dirigentes palestinos em Ramallah, na Cisjordânia, informou uma fonte ligada à Autoridade palestina. O recado, cujo conteúdo ainda não foi revelado, será transmitido por intermédio de Mohammad Dahlan, o homem forte da Faixa de Gaza, que visitou Arafat no sábado no hospital Percy.
Os principais grupos de resistência armada palestinos, como o Hamas, a Jihad Islâmica e a ala mais radical do Fatah, se reuniram no sábado em Gaza com o primeiro-ministro Ahmed Qorei para reafirmar a unidade palestina e traçar um plano de transição pacífica no caso de morte de Arafat.
Segundo a Lei Básica palestina, em caso de falecimento de Arafat, o título de presidente passará formalmente ao presidente do Parlamento palestino, Rawhi Fatuh. Porém, de fato Qorei e o número dois da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Mahmud Abbas, conhecido como Abu Mazen, devem assumir o controle do governo durante algum tempo, mas a verdadeira sucessão deve ser fruto de eleições, já que Arafat não designou nenhum herdeiro oficial.

Manifestação

Pelo menos 4 mil palestinos se reuniram ontem em Nablus (norte da Cisjordânia) para apoiar o líder Yasser Arafat, constatou um correspondente da AFP. Os manifestantes caminharam da Universidade Al-Najah até o centro da cidade cantando o tradicional "por nosso sangue e nossa alma, te defenderemos, Yasser Arafat". "De Nablus até Paris, estamos todos contigo, nosso presidente", clamava a multidão.
O presidente da Autoridade Palestina, de 75 anos, está hospitalizado desde 29 de outubro no Hospital Militar Percy, em Clamart, após sofrer uma súbita piora em seu estado de saúde.


Onda de
violência atinge o país

São Paulo - Multidões armadas com machadinhas atacaram e queimaram ontem alvos franceses nas maiores cidades da Costa do Marfim, além de invadirem residências em busca de famílias francesas. Uma base militar francesa também foi cercada por manifestantes. Paris enviou 600 soldados para reforçar seu contingente de 4 mil homens no país, além de pedir ao Conselho de Segurança da ONU o embargo à compra de armas bem como outras sanções.
Os ataques se iniciaram ontem depois que tropas francesas destruíram, no sábado, dois aviões e cinco helicópteros da Força Aérea da ex-colônia francesa no aeroporto internacional da capital, Yamoussoukro. No mesmo dia, nove soldados franceses e um civil americano haviam sido mortos, vítimas de bombardeios aéreos, em Buaki, no norte rebelde.
Durante a noite de sábado para domingo, milhares de partidários do presidente Laurent Gbagbo saíram às ruas de Abidjã, a maior cidade do país, para apoiar o presidente. Gangues de jovens percorriam o centro comercial, atacando estrangeiros e invadindo casas e lojas. Soldados franceses lançaram bombas de gás e dispararam tiros de advertência para dispersar a multidão. Atiradores franceses também tomaram posição nas pontes e edifícios de Abidjã, um dia após tomar controle dos dois aeroportos do país.
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06/11 - Estado de saúde de Arafat vira mistério
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Brasileiro pega prisão
perpétua no Reino Unido

São Paulo - O brasileiro Fábio Pereira, 25 anos, foi condenado na sexta-feira à prisão perpétua pela Justiça britânica, depois de ter sido julgado pela morte do fotógrafo John Goodman, 52. Ele terá possibilidade de sair após cumprir 16 anos de pena, segundo o jornal britânico "The Times". Pereira confessou o assassinato.
O brasileiro, imigrante ilegal, invadiu a casa de Goodman em Ealing, parte oeste de Londres, Reino Unido, no dia 7 de abril de 2003, acreditando estar vazia.
O fotógrafo retornou apenas no dia seguinte à residência, e foi morto pelo brasileiro, que colocou o corpo debaixo das tábuas do assoalho da casa.
Pereira, então, passou a usar a identidade da vítima, os cartões de crédito e o dinheiro que estava em contas bancárias. O brasileiro também redecorou todo o apartamento do fotógrafo, segundo o "The Times".


Egito garante não
ter programa nuclear secreto

Cairo - O Egito rejeitou ontem a acusação de que estaria trabalhando em um programa nuclear secreto e afirmou que, neste sentido, aplica o princípio de transparência, submetendo seus parques nucleares a inspeções regulares. "O programa nuclear egípcio é claro, conhecido e anunciado", declarou ontem à imprensa o porta-voz presidencial, Magued Abdel Fattah.
"Os sítios nucleares no Egito são submetidos à inspeção da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA)", frisou, lembrando que "fomos submetidos a uma inspeção há um mês e a outra, três meses antes". Para seu programa nuclear, "o Egito aplica o princípio de transparência total e firmamos um protocolo com a AIEA segundo o qual a agência organiza uma inspeção periódica das instalações", acrescentou o porta-voz.
Em sua edição de 2 de novembro passado, o jornal francês "Libération" denunciou que a Líbia "trabalhava para seus próprios interesses, mas também, secretamente, para os egípcios", referindo-se ao programa nuclear clandestino líbio abandonado em 2003. "O que alguns veículos de comunicação divulgaram é apenas uma tentativa de pressionar os funcionários internacionais para que não prolonguem seu mandato", disse Abdel Fattah.
Na mesma matéria, o "Libération" afirma que, segundo certas fontes, o diretor da AIEA, o egípcio Mohammed ElBaradei, que é candidato a um terceiro mandato à frente da agência, apesar da oposição de Washington, seria "um elemento-chave na política estratégica egípcia, com a missão de favorecer o Egito na transferência de informações e tecnologias nucleares".
O embaixador do Egito na AIEA julgou, de imediato, como "totalmente infundadas" estas denúncias e desmentiu que ElBaradei pudesse ajudar o Cairo a esconder seu programa nuclear.

 

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